Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 23 E 24/06

O Estado de S. Paulo

27/06/2007 na edição 439

TELEVISÃO
Jotabê Medeiros

TV deve ser apartidária, diz Markun

‘Paulo Markun oferece ao interlocutor, mas adverte: é o último cafezinho servido na bandeja na sala da diretoria – agora ele também vai cortar o café. Daqui em diante, só pagando. A sala do presidente também se despede de suas funções: doravante, tudo funciona em colegiado, todos numa só sala. É parte da blitz de austeridade que o novo presidente da Fundação Padre Anchieta, gestora da TV Cultura, anuncia na chegada ao cargo.

‘O exemplo tem de vir de cima’, justifica Markun, 36 anos de jornalismo, em entrevista ao Estado na manhã de quinta-feira. Antes de falar, fez questão de mostrar a nova ‘geopolítica’ da fundação – a sala espartana onde se reúnem os diretores, os chefes de núcleo, a marcenaria, a sala de figurinos e de costura. Ele pretende usar o know-how da emissora nas áreas de figurinos e cenários e criar centros de formação, em convênios com a Secretaria de Estado da Educação.

Os planos já são ambiciosos: em 2008, nas celebrações dos 200 anos da chegada da família real ao Brasil, vai ser composto um pool inédito de emissoras públicas para a produção de uma série em cinco capítulos. A TV Cultura encabeça o projeto, que está orçado inicialmente em R$ 6 milhões.

O sr. já fez um diagnóstico. Qual é o nó principal a ser resolvido nessa primeira fase de sua gestão?

Mais do que a austeridade, há dois aspectos que são relacionados entre si. Aqui era uma TV que tinha uma fundação como seu braço burocrático, e a gente vai inverter. É uma fundação que tem uma TV como seu braço midiático. É óbvio que para o grande público, se fala em Fundação Padre Anchieta, todo mundo conhece a TV e ignora a fundação. E isso não vai mudar. Agora, essa distorção provocava isso que você viu aqui: uma estrutura burocrática muito grande, muito lenta, e muito distanciada da televisão. Não tinha resposta automática, o que é necessário ter, para assegurar suas decisões. As atividades-meios eram mais importantes que as atividades-fins. O novo modelo de gestão já estou implantando. Que é descentralizar, agilizar, reunir em forma de colegiado, e ao mesmo tempo com funcionamento hierárquico, o que pode parecer um contra-senso. Mas não é assembléia, existe uma hierarquia. Outra coisa necessária é buscar mais investimentos. Estamos fazendo isso junto ao governo do Estado, anunciantes privados e prestadores de serviços. Para que possamos modernizar, enfrentar a digitalização e ter mais recursos para fazer as coisas.

Essa história dos recursos sempre ocupou a maior parte do tempo de todos seus antecessores no cargo.

O que estou pleiteando, junto ao governo do Estado, à Secretaria da Cultura, é o simples recomposição dos recursos históricos. No final do governo Alckmin e no primeiro do governo Serra, há uma situação na qual você registra menos R$ 10 milhões em relação à média do período entre 1999 e 2007. Isso foi compensado pelo aumento de recursos próprios: esforço de marketing, venda de publicidade, de serviços, patrocínio. Quero voltar à série histórica. Não é possível isso. Estou argumentando e tenho condições de explicar o que vamos fazer com esse dinheiro. Vamos melhorar a qualidade do produto. Sem qualquer delírio. Tenho o compromisso verbal do secretário João Sayad, que interpreta a posição do governo, de que isso vai acontecer. Isso foi dito aqui na reunião do conselho no qual tomei posse. Isso já dá mais um gás. Mas vou buscar recursos do governo federal, apoios e patrocínios, prestação de serviços.

O sr. mencionou o governo federal. Já ouvi de outros presidentes da fundação reclamações em relação à atitude do governo com a TV Cultura. O Franklin Martins agora é um canal mais aberto?

Tive duas conversas com o ministro Franklin Martins. Nós fomos colegas de TV, temos uma boa relação pessoal. Tudo que tenho ouvido dele, o discurso em relação à TV pública federal é muito compatível com aquilo que a fundação pratica. Mas ainda é só discurso, temos de esperar para ver. Mas em relação à distribuição de verbas federais para as TVs públicas, ele e o presidente Lula já assumiram, no Fórum da TV Pública, que será diferente de agora em diante.

Há um estigma de que as TVs públicas são partidarizadas. A Cultura recebe cerca de R$ 80 milhões do governo estadual, é ligada portanto ao governo. Qual é o grau de independência possível nessa relação?

Com relação a episódios do passado, eu posso falar só pelo Roda Viva. E tenho orgulho da maneira como (o programa) se comportou. De modo geral. Pode ter, ali e aqui, havido algum tipo de deslize. Mas eu acho que foi equilibrado, mesmo na cobertura da crise, do mensalão. Não posso falar pelo resto, porque não participei das decisões. Com relação à autonomia e independência da fundação, isso tem de ser assegurado pelo conselho, que tem apenas um terço de representantes do governo de São Paulo. A esse conselho, eu apresentei uma plataforma, que previa que vamos cumprir o que está na Constituição: que a televisão tem de ser apartidária, distante de grupos políticos, religiosos, culturais, etc. Confio nas informações do secretário, que transmite a posição do governador, que não terá nenhuma interferência.

O sr. já teve uma conversa com o governador Serra?

Estive com ele, publicamente, na Virada Cultural. Conversamos rapidamente, eu já era o candidato indicado, tive todo o apoio dos conselheiros que são ligados ao governo. Mas não houve conversa particular nenhuma. Vou pedir uma audiência para ele para tratar das questões institucionais, mas quero chegar a ele com uma proposta muito clara. Não se trata de oferecer nada para o governo, mas para a sociedade. Essa idéia da construção da TV pública é muito antiga, é uma batalha. Não terminou. Muitas vezes há setores, dentro do governo, que encaram assim: ‘Mas aquilo ali é nosso, somos nós que pagamos.’ Primeiro, é que hoje em dia é apenas 50% dos recursos, acho que tem de ser mais. Depois, que isso não é do governo, é da sociedade. Não é uma área de oposição a qualquer governo, mas a favor do cidadão, da cidadania.

Recebemos cartas no jornal de leitores que acham que certo tipo de publicidade descaracterizou a TV Cultura. Como vê essa questão?

Nós não vendemos audiência, nós vendemos uma causa, que é ajudar a TV Cultura. Nesse processo, em razão até mesmo das dificuldades de recursos, em certos momentos acho que a TV pode ter ido com muita sede ao pote, anunciar produtos que não têm a ver. Precisamos aperfeiçoar o modelo que vigora, para buscar uma definição mais clara.

A minissérie A Pedra do Reino, na Rede Globo, levantou uma discussão sobre como se deve avançar na busca da qualidade na linguagem da TV. O sr. viu a série?

Não vi a série, infelizmente. A Globo, em mais de uma ocasião, já fez projetos, quase sempre com o mesmo diretor, de qualidade excepcional. Acho que ela dá uma contribuição à cultura brasileira quando faz isso. Só gostaria que isso acontecesse também aqui, e não só lá. Acho que já está acontecendo. É o caso do projeto Direções, com supervisão do Antunes Filho. A Cultura sempre foi um espaço de ousadia e inovação. De um tempo para cá, ela perdeu um pouco isso, talvez buscando melhores resultados de audiência, não sei. O que tenho usado como mantra é o Artigo 3º do Estatuto: contribuir para a formação crítica do homem e o exercício da cidadania. Senão a gente perde o rumo. No ano que vem, vamos intensificar a busca da inovação, da ousadia, mesmo com risco de errar.

Audiência não é uma preocupação sua? Nunca?

É preciso buscar a maior amplitude de público possível, mas dentro da missão. O Vlado (Vladimir Herzog) e o Fernando Jordão tinham uma frase: ‘Que adianta fazer uma TV que ninguém vê?’ Não adianta. Mas também que adianta fazer uma TV que é exatamente igual à TV comercial? Também não adianta. Cancelei o Sumo TV porque não tem a ver com o escopo do nosso projeto, que não é meu, é do estatuto da fundação. Se a fundação incorporar esse conceito, e o guardião disso é a direção, fica tudo mais fácil.

Outra imagem clássica da TV pública é que é um cabide de empregos. Suas primeiras medidas parecem corroborar isso: cortou cargos, demitiu. O sr. acha que a TV Cultura está gorda?

Com certeza não está no ponto. O que eu não tenho dito, me posicionando irresponsavelmente, é avaliar o quanto, aonde está gorda e como fica mais magra. Avaliar o corpo todo que está aqui. Tenho alguma experiência na vida privada como empresário, e muita, como jornalista, de acompanhar o processo de cortes. Em muitas delas, esse corte é feito a partir de um porcentual, 10%, 20%, e aí se corta indiscriminadamente. Aqui há pessoas de talento, de extrema competência, muitas delas subutilizadas; e também pessoas e setores que já poderiam estar aposentados. Precisamos saber qual o projeto, que pessoas precisamos. As iniciativas que tenho tomado, nesse primeiro momento, é dar o exemplo de cima para baixo. Aqui, na chamada alta administração, que é um termo horrível, você tem condições de ser mais ágil, mais eficiente, com menos gente.’

***

Audiência vigiada

‘A disputa pela audiência ficará mais acirrada. A partir de agora as emissoras e as agências de publicidade poderão ter informações bem mais detalhadas em um clique. Pelo menos é o que propõe o novo software para análise de dados de TV, o Media Workstation (MW), recém-lançado pelo Ibope Mídia.

O aparelho, que começa a ser instalado em agências e emissoras no próximo mês, permitirá análises de audiência, alcance e afinidade do público com a programação e facilitará pesquisas retroativas com dados desde 2000. O software também permitirá o estudo segundo a segundo de toda a programação. Assim, será possível verificar qual assunto teve mais perda ou ganho de audiência, quais foram os jogos do Campeonato Brasileiro que tiveram melhor performance com muito mais facilidade.

O Brasil é o 13º país do mundo a adquirir a tecnologia e também deverá ser um dos primeiros a implantar novas formas de aferir audiência. Em um futuro próximo, daqui a três ou cinco anos, o Ibope não vai só medir a audiência por meio dos televisores, mas via celular, MP3… Uma espécie de Ibope móvel que vai captar informações de todos os ambientes percorridos pela pessoa monitorada. Quase um Big Brother.

Na Argentina

Em viagem a Buenos Aires no último feriado, Serginho Groisman visitou as mães da Praça de Maio. A reportagem especial vai ao ar no Altas Horas de hoje, que também traz uma matéria de bastidores com o grupo Blue Man Group.

Entre-linhas

O Aprendiz 4 – O Sócio ficou em primeiro lugar no ibope anteontem, registrando média de 13 pontos, ante 12 da Globo e 10 do SBT. Por 44 minutos, o programa manteve-se na liderança. A atração foi ao ar das 23h08 à 0h19.

Didi Wagner desembarcou esta semana no Brasil para gravar matérias para o seu Lugar (In)Comum e, de quebra, participar do programa do colega de emissora Edgar Picolli, no Multishow.

Nesta terça-feira, o ator Edson Celulari grava uma participação especial no programa Casseta & Planeta Urgente!.

A TV Cultura recebeu pedidos de telespectadores e exibirá amanhã, pela segunda vez, o Ensaio especial em homenagem aos 80 anos de Fernando Faro, com participação de artistas como Paulinho da Viola, Zeca Baleiro e Vanessa da Mata e depoimento de Chico Buarque. Vai ao ar das 19 às 21 horas.

O reality show Simple Life – Mudando de Vida, estrelado por Karina Bacchi e Ticiane Pinheiro, estréia no dia 3, na Record.

Depois de passar mal durante a apresentação do Jornal Nacional de terça-feira, Fátima Bernandes recebeu orientação dos médicos para pegar mais leve com o trabalho.

Após passear por várias atrações da casa, a miss Brasil Nathália Guimarães entrou na mira da Globo para apresentar um quadro no Mais Você.’

CENSURA NA BAHIA
O Estado de S. Paulo

Juíza proíbe críticas a prefeito de Salvador

‘A juíza Silvia Lúcia Bonifácio Andrade Carvalho, da 2.ª Vara de Salvador, acatou pedido do prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) e proibiu o Grupo Metrópole, que tem rádio, revista, um site na internet e um blog, de fazer ‘alusões e referências explícitas ou implícitas, depreciativas ao nome, à honra, ao caráter, à intimidade, à vida privada e à imagem’ do prefeito. A ordem é extensiva a ‘outdoors, busdoors, mobiliários urbanos ou matérias, pagas ou não, em outros meios de comunicação’. O presidente do grupo, Mário Kertesz, vai recorrer. ‘É um atentado à liberdade de imprensa’, reagiu.’

ECOS DA GUERRA FRIA
O Estado de S. Paulo

Arquivos da CIA revelam segredos da Guerra Fria

‘WP e EFE – O diretor da CIA, Michael Hayden, anunciou que serão abertas cerca de 700 páginas de documentos secretos que mostram em detalhes as atividades ilegais da agência nos anos 50, 60 e 70. As ‘jóias da família’, como são conhecidos os documentos, incluem espionagem, seqüestros, infiltração de agentes em movimentos negros e tentativas de assassinato.

‘A maioria das revelações serão desagradáveis, mas fazem parte da história da CIA’, afirmou Hayden. Os Arquivos de Segurança Nacional, grupo de estudo dependente da Universidade George Washington que se dedica à pesquisa de documentos secretos, sustenta que o material mostra que ‘a agência violou seus próprios estatutos durante 25 anos’.

Os documentos começaram a ser recolhidos em 1973, quando o então diretor da CIA, James Schlesinger, alarmado pela participação da agência no caso Watergate, ordenou que fosse informado sobre as operações ilegais de inteligência. William Colby, sucessor de Schlesinger, herdou então uma coleção de arquivos secretos.

Ali estão os planos para matar Fidel Castro, o revolucionário congolês Patrice Lumumba, o ditador dominicano Rafael Trujillo e o chefe do Exército do Chile, o general René Schneider, morto em 1970. Os arquivos também comprovam que a CIA reuniu prontuários sobre 10 mil cidadãos americanos. Entre os deslizes legais está a interceptação de quatro cartas endereçadas à atriz Jane Fonda, que então militava contra a Guerra do Vietnã.

Um documento de janeiro de 1975 revela detalhes sobre o pânico que a eventual abertura dos arquivos causava no governo do então presidente Gerald Ford. O clima de terror era ilustrado até pela maneira como William Colby referia-se aos arquivos: ‘Esqueletos no armário da CIA.’

O memorando, assinado pelo então secretário de Estado Henry Kissinger e endereçado ao presidente Ford, alerta que, caso as operações da CIA fossem reveladas, ‘muito sangue seria derramado’. ‘Por exemplo’, escreveu Kissinger, ‘Robert Kennedy se encarregou pessoalmente de uma operação para assassinar Fidel’, afirmou, citando o irmão do presidente Kennedy, que ocupou o cargo de secretário de Justiça entre 1961 e 1964, e foi assassinado em 1968. Em uma aparente referência ao golpe militar de 1973, que derrubou presidente chileno, Salvador Allende, Kissinger deixa uma mensagem intrincada: ‘A coisa chilena não está em relatório algum.’’

***

Cheney retém liberação de documentos

‘AP – Henry Waxman, presidente da Comissão de Reformas Administrativas da Câmara dos Representantes, enviou ontem uma carta ao vice-presidente Dick Cheney criticando-o por não enviar documentos secretos à Administração Nacional dos Arquivos e Registros, órgão que fiscaliza ações do governo. Waxman afirmou que Cheney não só esconde documentos como também teria tentado acabar com o organismo de controle. Os arquivos guardados a sete chaves pelo vice-presidente são processos sem importância, mas o caso é grave, segundo Waxman, por causa da fixação de Cheney em reter os documentos.’

VENEZUELA
Ruth Costas

Presidente da RCTV falará no Senado brasileiro

‘com EFE – O presidente da emissora venezuelana Rádio Caracas Televisão (RCTV), Marcel Granier, deve comparecer na quinta-feira à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado brasileiro para expor a sua versão sobre a polêmica do fim das transmissões da rede.

Aprovado na quinta-feira pela comissão, o convite foi uma proposta do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que ontem assegurou ao Estado que ele já foi aceito. ‘A confirmação foi feita pelo ex-embaixador venezuelano no Brasil, Milos Alcalay, que acompanhará Granier na visita’, disse Azeredo. ‘O presidente da RCTV deve chegar à Brasília na quinta-feira de manhã.’

No ar há 53 anos, a RCTV era a emissora mais popular da Venezuela e a única de alcance nacional que se mantinha na oposição ao presidente venezuelano Hugo Chávez. No dia 27, porém, ela saiu do ar porque o governo se recusou a renovar a sua licença para transmitir pelo canal 2.

As justificativas foram muitas. Primeiro, Chávez acusou os diretores da emissoras (e em especial Granier) de apoiar o golpe que lhe tirou do poder por 48 horas em 2002 – fato admitido até por setores da posição. Depois, disse que a emissora não a cumpriu com compromissos legais e fiscais e, por fim, passou a atacar a sua programação por ter, segundo o presidente, ‘excesso de violência e pornografia’.

Desde que a RCTV saiu do ar, milhares de estudantes venezuelanos estão organizando passeatas para para pedir a sua volta e Chávez tem sido o alvo de uma série de críticas de organizações internacionais e países, preocupados com a liberdade de expressão na Venezuela.

No Brasil, há três semanas o Senado aprovou uma resolução condenando o fechamento da emissora e pedindo sua revisão. Em resposta, Chávez, acusou o Congresso brasileiro de ser um ‘papagaio’ do Legislativo americano, o que criou um grave incidente diplomático entre os dois países.

A oposição brasileira no Senado já ameaçou rejeitar o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul nas votações da Casa. Agora, ela diz que levará a discussão sobre o fim das transmissões da RCTV para o Parlamento do bloco, que deverá se reunir no final do mês em Montevidéu.

‘O Brasil pediu para tratarmos do tema da RCTV e a mesa diretora (do Legislativo regional) aceitou’, disse o deputado uruguaio Roberto Conde, que assumirá a presidência do Parlamento do Mercosul em dois dias. Segundo Conde, as autoridades venezuelanas já foram informadas sobre a solicitação e não se opuseram a ela.’

PUBLICIDADE
Marili Ribeiro

Brasil termina Festival de Cannes com 30 Leões

‘O Brasil termina o 54º Festival Internacional de Publicidade de Cannes com 30 Leões, dois a mais que o número conseguido no ano passado. Os dois últimos prêmios – dois Bronzes – para as agências brasileiras serão anunciados hoje na categoria Filmes. Os filmes premiados são Transformer Boxes, da DM9DDB para a Luft Logística, e In a Man’s Life, da Santa Clara para o canal Discovery.

Apesar do aumento no número de prêmios, os publicitários acham que o País precisa melhorar ainda mais, principalmente na categoria Filmes, a de maior prestígio do Festival, que termina oficialmente hoje. ‘Conseguimos um bom resultado este ano, mas precisamos melhorar’, disse o presidente da Fischer América, Antônio Fadiga. ‘O Brasil tem de voltar a ser o que já foi.’ Em 2004, o País ganhou 43 Leões.

Para o presidente da Euro RSCG Brasil, Duílio Malfatti, o desempenho do País foi abaixo do esperado. ‘Só dois Leões em Filmes, a categoria mais nobre do Festival, é muito pouco’, disse. ‘É a prova de que estamos errando em alguma coisa.’

Celso Loducca, presidente da Loducca – e que foi jurado em Cannes exatamente em Filmes – tem defendido, entretanto, que não é a criatividade do publicitário brasileiro que diminuiu. O que mudou é o perfil do mercado. Segundo ele, a publicidade brasileira vem sendo prejudicada em festivais como o de Cannes pelo aumento da importância das campanhas de varejo no País, já que essas campanhas têm de ser mais simples e objetivas.

O vice-presidente de criação da Euro RSCG Brasil, Jader Rosseto, é outro que acha que o problema do Brasil em Cannes está nos filmes para televisão. ‘Em Impressos o País está bem’, disse. Este ano, o Brasil ganhou três Leões de Ouro, um de Prata e três de Bronze em Impressos.

Rosseto lembra ainda que, muito provavelmente, uma agência da Argentina, que sempre teve desempenho inferior ao do Brasil em Cannes, deve ganhar o Grand Prix – maior premiação em cada categoria – em Campanhas Integradas (prêmio conhecido como Titanium Lions). Essa categoria é importante, segundo os publicitários, por apontar o futuro da propaganda, que é a utilização de várias mídias ao mesmo tempo. O Brasil não teve nenhuma campanha entre as finalistas dessa categoria.

O Brasil recebeu no Festival de Cannes deste ano sete Leões em Impressos, nove em Internet, sete em Outdoor, três em Planejamento de Mídia, dois em Filmes, um em Rádio e um em Marketing Direto.’

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Al Gore recebe prêmio especial

‘Reuters – O ex-vice-presidente americano Al Gore fez ontem um discurso no Festival Internacional de Publicidade de Cannes pedindo que as principais agências do mundo trabalhem – comercialmente ou voluntariamente – na promoção do movimento contra o aquecimento global. ‘Queremos seus mais criativos profissionais e seu tempo para que possamos criar as mais poderosas mensagens’, disse.

Gore tem dedicado a maior parte de seu tempo às campanhas contra o aquecimento global. Ele recebeu em Cannes um prêmio especial, um Leão especialmente preparado que recebeu o nome de Green Lion.’

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Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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