Segunda-feira, 26 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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CADERNO DO LEITOR >

O Estado de S. Paulo

28/04/2009 na edição 535

DILMA
Vera Rosa

Revelação explica choro em Belo Horizonte na semana passada

‘Com fama de durona, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tentou a todo custo não demonstrar abatimento ao saber que estava com tumor no sistema linfático. Demorou para falar sobre a doença com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não contou nada nem mesmo para os amigos mais íntimos.. Acostumada a ser vista como uma fortaleza, Dilma segurou o problema sozinha. No último dia 17, porém, mesmo sem revelar nada a ninguém, não conteve a emoção e caiu no choro durante entrevista na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg)..

O assunto, aparentemente, era trivial: sua ligação com Belo Horizonte.

Ao ser questionada se aquele retorno à capital mineira, sua cidade natal, era uma ‘viagem sentimental’, a pré-candidata do PT à Presidência ficou com a voz embargada. ‘É o som da infância esse sentimento’, disse ela, em prantos.

Silêncio na sala. A entrevista chegou a ser interrompida por alguns segundos, sem que ninguém entendesse por que Dilma estava tão emocionada.

‘Deixem eu me recompor’, pediu a ministra. Ainda com os olhos marejados, a chefe da Casa Civil lembrou o escritor Guimarães Rosa e destacou a musicalidade da fala mineira. ‘Belo Horizonte é o lugar em que eu nasci, me criei, passei minha juventude e fiquei adulta. É muito forte para mim, porque eu acho que temos uma característica única: esse som que eu disse, essa melodia que tem na fala também tem no jeito de ser, na relação com as pessoas’, insistiu. E, mais uma vez, chorou.

A exposição da ministra na Fiemg sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), seguida de entrevista, foi o primeiro de uma série de compromissos que começaram logo cedo e só terminaram perto das 23 horas. Três dias depois de cumprir essa agenda carregada, Dilma chegou às 8 horas ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Saiu de lá só à noite.’

 

OBAMA
Patrícia Campos Mello

Presidente adapta-se à vida de celebridade

‘A capa da última edição da revista Washingtonian estampa o presidente Barack Obama sem camisa, saindo do mar em uma praia do Havaí: ‘26 motivos para amar a vida em Washington – nosso novo vizinho é bonitão’, diz o título.

Os moradores de Washington e o restante dos EUA acompanham atentamente cada movimento do presidente e da primeira-família. E os Obamas cultivam seu lado celebridade, concedendo entrevistas para revistas de fofoca como People e Us.

Todo americano sabe que Michelle Obama fez uma horta na Casa Branca e Malia (10 anos) e Sasha (7) não gostam de comer salada.

Bo, o primeiro-cachorro, que lançou à fama a raça cão d?água português, adora mastigar o sapato dos outros. E Obama já avisou: ‘Na minha cama ele não dorme.’

Em entrevista à TV NBC, Obama disse que a família já está ajustada à rotina nos 132 aposentos da Casa Branca. Ele acorda às 7 horas e faz ginástica no terceiro andar. Depois, toma café com as filhas e a mulher.

Daí começa a maratona de reuniões com assessores e eventos públicos. Obama lê relatórios até tarde e dorme depois da meia-noite. No almoço, frequentemente pede cheeseburguer e batata frita.

O presidente ainda não está acostumado com o cerimonial da Casa Branca. Outro dia, convidou uma turma bipartidária para assistir à final do futebol americano. A certa altura, o filho de um dos convidados veio lhe perguntar onde era o banheiro. ‘Como é que eu vou saber, só estou aqui há alguns dias’, respondeu.

Obama também estranha as regras de segurança. Dia desses, saiu para tomar ar na varanda e foi puxado para dentro rapidamente por agentes do serviço secreto.

Para fugir da ‘bolha’ em que vivem os presidentes americanos, Obama lê dez cartas por dia, selecionadas entre as mais de 250 mil que ele recebe toda semana.

Os amigos de Chicago armaram um esquema de rodízio e quase todo fim de semana algum dos casais próximos dos Obamas se hospeda em Washington.

‘Não poder sair e sentar num café, bater papo com as pessoas ou só ficar escutando a conversa da mesa do lado, é uma coisa difícil’, disse Obama em entrevista à rede de TV NBC.’

 

IRÃ
O Estado de S. Paulo

Jornalista condenada faz greve de fome

‘A jornalista americana de origem iraniana Roxana Saberi, condenada pelo Irã a 8 anos de prisão por espionagem, iniciou greve de fome cinco dias atrás, revelou o pai dela ontem. Roxana, de 31 anos, é acusada de espionar para os EUA e Israel. Segundo o pai da jornalista, Reza Saberi, o advogado apresentou um recurso ontem. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, pediu que as acusações sejam examinadas com justiça.’

 

TELECOMUNICAÇÕES
Ethevaldo Siqueira

Rádio se prepara para a era digital

‘‘Onde houver um alto-falante ou um par de fones de ouvido, o rádio aí estará, pois, hoje, mais do que nunca, precisa tornar-se mais vivo, mais forte e mais avançado. Eu vejo o caso da internet como um novo meio de se ouvir rádio. Um estudo recente (da empresa Arbitron) mostra que 42 milhões de norte-americanos ouvem rádio online, via internet, toda semana. Vejam que coisa boa: a internet amplia nossos horizontes. Ela é a continuação de nossas transmissões. Temos de dizer tudo isso ao nosso público.’

Essa é a visão otimista do rádio, exposta por David Rehr, presidente da Associação Norte-Americana de Radiodifusores (NAB, na sigla em inglês), em seu discurso de abertura do NAB Show 2009 e em entrevista aos jornalistas que cobriram a abertura do evento, na semana passada. Para ele, o rádio e a televisão passam por mudanças empolgantes. São mudanças totalmente inesperadas, que parecem ocorrer num piscar de olhos e que dão a impressão de serem desestabilizadoras. ‘Na posição em que me encontro, entretanto, posso afirmar que são oportunidades para serem agarradas e não para deixar escapar.’

Rehr reconhece a inquestionável crise econômica por que passa o mundo. ‘E o rádio, naturalmente, enfrenta grandes desafios. Mas, em contrapartida, aqui mesmo, neste NAB Show, estamos comprovando que os profissionais do rádio e da TV – os radiodifusores – estão forjando o futuro, aprimorando as inovações e criando múltiplas plataformas para a distribuição de seu conteúdo. Nossa estratégia é da convergência positiva, pois podemos transformar os desafios em novas oportunidades, como, por exemplo, a visão tridimensional, a incorporação da FM aos chips dos celulares e à exploração total das possibilidades da internet.’

Na verdade, o rádio prepara-se para o futuro e para captar as múltiplas oportunidades da era digital. De um lado, as emissoras têm de enfrentar, sem qualquer hesitação, os desafios tecnológicos. De outro, enfrentar o desafio da tomada de duras decisões para assegurar o equilíbrio econômico e um futuro mais seguro de suas empresas.

O presidente da NAB discorda das pessoas que acusam o rádio de ser a mídia do passado, de não haver evoluído diante dos desafios da era digital, obsoleto e incapaz de enfrentar a concorrência dos tocadores de MP3 e de outras plataformas.

Diante de tantas ameaças e perigos, a NAB lançou há dois anos o projeto Rádio 2020 – uma iniciativa para que o valor do rádio continue a ser reconhecido também no futuro, como grande meio de comunicação que é. Nesse sentido, a grande preocupação da NAB é a revitalização do rádio, num projeto de 12 anos, com dois objetivos principais: ‘de um lado, corrigir as eventuais distorções de percepção pelo público e, de outro, aprofundar o que poderia ser chamado de um caso de amor (ou love affair) entre o ouvinte e o rádio’.

Outra preocupação de quem atua com rádio nos EUA é tornar reconhecido pela sociedade o papel exercido por esse meio de comunicação. Esse é o objetivo central da campanha Rádio Ouvido Aqui, pela qual as emissoras relembram aos ouvintes a importância da radiodifusão para a comunidade local, para os negócios, para a indústria eletrônica e para a vida social em geral. Segundo Rehr, a campanha está, de certo modo, levando o rádio de volta às suas origens. Mas o importante, relembra, é ir além do discurso da campanha e atingir, efetivamente, esses objetivos.

Para outros líderes, a volta às origens significa resgatar um pouco daquela visão original dos pioneiros do rádio, no começo do século passado, que era estar muito mais próximo do ouvinte, pela informação, pelo entretenimento, pela cultura, pela prestação de serviço, pelos debates de interesse social, pelas grandes causas, pela democracia, pela defesa do meio ambiente, pela paz.

A vitalidade do rádio pode ser medida pelo nível de audiência de 80% da população total dos EUA: quase 240 milhões de pessoas que sintonizam seus receptores a cada semana. Ao mesmo tempo, o rádio amplia sua audiência com os novos formatos e modelos proporcionados pela internet, nos podcasts, blogs e redes sociais.

Ainda na visão de David Rehr, as emissoras de televisão e a própria NAB fazem desde 2005 um esforço especial para completar a transição da TV analógica para a TV digital. O setor de televisão como um todo uniu-se com o objetivo de educar e informar o consumidor, numa campanha de mais de US$ 1 bilhão.

Essa campanha educativa alcançou praticamente todos os espaços visíveis da America, garante Rehr: ‘na própria TV, nos barcos, aviões, ônibus, nos pontos de coletivos, nos metrôs, no rádio, nos cartazes dos outdoors, na internet, nas maiores e nas menores feiras, num total de 8.300 eventos nos Estados Unidos’.

O único problema ainda sem grande perspectiva e que não é enfrentado pela NAB é a questão da digitalização do rádio nos EUA. Por mais propaganda que se faça, por maior que seja o apoio da entidade, o padrão chamado HD Radio, da empresa Ibiquity, não decola e tem problemas de qualidade que o tornam inaceitável para os EUA e para o mundo. É mais fácil digitalizar o rádio pela internet do que pelas formas de transmissão tradicionais, via atmosfera.’

 

CULPADA
João Ubaldo Ribeiro

Enrolação que não cola mais

‘Meu primeiro emprego foi em redação de jornal e, no dia a dia da imprensa, já fui desde repórter (esforçado, mas ruim) a chefe de redação (não tão esforçado, nem tão bom). Bom mesmo, ou pelo menos mediano, acho que só como copidesque, no legendário tempo dos copidesques e seus desafios himalaicos, tais como botar em meia lauda o essencial de uma conferência de duas horas – não tenho muita saudade. E editorialista, creio que razoável. Mas o pouco brilho de minha carreira não impediu que tenha vivido praticamente todo tipo de situação por que pode passar a imprensa em geral e um seu órgão em particular. Ou seja, assim ou assado, manjo jornal, o mundo jornalístico e seus valores, conheço suas boas qualidades e seus defeitos e acompanho a imprensa brasileira há mais de meio século.

Devia estar acostumado, portanto, a essa perpétua conversa de que a culpada pelo que de mau acontece é a imprensa, um absurdo tão patente que já deveria ter caído em desuso. Mas não caiu. Pelo contrário, rebrota como as cabeças da hidra de Lerna e chego a pensar numa das muitas ironias que todo o tempo nos exibem seu sorriso sarcástico: a imprensa nunca vai deixar de ser essencial aos governantes, notadamente os incompetentes e corruptos, porque sem ela não haveria em quem pôr a culpa dos desmandos, malfeitorias, burrices e simples e puros crimes por eles cometidos e pela imprensa denunciados.

Responsabilizar a imprensa, por si só, já mostra desdém pela inteligência de quem ouve ou lê. ‘Explicação’ tão cediça, mentirosa e evasiva já bem que podia ter sido substituída por outra um tantinho mais elaborada. Mas eles capricham. Vejam só o Gabeira, que é também jornalista, mas deve ter tido um pequeno branco na semana passada. Segundo li, ele disse que a imprensa estava agora atacando a Câmara de Deputados porque esta não é grande anunciante. Ou seja, parece ter deixado implícito que, se a Câmara de Deputados fosse grande anunciante, este jornal, por exemplo, não publicaria esta e outras colunas. Tudo bem, a tal acha ele que se resume a filosofia editorial de um jornal sério, tudo bem, cada um pensa o que quer, diz o que quer e esquece o que quer. E cospe no prato, quando manda a feia necessidade.

Mas o que me surpreendeu mesmo, nessa do Gabeira, foi ele ter contado uma história, na qual revela que acha que nós é muitíssimo mais burro do que nós é. Disse que, quando veio à frente e revelou que também era agente de viagens, como tantos de seus colegas, arranhou sua imagem política espontaneamente. Quem engoliu essa deve filiar-se de pronto ao Alimárias Anônimas mais próximo de sua casa. Claro que o verdadeiro arranhão aconteceria se ele não se antecipasse à revelação, que viria mais cedo ou mais tarde. Aí é que seria chato mesmo e ele, astutamente, se antecipou para eludir o constrangimento, mas acha que pode tapear a gente com outra conversa. Quer dizer, esse negócio de ter certeza de que todo mundo aqui é cretino ou fronteiriço deve ser um vírus que dá lá no Congresso e que acabou pegando o Gabeira também.

Essa patologia acabrunhante já se tinha manifestado antes em declarações do presidente da Câmara, tais como a de que meteram a mão nas passagens até para viagens galantes porque ‘não havia regras claras’. Seria de esperar que, não havendo regras claras para a utilização de uma vantagem, o homem público escrupuloso se afastasse dessa vantagem. Mas não, aqui isso justifica o uso e o abuso. Talvez, para que haja regras bem claras onde se diz que circulam tantos ladrões, seja melhor colar etiquetas em tudo: ‘Não pode levar este microfone para dar à banda de rock de seu filho’; ‘não pode pegar as cadeiras para mobiliar o sítio’; ‘os talheres são da casa’; ‘o papel higiênico é para uso exclusivo no local’; ‘tire a mão daí’, etc. etc.

Disse também o presidente da Câmara que nem todos os deputados são responsáveis por irregularidades ou falcatruas, e não se devem misturar alhos com bugalhos. Ninguém discorda, não se devem misturar alhos com bugalhos, mas quando os próprios alhos se misturam mais com os bugalhos do que clara e gema num ovo mexido, como é que se faz? Por que os alhos, a quem compete essa função e não aos governados, não se livram dos bugalhos, por que os protegem e coonestam? A mistura atingiu o ponto de não-retorno?

E chega também desse papo besta, que tem enchido o País de ensaístas políticos que nunca leram o bê-á-bá de teoria política nenhuma, com essa conversa de que é irresponsável falar mal do Congresso, porque sem Congresso não pode haver democracia. Verdade meio discutível (sem imprensa livre, inclusive internet, é que hoje não acredito em democracia), mas vamos dar de barato, para não bater boca com quem está por fora até dos fundamentos e nem distingue Estado de governo, como já peguei muitos. Tudo bem, mas Congresso de merda também não é indício nenhum de existência de democracia, pois perguntem se a Coreia do Norte não tem lá o seu Congresso, assim como teve e tem a maioria das ditaduras. Então, em nome da preservação da democracia, protege-se um Congresso inepto, incapaz, omisso e malquisto e fecham-se os olhos a seus escândalos? Óbvio que um Congresso assim é que é o coveiro da democracia representativa e não os que procuram, por meios lícitos, corrigir seu curso desastroso e, a longo prazo, catastrófico. Quem faz o que faz é ele, não a imprensa, e o inimigo dele é ele, não a imprensa.

Aliás, historicamente, a maior parte da imprensa brasileira tem defendido as instituições democráticas, nas circunstâncias e visão de cada época. Grande parte dos políticos hoje estabelecidos, em qualquer nível, esquece o muito que deve à existência de uma imprensa livre. A qual, aliás, não esquenta demais com isso, porque sabe que dor de barriga não dá uma vez só.’

 

TELEVISÃO
Patrícia Villalba

Quem tem boca vai à India

‘- É sabido que para ser contratado numa empresa, o estagiário deve se mostrar interessado, intrépido, aplicado. Vale também para estagiário de novela, prova a trajetória do ator Daniel Marques.

Depois de passar um ano percorrendo emissoras em busca de uma chance em qualquer novela que fosse, ele conseguiu um passe para uma pequena participação em Caminho das Índias. Em apenas uma cena, seria um dos estagiários da clínica psiquiátrica do Dr. Castanho (Stênio Garcia), no capítulo 16. ‘Dei sorte, porque tinha um crachá no jaleco, escrito Marcelo. O Stênio viu, e me chamou de Marcelo em cena’, conta Daniel.

Animado com a oportunidade, Daniel quis agradecer à autora, Glória Perez. Sem qualquer contato, postou um comentário no blog dela, no estilo fofo-sincero. ‘Gostaria muito que você continuasse com esse estagiário, pois depende de você escrever para que eu possa continuar’, desabafou ele que, antes, havia feito uma ponta na série Alice, da HBO, também vivendo um estagiário.

Glória não chegou a responder, mas publicou o comentário no blog, o que causou certa comoção entre os frequentadores mais assíduos. E a participação do estagiário Marcelo cresceu, a ponto de o ator ganhar falas e assinar contrato com a Globo. ‘É incrível, porque as pessoas se solidarizaram e comecei a receber mensagens de apoio no meu blog (http://www.danielmarquesator.blogspot.com)’, conta ele, que já foi DJ e antes de entrar na novela trabalhava como vendedor. ‘Quando vi as chamadas da novela, com Lima Duarte, Tony Ramos, Stênio Garcia, nossa, nem imaginava que estaria lá.’

Agora, ele pode ser visto nas cenas em que o Dr. Castanho dá aulas poéticas sobre psiquiatria. ‘Sou meio ‘ouvido’ do Stênio. Ele não poderia, por exemplo, falar aquelas coisas para a Aída (Totia Meirelles), porque ela já é psiquiatra. Mas ele pode ensinar o Marcelo e, assim, ensina o público’, observa.

No blog do ator chamam a atenção os posts sobre psiquiatria – coisa de quem está fazendo a lição de casa. ‘Como entrei no elenco com a novela andando, perdi os workshops e as visitas às clínicas psiquiátricas. Por isso, estudei por conta’, explica. ‘É que você demora tanto tempo a ter uma chance, passa por tanta dificuldade que, quando consegue, tem de agarrar mesmo, se dedicar.’’

 

Roberto Godoy

A Warner, para quem ouve inglês

‘- Brasil, País de poliglotas. É nisso que acreditam as operadoras, pelo que se ouve no canal Warner, integrante de quase todos os pacotes oferecidos no mercado. Claro, a essa altura haverá meia dúzia de sujeitos prontos para sustentar a tese de que as operadoras apenas intermedeiam o serviço, cabendo o conteúdo a cada bandeira. É cinismo em estado bruto. O contrato é assinado com a operadora. A bronca é com ela. O problema é que quase todo o áudio dos intervalos da programação está indo ao ar em inglês. Pior: o texto, em português, nem sempre acompanha as imagens. Lambança. Vários leitores-assinantes protestam contra a falha recorrente na legendagem. Sônia Ribeiro, de São Paulo, diz que na semana passada ‘as reprises dos C.S.I. apresentadas pela manhã no AXN estavam sem legendas ou com as legendas entrando depois das cenas’. Cinco diferentes pessoas de duas diferentes cidades, denunciam as repetições e reprises dos filmes das famílias Múmia e Jurassic, parentes próximos de A Batalha de Riddick e Velozes e Furiosos.

A série Brothers & Sisters (reapresentação hoje, 20h, no Universal) criada para ser só um novelão, tipo dramaturgia da TV brasileira, acabou surpreendendo os produtores americanos, que contavam com a historinha da família Walker apenas para tapar buraco na entressafra das temporadas 2007/2008, de certa forma comprometidas pela greve dos roteiristas. Bom. Virou mania. Sally Fields vive a matriarca Nora, viúva, relativamente jovem. Surpreende filhos e agregados quando é flagrada em meio a jogos do prazer – diz que não há motivo para preocupações, porque tudo o que quer é sentir as sensações. Tem de tudo: família de amante, filha competitiva, filho bissexual, neta esquisitona, paixonite por um negro e genro político, levando jeito de quem vai experimentar uma corrida à Casa Branca. Festa, muita festa. Comida, muita comida. Glamour, pouco glamour. É líder de audiência, sustentam os exibidores.

Imperdível hoje, às 22h, no Cult, é O Corte, longa de 2005 que prova a tese de que um leão velho e cansado é perigoso porque sempre é um leão. O filme é dirigido por Costa Gravas – o leão – e conta a saga de um engenheiro desempregado, à procura de trabalho faz dois anos. Cansado da luta, ele resolve abrir vagas. E passa a matar seus concorrentes.

Os canais de televendas devem ser banidos da grade dos pagos.’

 

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