Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DO LEITOR > FIM DE SEMANA, 5 E 6/12

O Estado de S. Paulo

08/12/2009 na edição 567

LIBERDADE DE IMPRENSA
Moacir Assunção

‘Censura é marca do autoritarismo’

‘O jornalista e escritor Rodolfo Konder, de 71 anos, já completou quase 45 de ‘convivência’ nem um pouco pacífica com a censura, desde que começou a trabalhar como repórter em 1965 na agência Reuters. Hoje diretor da seção paulista da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), jamais deixa de se indignar com a mordaça, que considera uma marca inconfundível dos regimes autoritários.

‘O vírus do autoritarismo está solto por aí. Aliás, nesse governo há setores que veem a imprensa com muita restrição, mas, no mundo inteiro, a censura viceja exatamente onde não há liberdade, casos de Cuba, Irã e Coreia do Norte, por exemplo’, disse o jornalista, que classificou a censura ao Estado, por liminar do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), como ‘um absurdo.’

Desde 31 de julho, o Estado está proibido de publicar reportagens já apuradas sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Responsável pela liminar que pediu a mordaça, Fernando foi indiciado por vários crimes. O caso deve ser julgado na quarta-feira pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma declaração recente do ministro da Cultura, Juca Ferreira, segundo a qual ‘os jornalistas são pagos para mentir’, ajuda a demonstrar, para Konder, que há um certo ranço no atual governo com a imprensa livre e a crítica. ‘No fundo, ele demonstrou que há uma tendência autoritária do governo, que fica incomodado com a imprensa’, observou Konder.

Questionado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) e Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o ministro se retratou em seguida e disse não ter intenção de generalizar a crítica a todos os profissionais.

AUTORITARISMO

Para Konder, que esteve preso com o também jornalista Wladimir Herzog – morto na tortura durante a ditadura militar -, a sociedade precisa ficar atenta a tentativas autoritárias de manietar a imprensa.

‘Temos de discutir o assunto sempre e denunciar toda vez que se tentar oprimir a livre expressão do pensamento, em suas várias formas’, defendeu. Para ele, um dos papéis da ABI, entidade centenária do jornalismo, é exatamente o de lutar contra o arbítrio.

Durante sua trajetória, relata o jornalista e autor de 21 livros, a censura se manifestou pela primeira vez ainda de forma moderada no governo Castelo Branco, em 1965. ‘Depois, com a promulgação do AI-5, em 1968, e o endurecimento do regime militar, a mordaça também foi se tornando mais presente. Somente a democracia nos protege contra o poder’, disse.’

 

HONDURAS
Jornais governistas atacam o Brasil

‘‘Se houver derramamento de sangue, mortos e mais episódios de violência e terrorismo, será pela ingerência do presidente Lula.’ A advertência, com grande destaque, foi feita num artigo que ocupou uma página do El Heraldo, principal jornal hondurenho e claramente pró-governo de facto, no dia 23, quando a população do país foi às urnas para eleger um novo presidente num clima de medo e intimidação.

De autoria do escritor e dissidente cubano Armando Valladares, ex-embaixador dos EUA, sob o título A Decadência da Diplomacia Brasileira, o artigo dá a medida de como parte da imprensa hondurenha vê o Brasil – um país interventor e defensor do ‘socialismo bolivariano’. Só não é pior que a Venezuela de Hugo Chávez, dizem.

Em geral, ao descrever a divisão da comunidade internacional em relação às eleições hondurenhas, El Heraldo costuma colocar, de um lado, as ‘nações democráticas’ que estão dispostas a aceitar a votação, como os EUA e a Colômbia. De outro, os ‘chavistas’ – liderados, curiosamente, pelo Brasil.

As críticas começaram a crescer quando o governo brasileiro decidiu abrigar o presidente deposto Manuel Zelaya na embaixada. O tom subiu com o anúncio de que o País não reconheceria as eleições da semana passada e a proposta, feita dias antes, para o seu adiamento.

A maior parte dos meios de comunicação hondurenhos apoia abertamente o governo de facto. No dia das eleições, por exemplo, as TVs faziam chamadas constantes para que a população votasse, numa tentativa de garantir o alto comparecimento, após Zelaya pedir um boicote geral à votação.

Apresentadoras se emocionavam ao ver ‘famílias unidas votando juntas’ e mostravam o dedo manchado de tinta para provar que também haviam participado da ‘festa cívica’.

A maior parte da população hondurenha ainda é simpática ao povo brasileiro e, muitos, até em relação ao governo, considerado por eles uma ‘esquerda moderada’. Cada vez mais, porém, surgem críticas quando o nome de Lula é levantado em uma conversa. ‘Diga ao seu presidente para parar de se intrometer em assuntos hondurenhos’, gritou uma senhora na fila de votação, ao saber que havia jornalistas brasileiros no local.

‘Nem o Brasil nem nenhum outro país pode nos pedir para não comparecer às urnas. Se nós não tivermos um presidente, quem vai nos governar no ano que vem? O presidente Lula?’’

 

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