Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 7 E 8/8

O Globo

10/08/2010 na edição 602

ELEIÇÕES 2010
Dório Ewbank Victor

Cheio de altos e baixos

As cúpulas dos partidos comemoraram ontem o desempenho de seus candidatos no primeiro debate entre os presidenciáveis, realizado na véspera pela TV Bandeirantes.

Mas houve muita trombada com os números, além de revelações desconcertantes, como uma que o tucano José Serra usou para criticar a petista Dilma Rousseff: o corte de verbas, pelo Ministério da Educação, para as Apaes, que ontem atacaram duramente o governo.

Candidata do governo Lula, Dilma, na defensiva em relação aos ataques de Serra e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), inflou dados sobre salário mínimo e reforma agrária, por exemplo, além de cometer erros como dizer que o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi criado para transportar crianças.

Fim da CPMF: momento ‘quente’

Serra, que tem mais experiência em debates, se preparou e apontou deficiências nas áreas de infraestrutura, saúde e educação, entre outras. Quase não teve telhado de vidro, já que Dilma preferiu mirar no governo Fernando Henrique e não nas gestões de Serra em São Paulo. A análise dos temas levantados pelos candidatos nos debates, e a repercussão com especialistas e dirigentes partidários estão nas páginas seguintes a esta.

Para os internautas que acompanharam o debate pelo ambiente especial Eleições 2010, no site do GLOBO, os momentos mais ‘quentes’ ocorreram no primeiro e segundo blocos, quando Marina Silva (PV) falou do fim da CPMF, e o tucano Serra acusou o MEC, no governo Lula, de proibir as Apaes de darem aulas e cortar a verba do transporte. O site do GLOBO acompanhou o debate em tempo real, e os internautas podiam votar, gerando o ranking publicado no alto desta página.

Quando Serra falou sobre as Apaes, a internauta Sara Oliveira fez o seguinte comentário: — Acho que a questão das Apaes realmente mexeu com o público, pois lida com crianças com necessidades especiais. É covardia qualquer tipo de ação que prejudique o desenvolvimento dessas crianças, que poderiam ser nossos filhos e parentes. O futuro presidente deve ter ações específicas para esse tipo de público, afinal, eles também fazem parte da população brasileira.

Os momentos mais polêmicos foram escolhidos em votação no Termômetro, ferramenta do site onde o internauta indicava os principais pontos do debate, além de ter acesso ao resumo dos blocos e poder fazer comentários — mais de 13 mil pessoas acompanharam a cobertura pelo site.

Os internautas poderão usar o Termômetro nos próximos debates, que ocorrerão até a véspera das eleições.

O ponto mais ‘frio’ apontado pelos internautas durante o debate da TV Bandeirantes ocorreu no segundo bloco, quando a petista Dilma Rousseff afirmou que o Brasil tem sido elogiado pelo combate à entrada de drogas pelas fronteiras do país, em especial o crack. O crack hoje é um drama nacional, e só recentemente o governo Lula lançou um plano de combate ao uso da droga.

Nada menos que 100% dos votos dos internautas foram negativos para o comentário da petista.

Alguns pontos mornos foram citados também pelos internautas: no terceiro bloco, quando Serra perguntou a Dilma por que houve redução no número de cirurgias nos hospitais públicos no governo Lula e também por que ela não defende os mutirões de cirurgias.

Outro momento ‘morno’ ocorreu no quinto bloco, durante as considerações finais da candidata Marina Silva. A verde leu um poema citando o menino Dado, que conheceu durante visita à favela do Coque, em Recife (PE).

No terceiro bloco, quando os candidatos comentaram sobre as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) 24h, a internauta Anna Bella fez o seguinte comentário: — Os hospitais existentes seriam suficientes para atender o povo se o governo aplicasse o dinheiro de maneira correta.

Debate: média de 3 pontos no Ibope

O primeiro debate entre os candidatos à Presidência teve média de 3 pontos de audiência no Ibope, segundo dados da TV Bandeirantes. O número representa aproximadamente 179.591 domicílios na Grande São Paulo. O pico de audiência durante o programa foi de 5 pontos, e o share (participação de audiência) foi de 5%. Audiência bem menos que a registrada no jogo da semifinal da Libertadores entre o Internacional e o São Paulo, transmitido pela TV Globo, que teve média de 33 pontos.

O número equivale a 1.975.503 domicílios na Grande São Paulo, aproximadamente.

O share durante a transmissão foi de 52%.

 

Guilherme Fiúza

Não é a mamãe

No primeiro debate entre os presidenciáveis, na TV Bandeirantes, a candidata do governo disse que ‘as mulheres brasileiras’ estão preparadas para exercer a presidência. E revelouse ‘particularmente’ interessada em investir na prevenção ao câncer.

Dilma Rousseff quis dizer, com a sutileza que lhe foi possível: ‘Sou mulher e tive câncer. Votem em mim.’ É uma plataforma e tanto. Melhor que isso, só se Dilma fosse negra, pobre e analfabeta. Aí seria realmente imbatível na sucessão do operário nordestino mutilado, que instituiu o mito dos coitados no poder. Ela ainda não foi vista chorando a quatro olhos com Lula, mas isso é questão de tempo.

Ver Dilma Rousseff num debate ao vivo ajuda a entender por que são criados tantos personagens para fantasiála. Olhar fixo no nada, tom de voz estacionado na veemência automática, frases que ficam pela metade e saltam para uma conclusão categórica qualquer. ‘Sou contra o spread elevado’, encerrou a candidata, numa explicação tortuosa da política monetária que o governo popular fuma, e jura que não traga.

Como se sabe, Lula ficou sem sucessor depois que Antonio Palocci e José Dirceu caíram em desgraça. A ideia de oferecer ao país uma ‘presidenta’ se encaixou bem no marketing do governo bonzinho, que dá dinheiro de graça aos pobres e critica o Banco Central (o milagre da oposição a si mesmo). A presidenta não poderia ser a ex-prefeita Marta Suplicy, nem mesmo a senadora Ideli Salvatti ou outra figura mais experimentada.

Era preciso alguém que não fosse nada, para que no imaginário popular pudesse ser tudo. Uma espécie de fenômeno Collor.

A imagem final do debate na TV, com Dilma Rousseff gaguejando e baixando os olhos para ler a cola da mensagem que deveria deixar ao público, não poderia revelar um nada mais eloquente. Ao lado dela, Celso Pitta pareceria um Rui Barbosa.

É fácil compreender por que o povo, segundo pesquisas qualitativas, não acreditou na Dilma gestora, gerentona, xerifa, dama de ferro, princesa do pré-sal e outras embalagens sugeridas. A líder nas pesquisas de opinião é, basicamente, Lula. Mas como Lula tem barba e vai embora, sua criatura não poderia ficar andando sozinha por aí sem identidade. Surgiu então a solução segura, já posta na rua pelos arautos petistas: Dilma é mãe.

Não mais a ‘Mãe do PAC’ — até porque o menino, que puxou a ela, tem fisionomia um tanto indefinida. Dilma é simplesmente ‘mãe’. Aí não pode ter erro. Lula já explicou a abrangência da coisa, numa palestra em Curitiba ao lado de sua candidata: ‘Se vocês ainda têm preconceito em votar numa mulher, parem de ser besta. Ela lhe pariu, ela formou o seu caráter. Dê uma chance à sua mãe, já que ela deu tantas chances a você.’ Pronto. Cada brasileiro tem agora a possibilidade de deixar de ser ingrato, e retribuir a quem sofreu para colocá-lo no mundo. O Brasil, que até outro dia tinha 190 milhões de técnicos, agora tem 190 milhões de filhos da Dilma. E um filho do Brasil.

Depois de se assistir à candidata do governo sozinha na TV se embaralhando com siglas, percentuais e ‘mágicas financeiras’ que ela diz não entender — e disso ninguém duvida —, dá para compreender por que o presidente decidiu botar a mãe no meio. A opção pela mitologia é mais garantida, até porque em time que está ganhando não se mexe. O problema é quando a realidade aparece para estragar o enredo.

De repente, Lula virou o possível salvador de uma mãe iraniana. Acusada de adultério, ela foi condenada à morte por apedrejamento. O caso logo chegou ao presidente brasileiro, em forma de apelo, por sua relação de camaradagem com o ditador do Irã. Lula foi coerente ao negar ajuda: ‘Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo todo pedido que alguém pede de outro país. É preciso tomar muito cuidado porque as pessoas têm leis, as pessoas têm regras. Se começarem a desobedecer às leis deles para atender ao pedido de presidentes, daqui a pouco vira uma avacalhação.’ A pressão cresceu e Lula acabou cedendo à avacalhação, pedindo clemência à condenada. Não deixou de fazer mais um carinho no presidente sanguinário, ‘meu amigo Ahmadinejad’, como se pedisse com jeitinho para ele pegar leve desta vez. Foi ignorado.

Não se sabe o que as mulheres e as mães iranianas pensam de Lula, o chapa do carrasco. Mas possivelmente achassem no mínimo exótico que seja o mesmo a fazer do feminismo e da maternidade a bandeira central da sua sucessão.

Resta saber o que as brasileiras e os brasileiros acham disso. E do Plano Dilma como promessa nacional de cuidado, carinho maternal e feminilidade.

Olhando para o feitio, a oratória e as práticas da candidata, talvez o bebê dinossauro, do famoso desenho animado, soltasse seu bordão de autodefesa: ‘Não é a mamãe!’ Mas dinossauro não vota.

 

Donizeti Costa e Thais Lobo

‘Devo ter ganhado esse troço’

O candidato do PSOL à Presidência, Plínio de Arruda Sampaio, comemorou ontem de manhã o seu desempenho no debate.

Ele foi ao local de concentração de uma passeata que seus correligionários fizeram da Praça do Patriarca ao Largo de São Francisco, no centro de São Paulo. Aos 80 anos, disse que estava cansado e não participaria da caminhada.

Fez um breve discurso, cumprimentou eleitores e curtiu o sucesso, após suas bem humoradas intervenções no debate.

— Os americanos têm uma frase que diz: ‘Nothing succeeds like success’ (Não há nada que tenha sucesso se não o sucesso, em tradução livre feita por ele). Você sente pelo olhar do outro.

Você olha para ele e diz: ‘Ganhei’. Foi isso que senti ontem, claramente. Quando saí, pensei: ‘Devo ter ganhado esse troço’, porque os outros estavam todos assustados. Eu estava muito tranquilo.

Plínio aproveitou para avaliar a repercussão no Twitter: — Foi uma resposta da juventude extraordinária.

Na hora, 2,5 mil pessoas entraram para manifestar apoio. E a maioria do Twitter é de jovens — disse Plínio, garantindo que ele próprio alimenta seu Twitter: — Faço o chamado ‘comando da madrugada’. Entro ali pela meia-noite, 1h.

Quando não tenho tempo, é minha secretária de comunicação quem cuida. Mas sempre avisando que é ela e não eu que estou twittando. Não se pode enganar o companheiro que está do outro lado.

O candidato do PSOL bateu recordes no Twitter: foi citado em mais de 15 mil tweets em 13 horas, a partir de sua participação no debate, chegou à primeira posição no trending topics mundial e ganhou mais de 4 mil seguidores. Até então, tinha 9.039. No debate, em tom descontraído, chamou José Serra (PSDB) de hipocondríaco e disse que Marina Silva (PV) não sabia pedir demissão.

Plínio disse que lida muito bem com a internet e as regras do Twitter, que prevê mensagens de poucas palavras.

— Os 140 caracteres são um desafio. E você vê quanta besteira que a gente fala à toa. E vai cortando e consegue falar perfeitamente — disse Plínio, que lembrou que o debate concorreu com a semifinal da Taça Libertadores, transmitida pela TV Globo. — Tinha o São Paulo Futebol Clube pra atrapalhar. E eu sou são paulino. Isso que é uma desgraça.

 

Gilberto Scofield Jr.

Especialistas: TV afetará novos debates

A propaganda gratuita na televisão e as pesquisas eleitorais terão influência nos próximos debates, e podem decidir a presença neles da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, que conseguiu resistir aos ataques na quinta-feira, na análise de especialistas em comunicação e opinião pública.

Segundo Paulo José Cunha, professor de Jornalismo na Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB), as campanhas televisivas devem atrair o público para os futuros encontros, mas a audiência vai depender das pesquisas eleitorais: se Dilma abrir uma vantagem maior sobre o tucano, José Serra, a petista pode desistir de participar.

— Num debate, importa ao candidato fazer seu adversário perder, o que não aconteceu neste primeiro encontro, apesar das investidas de Serra contra Dilma. — disse Cunha.

— A decisão de não comparecer a um debate é muito difícil, a não ser que a vantagem seja muito expressiva.

Antônio Flávio Testa, sociólogo, antropólogo e cientista político da UnB, afirmou que Dilma mostrou-se nervosa no início do encontro, mas acabou tendo um bom desempenho, diante de três opositores que buscaram minar a imagem e realizações de uma figura que não estava presente ao debate, mas era a grande referência da noite: o presidente Lula.

— O debate foi um encontro de três petistas, dois deles ressentidos (Marina, do PV, e Plínio, do PSOL), com um tucano.

O Serra foi mais consistente, e soube se aproveitar dos petistas ressentidos, mas o fato é que quem vai continuar definindo os rumos principais destes encontros será a imagem de Lula — afirmou Testa.

Analistas criticam regras rígidas e falta de surpresas Uma conjunção de regras engessadas, a concorrência do jogo São Paulo X Internacional, a ausência do horário de campanha oficial na TV e, principalmente, falta de surpresa nos discursos dos principais candidatos (em contraponto às provocações de Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL) foram os motivos apontados pelos cientistas políticos para a baixa audiência do primeiro debate presidencial, na noite de anteontem, na Band TV.

Plínio Dentzien, professor do Centro de Estudo de Opinião Pública da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirmou que, além das regras rígidas do debate que impediram contestações mais enfáticas entre os candidatos, Serra, Dilma e Marina se comportaram exatamente da maneira que se esperava: Dilma buscou associar sua imagem à de Lula e tentou comparar o governo do qual fez parte com do antecessor, Fernando Henrique Cardoso; Serra quis mostrar experiência política e administrativa e trouxe a discussão para um nível mais pessoal. Marina foi a porta-voz do desenvolvimento sustentável. A atuação de Plínio foi criticada pelo professor da Unicamp.

— Tenho estima pelo Plínio, mas fiquei constrangido com aquela bobagem histriônica — disse Dentzien.

 

FLIP
Lívia Brandão

Vivas ao e-book e apostas no futuro do papel

PARATY. ‘O futuro aponta para o mundo digital, mas os e-books não vão matar os livros de papel’.

Esta é a conclusão do historiador americano Robert Darnton, diretor da biblioteca de Harvard, depois das duas aguardadas mesas que debateram o futuro do livro durante a 8° edição da Festa Literária Internacional de Paraty. O assunto está em alta em tempos de popularização de Kindles e iPads e do anúncio do lançamento, no próximo dia 10, do Positivo Alfa, o primeiro e-reader fabricado no Brasil, que vai custar em torno de R$ 700 e terá capacidade para mais de 1.500 livros.

A primeira discussão, que encerrou a programação de quintafeira, juntou Darnton ao historiador inglês Peter Burke. Já a segunda, na manhã de ontem, trouxe novamente Darnton aos holofotes, desta vez ao lado de John Makinson, CEO da Penguin Books, que acaba de entrar no mercado brasileiro em parceria com a Companhia das Letras.

Multimídia já difundida nos EUA, ainda não no Brasil Longe de demonizar os aparelhinhos eletrônicos que, pouco a pouco, dão nova dimensão ao ato de ler e consumir livros, todos os debatedores ressaltaram as vantagens dos e-books. Eles também alertaram para a importância de autores, editoras e livrarias se adaptarem a este novo mundo e frisaram as oportunidades de integração multimídia que os leitores digitais oferecem, já difundidas nos EUA e Europa, mas ainda não no Brasil.

— Os editores brasileiros vão demorar a ter condições de investir nisso, mas estamos trabalhando em alguns projetos para compreender como o mecanismo funciona — explica Luiz Schwarcz, dono da Companhia das Letras, uma das primeiras a comercializar e-books no país.

Tantas pesquisas buscam o formato ideal para a publicação eletrônica que ele ainda parece distante de ser encontrado. Enquanto Burke diz acreditar que livros curtos terão mais destaque em leitores digitais (‘Não consigo visualizar ninguém lendo as mil páginas de ‘Guerra e paz’ num Kindle’), Darnton destinou à ferramenta um ambicioso projeto em que pretende anexar mais de 50 mil documentos relativos à sua pesquisa, dando ao leitor a opção de se aprofundar em um tema ou lê-lo apenas superficialmente.

Com a discussão da morte do livro, a possível extinção das livrarias entrou em pauta devido ao crescimento das compras on-line e da concorrência de gigantes como a Amazon, que vendem tantos livros físicos quanto virtuais. Makinson lembra que os livreiros têm um importante papel de orientação do consumidor em meio à infinidade de opções oferecidas. Já Rui Campos, dono da rede de livrarias Travessa, aposta no fetiche do livro como fator de longevidade do comércio real: — A demanda não acabará.

Schwarcz concorda, mas também ressalta a mudança de posicionamento e estratégias das lojas físicas.

— Estamos vivendo um momento de esplendor das livrarias, que representam mais do que pontos de vendas de livro, são pontos de encontro, verdadeiros polos culturais — avalia.

Último debatedor de ontem, o romancista britânico Salman Rushdie mencionou ainda vantagens do livro de papel sobre as edições digitais: — O livro não precisa de bateria.

Se você derruba Cocacola num PC, ele morre. Se você derruba num livro, ele retém as informações.

 

MÚSICA
Catálogo dos Beatles não deve estar on-line tão cedo, avisa Yoko Ono

Não tenha muita pressa para ver as músicas dos Beatles serem vendidas no iTunes ou em outras lojas online, afirmou quinta-feira Yoko Ono, a viúva de John Lennon.

O quarteto de Liverpool tem resistido há muito tempo à sedução do download digital e conseguiu vender milhões de CDs à moda antiga no ano passado, depois de remasterizar seu catálogo.

A Apple Corps, empresa que detém os direitos sobre as canções dos Beatles, tem sido incapaz de chegar a um acordo com o grupo EMI, que, por sua vez, tem os direitos sobre as gravações. Correndo por fora ainda está a Apple, proprietária do iTunes, a maior varejista de música on-line do mundo.

As duas empresas têm uma complicada história de luta pelos direitos ao nome. Mas a disputa pela marca registrada foi solucionada em 2007, quando surgiram especulações de que elas tratariam de alcançar um acordo sobre o iTunes.

— (O diretor-executivo da Apple) Steve Jobs tem sua própria cabeça, e ele é um cara brilhante — disse à Reuters Yoko, de 77 anos. — Só existe um elemento com o qual não estamos satisfeitos, como pessoas.

Estamos resistindo.

Documentário marca aniversário de Lennon A viúva mais odiada do rock acrescentou: — Não prendam a respiração (à espera de um acordo), por nada.

Yoko, que estava promovendo um documentário sobre seu marido a ser exibido pela televisão pública americana, ‘LENNONYC’, não quis dar mais detalhes. O ex-Beatle Paul McCartney foi igualmente ambíguo sobre um acordo em 2008, ao afirmar que havia ‘alguns pontos controversos’.

Yoko disse que seus comentários não refletiam necessariamente as opiniões dos outros três acionistas com partes iguais na Apple Corps —McCartney, Ringo Starr e Olivia Harrison, viúva de George Harrison. Mas ressaltou que o rancor do passado foi substituído pelo consenso, porque ‘estamos mais velhos e mais experientes’.

Yoko disse ainda que, apesar de a Apple Corps relutar quanto a entrar na era digital, está mais aberta a novas tecnologias. Seu atual diretor, Jeff Jones, foi o responsável pelo relançamento do catálogo e pelo videogame ‘Beatles: Rock Band’.

Parte dos direitos está nas mãos da Sony/ATV, que os administrava junto com Michael Jackson. O cantor pop comprara o catálogo da ATV Music Publishing em 1984, vendendo 50% para a Sony em 1995. A Sony/ATV já avisou que não se opõe à comercialização on-line das músicas, mas, sem a anuência da Apple Corps, não há acordo.

Yoko está conduzindo vários projetos para marcar o 70oaniversário de Lennon, em 9 de outubro, e os 30 anos de sua morte, em 8 de dezembro.

Além do documentário, serão relançados os álbuns ‘Imagine’, de 1971, e ‘Double Fantasy’, do ano de sua morte.

— Estou com 77 anos. Este pode ser meu último empreendimento, então estou me esforçando — disse Yoko.

 

COMUNICAÇÕES
EUA suspendem discussão sobre neutralidade da rede

A Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês) suspendeu na noite de quintafeira as discussões com empresas sobre a neutralidade na internet. O objetivo das negociações era obter consenso para levar ao Congresso um documento com regras sobre tráfego de dados na internet.

A decisão da FCC se seguiu a uma reportagem do ‘New York Times’ que afirmava que Google e Verizon estavam costurando um acordo para acelerar a transmissão de dados na internet para empresas que pagassem por esse privilégio. A gigante de buscas Google e a operadora Verizon negaram que estivessem discutindo tal acordo.

Uma porta-voz da FCC não disse se a decisão estava relacionada à reportagem — mas essa hipótese foi aventada por vários blogs especializados.

A FCC vem discutindo a neutralidade da rede com várias empresas desde junho, após provedores de internet e parlamentares se manifestarem contra a proposta do órgão de criar regras formais. Estas impediriam que provedores de banda larga bloqueassem ou tornassem mais lento, de modo seletivo, o tráfego na internet.

Google compra empresa de jogos para redes sociais A Google comprou ontem a empresa de jogos sociais Slide Inc. Os termos não foram divulgados, mas, segundo fontes, o valor teria sido de US$ 182 milhões, mais US$ 46 milhões em bônus a funcionários.

A Slide foi criada por Mark Levchin, co-fundador do site de pagamentos on-line PayPal. Os aplicativos da Slide, como ‘SPP Ranch!’ e ‘SuperPoke! Pets’, estão disponíveis no Facebook e outras redes sociais

 

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