Domingo, 09 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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ENTRE ASPAS >

O Estado de S. Paulo

02/05/2006 na edição 379

LULA & IMPRENSA
Tânia Monteiro

Agora Lula quer ficar de bem com a imprensa

‘Durante três anos e meio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viveu às turras com a imprensa. Foi acusado de inclinações totalitaristas ao patrocinar o projeto de criação do Conselho Nacional de Jornalismo, idéia enterrada sob uma avalanche de críticas. E ainda ameaçou expulsar do País o jornalista Larry Rohter, correspondente do conceituado The New York Times. Na quarta-feira, Lula comandará no Palácio do Planalto a solenidade de assinatura da Declaração de Chapultepec, um tratado internacional que defende a liberdade de imprensa.

A assinatura da declaração faz parte de uma estratégia de reaproximação com os jornalistas cujo objetivo é desfazer a imagem negativa consolidada ao longo de seu governo. A data do evento foi escolhida a dedo: 3 de maio é o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa.

A ofensiva do governo incluiu dois importantes passos de bastidor. Em 2 de fevereiro, o porta-voz do Planalto, André Singer, aproveitou uma passagem por Nova York para visitar a redação do NYT, onde se avistou com o editor-executivo Bill Keller. Dois meses depois, em 6 de abril, Singer almoçou com Larry Rohter no restaurante do Clube de Golfe de Brasília.

No início de 2004, o mesmo Rohter esteve sob ameaça de ter o visto de trabalho cassado pelo governo brasileiro depois de escrever uma reportagem sobre o hábito de beber do presidente. Após muitos protestos, o Planalto recuou e desistiu da expulsão do jornalista, não sem antes Rohter se retratar afirmando que não queria ofender o presidente. O sonho do governo, agora, é conseguir que o NYT publique uma reportagem positiva sobre Lula.

Chapultepec é o nome da cidade mexicana em que foi lançada, em 1994, a declaração em defesa da liberdade de imprensa. Foi uma iniciativa da Sociedade Interamericana de Imprensa. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso assinou a declaração em 1996, um ano e meio depois de ter assumido seu primeiro mandato. Lula assinará a sete meses do fim de seu governo.

Em seu prefácio, a declaração faz referência à intolerância dos governantes com a imprensa. O texto lembra que ‘políticos que declaram sua fé na democracia são seguidamente intolerantes diante das críticas públicas’ e ‘setores sociais atribuem à imprensa culpas inexistentes, juízes mal esclarecidos exigem que os jornalistas divulguem as fontes que devem permanecer sigilosas, servidores autoritários negam aos cidadãos o acesso às informações públicas, inclusive as Constituições de alguns países democráticos contêm certas restrições à imprensa’.

Singer afirma que o objetivo do Planalto com a assinatura da declaração é ‘colocar nos trilhos’ a relação com a imprensa: ‘Trata-se de uma iniciativa do presidente Lula, cujo objetivo é reiterar o compromisso de seu governo com a liberdade de imprensa.’ O esforço para melhorar a relação com a mídia começou de forma sutil em outubro do ano passado, depois da crise do mensalão, quando Lula passou a dar entrevistas informais, o que não acontecia até então.

Durante do escândalo provocado pela violação da conta bancária do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o presidente manteve distância de jornalistas. Mas agora passou a atender à imprensa onde quer que seja abordado.’



***

Fotógrafo do ‘Estado’ foi agredido por seguranças

‘Um assessor da Secretaria de Imprensa da Presidência e cinco seguranças do Palácio do Planalto agrediram na tarde de quinta-feira o repórter fotográfico do Estado Celso Júnior. O incidente ocorreu após a posse da ministra Ellen Gracie na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), no exato momento em que ela se despedia, do lado de fora do prédio, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O repórter fotográfico conseguiu se colocar em frente ao carro estacionado nos fundos do STF para levar Lula ao Palácio do Planalto. Ao perceber a presença de Celso Júnior no local, o operador de reportagem da Secretaria de Imprensa, Francisco Novaes, agarrou o fotógrafo pelo braço. Celso Júnior conseguiu se desvencilhar, mas o assessor puxou-o pelo pescoço, deu-lhe dois socos no rosto e o impediu de registrar a cena em que Lula se despedia da ministra.

Quando o fotógrafo conseguiu, mais uma vez, se livrar do assessor, dois seguranças do Planalto correram e o seguraram pelos braços, enquanto ele tentava preservar a máquina. Outros três seguranças acompanharam os dois colegas e o assessor no momento em que estes arrastavam Celso Júnior até uma grade, colocada para afastar manifestantes, e uma árvore, a cerca de três metros do carro. Celso Júnior, que não conseguiu fazer imagens de Ellen e Lula, ficou preso no local até a saída do presidente. No momento da agressão, outros fotógrafos estavam atrás, pois não tinham conseguido sair com rapidez do plenário do STF, onde ocorrera a posse da ministra.

Minutos antes da agressão, outro segurança deu um soco no estômago do repórter Leonencio Nossa, do Estado, que revidou com outro soco, pois essas agressões nunca são reconhecidas pelo Planalto. O segurança disse que iria guardar a fisionomia do repórter. Diante da ameaça, o jornalista pediu que ele guardasse também o nome e exigiu do agressor que se identificasse. O segurança se afastou, limitando-se a dizer que era para o profissional procurar o senhor Francisco Novaes.

A Presidência culpou o STF. Assessores do Planalto argumentaram que o segurança trabalha no Supremo e se eximiram de responsabilidade num evento com a presença do presidente da República. O esquema de segurança desses eventos é montado por todos os órgãos envolvidos. O Palácio do Planalto costuma argumentar que os jornalistas entram em áreas restritas. Mas, quase sempre, essas áreas, definidas unilateralmente pela Presidência, são as únicas onde os repórteres podem captar, sem prejuízo para a informação, uma imagem não oficial de Lula e do governo.’



PRÊMIO ESSO, 50 ANOS
O Estado de S. Paulo

Prêmio Esso celebra aniversário de 50 anos

‘O Prêmio Esso de Jornalismo está completando 50 anos. Desde 1956 já premiou 630 trabalhos de reportagens e de fotografias. Os jornalistas que receberam maior número de prêmios foram o repórter Carlos Wagner, do jornal Zero Hora de Porto Alegre e o fotógrafo Reginaldo Manente, que trabalhou 29 anos no Estado, com quatro prêmios.’



BRASIL NO ESTADÃO
O Estado de S. Paulo

Amanhã, um novo retrato do Brasil

‘Quarta edição do especial publicado pelo ‘Estado’ aponta as mudanças vividas pela indústria nacional

O Estado publica amanhã Retratos do Brasil, um caderno especial de reportagens que, em sua quarta edição, aproveitará o Dia do Trabalho para mostrar as mudanças sofridas pela indústria brasileira ao longo dos últimos 30 anos e o impacto na vida dos trabalhadores.

‘Vamos mostrar o mundo do trabalho, as mudanças nas fábricas, o que melhorou, o que piorou. Tudo isso por meio de histórias de vida’, explica Laura Greenhalgh, a editora da quarta edição do caderno, A Fábrica.

O objetivo de Retratos do Brasil é resgatar os textos narrativos que buscam mostrar uma mesma realidade a partir da ótica de diferentes personagens.

Do lado de cima, por exemplo, o empresário falará sobre seu trabalho à frente da maior indústria exportadora do mundo de sapatinhos de criança. Do lado de baixo, o operário contará como é trabalhar numa fábrica de alta tecnologia que produz pequenas válvulas para o coração. Do lado de fora, a costureira de uma cooperativa relatará como é fazer roupas dia e noite para uma grande confecção sem ter a carteira de trabalho assinada.

‘No jornal, às vezes não conseguimos fazer esse tipo de reportagem por causa da cobertura das notícias decisivas do dia-a-dia’, explica Flávio Pinheiro, editor-chefe do Estado. ‘Nas notícias diárias, os protagonistas são sempre os mesmos. Claro que temos de mostrá-los, mas não podemos ficar presos a eles. Estamos num país de 180 milhões de pessoas. Temos muitas histórias para contar.’

Os temas das três primeiras edições de Retratos do Brasil foram as armas (o caderno saiu às vésperas do referendo do desarmamento), o consumo (perto do Natal) e as mulheres (ocasião do Dia Internacional da Mulher).

A quarta edição terá 36 páginas. Grampeada e em tamanho A4, será parecida com uma revista. Logo após o primeiro número, o Estado fez uma enquete que mostrou que os assinantes aprovaram o formato do caderno, que já é adotado por jornais europeus.

Os cadernos são publicados aproximadamente a cada dois meses. Até o fim do ano, o leitor receberá mais quatro números de Retratos do Brasil.’



TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Ethevaldo Siqueira

IPTV foi a grande estrela de Las Vegas

‘Imagine, leitor, a possibilidade de receber seus programas favoritos de TV, a qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer aparelho, seja ele televisor, computador, celular, PDA ou monitor em veículos. Não é sonho, não. Tudo isso será possível em menos de cinco anos, com a TV sobre Protocolo IP (ou IPTV, na sigla internacional). Com ela, teremos à disposição milhares de opções de programas, para recepção nos mais diversos ambientes tecnológicos, como a internet, a telefonia fixa, o celular, o DTH (via satélite), o cabo, a rede elétrica (powerline communications) ou as redes sem fio Wi-Fi ou WiMax.

A IPTV foi a grande estrela da NAB-2006, evento realizado na semana passada, aqui em Las Vegas, numa promoção da National Association of Broadcasters (NAB), ou seja, a Associação Norte-Americana de Radiodifusores. Embora não seja ainda realidade comercial, a televisão sobre protocolo IP já é uma realidade tecnológica.

Mas, perguntaria o leitor, que é IPTV? Segundo especialistas da Accenture, é uma forma de televisão distribuída sobre rede IP de banda larga, que oferece a mais ampla flexibilidade ao espectador, permitindo-lhe não apenas escolher o que ver, mas, também, onde, quando e em que tipo de aparelho ou dispositivo assistir a seus programas.

Mais do que uma tendência, a IPTV se tornou realidade tecnológica, graças ao envolvimento de empresas de porte e investimentos de bilhões de dólares em seu desenvolvimento. Paul Otellini, CEO da Intel, diz que ‘as comportas da barragem estão rompidas e, portanto, não há mais como segurar a avalanche’. Entre as grandes corporações que investem em seu desenvolvimento, estão a Microsoft, Cisco, Google, Yahoo, Samsung, NEC, Sony, Intel, Siemens, Toshiba, Texas Instruments e a Accenture.

EVOLUÇÃO

Como sabemos, a televisão nasceu analógica e em preto-e-branco, ainda em laboratório, em 1926. Como comunicação de massa, no entanto, ela só se tornou realidade a partir do final da Segunda Guerra Mundial, em 1946, nos Estados Unidos e na Europa. E chegou ao Brasil apenas quatro anos depois de sua introdução nos Estados Unidos, ou seja, em 1950. No mundo, as transmissões comerciais em cores só aconteceram nos anos 1960. E, no Brasil, em 1972. A digitalização começou no final da década de 1990. Com a ascensão da internet, o protocolo IP (internet protocol) acabou se transformando numa espécie de padrão mundial de fato.

Como subproduto da internet, a IPTV integra o conjunto das redes de nova geração, conhecidas como NGN, de New Generation Networks, que são redes IP de banda larga. Desde 1991, o mundo começou a especular sobre a possibilidade de criação de uma TV com essas características, com base nos padrões da internet.

DESAFIOS

O maior desafio para se implementar a IPTV é o custo da infra-estrutura. Mas a nova TV precisará ainda de padrões que lhe assegurem qualidade de serviço (QoS, na sigla em inglês), interoperabilidade e a ubiqüidade que lhe garanta recepção em qualquer lugar, a qualquer hora, em qualquer aparelho ou dispositivo.

Agora, o desenvolvimento tecnológico mais avançado já convence a maioria dos radiodifusores e técnicos de que a IPTV será uma realidade inelutável. Além disso, a União Internacional das Telecomunicações (UIT), agência especializada das Nações Unidas para esse setor, anunciou há três semanas sua decisão de padronizar mundialmente a IPTV.

Para os empreendedores, tanto de radiodifusão quanto de telecomunicações, o desafio é a formulação do modelo de negócio mais adequado à viabilização da IPTV.

Uma coisa é certa: com a chegada da nova televisão, o ambiente de comunicação eletrônica de massa tende a tornar-se ainda mais competitivo e diversificado, possibilitando a entrada de novos fornecedores de conteúdo, de empresas de informação e de operadoras de telecomunicações.

ULTRA HIGH DEFINITION

A NAB-2006 mostrou avanços incríveis. A velocidade das mudanças tecnológicas é tão grande que, embora a TV digital de alta definição (HDTV) ainda não tenha se consolidado nem nos países industrializados, os japoneses já desenvolvem aquela que deverá sucedê-la, ou seja, a Ultra High Definition Television (UHTV) ou Ultra High Definition Video (UHDV), que terá resolução 16 vezes maior do que a atual alta definição.

Enquanto a TV de alta definição tem, no mínimo, 1.080 linhas de 1.600 pixels (ou 1,8 milhão de pixels), a futura UHTV terá uma imagem formada por 7.680 linhas de 4.320 pixels cada uma, ou seja, um total de 32 milhões de pixels. Com definição assim elevada, os monitores poderão chegar a 450 polegadas de diagonal, ou seja, 11,43 metros, e oferecer 20 canais de áudio de alta fidelidade. A UHTV só deverá tornar-se realidade comercial por volta de 2015 a 2020. Para ver de perto as primeiras demonstrações dessa tecnologia, centenas de pessoas na NAB-2006 enfrentaram filas no estande da NHK, a TV estatal japonesa.

Com 1.215 pessoas, o Brasil teve a maior delegação internacional de visitantes presentes à NAB-2006. O total de visitantes inscritos no evento superou 105 mil pessoas.’



TELEVISÃO
Leila Reis

Auto-estima em pauta

‘A interminável torrente de denúncias envolvendo falcatruas em variadas instâncias de poder – de Câmaras de vereadores de lugarejos remotos a superministérios, de governos estaduais ao Congresso Nacional – dá uma bela baixada no moral da tropa Brasil. Como o hit da banda de rock, a frase emblema desta era não poderia deixar de ser ‘Que país é este?’

Assim cada demonstração de impunidade que sucede as denúncias corrói acidamente a auto-estima do cidadão de bem. A novela Cobras & Lagartos traz um personagem que ilustra magistralmente a visão que o brasileiro tem de si. Foguinho, interpretado por Lázaro Ramos, é um virador que faz o que pode e não pode para sobreviver. Mora em um quarto cheio de goteiras, ganha a vida fazendo o que aparece – trabalha de ‘homem-sanduíche’ de placas de compra e venda de ouro – se acha feio e sem sorte. Por isso, a estupefação quando uma garota o convida para um passeio (De sanduíche? admira-se), lhe dá um beijo e ainda por cima propõe namoro. ‘Como eu? Nem minha mãe me acha bonito!’

Em outro canal, mais um indício do desvalor que nos acomete. No reality show Ìdolos, no SBT, candidatos a pop stars têm quase a mesma reação ao serem desclassificados. Ao contrário de protestar, demonstrar irritação, se indignar mesmo, os jovens aspirantes à carreira de cantor aceitam o veredicto com uma abnegação dolorida, uníssona. ‘Desta vez não deu’, ‘Vou continuar tentando’, ‘Fazer o quê?’ Quase pedem desculpas por não serem bons o suficiente, abraçam totalmente a culpa e nem sequer cogitam haver um equívoco por parte do júri que os rejeitaram. E olha que se tratam de pessoas com qualidade artística, que já passaram por peneiras que barraram milhares.

Talvez seja por causa desse complexo de inferioridade que a mídia – em especial a televisão – agarra sempre com estrondoso entusiasmo qualquer oportunidade para ufanar-se da nossa brasilidade positiva.

Esse orgulho sempre encontrou respaldo no futebol, terreno em que temos certeza de que somos bons desde que Pelé começou a mostrar a que veio nos anos 50. Ayrton Senna renovou essa autovalorização no automobilismo até sua morte. Na verdade, a TV bate tambor de tempos em tempos, especialmente quando nossos craques aparecem liderando rankings – de eficiência em campo ou na conta bancária. A entrada de Ronaldinho Gaúcho na lista planetária dos milionários, por exemplo, foi reportagem em todos os telejornais e nas reprises deles. São nessas oportunidades que baixa o espírito Galvão Bueno em todos os canais e recantos da programação: ‘Brasil-il-il-il-il…’

O argumento atual de que brasileiro é vencedor responde pelo nome de Marcos Pontes. A saga do cosmonauta brasileiro, alçado à condição de herói nacional antes, durante e depois da missão do foguete russo ao espaço, foi tão exacerbadamente explorada pela TV que passou da conta.

O número de horas gastas com as peripécias do coronel Pontes não se justificou pelas pautas. A ida das equipes de reportagem a escolas de Bauru (cidade natal do astronauta) para mostrar, em rede nacional, as experiências de alunos com sementes de feijão semelhantes às desenvolvidas no espaço foram repetitivas e vazias. As falas das crianças, manifestando o desejo de ser astronauta ou tornar-se cientistas, foram tentativas pálidas de mostrar o bom exemplo que o herói plantou nas novas gerações.

Até que o coronel Marcos Pontes criou fatos para justificar novas reportagens. O chapéu à Santos Dumont, por exemplo. Mas sem informação, fica difícil preencher o tempo. Assim o que se viu foram entrevistas desprovidas de conteúdo e tocadas fortemente pelo provincianismo. A biografia de Pontes foi revisitada sob todos os pontos de vista, dando ênfase sempre ao sonho de voar. Está certo: nós somos capazes de voar. Agora a TV pode dar um tempo das injeções de ânimo por conta da missão espacial. Por favor.’



******************

Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

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O Estado de S. Paulo – 1

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02/05/2006 na edição 379

LULA & IMPRENSA
Tânia Monteiro

Agora Lula quer ficar de bem com a imprensa

‘Durante três anos e meio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viveu às turras com a imprensa. Foi acusado de inclinações totalitaristas ao patrocinar o projeto de criação do Conselho Nacional de Jornalismo, idéia enterrada sob uma avalanche de críticas. E ainda ameaçou expulsar do País o jornalista Larry Rohter, correspondente do conceituado The New York Times. Na quarta-feira, Lula comandará no Palácio do Planalto a solenidade de assinatura da Declaração de Chapultepec, um tratado internacional que defende a liberdade de imprensa.

A assinatura da declaração faz parte de uma estratégia de reaproximação com os jornalistas cujo objetivo é desfazer a imagem negativa consolidada ao longo de seu governo. A data do evento foi escolhida a dedo: 3 de maio é o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa.

A ofensiva do governo incluiu dois importantes passos de bastidor. Em 2 de fevereiro, o porta-voz do Planalto, André Singer, aproveitou uma passagem por Nova York para visitar a redação do NYT, onde se avistou com o editor-executivo Bill Keller. Dois meses depois, em 6 de abril, Singer almoçou com Larry Rohter no restaurante do Clube de Golfe de Brasília.

No início de 2004, o mesmo Rohter esteve sob ameaça de ter o visto de trabalho cassado pelo governo brasileiro depois de escrever uma reportagem sobre o hábito de beber do presidente. Após muitos protestos, o Planalto recuou e desistiu da expulsão do jornalista, não sem antes Rohter se retratar afirmando que não queria ofender o presidente. O sonho do governo, agora, é conseguir que o NYT publique uma reportagem positiva sobre Lula.

Chapultepec é o nome da cidade mexicana em que foi lançada, em 1994, a declaração em defesa da liberdade de imprensa. Foi uma iniciativa da Sociedade Interamericana de Imprensa. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso assinou a declaração em 1996, um ano e meio depois de ter assumido seu primeiro mandato. Lula assinará a sete meses do fim de seu governo.

Em seu prefácio, a declaração faz referência à intolerância dos governantes com a imprensa. O texto lembra que ‘políticos que declaram sua fé na democracia são seguidamente intolerantes diante das críticas públicas’ e ‘setores sociais atribuem à imprensa culpas inexistentes, juízes mal esclarecidos exigem que os jornalistas divulguem as fontes que devem permanecer sigilosas, servidores autoritários negam aos cidadãos o acesso às informações públicas, inclusive as Constituições de alguns países democráticos contêm certas restrições à imprensa’.

Singer afirma que o objetivo do Planalto com a assinatura da declaração é ‘colocar nos trilhos’ a relação com a imprensa: ‘Trata-se de uma iniciativa do presidente Lula, cujo objetivo é reiterar o compromisso de seu governo com a liberdade de imprensa.’ O esforço para melhorar a relação com a mídia começou de forma sutil em outubro do ano passado, depois da crise do mensalão, quando Lula passou a dar entrevistas informais, o que não acontecia até então.

Durante do escândalo provocado pela violação da conta bancária do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o presidente manteve distância de jornalistas. Mas agora passou a atender à imprensa onde quer que seja abordado.’



***

Fotógrafo do ‘Estado’ foi agredido por seguranças

‘Um assessor da Secretaria de Imprensa da Presidência e cinco seguranças do Palácio do Planalto agrediram na tarde de quinta-feira o repórter fotográfico do Estado Celso Júnior. O incidente ocorreu após a posse da ministra Ellen Gracie na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), no exato momento em que ela se despedia, do lado de fora do prédio, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O repórter fotográfico conseguiu se colocar em frente ao carro estacionado nos fundos do STF para levar Lula ao Palácio do Planalto. Ao perceber a presença de Celso Júnior no local, o operador de reportagem da Secretaria de Imprensa, Francisco Novaes, agarrou o fotógrafo pelo braço. Celso Júnior conseguiu se desvencilhar, mas o assessor puxou-o pelo pescoço, deu-lhe dois socos no rosto e o impediu de registrar a cena em que Lula se despedia da ministra.

Quando o fotógrafo conseguiu, mais uma vez, se livrar do assessor, dois seguranças do Planalto correram e o seguraram pelos braços, enquanto ele tentava preservar a máquina. Outros três seguranças acompanharam os dois colegas e o assessor no momento em que estes arrastavam Celso Júnior até uma grade, colocada para afastar manifestantes, e uma árvore, a cerca de três metros do carro. Celso Júnior, que não conseguiu fazer imagens de Ellen e Lula, ficou preso no local até a saída do presidente. No momento da agressão, outros fotógrafos estavam atrás, pois não tinham conseguido sair com rapidez do plenário do STF, onde ocorrera a posse da ministra.

Minutos antes da agressão, outro segurança deu um soco no estômago do repórter Leonencio Nossa, do Estado, que revidou com outro soco, pois essas agressões nunca são reconhecidas pelo Planalto. O segurança disse que iria guardar a fisionomia do repórter. Diante da ameaça, o jornalista pediu que ele guardasse também o nome e exigiu do agressor que se identificasse. O segurança se afastou, limitando-se a dizer que era para o profissional procurar o senhor Francisco Novaes.

A Presidência culpou o STF. Assessores do Planalto argumentaram que o segurança trabalha no Supremo e se eximiram de responsabilidade num evento com a presença do presidente da República. O esquema de segurança desses eventos é montado por todos os órgãos envolvidos. O Palácio do Planalto costuma argumentar que os jornalistas entram em áreas restritas. Mas, quase sempre, essas áreas, definidas unilateralmente pela Presidência, são as únicas onde os repórteres podem captar, sem prejuízo para a informação, uma imagem não oficial de Lula e do governo.’



PRÊMIO ESSO, 50 ANOS
O Estado de S. Paulo

Prêmio Esso celebra aniversário de 50 anos

‘O Prêmio Esso de Jornalismo está completando 50 anos. Desde 1956 já premiou 630 trabalhos de reportagens e de fotografias. Os jornalistas que receberam maior número de prêmios foram o repórter Carlos Wagner, do jornal Zero Hora de Porto Alegre e o fotógrafo Reginaldo Manente, que trabalhou 29 anos no Estado, com quatro prêmios.’



BRASIL NO ESTADÃO
O Estado de S. Paulo

Amanhã, um novo retrato do Brasil

‘Quarta edição do especial publicado pelo ‘Estado’ aponta as mudanças vividas pela indústria nacional

O Estado publica amanhã Retratos do Brasil, um caderno especial de reportagens que, em sua quarta edição, aproveitará o Dia do Trabalho para mostrar as mudanças sofridas pela indústria brasileira ao longo dos últimos 30 anos e o impacto na vida dos trabalhadores.

‘Vamos mostrar o mundo do trabalho, as mudanças nas fábricas, o que melhorou, o que piorou. Tudo isso por meio de histórias de vida’, explica Laura Greenhalgh, a editora da quarta edição do caderno, A Fábrica.

O objetivo de Retratos do Brasil é resgatar os textos narrativos que buscam mostrar uma mesma realidade a partir da ótica de diferentes personagens.

Do lado de cima, por exemplo, o empresário falará sobre seu trabalho à frente da maior indústria exportadora do mundo de sapatinhos de criança. Do lado de baixo, o operário contará como é trabalhar numa fábrica de alta tecnologia que produz pequenas válvulas para o coração. Do lado de fora, a costureira de uma cooperativa relatará como é fazer roupas dia e noite para uma grande confecção sem ter a carteira de trabalho assinada.

‘No jornal, às vezes não conseguimos fazer esse tipo de reportagem por causa da cobertura das notícias decisivas do dia-a-dia’, explica Flávio Pinheiro, editor-chefe do Estado. ‘Nas notícias diárias, os protagonistas são sempre os mesmos. Claro que temos de mostrá-los, mas não podemos ficar presos a eles. Estamos num país de 180 milhões de pessoas. Temos muitas histórias para contar.’

Os temas das três primeiras edições de Retratos do Brasil foram as armas (o caderno saiu às vésperas do referendo do desarmamento), o consumo (perto do Natal) e as mulheres (ocasião do Dia Internacional da Mulher).

A quarta edição terá 36 páginas. Grampeada e em tamanho A4, será parecida com uma revista. Logo após o primeiro número, o Estado fez uma enquete que mostrou que os assinantes aprovaram o formato do caderno, que já é adotado por jornais europeus.

Os cadernos são publicados aproximadamente a cada dois meses. Até o fim do ano, o leitor receberá mais quatro números de Retratos do Brasil.’



TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
Ethevaldo Siqueira

IPTV foi a grande estrela de Las Vegas

‘Imagine, leitor, a possibilidade de receber seus programas favoritos de TV, a qualquer hora, em qualquer lugar, em qualquer aparelho, seja ele televisor, computador, celular, PDA ou monitor em veículos. Não é sonho, não. Tudo isso será possível em menos de cinco anos, com a TV sobre Protocolo IP (ou IPTV, na sigla internacional). Com ela, teremos à disposição milhares de opções de programas, para recepção nos mais diversos ambientes tecnológicos, como a internet, a telefonia fixa, o celular, o DTH (via satélite), o cabo, a rede elétrica (powerline communications) ou as redes sem fio Wi-Fi ou WiMax.

A IPTV foi a grande estrela da NAB-2006, evento realizado na semana passada, aqui em Las Vegas, numa promoção da National Association of Broadcasters (NAB), ou seja, a Associação Norte-Americana de Radiodifusores. Embora não seja ainda realidade comercial, a televisão sobre protocolo IP já é uma realidade tecnológica.

Mas, perguntaria o leitor, que é IPTV? Segundo especialistas da Accenture, é uma forma de televisão distribuída sobre rede IP de banda larga, que oferece a mais ampla flexibilidade ao espectador, permitindo-lhe não apenas escolher o que ver, mas, também, onde, quando e em que tipo de aparelho ou dispositivo assistir a seus programas.

Mais do que uma tendência, a IPTV se tornou realidade tecnológica, graças ao envolvimento de empresas de porte e investimentos de bilhões de dólares em seu desenvolvimento. Paul Otellini, CEO da Intel, diz que ‘as comportas da barragem estão rompidas e, portanto, não há mais como segurar a avalanche’. Entre as grandes corporações que investem em seu desenvolvimento, estão a Microsoft, Cisco, Google, Yahoo, Samsung, NEC, Sony, Intel, Siemens, Toshiba, Texas Instruments e a Accenture.

EVOLUÇÃO

Como sabemos, a televisão nasceu analógica e em preto-e-branco, ainda em laboratório, em 1926. Como comunicação de massa, no entanto, ela só se tornou realidade a partir do final da Segunda Guerra Mundial, em 1946, nos Estados Unidos e na Europa. E chegou ao Brasil apenas quatro anos depois de sua introdução nos Estados Unidos, ou seja, em 1950. No mundo, as transmissões comerciais em cores só aconteceram nos anos 1960. E, no Brasil, em 1972. A digitalização começou no final da década de 1990. Com a ascensão da internet, o protocolo IP (internet protocol) acabou se transformando numa espécie de padrão mundial de fato.

Como subproduto da internet, a IPTV integra o conjunto das redes de nova geração, conhecidas como NGN, de New Generation Networks, que são redes IP de banda larga. Desde 1991, o mundo começou a especular sobre a possibilidade de criação de uma TV com essas características, com base nos padrões da internet.

DESAFIOS

O maior desafio para se implementar a IPTV é o custo da infra-estrutura. Mas a nova TV precisará ainda de padrões que lhe assegurem qualidade de serviço (QoS, na sigla em inglês), interoperabilidade e a ubiqüidade que lhe garanta recepção em qualquer lugar, a qualquer hora, em qualquer aparelho ou dispositivo.

Agora, o desenvolvimento tecnológico mais avançado já convence a maioria dos radiodifusores e técnicos de que a IPTV será uma realidade inelutável. Além disso, a União Internacional das Telecomunicações (UIT), agência especializada das Nações Unidas para esse setor, anunciou há três semanas sua decisão de padronizar mundialmente a IPTV.

Para os empreendedores, tanto de radiodifusão quanto de telecomunicações, o desafio é a formulação do modelo de negócio mais adequado à viabilização da IPTV.

Uma coisa é certa: com a chegada da nova televisão, o ambiente de comunicação eletrônica de massa tende a tornar-se ainda mais competitivo e diversificado, possibilitando a entrada de novos fornecedores de conteúdo, de empresas de informação e de operadoras de telecomunicações.

ULTRA HIGH DEFINITION

A NAB-2006 mostrou avanços incríveis. A velocidade das mudanças tecnológicas é tão grande que, embora a TV digital de alta definição (HDTV) ainda não tenha se consolidado nem nos países industrializados, os japoneses já desenvolvem aquela que deverá sucedê-la, ou seja, a Ultra High Definition Television (UHTV) ou Ultra High Definition Video (UHDV), que terá resolução 16 vezes maior do que a atual alta definição.

Enquanto a TV de alta definição tem, no mínimo, 1.080 linhas de 1.600 pixels (ou 1,8 milhão de pixels), a futura UHTV terá uma imagem formada por 7.680 linhas de 4.320 pixels cada uma, ou seja, um total de 32 milhões de pixels. Com definição assim elevada, os monitores poderão chegar a 450 polegadas de diagonal, ou seja, 11,43 metros, e oferecer 20 canais de áudio de alta fidelidade. A UHTV só deverá tornar-se realidade comercial por volta de 2015 a 2020. Para ver de perto as primeiras demonstrações dessa tecnologia, centenas de pessoas na NAB-2006 enfrentaram filas no estande da NHK, a TV estatal japonesa.

Com 1.215 pessoas, o Brasil teve a maior delegação internacional de visitantes presentes à NAB-2006. O total de visitantes inscritos no evento superou 105 mil pessoas.’



TELEVISÃO
Leila Reis

Auto-estima em pauta

‘A interminável torrente de denúncias envolvendo falcatruas em variadas instâncias de poder – de Câmaras de vereadores de lugarejos remotos a superministérios, de governos estaduais ao Congresso Nacional – dá uma bela baixada no moral da tropa Brasil. Como o hit da banda de rock, a frase emblema desta era não poderia deixar de ser ‘Que país é este?’

Assim cada demonstração de impunidade que sucede as denúncias corrói acidamente a auto-estima do cidadão de bem. A novela Cobras & Lagartos traz um personagem que ilustra magistralmente a visão que o brasileiro tem de si. Foguinho, interpretado por Lázaro Ramos, é um virador que faz o que pode e não pode para sobreviver. Mora em um quarto cheio de goteiras, ganha a vida fazendo o que aparece – trabalha de ‘homem-sanduíche’ de placas de compra e venda de ouro – se acha feio e sem sorte. Por isso, a estupefação quando uma garota o convida para um passeio (De sanduíche? admira-se), lhe dá um beijo e ainda por cima propõe namoro. ‘Como eu? Nem minha mãe me acha bonito!’

Em outro canal, mais um indício do desvalor que nos acomete. No reality show Ìdolos, no SBT, candidatos a pop stars têm quase a mesma reação ao serem desclassificados. Ao contrário de protestar, demonstrar irritação, se indignar mesmo, os jovens aspirantes à carreira de cantor aceitam o veredicto com uma abnegação dolorida, uníssona. ‘Desta vez não deu’, ‘Vou continuar tentando’, ‘Fazer o quê?’ Quase pedem desculpas por não serem bons o suficiente, abraçam totalmente a culpa e nem sequer cogitam haver um equívoco por parte do júri que os rejeitaram. E olha que se tratam de pessoas com qualidade artística, que já passaram por peneiras que barraram milhares.

Talvez seja por causa desse complexo de inferioridade que a mídia – em especial a televisão – agarra sempre com estrondoso entusiasmo qualquer oportunidade para ufanar-se da nossa brasilidade positiva.

Esse orgulho sempre encontrou respaldo no futebol, terreno em que temos certeza de que somos bons desde que Pelé começou a mostrar a que veio nos anos 50. Ayrton Senna renovou essa autovalorização no automobilismo até sua morte. Na verdade, a TV bate tambor de tempos em tempos, especialmente quando nossos craques aparecem liderando rankings – de eficiência em campo ou na conta bancária. A entrada de Ronaldinho Gaúcho na lista planetária dos milionários, por exemplo, foi reportagem em todos os telejornais e nas reprises deles. São nessas oportunidades que baixa o espírito Galvão Bueno em todos os canais e recantos da programação: ‘Brasil-il-il-il-il…’

O argumento atual de que brasileiro é vencedor responde pelo nome de Marcos Pontes. A saga do cosmonauta brasileiro, alçado à condição de herói nacional antes, durante e depois da missão do foguete russo ao espaço, foi tão exacerbadamente explorada pela TV que passou da conta.

O número de horas gastas com as peripécias do coronel Pontes não se justificou pelas pautas. A ida das equipes de reportagem a escolas de Bauru (cidade natal do astronauta) para mostrar, em rede nacional, as experiências de alunos com sementes de feijão semelhantes às desenvolvidas no espaço foram repetitivas e vazias. As falas das crianças, manifestando o desejo de ser astronauta ou tornar-se cientistas, foram tentativas pálidas de mostrar o bom exemplo que o herói plantou nas novas gerações.

Até que o coronel Marcos Pontes criou fatos para justificar novas reportagens. O chapéu à Santos Dumont, por exemplo. Mas sem informação, fica difícil preencher o tempo. Assim o que se viu foram entrevistas desprovidas de conteúdo e tocadas fortemente pelo provincianismo. A biografia de Pontes foi revisitada sob todos os pontos de vista, dando ênfase sempre ao sonho de voar. Está certo: nós somos capazes de voar. Agora a TV pode dar um tempo das injeções de ânimo por conta da missão espacial. Por favor.’



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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

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