Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > TODA MÍIDA

Nelson de Sá

21/12/2004 na edição 308

‘O Jornal Nacional partiu da pesquisa do IBGE, que apontou mais obesidade do que desnutrição no país, para atacar -outra vez- o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e o próprio Fome Zero, de Lula.

Já nas manchetes:

– IBGE descobre que a obesidade é um problema maior que a falta de comida. Mas o governo avisa que nada muda nos programas sociais.

Depois, na reportagem:

– O ministro Patrus Ananias disse que os objetivos do programa Bolsa-Família não vão mudar, mesmo depois da divulgação da pesquisa.

O JN ouviu então um sociólogo, segundo o qual o governo Lula ‘se precipitou ao lançar o Bolsa-Família antes de fazer uma pesquisa sobre a nutrição dos brasileiros’:

– Eu nunca acreditei que o Brasil tivesse dezenas de milhões de famintos.

O telejornal reapresentou uma cena de Lula, no lançamento do Fome Zero, falando em mais de 40 milhões ‘passando fome no Brasil’.

Além de não mudar ‘nada’ por aqui, mesmo com a ofensiva do JN, o Fome Zero segue em carreira internacional.

Segundo o Globo Online, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, agora também sócio do Mercosul, ‘propôs a Lula a criação de um Fundo Social para a América do Sul’:

– Como prioridade, o combate à fome e à miséria.

Chávez já ofereceu US$ 100 milhões ao fundo.

SEGREDOS

Mais arquivos ‘abandonados’

O JN trouxe os novos documentos do regime militar, agora de um ‘sítio abandonado’ perto de Porto Alegre, como adiantou o ‘Zero Hora’. No ‘arquivo pessoal de um ex-ministro da Educação, muitos papéis com carimbos de confidencial ou secreto’. Relatam ações sobre, entre outros, o líder estudantil José Dirceu, como se sublinhou. O ministro, ontem no balanço do governo, na Globo News, acabou falando seguidas vezes dos documentos e garantiu que virão a público.

E dois brasilianistas, em longas entrevistas a BBC Brasil e Nomínimo, saíram em defesa da abertura dos arquivos. Para o historiador Kenneth Maxwell, de Harvard, ‘chegou a hora’ de andar mais rápido. Para Frank D. McCann, da universidade de New Hampshire, autor de livros sobre os militares brasileiros, ‘a anistia de 1978 foi baseada no esquecimento, não no perdão’. Para ele, ‘os fatos desagradáveis de 1964/85 não podem nem devem ser esquecidos jamais’.

Chegou

Ele vai embarcar às 15h, anunciou o argentino ‘Clarín’, abrindo o dia. Ele embarcou às 15h40, noticiou o site do ‘La Nación’, no final da tarde.

E de fato Néstor Kirchner desembarcou à noite, em Minas, para a cúpula do Mercosul, como destacou o JN. O argentino, com seu ministro da Economia, ‘não quis falar’.

Antes da crise

Os números de 2004 da Cepal, comissão da ONU, ecoaram ontem por BBC, ‘Financial Times’, ‘Miami Herald’ e jornais latino-americanos. O ‘FT’ resumiu, em seu título:

– A economia da América Latina a caminho do melhor ano desde 1980.

E no primeiro parágrafo:

– A economia latino-americana está crescendo no ritmo mais rápido desde antes da crise da dívida, nos anos 80.

Foi a crise que iniciou a ‘década perdida’ -e depois o quarto de século perdido, para Brasil, Argentina e demais.

Impressionado

Em meio à cobertura sobre a Cepal, John Taylor, subsecretário do Departamento do Tesouro dos EUA, saiu dizendo, após reunião com enviados brasileiros em Washington:

– Estou impressionado com a força do crescimento. Salários reais em alta, o emprego subiu drasticamente, o investimento cresce em níveis recordes.

Na espera

O arquiteto Oscar Niemeyer deu entrevista ao italiano ‘Corriere della Sera’. Perguntaram por que votou em Lula:

– Eu havia escolhido Ciro, mas ele não tinha chance. Aí me voltei para Lula, que me parece estar indo bem. Como disse o protagonista do meu romance: a revolução pode esperar.

Cesar 2006

Na esteira de FHC, o prefeito Cesar Maia se lançou pré-candidato do PFL com adjetivos pesados contra Lula, a quem chamou de ‘oco’, nas rádios.’

***

‘Sem reação’, copyright Folha de S. Paulo, 16/12/04

‘Foram as manchetes do dia por todo lado, dos telejornais da Globo ao portal UOL, em enunciados redondos -o salário mínimo vai a R$ 300 em maio, a tabela do Imposto de Renda será corrigida em 10%.

E as reações foram poucas, pró ou contra.

Um economista, no UOL News, opinou que elevar o salário mínimo é ‘medida equivocada’. A agência Dow Jones observou ‘terá impacto direto nos gastos do governo’, por causa das aposentadorias.

Do outro lado, o presidente da CUT declarou ao Globo Online que o valor ‘ainda é insuficiente’ e um representante dos aposentados, ligado à Força Sindical, se disse ‘indignado’.

Os sindicalistas queriam salário mínimo de R$ 320 e uma correção de 17% da tabela do IR. ‘No entanto’, notou a rádio Jovem Pan, ‘os sindicalistas saíram da reunião se dizendo satisfeitos’.

E no mesmo UOL News a análise de um cientista político foi que, com as duas medidas, ‘Lula reforça popularidade’.

Às vésperas do fim de ano, nem o novo aumento nas taxas de juros, anunciado no início da noite pelo Banco Central, consegue arrancar reações mais exaltadas.

A começar da Globo News, a expressão mais ouvida foi que o aumento ‘era esperado’.

ESCÂNDALO!!

Os tablóides de Nova York e Londres fazem a festa, neste fim de ano, com dois escândalos ministeriais.

Indicado por George W. Bush para o secretariado, o ex-chefe de polícia de Nova York desistiu dias atrás, supostamente por não ter registrado sua babá mexicana. Que nada, gritavam ontem os tablóides ‘New York Post’ e ‘Daily News’ e o blog sensacionalista Drudge Report. O problema é uma amante ou, segundo o ‘News’, duas amantes que o ‘maníaco’, segundo o ‘Post’, Bernard Kerik recebia no apartamento dos bombeiros diante dos escombros do World Trade Center. Era ‘seu ninho do amor’, segundo Drudge. O vetusto ‘New York Times’ -até ele- trouxe a história, num texto interno.

Em Londres, a manchete no site do ‘Guardian’ e nos demais era ‘Blunkett renuncia’, ontem à tarde, mas a história já vinha do tablóide ‘Daily Mirror’, que trouxe na capa a notícia dos problemas do ainda secretário com a ex-amante. À noite, a Sky News, espécie de Fox News inglesa, entrevistou David Blunkett, que chorou muito ao admitir que, sim, fez gestões junto à burocracia que ele mesmo comandava para obter visto de trabalho para a babá estrangeira do filho de sua ex-amante.

Disse também que o fez para obter o direito de visitar a criança, que garante ser seu filho. Disse que gostaria que a criança soubesse, ainda que no futuro, que ‘seu pai se importa com ela a ponto de sacrificar a carreira’.

Vai-não-vai

– Ele vai à cúpula, afinal?

Era o correspondente da Globo News em Buenos Aires, com ironia, tentando descrever as várias possibilidades diante do presidente argentino, Néstor Kirchner: ele pode não aparecer em Ouro Preto, pode ir mas sair antes do fim -ou pode ir e fazer o maior barulho.

Jornais como ‘La Nación’ repisam, dia após dia, que ele vai à reunião do Mercosul.

Distensão

Por outro lado, desde anteontem o chanceler Celso Amorim está na TV em esforço de distensão, para evitar que declarações de outras áreas do governo ampliem os conflitos.

Ontem, chegou a falar em ‘instinto de autoflagelação’, à BBC, para descrever os ânimos argentinos e brasileiros.

Ao que parece, vem dando certo. A manchete do site do ‘Clarín’, em Buenos Aires, foi para os ‘gestos de conciliação’. Pela Argentina, um negociador disse que o choque é produto de ‘uma sinceridade que permite grandes coincidências’.

Tremeliques

No site do Globo Online:

– FHC diz que o governo é vaidoso e ridículo.

Os adjetivos soam descontrolados, mas o azarado ex-presidente, como se viu no Bom Dia Brasil, de fato recorreu a eles. E ainda observou:

– Será que estas palavras vão provocar tremeliques no Palácio do Planalto?

Azar 3

Logo surgiu no mesmo Globo Online, depois na CBN:

– Com base no princípio da moralidade pública, a Justiça Federal anulou a nomeação feita pelo ex-presidente Fernando Henrique de sua filha para o cargo comissionado de adjunta da Secretaria Geral da Presidência, no Palácio do Planalto.

Já nem parece coincidência.

Bendita

Mas Alexandre Garcia está gostando, na Globo:

– Bendita democracia, em que a crítica estimula cada um a querer demonstrar que é melhor do que o outro.’

***

‘Um ano e meio’, copyright Folha de S. Paulo, 15/12/04

‘Depois de um ano e meio de ‘crise’, na descrição da Globo, ninguém gostou do final da CPI do Banestado.

A começar do Jornal Nacional, que fez uma defesa em bloco do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco -com elogios de parlamentares tucanos, do ex-ministro Pedro Malan e dos ex-presidentes do BC Armínio Fraga e Gustavo Loyola.

Outros não reclamaram da menção a Gustavo Franco e sim da ausência de Paulo Maluf, nos pedidos de indiciamento.

Foi o que fez o senador Pedro Simon, de tantas CPIs, no Jornal da Band e outros:

– Eu vivo a maior frustração da minha vida parlamentar. Dos políticos que conheço, só vejo o Pitta. Não sei se o relator é um racista, porque Pitta é negro. Porque afora isso eu não vejo o nome de mais ninguém.

Boris Casoy, na Record, deu mais destaque à CPI do que os demais, a começar da primeira manchete. Chegou a ler, um por um, todos os nomes com pedido de indiciamento.

Mas o âncora foi também o mais crítico, em tom não muito diverso de Simon:

– É decepcionante. Pitta foi escolhido para bode expiatório. É uma vergonha!

DOUTOR O ‘New York Times’ trouxe ontem um perfil elogioso do ministro Antônio Palocci, escrito pelo correspondente Todd Benson. O texto, que sublinha que Palocci é médico e ‘aprende rápido’, ecoou pela cobertura brasileira, traduzido no UOL e destacado por canais, rádios e sites de notícias

FHC 2006

Azar, outra vez. Segundo a Globo News, ontem FHC voltou a Brasília, depois de dois anos, para um encontro do PSDB que ‘marca o início da campanha para a eleição de 2006’.

Mas ontem saiu a pesquisa CNT/Sensus, pela primeira vez com o nome do ex-presidente na lista dos presidenciáveis. FHC aparece em terceiro, atrás de Lula e Ciro Gomes.

Tensão

A ‘tensão crescente’ entre Brasil e Argentina fez manchete ontem nos sites do ‘Clarín’ e do ‘Ámbito Financiero’, a partir da ‘ameaça do Brasil a horas da reunião do Mercosul’.

Inusitadamente, o chanceler Celso Amorim apareceu então no Jornal das Dez, na Globo News, e garantiu que não tem ameaça nenhuma e que Ouro Preto será um sucesso.

A INFORMAÇÃO DO MUNDO

Foi manchete no ‘New York Times’ e destaque no ‘Wall Street Journal’ e outros, nos EUA, o anúncio da Google de que acertou acordos para digitalizar os livros das universidades Oxford, Harvard, Michigan, Stanford e da Public Library de Nova York -e depois abrir para a pesquisa livre na web. Larry Page, um dos jovens fundadores da empresa, ao ‘NYT’:

– A missão da Google é organizar a informação do mundo.

Junto com a Amazon, que já tem serviço de busca parecido, devem concorrer com a Google, cujos acordos não prevêem a exclusividade das bibliotecas, a Yahoo e, é claro, a Microsoft -que vem opondo batalhas quase semanais à Google no mercado de busca, a mais recente anteontem.

Quem também vigia as ações da Google com atenção é a mídia tradicional. Em evento que reuniu TV, imprensa e outros para avaliar a cobertura eleitoral, um mês atrás na Califórnia, o presidente da agência Associated Press, Tom Curley, deu voz às preocupações gerais.

Segundo o site Editor & Publisher, no entender de Curley não adianta mais criar obstáculos ao ‘fenômeno’ dos mecanismos de busca, liderado pela Google, que vêm levando à ‘desintermediação’. Ou seja, eles buscam e acessam o conteúdo onde ele estiver. Para um futuro próximo, o presidente da agência aposta ou sonha:

– O conteúdo será mais importante que o recipiente.

E gravado nele estarão a marca e a publicidade.’



OPPORTUNITY vs. GLASBERG
PAY-TV News

‘Opportunity perde nova ação contra Editora Glasberg’, copyright PAY-TV News, 16/12/04

‘Mais uma vez, o grupo Opportunity perde uma ação contra a Editora Glasberg, que edita este noticiário, e é condenado ao pagamento das custas processuais. Desta vez, foi a juíza Paula Feteira Soares, da 40a Vara Cível do Rio de Janeiro, quem decidiu favoravelmente a esta editora em ação movida pelas empresas Brasil Telecom S/A, Brasil Telecom Participações S/A, Telemig Celular S/A, Telemig Celular Participações S/A e Banco Opportunity S/A. As empresas, controladas pelo grupo de Daniel Dantas, entraram com ação no início de 2003 contra a Editora Glasberg pleiteando a condenação por supostos danos morais causados por TELETIME News.

Pela argumentação dos autores, o suposto dano teria sido causado por notícias que informavam as relações profissionais passadas entre o grupo Opportunity e o ex-presidente da CVM Luiz Leonardo Cantidiano; por notícias que mostravam os riscos de um futuro conflito societário entre Opportunity e Brasil Telecom pelo fato de a operadora ter decidido participar do leilão de licenças de SMP, em dezembro de 2002; por notícias que relatavam as incertezas no mercado de capitais em relação aos conflitos entre Opportunity e fundos de pensão, inclusive em relação às disputas societárias na Telemig Celular e em sua controladora, a Newtel; por notícias que relatavam margens de Ebitda mais baixas na Brasil Telecom em relação às concorrentes entre outras.

Apenas fatos

Segundo o despacho da juíza Paula Soares, ‘lendo-se as matérias jornalísticas questionadas pelos Autores (…) verifica-se que estas não tiveram o intuito de macular a honra’ das empresas que entraram com a ação. ‘As publicações jornalísticas em comento divulgadas pela Ré (Editora Glasberg) não atribuíram diretamente aos Autores a responsabilidade por qualquer ato fraudulento, limitando-se a informar aos leitores sobre determinadas situações que inclusive foram objeto de outras matérias jornalísticas e denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal, bem como pronunciamentos do Governo Federal’.

‘Desta forma’, diz a juíza, ‘considera-se que a Ré atuou dentro dos limites do dever de informação inerente às suas funções, não agindo com dolo ou culpa para denegrir a imagem dos Autores, mas apenas relatando fatos, com o intuito de torná-los conhecidos da população em geral’.

Segundo Paula Feteira Soares, em seu despacho, ‘as publicações jornalísticas que visam favorecer o interesse público não podem ser censuradas, salientando-se que empresas do porte das Autoras, em razão da relevância econômica que possuem, se submetem a maior vigilância dos órgãos de imprensa, no exato cumprimento do dever de informar’. A íntegra do despacho de 11 de dezembro da juíza Paula Soares está disponível em www.teletime.com.br/arquivos/sentenca_40vara.pdf .

Esta é a terceira ação movida pelo grupo Opportunity, seus acionistas ou suas empresas controladas em que a Justiça reconhece o trabalho jornalístico da Editora Glasberg e condena os autores. Na primeira ação, movida ainda em 1999, o Opportunity e sua ex-consultora Elena Landau foram derrotados em todas as instâncias, inclusive no Supremo Tribunal de Justiça, e terão que pagar custas processuais e sucumbência em cima do valor da indenização pleiteada, no valor de R$ 3 milhões corrigidos. Este ano, Daniel Dantas, sua irmã Verônica Dantas e diversas empresas do grupo Opportunity também perderam ação indenizatória em primeira instância em São Paulo, da qual recorreram. E Editora Glasberg ou seu proprietário, Rubens Glasberg, são ainda processados em outras ações: em uma, pela Brasil Telecom e, em outra, por Luiz Leonardo Cantidiano, ex-presidente da CVM. No primeiro caso, ainda não houve notificação judicial. Na ação de Cantidiano, o processo tem audiência para instrução de julgamento em 11 de janeiro de 2005.’



FSP CONTESTADA
Painel do Leitor, Folha de S. Paulo

‘Cartas de leitores’, copyright Folha de S. Paulo

’18/12/04

Quentinhas

‘A reportagem Laudo aponta coliformes em comida de preso’ (Cotidiano, 15/12) merece alguns esclarecimentos. O alimento ‘rançoso e amargo’ provado em 26 de junho pela procuradora numa delegacia, que motivou a averiguação, era na verdade do dia anterior, o que é facilmente comprovável pelo cardápio. A refeição não foi consumida no dia da produção (o adesivo em sua embalagem asséptica determina ‘consumo imediato’) nem armazenada convenientemente. No dia seguinte, fora da geladeira, é normal que perca condições de consumo. Quando a refeição foi levada para análise no Adolfo Lutz, a De Nadai recolheu, no mesmo instante, outra do mesmo lote e encaminhou-a ao laboratório CDL. Cinco dias depois, encaminhou outra refeição, com o mesmo cardápio, para o laboratório SFDK -os laboratórios CDL e SFDK são centros de referência na análise de alimentos. Nas contraprovas, o índice de microorganismos foi de 3 por grama, isto é, apenas 3% do limite permitido (100 microorganismos por grama). Com base nos laudos, os resultados estão sendo analisados para possível questionamento da maneira como foi enviada, manuseada e armazenada a amostra antes da ida ao Adolfo Lutz. Quanto ao preço, a empresa foi vitoriosa em uma concorrência pública promovida por um governo reconhecidamente sério. Não se pode comparar refeições balanceadas, preparadas por equipes que incluem nutricionistas e engenheiros de alimentos, com o prato feito de um bar qualquer -ainda mais considerando que a De Nadai inclui no cardápio sobremesa e suco e entrega a alimentação quente nos locais determinados pelos clientes. E, no prato feito de um bar, não cabem mais de 500 g de alimento. Na embalagem da De Nadai, a quantidade varia, conforme o cardápio, de 650 g a 750 g.’ Carlos Brickmann, assessoria de imprensa da De Nadai Alimentação (São Paulo, SP)

Resposta do repórter Gilmar Penteado – A reportagem se baseou nos resultados de dois laudos feitos pelo Instituto Adolfo Lutz, credenciado pelo Ministério da Saúde como Laboratório Nacional em Saúde Pública e Laboratório de Referência Macrorregional. O texto cita os dois laudos feitos pelos laboratórios particulares, mas também menciona que a Vigilância Sanitária de Santo André, após receber a versão da empresa, optou por rejeitar o recurso da De Nadai em relação ao auto de infração e manteve a multa, ‘considerando os resultados dados nas análises e o risco apresentado aos consumidores’.’



OESP CONTESTADO
O Estado de S. Paulo

‘Fresnot, o concurso de miss e a política do BNDES’, copyright O Estado de S. Paulo, 18/12/04

‘Prezado Senhor,

Comecei meu dia de segunda- feira, dia 13, surpreendido ao ver minha foto no Caderno 2, com a seguinte frase embaixo: Insatisfação – Alain Fresnot, presidente da Apaci: ‘Parece concurso de miss. São 40 mães inconformadas e uma só feliz’.

Na semana passada, peguei um recado no meu celular do jornalista Luiz Carlos Merten que dizia: É o Merten, me ligue no número ‘x’, para saber se eu tenho uma matéria para sexta-feira. Retornei e conversei longamente com o jornalista como presidente da Apaci, nos termos que seguem.

Externei o desconforto dos cineastas paulistas com o resultado da premiação do concurso de projetos cinematográficos do BNDES. Fui estritamente técnico, atento exclusivamente à proporcionalidade da premiação. Dei ao jornalista os dados quantificados de percentagens que me tinham sido disponibilizados pelo amigo e exibidor Adhemar de Oliveira, com o cuidado de pedir ao jornalista que os confirmasse com o próprio Adhemar e solicitasse autorização de publicação, coisa que o jornalista me disse que faria.

Fiz questão também de ponderar que a divergência entre inscrições e premiações para São Paulo era real, porém não muito elevada e que a entidade estava se manifestando para marcar posição, pois São Paulo tem sido seguidamente sub-representada em concursos públicos de empresas públicas federais ou mesmo de órgãos como a Ancine, Agencia Nacional de Cinema, sediadas no Rio.

Estou abismado com a leviandade com que o jornalista atribui declarações, revelando talvez o cansaço da função de repórter e querendo iniciar carreira na ficção.

Se este for o caso, seria importante respeitar uma das boas regras da dramaturgia, qual seja, a de não confundir seu imaginário com o das suas personagens. Concursos de miss não fazem parte do meu imaginário a ponto de usá-los como paralelo e muito menos rimando ‘miss’ com ‘feliz’!

Como presidente de entidade, e mantendo com o BNDES diálogo construtivo, dada a importância de sua participação no cinema brasileiro contemporâneo, nem me seria permitido enveredar a conversa nesta direção.

Quero crer que o jornalista tenha se confundido, mas, de um profissional com tanta experiência, não se deveria esperar tal ‘à vontade’. De minha parte e para minha tranqüilidade, estou pensando seriamente em passar a usar a técnica do ex-Deputado Juruna e gravar as futuras declarações que venha a fazer ao amigo Luiz Carlos Merten.

Alain Fresnot, presidente da Associação Paulista de Cineastas (Apaci)

O repórter responde:

Talvez por ser ficcionista de profissão, o presidente da Apaci tenta dar consistência à sua tese da leviandade impressa com uma observação que parece passageira – o repórter ligou para saber se tinha uma matéria, como se isso indicasse alguma irresponsabilidade. Matérias, em geral, são escritas assim, a partir de informações que precisam ser checadas antes de repassadas ao público, para evitar que, aí sim, se cometam leviandades. Todos os dados de números que constam da matéria foram checados com as devidas fontes, o que incluiu o BNDES e o exibidor Adhemar Oliveira, que preferiu não se manifestar na reportagem. Houve a preocupação de, realmente, tratar o assunto com luvas de pelica para não acirrar disputas. Afinal, não trabalho em jornal sensacionalista, mas responsável e de tradição. Até a comparação com o concurso de miss foi feita. O repórter não é ficcionista – sem a preocupação da qualificação de bom ou ruim -, a ponto de havê-la criado do nada. Luiz Carlos Merten’

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