Sábado, 20 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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ENTRE ASPAS >

O Estado de S. Paulo

07/10/2008 na edição 506

ELEIÇÕES
O Estado de S. Paulo

Na TV, Alckmin rebate critica e diz ter uma cara só

‘O candidato do PSDB à prefeitura, Geraldo Alckmin, conseguiu direito de resposta por ter sido chamado de ‘duas caras’ pela campanha do adversário Gilberto Kassab (DEM). Em horário nobre, Alckmin apareceu na TV falando que seu maior bem é a imagem, e que sempre teve uma cara só. ‘Se tivesse duas caras, lembrando meu amigo Mário Covas, teria vergonha nas duas.’’

 

 

Elder Ogliari e Sandra Hahn

Fogaça volta a ser alvo na TV em Porto Alegre

‘Com críticas estrategicamente estudadas, seis dos oito candidatos à Prefeitura de Porto Alegre (RS) se encontraram na quinta-feira à noite para o último debate do primeiro turno, na RBS TV. A cautela nos enfrentamentos diretos evitou que se evidenciasse a principal disputa desta fase, sobre qual será a adversária de José Fogaça (PMDB) no segundo turno, já que Maria do Rosário (PT) e Manuela D?Ávila (PC do B) aparecem nas pesquisas em empate técnico. Elas não trocaram perguntas entre si.

Fogaça, que concorre à reeleição e lidera, foi o alvo. Principais críticas partiram de Onyx Lorenzoni (DEM), que cobrou a tarifa única para o transporte coletivo. Os outros concorrentes, inclusive Nelson Marchezan Júnior (PSDB) e Luciana Genro (PSOL), reclamaram do ritmo lento de implantação de programas de saúde, obras e busca de verba federal.

O prefeito reiterou que, quando assumiu, teve de ‘colocar a casa em ordem’ para voltar a ter acesso a financiamentos para obras. E lembrou que a cidade já tem sistema de bilhetagem eletrônica com desconto. Lorenzoni acusou Fogaça de antecipar receitas para empresas com a bilhetagem. ‘A diferença entre um prefeito que cuida das pessoas ou que cuida do interesse das empresas está clara nesse episódio.’

‘Essas questões que tu tens levantando sobre integração (do transporte coletivo) são excelentes e eu pretendo te ouvir’, elogiou Maria do Rosário. Mas foi fustigada por Luciana, segundo quem a petista é candidata por articulação do ‘operador do mensalão José Dirceu’. Maria do Rosário defendeu-se dizendo que tem a seu lado Olívio Dutra e Tarso Genro, pai da adversária.’

 

 

O Estado de S. Paulo

ANJ protesta contra apreensão de jornal

‘A Associação Nacional de Jornais divulgou ontem nota contra o juiz Luiz Henrique Martins Portelinha, que determinou a apreensão da edição n.º 46 do jornal Impacto, de Florianópolis. É a segunda vez, em poucos meses, que o juiz determina a apreensão do jornal, em função de reportagens contra o prefeito Dário Berger, candidato à reeleição. Segundo o vice-presidente da ANJ, Júlio César Mesquita, ‘trata-se de repetição de censura, medida inconstitucional e contrária à convivência democrática’.’

 

 

ELEIÇÃO NOS EUA
AFP, AP E Reuters

Audiência de debate entre vices bate recorde

‘O número de americanos que assistiram ao debate na TV de anteontem entre os candidatos à vice-presidência na corrida à Casa Branca foi muito maior do que os que acompanharam o confronto entre os presidenciáveis John McCain e Barack Obama, no dia 26. Segundo o instituto Nielsen Media Research, 70 milhões de espectadores viram o confronto entre a republicana Sarah Palin e o democrata Joe Biden – uma audiência 42% mais alta do que embate dos candidatos à presidência.

O debate entre Sarah e Biden foi o mais assistido da história entre candidatos a vice-presidente dos EUA. A curiosidade sobre a performance de Sarah – que vinha sendo criticada por seu despreparo ao conceder entrevistas – foi o fator que mais atraiu espectadores. Mas o instituto informou que é preciso lembrar que mais gente assiste à TV às quintas-feiras do que às sextas, dia do debate entre McCain e Obama.

Pesquisas divulgadas após o debate entre os candidatos a vice indicaram que Biden venceu o confronto com a rival Sarah Palin. Ele ignorou sua oponente e concentrou seus ataques em McCain, mostrando-se mais agressivo que Obama no debate presidencial.

Biden saiu vencedor para 46% dos eleitores ouvidos pela rede CBS News e para 51% dos entrevistados pela CNN. Em contrapartida, apenas 21% e 36% dos americanos ouvidos nas duas pesquisas, respectivamente, acreditaram que a performance de Sarah foi superior.

A baixa aprovação da governadora do Alasca, porém, não desanimou os líderes republicanos que, logo após o debate, anunciaram a ‘vitória de Sarah’. A campanha de McCain a qualificou como ‘direta, enérgica e um sopro de ar fresco’.

Durante um comício em Pueblo, no Colorado, McCain elogiou Sarah. ‘Ela teve uma atuação magnífica’, disse o republicano. ‘Viva la Barracuda’, comemorou, fazendo referência a um dos apelidos de Sarah.

O presidente George W. Bush considerou ‘excelente’ o desempenho de Sarah . Segundo o assessor da presidência, Tony Fratto, Bush ‘achou que foi um bom debate, no qual a governadora Palin se saiu muito bem’.

Os democratas também não economizaram elogios à atuação de Biden. ‘Estou muito orgulhoso de Joe. Acho que os EUA puderam ver claramente por que acredito que ele será um excelente vice-presidente, principalmente no período difícil em que vivemos. Ele será extraordinário’, disse Obama.

‘Biden teve uma clara vitória, pois fez uma defesa apaixonada pela mudança nas desastrosas políticas econômicas e internacionais dos últimos oito anos’, disse o chefe de campanha de Obama, David Plouffe.

Biden passou o dia em Delaware, despedindo-se de seu filho, o capitão Joseph Biden III, que parte amanhã para o Iraque. ‘O que nos conforta é o fato de que vocês são o mais bem preparado grupo já enviado para o perigo’, disse Biden.’

 

 

INTERNET
Cláudia Trevisan

Skype admite monitoração de mensagens na China

‘A companhia Skype, que oferece serviços de telefonia pela internet, reconheceu na quinta-feira que a empresa parceira que fornece seus serviços na China monitora e arquiva mensagens de texto de usuários que contenham expressões classificadas como ‘sensíveis’ por Pequim, entre as quais estão ‘Tibete’, ‘democracia’ e ‘Partido Comunista’.

Os textos ficam em arquivos que podem ser acessados por autoridades chinesas e permitem a identificação dos autores. A companhia pediu desculpas e afirmou que desconhecia a prática adotada pela parceira TOM Online.

Antes da Skype, outras empresas de internet já haviam enfrentado desgaste em sua imagem por cederem às exigências da censura chinesa. O caso mais grave envolveu o Yahoo!, que forneceu a identidade do jornalista Shi Tao, que enviou por e-mail a um amigo nos Estados Unidos a cópia de um documento do Partido Comunista. Em 2005, Shi Tao foi condenado a 10 anos de prisão por divulgar segredos de Estado a estrangeiro, apesar de não haver nada de secreto no texto.

Tanto Yahoo! quanto Google incorporaram a seus sistemas de busca na China filtros que impedem o acesso a páginas proibidas pela censura. Ao mesmo tempo em que construiu a infra-estrutura para expandir o número de internautas, o governo chinês levantou ‘Grande Muralha de Fogo’, uma barreira tecnológica que impede o acesso a sites que contenham informações vistas como perigosas.’

 

 

O Estado de S. Paulo

Apple desmente infarto de Steve Jobs

‘Em resposta a uma informação veiculada pelo ‘iReport’, um site de notícias alimentado por internautas e operado pela rede de televisão CNN, Steve Dowling, porta-voz da Apple, afirmou à Reuters que o relato de que Steve Jobs sofrera um infarto ‘não é verdade’. Ao ser perguntado sobre detalhes do estado de saúde de Jobs, Dowling apenas repetiu: ‘A reportagem não é verdade.’ O texto foi removido posteriormente do site iReport.’

 

 

Gerusa Marques

Empresas de internet se queixam da BrOi

‘Representantes de empresas provedoras de internet criticaram ontem a possibilidade de compra da Brasil Telecom pela Oi. Segundo o presidente da Associação das Empresas Licenciadas do Serviço de Comunicação Multimídia e Provedores de Internet (Abramulti), Manoel Sobrinho, a eventual fusão entre as duas concessionárias de telefonia fixa vai permitir a criação de um oligopólio em todos os segmentos de serviços de telecomunicações.

A afirmação foi feita em uma reunião promovida pelo Conselho Consultivo da Anatel para debater as mudanças no Plano Geral de Outorgas (PGO). A alteração no PGO está em exame pela Anatel e é necessária para permitir que a Oi compre a BrT. Sobrinho disse que ‘houve omissão’ da Anatel para implantar e regulamentar medidas de incentivo à concorrência, já previstas na Lei Geral de Telecomunicações (LGT). Segundo ele, a Anatel já permitiu que as concessionárias de telefonia fixa prestem outros serviços, como os de banda larga e TV por assinatura.

‘Na mudança do PGO, as autoridades deveriam se lembrar do povo brasileiro, que sempre paga a conta e em muitas cidades não tem direito ao mais básico, que é a escolha’, disse Sobrinho, referindo-se ao fato em muitas cidades brasileiras os serviços de telecomunicações são prestados por apenas uma empresa. ‘Se a competição expande os serviços e reduz custos por que não é implantada?’, questionou Sobrinho.

CAUTELA

O presidente da Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet (Abranet), Eduardo Parajo, pediu cautela à Anatel na elaboração do PGO. Segundo ele, a agência já dispõe de instrumentos legais para incentivar a concorrência e que a melhor solução seria colocá-los em prática.

O representante da Global Info, Jorge Rossetti, disse que a mudança de regras tem de ‘assegurar a consistência da competição’ nos serviços de conexão à internet, além de proporcionar maior segurança jurídica a todos os agentes que atuam no mercado.’

 

 

ASSINATURA
O Estado de S. Paulo

Net reclama de perda com ponto extra

‘O presidente da Net, José Antônio Félix, disse ontem que a perda das operadoras de TV por assinatura com o eventual fim da cobrança pelo ponto extra pode variar de 20% a 50% do faturamento. Durante reunião do conselho consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Félix chegou a dizer que a perda da Net seria de R$ 250 milhões, em um faturamento de R$ 800 milhões. ‘É como na vida real perder o 13.º e os salários de dezembro, janeiro e fevereiro.’’

 

 

CRÔNICA
O Estado de S. Paulo

Crônicas à moda antiga e com boa dose de ironia

‘O caderno Metrópole ganha a partir de amanhã novos colunistas. Eles se juntam a Tutty Vasques, que assina sua coluna de humor de terça a sábado na contracapa do caderno. Amanhã é a estréia do escritor Antonio Prata, cronista que por quatro anos assinou coluna no Guia do Estado. Na segunda-feira, é a vez do jornalista Fred Melo Paiva, um dos fundadores do caderno Aliás. Eles vão se revezar, quinzenalmente, com a jornalista Vanessa Barbara e o sociólogo José de Souza Martins, que estréiam nos dias 12 e 13, respectivamente.

Antonio Prata, autor de seis livros de contos e crônicas, diz que pretende ‘escrever ?crônicas crônicas?, à moda antiga’. ‘Não terão necessariamente gancho jornalístico quente, factual. As idéias terão sempre um pé na ficção, virão da observação e análise do que acontece nas ruas, matéria-prima para as melhores crônicas’, diz o escritor, paulistano, de 31 anos. ‘Quero escrever o que não é dito em outros lugares, pode ser também sobre assuntos da atualidade, mas com enfoques diferenciados.’

Logo em sua primeira coluna, que será publicada amanhã, Antonio dá uma pequena amostra das surpresas que pretende causar nos leitores, ao unir assuntos aparentemente díspares, como eleições municipais e a hora certa de acordar pela manhã. ‘A idéia é pegar o leitor desprevenido, com assuntos que lhe são familiares, mas que ele não espera encontrar no jornal. Todo mundo sente sono, sonha, também é possível escrever sobre isso’, afirma o escritor, que define seu estilo como ‘bem-humorado, livre da reverência de quem escreve literatura’.

Novo colunista das segundas-feiras – alternando-se com o sociólogo José de Souza Martins -, Fred Melo Paiva é mineiro, formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas (PUC-MG), mas vive em São Paulo desde 1996. Fred foi repórter das revistas Playboy, Veja e IstoÉ e diretor de redação de Trip e Tpm. Foi editor do caderno Aliás até agosto.

Lançando mão de humor e ironia – elementos que marcam seu estilo -, o jornalista quer, em sua coluna, escrever ‘textos calcados em observação, essencial para toda boa reportagem’. ‘O trabalho será basicamente o de repórter, com boas histórias dos personagens, eventos e acontecimentos da cidade’, diz. ‘Em minhas reportagens, sempre procurei experimentar, escrever em diferentes formatos. Já escrevi como se fosse um locutor narrando partida de futebol, em forma de boletim de ocorrência, até como se fosse um cachorro contando a história. A coluna também será um espaço para isso, uma forma diferente de relatar uma história.’

Em sua coluna de estréia, na segunda-feira, Fred seguirá o estilo que o caracteriza – depois de breve apresentação, tratará celebridades, e mesmo sua própria figura, com ácido bom humor. ‘Em um momento da minha carreira, decidi que meu leitor é inteligente. E assim ele deve ser tratado, sempre de forma respeitosa, como entre iguais. É importante, também, que ele seja bem-humorado.’

Em comum entre os estreantes, a empolgação com a liberdade que o espaço de uma coluna permite ao seu escritor. ‘Como definiu o Millôr Fernandes, que diz ser um ?escritor sem estilo?, quero fazer da coluna algo que não tenha formato padrão, que me permita exercer a liberdade do cronista’, comenta Prata. Para Fred, o caráter autoral de uma coluna lhe permitirá utilizar recursos literários difíceis de serem encontrados nas páginas noticiosas. ‘A ironia será mais fina, as imagens mais refinadas, realmente, um desafio que me empolga.’’

 

 

TELEVISÃO
Jotabê Medeiros

Play-back e ‘sertanemo’: noite de VMB

‘Quase todas as bandas vencedoras no palco do VMB lembram aqueles personagens do cartunista Alan Sieber, os Mommy?s Boys – todos agradecem à mãe, ao daddy, ao cachorro, ao advogado, ao cabeleireiro, a Deus e outras entidades cúmplices pelo seu súbito sucesso.

Era um programa de TV que tinha a música como tema, como combustível. Mas, ultimamente, virou um programa de TV encarregado de evidenciar o quanto está decadente a indústria musical e o quanto degenerou a música jovem no Brasil. A exemplo do ano passado, os emos venceram – apesar de o grande vitorioso, a banda NX Zero, eleita pela audiência Artista do Ano, ter declarado no palco, mostrando o dedo médio, que ‘emo é o c….’.

Na noite de anteontem, completando 14 anos, o Vídeo Music Brasil atacou de alquimista. Inventou o gênero ‘sertanemo’, misturando os sertanejos Chitãozinho e Xororó com a banda emo Fresno. Fundiu o tecnobrega da banda Calypso com o samba-rap de Marcelo D2 e o ska dos Paralamas. Pegou o funk aculturado do Bonde do Rolê e levou para as academias de fisiculturismo da Praça da República.

Não contente, a premiação impôs à juventude uma das piores experiências musicais do planeta, o grupo Nove Mil Anjos – a junção do baterista Júnior (ex-Sandy) com dissidentes de Charlie Brown Jr. (o baixista Champignon), Pitty (o guitarrista Peu) e o cantor Peri. Nem bandinha de festival de colégio chega tão longe em ruindade.

Mas o pior nem estava no pop rock nacional. Era algo que tinha atravessado a alfândega. A banda inglesa Bloc Party (indicada para o Mercury Prize, o mais importante premiação da música britânica), fez um papelão em seu primeiro contato com o público brasileiro. Fez um play-back horroroso, uma mímica tosca que desabou rapidamente. Foi provavelmente a primeira vez na história da música que uma claque (público que é pago para aplaudir) vaiou estrepitosamente uma atração.

O que faz um grupo com a reputação de uma das melhores revelações da cena européia pegar um avião para a América do Sul e vir até aqui fingir que toca e canta? O Bloc Party, que terá de voltar em breve para o festival Planeta Terra, voltará desmoralizado – a exemplo de Britney no Rio em 2001.

Apesar de ser véspera de eleição, a política foi raramente mencionada. Parece piada pronta, mas foi o anão do webhit A Dança do Quadrado quem fez o discurso mais enérgico: ‘Vote certo, porque senão vão botar é no seu redondo!’

Marcelo D2, que deixou em pânico a produção ao acender um… cigarro durante seu show, mostrou-se ainda um ácido cronista social, ao interpretar seu novo hit, Desabafo. ‘Tu quer a paz, eu quero também/ Mas o Estado não tem direito de matar ninguém/ Aqui não tem pena de morte mas segue o pensamento/ O desejo de matar de um Capitão Nascimento.’

Enquanto programa de TV, é justo salientar que o VMB se distanciou daquela ambição inicial de imitar festa de americano, e tornou-se mais leve, com mais espaço para a improvisação, o ‘caco’ e a auto-ironia. Contribuíram para isso a chegada de um reforço interessante, o carioca Marcelo Adnet, e também a própria dinâmica do programa.

Também seria justo dizer que os números musicais da festa que ocorreu depois de tudo, na danceteria Pacha, com o grupo Del Rey cantando Roberto Carlos e Jovem Guarda e o DJ Marlboro arrepiando no funk, foram bem melhores do que os que filmaram para a TV.

A banda NX Zero papou todos os prêmios aos quais concorria: Artista do Ano, Hit do Ano e Videoclipe do Ano, todos pela música Pela Última Vez (no ano passado, ganharam em Artista do Ano e Hit do Ano). Um equivalente internacional do NX Zero, o Paramore, que também está vindo tocar aqui, ganhou como Artista Internacional (batendo Amy Winehouse e Radiohead, entre outros).’

 

 

Patrícia Villalba

No tapete vermelho, um desfile só das cachorras

‘Não teve tafetá nem seda suficientes para contrabalançar a quantidade de lycra brilhante que desfilou pelo VMB deste ano. Daiane Cristina, a Mulher Jaca, resumiu: ‘Quem diria, hein? A gente no VMB…’

Qual o quê. Na contramão de uma ou outra moça fina – Adriane Galisteu, de Balenciaga, Alice Braga, de Glória Coelho, e Sandy, de Reinaldo Lourenço -, o mulherio se vestiu de cachorra. Jaca foi a caráter, num colante verde, que tinha de ser puxado para baixo entre uma jogada e outra do megahair. Ao lado dela, as parceiras frutas, Renata Frisson, a Mulher Melão – com os seus saltando da vitrine – e Ellen Cardoso, a Moranguinho.

Mas não só elas. Fora as cachorras anônimas, Penélope Nova pôs a maioria das tatuagens de fora, num vestido meio múmia, e até Maurren Maggi deixou a discrição em casa para se meter num modelo a vácuo.’

 

 

Etienne Jacintho

Fox ensaia canal HD

‘A HBO colocou no ar essa semana o primeiro canal de filmes completamente em alta definição. O HBO HD, que segue a mesma programação do canal HBO, estava previsto para estrear na TVA em junho e chegou com pouco tempo de atraso ao line-up da operadora.

Em breve, outros canais em HD devem começar a surgir. A Fox, por exemplo, está desenvolvendo para novembro um canal que une a programação do National Geographic e da Fox em alta definição. Em novembro, o canal deve estar pronto. A grade ainda não foi totalmente definida, mas o horário nobre será ocupado pelas séries da Fox. O Telecine também está preparando seu canal com atrações em HD.

Por enquanto, alguns filmes do Telecine podem ser vistos em alta definição no canal Globosat HD, que une atrações do Multishow, GNT, Telecine e SporTV, e está em cartaz na Net.

Os canais pagos em HD, entretanto, ainda são para poucos. Vale lembrar que para receber as imagens é preciso ter um televisor com resolução em alta definição e um decodificador HD. Net e TVA já oferecem o produto. Sky promete o equipamento para o 1º trimestre de 2009.’

 

 

LÚCIA GUIMARÃES
Ubiratan Brasil

‘Tecnologia criou crise de conteúdo’

‘Lúcia Guimarães sempre gostou de enfrentar desafios. E os mais recentes chegam quase simultaneamente: amanhã, ela se despede, ao vivo, do programa Manhattan Connection, que ajudou a criar e há 16 anos é exibido pelo canal por assinatura GNT. E, na segunda-feira, ela inicia sua colaboração com o Estado, publicando quinzenalmente uma coluna no Caderno 2, revezando com Matthew Shirts.

Nascida no Rio de Janeiro, Lúcia vive em Nova York desde 1985. Lá, exerceu diversas funções (editora internacional da Rede Globo, redatora do Jornal Nacional, produtora do jornalista Paulo Francis), mas sempre preocupada com o viés cultural. Em Nova York, centro criador de grandes tendências que se espalham pelo mundo, Lúcia desenvolveu um faro raro para o que é realmente cultural, e não apenas modismo descartável.

Esse é o assunto, aliás, de sua primeira coluna, em que comenta os 40 anos da New York Magazine, revista que separa o joio do trigo entre o turbilhão de novidades culturais produzidas na cidade. Com esse texto, Lúcia retoma o hábito de comentar e noticiar o que realmente acontece em Nova York para o Estado – em 1997, ela participou do Manhattan Connections, crônicas que eram publicadas no então Caderno 2 Especial Domingo, ao lado de Lucas Mendes, Caio Blinder e Nelson Motta. Sobre o retorno, ela respondeu às seguintes questões por e-mail.

Que tipo de assuntos você pretende tratar em sua coluna no ?Estado??

Em Nova York, pode-se cobrir grandes eventos culturais ou usar a âncora da cultura local para discutir idéias, comportamento. Então, espero poder circular nesse território, seja destacando um evento ou fazendo o perfil de protagonistas culturais ou escrevendo sobre temas que nos interessam no Brasil, usando a experiência local.

Aliás, qual é o tema da primeira crônica?

São os 40 anos da revista New York, que lançou uma edição especial com mais de 300 páginas. Agora sob o comando de Adam Moss, publica uma seleção sobre o que é brilhante e desprezível na alta e baixa cultura. Diferentemente da New Yorker, que tem uma reputação mais literária, a New York Magazine preocupa-se com tendências.

Qual deve ser hoje a função das crônicas que os jornais publicam?

Acho importante distinguir entre colunista e cronista. O cronista é literário e atemporal. O colunista é tópico e opinativo. Espero não ser auto-indulgente com o privilégio de ter um espaço para opinião. Espero ter o talento para transformar flagrantes mundanos, apesar de distantes geograficamente do leitor do Estado, em uma crônica.

Você acredita que um cronista celebra as vantagens das experiências pequenas e corriqueiras?

Sim, eu sou fã da revista mais bem escrita do mundo, a New Yorker, e acredito que uma boa história bem contada, por mais obscura ou corriqueira, pode capturar a imaginação do leitor.

Até que ponto um cronista pode (ou deve) ser um provocador?

O colunista pode ser um provocador, o cronista é um estilista. Mas nós estamos encharcados de polarização ideológica e de narcisismo editorial. A mídia americana e, infelizmente, cada vez mais a brasileira, está cheia de dardos à procura de alvos. Isso empobrece a polêmica. O polemista tem sido substituído pelo poseur.

Atualmente, com o crescimento do número de blogs, qual o perigo de a crônica em jornais desaparecer?

Não tenho como avaliar isso, mas é claro que os jornais estão enfrentando um enorme desafio. Como a necessidade é a mãe da invenção, já vejo soluções híbridas que acomodam as mudanças tecnológicas. O que eu acho importante é, depois desse período de susto, que os editores e as pessoas com poder de decisão aplaquem o instinto populista que tenta igualar qualquer pessoa com acesso ao teclado do computador. Paginar um grande articulista online ao lado de uma enxurrada de comentários inconseqüentes ou preconceituosos dilui a importância das idéias do artigo e não eleva o discurso das pessoas que querem se expressar. Não há nada errado com hierarquia. Especialmente agora, quando qualquer pessoa pode ter o seu blog, é importante as empresas de mídia não abdicarem do seu valor, da sua consistência editorial. A tecnologia criou não só uma explosão mas também uma crise de conteúdo.’

 

 

BOICOTE
AP

José Saramago rebate críticas a Ensaio

‘O escritor português José Saramago defendeu a adaptação cinematográfica de Ensaio Sobre a Cegueira, do diretor Fernando Meirelles. Para Saramago, as críticas de uma associação americana de cegos são infundadas. ‘A estupidez não discrimina os cegos dos que enxergam’, disse a uma emissora portuguesa de rádio. A associação acusa o filme de retratar cegos como monstros e ameaçou protestar nos cinemas onde a obra estiver em exibição. Saramago conquistou o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, três anos após a publicação de Ensaio. O vencedor deste ano será anunciado no dia 9 de outubro em Estocolmo, na Suécia.’

 

 

 

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