Domingo, 24 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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ENTRE ASPAS > QUARTA-FEIRA, 29/11

Net diz que Telefonica
pratica dumping

Por Luiz Antonio Magalhães em 30/11/2006 na edição 409


Leia abaixo os textos de quarta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 29 de novembro de 2006


TELES vs. TVs
Elvira Lobato


Net acusa Telefônica de ‘dumping’ na TV por assinatura


‘O presidente da Net Serviços, Francisco Valim, acusou ontem o grupo Telefônica de praticar ‘dumping’ (venda abaixo do custo) na comercialização do Você TV, novo serviço de TV paga via satélite, que ela lançou na quinta-feira passada, em parceria com a empresa nacional DTHi Interactive, que atua no interior de São Paulo.


O pacote básico de 18 canais fechados mais o HBO Max Digital é oferecido a R$ 39,90. Segundo Valim, o valor não cobre o custo da programação e os impostos. Ele disse que a Net tem mais assinantes de TV do que a Telefônica -em todo o mundo- e, portanto, o grupo espanhol não tem escala para ter programação mais barata.


O executivo voltou a acusar a Telefônica de pretender monopolizar o mercado de telecomunicações em São Paulo, onde ela tem concessão de telefonia fixa local. ‘Ela vai baixar os preços para fazer as empresas de TV paga sangrarem até a morte, e dominar o mercado. Não é um movimento concorrencial.’


A Net é a maior empresa de TV paga do país, com 1,7 milhão de assinantes, e R$ 1,4 bilhão de faturamento de janeiro a setembro. Ela tem como principais acionistas as Organizações Globo e o grupo mexicano Telmex, maior competidor da Telefônica na América Latina.


A Telefônica não quis responder à acusação de ‘dumping’, transferindo a explicação para o parceiro nacional, mas insistiu em que ela é que estaria quebrando o monopólio da Net no chamado ‘triple play’: oferta de TV paga, telefone e acesso à internet em banda larga dentro do mesmo pacote.


Choque na ABTA


A entrada da Telefônica em TV paga ameaça rachar a ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura). Os grupos Abril e Net estão em pólos opostos em relação à legalidade da atuação das teles.


A Telefônica comprou participação acionária na TVA (controlada pela Abril) e, ainda, as operações do grupo em MMDS, outra modalidade de TV paga com transmissão por rádio.


No início do mês, o Conselho de Administração da ABTA decidiu que a entidade seria contra as teles oferecerem qualquer modalidade de TV por assinatura (seja por cabo, via satélite ou por MMDS) dentro de sua área de concessão. O grupo Abril foi voto vencido.


A divergência aumentou com o lançamento do Você TV. Na semana passada, a ABTA mandou ofício à direção da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) apontando indícios de que a Telefônica controla o parceiro nacional. Diz que a DTHi é de pequeno porte e sem recursos suficientes para suportar operação de tal vulto.


Outro lado


O empresário Hélio Barroso, presidente da DTHi Interactive, negou que a Telefônica controle o Você TV e que haja ‘dumping’ na venda do serviço. Para ele, as declarações do presidente da Net traduzem a posição do grupo Telmex.


O empresário diz que a ABTA assumiu a defesa dos interesses da Net, quando deveria representar todos os associados. Disse que cobrou ser ouvido pelo conselho de administração da entidade, mas que o encontro ainda não foi marcado.


Barroso diz que tem só uma parceria comercial com a Telefônica. Mas confirma que a venda, a instalação e a negociação da compra de parte da programação estão a cargo da tele, fatos apontados pela ABTA como indícios de que ele não tem o controle do negócio. Os canais são enviados para o satélite a partir da estrutura montada pela Telefônica no Peru.’


MÍDIA vs. LULA
Fernando Rodrigues


Publicidade estatal


‘O caso da publicidade estatal federal para a produtora de TV de um filho do presidente da República reabre um debate nunca enfrentado pelo governo petista.


A pergunta é: o Planalto considera apropriado a administração federal gastar cerca de R$ 1,5 bilhão por ano com publicidade e patrocínios? Trata-se de uma deformidade profunda do capitalismo ‘à brasileira’. Metade dos jornais, rádios e TVs no país iriam à falência no dia seguinte se fosse proibido aceitar propaganda estatal -seja federal, estadual ou municipal.


Fora do governo, o PT era contra esse tipo de despesa. Instalado no Palácio do Planalto, aderiu com gosto à gastança para lustrar a própria imagem. O dirigente petista Valter Pomar fez uma confissão involuntária a respeito numa carta à Folha criticando o jornal (perdão pelo pleonasmo): ‘Todas as decisões de governo são, por definição, decisões políticas. Isso é particularmente válido quando estamos tratando de publicidade de instituições públicas’. No passado, a história era outra.


Em 8 de outubro de 1996, o então deputado federal Luiz Gushiken (PT-SP) enviou um ofício ao Planalto. Em tom crítico, escreveu: ‘A administração federal irá lançar no fim deste ano uma campanha publicitária cujo objetivo será melhorar a imagem do presidente’. Em seguida, pedia o ‘valor previsto’ e o ‘planejamento de mídia [veículos que receberiam as verbas]’.


FHC nunca respondeu. Gushiken virou ministro da propaganda de Lula e imitou FHC.


Há dez anos, Gushiken estava certo. Atazanava o governo para saber detalhes dos gastos publicitários estatais. Hoje, quando alguém tenta fazer o mesmo, logo surgem petistas em posição de sentido dizendo enxergar a elite tentando um golpe contra Lula. Tenham dó.’


Painel do Leitor


Publicidade oficial


‘‘A manchete de ontem da Folha (‘Publicidade oficial ajuda a bancar TV de filho de Lula’) leva o leitor a uma conclusão totalmente contrária ao conteúdo da reportagem. A direção da Rede 21 gostaria de prestar os seguintes esclarecimentos: 1) Como informou o próprio texto, não há nenhuma ilegalidade no contrato entre a Rede 21 e a Gamecorp; 2) Como informou o próprio texto, a verba publicitária das empresas/órgãos do governo federal foi reduzida para um terço em relação a 2005, comprovando que não se sustenta a afirmação de favorecimento; 3) Diferentemente do que informa a manchete, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é sequer acionista da Rede 21; 4) O referido contrato, provavelmente entregue à Folha por um colaborador do jornal, estabelece claramente que se trata de compra de conteúdo e, como demonstra a própria reportagem, não contém nenhuma irregularidade; 5) Registre-se que a própria Rede 21 juntou cópia do contrato aos autos do processo que move contra a Editora Abril por campanha difamatória com intenção claramente concorrencial. Como é sabido, a Abril é sócia da MTV, emissora internacional que tem reagido à concorrência de um canal nacional, a PlayTV, cuja programação é levada ao ar pela Rede 21.’


MARCELO MEIRA, vice-presidente do Grupo Bandeirantes de Comunicação (São Paulo, SP)


Resposta do jornalista Frederico Vasconcelos – A receita com anúncios de estatais acertada com empresa do filho do presidente da República e ‘as acusações de uso inadequado de verbas públicas’, que levaram o juiz a negar o sigilo solicitado pela Rede 21, são assunto de interesse público. Quanto ao item 3, a manchete se referia ao espaço controlado pela Game TV (ex-Gamecorp) na programação da PlayTV (antiga Rede 21). A Game TV tem entre os sócios Fábio Luiz da Silva. Em nenhum momento a reportagem afirmou que ele era acionista da Rede 21.


‘A Caixa Econômica Federal, citada no texto ‘Verbas de estatais ajudam a bancar TV de filho de Lula’ como um dos maiores anunciantes da Rede 21, não foi ouvida pela reportagem deste jornal.


No que diz respeito aos investimentos em publicidade da Caixa na Rede 21, informamos que eram feitos apenas na programação jornalística, no telejornal ‘Toda Hora’. Desde maio, quando a programação jornalística foi interrompida, não anunciamos mais no canal.


A política da Caixa é estar presente nos principais telejornais do país. Por isso somos patrocinadores do ‘SBT Brasil’ e do ‘Jornal da Record’ e temos inserções avulsas no ‘Jornal da Band’ e ‘Jornal Nacional’. Seguem os dados de investimentos no Canal 21.


2004 – R$ 395.064,40


2005 – R$ 524.673,80


2006 – R$ 219.325,44


Como a Folha pode constatar, os investimentos na Rede 21 caíram em 2006 em decorrência da mudança do perfil da emissora.


GABRIEL DE BARROS NOGUEIRA, assessor de imprensa da Caixa (Brasília, DF)’


Vera Magalhães


À frente da Radiobrás, Bucci critica PT


‘O presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, diz que não cabe ao governo usar verbas de publicidade para dar incentivo a meios de comunicação, discorda do conceito defendido pelo PT de ‘veículos independentes’ e avalia que não cabe ao governo fazer análise de mídia. Para Bucci, não cabe à Radiobrás ser ‘porta-voz’ nem fazer ‘propaganda’ do governo. Ele defende a gestão da empresa, marcada pelo planejamento estratégico e pela ‘impessoalidade no trato da informação’. Bucci entregou o cargo a Lula após a eleição, mas ainda não conversou com ele a respeito.


FOLHA – Bernardo Kucinski escreveu artigo em que critica a condução da Radiobrás no governo Lula, dizendo que ela teve ‘vergonha’ de ser estatal. Como responde a isso?


EUGÊNIO BUCCI – A Radiobrás e seus funcionários jamais tiveram vergonha de ser integrantes de um sistema estatal. A Radiobrás é uma estatal e, portanto, tudo que ela não pode ser é partidária. Sendo uma estatal, ela não pode se arvorar a ser porta-voz da causas que supostamente sejam abraçadas pelos integrantes do governo federal. Não pode fazer assessoria de imprensa, atuar como porta-voz do governo ou fazer propaganda de governo. Essas funções são da administração direta. O vício do governismo é uma face do partidarismo. As falas das autoridades do governo entram nas reportagens da Radiobrás entre aspas, são falas de fontes que nós ouvimos, não são parte de um programa, de uma plataforma expressa da Radiobrás. Ela não existe para assumir a defesa de autoridades, ela existe para bem informar o cidadão.


FOLHA – Como o sr. responde à crítica de que a Radiobrás deixou de construir uma ‘narrativa própria’ do governo Lula?


BUCCI – O que significa ‘narrativa própria’ de governo? Eu não consigo entender o significado dessa expressão. Quem teria essa incumbência é quem tem a voz do governo. Portanto, quem ocupa postos na administração direta, que é o governo por excelência. Evidentemente que não pode ser o reportariado da Radiobrás o incumbido de estabelecer tal categoria política cujos contornos eu desconheço.


FOLHA – Na crise política a Radiobrás discutiu como cobriria denúncias como o mensalão?


BUCCI – Com os escândalos de corrupção ou com a cobertura das políticas públicas, o procedimento é o mesmo. Há traços distintivos entre a cobertura geral da mídia e a da Radiobrás. A gente nunca usa uma informação em ‘off’, seja uma declaração, seja um extrato de um documento ou uma imagem. Tudo o que nós publicamos tem origem declarada e tem crédito. Nós não fazemos interpretação, não fazemos opinião, análise, crítica. Damos os fatos, as declarações, os contextos para que o cidadão componha a sua narrativa. Isso é fundamental para entender como nós cobrimos o mensalão: com normalidade, buscando informações oficiais em vários lugares onde isso estava sendo apurado, nas estatais, no Ministério Público ou no Congresso.


FOLHA – Houve alguma ingerência do Palácio do Planalto na Radiobrás?


BUCCI – Não. Não houve. É importantíssimo que fique claro.


FOLHA – Na eleição, o PT chegou a discutir uma proposta de incentivo a veículos de mídia ‘independentes’. Como o sr. vê essa discussão?


BUCCI – Acho que deve ser feito um reparo não ao PT, mas ao linguajar que essa discussão acabou consagrando, que é a expressão veículos independentes. Por definição, um veículo jornalístico independente é aquele que extrai os recursos para seu sustento diretamente da sua atividade principal. Um jornal independente é aquele cuja receita de vendas, assinaturas e de publicidade é suficiente para custear sua operação. É independente porque não depende nem de verbas públicas nem da participação privilegiada de um anunciante em particular. Eu acho engraçado porque, nessa discussão, quando se refere a veículos independentes está-se falando justamente de veículos dependentes. Verba de publicidade de governo não pode ser usada para estabelecimento de política de estímulo a veículos de comunicação. O governo, quando compra espaço publicitário, deve seguir critérios técnicos.


FOLHA – Outra idéia no PT é a de que a imprensa deve fazer uma auto-reflexão da cobertura do governo Lula e das eleições. O sr. concorda?


BUCCI – Quem tem de discutir a imprensa não é o governo. A imprensa tem de discutir o governo, mas não o contrário.’


Frederico Vasconcelos


Juiz quer nome dos acionistas da Gamecorp


‘O juiz Régis Rodrigues Bonvicino, da 1ª Vara Cível do Fórum de Pinheiros, determinou que fosse juntado na ação de indenização movida pela Rede 21 contra a Editora Abril e jornalistas da ‘Veja’ um levantamento atualizado da composição acionária da Gamecorp S.A.


Os objetivos: saber quem são os acionistas da empresa, que tem entre os sócios Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; se há participação de capital estrangeiro, e em qual proporção.


Se o levantamento da Vara Cível atestar participação de grupos estrangeiros acima dos limites legais, Bonvicino deverá enviar cópia para o Ministério Público Federal.


Bonvicino entende que essas informações são essenciais para julgar parte da ação: a Rede 21 juntou como uma das provas para pedir indenização artigo em que o colunista da ‘Veja’ Diogo Mainardi afirma que ‘o contrato de Lulinha’ seria ilegal e inconstitucional.


Na coluna anexada aos autos, Mainardi afirmou que ‘o capital social da Gamecorp, de R$ 5,2 milhões, saiu quase integralmente da Telemar. A Telemar é uma empresa aberta, negociada nas Bolsas de São Paulo e de Nova York. De acordo com os dados fornecidos pela própria operadora, os acionistas estrangeiros possuem 54,3% de seu capital social, superando amplamente o limite de 30%’.


Em resposta ao Ministério Público Federal, que apura se há irregularidades no acordo com a Gamecorp, o advogado da Rede 21, Walter Vieira Ceneviva negou ter havido ‘arrendamento’ e sustentou que o contrato, remetido em envelope lacrado, tem o ‘intuito exclusivo de compra de conteúdo’, sem ‘qualquer alteração nas quotas de capital’ da Rede 21.


O juiz Bonvicino rejeitou novo pedido de sigilo feito pelos advogados da Rede 21, anteontem. Eles pretendiam obter a supressão das informações econômicas e comerciais (‘essencialmente cifras e datas’), alegando que a Editora Abril ‘tem interesse comercial (não jornalístico) no conhecimento do teor do contrato’.


Para o juiz, a disputa ‘se estabelece em torno da proteção legal da reputação de dois grupos poderosos, e, por isso mesmo, impõe-se seja submetida à dialética do contraditório’.


‘Não se trata de esconder [o contrato], mas de proteger, na forma da Lei’, sustentou a Rede 21, no pedido, citando a lei processual e a Lei da Propriedade Industrial. Os advogados alegaram, ainda, que essa supressão evitaria que se alegue ‘violação ao direito de defesa’.


Bonvicino afirmou que a transparência ‘não está submetendo ninguém a constrangimento, o que constrange, na verdade, é a insistência da autora [Rede 21] em requerer sigilos’, que o magistrado definiu como ‘medievais’.


Bonvicino decidiu que ‘os dados comerciais integram o conflito e, sem eles haverá cerceamento de defesa dos réus’. Acrescentou que ‘quem não deve, não teme’.


No despacho anterior, o juiz enfatizou que os atos processuais são públicos, exceto quando o segredo de justiça é conveniente ao interesse público e às questões de família.


Para Bonvicino, ‘segredos de comércio’ não justificam o lacre.’


Folha de S. Paulo


Lula se recusa a falar sobre publicidade a TV de seu filho


‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se recusou ontem a comentar a informação trazida pela Folha de que a Gamecorp, empresa que tem seu filho como sócio, é beneficiária de recursos federais.


A empresa de Fábio Luiz Lula da Silva divide com o Grupo Bandeirantes o faturamento obtido com verbas do governo em anúncios na Play TV.


Questionado sobre isso no início da tarde de ontem após evento no Palácio do Planalto, o presidente preferiu brincar com os jornalistas. ‘Vamos comer, gente. Vamos comer. Deixa o homem comer’, disse o petista, sorrindo.


A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, saiu em defesa do filho do presidente.


Em entrevista à rádio Jovem Pan, Dilma afirmou que ‘a relação entre a Gamecorp e uma televisão, que assume a forma de compra de horário de televisão, é generalizada no Brasil’.


Em seguida, concluiu: ‘Não é algo inusitado, faz parte de contratos comerciais pelos quais uma empresa ou uma pessoa física ou uma igreja alugam espaço ou compram espaço para veicular seus programas. Acredito que não é possível considerar estranho algo que tem uma certa regularidade na prática das TVs brasileiras. A situação é perfeitamente legal. Outras explicações não têm de ser dadas pelo governo, mas pela Rede 21 e pela Gamecorp’.


‘O governo não tem nada a esconder quanto a essa questão do financiamento da publicidade estatal. Existem critérios para as diversas televisões, inclusive para a Rede 21’, disse o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR).


Já o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) minimizou as informações. ‘Não há nada que estabeleça que não pode receber. Mas não sou contra que se discuta, com critérios, em que casos deve haver impedimento.’


Oposição


Líderes da oposição consideraram ‘preocupante’ e ‘gravíssimo’ o fato de a Gamecorp receber verbas do governo federal por meio de anúncios. Políticos do PFL e do PSDB acionaram advogados para saber se há como contestar os repasses.


‘Não pode haver contrato de gaveta em assunto público. É uma fraude’, afirmou o líder do PSDB, Jutahy Júnior (BA).


O líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ), classificou os repasses de ‘gravíssimos e muito além do razoável’: ‘É o caso de uma transferência direta da União ao filho do presidente’.


Presidente da recém-criada MD (Mobilização Democrática), Roberto Freire (PE) disse que ‘em nenhum país do mundo se permitiria isso’. ‘É um escândalo, o filho do presidente não pode fazer um contrato sigiloso.’ Na mesma linha foi o líder da minoria, José Carlos Aleluia (PFL-BA). ‘É preocupante o grau de promiscuidade a que o presidente se permite.’


O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) considerou o fato ‘da maior gravidade’. ‘É o governo que está dando dinheiro para a empresa do qual Lula Filho é sócio’, disse ACM na tribuna do Senado. ‘Estamos cansados de, a cada dia, trazer duas, três, quatro denúncias’, acrescentou ele.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


De Novo


‘Os programas populares de Band e Record, início da noite, bradavam que governo após governo nada muda, enquanto os helicópteros davam enchente após enchente


MANIFESTAÇÃO E…


Na cidade, além da chuva, estudantes fizeram passeata ‘acompanhada de grande número de policiais’ contra a nova tarifa de ônibus. A Globo ouviu o prefeito, que disse, ‘me associo à manifestação, mas’ nada de rever a decisão.


MAIS MANIFESTAÇÃO


Acompanharam em tempo real rádios como a Jovem Pan e sites como a Folha Online, onde a notícia foi das ‘+ lidas’. Com o registro de que tem ‘nova manifestação’ hoje -e ‘o reajuste fica acima da inflação’, daí a persistência.


CHACINAS, DE NOVO


Na Folha Online, ontem, ‘duas chacinas deixam oito mortos em São Paulo’, em Parelheiros e Suzano.


Nas contas da Associated Press, em sites de jornais no exterior, ‘Atiradores matam dez em São Paulo’, com idades desde 15 anos. A agência deu que, segundo a polícia, os massacres traziam sinais de ‘acerto de contas ligado ao tráfico’, mas nada de PCC, ‘the First Capital Command’, uma das gangues ‘mais notórias’.


Por outro lado, ‘não está descartada a possibilidade de ação de policiais ligados aos esquadrões da morte’.


OLHO NO BRASIL


Enquanto isso, na série ‘De Olho no Brasil’, da CNN Internacional, entre cenas de praias, Cristo Redentor, de Marta Suplicy e outras, ontem foi dia de uma longa reportagem retratando as crianças de rua do Rio, com registro da violência, das chacinas, o de sempre.


CONTRA SUL-SUL


No momento em que o equatoriano Rafael Correa anunciava o plano de entrar para o Mercosul, segundo as agências, a BBC Brasil foi ouvir três ex-embaixadores descritos como ligados a FHC -e que voltaram a questionar a ‘diplomacia sul-sul’ adotada pelo país.


Sergio Amaral e José Botafogo Gonçalves avaliam que a estratégia está sendo implementada por Lula ‘em detrimento’ da relação com os Estados Unidos e outros, com prejuízos comerciais.


DESINTEGRAÇÃO


Por outro lado, a viagem de Lula à África se perdeu em confusão, segundo o site:


– Anunciada como um ousado passo na chamada integração Sul-Sul, a cúpula África-América do Sul começa nesta quarta em Abuja, a capital da Nigéria, esvaziada pela ausência de líderes e marcada pela desorganização -o local do evento foi mudado pelos anfitriões três vezes…


Até ontem, o Brasil não sabia onde seria a ‘cúpula’.


A SEGUIR, FRANCE 24


No ‘teaser’ do canal no YouTube


Depois da Al Jazeera em inglês, entra no ar semana que vem a France 24, canal idealizado pelo presidente da França, Jacques Chirac, em contraponto ou reação ao predomínio dos canais internacionais de notícias dos EUA e da Grã-Bretanha.


As transmissões, segundo o Hollywood Reporter, via Blue Bus, serão em francês e inglês, apenas para Europa, Oriente Médio e África. A exemplo do que acontece com os canais do Qatar e da Venezuela, nada de transmissão nos EUA -ou no Brasil.


ORKUT AQUI…


A vitória parcial da Google na Justiça brasileira virou até manchete na Band. Mas veio, sintomaticamente, junto com o início de corrente de e-mail contra comunidades racistas do Orkut, de títulos como ‘Extermine crianças negras’.


E NA ÍNDIA


E veio, como notou o blog de Tiago Dória, em contraste com o que acontece na Índia, segundo país em usuários do Orkut, onde ‘a Justiça quer bloquear o acesso à rede social’, em reação a páginas que atacam o herói Shivaji.’


INTERNET
Folha de S. Paulo


Novos Firefox e Internet Explorer têm falhas reveladas


‘Passada a empolgação gerada pelos lançamentos do Firefox 2.0 e do Internet Explorer 7, volta a dura rotina das falhas de segurança.


Na última semana, foi descoberto um problema no gerenciador de senhas do navegador da Mozilla Foundation, que também tem potencial para atingir o mesmo recurso do rival IE.


De acordo com a empresa especializada Chapin Information Services (www.info-svc.com), uma página falsa da rede social MySpace servia como armadilha para os usuários, que tinham as suas senhas roubadas por um código malicioso que se aproveitava da vulnerabilidade dos navegadores.


Batizada de ataque RCSR (Reverse Cross-Site Request), a técnica pode ser usada para enganar internautas que visitam blogs e outros sites que permitam o armazenamento de informações particulares, como nome, endereço e senha.


Falha no Mac OS


A promessa do especialista em segurança, que se identificou apenas como LMH, foi usar este mês para se dedicar a mostrar falhas gravíssimas nos sistemas operacionais mais usados do mundo: o Windows, o Linux e o Mac OS. A julgar pelo blog kernelfun.blogspot.com, o hacker cumpriu ao menos uma parte do prometido.


Até o fechamento desta edição, o site havia publicado links mostrando dezenas de falhas nos sistemas. A principal vítima de LMH foi o Mac OS X, que teve uma falha severa descoberta.


Segundo o especialista, os arquivos DMG, usados em arquivos que trazem instaladores de softwares, contêm um problema que pode ser explorado por invasores.


A título de experiência, o blog Kernel Fun publicou um arquivo que tira vantagem do problema no Mac OS. O site descobriu e expôs brechas em dispositivos de acesso sem fio, entre eles o Airport, usado nos Macs. (JB)’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Record prepara em sigilo canal de notícias


‘A Record está se preparando para entrar no mercado de programação de TV paga, terreno dominado pela Globo. Profissionais da rede estão trabalhando em um projeto sigiloso de um canal de notícias.


A idéia de uma ‘CNN brasileira’ não é nova na Record. Mas ganhou impulso nos últimos meses, com o anúncio da entrada da Telefônica na distribuição de TV paga. A rede de Edir Macedo aposta no potencial da Telefônica (que comprou parte da TVA e desde a semana passada é parceira de uma nova operadora de TV via satélite) se tornar um forte distribuidor de conteúdo.


Até este ano, avalia-se na Record, não valia a pena investir em canais pagos por causa do bloqueio da Globo, que determina qual o conteúdo nacional entra na Net e Sky, que possuem a grande maioria dos assinantes do país. Agora, com a Telefônica, a Record vê uma luz no fim desse túnel.


O projeto da Record, chamado de Record News, é otimizar sua estrutura de jornalismo, como a Globo já faz com a Globo News. A emissora tem 300 jornalistas só em São Paulo e produz nove horas diárias de telejornalismo. Para a Record, a canal de notícias pode se tornar um ‘celeiro’ de novos repórteres e apresentadores.


O jornalista Valdir Zwetsch (ex-Globo e Band), editor-chefe do ‘Jornal da Record, está à frente do projeto, que deve se concretizar em 2007.


A FILA ANDA 1 O Ministério das Comunicações voltou a liberar processos de pedidos de canais retransmissores de TV e de licitações de estações de FM.


A FILA ANDA 2 Só no ‘Diário Oficial da União’ de ontem, o ministro Hélio Costa outorgou 31 FMs (que ainda dependem de aprovação do Congresso), de licitações abertas em 2000 e 2001, e concedeu quatro retransmissoras de TV, que a Alterosa, afiliada do SBT em Belo Horizonte, aguardava desde 2003.


SÃO JOÃO As afiliadas do SBT no Nordeste realizam hoje em São Paulo um encontro com o mercado publicitário. Apresentam aos grandes anunciantes do país seus projetos regionais, de coberturas de festas populares.


MAJESTOSO O SBT deve voltar a exibir em janeiro o programa ‘Rei Majestade’, competição entre cantores que tirou do ar recentemente, gerando protestos de telespectadores. A emissora tem seis programas gravados. Só falta gravar a final, o que deve ocorrer em fevereiro ou março.


O VERÃO CHEGOU 1 A Band foi beneficiada anteontem por um típico fenômeno do verão paulistano. A cobertura das chuvas elevou a audiência de seus jornais, como já ocorreu em outros verões.


O VERÃO CHEGOU 2 O ‘Brasil Urgente’ marcou 7,6 pontos e ficou em segundo lugar no Ibope durante meia hora, só atrás da Globo. Já o ‘Jornal da Band’ cravou 6,9. O normal é ambos os telejornais darem cinco pontos.’


MEMÓRIA / JECE VALADÃO
Gustavo Penna


‘Eu era um nababo’, afirma Jece Valadão


‘Há um mês, o ator Jece Valadão, 76, morto anteontem em São Paulo, com insuficiência respiratória aguda, não apresentava indicações de nenhum problema de saúde. Na ocasião, uma de suas últimas entrevistas, o ator se mostrava descontraído em sua casa. Estava descalço, sorridente e com a camisa desabotoada. Ontem, o corpo de Valadão foi velado inicialmente na Igreja Assembléia de Deus no Bom Retiro e, depois, na Câmara Municipal de São Paulo. Em seguida, seria levado para o local do enterro, em Cachoeiro do Itapemirim (ES), cidade natal de Valadão, que decretou três dias de luto. Leia a seguir trechos da conversa.


JECE VALADÃO POR JECE VALADÃO


Vivia de tudo que o mundo me dava, e o mundo me dava muita coisa. Eu era um nababo. Tinha sucesso, mordomia e dinheiro. Tudo. Bebia uma garrafa de uísque em uma sentada e não ficava de porre. Sou um homem que teve cinco casamentos de papel passado antes da vida religiosa. Tinha uma casa pro casamento, uma casa pra amante oficial, e uma terceira casa pra aventuras que apareciam. Isso era sagrado. Não abria mão de jeito nenhum.


RELIGIÃO


Minha ex-mulher Vera Gimenez me telefonou falando para eu procurar um pastor. Liguei, e o homem disse que iria rezar por mim, começou a orar na linha. Comecei a chorar feito bezerro desmamado. Pronto: eu, que era ateu e machista, estava pregando como se tivesse feito isso minha vida toda. Não gostava de crente. Mas não tive alternativa senão cair de joelhos e admitir o poder de Deus. A vontade dele, quando manifestada, faz até jumenta falar.


ABANDONANDO A VIDA ARTÍSTICA


Depois que terminei ‘Tieta do Agreste’ (1996), Deus disse: ‘Agora chega. Você não vai fazer mais nada no meio artístico!’. Isso me surpreendeu, achei que ele fosse me usar justamente nessa área, já que é a que mais precisa de Jesus. Mas ele não me deixou nem pisar nos locais! Eu marcava encontros com amigos no Projac e coisas aconteciam, eu errava os caminhos. Por nove anos, ele me tirou da arte. Fiquei esse tempo vivendo de ofertas, de venda de CDs com testemunho.


PAI AUSENTE


Tenho consciência de que errei. Tento remediar, mas não consigo resolver muita coisa. Fiquei longe e tentei compensar com o dinheiro. Via meu filho chateado e, em vez de dar um abraço, dava uma passagem pra Disneylândia, pô! Pra você ter uma idéia, dei pra um dos meus filhos quando tinha sete anos um Fusca novinho, só pra ficar mexendo o volante e apertando a buzina com os amiguinhos na garagem.


METROSSEXUAL


É um homossexual com vergonha de admitir. Olha, o homem é o homem, e a mulher é a mulher. E são duas coisas diferentes. O metrossexual está muito perto do comportamento feminino. É o cara que se prepara, faz sobrancelha, usa maquiagem. Se ele está perto da conduta das mulheres, pra virar uma de vez basta uma atitude mais… rigorosa.


POLÍTICA


O Brasil é um país que está podre. Onde você mexe tem corrupção. Vou votar no Alckmin. O Lula é uma brincadeira, uma farsa. Já o ministro Gilberto Gil não pode ser julgado porque não fez nada. Só compareceu nas festas. Para cultura mesmo ele só fez como músico.’


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 29 de novembro de 2006


MÍDIA vs. LULA
José Nêumanne


Vamos ter saudades de Gushiken?


‘Decerto os cientistas sociais torceriam o nariz se este leigo definisse o regime vigente no Brasil como ‘democracia de massas’, que funciona sob a hegemonia de um ‘partido de massas’, o que não é nosso caso. Fruto da aliança improvável forjada em sacristias da Teologia da Libertação, sedes de sindicatos e desativados aparelhos da guerrilha de esquerda, o Partido dos Trabalhadores (PT) teve uma oportunidade para chegar a ser algo próximo. Mas a vocação irresistível de seus militantes pelas ‘boquinhas’ disponíveis na máquina pública não permitiu que tal projeto se realizasse. Como antes já havia ocorrido com o peleguismo cooptado por Getúlio Vargas para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), dissolvido pela truculência militar e reerguido sob a égide da privatização do Estado brasileiro, nesta era da barganha de cargos no Executivo por votos no Legislativo.


De qualquer maneira, Luiz Inácio Lula da Silva é o mais genuíno produto do povo brasileiro a ascender à ‘zelite’ dirigente nacional dispensando currículo escolar mínimo, sucesso em gestão pública ou privada e outras convenções que distinguem numa sociedade capitalista a ascensão social. Então, talvez seja o caso de falar em ‘democracia popular’, pois nenhum chefe de governo na História do Brasil independente se identificou tanto com o brasileiro comum quanto ele. Com o País partido em duas metades inconciliáveis – de um lado, a banda que depende do Estado e, de outro, a porção que não depende -, muita gente perde o sono com a eventualidade da volta aos velhos temores de ruptura com o sistema financeiro internacional e a adesão ao obsoleto populismo econômico, que tanto fascina os grupos de esquerda dos quais o PT é mais caudatário que resultante. Esse temor parte da premissa falsa de que o presidente reeleito seja um socialista ou mesmo um nostálgico dos tempos da guerra fria de antanho, quando a Utopia marxista-leninista se contrapunha ao imperialismo selvagem.


Lula nunca foi um socialista autêntico e qualquer analista mais atento de sua biografia e da história do PT até há de perceber sinais evidentes de um certo anticomunismo. Católico, pragmático e carismático, o presidente certamente não teve nenhuma dificuldade de aceitar a guinada proposta por Antônio Palocci da retórica reformista para a adoção da responsabilidade fiscal com convicção. A vitória em duas eleições, que foi ancorada nessa estratégia, é uma espécie de breve contra qualquer tentação de volta atrás aos tempos românticos em que o PT pregava o calote da dívida. Em vez de servir de estímulo para que isso venha a acontecer, o afastamento forçado de seu primeiro ministro da Fazenda do comando da economia talvez tenha permitido ao chefe supremo a oportunidade de reafirmar que, mais que um ‘paloccismo’ sem Palocci, o pragmatismo responsável segue a orientação arraigada de seu tino político e do instinto que o faz permanente porta-voz das aspirações, ambições e opiniões do brasileiro médio.


Se deve haver algo que tira o sono de todos quantos sonham com uma democracia de verdade funcionando nestes tristes, mas carnavalescos, trópicos, isso não está na gestão dos negócios republicanos. Mas, sim, na distância que está aumentando dia a dia entre a ‘democracia popular’ sob Lula e a higidez das instituições da velha e boa ‘democracia burguesa’ de guerra e paz. Quando Lula pede aos governadores que deixem para fazer oposição daqui a quatro anos, quando ele estiver aposentado, não o faz por graça ou pirraça, mas por achar, sinceramente, que é uma injustiça alguém se opor a qualquer ato de uma gestão tão genuinamente popular quanto está sendo e continuará a ser a dele. E mais que sincero, ele está sendo coerente, pois desde que assegurou o triunfo nas urnas nada tem feito no sentido de compor um governo enfim à altura da força do voto popular, mas, sim, um projeto ambicioso e truculento de demolição de qualquer possibilidade de oposição, capaz de ameaçar a hegemonia de seu projeto de poder.


Esse projeto passa, inevitavelmente, pelo amordaçamento dos meios de comunicação. A cooptação do PMDB à custa da ‘despetização’ do primeiro escalão é coerente com o afastamento de Boris Casoy do comando do telejornal da Record, especificamente, e, genericamente, com as tentativas de tornar impossível a resistência democrática na imprensa, no rádio e na televisão. O malogro de ameaças como o Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) para intimidar jornalistas e a Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancinav) para controlar os conteúdos no veículo de massas por excelência, a televisão, não representa mais que uma trégua para respirar. Vem aí algo muito mais perigoso para a liberdade da informação e da manifestação plural da opinião: o reconhecimento público de que o governo e os movimentos sociais que o apóiam estimularão a existência de instrumentos de comunicação que enfrentem e substituam os existentes. A pretexto de ‘democratizar’ a notícia, o governo recém-reeleito pretende mesmo é dificultar o acesso do cidadão sem poder ao conhecimento pleno do desempenho dos gestores públicos, perpetuando-os no comando pelo uso maciço e eficiente da propaganda administrativa e da manipulação do jargão político igualitário.


O malogro da estratégia no primeiro mandato levou Luiz Gushiken, dela encarregado, à companhia de Dirceu e Palocci no cadafalso dos companheiros que tombaram no caminho. Na segunda gestão, a tarefa foi transferida para Dilma Rousseff, mais competente e determinada que ele. Paradoxo terrível o de a ‘neodemocracia’ pôr em risco o Estado de Direito fingindo servir ao povo em cujo nome o poder é exercido. E ironia incrível esta de a liberdade de imprensa ser ameaçada pela queda de um dignitário que ela derrubou.


José Nêumanne, jornalista e escritor, é editorialista do Jornal da Tarde’


Rosa Costa, Rodrigo Pereira


ACM diz que filho de Lula é favorecido por verba oficial


‘O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) pediu que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, explique os motivos que levam órgãos do governo e empresas de telefonia a anunciar na antiga Rede 21, hoje Play TV, parceira da Gamecorp. Produtora de programas de TV sobre jogos eletrônicos, a Gamecorp tem como um de seus principais acionistas Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente Lula. Entre as fontes de receita publicitária da empresa, estão órgãos públicos e estatais como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Ministério da Saúde e até a Secretaria de Administração da Presidência da República, segundo contrato confidencial firmado em 6 de abril com a Play TV.


‘Estamos cansados de, a cada dia, trazer duas, três, quatro denúncias’, afirmou ACM ontem, no Senado. ‘Lulinha já está condenado, todos aqui já sabem que ele participa da verba publicitária com a TV 21.’


O contrato confidencial entre Gamecorp e Play TV veio a público em um processo movido pelo Grupo Bandeirantes contra a Editora Abril, noticiado pelo jornal Folha de S.Paulo. Em vigor desde o dia 24 de abril, o acordo prevê divisão igualitária entre Gamecorp e Bandeirantes de um faturamento com publicidade estimado em R$ 5,2 milhões em 2006 e em R$ 12,6 milhões em 2007 – e aumento gradual dos valores ao longo de dez anos, quando se encerra o acordo, prorrogável. O acordo permite que o Grupo Bandeirantes eventualmente venda espaço publicitário no canal, mas estabelece que essa negociação é atribuição da Gamecorp.


O sigilo foi quebrado pelo juiz Régis Bonvicino, da 1ª Vara Cível do Fórum de Pinheiros, que recusou o pedido do advogado da Play TV, Walter Ceneviva. O juiz considerou que ‘convém ao interesse público que o contrato seja regido pelo princípio da publicidade porque um dos contratantes é filho do presidente da República e, em tese e sempre em tese, sem qualquer pré-julgamento por parte deste juízo, fazem-lhe acusações de uso inadequado de verbas públicas’. E afirmou que a manutenção do sigilo configuraria ‘cerceamento dos réus’.


‘O juiz tem razão’, apoiou ACM. ‘Convém mesmo que esses contratos, inclusive os anteriores celebrados com a Telemar,sejam conhecidos, para que fique claro como foi possível ao filho do presidente, em menos de dois anos, levar sua firma medíocre, com capital de R$ 10 mil, inicialmente à condição de sócia de uma concessionária pública de telefone, com aporte de R$ 10 milhões, 520 vezes superior ao seu capital.’


Há pouco mais de um ano, Fábio sofreu as primeiras acusações de favorecimento. As suspeitas ficaram por conta da compra de 35% da Gamecorp por R$ 5 milhões pela Telemar. Empresa privada de telefonia, a Telemar tem como acionistas o BNDES (25% das ações) e fundos de pensão (19,9%) como a Previ, do Banco do Brasil, e a Petros, da Petrobrás. O aporte permitiu que a Gamecorp comprasse horários em canais de TV. A Telemar injetou outros R$ 5 milhões na Gamecorp sob a rubrica de cotas publicitárias.


O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que o Executivo não tem nada a esconder nessa questão. Segundo ele, ‘existem critérios para diversas televisões, inclusive para a Rede 21’. Para ACM, os critérios são falsos. ‘Porque só faz isso para as empresas ligadas ao PT, que vivem das empresas do PT’, acusou.


A Gamecorp informou ontem que o Grupo Bandeirantes se pronunciaria sobre o caso. O grupo disse que o montante em publicidade para a Play TV em 2006 é de R$ 3,1 milhões, dos quais R$ 250 mil são estatais. E distribuiu nota em que afirma ter aberto inquérito policial contra a Editora Abril, alegando ter sofrido calúnia, injúria e difamação, sem revelar a razão da acusação. A Editora Abril não quis comentar o caso.’


FRANÇA
O Estado de S. Paulo


‘Libération’ faz greve contra demissões


‘Os funcionários do jornal francês Libération decidiram entrar em greve a partir de segunda-feira, como forma de protestar contra a decisão da direção de suprimir 76 dos 376 postos de trabalho, como parte de um plano de reestruturação do jornal. No último dia 20, o conselho de administração do jornal aprovou por unanimidade o plano de ajuste proposto por seu principal acionista, o empresário Edouard de Rothschild, que inclui a eliminação de dezenas de empregos.’


INTERNET
Christopher Mason


Programa combate a censura na internet


‘Em um laboratório num porão da Universidade de Toronto, uma equipe de cientistas políticos, engenheiros de software e ativistas hackers, ou ‘hacktivistas’, criou a ferramenta mais recente – e mais avançada, dizem alguns – para permitir que os internautas driblem a censura governamental na web.


O programa, chamado psiphon (pronuncia-se ‘saifon’), será lançado na sexta-feira, em resposta à crescente censura em países que restringem o uso da internet. O aumento do controle leva os internautas a buscarem programas mais elaborados e sofisticados para obter acesso a sites de notícias do Ocidente, blogs e outros materiais censurados.


‘O problema cresce exponencialmente’, disse Ronald Deibert, diretor do Laboratório do Cidadão da Universidade de Toronto, que projetou o psiphon. ‘A censura, que no início pode ter sido dirigida à pornografia e a organizações noticiosas ocidentais, expandiu-se para incluir blogs, sites religiosos, sites de informações sobre saúde e muitos outros.’


O psiphon é baixado por uma pessoa num país onde não há censura (psiphon.civisec.org), transformando seu computador num ponto de acesso. Alguém num país com acesso restrito pode então ligar-se àquele computador por meio de uma conexão criptografada e, usando-o como ponte, obter acesso a sites censurados.


Segundo os criadores do programa, o usuário precisa apenas apagar o histórico de navegação na internet depois de cada sessão para não deixar nenhum rastro do material censurado em seu computador. O software faz parte de um esforço mais amplo para fazer jus às esperanças iniciais dos ativistas pró-direitos humanos de que a internet oferecesse liberdade de expressão sem precedentes aos cidadãos de países restritivos. ‘Os governos militarizaram seus esforços de censura num grau incrível. Assim, tentamos reverter uma parte desse processo e reavivar a antiga promessa da internet de acesso e comunicação sem restrições’, afirmou Deibert.


Quando foi inaugurado, em 2000, o Laboratório do Cidadão, uma das quatro instituições da OpenNet Initiative (Iniciativa Rede Aberta, no endereço opennetinitiative.org), passou a monitorar ativamente um punhado de países que censuravam a web, principalmente China, Irã e Arábia Saudita. Hoje, o laboratório monitora mais de 40 países.


Os criadores do psiphon dizem que os programas contra censura existentes são complicados demais para os usuários comuns, deixam rastros em seus computadores e carecem de segurança, em parte porque precisam ser divulgados publicamente, facilitando o trabalho dos censores de detectá-los e bloquear o acesso a eles.


‘Agora, teremos potencialmente milhares – ou mesmo dezenas de milhares – de servidores intermediários particulares. Será quase impossível para os censores acompanharem um a um’, disse Qiang Xiao, diretor do Projeto da Internet para a China da Universidade da Califórnia em Berkeley.


CÍRCULO CONFIÁVEL


Em vez de divulgar publicamente as informações necessárias sobre identificação de usuário e senha, o psiphon será compartilhado dentro de círculos confiáveis de amigos, parentes e colegas de trabalho. Esse recurso destina-se a manter o programa longe dos censores – mas é também sua maior desvantagem, pois limita os esforços para oferecer o recurso ao maior número possível de usuários.


O software também é projetado para permitir que os usuários incluam comentários em blogs e outros sites, como a Wikipedia, o que tem sido um problema em outros programas contra censura. Exigindo apenas identificação, e não instalação, o psiphon destina-se a qualquer pessoa com conhecimentos básicos de computação, pois funciona como qualquer navegador típico.’



O Estado de S. Paulo


YouTube distribuirá vídeos em celulares


‘O site de vídeos YouTube anunciou que vai começar a distribuir videoclipes através de celulares graças a um acordo com a Verizon Wireless. Segundo o YouTube, a partir do início de dezembro uma seleção de seus vídeos mais populares estará disponível para os usuários americanos do serviço premium da Verizon, o ‘V CAST’. O YouTube, comprado pelo Google no mês passado, é o site de compartilhamento de vídeos mais popular da web.’


TELES vs. TVs
Graziella Valenti


Anatel fiscaliza serviço de TV paga da Telefônica


‘O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Plínio Aguiar Júnior, disse ontem que o órgão já iniciou a fiscalização do serviço de TV paga via satélite da Telefônica, lançado com base em uma parceria com a empresa DTHi (Astralsat). A agência reguladora avalia se existe alguma irregularidade no procedimento adotado pela operadora para comercialização do serviço.


A Telefônica trava uma verdadeira queda de braço com o governo e com o setor de TV paga pelo direito de oferecer o serviço. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, e o conselheiro da Anatel Pedro Jaime Ziller já disseram que a empresa precisaria de anuência prévia da agência para começar a vender o serviço. Mas, na visão da operadora, como se trata de uma parceria comercial, não haveria necessidade de aprovação anterior. A análise seria feita após o início das operações.


Aguiar Júnior reforçou ontem o entendimento que o início da oferta dependia de anuência prévia da Anatel, por se tratar de um acordo comercial duradouro. Entretanto, ele afirmou que essa pode ser considerada uma infração leve, um ‘deslize’, da operadora, se esse for o único problema. A agência investiga, especialmente, se esta parceria implica em sociedade entre a Telefônica e a DTHi.


Sobre a questão da sociedade, Aguiar Júnior preferiu não fazer nenhuma avaliação antes de concluir a fiscalização. Em casos de irregularidades graves, a Anatel pode suspender o serviço oferecido pela empresa ou, em situações extremas, até mesmo cassar a autorização da companhia. Neste caso, a licença de satélite utilizada pertence somente à DTHi. A Telefônica solicitou a aquisição de uma licença própria à agência, mas ainda não obteve resposta.


Apesar de admitir que a imagem da Anatel foi arranhada com esta polêmica, o presidente do órgão regulador acredita que esta é uma boa oportunidade para a agência mostrar seu poder e seu papel no setor.


CLARO E TIM


O superintendente de serviços privados da Anatel, Jarbas Valente, disse ontem que uma eventual compra da operadora de telefonia celular TIM Brasil pela Claro, negócio considerado iminente pelo mercado, haveria necessidade de uma análise detalhada, em razão da elevada concentração de mercado que o negócio representaria.


‘Não gosto de falar por hipótese. Mas, se o negócio fosse aprovado, certamente haveria restrições e condicionantes.’ Juntas, as bases de clientes da TIM e da Claro representariam praticamente metade de todo o mercado celular do Brasil.’


TELEVISÃO
Flávia Guerra


Vidas paralelas se cruzam no infinito do sertão


‘Tudo parece conspirar a favor de A Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, que na TV terá roteiro de Luiz Fernando Carvalho, Luís Alberto de Abreu e Bráulio Tavares. Recentemente, o diretor Antunes Filho estreou em São Paulo a montagem que leva para os palcos este romance picaresco, que não é só romance, não é só poesia, não é só teatro, não é só conto, não é só cordel.


A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai e Volta é ícone do Movimento Armorial, inventado pelo próprio Suassuna nos anos 70, que faz a alquimia entre a cultura erudita e as mais profundas raízes da cultura nordestina. Por isso, em A Pedra do Reino, o livro, não faltam referências à magia da literatura de cordel, à xilogravura que tão bem ilustra esta literatura, sem contar a música de viola e os espetáculos em praça pública tão típicos e dignos de uma cultura que por muito tempo permaneceu preservada, talvez por sua própria distância dos grandes centros, conservando características medievais trazidas pelos colonizadores portugueses, que se mesclaram à cultura indígena e à negra.


É este universo caleidoscópico da cultura brasileira, mas profundamente ligado às raízes e à realidade de uma região que permaneceu ilhada e isolada do chamado progresso que chegou mais rápido às capitais brasileiras, que Carvalho imprime na película 16 mm em que está registrando a primeira jornada do projeto Quadrante.


Assim como na ficção se aproximou de Taperoá uma cavalgada que iria mudar o destino da cidade, na realidade a ‘cavalaria’ comandada por Carvalho mudou a vida da pequena cidade no Cariri paraibano, que tem pouco mais de 13 mil habitantes. Uma parte da cidade, conhecida como Chã da Bala, foi transformada em uma arena onde se passam todas as ações do romance do autor paraibano que adotou Recife como sua cidade. A microssérie também já mudou o destino dos atores Mayana Neiva (a Dama Heliana e a Moça Caetana), Paulo César (o cavaleiro Sinésio, o alumioso), Irandhir Santos (o protagonista Quaderna) e tantos outros atores e profissionais nordestinos escalados para o projeto. ‘Não havia por que não escalar gente que não fosse daqui. Mais que só filmar nas regiões, quero promover encontros. Eles aprendem comigo. Eu, com eles. Se tivesse de resumir este projeto em uma palavra, eu diria: encontros’, declara o diretor que, ao contrário de seus outros trabalhos, desta vez incluiu pouquíssimos nomes já conhecidos do grande público televisivo. A lista, que não conta com nenhum medalhão, inclui Cacá Carvalho (Juiz Corregedor), Luiz Carlos Vasconcelos (Arésio) e Marcélia Cartaxo (Tia Felipa).


Aliás, não é por acaso que o diretor e sua equipe de cerca de 60 profissionais sitiaram a cidade. É em Taperoá que a ação de A Pedra do Reino se passa. É em Taperoá que o ainda menino Ariano viveu dos 6 aos 10 anos, para onde se mudou com a mãe após seu pai ter sido assassinado por motivos políticos. Foi para purgar a morte prematura do pai que Suassuna escreveu A Pedra do Reino. E foi para conhecer melhor a cultura de sua mãe, que morreu quando Carvalho ainda era garoto, que o diretor se aproximou da literatura e do universo de Suassuna. ‘Perdi uma parte da minha família com a morte dela. E queria descobrir o universo de minha mãe, que era alagoana. Precisava saber quem era ela, qual eram suas raízes. Esta série é uma cartografia da alma dela, qual território ela freqüentava, que músicas ela ouvia. Eu desde menino peguei carona neste universo por meio das coisas do Ariano. Eu tinha poucas imagens de minha mãe. Ele também tinha este diálogo com a morte por causa da perda do pai’, reflete o diretor ao se lembrar como tomou primeiro contato com a obra de Suassuna.


Vidas paralelas que se cruzaram no infinito do sertão. ‘Se eu tivesse de queimar todos meus livros e deixar apenas um, eu manteria a Pedra do Reino’, declara o autor, que, muito antes de conhecer Carvalho, disse, como quem prevê um grande encontro: ‘Este menino eu deixaria filmar A Pedra do Reino.’ O autor não só ‘deixou’ que Carvalho filmasse sua obra como se dispôs a criar desfechos para personagens do livro que até então estavam soterrados pelo tempo. Suassuna também trabalha atualmente em um novo livro. ‘Ele terá quatro romances. O primeiro é A Nova Pedra do Reino; o segundo é Quaderna, o Decifrador, em que vou terminar A Pedra do Reino, fim este que já esbocei para a série; o terceiro é A Onça Castanha; o quarto é O Palco dos Pecadores.’


Seja qual for o resultado, Suassuna pode ter certeza que paixão não falta ao diretor e sua equipe. Como quem rege uma orquestra, Carvalho rege seu set com o talento de um grande criador de encontros e atmosferas. Durante as filmagens, pedia ao ator Flávio Rocha, que interpreta Lino Pedra-Verde: ‘Com emoção. Bota emoção.’ De fato, e bota emoção nisso!’


***


‘Há uma obra de arte genuína em cada flor de plástico e lata’


‘Luiz Fernando Carvalho protege seu set de filmagem como quem protege uma cidade medieval. Seu microcosmo milimetricamente orquestrado é digno de ser conhecido aos poucos, no tempo que o diretor leva para pensar sua obra. Há uma melancolia otimista nas palavras deste diretor que busca o palpável em um mundo em que tudo que é sólido se esvai na lógica que mercantiliza a cultura popular.


Não é por acaso que Carvalho protege seu universo criativo com uma redoma de lápides. A morte, seja metafórica, seja a de um tempo, seja a de uma cultura subjugada, espreita A Pedra do Reino. ‘Eu já tinha uma afeição pelas lápides dos cemitérios. Há sempre uma obra de arte genuína nas oferendas, nas flores de plástico, nas flores de lata. Sempre imaginei quem era a pessoa enterrada, o que ela fazia. Resolvi construir esta arena, que transforma o espaço da ação em um lugar mítico, onde o mundo de fora não entra, se não através de um portal que traz e leva os personagens. A idéia da morte está subentendida sem que fique dogmatizada, cristianiza, como algo negativo’, comenta o diretor, para quem esta microssérie é uma grande homenagem aos antepassados. ‘Aos de Taperoá, aos nossos. É uma arqueologia da memória.’ E completa: ‘Esse tema estava muito presente quando decidi filmar A Pedra do Reino. O livro fala da luta contra a morte. Tanto do Ariano, que lutava contra a morte do pai quando escreveu, quanto a de Quaderna, que procura seu arquétipo central, quer saber quem ele é. Ou ele se abate diante da morte ou constrói um mundo novo. É, de um ponto de vista, político e revolucionário.’


O projeto Quadrante, uma escavação arqueológica que vai literalmente mapear a cultura brasileira, unindo literatura, música, pintura em todos os Estados do País, vai levar, no mínimo, dez anos para ser completado, não? ‘Sim. Mas é um projeto de vida, que começou a tomar forma ainda na infância, quando li uma coleção de livros chamada Quadrante. E vai passear pelas obras de autores como Milton Hatoum (Dois Irmãos, no Amazonas), Sérgio Faraco (RS), Luiz Ruffato (Minas) e João Paulo Cuenca (Rio)’, conta Carvalho. ‘Estou atrás da literatura porque quero reafirmar o valor da palavra para a cultura brasileira.’


Para Carvalho, começar esta jornada Brasil adentro com A Pedra do Reino foi uma providência divina. ‘Este projeto é um passo grande do ponto de vista ético e estético. É uma jornada. E me pergunto o que traz para a televisão em termos de pesquisa, sobre o arquétipo central do País. Que território é este?’


Em um tempo em que ‘o presente é muito fluido e não se consegue firmar o pé’, Carvalho insiste em se aproximar de ícones da cultura brasileira sem ‘encaretá-los’. ‘É preciso questionar o que um Câmara Cascudo devolve para o País. Como eu devolvo a obra dele para o Brasil? O que é fundamental que sobreviva na obra de figuras como ele?’ Mas essa dramaturgia estrangeira não poderia realimentar nossa cultura, numa espécie de movimento antropofágico? ‘Não. São tão ruins que vão nos fazer esquecer nossa própria referência, o que é pior. Perde-se a resistência.’ Perdemos o caráter? ‘Exatamente. Não temos força para reagir. Trocamos nossa cultura por um objeto de plástico.’


Em vez de usar o local em que filma somente como locação, Carvalho busca uma alquimia com o ingrediente regional, construindo em Taperoá um tempo pessoal, mesmo inserido no universo televisivo. É possível? ‘Tempo é fundamental. Tive de construir meu tempo na TV. Só isso me permite ter o mínimo de reflexão. Por isso, quero ter trocas com as pessoas locais, com os atores, que estão passando por um longo processo de preparação’, conta ele. ‘Há uma quantidade de informação estrangeira todos os dias que vai nos despersonalizando. Ficamos querendo saber o que nossos avós gostavam e não há mais nem o produto que eles usavam para se fazer um bom café. Tudo vai se esvaindo. Há uma necessidade natural da geração mais nova de entender o que é o Brasil’, diz o diretor. ‘E o Brasil é um caleidoscópio. É triste ver isso se perder. Por isso, o lixo, o reaproveitado é tão importante neste trabalho. Não há resistência sem memória.’’


Cristina Padiglione


Silvio Santos vem aí


‘Silvio Santos volta do México até sábado, quando é aguardado na Anhangüera para gravar mais uma rodada do seu Bailando Por Um Sonho. O patrão atende a antigo convite da Televisa, rede que é parceira do SBT na produção e compra de teledramaturgia. Além de visitar o complexo dos Azcárraga, Senor Abravanel reajusta lá pontos de seus negócios com os mexicanos.


No retorno ao Brasil, Silvio verá os pilotos que Celso Portiolli vem gravando no cenário do Charme, de Adriane Galisteu. É uma situação que causaria constrangimento em qualquer canal, mas dado o índice de instabilidade do dono da casa, artistas e técnicos mal se espantam. Se o empresário gostar do desempenho de Portiolli no Charme, ele fica com o programa, com direito a um batismo menos feminino, e ela entra na fila de projetos do SBT para ser aproveitada em outro produto, provavelmente, semanal.


Fila de projetos nunca é bom negócio no SBT. O próprio Portiolli espera há tempos pela promessa de um programa. Ratinho saiu do ar há mais de mês e ainda não sabe que destino terá. Tudo é guiado de acordo com o humor de Silvio Santos. Oxalá ele volte animado do México.


entre-linhas


A Justiça entendeu que o formato do Shop Tour não pode ser objeto de proteção autoral, como reivindicava o seu titular, Luiz Galebe, e que portanto não houve infração legal quando a TV Gazeta exibiu o programa LiquidaMix. A decisão foi em segunda instância.


Apesar da torcida para algum dos times grandes caírem para a segunda divisão do Brasileirão – que não deu muito certo – , a Rede TV! garante a exibição do campeonato em 2007 .


Juca Kfouri marca presença no Provocações de hoje, às 23h10, na Cultura.


Aguinaldo Silva quer ninguém mais que Marília Gabriela no papel de vilã em sua próxima novela da Globo. Para tanto, Gabi deve ficar morena.


A ex-BBB Grazielli Massafera deve renovar seu contrato com a Globo até 2010. A direção da emissora está gostando do trabalho da moça em Páginas da Vida e quer que ela integre o elenco de novas novelas na casa.


Vidas Opostas, da Record, completou ontem sua primeira semana no ar. A emissora se manteve na vice-liderança com uma média de 14 pontos no ibope e 21% de share.


Wladimir Brichta é o convidado de hoje do Play It Again, do Armazém 41. O ator fala das músicas que marcaram sua vida, como O Seu Jeito de Amar, interpretada por Maria Bethânia, que tocou em seu casamento com Adriana Esteves. No GNT, às 23h30.’


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