Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 23 E 24/10

O Estado de S. Paulo

26/10/2010 na edição 613

WIKILEAKS

Gustavo Chacra

Vazamento de dados revela aumento de influência iraniana no Iraque

O vazamento de quase 400 mil documentos sobre a Guerra do Iraque ocorre no momento em que cai a influência dos EUA sobre a política iraquiana e aumenta o domínio do Irã sobre Bagdá. Uma das milícias que, segundo os papéis divulgados pelo WikiLeaks na sexta-feira, foi treinada pelo regime de Teerã deve integrar a coalizão proposta pelo premiê iraquiano, Nouri al-Maliki.

Opositores ao atual primeiro-ministro disseram ontem, no Iraque, que as acusações de tortura contra as forças iraquianas colocam em cheque a permanência de Maliki no poder, acentuando ainda mais a instabilidade política quevive o país desde as eleições de março. O novo governo não foi oficializado e o premiê segue interinamente no poder.

‘A política iraquiana tem se distanciado da influência dos EUA’, disse ao Estado o ex-diretor de Inteligência para o Oriente Médio Wayne White. Segundo o especialista, atualmente no Instituto de Oriente Médio em Washington, ‘é bem provável que a nova coalizão de governo de Maliki seja consideravelmente mais próxima do Irã do que dos Estados Unidos’.

De acordo com os documentos divulgados pelo WikiLeaks, as forças militares do Irã treinaram combatentes xiitas mais do que era imaginado, fornecendo também armas e mesmo concedendo abrigo a milícias que lutavam contra as tropas americanas. Um dos principais líderes destes grupos ligados a Teerã é o clérigo radical xiita Moktada al-Sadr que, apesar da oposição dos EUA, foi convidado pelo primeiro-ministro para participar do novo governo, em um sinal de fortalecimento dos aliados iranianos no Iraque.

Maliki acusou ontem o grupo WikiLeaks de detalhar abusos contra detentos para sabotar seu projeto de continuar no cargo. Em nota, afirmou que a divulgação desperta suspeitas de motivos eleitoreiros e que nenhum documento prova tratamento impróprio de prisioneiros durante o seu mandato. Maliki tomou posse em 2006.

Opositores aproveitaram o episódio para criticar o premiê. ‘As práticas e violações cometidas por Maliki nos levam a insistir em participar das decisões porque atualmente ele concentra todos os poderes em suas mãos’, disse Maysoun al-Damlouji, porta-voz do grupo Iraqyia, principal força opositora.

Maliki conseguiu duas cadeiras a menos que o seu principal rival, o ex-premiê Ayad Allawi, líder da Iraqyia. Apesar de também ser xiita, Allawi é mais moderado do que Maliki e sua coalizão conta com o apoio das mais importantes facções sunitas do Iraque. Com a vitória, ele tentou formar um novo governo, mas não conseguiu maioria. Maliki, em acordo com curdos e facções xiitas radicais aliadas do Irã, diz ser capaz de compor uma nova administração. Os EUA criticam a ausência de árabes sunitas no governo.

De acordo com os documentos, a maioria das vítimas de tortura e de atrocidades cometidas pelas forças iraquianas são sunitas. Antes da queda de Saddam Hussein, em 2003, o cenário era o inverso. Os sunitas, minoritários no Iraque, controlavam o governo e reprimiam os xiitas.

Além do aumento da influência do Irã e das torturas cometidas pelas forças iraquianas, os documentos do WikiLeaks revelam também que a morte de civis nas mãos dos iraquianos e das forças americanas são maiores do que dizia o governo dos EUA. Pelo menos 109 mil iraquianos morreram, sendo 70 mil civis.

O Pentágono condenou o vazamento de informações. ‘O WikiLeaks colocou em risco a vida de nossas tropas, de nossos parceiros na coalizão e de iraquianos e afegãos trabalhando conosco’, disseram em nota os EUA.

Ontem, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, defendeu o vazamento. ‘Esperamos corrigir alguns dos ataques contra a verdade que ocorreram antes da guerra, durante a guerra e que continuam mesmo depois que a guerra foi oficialmente declarada como concluída’, disse.

 

ELEIÇÕES

Gaudêncio Torquato

A guerra da propaganda

A propaganda política, ensinava Jean-Marie Domenach, professor francês de Humanidades considerado um dos papas dessa ciência, ‘faz o povo sonhar com as grandezas passadas e com as glórias do futuro’. Para ‘vender’ essa miragem a propaganda tem usado uma combinação de quatro impulsos – combativo, alimentar, sexual e paternal/maternal – que movem os seres vivos. Cada um desses instintos exerce uma função na estratégia de motivar e engajar a sociedade, mas os dois primeiros ganham ênfase por mexerem com a conservação e a sobrevivência dos indivíduos. O uso da propaganda tem sido intenso não só nos ciclos dos grandes movimentos de massas – Revoluções Francesa e Russa, 1.ª e 2.ª Guerras Mundiais -, mas no dia a dia da política, transformando-se em eixo central das estratégias de marketing. Nos sistemas autoritários é a correia de transmissão para dizer ‘a verdade dos governantes’, enquanto nos regimes democráticos passa a ser o anzol para pescar o voto dos eleitores e, ainda, o cabo de guerra para animar os exércitos das campanhas.

A Revolução Francesa de 1789 pode ser considerada o marco da propaganda agressiva nos termos em que hoje se apresenta, inclusive neste nosso aguerrido segundo turno da campanha presidencial. Ali os jacobinos, insuflados por Robespierre, produziram um manual de combate político, recheado de injúrias, calúnias, gracejos e pilhérias que acendiam os instintos mais primitivos das multidões. Na atualidade, é a nação norte-americana que detém a referência maior da propaganda agressiva, mola da campanha negativa. Esse formato, cognominado mudslinging nos EUA, apresenta efeitos positivos e negativos. No contexto dos dois grandes partidos que se revezam no poder – Democrata e Republicano -, diferenças entre perfis e programas são mais nítidas e a polarização sustentada por campanhas combativas ajuda a sociedade a salvaguardar os valores que a guiam, como o amor à verdade, a defesa dos direitos individuais e sociais, a liberdade de expressão, entre outros. Mesmo assim, nem sempre a estratégia de bater no adversário é eficaz. Na campanha para o Senado em 2008, a republicana Elizabeth Dole atacou a rival Kay Hagan veiculando anúncio que insinuava ser ela ateia. A democrata reagiu vigorosamente, dizendo ser professora, religiosa e que Dole queria, na verdade, desviar a pauta econômica – eixo da crise financeira. Ganhou a disputa por uma margem de 9 pontos. Já Lyndon Johnson, em 1964, detonou o republicano Barry Goldwater associando-o à ameaça de uma guerra nuclear.

Ante esse pano de fundo, emerge a questão: entre nós, a artilharia da propaganda atinge o eleitorado? É capaz de mudar posições e intenções dos eleitores? Analisemos. Os perfis de Serra e Dilma se inserem na moldura técnica e, sob esse abrigo, parecem destoar da linha agressiva dos spots publicitários que suas campanhas despejam. Tiros de um lado e de outro acabam se anulando no ar. Ocorre uma ‘canibalização recíproca’, manifesta na expressão popular ‘todos os políticos são farinha do mesmo saco’. Ademais, as práticas partidárias são assemelhadas entre as legendas, o que as junta na mesma teia de descrédito. O eleitor não consegue descobrir dentro da policromia partidária as cores mais claras e as mais cinzentas. O calor do embate, principalmente nos instantes finais de um pleito, acaba também impedindo correta avaliação de excessos e abusos de ambos os lados. Convém lembrar que mensagens de teor negativo geram eficácia em campanhas de saúde (imagens escabrosas de vítimas do tabaco) e de prevenção de acidentes (cenas trágicas de desastres com automóveis). Também geram consequências em certos momentos, principalmente quando envolvem valores profundamente arraigados na sociedade. Quem não se recorda do episódio envolvendo Miriam Cordeiro e sua filha Lurian, utilizado por Collor nos últimos sete dias da campanha do segundo turno em 1989? A onda negativa que se formou na época contribuiu para o naufrágio de Lula na eleição presidencial.

De lá para cá, escândalos aos montes, máfias incrustadas na administração pública, cooptação de parlamentares por via escusa, casos estrambóticos envolvendo a vida pessoal de atores políticos contribuíram para banalizar a agenda negativa da política. Isso explica por que parcela das pessoas resiste à influência de candidatos sobre seu psiquismo. Assim, a propaganda eleitoral vem apenas reforçar a ideia que milhões de eleitores já têm sobre os contendores. Os maiores conjuntos, por seu lado, agregam as maiorias passivas, que são influenciadas pelo segundo impulso – o alimentar -, e este tem o condão de anular o efeito das mensagens negativas do rádio e da TV. Diante do cenário descrito, resta aduzir que a campanha negativa, cuja contundência alcançou o clímax nos últimos dias, não levará a nada. Pode, até, funcionar como bumerangue, ou seja, voltando-se contra o candidato que a deflagra. O momento que vive o País convida a uma profunda reflexão no terreno das ideias, na perspectiva de avaliação dos programas em andamento e de novas propostas, sem a lâmina cortante que a propaganda eleitoral exibe, principalmente pela internet. Será que os candidatos não conhecem os reais efeitos de uma campanha negativa?

Da clássica era do ‘terror que engendra o medo’ até os nossos dias, a peleja política tornou-se, digamos assim, menos bárbara quanto aos métodos de castigo de adversários – sem guilhotinas e fuzilamentos -, mas não menos violenta no que concerne ao uso de processos para tornar viáveis intentos dos contendores. Na paisagem cheia de borrões, ninguém sai limpo.

A uma semana das eleições, um clima de guerra se espraia pelo território, o que nos faz lembrar a peroração de Saint-Just, um dos maiores jacobinos: ‘Todas as artes produziram maravilhas, exceto a política, que só tem produzido monstros.’

JORNALISTA, PROFESSOR TITULAR DA USP, É CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO

 

REGULAÇÃO

O assédio petista à mídia

As tentativas de controlar os meios de comunicação no Brasil podem ser abertas ou camufladas. Nos últimos dias, surgiram exemplos das duas modalidades. No primeiro caso, amplamente noticiado, a Assembleia Legislativa do Ceará aprovou, por unanimidade, o projeto de uma deputada petista que institui no Estado um Conselho de Comunicação Social – na linha prevista pela aparelhada Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em dezembro de 2009, sob os auspícios do Planalto. As suas diretrizes frequentaram brevemente o programa da candidata Dilma Rousseff, antes de serem expurgadas por evidente inconveniência eleitoral.

A segunda manobra, que tenta encobrir a sua verdadeira natureza, foi uma ação direta de inconstitucionalidade ‘por omissão’, impetrada no Supremo Tribunal Federal (STF) pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a mesma que no começo do atual governo quis emplacar o policialesco Conselho Nacional de Jornalismo, e a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fitert). As entidades assinalam que a revogação da Lei de Imprensa pelo próprio STF deixou sem regulamentação o direito de resposta na mídia e pedem que o vazio seja preenchido. À primeira vista, pode parecer uma demanda de todo procedente. Mas não é, como se verá adiante.

Já o pretendido conselho cearense, que depende da sanção do governador Cid Gomes, do PSB, quer fiscalizar os meios de comunicação do Estado, criar condições para a ‘democratização’ da informação e orientar a distribuição das verbas publicitárias estaduais considerando a ‘qualidade e pluralismo’ da programação dos órgãos da mídia eletrônica. Os controladores, reguladores e, em última análise, vigias do sistema serão 25 conselheiros, dos quais 18 da sociedade civil, incluindo representantes dos meios de comunicação, sindicatos e consumidores. Eles julgarão o desempenho e a conduta ética da mídia local com base na Constituição, Declaração dos Direitos Humanos ‘e outros tratados internacionais’.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce), Claylson Martins, nega que o órgão tenha pretensões censórias, já que as eventuais sanções a que estiverem expostas dependerão do Judiciário – como se pudesse ser de outra forma no Estado Democrático de Direito. Mas o palavreado apaziguador não engana. Para o diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, a proposta é ‘obscurantista, autoritária e inconstitucional’. ‘Quem deve controlar os veículos de comunicação deve ser a sua audiência’, argumenta. ‘Não cabe a nenhum órgão do Estado exercer esse papel.’

Enquanto a intenção de assediar a imprensa é manifesta na iniciativa do PT do Ceará, os petistas da Fenaj escolheram um caminho mais sinuoso para o mesmo objetivo. Isso porque a ação por eles impetrada no Supremo Tribunal vai além da correção da lacuna legal sobre o direito de resposta, com o fim da Lei de Imprensa. Quando cobram a regulamentação da matéria, dão ao termo ‘direito de resposta’ um sentido ameaçador, que extrapola o artigo 5.º da Constituição, que o consagrou. A ação cita dois outros artigos que tratam da mídia eletrônica e que não guardam relação com a faculdade de as pessoas publicarem na imprensa as suas versões dos fatos ou situações em conexão com os quais se viram citadas.

Um artigo é o 221, segundo o qual a programação das emissoras deve dar preferência a finalidades educativas, artísticas e informativas, respeitados os valores éticos e sociais da pessoa e da família. O outro artigo é o que o precede, que determina que lei federal deve garantir ao público a possibilidade de se defender de programações que contrariem o disposto no texto anterior. Assim, na interpretação da Fenaj, a lei deveria dar a cada espectador ou ouvinte o direito à divulgação de suas opiniões, nos próprios canais e estações, sobre os respectivos programas. Não é preciso nenhum voo de imaginação para imaginar a avalanche de pressões orquestradas contra a mídia eletrônica se o Congresso aprovar a legislação reivindicada – o que pedem que o STF induza, em regime de urgência.

 

TELEVISÃO

Etienne Jacintho

A médica e o monstro

No último episódio da 6.ª temporada de House, que já está disponível em DVD (Universal Pictures, R$ 129,90), o médico ogro, porém charmoso, beijou a dra. Cuddy. E, desta vez, não pareceu ser uma nova alucinação causada por Vicodin. O romance que os fãs da série há tempos esperavam tem seu desenvolvimento logo no episódio intitulado What Now? (E Agora?), que abre a 7.ª temporada e vai ao ar no Universal Channel nesta quinta-feira, às 22 horas.

Em conversa por telefone com o Estado, o criador da série, David Shore, conta as novidades do 7.º ano e do relacionamento entre House (Hugh Laurie) e Cuddy (Lisa Edelstein). ‘Precisamos mostrar como isso afeta o trabalho e o universo em que eles vivem’, diz Shore. Ele confirma ainda que haverá bons e divertidos momentos entre House e a pequena Rachel, a filha de Cuddy.

Shore não teme que o público perca o interesse na série com a consumação do romance. Afinal, House não deixará de ser House para virar um Don Juan. ‘Será apenas House com uma namorada’, afirma o criador, que também fala sobre o que a temporada reserva para os demais personagens como Thirteen (Olivia Wilde), que pediu um afastamento para poder atuar em um filme, e Wilson (Robert Sean Leonard), que, assim como seu melhor amigo, está namorando nesta temporada.

Shore explica ainda como é a equipe que auxilia nas pesquisas médicas e faz uma previsão de quanto tempo House ainda pode ficar no ar. Que seja uma vida longa!

O primeiro episódio da temporada tem o título da minha primeira pergunta: ‘E agora?’ O que vai acontecer com o casal House e Cuddy?

Isso é o que a temporada vai mostrar. Vamos explorar essa relação e estamos nos divertindo com isso. O primeiro episódio é o ponto de partida, óbvio, então temos menos mistério médico e mais House e Cuddy. Tínhamos de fazer isso, pois não podíamos jogar o romance, sem explorar o início de tudo. Os próximos episódios, porém, são mais tradicionais. Mas claro, com House e Cuddy juntos, precisamos mostrar como isso afeta o trabalho e o universo em que eles vivem. Como um relacionamento pode ferrar as coisas? Como ele pode construir coisas? Nada vai mudar muito. É House com uma namorada e Cuddy com um namorado. Não é House se transformando num cara que pode estar num relacionamento. Mas pode ser que ele consiga. É uma questão a ser explorada.

Vamos ver uma interação entre House e Rachel, a filha de Cuddy?

Sim! Será divertido.

A Thirteen (Olivia Wilde) vai voltar durante a temporada?

Ela vai voltar, mas não estará presente por um tempo. Não quero ser mais específico do que isso… Ela teve a oportunidade de fazer um grande filme, nos avisou e tivemos de mudar o roteiro para algo que não posso te contar…

Como é ter de lidar com essas saídas repentinas? Houve o caso da Jennifer Morrison, do Kal Penn…

É estranho. Kal Penn conseguiu emprego na Casa Branca (é assessor de Barack Obama) e teve de ir. Contanto que eles nos avisem a tempo, fazemos o máximo para ajeitar as coisas. Às vezes, porém, não conseguimos – ou porque havíamos planejado outra coisa ou porque não tivemos tempo suficiente para mudar o roteiro. Não quero que simplesmente os personagens desapareçam. Quero dar uma solução criativa para o problema e acho que fizemos bem no caso de Olivia (Wilde).

Na 4ª temporada, quando foram introduzidos novos personagens, era sua ideia renovar a equipe de House ou você já havia decidido que Foreman, Chase e Cameron voltariam a trabalhar com o médico?

A ideia veio por questões criativas. Fizemos três anos com a mesma equipe e parecia improvável que essas pessoas topariam trabalhar com House por tanto tempo. Pensei que seria excitante trazer novas vítimas para House (risos). E todas essas coisas conspiraram para a minha decisão. Quis agitar as coisas, antes que a audiência ficasse cansada.

Quão difícil é conseguir pensar em histórias novas a cada temporada?

É delicado, complicado, mas é meu trabalho! Tenho outras pessoas na equipe para me ajudar a fazer esse trabalho, mas estou feliz com os rumos que as coisas tomaram. Se me perguntassem na 1.ª temporada como a série seria na 7.ª temporada, não teria ideia do que responder. Acho que a série está surpreendentemente fresca e isso me deixa feliz. (Continua na pág. 6)

Broken, episódio que abre o 6º ano, é um dos melhores episódios de House. Não deu medo de internar House e dar um nó na história?

Um dos aspectos maravilhosos desta série é poder fazer esses episódios de partida de temporada que quebram a rotina. Não podemos fazer isso o tempo todo, mas a audiência confia no nosso trabalho e ficamos felizes em sair da rotina, ir por um caminho diferente. Broken foi o mais significativo desses episódios: teve duas horas e foi feito completamente fora do hospital. Nos arriscamos e temos nos dado bem.

Voltando à 7ª temporada, como vai ficar Wilson, agora que House está namorando?

Wilson também está namorando. Está com a Sam (Cynthia Watros, ex-Lost). Então, os dois caras que passaram quase a série toda sozinhos estão em relacionamentos. Quando o namoro de House estiver ótimo, o de Wilson estará em baixa e vice-versa.

Há convidados especiais nesta temporada?

Sim, Candice Bergen (ex-Boston Legal) vai interpretar a mãe de Cuddy. E há mais uma lista enorme que não sei de cabeça…

Você conta com uma equipe para descobrir casos médicos e abastecer os episódios?

Temos uma equipe grande. Uma de nossas roteiristas é médica e há pesquisadores, além de três médicos que são consultores e estão sempre à disposição dos roteiristas. Além disso, eles revisam cada roteiro que finalizamos. É importante ser o mais realista possível.

E qual é o retorno que vocês têm de médicos reais?

O feedback tem sido muito positivo. Não ouço muita gente comentando que conhece médicos que odeiam a série (risos). Ficaria surpreso se houvesse muitos assim ou se não houvesse nenhum. Trabalhamos muito duro para tornar a série realista. Esses são casos bizarros, pois, por definição da série, esses pacientes já teriam contatado 18 especialistas antes de chegar a House. Mas eles são casos reais e possíveis.

Conversei com médicos para uma reportagem sobre House e a maioria disse que tentava descobrir as doenças antes de House. E, para eles, alguns mistérios eram fáceis de solucionar, já que muitas doenças são comuns em climas tropicais…

Talvez aí no Brasil existam médicos melhores do que aqui nos Estados Unidos (risos)!

Na sua opinião, por que House faz tanto sucesso?

O público se interessou pelo personagem estranho que criamos, mas nunca imaginei que House se tornaria uma série aclamada no mundo todo. É maravilhoso que tenha esse aspecto universal. Estou dando entrevista para alguém no Brasil e isso é muito bacana. Acho que a série tem muitos pontos a favor: é engraçada, tem drama e, o mais legal é o personagem principal. Ele é um cara que faz o que ele acha que é certo. Ele faz isso não por razões egoístas, mas porque acha que é o certo e não se importa com o que os outros pensam.

Quando você escolheu Hugh Laurie para o papel, você imaginava que as pessoas iriam gostar tanto dele?

Não imaginava que as pessoas adorariam House, mas sabia que Hugh Laurie era o cara certo para o papel. Quem viu o teste dele sabia que ele era o cara. Foi um teste memorável.

Quanto tempo você acha que House pode sobreviver?

Esta é uma pergunta muito aberta… Diria que House pode sobreviver pelo tempo que Hugh Laurie topar interpretá-lo (risos)!

Você tem um episódio favorito ou pode fazer um ranking dos que você mais gosta?

O piloto tem um gosto especial. Three Stories (episódio 21 do 1.º ano) acho que é o meu favorito, pois foi a primeira vez em que quebramos o roteiro tradicional da série. Mas gosto de todos os capítulos. Gosto de assistir a todos.

Você escreve os roteiros ou só supervisiona?

Supervisiono e dou um direcionamento do que vai acontecer. O que acontece é que reescrevo muitas páginas.

E as famosas frases de House, como ‘todo mundo mente’ e ‘sou fisicamente incapaz de ser educado’, são criadas por você?

Sim. Eu meio que penso assim como ele (risos)…

 

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