Domingo, 23 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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ENTRE ASPAS > TODA MÍDIA

Nelson de Sá

01/02/2005 na edição 314

A Al Jazira resistiu, aqui e ali. Para a emissora árabe, o pleito no Iraque foi envolto em ‘confusão’, com a comissão eleitoral divulgando projeção de votos e voltando atrás etc. Ainda assim, destacou, ‘políticos importantes insistem que a participação foi alta’.

Para a emissora americana Fox News, até ‘os sunitas votaram’. A certa altura, registrou que ‘eleitores foram vistos cantando e dançando’. Pode ser exagero da Fox, mas a própria Al Jazira tratou de não explorar as cenas sangrentas dos ataques suicidas de ontem. Em mesas-redondas, abriu caminho para opiniões favoráveis à democracia. Por exemplo, de um comentarista:

– Este governo [eleito] vai negociar com os outros partidos tendo o apoio do povo. Ele terá legitimidade.

O ‘New York Times’ não ficou muito atrás da Fox News. De um título em sua página inicial, à tarde:

– Violência não consegue estragar o ambiente de festa nas ruas de Bagdá.

Ainda que menos exaltados, ‘Washington Post’, ‘USA Today’ e outros foram na mesma linha, bem como os europeus ‘Financial Times’, ‘Le Monde’ e ‘El País’.

A exemplo do Irã, o Iraque vive um ‘boom’ de blogs. Entre os blogueiros que escrevem em inglês, os relatos de ontem estavam mais para Fox News do que para Al Jazira.

Dado como dos mais acessados, o blog Life in Baghdad passou a semana dizendo não saber se votaria. Ontem, ‘postou’ duas palavras:

– Eu votei.

Já o blog IraqTheModel, dos irmãos pró-americanos Mohammed e Omar, descreveu passo a passo como foi o ato de votar em Bagdá, encerrando com a cédula na urna:

– Com isso, houve lágrimas que não pude segurar.

À VENDA

Em dia de eleição no Iraque, O ‘NYT’ noticiou ontem em destaque na primeira página, a notícia de que sob pressão dos EUA, o Qatar ‘pode’ vender o ‘provocativo canal’ Al Jazira

A NOVA ONDA

David Brooks, que há um ano trocou a revista ‘The Weekly Standard’ pelo ‘NYT’, é agora a principal voz conservadora do jornal nova-iorquino. Em coluna no fim de semana, afirmou que ‘a nova onda dos bushistas’ não está no Oriente Médio. Com a morte de Arafat e as eleições no Afeganistão e no próprio Iraque:

– A perspectiva é muito mais global. Em conversas francas, os funcionários [do governo Bush] estão muito mais rápidos em falar da América Latina e dos desafios diferentes apresentados pela (má) situação na Venezuela e pela (promissora) situação no Brasil. Fala-se mais da relação com a Índia e da necessidade de repelir esforços da China para reduzir a influência americana.

Fidel, o discreto

Nada de Lula. Segundo o colombiano ‘El Tiempo’, com eco em jornais sul-americanos e no ‘Miami Herald’, foi Fidel Castro quem ‘discretamente’ negociou as pazes entre o venezuelano Hugo Chávez e o colombiano Alvaro Uribe.

Mas ‘oficialmente’ um diplomata da Colômbia disse que ‘a mediação cubana foi importante, igual à do Brasil’.

O que fazer

Chávez deve ser isolado pelos EUA? Para o editor de América Latina do ‘Financial Times’, Richard Lapper, em artigo na sexta, seria um erro.

Para Andres Oppenheimer, do ‘Miami Herald’ e da CNN em espanhol, é o único caminho a seguir. Ele defendeu ontem as punições institucionais propostas dias atrás pelo ex-presidente dos EUA Jimmy Carter.

FMI no fórum

Reportagens de ontem, nos sites do ‘NYT’ e de diversos jornais latino-americanos, descreviam a inusitada e ‘polêmica’ participação de uma representante do FMI em painel no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Declaração da funcionária do Fundo:

– Houve mudança. Nós hoje damos muito mais atenção às questões do crescimento e da redução da pobreza.

Alca em Davos

Ainda representante comercial dos EUA, Robert Zoellick, futuro vice do Departamento de Estado, dizia ontem em sites noticiosos que a Alca ‘certamente não morreu’.

No Fórum Econômico, em Davos, reuniu-se com o chanceler Celso Amorim para, segundo o brasileiro, ‘explorar caminhos para relançar a Alca’.’

***

‘‘Disputa teatral’’, copyright Folha de S. Paulo, 28/01/05

‘‘Aplausos e vaias’, descreviam a Globo e a Globo News, ontem durante o dia todo, até o Jornal Nacional optar afinal pelas vaias, nas manchetes:

– Lula visita o Fórum Social e responde a vaias.

As manchetes na Record e na Band foram na mesma linha. Depois, na reportagem, o JN tratou de abrandar:

– No ginásio lotado, manifestações de apoio ao presidente. Mas ele também enfrentou o protesto de um grupo de participantes.

Lula, de sua parte, também tratou de relativizar as vaias. Seriam ‘filhos do PT que se rebelaram’, como destacaram UOL, BBC Brasil e outros sites noticiosos. Mais Lula:

– É próprio da juventude, um dia eles regressarão e estaremos de braços abertos.

Deixou no ar a imagem de que eram tão-somente jovens ‘do PSTU e do PSOL’, que recebeu eco na cobertura.

O site Carta Maior, ligado à direção do fórum, distanciou-se de vaias e aplausos.

Criticou a ‘disputa teatral’ entre ‘a máquina petista’ e ‘a de seus oponentes’. Pior, ‘uma disputa de táticas de ocupação de arquibancada’.

Mas terminou por dizer que ‘o PT ganhou’.

Nos blogs, alguma recriminação. Do Insanus:

– Eu caminhava agora ao ginásio… Entre uns e outros mandando [Lula] a todos os lugares, alguém gritou: ‘Cansados? Mais rápido, pessoal’, obviamente tentando contornar a noite virada em claro.

O blogueiro especulou se, na abertura, ‘o show de Manu Chao não foi deliberadamente atrasado até as três da manhã para isso acontecer’.

O blog ‘diário’ do Carta Maior parecia concordar, dizendo que a disputa ‘deixou uma singela lição aos militantes do PSTU e PSOL’:

– Precisam acordar cedo.

Do blog Por um Punhado de Pixels, ontem:

– Dei uma enorme caminhada por Porto Alegre, saindo da Cidade Baixa até a praia de Belas, onde está acontecendo o fórum, uma das maiores concentrações por metro quadrado de chinelos de couro e ‘t-shirts’ do Che Guevara…

PRAGAS

Charge de Rohter com o pé engessado

Há menos de duas semanas, o ombudsman do ‘New York Times’ questionou a foto que ilustrou a célebre reportagem de Larry Rohter sobre o ‘hábito de beber’ de Lula. E agora vem ‘O Globo’ e mostra que o texto mais recente do correspondente também tem problemas.

As ‘cariocas’ com excesso de peso, numa das fotos que ilustraram a reportagem, seriam três tchecas. A exemplo do que fez a brasileira da segunda foto, anteontem na Folha, uma das turistas avisou que vai processar o ‘NYT’.

Mas não param por aí os problemas de Rohter no Brasil. Anteontem o site Nomínimo deu em manchete o relato sobre o bloco que acaba de desfilar pela zona sul do Rio, cantando adaptação de ‘Cabeleira do Zezé’:

– Não gosta de cachaça,/ Não entende de mulher/ O Larry Rohter, será que ele é?

E tem mais. Segundo o site de Claudio Humberto, que foi ‘fonte’ de Rohter na reportagem sobre Lula, o correspondente do ‘NYT’ ‘não resistiu às pragas das gordinhas de Ipanema: escorregou e quebrou o pé’.

Mr. Serra 1

Nem FHC nem os governadores Geraldo Alckmin e Aécio Neves. Ontem a revista ‘Economist’ deu longa reportagem sobre São Paulo e José Serra, que ‘lidera o PSDB, o maior partido de oposição ao PT’.

Mr. Serra 2

Intitulado ‘Domando um monstro urbano’, o texto destaca que ‘a maior cidade da América do Sul está a meio caminho de um futuro melhor e mais igualitário’ e se pergunta se o ‘novo prefeito poderá finalizar o serviço’.

Para a publicação britânica, ‘o desempenho de Mr. Serra como prefeito pode ter ramificações nacionais’.

Vendas

Argumento de petistas como o ministro Tarso Genro, para diferenciar o governo Lula do anterior, a moratória nas privatizações vai acabar. O ‘Financial Times’ deu que ‘o Brazil [de Lula] se prepara para sua primeira grande privatização’, do Instituto de Resseguros. Palavra do ministro Antonio Palocci.

Compras

De Davos, o ‘El País’ noticiou que ‘os investidores já confiam na Argentina e no Brasil’. A avaliação foi de Jacob Frenkel, ex-economista-chefe do FMI, hoje vice da maior companhia de seguros do mundo, a americana AIG. Para ele, Brasil e outros ‘não são mais o que eram’.’

***

‘Alegria, alegria’, copyright Folha de S. Paulo, 27/01/05

‘Para a Globo, o Fórum Social se confunde com Woodstock. Num dos relatos da abertura, ontem:

– Muitos jovens de todos os cantos do mundo… Eles chegaram e querem alegria, irmandade, solidariedade. A moda no Fórum Social é carregar a casa nas costas, em mochilas. Para os estrangeiros, tudo é novidade. Colares de sementes brasileiras e anéis de coco são perfeitos para compor o visual. Na hora da refeição, a cozinha é comunitária e a comida vegetariana é a cara dessa tribo.

E por aí foi. Do Jornal Nacional, sobre ‘a caminhada de 200 mil, pela paz’:

– Diversidade traduzida em cores e sons.

Em contraste, nos sites alternativos, só política.

O Carta Maior já entrevistou do sociólogo alemão Robert Kurz ao ex-secretário paulistano Marcio Pochman, sem falar das reportagens dos fóruns preparatórios, sem parada desde a semana passada.

O Centro de Mídia Independente ou Indymedia está mais lento em cobertura, mas seu blog paralelo acompanha em detalhe -e com uma abundância de fotos de celular- as várias seitas que se digladiam em Porto Alegre.

Nos blogs, propriamente, os primeiros registros trazem as críticas esperadas. No Intermezzo, por exemplo:

– No início do século 21, com centenas de milhões de pessoas conectadas, [não é possível] realizar um fórum mundial em formato pré-digital.

Era um ataque ao site do próprio fórum, ‘exemplar em credenciamento e hospedagem’, mas que em ‘conteúdo não tem praticamente nenhuma dimensão digital’.

Na Globo, cenas dos ‘jovens de todos os cantos’, no ‘mix de culturas do território livre do Fórum Social’

Páginas e mais páginas

Os jornais franceses, como esperado, publicaram três, quatro reportagens cada um, sobre Porto Alegre. O ‘Le Monde’ deu até artigo de Lula, ‘traduzido do inglês’. O ‘Libération’ fez editorial.

Mas a coisa toda não se restringiu à França.

Mais do que em fóruns sociais passados, o deste ano ocupou páginas do ‘New York Times’, que adiantou seu texto anteontem no site, ao ‘La Vanguardia’, de Barcelona -sem contar as publicações de países emergentes e outros.

Em muitas das reportagens, o destaque foi que Lula é mais bem-vindo em Davos, para o Fórum Econômico, do que em Porto Alegre.

Na televisão globalizada, em contraposição, pouco tempo para Porto Alegre e toda a atenção para Davos.

Os canais de notícia CNN, BBC e Fox News entraram ao vivo com o pronunciamento do primeiro-ministro britânico Tony Blair, que defendeu a reaproximação dos EUA com o restante do mundo.

Sobre pobreza, pouca coisa. O presidente francês, Jacques Chirac, cancelou a viagem à Suíça e fez sua mensagem por videoconferência.

Antes no JN

Definitivamente, a ‘discrição’ ficou para trás na diplomacia brasileira. Primeira manchete do JN, ontem:

– Os pedidos para a libertação do brasileiro seqüestrado recebem reforço. Desta vez, o craque Ronaldo.

Primeiro ele pediu ‘piedade’ na Globo, só depois na Al Jazira, aos interessados.

Lá atrás

O mexicano ‘La Crónica de Hoy’ destacou quase sozinho, ontem, o levantamento da consultoria Miftosky sobre os chefes de governo com maior aprovação, no mundo.

Na América Latina, Lula, que liderava a relação no ano anterior, caiu para o novo lugar. Na frente está o presidente do Panamá. O argentino Néstor Kirchner é o terceiro.

O foco

E vem aí, daqui a menos de um mês, mais um encontro mundial -com Lula lá.

‘A presença de Brasil, África do Sul, Índia’ e outros países em desenvolvimento na reunião do G7, o grupo dos países mais industrializados, indica que ‘o desenvolvimento e não a política monetária será o foco das discussões’, avaliava a agência Dow Jones, ontem.

Donna

No ‘Miami Herald’, também ontem, a ex-embaixadora dos EUA Donna Hrinak avaliava que o convite do G7 ‘é reconhecimento concreto do papel de liderança a que o Brasil aspira legitimamente’.

‘Por tempo demais, os protagonistas do mundo descuidaram do Brasil como ator global’, completou Hrinak.’

***

‘Lula não, Chávez’, copyright Folha de S. Paulo, 26/01/05

‘Agências espalhavam, ontem à noite por sites da América Latina, que o Fórum Social Mundial, que abre hoje em Porto Alegre, terá outros destinos em 2006.

‘Descentralizado’, uma de suas sedes seria Caracas, na Venezuela de Hugo Chávez. Longe de Lula.

‘Reunião antiglobalização no Brasil vê pouco o que celebrar’, dizia ontem à noite o título da reportagem de Todd Benson, no site do ‘New York Times’:

– Na última vez [em Porto Alegre] o sentimento foi de júbilo. Era 2003 e Lula acabara de tomar posse como primeiro presidente da classe trabalhadora no Brasil… Mas dois anos depois o sentimento é mais sombrio.

Lula hoje agradaria mais a Wall Street do que aos velhos companheiros. De Francisco Whitaker, da Pastoral de Justiça e Paz e fundador do fórum:

– Tanta gente pensou que com a eleição de Lula a mudança estava a caminho, mas nos desapontamos. É triste.

Segundo o correspondente do ‘NYT’, ‘não há garantia de que Mr. da Silva seja do agrado da platéia como foi no passado’, em sua passagem por Porto Alegre.

Entre Lula e Chávez, o editor para América Latina do ‘Financial Times’ parece preferir o primeiro.

Em longa reportagem sobre as perspectivas para a economia da região em 2005, Richard Lapper contrapôs as políticas que ‘exigem tempo e paciência’, do Brasil e ‘até dos argentinos’, ao ‘tradicional populismo’ do venezuelano.

O exemplo de Chávez, que ‘promete benefícios imediatos aos pobres’ e se sustenta no petróleo, ‘pode se tornar cada vez mais atraente’ aos latino-americanos.

Lula pode contar também com Bill Gates. ‘O Globo’ deu ontem que o presidente brasileiro aceitou o pedido do ‘homem mais rico do mundo’ para um encontro em Davos, no Fórum Econômico Mundial.

É adversário à altura de Lula, em marketing pessoal. Ontem, às vésperas do evento, o dono da Microsoft fez manchete nos telejornais brasileiros -e pelo mundo- com o anúncio da doação de US$ 750 milhões para a vacinação de crianças pobres.

Mas a agenda dos dois não deve se limitar à pobreza. Entre Microsoft e governo brasileiro, como observou ontem a BBC, o problema é a troca do Windows por software livre, na administração federal.

TV E WEB

O bebê na CBS

Google e Yahoo, os serviços de busca mais disseminados na web, estão em nova competição, noticiou ontem o ‘New York Times’, com repercussão nos sites brasileiros. Os dois vão agora buscar palavras-chaves nos textos em ‘close caption’ -as reproduções de tudo o que é falado, em forma de legenda- da televisão americana, com alguns exemplos de imagens.

O Google Video já começou ontem, em teste. A fase ainda não dá acesso a cenas em movimento, mas as amostras dão uma idéia do impacto que o serviço deverá ter sobre a própria televisão. Segundo o Google, em seu site, os usuários podem esperar para breve as imagens em movimento.

Uma pesquisa com a palavra ‘brazil’ aponta que, em redes como a CBS, a NBC ou canais como C-Span ou Fox News, a maior atenção em janeiro não foi para o brasileiro seqüestrado no Iraque ou para as movimentações diplomáticas de Lula -e sim para o bebê de sete quilos nascido em Salvador há uma semana.

Ele esteve nos telejornais das grandes redes e dos canais de notícias e foi parar até em programas como Saturday Night Live e The Tonight Show, de Jay Leno. Deste último, depois de relatar a notícia:

– A expectativa é que o bebê ande antes da mãe.

Previsão 1

Da comentarista Míriam Leitão, ontem no Bom Dia Brasil e também na CBN, animada com a queda no desemprego, que foi manchete depois no Jornal da Record e outros:

– O desemprego ao longo de 2005 voltará a cair. Os fatos bons continuam alimentando a melhora no mercado de trabalho.

Previsão 2

Também o ‘Financial Times’ saiu-se com uma aposta favorável ao Brasil e à America Latina, em texto sobre 2005. Diz o jornal britânico que a demanda externa por commodities, sobretudo da China, continuará a puxar a economia da região.

Ofensiva

As coisas não vão bem na mediação brasileira do conflito entre Hugo Chávez e o colombiano Alvaro Uribe, mas aí vem ajuda. O chileno ‘La Tercera’ deu que o presidente Ricardo Lagos decidiu ‘se somar à ofensiva de Lula para mediar a crise’.

Outro Rio

Depois que o ‘NYT’ denunciou o excesso de peso nas praias do Rio, ontem o ‘Wall Street Journal’ noticiou ‘o novo wonderbra, mas para o traseiro’. É uma calça jeans feita no próprio Rio, denominada ‘Gang Rio’. As revistas ‘Elle’ e ‘Vogue’ teriam julgado ‘o jeans mais perfeito do mundo’.’



FSP CONTESTADA
Painel do Leitor, Folha de S. Paulo

‘Cartas de leitores’, copyright Folha de S. Paulo

’28/01/05

Banco Santos

‘A reportagem ‘Edemar transforma crédito podre em lucro’ (Dinheiro, 24/1), de Mario Cesar Carvalho, é falsa, inexata e imprecisa. Como, aliás, têm sido vários textos desse repórter sobre o Banco Santos nas últimas semanas. A repetição dos erros faz pensar que o repórter está empenhado numa campanha contra o Banco Santos e seu controlador, e não no esclarecimento imparcial dos fatos. Na referida reportagem, ele afirma que, ‘em 28 de janeiro do ano passado, ingressou na sociedade [Finsec] a MB Molduras, (…) que informou ter ficado sabendo que é sócia da Finsec por meio da reportagem da Folha’. A afirmação é falsa. O fato é mentiroso. A MB entrou como sócia da Finsec normalmente, como comprovam os documentos anexos da Junta Comercial e cópias das procurações emitidas. Com o intuito de difamar, o repórter busca, obtém e divulga informações de pessoas e de empresas sem a devida comprovação. Com freqüência, trata-se de devedores do Banco Santos, que recorrem ardilosamente à Justiça para não pagar o que devem, amparando-se no fato de terem adquirido (‘sob tortura?’) debêntures de outras empresas. Fazem-no para não pagar o que devem e para levar o banco à liquidação -para nunca mais pagarem, colocando em difícil situação os credores do banco. Esse é o maior mal que causam. Não a Edemar Cid Ferreira ou à Procid, mas aos milhares de credores do Banco Santos. Confunde-se o leitor quando se publica a manchete ‘Edemar transforma crédito podre em lucro’. Aqui temos, além de má-fé, a mais rasa ignorância do funcionamento do sistema bancário no Brasil e no mundo. Quando uma instituição bancária leva débitos a ‘contas de provisionamento ou de créditos em liquidação’, deve tentar vender esses créditos a dinheiro para tornar o seu balanço mais líquido e mais sólido. É prática universal, e o Banco Central do Brasil tem várias resoluções que regulam a matéria. É uma situação saudável. Não há nela irregularidade ou vício condenável, como faz crer a reportagem. Foi exatamente o que fez a Finsec: trouxe dólares do exterior, devidamente registrados no BC, aumentou seu capital e comprou com reais os créditos de difícil liquidação do Banco Santos. Não bastasse tudo isso, o mesmo repórter publicou na edição de 9 de janeiro um quadro com figuras, desenhos e explicações para mostrar, em síntese, que, em dado momento, saíram do BNDES R$ 882,2 milhões para o Banco Santos. De lá, uma parte (R$ 379,8 milhões) foi diretamente para Edemar, e o resto, para o cliente. Não é verdade. O Banco Santos nunca usou recursos do BNDES para seu proveito. Em todas as operações em que o Banco Santos foi repassador do BNDES, 100% dos recursos foram para as empresas financiadas. O contrário disso é invenção, ignorância ou má-fé. Ou de quem publica, ou de empresas interessadas em não cumprir com suas obrigações em prejuízo dos credores do Banco Santos. No dia 16 de janeiro, no texto ‘Laranja de Edemar lança R$ 246 mi em títulos’, Mario Cesar Carvalho afirma, sem aspas e, portanto, sob sua responsabilidade, que: ‘Técnicos do Banco Central trabalham com a hipótese (sic, sic) de que Edemar usava debêntures para retirar dinheiro do banco. Funcionava assim: (…) na prática, a empresa queria R$ 1 milhão. Levava só R$ 500 mil, e os outros R$ 500 mil iam para a Sanvest e de lá para contas no exterior do próprio Edemar’. Essa afirmação, como tantas outras dos textos de Mario César Carvalho sobre o Banco Santos, é muito grave -e absolutamente falsa.’ Edemar Cid Ferreira (São Paulo, SP)

Resposta do jornalista Mario Cesar Carvalho – Todas as reportagens da Folha são baseadas em documentos públicos, do Banco Central ou do próprio Banco Santos. Sobre a primeira acusação do banqueiro, foi o advogado da MB Molduras quem afirmou que não sabia da sociedade com a Finsec. Foi o Banco Central, e não a reportagem da Folha, que classificou de ‘não usuais’ as operações de compra de créditos podres pela Finsec. O cálculo dos valores dos repasses do BNDES foi feito a partir de planilha eletrônica do Banco Santos, cuja autenticidade nunca foi contestada pelos advogados do banqueiro. Sobre as operações com laranjas e o lançamento de debêntures, os próprios diretores do Banco Santos têm relatado ao Banco Central o caminho do dinheiro. Este repórter não faz campanha, faz reportagem.



27/01/05

Iraque

‘A crônica ‘Reconhecimento tardio’ (Opinião, pág. A2, 22/1) qualificou como ‘estupro’ a ação da Itália no Iraque. Trata-se de uma avaliação sem fundamento, com a qual não é possível concordar. Na verdade, a Itália nunca participou no Iraque de operação de guerra nenhuma. Pelo contrário, interveio com um contingente militar próprio somente após a queda do regime de Saddam Hussein, assim como fizeram outros países com base na legitimação das Nações Unidas. O empenho militar e civil da Itália no Iraque teve exclusivamente o objetivo de contribuir para estabilizar o país e criar condições de segurança que pudessem permitir o fluxo das ajudas humanitárias em favor do povo iraquiano, a reconstrução do país e a normalização de sua vida política. A Itália continua subordinando sua presença no Iraque -em primeiro lugar com vista às importantes eleições marcadas para o próximo dia 30 de janeiro- ao consenso dos próprios iraquianos. Eles têm manifestado, em inúmeras ocasiões, a gratidão para com nossa missão de paz, complexa e perigosa, que levou também ao extremo sacrifício de militares e civis italianos empenhados naquele país.’ Michele Valensise, embaixador da Itália no Brasil (Brasília, DF)

Resposta do jornalista Carlos Heitor Cony – Em minha crônica, não fiz nenhuma referência à Itália, apenas ao premiê Silvio Berlusconi.

Instituto

‘O editorial ‘O Instituto Marta’ (Opinião, 26/1) faz uma análise precipitada e empobrecida sobre a constituição de uma entidade que tem por objetivo aprofundar o debate e elaborar estudos e propostas sobre políticas públicas com base na experiência de governo da equipe da ex-prefeita Marta Suplicy. Diferentemente do que afirma o editorial, não há razões para criar um ‘partido paralelo’. Nem se coloca no momento a disputa ao governo do Estado. Tampouco há caos a lamentar -ou a defender. Ao contrário, o balanço de quatro anos de governo Marta Suplicy resulta em aprovação popular, conforme revelou pesquisa Datafolha (1º/1). Marta encerrou o mandato com 49% de ótimo e bom e, para 61%, a cidade está melhor hoje do que na posse da prefeita. Caos havia quatro anos antes. Marta assumiu uma cidade em que a clandestinidade imperava, com perueiros e maus empresários dominando o setor de transportes, as administrações regionais abriam páginas policiais nos jornais e não tinham estrutura de atendimento ao munícipe e ainda se percebia o abandono administrativo na degradação reinante no centro da cidade e nenhum planejamento. A saúde vivia o desastre do PAS. Em quatro anos, São Paulo ganhou programas sociais, CEUs, Telecentros, Passa-Rápidos, Bilhete Único e Plano Diretor, a saúde retornou ao SUS, o centro foi revitalizado e muito mais foi feito. A experiência administrativa e os êxitos da gestão merecem ser preservados e repassados. A elaboração de políticas públicas para a superação de problemas que a população brasileira enfrenta é um esforço permanente que se sobrepõe a questões eleitorais. O instituto em formação tem essa vocação. E nada é mais natural que quadros do governo que contribuíram para o êxito dos programas implementados façam parte de sua composição.’ Montserrat Bevilaqua, assessora de imprensa da ex-prefeita Marta Suplicy (São Paulo, SP)

Banco Santos

‘É rigorosamente falsa a afirmação atribuída a mim no texto ‘Só ingênuo acha que o banqueiro sabia de tudo’ (Dinheiro, pág. B6, 24/1) de que eu me referi ‘ao caso da MB Molduras do Brasil, que diz ter sido colocada como sócia da Finsec pelo banqueiro’ (Edemar Cid Ferreira). Nunca tratei, nem sequer de longe, desse assunto -nem com o jornalista nem com terceiros. No curso de uma entrevista, quando ele me formulava perguntas diversas, indagando-me o que o meu cliente poderia ter-me informado sobre elas, limitei-me a dizer-lhe que não conversara com o cliente sobre tais assuntos e que, ademais, seria ingenuidade supor que o presidente de qualquer instituição saiba de tudo o quanto nela possa acontecer.’ Sergio Bermudes, advogado (São Paulo, SP)

Resposta do jornalista Mario Cesar Carvalho – Ao ser questionado sobre ter conhecimento da acusação da MB Molduras de que essa empresa teria sido incluída numa sociedade sem ser consultada, o advogado Sergio Bermudes respondeu, falando hipoteticamente, que é impossível o presidente de um grupo financeiro saber de tudo o que ocorre nas empresas dele.

Mortalidade indígena

‘Realmente o Estado de MS tem em suas aldeias graves problemas sociais (‘Cresce mortalidade infantil indígena’, Brasil, 25/1), mas esses problemas já existiam na antiga gestão da Funasa -e, mesmo assim, os índices de mortalidade haviam caído de 140 por mil para 46 por mil entre 2001 e 2002. Nesta gestão, quando o coordenador da Funasa Gaspar Hickmann não se cansa de alardear seus programas nutricionais, estranhamente os índices voltaram a subir, apesar das cestas básicas que são distribuídas nas aldeias -é verdade que elas não chegam para todos. Será que o alcoolismo está maior? Será que a cultura mudou? É preciso ter muita cara-de-pau para responsabilizar os indígenas por esses índices.’ Fernando de Souza, vice-presidente do conselho distrital de saúde indígena de MS (Campo Grande, MS)’



MEMÓRIA / JOHNNY CARSON
Veja

‘O pai de todos’, copyright Veja, 2/02/05

‘Morto no domingo passado, aos 79 anos, o americano Johnny Carson foi o pai de um gênero televisivo: o talk-show que combina entrevista e humor nos fins de noite. No ar com seu programa The Tonight Show por trinta anos, a partir de 1962, ele se aposentou antes que a televisão paga se tornasse popular no Brasil e por isso é um ilustre desconhecido dos espectadores do país. Mas estabeleceu uma fórmula que foi copiada nos mínimos detalhes por seus sucessores – inclusive pelo brasileiro Jô Soares, sem vergonha nenhuma (veja quadro abaixo). David Letterman e Jay Leno, os grandes nomes dessa área na televisão americana, foram seus pupilos e também emulam sua receita. Assim como Carson, os três têm o mesmo padrão de abertura (seus programas começam sempre com um bloco de piadas), ambientação (da presença de uma banda à caneca sobre a mesa, as semelhanças são impressionantes) e estilo (suas entrevistas são calcadas em tiradas de humor para cima dos convidados). Ao se aposentar, em 1992, Carson contabilizava 22.000 entrevistas. Passaram por seu sofá celebridades do cinema como Fred Astaire e Judy Garland, ídolos da música como Frank Sinatra e John Lennon e políticos como Martin Luther King e Bill Clinton. Carson foi sucedido no Tonight Show por Jay Leno – e sempre circulou o rumor de que teria ficado desgostoso com isso, por achar que Letterman era seu herdeiro ideal. Nos últimos tempos, veio à tona que contribuía com piadas para o programa de Letterman. Na vida pessoal, Carson era uma figura discreta e um fumante inveterado. Esse fator contribuiu para a deterioração de sua saúde: o apresentador lutava havia tempos contra um enfisema pulmonar, que acabou por matá-lo.’

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