Terça-feira, 13 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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O Estado de S. Paulo

03/11/2009 na edição 562

LIBERDADE DE IMPRENSA
Moacir Assunção

‘Censura demonstra seletividade da Justiça’

‘A censura ao Estado desde 31 de julho, por decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), reflete, para o advogado Ariel de Castro Alves, uma faceta do Poder Judiciário que, em sua visão, contribui muito para a má imagem dos setores jurídicos estatais na sociedade: a seletividade e a discriminação da Justiça, que age, muitas vezes, em função do poder econômico dos demandantes.

Membro do Movimento Nacional de Direitos Humanos, o especialista considera o Judiciário o poder que menos se democratizou no Brasil, atrás do Executivo e do Legislativo. ‘A visão do cidadão comum, refletida em inúmeras pesquisas, é que o Judiciário é lento, muito burocratizado e protege as pessoas de influência, poder e dinheiro.’

Para o advogado, é no Poder Judiciário que sobrevive boa parte do pensamento conservador e autoritário do País, o que ajuda a transformá-lo – de garantidor dos direitos constitucionais que deveria ser – em um ente temido pela população, na medida em que ela não consegue se ver representada na estrutura judicial. ‘Isso demonstra que a democracia ainda não se consolidou no Brasil e continuamos convivendo com muitos resquícios da ditadura’, comentou.

Na avaliação do advogado, o segredo de Justiça – criado no Brasil para proteger acusados sem condenação da execração pública – tem sido usado para proteger pessoas poderosas do assédio da imprensa e dos órgãos de fiscalização. ‘Basta ver que ninguém estranha se um criminoso comum for ‘escrachado’ nos programas populares da TV, mas se algum integrante da elite econômica passar por algo minimamente parecido, haverá uma gritaria imensa’, comparou.

Até nisso, de acordo com Alves, a Justiça demonstra uma face contraditória.’Um pedido de decretação de segredo de Justiça sairá muito mais rápido para alguém com poder econômico’, analisa. ‘Ao que parece, a Justiça considera que pobres não têm moral ou nome a proteger, ao contrário dos ricos.’

No caso específico do Estado, o especialista lembra que não havia nas reportagens publicadas acusações descabidas contra membros da família Sarney. ‘Eram só investigações em andamento do que se falava. Nas escutas da Polícia Federal, por outro lado, se tratava de pessoas públicas, falando sobre recursos públicos, o que desmonta a tese da defesa’, explica.

O empresário Fernando Sarney, responsável pela mordaça, é filho do presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP). Fernando foi indiciado pela Polícia Federal sob acusação de tráfico de influência, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e falsidade ideológica. Ele tratou ainda da distribuição de cargos no Senado para aliados.’

 

INTERNET
O Estado de S. Paulo

Escritores chineses acusam o Google

‘Dois grupos de escritores chineses estão acusando o Google de violar as normas internacionais de direitos autorais. Eles alegam que a empresa tem digitalizado obras de escritores chineses sem autorização e pressionam as autoridades locais a impor sanções à empresa. ‘O Google tem violado gravemente os direitos dos autores chineses. Isso é inegável’, diz Chen Qirong, da China Writers Association, que representa cerca de 9 mil escritores. O Google insiste que cumpriu integralmente as regras de proteção autoral e enviou um representante a Pequim para se reunir com autoridades responsáveis pelo assunto.’

 

Renato Cruz

Brasileiro prepara plano de Obama

‘Olhando do Brasil, a impressão que se tem é de que a banda larga dos Estados Unidos não tem problema. A banda larga fixa está disponível para mais de 90% das residências e empresas. Quase 70% da população assinam o serviço de banda larga fixa e mais de 90% têm cobertura de banda larga móvel com tecnologia de celular de terceira geração (3G). Um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado na semana passada, mostrou que os EUA tinha 190 milhões de usuários em 2008, comparados a 50 milhões no Brasil.

Mesmo assim, a Federal Communications Commission (FCC), agência reguladora das comunicações no país, prepara um plano de banda larga, que será apresentado ao Congresso americano em 17 de fevereiro de 2010. O engenheiro brasileiro Carlos Kirjner, de 44 anos, chefia o grupo que elabora as propostas que serão avaliadas pelos dirigentes da agência. Ele foi nomeado pelo presidente Barack Obama conselheiro sênior do presidente da FCC.

‘Quando Julius Genachowski foi nomeado para ser presidente da FCC, ele tomou a iniciativa de conversar com vários líderes da indústria de tecnologia nos Estados Unidos e no mundo, incluindo executivos, investidores, acadêmicos. Uma dessas conversas foi comigo’, disse Kirjner, que vive há 20 anos nos EUA, em entrevista por correio eletrônico. ‘Foi durante essa conversa que ele me convidou a ajudá-lo no desenvolvimento do plano nacional da banda larga.’

Kirjner nasceu e cresceu em São Paulo. Casado, com dois filhos, visita o Brasil pelo menos três vezes por ano. Ele cursou engenharia elétrica na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e fez doutorado na Universidade da Califórnia – Berkeley.

‘Meu doutorado foi na área geral de sistemas, que inclui otimização, teoria de controle e telecomunicações e está na intersecção da matemática aplicada com a engenharia’, afirmou Kirjner. ‘A área de foco foram métodos computacionais para a resolução de certos problemas de otimização em engenharia.’

Em 1995, a tese de Kirjner ganhou um prêmio, o David J. Sakrison Memorial Prize, concedido para a melhor pesquisa em engenharia elétrica e ciência da computação de Berkeley. Mas, no lugar de seguir a carreira acadêmica, o engenheiro foi trabalhar na consultoria McKinsey, em Nova York, na área de tecnologia e telecomunicações.

Depois de quatro anos, foi eleito sócio da McKinsey. ‘Nessa época eu tive meu primeiro e último contato profissional com o governo antes de vir para a FCC’, recordou Kirjner. ‘Eu liderei, no final de 2001 e começo de 2002, um projeto para o Corpo de Bombeiros de Nova York, avaliando o que ocorreu quando eles responderam ao ataque de 11 de setembro.’

O objetivo do trabalho era apontar como eles deveriam modificar processos, tecnologias e organização para estarem mais bem preparados para outros ataques de grande escala. ‘Na época, ainda estavam retirando corpos do local, incluindo os dos 253 bombeiros que faleceram’, disse Kirjner. ‘Foi um dos períodos profissionais mais marcantes para mim.’

Ele trabalhou durante cerca de 10 anos na McKinsey. Depois, teve uma passagem pelo Grupo Vodafone e, antes de ingressar na FCC, era vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Telegent Systems, uma empresa de semicondutores instalada no Vale do Silício. A empresa produz chips que permitem a recepção do sinal de TV aberta em celulares. Atualmente, Kirjner divide o seu tempo entre o Vale do Silício e Washington.

Nas suas respostas por e-mail, o engenheiro se mostrou preocupado com o seu português, depois de tanto tempo de vida nos EUA. ‘Meu pai, que era jornalista, não teria perdoado’, escreveu o engenheiro, filho de Simão Kirjner Sobrinho, já falecido, que trabalhou na Folha de S. Paulo por 35 anos.

Antes de ingressar na Poli, Kirjner estudou num colégio estadual da Barra Funda e cursou o ensino médio no Colégio Bandeirantes. ‘A única coisa que eu não consegui fazer na vida e que realmente lamento é não aprender a tocar violino. Meu pai tocava, e meu filho, Andrew (de 11 anos), é um ótimo violinista. Se for genético, deve ser recessivo’, disse Kirjner.

O engenheiro, que se diz palmeirense fanático, terminou assim sua mensagem: ‘Finalmente, gostaria de adicionar o seguinte à minha entrevista: os Estados Unidos tem o Obama, o Palmeiras tem o Obina e o Corinthians tem o obeso’.’

 

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