Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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O Estado de S. Paulo

27/12/2006 na edição 413

INTERNET
Carlos Marchi

Cresce papel da internet no marketing político

‘Nas eleições de 2006 a internet influenciou o comportamento dos candidatos e começou a se consagrar como um mecanismo político-eleitoral, concluiu o estudo A Mídia e a Esfera Pública, feito por três professores da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Na véspera do primeiro turno, a participação de internautas em blogs políticos chegou a 2,5 milhões de audiências diárias; no You Tube, vídeos contra os presidenciáveis tiveram índices espetaculares de visualização.

Um dos autores do estudo, o pesquisador Marcelo Coutinho, prevê que nas eleições de 2008 e 2010 a influência da internet será bem maior. ‘Nessas eleições, a internet serviu para alimentar o eleitor orgânico ou engajado com informações que seriam depois reproduzidas por todas as mídias’, explica Coutinho.

O estudo detectou que os blogs foram muito utilizados como balão de ensaio de notícias que as campanhas queriam disseminar. ‘Nos dias de publicação de pesquisas’, conta ele, ‘as pessoas começavam a falar em números por volta do meio-dia. À tarde, parte da mídia tradicional já dava notícias baseando-se nos blogs, que tinham se baseado nos balões de ensaio.’

O vídeo contra o tucano Geraldo Alckmin mais visualizado no You Tube foi a entrevista a uma TV australiana bruscamente interrompida por ele depois que o repórter insistiu em perguntar sobre a repressão a rebeliões em presídios, que teria violado direitos humanos. A matéria inteira, postada no You Tube, teve 450 mil visualizações. O recorde de Lula foi a filmagem em que dizia que Pelotas era ‘exportadora de veados’ – 103 mil visualizações.

Coutinho diz que não pode projetar a importância da internet para as próximas eleições, mas estima que será crescente. Hoje, 30 milhões de eleitores têm conexão com a internet. Mas a tendência, explica, é que esse número aumente com rapidez.

Para ele, as eleições municipais de 2008 deverão ter grande influência da internet. ‘Em muitos municípios, mais de 40% do eleitorado tem acesso à internet. Nessas cidades, até pelas limitações da TV nas campanhas eleitorais municipais, a internet passará a desempenhar papel vital para decidir as eleições.’’


***

Vídeo no You Tube levou à derrota senador dos EUA

‘O Partido Democrata tem maioria no Senado americano por causa do You Tube. O site popularizou o vídeo em que o então senador republicano George Allen, favorito às eleições de Virgínia, chamava de ‘macaco’ um eleitor indiano que o filmava nos comícios.

Posto para fora do comício de Allen, o indiano postou o vídeo do xingamento no You Tube. Como 80% do eleitorado americano tem acesso à internet, a popularidade de Allen desabou em poucos dias e ele acabou derrotado.’


Renato Cruz

Lan house leva internet à periferia

‘Paulo José da Silva tem 23 anos e trabalha como vigilante. Ele chega a ficar seis horas conectado à internet. Ontem, às 23h30, conversava pelo MSN Messenger e ouvia música. Paulo não tem computador e acessa a rede numa lan house, em Jordanópolis, bairro de periferia da zona sul de São Paulo. ‘Venho aqui todo dia, duas ou três vezes por dia’, disse ele. ‘A primeira coisa que eu faço quando chego do trabalho é vir para cá.’

Os centros pagos de acesso público, como as lan houses, são o principal local de uso da internet para as classes C, D e E, segundo pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Os centros pagos são usados por 48,1% dos internautas das classes D e E. A pesquisa mostrou que, para quem tem renda familiar mensal de até R$ 1 mil, os centros pagos são o local de acesso mais usado.

Pelo menos nas grandes cidades, a inclusão digital da população de menor renda é feita, na realidade, pelas lan houses. A iniciativa privada, que cobra entre R$ 1 e R$ 2 por hora de uso, se mostra muito mais eficiente que o poder público, com programas de telecentros e acesso gratuito. A pesquisa do Comitê Gestor mostrou que somente 6,4% dos internautas das classes D e E recorrem aos centros gratuitos. Na classe C, o índice é menor ainda, de 4,13%.

Na periferia, o acesso à internet está sendo garantido por empreendedores como Paul Schöning, de 41 anos, dono da lan house Street Games, freqüentada por Paulo José da Silva. É um negócio de margens pequenas, com demanda em forte expansão. Schöning está expandindo a lan house, para passar de 28 para 45 computadores. Há dois anos no local, e quatro no mercado, a concorrência é cada vez maior. ‘Desde setembro, abriram mais três lan houses por aqui, num raio de menos de 100 metros. Eu deveria ter ampliado antes.’

A Street Games cobrava R$ 1,50 por hora de uso, e teve de baixar para R$ 1, preço cobrado pelos novos concorrentes. ‘O ideal seriam R$ 2, mas R$ 1,50 é bom’, disse Schöning. ‘Com R$ 1, eu praticamente empato receita e despesa.’ Para manter os custos baixos, ele mesmo monta e dá manutenção nos seus computadores e na sua rede, com ajuda de seu pai, que também se chama Paul Schöning. Até a bancada de madeira, onde ficam os computadores, foi construída por eles. A lan house tem três funcionários, registrados, e conta com um investimento de mais de R$ 20 mil em licenças de software.

Parte dos computadores é dedicada a jogos em rede e parte ao acesso à internet. Paulo José da Silva está interessado em acesso, que ele usa para se comunicar, se informar, se divertir e até encontrar trabalho. ‘Descobri a vaga no trabalho onde estou hoje pela internet’, disse Paulo, que está no emprego há três meses. ‘Enviei muitos currículos.’ Ele planeja comprar computador, assim que pagar algumas dívidas. Mesmo assim, continuará freqüentando a lan house. ‘Tenho muitos amigos que vêm aqui. Viria menos, mas não deixaria os amigos.’

Na favela de Heliópolis, a demanda por tecnologia também é grande. Os amigos Pedro Luís Campos, de 22 anos, e Carlos Alexandre Santos, de 25 anos, montaram uma lan house com 12 computadores no mês passado. Os dois trabalham como técnicos de informática em outras empresas, e se revezam no comando da lan house. ‘Sempre quis ter meu negócio, mas sozinho não tinha condições. Conversando com o Carlos, resolvemos ficar sócios’, disse Pedro.

Ele contou que, apesar de existirem pelo menos mais 10 lan houses em Heliópolis, existe espaço: ‘Às vezes tem gente esperando na porta quando abrimos, às 10h’. A idéia dos dois era fechar a lan house às 22h, mas normalmente ficam até depois da meia-noite. Cada hora de uso custa R$ 2. ‘A molecada não tem muita opção de divertimento por aqui.’

Michelle Lanice, de 20 anos, chega a ficar cinco horas na lan house, em Heliópolis. Ela preenchia planilhas de planejamento doméstico na semana passada e conversava pelo MSN Messenger. ‘Aprendi a usar sozinha, faz uns 3 ou 4 meses’, disse Michelle. ‘Tudo ficou mais fácil com o computador.’’

TELEVISÃO
Leila Reis

Portas abertas

‘Não se esperava muito da TV em 2006 por conta dos eventos que, por sua grandiosidade, ocupam espaços oceânicos. A Copa do Mundo e as eleições presidenciais, de certa maneira, modificaram o ritmo e suspenderam a rotina. Mesmo assim, o ano não foi ruim para a rede aberta e abriu bem os horizontes para a chamada produção independente.

Os indícios estão aí para comprovar a tese. O grande prêmio dos críticos paulistas (APCA) foi dado à série Filhos do Carnaval, de Cao Hambúrguer, produzida pelo canal HBO e O2, que também assina a série de cinco episódio Antônia, que a Globo acaba de exibir nas noites de sexta-feira.

A produtora O2, de Fernando Meirelles, também é a responsável pela série Cidade dos Homens que vem emplacando na grade da Globo há quatro anos.

A mesma premiação destacou, na categoria documentário, a série Chico Buarque de Hollanda, dirigida por Roberto Oliveira para a Bandeirantes/DirecTV. A APCA também premiou o programa Central da Periferia que, apesar de ter nascido e executado dentro da Globo, tem a cara independente de Regina Casé, que inventou e comanda tudo com o maior entusiasmo.

Essas produções, com exceção de Chico Buarque, confirmam uma tendência apontada no ano que passou: a de estar em curso uma certa inclusão social via TV, por meio de programas ambientados na periferia dos grandes centros urbanos e protagonizados por gente do povo.

É curioso notar que ao mesmo tempo que essa parcela pobre da população entra no vídeo pela porta da boa ficção, saem os programas sensacionalistas que usavam a desgraça das pessoas simples para fazer o show.

2006 deve ser lembrado como o ano em que felizmente sumiram do vídeo as tardes sangrentas (‘vendidas’ como jornalismo) e quase zerou a exposição das mazelas domésticas de cidadãos comuns (justificadas como assistência social). Deve ser um alívio para a maioria da massa telespectadora se ver na TV de uma maneira menos preconceituosa e mais cidadã.

É bom deixar registrado que o humor de qualidade esteve em alta este ano. A Grande Família atravessou 2006 com audiência quase de novela das oito. A Diarista e Sob Nova Direção, marcadas por grandes talentos de interpretação, conseguiram a estabilidade conquistada pelo Casseta & Planeta.

Olhando para a TV paga, é possível se notar uma certa persistência no investimento em programas nacionais. Nessa linha do quase-humor vale destacar o Irritando Fernanda Young (GNT), um talk-show personalista da escritora, roteirista e agora apresentadora, e a sitcom Cilada (Multishow), criada por Bruno Mazzeo. Para se ver, finalmente parece ter chegado a hora da TV paga valer pelo alto preço que cobra pela assinatura.’

***

Alta cotação

‘Copa do Mundo, eleições, CPIs, não faltaram assuntos de destaque na TV em 2006. Mesmo assim, a estrela da vez brilhou em outro lugar. Boa parte do sucesso de um dos sites mais acessados na internet este ano, o portal de vídeos Youtube, veio dos vídeos ligados à TV. São bastidores, imagens comprometedoras de artistas, gravações que não foram ao ar ou simplesmente cenas que valem muito a pena serem vistas de novo.

Lá é possível ver Silvio Santos em sua melhor forma caindo, no ar, em uma piscina cheia, destruindo seu famoso microfone e o laquê empenhado pelas mãos do Jassa. Tudo só para testar uma prova de seu programa. Rei de acessos, SS também é alvo de imagens históricas de sua candidatura-relâmpago à Presidência da República em 1989 e do bom e velho rei do auditório caindo em uma piada ‘suja’ de uma criança aparentemente inocente no extinto Domingo no Parque. Talvez esses sejam os únicos louros que SS colheu este ano. Louros do passado, pois o presente não tem sido tão glamouroso para sua emissora.

Artistas engavetados, constantes mudanças na programação, crise de afiliadas, queda de audiência, demissões: o SBT passa por um momento crucial. Perde espaço diariamente para a Record, que investiu pesado em teledramaturgia nacional em 2006, criando até uma central de estúdios no Rio voltada a essas produções, o Recnov. O nome marca uma postura da emissora que busca o segundo lugar em audiência – já conseguiu a consolidação em muitos horários – , a de copiar a Globo em tudo.

Além da Record, a Band também voltou a investir em novelas, acenando com um promissor crescimento do gênero em 2007. Tudo isso se reflete na enquete dos Melhores do Ano na TV realizada pelo TV & Lazer. No ar pelo portal do Estado na internet entre os dias 15 e 18 de dezembro, a enquete recebeu votos de leitores-telespectadores em 14 categorias.

Grande vencedor

‘A Grande Família’ venceu pelo segundo ano consecutivo nas categorias melhor programa e melhor humorístico. Obteve 45,3% dos votos como humorístico, deixando para trás o ‘Pânico na TV!’ (RedeTV!), o ‘Fantástico’ (Globo), a série ‘Antônia’ (Globo) e o ‘Gordo Freak Show’ (MTV). Na segunda categoria, Lineu e sua turma receberam 37,5% dos votos, batendo, de novo, a turma do ‘Pânico’, ‘A Diarista’ ( Globo), ‘Show do Tom’ (Record), ‘Minha Nada Mole Vida’ (Globo) e os Cassetas (Globo).

Melhor telejornal

O ‘Jornal Nacional’ (Globo) foi o preferido do público em 2006, vencendo na categoria com 50,6% dos votos. O ‘Jornal da Band’ vem na seqüência, com 21,5%, seguido pelo ‘Jornal da Cultura’, com 13,9%.

Melhor âncora

Novamente, Ana Paula Padrão (SBT) levou o primeiro lugar, com 23,9% dos votos. A enquete deste ano, diferentemente da de 2005, somou homens e mulheres em única categoria. O 2º lugar foi de Fátima Bernardes (Globo), seguida por Carlos Nascimento (Band-SBT). Ricardo Boechat (Band) e Willian Bonner (Globo) empataram em 4º.

Melhor série nacional

A saga de Juscelino Kubitschek, ‘JK’, arrebatou o primeiríssimo lugar entre as séries de TV de produção nacional do ano: 71,2% dos internautas preferiram a narrativa traçada com alicerces de telenovela a formatos menos convencionais, caso de ‘Filhos do Carnaval’, série da HBO em parceria com a 02 Filmes (14,4% dos votos), e de ‘Antônia’, da Globo e 02 Filmes (14,4%).

Melhor ator

Com 33,3%, Lázaro Ramos arrasou em ‘Cobras & Lagartos’. Foi seguido por Wagner Moura (‘JK’), Osmar Prado (‘Sinhá Moça’), Marcos Caruso (‘Páginas da Vida’), Reynaldo Gianecchini (‘Belíssima) e Gabriel Braga Nunes (‘Cidadão Brasileiro’).

Melhor reality show

Desta vez o ‘Big Brother Brasil’ levou a pior. Roberto Justus e sua terceira edição de ‘O Aprendiz’ (Record) venceram a categoria com 29,8% dos votos. O quadro ‘Dança dos Famosos’, do ‘Domingão do Faustão’ (Globo) veio em 2º lugar, com 23,3% dos votos, seguidos por ‘Supernanny’ (SBT), com 22,6%, ‘BBB 6’ – uma das edições mais fracas do programa em audiência e repercussão – , com 15,6%, e ‘Troca de Família’ (Record), com 8,5%.

Melhor comercial

Em ano de Copa, a campanha do Guaraná Antártica com o ídolo argentino Maradona vivendo o pesadelo de jogar na Seleção venceu a disputa, com 42,1% dos votos. A trave que se movimentava da Skol ficou em 2º, com 23%.

Melhor atriz

A disputa entre as vilãs foi acirrada nesse item, mas Lília Cabral se mostrou insuperável. Digamos que não é todo dia que uma avó se recusa a levar uma neta para casa. Lília venceu ninguém menos que Fernanda Montenegro e sua indomável Bia Falcão (‘Belíssima’). Como a cruel Marta de ‘Páginas da Vida’ , Lília recebeu 29,4% dos votos, seguida por Fernandona, que ficou com 25,7%. Cláudia Raia ficou em terceiro lugar com a hilária Safira (‘Belíssima’), 17,9%, seguida por Débora Falabella, protagonista de ‘Sinhá Moça’, com 13,3%, e por Irene Ravache (Katina em ‘Belíssima’), com 11,8%.

Vídeo da TV no Youtube

Silvio Santos, com a garotinha da piada do bambu, venceu com 30,5%, seguido por Daniella Cicarelli namorando na praia e pelo depoimento de uma senhora sobre orgasmo em ‘Páginas da Vida’.

Mico do ano

Daniella Cicarelli pagou o maior mico com seu vídeo caliente que circulou na internet. Recebeu 35,1% dos votos. A Globo se desculpando com Parreira pela leitura labial no ‘Fantástico’ ficou em 2º lugar, seguido por Fernando Vanucci ‘apagando’ em cena, na RedeTV!.

Série importada

Nem teve graça. ‘Lost’ (AXN) venceu disparado na categoria, com 42,6% dos votos. Deixou para trás ‘24Horas’(Fox), ‘CSI’(Sony), ‘Grey´s Anatomy’(Sony) e ‘Big Love’ (HBO).

Mesa-redonda esportiva

É tanto achismo , que o mais assumido deles, o ‘Rock & Gol’, da MTV, venceu com 22,1% dos votos, seguido pelo ‘Terceiro Tempo’ (Record), 20,9%, ‘Mesa Redonda’ (Gazeta), com 14,2%, ‘Linha de Passe’ (ESPN Brasil), 10,8% e ‘Bem Amigos’ (Sportv),9,8%.

Melhor novela

Bia Falcão não levou, mas ‘Belíssima’ (Globo), de Silvio de Abreu, foi considerada a melhor novela entre os participantes da enquete, com 32,2% dos votos. ‘Sinhá Moça’ (Globo) ficou em 2º lugar, com 20,1%, seguida por’Cobras & Lagartos’ (Globo), ‘Cidadão Brasileiro’ (Record) e ‘Prova de Amor’ (Record).’

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INTERNET
Carlos Marchi

Cresce papel da internet no marketing político

‘Nas eleições de 2006 a internet influenciou o comportamento dos candidatos e começou a se consagrar como um mecanismo político-eleitoral, concluiu o estudo A Mídia e a Esfera Pública, feito por três professores da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Na véspera do primeiro turno, a participação de internautas em blogs políticos chegou a 2,5 milhões de audiências diárias; no You Tube, vídeos contra os presidenciáveis tiveram índices espetaculares de visualização.

Um dos autores do estudo, o pesquisador Marcelo Coutinho, prevê que nas eleições de 2008 e 2010 a influência da internet será bem maior. ‘Nessas eleições, a internet serviu para alimentar o eleitor orgânico ou engajado com informações que seriam depois reproduzidas por todas as mídias’, explica Coutinho.

O estudo detectou que os blogs foram muito utilizados como balão de ensaio de notícias que as campanhas queriam disseminar. ‘Nos dias de publicação de pesquisas’, conta ele, ‘as pessoas começavam a falar em números por volta do meio-dia. À tarde, parte da mídia tradicional já dava notícias baseando-se nos blogs, que tinham se baseado nos balões de ensaio.’

O vídeo contra o tucano Geraldo Alckmin mais visualizado no You Tube foi a entrevista a uma TV australiana bruscamente interrompida por ele depois que o repórter insistiu em perguntar sobre a repressão a rebeliões em presídios, que teria violado direitos humanos. A matéria inteira, postada no You Tube, teve 450 mil visualizações. O recorde de Lula foi a filmagem em que dizia que Pelotas era ‘exportadora de veados’ – 103 mil visualizações.

Coutinho diz que não pode projetar a importância da internet para as próximas eleições, mas estima que será crescente. Hoje, 30 milhões de eleitores têm conexão com a internet. Mas a tendência, explica, é que esse número aumente com rapidez.

Para ele, as eleições municipais de 2008 deverão ter grande influência da internet. ‘Em muitos municípios, mais de 40% do eleitorado tem acesso à internet. Nessas cidades, até pelas limitações da TV nas campanhas eleitorais municipais, a internet passará a desempenhar papel vital para decidir as eleições.’’


***

Vídeo no You Tube levou à derrota senador dos EUA

‘O Partido Democrata tem maioria no Senado americano por causa do You Tube. O site popularizou o vídeo em que o então senador republicano George Allen, favorito às eleições de Virgínia, chamava de ‘macaco’ um eleitor indiano que o filmava nos comícios.

Posto para fora do comício de Allen, o indiano postou o vídeo do xingamento no You Tube. Como 80% do eleitorado americano tem acesso à internet, a popularidade de Allen desabou em poucos dias e ele acabou derrotado.’


Renato Cruz

Lan house leva internet à periferia

‘Paulo José da Silva tem 23 anos e trabalha como vigilante. Ele chega a ficar seis horas conectado à internet. Ontem, às 23h30, conversava pelo MSN Messenger e ouvia música. Paulo não tem computador e acessa a rede numa lan house, em Jordanópolis, bairro de periferia da zona sul de São Paulo. ‘Venho aqui todo dia, duas ou três vezes por dia’, disse ele. ‘A primeira coisa que eu faço quando chego do trabalho é vir para cá.’

Os centros pagos de acesso público, como as lan houses, são o principal local de uso da internet para as classes C, D e E, segundo pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Os centros pagos são usados por 48,1% dos internautas das classes D e E. A pesquisa mostrou que, para quem tem renda familiar mensal de até R$ 1 mil, os centros pagos são o local de acesso mais usado.

Pelo menos nas grandes cidades, a inclusão digital da população de menor renda é feita, na realidade, pelas lan houses. A iniciativa privada, que cobra entre R$ 1 e R$ 2 por hora de uso, se mostra muito mais eficiente que o poder público, com programas de telecentros e acesso gratuito. A pesquisa do Comitê Gestor mostrou que somente 6,4% dos internautas das classes D e E recorrem aos centros gratuitos. Na classe C, o índice é menor ainda, de 4,13%.

Na periferia, o acesso à internet está sendo garantido por empreendedores como Paul Schöning, de 41 anos, dono da lan house Street Games, freqüentada por Paulo José da Silva. É um negócio de margens pequenas, com demanda em forte expansão. Schöning está expandindo a lan house, para passar de 28 para 45 computadores. Há dois anos no local, e quatro no mercado, a concorrência é cada vez maior. ‘Desde setembro, abriram mais três lan houses por aqui, num raio de menos de 100 metros. Eu deveria ter ampliado antes.’

A Street Games cobrava R$ 1,50 por hora de uso, e teve de baixar para R$ 1, preço cobrado pelos novos concorrentes. ‘O ideal seriam R$ 2, mas R$ 1,50 é bom’, disse Schöning. ‘Com R$ 1, eu praticamente empato receita e despesa.’ Para manter os custos baixos, ele mesmo monta e dá manutenção nos seus computadores e na sua rede, com ajuda de seu pai, que também se chama Paul Schöning. Até a bancada de madeira, onde ficam os computadores, foi construída por eles. A lan house tem três funcionários, registrados, e conta com um investimento de mais de R$ 20 mil em licenças de software.

Parte dos computadores é dedicada a jogos em rede e parte ao acesso à internet. Paulo José da Silva está interessado em acesso, que ele usa para se comunicar, se informar, se divertir e até encontrar trabalho. ‘Descobri a vaga no trabalho onde estou hoje pela internet’, disse Paulo, que está no emprego há três meses. ‘Enviei muitos currículos.’ Ele planeja comprar computador, assim que pagar algumas dívidas. Mesmo assim, continuará freqüentando a lan house. ‘Tenho muitos amigos que vêm aqui. Viria menos, mas não deixaria os amigos.’

Na favela de Heliópolis, a demanda por tecnologia também é grande. Os amigos Pedro Luís Campos, de 22 anos, e Carlos Alexandre Santos, de 25 anos, montaram uma lan house com 12 computadores no mês passado. Os dois trabalham como técnicos de informática em outras empresas, e se revezam no comando da lan house. ‘Sempre quis ter meu negócio, mas sozinho não tinha condições. Conversando com o Carlos, resolvemos ficar sócios’, disse Pedro.

Ele contou que, apesar de existirem pelo menos mais 10 lan houses em Heliópolis, existe espaço: ‘Às vezes tem gente esperando na porta quando abrimos, às 10h’. A idéia dos dois era fechar a lan house às 22h, mas normalmente ficam até depois da meia-noite. Cada hora de uso custa R$ 2. ‘A molecada não tem muita opção de divertimento por aqui.’

Michelle Lanice, de 20 anos, chega a ficar cinco horas na lan house, em Heliópolis. Ela preenchia planilhas de planejamento doméstico na semana passada e conversava pelo MSN Messenger. ‘Aprendi a usar sozinha, faz uns 3 ou 4 meses’, disse Michelle. ‘Tudo ficou mais fácil com o computador.’’

TELEVISÃO
Leila Reis

Portas abertas

‘Não se esperava muito da TV em 2006 por conta dos eventos que, por sua grandiosidade, ocupam espaços oceânicos. A Copa do Mundo e as eleições presidenciais, de certa maneira, modificaram o ritmo e suspenderam a rotina. Mesmo assim, o ano não foi ruim para a rede aberta e abriu bem os horizontes para a chamada produção independente.

Os indícios estão aí para comprovar a tese. O grande prêmio dos críticos paulistas (APCA) foi dado à série Filhos do Carnaval, de Cao Hambúrguer, produzida pelo canal HBO e O2, que também assina a série de cinco episódio Antônia, que a Globo acaba de exibir nas noites de sexta-feira.

A produtora O2, de Fernando Meirelles, também é a responsável pela série Cidade dos Homens que vem emplacando na grade da Globo há quatro anos.

A mesma premiação destacou, na categoria documentário, a série Chico Buarque de Hollanda, dirigida por Roberto Oliveira para a Bandeirantes/DirecTV. A APCA também premiou o programa Central da Periferia que, apesar de ter nascido e executado dentro da Globo, tem a cara independente de Regina Casé, que inventou e comanda tudo com o maior entusiasmo.

Essas produções, com exceção de Chico Buarque, confirmam uma tendência apontada no ano que passou: a de estar em curso uma certa inclusão social via TV, por meio de programas ambientados na periferia dos grandes centros urbanos e protagonizados por gente do povo.

É curioso notar que ao mesmo tempo que essa parcela pobre da população entra no vídeo pela porta da boa ficção, saem os programas sensacionalistas que usavam a desgraça das pessoas simples para fazer o show.

2006 deve ser lembrado como o ano em que felizmente sumiram do vídeo as tardes sangrentas (‘vendidas’ como jornalismo) e quase zerou a exposição das mazelas domésticas de cidadãos comuns (justificadas como assistência social). Deve ser um alívio para a maioria da massa telespectadora se ver na TV de uma maneira menos preconceituosa e mais cidadã.

É bom deixar registrado que o humor de qualidade esteve em alta este ano. A Grande Família atravessou 2006 com audiência quase de novela das oito. A Diarista e Sob Nova Direção, marcadas por grandes talentos de interpretação, conseguiram a estabilidade conquistada pelo Casseta & Planeta.

Olhando para a TV paga, é possível se notar uma certa persistência no investimento em programas nacionais. Nessa linha do quase-humor vale destacar o Irritando Fernanda Young (GNT), um talk-show personalista da escritora, roteirista e agora apresentadora, e a sitcom Cilada (Multishow), criada por Bruno Mazzeo. Para se ver, finalmente parece ter chegado a hora da TV paga valer pelo alto preço que cobra pela assinatura.’

***

Alta cotação

‘Copa do Mundo, eleições, CPIs, não faltaram assuntos de destaque na TV em 2006. Mesmo assim, a estrela da vez brilhou em outro lugar. Boa parte do sucesso de um dos sites mais acessados na internet este ano, o portal de vídeos Youtube, veio dos vídeos ligados à TV. São bastidores, imagens comprometedoras de artistas, gravações que não foram ao ar ou simplesmente cenas que valem muito a pena serem vistas de novo.

Lá é possível ver Silvio Santos em sua melhor forma caindo, no ar, em uma piscina cheia, destruindo seu famoso microfone e o laquê empenhado pelas mãos do Jassa. Tudo só para testar uma prova de seu programa. Rei de acessos, SS também é alvo de imagens históricas de sua candidatura-relâmpago à Presidência da República em 1989 e do bom e velho rei do auditório caindo em uma piada ‘suja’ de uma criança aparentemente inocente no extinto Domingo no Parque. Talvez esses sejam os únicos louros que SS colheu este ano. Louros do passado, pois o presente não tem sido tão glamouroso para sua emissora.

Artistas engavetados, constantes mudanças na programação, crise de afiliadas, queda de audiência, demissões: o SBT passa por um momento crucial. Perde espaço diariamente para a Record, que investiu pesado em teledramaturgia nacional em 2006, criando até uma central de estúdios no Rio voltada a essas produções, o Recnov. O nome marca uma postura da emissora que busca o segundo lugar em audiência – já conseguiu a consolidação em muitos horários – , a de copiar a Globo em tudo.

Além da Record, a Band também voltou a investir em novelas, acenando com um promissor crescimento do gênero em 2007. Tudo isso se reflete na enquete dos Melhores do Ano na TV realizada pelo TV & Lazer. No ar pelo portal do Estado na internet entre os dias 15 e 18 de dezembro, a enquete recebeu votos de leitores-telespectadores em 14 categorias.

Grande vencedor

‘A Grande Família’ venceu pelo segundo ano consecutivo nas categorias melhor programa e melhor humorístico. Obteve 45,3% dos votos como humorístico, deixando para trás o ‘Pânico na TV!’ (RedeTV!), o ‘Fantástico’ (Globo), a série ‘Antônia’ (Globo) e o ‘Gordo Freak Show’ (MTV). Na segunda categoria, Lineu e sua turma receberam 37,5% dos votos, batendo, de novo, a turma do ‘Pânico’, ‘A Diarista’ ( Globo), ‘Show do Tom’ (Record), ‘Minha Nada Mole Vida’ (Globo) e os Cassetas (Globo).

Melhor telejornal

O ‘Jornal Nacional’ (Globo) foi o preferido do público em 2006, vencendo na categoria com 50,6% dos votos. O ‘Jornal da Band’ vem na seqüência, com 21,5%, seguido pelo ‘Jornal da Cultura’, com 13,9%.

Melhor âncora

Novamente, Ana Paula Padrão (SBT) levou o primeiro lugar, com 23,9% dos votos. A enquete deste ano, diferentemente da de 2005, somou homens e mulheres em única categoria. O 2º lugar foi de Fátima Bernardes (Globo), seguida por Carlos Nascimento (Band-SBT). Ricardo Boechat (Band) e Willian Bonner (Globo) empataram em 4º.

Melhor série nacional

A saga de Juscelino Kubitschek, ‘JK’, arrebatou o primeiríssimo lugar entre as séries de TV de produção nacional do ano: 71,2% dos internautas preferiram a narrativa traçada com alicerces de telenovela a formatos menos convencionais, caso de ‘Filhos do Carnaval’, série da HBO em parceria com a 02 Filmes (14,4% dos votos), e de ‘Antônia’, da Globo e 02 Filmes (14,4%).

Melhor ator

Com 33,3%, Lázaro Ramos arrasou em ‘Cobras & Lagartos’. Foi seguido por Wagner Moura (‘JK’), Osmar Prado (‘Sinhá Moça’), Marcos Caruso (‘Páginas da Vida’), Reynaldo Gianecchini (‘Belíssima) e Gabriel Braga Nunes (‘Cidadão Brasileiro’).

Melhor reality show

Desta vez o ‘Big Brother Brasil’ levou a pior. Roberto Justus e sua terceira edição de ‘O Aprendiz’ (Record) venceram a categoria com 29,8% dos votos. O quadro ‘Dança dos Famosos’, do ‘Domingão do Faustão’ (Globo) veio em 2º lugar, com 23,3% dos votos, seguidos por ‘Supernanny’ (SBT), com 22,6%, ‘BBB 6’ – uma das edições mais fracas do programa em audiência e repercussão – , com 15,6%, e ‘Troca de Família’ (Record), com 8,5%.

Melhor comercial

Em ano de Copa, a campanha do Guaraná Antártica com o ídolo argentino Maradona vivendo o pesadelo de jogar na Seleção venceu a disputa, com 42,1% dos votos. A trave que se movimentava da Skol ficou em 2º, com 23%.

Melhor atriz

A disputa entre as vilãs foi acirrada nesse item, mas Lília Cabral se mostrou insuperável. Digamos que não é todo dia que uma avó se recusa a levar uma neta para casa. Lília venceu ninguém menos que Fernanda Montenegro e sua indomável Bia Falcão (‘Belíssima’). Como a cruel Marta de ‘Páginas da Vida’ , Lília recebeu 29,4% dos votos, seguida por Fernandona, que ficou com 25,7%. Cláudia Raia ficou em terceiro lugar com a hilária Safira (‘Belíssima’), 17,9%, seguida por Débora Falabella, protagonista de ‘Sinhá Moça’, com 13,3%, e por Irene Ravache (Katina em ‘Belíssima’), com 11,8%.

Vídeo da TV no Youtube

Silvio Santos, com a garotinha da piada do bambu, venceu com 30,5%, seguido por Daniella Cicarelli namorando na praia e pelo depoimento de uma senhora sobre orgasmo em ‘Páginas da Vida’.

Mico do ano

Daniella Cicarelli pagou o maior mico com seu vídeo caliente que circulou na internet. Recebeu 35,1% dos votos. A Globo se desculpando com Parreira pela leitura labial no ‘Fantástico’ ficou em 2º lugar, seguido por Fernando Vanucci ‘apagando’ em cena, na RedeTV!.

Série importada

Nem teve graça. ‘Lost’ (AXN) venceu disparado na categoria, com 42,6% dos votos. Deixou para trás ‘24Horas’(Fox), ‘CSI’(Sony), ‘Grey´s Anatomy’(Sony) e ‘Big Love’ (HBO).

Mesa-redonda esportiva

É tanto achismo , que o mais assumido deles, o ‘Rock & Gol’, da MTV, venceu com 22,1% dos votos, seguido pelo ‘Terceiro Tempo’ (Record), 20,9%, ‘Mesa Redonda’ (Gazeta), com 14,2%, ‘Linha de Passe’ (ESPN Brasil), 10,8% e ‘Bem Amigos’ (Sportv),9,8%.

Melhor novela

Bia Falcão não levou, mas ‘Belíssima’ (Globo), de Silvio de Abreu, foi considerada a melhor novela entre os participantes da enquete, com 32,2% dos votos. ‘Sinhá Moça’ (Globo) ficou em 2º lugar, com 20,1%, seguida por’Cobras & Lagartos’ (Globo), ‘Cidadão Brasileiro’ (Record) e ‘Prova de Amor’ (Record).’

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