Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

ENTRE ASPAS > TODA MÍDIA

Nelson de Sá

09/11/2004 na edição 302

‘A BBC e jornais mexicanos destacavam ontem que, em telefonema do presidente Vicente Fox a George W. Bush, o americano ‘assegurou que no segundo mandato vai buscar uma relação mais próxima da América Latina’.

E mais não disse, pelos relatos. Mas o americano ‘Miami Herald’ dedicou extensa cobertura às relações no hemisfério, que abriu sublinhando:

– A segunda administração Bush vai revisar sua política em relação à América Latina para assegurar que esteja no caminho certo para promover a democracia, a segurança e a integração econômico, disseram funcionários do governo.

Não quer dizer muita coisa. Mais à frente, os tais funcionários defenderam o histórico de Bush na região, ‘apontando esforços conjuntos com o Brasil na crise da Venezuela e a decisão de Brasil, Argentina e Chile de contribuir com tropas para a força da ONU no Haiti’.

O Haiti seria ‘uma preocupação maior’ do novo mandato, segundo ‘alto funcionário do Pentágono’, assinalando que os EUA ‘sabem muito bem da deterioração da situação’.

Mas tudo depende, quanto à nova política de Bush em relação à América Latina, de quem vai substituir o atual secretário de Estado, Colin Powell.

O ‘Miami Herald’ diz que três nomes ‘circulam’ em Washington: o embaixador na ONU, John Danforth, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Richard Lugar, e a conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice.

Andres Oppenheimer, colunista do ‘Miami Herald’ e da CNN em espanhol, opinava ontem que ‘Bush será forçado a dar mais atenção à região por causa do estabelecimento de um bloco hispânico de votos mais poderoso na eleição’.

Mais importante, os hispânicos -antes majoritariamente democratas- se firmaram como ‘bipartidários’.

Ainda mais importante, segundo uma pesquisa da Zogby, 70% dos eleitores hispânicos nos EUA disseram que a política em relação à América Latina é uma questão que eles consideram importante na hora de decidir em quem votar.

Conclui Oppenheimer:

– Bush -e os sucessores- não terão alternativa a não ser criar pontes com a região. É uma questão de voto, a única coisa a que os políticos dão atenção.

Por aqui, o embaixador americano, John Danilovich, disse ao ‘Valor’ que ‘o Brasil vai indo bem e não foi mencionado’ na campanha, o que ‘pode ser visto como uma coisa boa’.

E também Danilovich citou elogiosamente a ‘manutenção da paz no Haiti’ como sinal de que o Brasil ‘apóia a guerra contra o terror’, embora não seja favorável à invasão no Iraque.

Enquanto o embaixador sublinhava que a reeleição permite a retomada das negociações da Alca, o chanceler brasileiro Celso Amorim parecia apostar em outro sentido, ontem. Dele, segundo sites diversos:

– Se retomarmos [a Alca] no ponto em que deixamos, creio que podemos avançar rapidamente. Evidentemente, teria em paralelo as negociações da Organização Mundial do Comércio, que, eu repito sempre, para o Brasil são prioritárias.

SUSPENSE

No ‘La Nación’, Kirchner convida estudantes para a Casa Rosada

Sites mexicanos noticiavam ontem que o presidente Vicente Fox havia chegado ao Brasil. O mesmo faziam sites chilenos, peruanos e outros pela América Latina, com seus respectivos presidentes.

Mas na Argentina as páginas iniciais do ‘La Nación’ e do ‘Clarín’ destacavam que o presidente Néstor Kirchner, ‘sem dar a conhecer os motivos’, suspendeu a viagem para a reunião do Grupo do Rio. Em lugar da viagem, ele avistou jovens estudantes pela janela da Casa Rosada, saiu ao jardim e os convidou para tirar fotos em seu escritório. Foi algo ‘inusitado’, segundo a descrição do ‘La Nación’.

Metáfora

A ‘Economist’ buscou ontem espelhar ‘o gosto de Lula pelas metáforas de futebol’. Disse que ele chega ao ‘intervalo do jogo’ com ‘uma pequena vantagem’. Só que, passadas as eleições, ‘o time já não está tão coeso como poderia -e o outro lado ganhou novo ânimo’.

Para a revista britânica, o governo teve vitórias e derrotas. As últimas ‘podem torná-lo mais cuidadoso, sobretudo quanto à autonomia do Banco Central e a reforma trabalhista’:

– Mas isso seria uma pena. Se Lula é sábio, ele vai gastar o segundo tempo do mandato no ataque e não na defesa.

Um tributo

Nem todos reagem como Larry Rohter ao programa nuclear brasileiro, nos EUA. O ‘Miami Herald’ deu editorial com elogios à recém-adquirida ‘capacidade para produzir urânio enriquecido, num tributo ao esforço do Brasil de modernizar a sua economia’.

Sobre as inspeções, disse que ‘ninguém acusa o Brasil de planos secretos para desenvolver armas nucleares’, mas defendeu um acordo com a ONU.

Horas depois, as agências americanas AP e UPI soltavam despachos dizendo que a ONU anunciava ter chegado, afinal, ao acordo com o Brasil.

***

‘De quem é a culpa’, copyright Folha de S. Paulo, 4/11/04

‘Desta vez foram blogs, não TVs, que correram para adiantar o resultado e criaram, segundo um blogueiro que não entrou na briga pela boca-de-urna, a ‘presidência de sete horas’ de John Kerry.

Mas quem buscasse retratação dos blogs ontem, sobretudo dos ‘liberais’, não encontraria.

Era possível achar recriminação dos blogs pelas TVs, sites de jornais e pela agência Associated Press. Mas os blogueiros prosseguiam na ofensiva, à esquerda e à direita, sem piscar.

O pró-republicano Glenn Reynolds, em seu Instapundit e no ‘Guardian’, saudou menos a vitória de George W. Bush do que a dos blogs, na eleição.

Para ele, foi ‘graças à internet, aos canais a cabo e aos radialistas que a inclinação da mídia [pró-Kerry] ficou mais fácil de identificar e mais fácil, para os cidadãos, de superar’. Foi o que evitou, diz ele, o estabelecimento de ‘falso consenso’.

De sua parte, o pró-democrata Markos Moulitsas, do Daily Kos, não diferiu muito na avaliação do que levou à reeleição:

– Nós [‘liberais’] tivemos uma explosão no mundo dos blogs e iniciamos uma rede de rádio, mas a nossa máquina foi vencida de longe pela máquina de barulho da direita (Fox News, Drudge, radialistas etc.).

Mas e a boca-de-urna? Quase sem exceção, nos principais blogs, sobraram ironia e ataques ao ‘pool’ de pesquisa formado pelas redes, os principais jornais e a agência AP, que levantou os números vazados.

Mickey Kaus, do Kausfiles, recorreu a um palavrão para dizer que o ‘pool’ se perdeu.

Do outro lado, ‘Washington Post’, com Howard Kurtz, e ‘New York Times’, em seu blog eleitoral, recriminaram levemente os blogs. O ‘Wall Street Journal’ ironizou:

– O festejado novo meio se provou tão vulnerável a gafes quanto a mídia ‘mainstream’.

Mas o mesmo ‘WSJ’ disse que os blogs derrubaram Wall Street ‘quase imediatamente’ e que ‘a atenção dada a eles sublinha sua importância crescente nos mundos da política e da mídia’. A colunista de web do ‘WP acresceu, exagerando:

– Num histórico dia de eleição, os blogueiros fizeram tremer a mídia ‘mainstream’.

Atenta às críticas ao ‘pool’, a AP soltou despacho ontem à noite passando a responsabilidade adiante, aos blogs e às próprias redes de TV.

Sobre os primeiros, disse que ‘organizações de notícias responsabilizaram os blogueiros por espalhar notícias que deram uma visão equivocada’.

No texto, pesquisadores contratados pelo ‘pool’ reclamaram que os números vazados eram da manhã e que, à tarde, eles se aproximaram.

Sobre as redes, o despacho foi ainda mais incisivo, citando horários em que ABC, NBC e Fox News comentaram as pesquisas de boca-de-urna no ar, contra o conselho da agência.

O problema da AP é que a Fox News já veio a público atacar o ‘pool’ -de que a própria emissora faz parte. E assim o despacho se revela sobretudo um esforço de defesa da agência.

Kathleen Carrol, editora-executiva da AP, apareceu no próprio despacho e prometeu:

– Nós vamos examinar nos próximos dias como os instrumentos funcionaram, com nossos especialistas e nossos colegas do ‘pool’. E esperamos poder responder a qualquer preocupação quanto ao processo.

PESQUISAS

O logo de Zogby diz que ele está sempre ‘à frente da tendência’

Além do ‘pool’ da agência AP, dois personagens se destacaram no universo das pesquisas, na reta final e no ‘dia seguinte’ à eleição americana. O blog Mystery Pollster (logotipo acima), do pesquisador Mark Blumenthal, era louvado ontem por outros blogueiros e curiosamente pela grande mídia, até pela AP, por ter chamado a atenção para os riscos da boca-de-urna.

E o próprio Mystery Pollster trazia ontem a avaliação ao que parece definitiva sobre a vitória de Bush:

– Simplesmente não se consegue vencer um presidente em tempo de guerra. Depois da guerra, certamente, mas nunca no meio. Os republicanos vinham disseminando isso por meses -e estavam certos.

O outro personagem é o pesquisador John Zogby, cujo site apontou vitória democrata no dia da eleição. Zogby, que chegou a ser descrito como um grande vencedor nesta campanha pela ‘New Yorker’, saiu-se ontem com um comunicado, novamente em seu site:

– Eu achei que havíamos captado uma tendência, mas aparentemente o resultado não se materializou…

Guerra cultural

No site da pró-republicana ‘National Review’, os primeiros sinais de uma nova ‘guerra’ que vem por aí, com Bush.

Um texto em destaque apontava que a vitória se devia ao apoio evangélico. E o ‘ideólogo’ republicano William Bennett escrevia que o presidente havia conseguido ‘um mandato para fazer a mudança cultural’.

Para Bennett, citando pesquisa do ‘Los Angeles Times’ e os plebiscitos que recusaram a união homossexual, os ‘valores morais’ definiram a vitória.

– Bush vai estabelecer uma sociedade mais decente.

Homofobia

Do lado oposto, o blogueiro e colunista da ‘New Republic’ Andrew Sullivan, autodescrito como um conservador gay, se torturava ao apontar o ‘sucesso’ da estratégia ‘homofóbica’ da campanha Bush para vencer em vários Estados-chave.

Sullivan disse não ter ficado surpreso com a recusa da união homossexual em 11 Estados, por se tratar de demanda de minoria -que tende a cair em plebiscito. Sem maior esperança, citou que os republicanos ainda podem se lembrar que são federalistas e deixar o caminho aberto nos Estados menos moralistas.’

***

‘Da boca ao voto’, copyright Folha de S. Paulo, 5/11/04

‘O blog que se estabeleceu como maior referência em avaliação de pesquisas, na campanha presidencial dos EUA, bem que avisou, nem bem começou a votação:

– Logo o tráfego em certos sites vai atingir níveis astronômicos conforme a globosfera sai em busca dos vazamentos de pesquisas de boca-de-urna.

E assim foi. Mas antes o Mystery Pollster ainda aconselhou a todos -sites e internautas- que não levassem as bocas-de-urna muito a sério, enumerando motivos como ‘os padrões de votação mudam muito ao longo do dia’ e ‘ainda é só um levantamento’.

Alguns dos principais blogueiros, como Mickey Kaus, Joshua Marshall e Glenn Reynolds, seguiram o conselho e evitaram as pesquisas vazadas.

Mas outros, não. O ‘furo’, como anunciado pela blogosfera, foi do pró-democrata Jerome Armstrong, do MyDD, que entrou quando ainda faltavam cinco horas para acabar as votações nos primeiros Estados.

Os números, supostamente levantados pelo ‘pool’ de grandes redes e jornais, falavam em vantagem para John Kerry na Pensilvânia, Ohio e Flórida.

Outros blogs pró-democratas, como o Daily Kos, correram a reproduzir o vazamento -e ambos, em pouco tempo, enfrentaram tantos acessos que quase saíram do ar.

O que chamou a atenção, na seqüência, foi que também blogueiros e sites pró-republicanos passaram a dar números, a partir de outras fontes, em favor do candidato democrata.

O The Corner, da ‘National Review’, por exemplo, apontou Kerry na frente, no Estado-chave de Ohio. Até o Drudge Report, que fez história com Monica Lewinsky e quase derrubou Bill Clinton, foi nessa linha:

– O ‘pool’ mostra Kerry com pequena vantagem, de 1%, em Ohio e na Flórida.

Na onda crescente, o site seguinte a apontar a provável vitória de John Kerry foi o do pesquisador John Zogby.

Ele fez a previsão de 311 votos para o democrata, no colégio eleitoral, contra 213 de Bush. E arriscou que o republicano, a exemplo do que ocorreu em 2000 com seu oponente Al Gore, teria mais votos nacionalmente, mas também perderia.

Foi um dos destaques do Jornal Nacional, por aqui.

Mas a blogosfera prosseguiu em sua dinâmica histriônica. Drudge, registrando a repentina ‘mudança de humor’, para usar a expressão do inédito blog do site do ‘New York Times’, jogou no ar a manchete:

– Chega de pesquisas da mídia [do ‘pool’]; vamos contar os votos do povo!

Minutos antes, o mesmo Jerome Armstrong, do MyDD da primeira boca-de-urna, surgiu dizendo que as primeiras apurações em Ohio já ‘mostravam Bush com resultados melhores do que ele alcançou em 2000’ -e sublinhando um quadro desfavorável para Kerry.

E começou então a reação dos blogs pró-Bush, denunciando a boca-de-urna da ‘mídia’, que errou contra Bush quatro anos antes e poderia estar fazendo o mesmo outra vez, com os números que vazaram.

Era o que se lia, entre outros, no Kerry Spot, também da ‘National Review’, e no Instapundit de Glenn Reynolds, entre vários que se voltaram agressivamente contra a boca-de-urna.

Mas então já não eram os blogs que comandavam a cobertura on-line. Eram os sites da grande mídia -e, em especial, o da organização Media Matters, que contabilizava uma a uma as projeções do vencedor de cada Estado, feitas pelas cinco maiores redes de TV e pelos três principais canais de notícias.

E ambos podiam vencer.

KERRY OU BUSH

No início da tarde nos EUA, o blog MyDD (logo acima) anunciou, ainda com cuidado, que John Kerry largava na frente nos Estados-chave, segundo a boca-de-urna. Horas depois, anunciou que as apurações já não estavam tão bem assim para o democrata

Conflito

Paralelamente à disputa em torno das pesquisas e apurações, os blogs e sites se enfrentaram durante o dia todo em torno de acusações de fraude.

O caso mais controverso foi o das supostas urnas eletrônicas que já abriram com votos no Estado da Pensilvânia. Matt Drudge lançou a denúncia e logo depois o canal Fox News passou a destacar a história.

Mas não demorou e o blog Talking Points Memo, de Joshua Marshall, trazia a versão do responsável pelas eleições no Estado, questionando a denúncia como ‘absolutamente ridícula’. Outros blogs tratavam Drudge como ‘retardado’.

Risco

Pelo menos dois jornais, ‘The Washington Post’ e ‘Los Angeles Times’, e duas colunas on line de grande leitura, a The Note, do site da ABC, e a de Eric Umansky na Slate, arriscaram apontar que o ambiente na campanha de George W. Bush era de ‘melancolia’, antes de começar a votação, ontem.

No caso do ‘WP’, eram citados até assessores que indicavam que o presidente perdeu ‘momento’ na reta final.

A agenda

Registre-se que a citada The Note, da ABC, sai da campanha como vitoriosa, junto aos blogs. Diária, ela é citada como a maior agenda política de referência por democratas e republicanos. Seu editor, Mark Halperin, acaba de ganhar extenso e elogioso perfil na revista ‘The New Yorker’.

Na imprensa

Os blogueiros chegaram ao dia da eleição nas páginas dos jornais. Alguns deles, como Ana Marie Cox (Wonkette) e David Adesnik (Oxblog), foram convocados pelo ‘New York Times’ a declarar seus votos na seção de opinião, a mais nobre.

E pelo menos outros dois, Markos Moulitsas (Daily Kos) e Glenn Reynolds (Instapundit), se tornaram colunistas do ‘Guardian’, com textos publicados ontem em destaque.

Na web

Mas a prova da ‘revolução’, termo do ‘NYT’, de 2004 é que os próprios sites dos grandes jornais, como o mesmo ‘NYT’, ‘Wall Street Journal’, ‘Miami Herald’ e toda a cadeia Knight Ridder publicavam ontem seus próprios blogs eleitorais.

CHEGA O Drudge Report, um dos primeiros a vazar a boca-de-urna, se cansou e bradou em manchete: ‘Chega de pesquisas da mídia; vamos contar os votos do povo!’’



FSP CONTESTADA
Painel do Leitor, Folha de S. Paulo

‘Operação Chacal’, copyright Folha de S. Paulo, 6/11/04

‘‘Diante do flagrante da Operação Chacal conduzida pela Polícia Federal, causam indignação e revolta a carta de Maria Regina Yazbek (‘Painel do Leitor’, 28/10) e o informe publicitário de seu parceiro Kroll. Os fatos são os seguintes: 1) Não foi o nazista Goebbels, mas o juiz britânico Dale Sanderson que sentenciou na causa 398/01 assim: ‘(…) concluo que o sr. Galego e a sra. Yazbek combinaram de roubar e efetivamente roubaram os e-mails que se encontravam no computador do sr. Demarco’. Essa sentença, de novembro de 2001, é definitiva e nunca foi apelada. A sra. Maria Regina Yazbek, o sr. Galego e os irmãos Dantas estavam presentes nos cinco dias do julgamento; 2) O processo no Brasil referente ao roubo dos 4.000 e-mails não foi concluído e encontra-se para julgamento na 12ª Câmara do Tacrim-SP sob número 1.442.415-1. Em 31 de maio deste ano, o procurador de Justiça José Eduardo Diniz Rosa deu provimento ao recurso em sentido estrito para reabertura da investigação policial contra a sra. Yazbek; 3) O próprio Daniel Dantas confessa, em carta assinada ao Ministério Público em 14/3/2002, que utilizou ‘um documento confidencial furtado do sr. Demarco’. O ‘documento furtado’ foi entregue ao Opportunity pela sra. Yazbek e faz parte do mesmo lote de 4.000 e-mails em que se encontram os dois e-mails trocados com o atual ministro Gushiken e outros 44 e-mails capturados com a Kroll; 4) A revista ‘CartaCapital’ de 4/8 publicou a transcrição de conversa gravada entre a sra. Yazbek e o hoje preso Eduardo Sampaio Gomide, então presidente da Kroll no Brasil, na qual a sra. Yazbek combina de mandar os e-mails e CDs para que fossem guardados pela Kroll. Em 4/7/2001, a mesma revista publicou outros diálogos nos quais a sra. Yazbek se refere à Kroll e a uma tentativa de ‘comprar a polícia’; 5) A sra. Yazbek possui 7% do capital social do Opportunity HE S/A.’ Luís Roberto Demarco (São Paulo, SP)

Ancine

‘A reportagem ‘Verba da Ancine é usada para decoração’ (Ilustrada, pág. E8, 29/10) contém três erros fundamentais para a compreensão do leitor deste prestigioso diário. 1) A ‘verba’ a que se refere o título não é da Ancine, mas, sim, da programadora estrangeira -no caso a People and Arts, do Discovery Channel-, que a recolhe a uma conta sua, monitorada pela Ancine, para uso em co-produções com empresa produtora brasileira independente. Assim, ela utiliza o benefício tributário relativo ao pagamento da Condecine. A produção usa os recursos para fazer um programa constituído pela redecoração de uma casa para determinado morador devido a ser esse o tema do seu programa, explicitamente detalhado no projeto apresentado à Ancine. Portanto o jocoso título ‘Verba da Ancine é usada para decoração’ revela ignorância ou injustificável malícia por parte do repórter e de seu editor imediato. 2) A Ancine não ‘libera verbas’, muito menos de R$ 300 mil, pois tais rubricas não existem na agência. O montante recolhido à conta da programadora estrangeira a ela pertence, inclusive como exclusiva detentora do benefício fiscal que a lei lhe faculta. A aprovação pela qual o projeto passa na Ancine é de caráter estritamente técnico, fiscal, legal e de compatibilidade entre o orçamento e o projeto apresentados, não cabendo, de acordo com a medida provisória 2228-1, art. 39, inciso X, censura ou julgamento de conteúdo dos projetos nos quais as programadoras decidiram aplicar os recursos recolhidos sob a rubrica da Condecine. 3) O senhor Luiz Fernando Noel é creditado como ‘diretor industrial’ da agência, cargo inexistente na Ancine. Para referência do repórter, o senhor Noel é superintendente de desenvolvimento industrial e assim se apresentou ao entrevistador. Em nenhum momento foi dito ao repórter que o programa em tela ‘é um programa cultural’, aos quais, aliás, não se limitam os benefícios do artigo 39 da MP 2.228-1. No mais, resta-nos lamentar o tipo de informação que o leitor da Folha vem recebendo dessa coluna, eivada de distorções em busca da manchete pitoresca que, à custa da verdade, rende-lhe a atenção momentânea da edição do dia, em desrespeito à verdade e ao revés da transparência, fontes da liberdade democrática que constrói as mais fortes imprensas e nações do mundo.’ Antonio Augusto G. S. Silva, assessor de comunicação da Ancine (Brasília, DF)

Resposta do colunista Daniel Castro – A legislação permite que programadoras de TV paga estrangeiras, em vez de pagarem 11% de tributo sobre suas remessas ao exterior, depositem 3% disso em uma conta e usem esse dinheiro em benefício próprio, na produção, entre outros, de ‘programas educativos e culturais’, após deliberação da Ancine (a deste caso foi publicada no ‘Diário Oficial’ de 5/ 10/04). Questionado sobre ‘reality show’ ser um produto cultural, o senhor Noel, da Ancine, respondeu: ‘É’.’



ELEIÇÕES LÁ E CÁ
Aristoteles Drummond

‘A mídia e o voto’, copyright Jornal do Brasil in Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 4/11/04

‘Na semana que marcou eleições na nação mais importante do mundo e na cidade mais importante do Brasil, um ponto passou a merecer a reflexão da sociedade. É a questão do posicionamento da imprensa face as diferentes candidaturas, desde que são raros os jornais, no Brasil mais ainda, que assumem suas preferências. No caso paulista, chegou a ser publicado quadro comparativo de noticias positivas e negativas em relação aos candidatos, mostrando uma vantagem do candidato do PSDB muito nítida nos dois principais jornais de São Paulo. Um órgão de comunicação, como um jornal ou uma revista, pode até ser neutro por opção de sua direção. Mas não é obrigado a tal. O que temos assistido é que apesar das direções insistirem na imparcialidade, os noticiários são claramente tendenciosos.

O leitor fica prejudicado, o jornal arrisca sua credibilidade e a democracia não aufere nenhum benefício. Registre-se que ser partidário não implica em ser sectário, negar a verdade ou acolher a mentira. No inicio dos anos 60, Carlos Lacerda chegou a denunciar um cartel na reportagem política a que denominou de ‘sindicato da mentira’. Os anos se passaram e, vez por outra, algum segmento político consegue influir acima do aceitável no noticiário, sem assinatura e insinuando se tratar de fatos e não de opiniões. A mim, com quarenta anos de jornalismo, parece claro que os tucanos, por um motivo ou por outro, influem de maneira escamoteada no noticiário político e, sobretudo, no econômico. Embora o governo seja acusado de tentar manipular ou constranger os jornalistas com o malfadado Conselho.

O momento deveria ser de reflexão. Governo, políticos, jornalistas e donos de jornais. O leitor , que é eleitor , quer saber o sentido – quando não os objetivos – do que lê, vê ou escuta nos meios de comunicação . Talvez por isso as páginas de opinião tenham ganhado tanto espaço e tanto prestigio. Que cada um assuma suas posições. E o publico leitor – eleitor – que escolha o que lhe parecer mais próximo de seu pensamento. (*) Aristoteles Drummond é jornalista e vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro.’

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