Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 20 E 21/3

O Estado de S. Paulo

23/03/2010 na edição 582

CUBA
Ruth Costas

‘Granma’ saúda ‘apoio do Brasil’ ao regime

‘Para o governo cubano, as denúncias sobre os presos políticos da ilha, que começaram a ganhar repercussão com a morte de Orlando Zapata, após 85 dias de greve de fome, são uma ‘campanha midiática contra Cuba’, como expôs o jornal oficial Granma na sexta-feira. Logo na primeira página, uma matéria cita o ‘apoio do Brasil à ilha’.

‘Deputados do Grupo Parlamentar Brasil-Cuba e representantes de organizações sociais, juvenis e populares dessa nação sul-americana rechaçaram ontem (quinta-feira) a atual campanha midiática contra Cuba’, diz o Granma, citando uma manifestação em Brasília, na frente da embaixada cubana, a amizade de Frei Beto e uma moção de apoio à ilha elaborada pelas deputadas Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) e Jô Moraes (PC do B- MG) e assinada por ‘dezenas de legisladores brasileiros’.

A morte de Zapata, em fevereiro, e os 22 dias de greve de fome do jornalista Guillermo Fariñas para pedir a libertação dos presos políticos cubanos provocou consternação em muitos países.

Mas boa parte da América Latina manteve-se em silêncio.

Em Havana, o governo procurou ofuscar a polêmica com uma série de atos lembrando o drama dos ‘cinco heróis da revolução’. Trata-se de cinco cubanos que foram viver em Miami e acabaram presos no fim dos anos 90, acusados de espionagem.

Dois foram condenados à prisão perpétua. Seu objetivo era infiltrar-se entre a ‘máfia de exilados em Miami’ para deter os ataques a Cuba. Por isso os cubanos os consideram presos políticos. E não admitem que os EUA possam pedir a Havana que solte os presos políticos da ilha, se não estão dispostos a fazer o mesmo.

A onda repressiva de 2003, que resultou na prisão de 75 dissidentes, também está relacionada com a disputa com os EUA. Na época, o governo cubano alegou que opositores estariam sendo patrocinados pelo novo chefe do Escritório de Interesses Americanos, James Cason, que, de fato, convidava com frequência opositores para passar por seu escritório.’

 

INTERNET
Ethevaldo Siqueira

Uma lição de banda larga

‘Por sua forma, conteúdo e propostas, o plano norte-americano de banda larga é um documento histórico e antológico. Desde a semana passada o projeto está sendo debatido no Congresso. E chega com atraso, pois os Estados Unidos, embora sejam o país mais rico do planeta e tenham criado a internet, ocupam posição medíocre no ranking da banda larga – ou seja, o 15º lugar – atrás da Coreia do Sul, Luxemburgo, Cingapura, Taiwan, Japão, Suécia, Suíça, Holanda, Dinamarca, Islândia, Austrália, Canadá, Irlanda e Reino Unido.

O plano foi preparado pela Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla de Federal Communications Commission), órgão regulador do setor, e enviado ao Legislativo. Seu objetivo central é elevar a taxa atual de penetração da banda larga de 65% para 90% das residências americanas, e aumentar a velocidade vigente de 3 ou 4 megabits/segundo (Mbps) para 100 Mbps, até 2020.

Para alcançar essas metas, os EUA terão que investir US$ 16 bilhões dos fundos administrados pela FCC e destinados até aqui à universalização do telefone, além de investimentos privados 10 vezes maiores. Para viabilizar os principais objetivos do plano, o governo deverá criar poderosos incentivos ao investimento na nova infraestrutura de comunicações e estabelecer áreas prioritárias para a inclusão de mais de 25% da população do país.

A FCC sugere que o governo promova a competição, pela remoção das barreiras, estimule o investimento e prepare os consumidores com as informações de que eles necessitam para utilizar intensamente as redes de banda larga, como alfabetizados digitais – condição fundamental para participar da nova economia. Em sua mensagem ao Legislativo americano, o presidente da FCC, Julius Genachowski, além de fazer um diagnóstico bastante realista da situação, propõe uma mudança radical do cenário: ‘Os EUA estão numa encruzilhada. Ou o país se compromete em criar redes de banda larga de importância mundial para garantir que as próximas ondas de inovação e do crescimento de negócios aconteçam aqui, ou ficará à margem do caminho, a ver invenções e empregos migrarem para aquelas partes do mundo que dispuserem de infraestruturas de comunicações melhores, mais rápidas e mais baratas’.

Para assumir uma posição de destaque, os EUA têm pela frente um imenso desafio, reconhece Genachowski: ‘Dezenas de milhões de norte-americanos não dispõem hoje de banda larga. Isso é inaceitável, se levarmos em conta o número de interações que hoje circulam online, incluindo as listas de empregos e de treinamento profissional que transitaram durante a pior recessão que vivemos em décadas. Esses milhões de cidadãos poderiam e deveriam estar conectados, mas não acessam a rede por três razões: 1) porque não podem pagar pelo serviço; 2) porque não sabem usá-lo; 3) ou ainda porque não estão cientes de seus benefícios potenciais’.

Segundo o presidente da FCC, mesmo entre os que já utilizam a internet, a vasta maioria ainda não dispõe de banda suficientemente larga e rápida para se beneficiar do ensino à distância por meio de vídeo ou para obter um diagnóstico médico, ou dezenas de outras aplicações existentes ou emergentes.

Sem banda larga, diz Genachowski, nenhum empreendedor pode cuidar de seu pequeno negócio. ‘E vale lembrar que 26% das propriedades agrícolas e centros de negócios rurais dos EUA não dispõem de acesso a um modem de cabo e mais de 70% dos pequenos negócios contam com pouca ou nenhuma banda larga móvel (celular 3G). Para complicar ainda mais a situação, à medida que a banda larga móvel se torna mais importante, os EUA enfrentam uma enorme escassez de espectro de frequências’.

O plano norte-americano de banda larga tem quatro objetivos principais:

1. Assegurar a cada cidadão norte-americano a oportunidade de acessar todos os serviços essenciais de banda larga em sua residência.

2. Dotar efetivamente os EUA de redes avançadas, essenciais para fortalecer sua economia.

3. Permitir que o país capture a próxima onda de mudança e que suas redes móveis sejam as melhores do mundo em velocidade e alcance.

4. Dar maior segurança aos cidadãos, possibilitando que cada interlocutor tenha acesso a uma rede pública segura, de banda larga inter-operável, de âmbito nacional e sem fio.

Na visão da FCC, com a banda larga, ‘os EUA poderão dispor de uma tecnologia com maior potencial para o desenvolvimento e para a conquista do bem-estar econômico e social já surgida desde o advento da eletricidade’. Entre os apelos que faz na introdução do plano, Genachowski propõe: ‘Imaginem um mundo onde as crianças nos bairros de baixa renda possam, de suas salas de aula, ter acesso aos melhores professores do mundo e acessar em casa os mais atualizados livros de textos. Desenhem em sua imaginação um cenário onde idosos diabéticos moradores da zona rural, sem acesso rápido a médicos, possam aconselhar-se sobre alimentação em seus computadores domésticos. A História nos ensina que as nações que lideram as revoluções tecnológicas obtêm enormes recompensas. Nós podemos liderar a revolução da banda larga com fio e sem fio. O momento de agir é agora’.

Quem quiser acessar o texto integral do plano de banda larga dos EUA, pode usar o link: www.broadband.gov/download-plan/ ou ainda visitar o site: www.telequest.com.br.’

 

Raquel Cozer

O encontro dos livros com a web

‘A mais recente reformulação do site da gigante editorial Simon & Schuster, no mês passado, abriu espaço para um guia de bons modos on-line para escritores. As regras? Abra um blog. Entre no Facebook. Crie conteúdo para redes sociais literárias. Interaja.

Nada complexo para qualquer pessoa que tenha atravessado a última década na civilização, mas, vindo de uma das mais tradicionais editoras norte-americanas, o recado foi claro: estão por fora os alarmistas que veem a internet como um bicho-papão capaz de afastar da literatura quem tem disposição para ler.

O crescimento das redes sociais literárias no País no último ano ajuda a entender como o mundo digital e o editorial podem se complementar. A maior delas, o Skoob (www.skoob.com), foi criada por um grupo de amigos em dezembro de 2008 e já tem 150 mil cadastrados – há coisa de seis meses, mal passava dos 30 mil. São números consideráveis para uma rede que se descreve apenas como ‘um local onde você diz o que está lendo, o que já leu e o que ainda vai ler’. Mas o fato é que esse tipo de mídia tem um papel bem maior que o de ‘dizer o que se lê’ – e isso é algo que as editoras nacionais apenas começaram a perceber.

Os primeiros milhares de usuários de redes como o Skoob e o Livreiro (www.olivreiro.com.br) chegaram pelo boca a boca virtual, em especial via Twitter. Mas o boom aconteceu depois que editoras como a Record e a Planeta identificaram o potencial desses sites e se ofereceram para participar. Viram ali um filão barato e eficaz para divulgar seus títulos: enviam uns poucos exemplares, e os sites de relacionamento os usam como prêmios em promoções. ‘É mais fácil divulgar um livro na internet que em qualquer outra mídia. Falando por uma rede, um blog, chegamos ao perfil exato do leitor que buscamos’, diz Debora Juneck, gerente de marketing da Planeta. O custo é quase zero, já que, como num viral, os internautas fazem a divulgação.

O negócio também é vantajoso para os criadores das redes. O analista de sistemas Lindenberg Moreira, 33, ‘pai’ do Skoob, começou a ganhar dinheiro logo nos primeiros meses, quando o Submarino ofereceu uma parceria pela qual o site levaria uma porcentagem sobre os livros vendidos. ‘É exponencial. Da última vez que vi, estávamos vendendo uma média de 3 mil, 4 mil livros por mês.’

Situação parecida viveu em 2008 uma das mais antigas e conhecidas redes sociais para amantes da literatura, a norte-americana Shelfari. Quando chegou ao primeiro milhão de usuários, atraiu a atenção da Amazon, mas o site de compras não quis só parceria – comprou a rede de uma vez. No mesmo ano, a HarperCollins preferiu lançar o seu próprio site de relacionamentos, o Authonomy, definido como uma ‘meritocracia que visa acabar com a pilha de originais não lidos’ sobre a mesa de editores. Nele, o candidato a escritor disponibiliza textos para download, outros usuários leem (de graça), comentam e votam. Ao fim de cada mês, as cinco mais bem colocadas são ‘avaliadas para publicação’. O blog da rede lista casos bem-sucedidos, mas o fato é que o maior benefício da Authonomy foi aproximar os leitores da editora. Deu tão certo que, há três meses, a HarperCollins lançou uma rede para adolescentes, o Inkpop.

No Brasil, a coisa anda mais devagar. Além de participar de redes sociais literárias, a maior parte das editoras criou perfis no Twitter e no Facebook. Quase nenhuma ainda tem um site que vá além da básica ‘loja online’, com estantes nas quais figuram os lançamentos.

A mais avançada nesse sentido é a Cosac Naify, que remodelou a página virtual e criou um blog há cinco meses. O segredo, diz o diretor editorial Cassiano Elek Machado, é oferecer material exclusivo. Há pouco, por exemplo, Machado convidou a escritora gaúcha Carol Bensimon, que mora e estuda em Paris, a percorrer a rua Vaneau, descrita pelo espanhol Enrique Vila-Matas no livro Doutor Pasavento, e relatar a experiência no blog. ‘Não pensamos na página como um espaço de vendas, é um lugar de relacionamento’, diz.

Neste mês, a Cosac comemorou uma efeméride só possível em tempos de 140 caracteres de fama. Completou um ano no Twitter e usou a data para angariar mais seguidores – conseguiu 800 de uma só tacada ao oferecer um exemplar da biografia Clarice para quem passasse adiante uma mensagem da editora.’

 

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