Domingo, 21 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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ENTRE ASPAS >

Net pressiona Anatel para
impedir TVs de telefônicas

Por Luiz Antonio Magalhães em 01/12/2006 na edição 409


Leia abaixo os textos de sexta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 1° de dezembro de 2006


TELES vs. TVs
Graziella Valenti


Net cobra veto da Anatel a TVs de telefônicas


‘A Net Serviços quer que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) impeça, por meio de uma resolução, as concessionárias de telefonia fixa de prestarem o serviço de TV por assinatura em suas respectivas áreas de concessão. Mas, mesmo sem a resolução, o presidente da Net, Francisco Valim, diz que as empresas de telefonia estão desrespeitando as leis e o contrato de concessão ao tentarem entrar no mercado de TV paga. Caso a agência atenda sua reivindicação, Valim defende que a questão seja tratada na revisão das regras para as licenças de satélite (DTH), que está sendo promovida pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa.


As empresas de telefonia querem oferecer serviços de televisão para compor o modelo de negócios chamado triple play – oferta de voz, banda larga e TV por assinatura. O objetivo dessa oferta combinada é atrair mais clientes com pacotes promocionais e dar maior rentabilidade aos serviços. Companhias que começaram com TV a cabo já fornecem pacotes de serviços, como é o caso da Net.


As operadoras de telefonia estão em uma cruzada regulatória para serem consideradas triple play. A Telemar aguarda a aprovação da aquisição da empresa de tevê a cabo WayTV e a Telefônica espera uma resposta para a solicitação que fez à Anatel para uma licença de DTH. Enquanto espera a resposta da Anatel, a Telefônica lançou o serviço de TV por meio de uma parceria com uma pequena empresa chamada DTHi (Astralsat). Ao tomar essa decisão, comprou briga com o Ministério das Comunicações.


A Net diz que as concessionárias deveriam ser impedidas de atuar em TV paga nas suas regiões originais porque são monopolistas nos serviços de telefonia e têm elevada concentração em banda larga – cerca de 80% do mercado nacional. A Net, cujo controle é da Globo, em parceria com a gigante mexicana Telmex, tem 38% do mercado de TV, 14% em banda larga e menos de 0,3% em voz, com o Net Fone via Embratel . De acordo com o balanço de setembro, a companhia conta ainda com 1,540 milhão de assinantes de TV e 366,5 mil de acesso de alta velocidade à internet.


Valim disse que há uma assimetria regulatória e concorrencial no campo de jogo com as operadoras de telefonia, desfavorável ao seu negócio. Para ele, expor o mercado de TV paga, responsável por 80% de seu faturamento, à competição com essas empresas seria abrir um ‘buraco em seu gol’.


O presidente da Net foi enfático em suas críticas. Ele afirmou que o acordo entre a Telefônica e a DTHi fere as regras do setor. Para ele, não se trata de uma parceria comercial, como diz a concessionária, e sim de uma aquisição disfarçada. ‘Li nos jornais a DTHi dizendo que faz apenas a programação e a geração do sinal da TV. Mas como isso pode ser feito, se o sinal é gerado pelo Peru por um uplink da Telefônica e os contratos de programação são pan-americanos?’, questionou.’


INTERNET
Renato Cruz


Escritório do Google no Brasil mostra novo estilo de gestão


‘Parece valer a pena ter de resolver equações matemáticas complexas durante o processo de contratação. Os funcionários do Google têm um pacote de regalias que dificilmente seria oferecido por qualquer outra empresa. O Googleplex São Paulo, escritório de 1,7 mil metros quadrados ocupado pela empresa há cerca de três semanas, tem uma sala para seus empregados receberem massagem. Existe um lounge com rede e almofadões em que alguns deles aproveitam para fazer a sesta, depois do almoço.


O refeitório tem uma mesa de pebolim e várias TVs de plasma. ‘Estão loucos por um PlayStation 3 agora’, afirmou Alexandre Hohagen, diretor-geral do Google Brasil. A empresa oferece chocolates e refrigerantes de graça. ‘Em um mês, são consumidos 700 iogurtes, 5 mil refrigerantes e sucos e 2 mil garrafinhas de água’, apontou Hohagen. Isso para um público de 60 funcionários em São Paulo.


O consumo de refrigerantes e chocolates deve crescer rápido no Googleplex, se os planos da empresa se confirmarem. O total de empregados em São Paulo subiu de 20 em 2005 para 60 este ano. ‘Daqui a um ano, teremos duas vezes e meia esse total’, disse Hohagen.


Os funcionários do Google precisam dedicar 70% de seu tempo à atividade principal da empresa, 20% do tempo a projetos correlacionados e 10% a um projeto pessoal. Nos Estados Unidos, o site de comunidade Orkut e o Google News, de busca de notícias, nasceram como projetos pessoais. No Brasil, um funcionário resolveu engajar os colegas em um projeto social e outro organizou o Google Day, dia em que os familiares visitaram a empresa. ‘Um deles trouxe o pai, para provar que ele vinha mesmo trabalhar quando saía de chinelo e bermuda’, apontou o executivo.


As salas do escritório em São Paulo têm nome de praias, como Atalaia, Maresias, Ipanema e Abrolhos. As impressoras receberam nomes de jogadores de futebol, como Ronaldinho, Zico e Garrincha. As coloridas foram batizadas com nomes de craques atuais e as preto e branco com nomes do passado.


Existe uma espécie de competição entre as subsidiárias do Google para ver quem tem o escritório mais legal. ‘Como somos mais novos, estamos bem posicionados’, disse Hohagen. ‘Temos orgulho de dizer que este é o primeiro aparelho deste modelo que o Google compra no mundo.’ Ele apontou para um sistema de videoconferência Tandberg 8000, instalado na sala Maresias.


Além do escritório comercial e administrativo em São Paulo, o Google tem um centro de pesquisas em Belo Horizonte, surgido da aquisição da brasileira Akwan, com 25 funcionários. O centro de Belo Horizonte não responde a São Paulo, mas a um diretor de tecnologia em Nova York. Em www.google.com.br/jobs, a empresa tem vários postos em aberto, em São Paulo, Belo Horizonte e fora do Brasil para quem fala português. ‘O processo de contratação é muito cauteloso, para não dizer complexo’, apontou Hohagen.


A principal atividade do Google no Brasil é a venda de links patrocinados, os pequenos anúncios de texto que aparecem ao lado do resultado das buscas e em sites de parceiros. ‘O mercado brasileiro de anúncios online é praticamente inexplorado, muito pequeno ainda’, disse o diretor do Google. ‘Ele responde por 1,9% do total dos gastos publicitários.’ Apesar de ter uma estimativa sobre os links patrocinados, Hohagen preferiu não divulgá-la.


Durante 2006, o Google realizou 150 eventos com empresas, para divulgar seu serviço de anúncios. Ontem, Hohagen participou de um evento para o setor financeiro e, anteontem, de outro para o setor automotivo. Na terça-feira, falou para 70 executivos da Cadbury Adams. ‘Já falamos com mais ou menos 20 mil profissionais brasileiros de marketing e publicidade.’ Existem clientes que chegam a comprar 300 mil palavras, e ao lado de seus resultados de busca são exibidos os anúncios.’


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Novos serviços vão ganhar versão brasileira


‘Existem serviços internacionais do Google muito próximos de ganharem uma versão nacional. Um deles é o Click-to-Call, que permite ao internauta falar diretamente com um anunciante pelo telefone, de graça. O usuário cadastra o número do seu telefone e, quando clica em um ícone verde do lado do anúncio, recebe a chamada. ‘Já treinamos alguns clientes’, afirmou o diretor-geral do Google Brasil, Alexandre Hohagen.


Outro serviço próximo de ser lançado aqui é o Google Maps, que traz mapas interativos e indica trajetos. Ele pode ser combinado com o Google Earth, que tem fotos do planeta. Mês passado, a empresa lançou no País o Google Enterprise, sistema de busca para empresas, comercializado pela distribuidora Mude.


Hohagen ainda não sabe como o YouTube, recentemente adquirido pelo Google, será trabalhado no Brasil. ‘A aquisição é muito recente’, apontou o executivo. Mesmo assim, já existem empresas brasileiras, como a Gradiente e a Telefônica, com o Speedy, que anunciaram no YouTube usando o serviço AdWords, de links patrocinados. ‘O YouTube já era um parceiro do Google antes mesmo da aquisição.’


A empresa iniciou testes com anúncios no Orkut nos Estados Unidos e na Índia. A empresa não tem previsão sobre quando o que chama de ‘monetização’ do Orkut chegará ao Brasil.


Fora do País, a empresa começa a vender anúncios para meios tradicionais de comunicação, como jornais e rádio. ‘Ainda é uma atividade experimental nos Estados Unidos’, afirmou Hohagen. ‘Por enquanto, não temos planos para o Brasil.’’


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Fantasma dá ibope


‘Fantasma dá audiência. Ao menos é isso o que as aparições de Nanda (Fernanda Vasconcellos) em Páginas da Vida vêm provando à Globo. As cenas em que a jovem reaparece ao estilo Ghost chegam a aumentar a audiência da novela em até 5 pontos. Para uma trama que vem obtendo médias na casa dos 46 pontos, é uma curva porcentual considerável em ibope.


Apesar disso, o autor garante que as participações do fantasma da garota nada têm a ver com a audiência e não sabe se vai mantê-la na história até o final.


‘Coloco a Nanda porque gosto e porque faço esse exercício em todas as minhas novelas’, diz Maneco, garantindo que não monitora os aumentos de audiência em cenas de seu folhetim. ‘Vou escrevendo a novela e à medida que vou achando necessário, vou fazendo essas aparições.’


Mesmo assim, o que era para ser um recurso inicial, acabou virando prática constante na trama das 9 e parece ser o caminho para a solução de algumas celeumas na história, como a separação dos gêmeos, Clara (Joana Mocarzel) e Francisco (Gabriel Kaufmann. Ao que tudo indica, Nanda segue até o fim.


O encontro


Amaury Júnior e Seu Jorge tomam champagne juntos à beira da piscina, no Club Med Itaparica. Cena que merece registro, a entrevista vai ao ar hoje, à 0h na RedeTV!. E Seu Jorge conta que em 2007 fará um filme na Irlanda – encara papel de prisioneiro.


A misteriosa seleção do BBB


O processo de seleção do Big Brother Brasil é mesmo um mistério. Depois de abrir e fechar as inscrições para a sétima edição do reality show – que estréia em janeiro – sem muito alarde, a Globo não divulga o número de inscritos da atração. Foi assim na edição passada também. Tudo muito misterioso. Isso só reforça a série de boatos que dão conta de que os participantes são cartas marcadas da emissora e que as inscrições abertas ao público em geral são apenas marketing ou, no máximo, rendem vídeos hilários para o Fantástico.


entre- linhas


Galvão Bueno prepara o smoking para a festa do Craque Brasileirão 2006, segunda-feira próxima. Começa às 19h30, com transmissão direta do SporTV do Teatro Municipal do Rio, que exibe de lá a mesa do dia do programa Bem Amigos.


Na Record até anteontem, Paulo Nicolau assume a direção do SBT Brasil na gestão Carlos Nascimento. As negociações foram tocadas por Itamar Oliveira, emissário de Silvio Santos e adestrador dos cães do patrão.


O Jornal da Band foi muito bem em audiência na quarta, registrando média de 7 pontos.’


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 1° de dezembro de 2006


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


PIB e os estudantes


‘No exterior, em sites como ‘Wall Street Journal’ e Bloomberg, os títulos foram na linha ‘PIB do Brasil acelera, mas ainda é baixo’. A expectativa do ‘pool’ de economistas nas agências Dow Jones e AP era de 3,4% em relação ao trimestre de 2005 e o percentual foi 3,2%. No Brasil, sites e TVs davam o percentual em relação ao trimestre anterior e manchetes na linha ‘PIB cresce apenas 0,5% e confirma ano fraco’.


Com menor ou maior otimismo, foi o bastante para acionar a pressão por reformas e controle de gastos, de funcionários de FMI, Standard & Poor’s e outros. E também pressões em direção diversa -e inusitada. UNE e outras entidades, em meio à passeata contra o aumento da passagem dos ônibus, ao vivo pela TV, anunciavam um ato na segunda contra ‘a ortodoxia da política econômica’. Com ‘presença confirmada’ de economistas como Luiz Belluzzo e Carlos Lessa.


‘UM GRANDE DEBATE’


O laptop de US$ 150 de Nicholas Negroponte, do MIT Media Lab, em teste no Brasil, era destaque ontem na primeira página do ‘New York Times’ (à dir.). Abrindo o texto:


– Quando executivos da indústria de computação ouviram do plano voltado a crianças de países em desenvolvimento, ridicularizaram. ‘Como fazer computador de US$ 100, o preço só da tela?’


Não saiu por US$ 100, mas US$ 150 -e ‘muitos céticos foram dobrados’. Mas não os executivos das ‘gigantes’ Intel e Microsoft, que propõem computadores mais caros e voltados a escolas, sem as quais nada será alcançado, diz Bill Gates. O novo laptop não usa Windows, mas Linux.


BLOGS EM REVOLTA


A reportagem ‘Orkut dá à PF atalho para barrar página’, de Rogério Pagnan, terça na Folha, iniciou uma revolta na blogosfera. A notícia foi que a Google ‘criou ferramenta que permite aos policiais navegar como ‘usuários especiais’ e acessar dados como IP, que pode levar ao responsável’ e até à retirada da comunidade.


A revolta começou na terça, em blogs como Gulp, que saiu avisando a todos, ‘você está sendo vigiado’. Depois o Coió Online, ‘cuidado com páginas que vocês acessam no Orkut’, que está ‘na mira da PF’. E ontem chegou ao Nomínimo Weblog, para o qual a Google ‘podia ao menos ter oferecido aos seus pobres usuários a chance de pular fora antes’.


BLOG VIRA JORNAL


O ‘NYT’ noticiou ontem que o coletivo blogueiro The Huffington Post contratou editor, que já foi do próprio ‘NYT’, vai contratar mais e fazer ‘reportagens próprias’. É ‘dos blogs mais populares dos EUA’, sublinha o jornal.


E está na faixa ultraliberal do Partido Democrata. Para citar exemplo de blog desta semana, o economista Mark Weisbrot postou sob o título ‘Equador e EUA: revolta das urnas nas Américas’. Diz o diretor do Centro de Pesquisa Econômica, de Washington, que ‘podemos analisar nossa própria eleição como sinal de que os EUA se juntaram ao resto das Américas’, contra o ‘Consenso de Washington’ e sua ortodoxia econômica.


TEM PÃO DE QUEIJO!


Reuters em São Paulo, AP em Seattle, a sede: a notícia de negócios do Brasil ontem era a Starbuck’s do Morumbi Shopping, ‘num dos bairros mais ricos’. É um Fran’s multinacional, que decidiu priorizar os BRICs. Segundo o Blue Bus, além de café a R$ 2,80, ‘tem pão de queijo!’.


‘GO HOME’


Reprodução


Estréia hoje nos EUA um ‘filme de horror teen’ sobre o Brasil, intitulado ‘Turistas, Go Home’. Turistas, em português. Um jovem e sua irmã viajam ao Brasil para as férias e se vêem perdidos, depois de acidente. São drogados e furtados. Resgatados, vêem-se nas mãos de brasileiros que, em retaliação aos traficantes americanos de órgãos, fazem o mesmo com turistas: cenas de dedos sendo cortados, olho arrancado com bambu. De reportagem no ‘Los Angeles Times’ a crítica favorável na rede Gannett de jornais, a bilheteria adolescente promete.’


CRÔNICA
Carlos Heitor Cony


De um diário íntimo


‘É doloroso passar pelos corredores vazios, salas fechadas, maltratadas, tudo ao abandono


12.12.98 – DUAS horas da manhã.


Sem conseguir dormir, peguei o notebook, fiz uma crônica para segunda-feira e puxei o diário para registrar a semana. Uma surpresa: sem nenhum aviso da Record, recebi a segunda edição do meu livro de crônicas, lançado há menos de dois meses.


Não esperava, sinceramente, a reedição das crônicas. O livro até agora não apareceu em nenhuma lista dos mais vendidos, nem a editora me deu até agora qualquer informação sobre as vendas. Tirante a Folha, não foi publicada nenhuma resenha a respeito dele. Mesmo assim, a primeira edição esgotou-se em cinco semanas.


Apesar dessa boa surpresa, continuo bastante deprimido com a situação da Manchete. Ontem, houve ameaça de invasão do edifício, as portas dos dois prédios ficaram fechadas durante o expediente. No momento, a casa tem mais seguranças do que o total de jornalistas e técnicos.


Três meses de atraso no pagamento de salários, gente sendo despejada de suas casas, sem dinheiro para o transporte, para a comida, para o colégio dos filhos.


Soube que a Sendas dará um vale de R$ 20 para os funcionários comprarem mantimentos da ceia de Natal. Humilhante. Mas todos estão aceitando, o vale garante feijão, arroz, macarrão, óleo, quiçá um frango.


E pensar na abundância de outros tempos, quando havia almoços monumentais para todos, distribuição de brinquedos para os filhos do pessoal mais humilde.


Li o contrato com um banco que o Jaquito me mostrou e vi que realmente omitiram a cláusula do passivo trabalhista. Tudo isso me deprime. Pessoalmente, posso manter meu padrão de vida.


Mas é doloroso passar pelos corredores vazios, salas fechadas, tudo maltratado, ao abandono, sem os quadros que o Adolpho fazia questão de exibir. E agora, a ameaça de sofrer uma violência por parte dos mais desesperados.


Ontem, fiz uma coisa que nunca mais pensava fazer: comprei um pinheirinho e pedi que Verônica providenciasse luzinhas e enfeites para armar uma árvore de Natal na sala. Há mais de dez anos deixei essa mania, que era coisa importante na infância das minhas filhas e, mais tarde, na infância da minha neta.


Com o crescimento dela, deixei de armar a árvore, embora todos os anos reúna aqui em casa a família, irmãos, sobrinhas, filhos. Neste ano, teremos aqui o Dani, Michele, as filhas de Dani com Sheila, duas meninas adoráveis, Sacha e Natália. A presença das crianças sem dúvida justifica a árvore.


Recebi da editora Objetiva o pedido -prontamente aceito- de fazer o prefácio para a biografia do José Carlos de Oliveira, escrita por Jason Tércio. Muito boa, por sinal, a melhor de todas as que li na atual safra de biografias.


Pena que o autor tenha dado muito espaço ao folclore de Ipanema, por sinal, o mesmo que figura em alguns outros livros surgidos recentemente.


Mas a personalidade de Carlinhos, seu talento de cronista, suas venturas e desventuras estão bem captadas. O livro fica no plano dos livros do Ruy Castro e do Fernando Morais, bem superior aos demais que estão na enxurrada editorial de fim de ano.


Não cobrei nada da editora, em homenagem ao Carlinhos. Brigamos algumas vezes, trocamos farpas e insultos, ele no ‘JB’, eu no ‘Correio da Manhã’. Mas sempre nos respeitamos e nos quisemos bem.


Num momento difícil para ele, chamei-o para trabalhar comigo, por ocasião do lançamento da revista ‘Ele Ela’.


Por sua vez, quando estava sendo agredido todas as semanas pela esquerda, Carlinhos escreveu dois longos artigos, atribuindo a campanha ao ressentimento de alguns que trabalham na mídia.


Generosamente, colocou-me muito bem dentro da literatura brasileira contemporânea -e isso numa época em que eu nem sequer sonhava em voltar a escrever romances. Tenho guardados os dois artigos; foram dos melhores que recebi em toda a vida.


Li o original (‘Órfão da Tempestade’) de uma sentada. E fiquei comovido e chocado com o sofrimento dele, sua crise mística (que eu ignorava), sua fabulosa capacidade de refletir a condição humana a partir de suas próprias exaltações e depressões.


Vou escrever um prefácio bem carinhoso, como alguém como o Carlinhos merece.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Telemar e BrT negociam compra de TV paga


‘A Telemar e a Brasil Telecom (BrT), que ao lado da Telefônica dominam a telefonia fixa no país, estão negociando a compra da Tecsat, operadora de TV paga via satélite (DTH) baseada em São José dos Campos, mas com atuação nacional.


As concessionárias seguem o exemplo da Telefônica, que fechou uma parceria com uma empresa detentora de licença para DTH, a DTHI, e desde a semana passada oferece pacotes de canais pagos a partir de R$ 40 no Estado de São Paulo.


Os objetivos das três teles são os mesmos: impedir o avanço da Net, que já vende pacotes ‘triple play’ (telefone, TV paga e banda larga), sobre suas clientelas de telefonia. A entrada da Telemar e da BrT na TV paga deve acirrar a guerra das teles com a Net e com o ministro Hélio Costa (Comunicações).


Telemar, BrT e Tecsat negam as negociações, mas a Folha apurou que elas ocorrem há um mês. Existe até a possibilidade de ambas as teles venderem pacotes da Tecsat em suas respectivas áreas de atuação.


Lançada em 1998, a Tecsat já teve 70 mil assinantes e foi opção à DirecTV e Sky, mas hoje possui só 25 mil clientes. Está passando por dificuldades financeiras e precisa de recursos para investir na produção de receptores de DTH e em conteúdo (negocia o retorno dos canais HBO) para poder crescer. Para piorar a situação, seu sócio-fundador e diretor-presidente morreu meses atrás.


SEM PRESSA O jornalista Boris Casoy, que já teve propostas de quase todas as redes desde que saiu da Record, negocia atualmente com a CNT, cuja cobertura em São Paulo é quase inexistente. ‘Eu tenho que meditar sobre isso até a semana que vem. Estou pensando’, afirma Casoy.


APAGÃO A Record não vai mesmo exibir a última rodada do Brasileirão de 2006, neste domingo. Em guerra contra a Globo, programou para o horário do futebol o filme ‘A Vida É Bela’.


TUDO DE BOM A Globo grava amanhã o último ‘Domingão do Faustão’ do ano, que reunirá gente que se deu bem em 2006, como Marjorie Estiano, o elenco de ‘A Grande Família’ e Leandro Hassum e Marcius Melhem.


SEM QUÍMICA A produção de ‘Páginas da Vida’ vem perdendo muito tempo para gravar cenas românticas entre Sônia Braga e Edson Celulari. A dupla não ‘dá liga’, concluíram os profissionais dos bastidores da Globo.


VANGUARDA Silvio Santos volta hoje do México. Lá, participou de um evento da Televisa, que anunciou suas principais produções para 2007. A rede anunciou ‘um novo conceito de telenovela, a de vanguarda’, que trata de temas como o divórcio e a imigração ilegal para os EUA, segundo o noticiário especializado. Pelo visto, os mexicanos ignoram a existência da Globo.


SINCERAMENTE O quadro ‘Super Sincero’, de Luiz Fernando Guimarães, vai voltar ao ‘Fantástico’.’


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