Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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O Estado de S. Paulo / The Washington Post

11/01/2005 na edição 311

‘A TV digital, o rádio por satélite e a compra de filmes em casa serão os grandes temas do entretenimento nos Estados Unidos este ano. E a questão da indecência nos meios de comunicação deverá ter uma decisão definitiva por parte da Suprema Corte americana, de acordo com executivos do setor, legisladores, comentaristas e consultores ouvidos pelo jornal Washington Post.

No final de 2004, havia quase 10 milhões de aparelhos digitais de televisão nos Estados Unidos, a maioria de alta definição (HDTV). Calcula-se que mais 7 milhões serão vendidos ao longo deste ano. As TVs digitais permitem às estações acrescentarem canais e melhorar a imagem e o som das transmissões. ‘As principais emissoras estão transmitindo em HDTV, e todo mundo que viu um aparelho desses funcionando quer comprá-lo’, disse Gary Shapiro, presidente da Associação de Produtores de Eletroeletrônicos. O Congresso deverá estabelecer em breve uma data para o final da transição das transmissões análogas para digitais.

Em 2005, mais pessoas ouvirão também o rádio digital. As assinaturas de transmissões de rádio por satélite oferecidas pela XM Sattelite Radio e pela Sirius Sattelite Radio ultrapassaram, respectivamente, as marcas de 3 milhões e 1 milhão no final de 2004. As estações convencionais tentarão reagir, convertendo seus sinais análogos para digitais, melhorando a qualidade do som, acrescentando canais e programas para quem comprar os novos rádios digitais. Isso permitirá que as estações ofereçam nichos de programação, cobrando por isso.

‘Ou o rádio por satélite dá uma arrancada firme ou a ‘bolha’ começará a murchar’, disse Jeffrey Smulyan, presidente da Emmis Communications, que possui 27 estações de rádio.

O consumidor terá mais opções, na medida em que as companhias de transmissão a cabo tornarem realidade os serviços telefônicos pela internet. Ao mesmo tempo, as companhias telefônicas regionais oferecerão serviços de vídeo para competir com as empresas a cabo.

Enquanto isso, a audiência maior dos noticiosos de TV a cabo poderá obrigar os telejornais convencionais a mudar de formato, na opinião de Tucker Carlson, que comanda noticiários nas redes CNN e PBS. ‘Meu palpite é que a NBC transferirá uma parte ainda maior da sua cobertura noticiosa para o cabo, e as principais redes concorrentes farão o mesmo’, disse Carlson. ‘Aposto que daqui a 5 anos, os 3 principais noticiários de TV aberta dos Estados Unidos terão um formato similar ao das redes a cabo.’

INDECÊNCIA

A pedido do Comitê Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês), o Congresso americano aprovou projeto de lei aumentando para US$ 500 mil a multa máxima aos meios de comunicação que transmitirem imagens ou textos indecentes. Com o recesso parlamentar, o projeto ainda não fez a tramitação completa. A medida, que tem apoio dos dois principais partidos, legisladores e donos de emissoras, deverá ser aprovada este ano, mas provavelmente o valor da maior multa será reduzido.

O caso, porém, deverá parar nos tribunais. Vários legisladores acreditam que a Suprema Corte reconsiderará duas decisões que permitem ao governo fiscalizar as transmissões abertas. O tribunal decidiu que o FCC pode multar as emissoras que transmitirem conteúdo indecente porque as ondas de rádio e TV têm um espectro limitado e não permitem um número infinito de estações. E como as ondas de rádio e televisão são ‘visitantes não convidadas’ pelos cidadãos – significando que podem ser recebidas de graça -, o governo tem o direito de proteger as crianças de programas inadequados.

No caso das TVs por assinatura, as ondas eletrônicas deixam de ser ‘visitantes não convidadas’.’



GNT
Renata Gallo

‘Homens como você nunca viu’, copyright O Estado de S. Paulo, 7/01/05

‘O papo poderia ter saído de qualquer roda de Luluzinha, mas o interlocutor, sensível como ele só, é, na verdade, um homem. Difícil acreditar que um deles abra sua intimidade a ponto de ir para a TV falar sobre a música que mais o marcou quando se separou da mulher, ou confessar que, de tão desnorteado, chegou a ficar vagando pelas ruas, dando voltas de carro, até a gasolina acabar. O diferencial de Nós e Eles, do GNT, é que não só 1, mas 150 homens se dispuseram a falar, emocionar e rir contando episódios de suas vidas amorosas.

De uma forma delicada e sincera, o Nós e Eles, no ar todas as sextas, às 21h30, traz a visão de homens e mulheres sobre relacionamentos. A cada programa, perguntas são lançadas por uma apresentadora diferente, sempre uma celebridade. Pela poltrona já passaram Maitê Proença, Angélica, Taís Araújo, Giulia Gam, Lavínia Vlasak, entre outras, que discutiram assuntos como separação, traição, ciúme e até a questão que mais instiga as mulheres: por que eles não gostam de discutir a relação?

Hoje, no oitavo programa da série de 13 episódios, é dia de Deborah Colker falar sobre amor e paixão. ‘Acho que os homens que me traíram tiveram uma relação de amor com duas mulheres. Não venha me dizer que foi uma coisa sem importância’, diz a certa hora a coreógrafa. O tom intimista, curiosamente, se repete em muitos programas. Em dias em que as celebridades fogem de questões pessoais, lá estão elas, no Nós e Eles, falando sobre as manias dos ex-namorados, dos ex-maridos, que já traíram e/ou foram traídas.

Que mágica é esta? ‘Acho que o que encanta a todas é o fato de o programa, a partir da conversa, celebrar o encontro’, diz o diretor Luca Paiva Mello.

Para responder às perguntas, Mello e sua equipe procuraram diversificar ao máximo os personagens. Taxista, pescador, advogado, psicanalista, empresário, detetive particular… Todos, de diferentes profissões, de diversos tipos, falando sobre o sentimento de amor – e dor – comum. ‘O perdão seria possível, o problema é que a palavra ‘seria’ é muito grande’, diz um. ‘O que eu aprendi é que, às vezes, a gente termina uma relação e só depois percebe que não tinha vivido tudo o que podia com aquela pessoa’, confessa outro sem se preocupar que a companheira atual o escute.

E, como se não bastassem as declarações, Nós e Eles tem ainda uma linda narração de Camila Pitanga.’



TV PAGA
Adriana Del Ré

‘Brasil mostra a cara na TV paga’, copyright O Estado de S. Paulo, 5/01/05

‘Yes, eles têm produção nacional. No Brasil, os canais por assinatura, feitos à base de enlatados e programas estrangeiros, estão mudando sua cara de gringo e ganhando feições abrasileiradas. O que há alguns anos era quase impossível, hoje é corriqueiro: zapear por humorísticos italianos e noticiários americanos até cair em um programa genuinamente brasileiro, falado em português – sem ser dublagem. Há programadoras e operadoras estrangeiras que reservam parcela de seu orçamento para investir em programas realizados no Brasil, como foi o caso da TNT com os reality shows Projeto 48 e Passaporte para a Fama: Hollywood, exibidos em 2004. Mas a maioria delas confirma: o benefício fiscal, conhecido como Condecine 3%, é o principal responsável pelo crescimento da produção nacional na TV paga.

Segundo últimos dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), entre janeiro de 2003 e novembro de 2004, 26 projetos foram financiados a partir dos recursos do Condecine 3%, sendo que, em 2003, foram aplicados R$ 9,64 milhões (dos R$ 14,3 milhões que foram arrecadados) e, de janeiro a novembro de 2004, o valor aumentou para R$ 13,8 milhões (dos mais de R$ 18 milhões recolhidos). ‘Em relação a 2003, no ano de 2004, houve um crescimento de 35% no recolhimento e a expectativa é que em 2005, haja um aumento de 30% em relação a 2004’, diz o superintendente de Desenvolvimento Financeiro da Ancine, Carlos Guimarães.

Para este ano, alguns títulos já geram expectativas, como as séries Mandrake (da HBO e Conspiração Filmes, para a qual foram destinados R$ 5,58 milhões) e Carnaval (HBO e O2, na qual foram aplicados R$ 6,12 milhões), além dos documentários 7 X Bossa Nova (Directv e Giros Produções, que fez uso de cerca de R$ 2 milhões) e Chico Buarque (Directv e RWR Comunicações, no qual se utilizou mais de R$ 1 milhão).

O incentivo fiscal está previsto no artigo 39 da Medida Provisória 2228-1/01 e possibilita que os canais pagos revertam, no mínimo, 3% sobre o valor de suas remessas internacionais para produção local. O mecanismo é o seguinte: a empresa estrangeira deposita o valor correspondente a 3% numa conta bancária própria, aberta no Banco do Brasil, e forma parcerias com produtoras independentes brasileiras, para a realização de projetos que passam pelo crivo da Ancine. A empresa tem prazo de 270 dias após o depósito do dinheiro para aplicá-lo em projetos. Caso contrário, a Ancine pode direcionar o valor para projetos de fomento à produção, distribuição e exibição de obras cinematográficas e videofonográficas de produção independente.

O Condecine 3% acaba sendo uma alternativa para as empresas escaparem da contribuição de 11% sobre a remessa de seus rendimentos, destinada ao Tesouro. ‘É um mecanismo que existe no papel desde 2001, mas só começou a operar em 2003’, diz Guimarães. Ele conta que, por falta de informação ou organização, muitas empresas perdiam o prazo de uso do recurso. ‘Por isso, foi necessário que a Ancine gerenciasse a situação de cada um. Há 6 meses ninguém mais perde o prazo.’

MERCADO EXTERNO

Para Alexandre Annenberg, diretor-executivo da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), os primeiros maiores frutos foram colhidos em 2004. ‘As produções têm repercussão no mercado interno e no exterior. Quando um canal estrangeiro produz uma obra, vai exibi-la na rede internacional.’

Gerente de Programação da Directv no Brasil, Rogério Brandão fala, entusiasmado, da vocação da operadora em se voltar para as coisas do Brasil. Começou com os shows exclusivos com artistas da música brasileira, transmitidos pelo canal 605 e transformados em DVD. ‘Depois do artigo 39, ambicionamos mais: produzir projetos que se tornassem acervo audiovisual.’ A operadora aposta no formato documentário e antecipa uma lista atrativa. A nova programação nacional será aberta este mês com Chico Buarque, no qual o compositor revisita sua vida e obra no Brasil, Itália e França.

A partir de abril, 7X Bossa Nova presta tributo aos mentores do movimento, sob o ponto de vista de alguns deles, como Johnny Alf, João Donato, Carlos Lyra, entre outros. Cada um será mote de um capítulo da série. Na seqüência, a Directv exibe o documentário Triângulo do Rock, que mostra o rock brasileiro dos anos 80, nascido em três cenários: Rio, Brasília e São Paulo. A operadora já tem engatilhados mais dois projetos, um sobre Clube da Esquina e outro, sobre arranjadores.

‘É uma forma de investir em produções nacionais, mas dá-se também a oportunidade de a imagem do País ser projetada no exterior’, comenta Katia Murgel, diretora de Programação dos canais Fox e National Geographic. Katia chama atenção para outra vantagem na parceria entre canal e produtoras: a troca de experiência. ‘No caso da National, nesse processo de co-produção, temos apoio da National nos EUA.’ No canal, a primeira produção feita com benefício fiscal foi sobre tartarugas marinhas, do projeto Tamar. Para este ano, a National aposta nos documentários como Animais do Brasil e O Continente Gelado com Amyr Klink, uma série de quatro programas que mostra a jornada de 77 dias de Klink e sua tripulação pela Antártica.

CARTUNISTAS

No Cartoon Network, os brasileiros aparecem na hora dos intervalos, nas vinhetas dos Pescoçudos (criação de Caco Galhardo), Geraldinho (de Glauco) e Overman (de Laerte). Também realizadas a partir de recurso da Condecine, as vinhetinhas animadas fazem parte do Projeto Cartum Netiuorque. ‘Pretendemos continuar a investir, estamos apostando as fichas nesses cartunistas em 2005 e quem sabe em outros’, diz Carlos Tureta , diretor de Áudio do Cartoon para América Latina.

No History Channel está prevista uma série de produções nacionais ou que falem sobre o Brasil. Entre eles, o documentário O Cristo Redentor, que reconta a história da idealização, projeção e edificação da famosa estátua. ‘Queremos continuar as produções nacionais, o Brasil é uma prioridade para nós’, diz Cesar Sabroso, gerente de Marketing do canal History na América Latina. Outros canais entraram na onda dos projetos nacionais, como o AXN, com o Rally dos Sertões, Discovery Health, com o documentário Doutores da Alegria, People+Arts, com Enquanto Você não Vem e O Aprendiz, numa co-produção com a TV Record, e Nickelodeon, com Patrulha Nick.’



ALQUIMISTA
Fabíola Glenia

‘‘Alquimista’ é Potter tupiniquim’, copyright O Estado de S. Paulo, 5/01/05

‘A bruxaria é quase tão antiga quanto a própria humanidade, mas ninguém pode tirar de J.K. Rowling e de seu bem-sucedido bruxinho Harry Potter, que a alçou à categoria de multimilionária, o mérito de ter trazido o universo mágico de volta com força extraordinária, arrebatando multidões de fãs em todos os continentes e leitores de todas as idades.

Aproveitando a comoção pelo tema, muitos apostaram na magia para lançar livros, jogos e filmes. Na Globo não foi diferente. Em seu segundo capítulo, O Pequeno Alquimista – baseado nos livros de Márcio Trigo e escrito por Mariana Mesquita, Claudio Lobato e Thereza Falcão – revela algumas semelhanças com o universo de Rowling. Para começar, temos como astro principal da trama um gênio mirim, João, vivido por Daniel Torres, que quer provar seu talento e ser admitido como o primeiro menino alquimista na Associação Alternativa dos Alquimistas (A.A.A.). Nada muito diferente do brilhantismo de Potter e de sua saga em Hogwarts.

Quem preside a A.A.A. é Filolal (Lima Duarte), avô de João e uma espécie de Alvo Dumbledore. Nosso Harry Potter tupiniquim não é órfão, mas, a exemplo da obra da britânica J.K. Rowling, conta com dois bons amigos: Matias (David Lucas) e Silvana (Maria Luiza Rodrigues). Esta é a própria personificação de Hermione: inteligente e geniosa.

Como sempre, é preciso haver um inimigo: Trimegistus (Diogo Vilela) assume essa missão. Suas maldades estão muito aquém das praticadas pelo perverso Lord Voldemort – limitando-se, quando muito, a tentar impedir a admissão de João na A.A.A. e a cobiçar a presidência da entidade.

Os lances cômicos ficam a cargo de Trimegistus e de Ardrúzio, interpretado por Ney Latorraca, aqui com um ‘quê’ do seu saudoso Barbosa (TV Pirata).

Inspirações à parte, O Pequeno Alquimista não deixa de ser uma iniciativa louvável nesse marasmo que domina a programação infantil da TV brasileira. O elenco tem nomes de peso, como Lima Duarte, Ney Latorraca, Paulo José, Diogo Vilela, Nelson Dantas, Luiz Megnelli, Luigi Barricelli, Alexadre Borges e Júlia Lemmertz. Nos créditos, o cast é apresentado como ‘participação afetiva’.

Com direção de Ulysses Cruz e direção-geral de Márcio Trigo, o programa, do núcleo de Carlos Manga, estreou em 26 de dezembro no lugar de Temperatura Máxima. Os dois primeiros capítulos mantiveram a média de audiência do horário, com 13 e 15 pontos, respectivamente, na Grande São Paulo.’

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