Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 28 E 29/07

O Estado de S. Paulo

01/08/2007 na edição 444

VENEZUELA
Ruth Costas

Venezuelanos fogem de Chávez

‘Na Flórida, eles são chamados de ‘balseiros do ar’, em contraposição aos dissidentes cubanos – esses sim, balseiros legítimos -, que costumavam chegar às praias da região à medida que Fidel Castro fechava o cerco contra os opositores na ilha. Os imigrantes venezuelanos eram relativamente raros em qualquer canto do mundo até o presidente Hugo Chávez assumir o poder, em 1999. Hoje, são cada vez mais numerosos em países como Espanha, Canadá, Austrália, Panamá e, principalmente, Estados Unidos – onde, ao contrário dos cubanos, chegam de avião (daí o termo ‘balseiros do ar’) e com os bolsos recheados de dólares.

Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas tenham saído da Venezuela na última década, embora o governo não divulgue dados oficiais. O país tem 26 milhões de habitantes. Integrantes das classes média e alta, os venezuelanos se destacam dos outros emigrantes latino-americanos por terem um elevado nível de instrução e porque emigram não tanto pelos motivos econômicos clássicos, mas principalmente porque estão fartos de Chávez.

Só na Espanha, o número de venezuelanos aumentou cinco vezes desde que Chávez tomou posse pela primeira vez. Nos EUA, atualmente vivem 160 mil venezuelanos com visto de residentes – há cinco anos eram 80 mil. Além disso, outras centenas de milhares de cidadãos desse país estão hoje em território americano com visto de trabalho e estudo – e muitos têm intenção de ficar. Não é à toa que a cidade de Weston, na Flórida, já ficou conhecida como ‘Westonzuela’.

‘A corrida para engatilhar um plano B deslanchou definitivamente no início do ano, quando Chávez assumiu seu terceiro mandato e anunciou as reformas para implementar o socialismo na Venezuela’, disse ao Estado Esther Bermúdez, diretora do Mequieroir.com – site criado em 2001 que virou um sucesso na Venezuela oferecendo consultoria e 800 páginas de informações para quem quer morar, estudar ou trabalhar fora. ‘A percepção de que o governo está ficando mais radical e autoritário e a insegurança gerada por suas interferências na economia, educação e meios de comunicação fazem com que um número crescente de pessoas pense em viver fora da Venezuela.’

Depois que Chávez anunciou a estatização dos setores de telefonia e energia, em janeiro, e proclamou ‘socialismo ou morte’ na Venezuela, o número de pedidos de vistos para os EUA duplicou, passando de 400 para 800 por dia. O Mequieroir.com viu seus acessos diários aumentarem 200%, de 20 mil para 60 mil usuários. ‘Também está ocorrendo uma mudança no perfil dos que querem deixar o país’, diz Bermúdez. ‘Antes, éramos procurados por solteiros ou jovens casais sem filhos; agora, famílias inteiras estão em busca de uma alternativa fora da Venezuela.’

De acordo com um estudo da consultoria Datanálisis, com sede em Caracas, 35% dos venezuelanos sairiam do país se tivessem oportunidade. No fim da década de 90, esse índice variava de 19% a 26%. Ainda, segundo a enquete, nada menos que 15% dos entrevistados já realizaram algum trâmite para deixar a Venezuela – como pedir vistos em consulados de outros países, legalizar papéis e enviar currículos para empresas estrangeiras.

PERFIL DIFERENCIADO

Com dinheiro no bolso e um bom nível de estudo, para os venezuelanos costuma ser mais fácil chegar em outro país que para outros imigrantes do Terceiro Mundo. ‘Eles têm maiores chances de conseguir um bom trabalho’, disse ao Estado Elio Aponte, presidente da Organização dos Venezuelanos no Exílio (Orvex), com sede em Miami. ‘A verdade é que a maior parte de nós tinha um bom emprego e estava bem na Venezuela até que Chávez começou a interferir em todas as instâncias da vida das pessoas.’

Nos EUA, aqueles que têm US$ 500 mil para investir não têm dificuldade para conseguir permissão para ficar. Mais de mil venezuelanos também estão pedindo asilo político. ‘Isso, porém, é mais complicado porque, como Chávez tem o cuidado de tomar as decisões amparado em leis e regras à primeira vista legítimas, é difícil comprovar que um cidadão está sendo perseguido ou que sua vida corre perigo na Venezuela’, diz Oscar Levin, advogado especialista em imigração baseado em Miami, na Flórida.

Levin conta que, há alguns anos, os venezuelanos que chegavam à região eram grandes empresários com medo que seus ativos fossem confiscados pelo governo. ‘Agora estamos recebendo um número crescente de profissionais liberais, como médicos e dentistas’, diz.

Alguns temem que seus filhos sejam doutrinados em escolas bolivarianas (Chávez levou o pânico à classe média venezuelana ao prometer uma reforma radical para expurgar os ‘valores individualistas’ do sistema educacional do país). Outros estão incomodados com a insegurança jurídica e as constantes ameaças de estatizações, das quais foram alvo até as clínicas de saúde e redes de distribuição de alimentos. O que todos têm em comum é a vontade de conseguir viver num lugar onde o futuro pode ser minimamente planejado.

‘O grande perdedor dessa história é a economia da Venezuela, que sentirá a falta dos profissionais qualificados que partiram’, opina Francine Jácome, do Instituto Venezuelano de Estudos Sociais e Políticos. Ela lembra o caso dos 18 mil funcionários da estatal petrolífera PDVSA, demitidos após a greve de 2003. Estigmatizados como ‘inimigos do governo’ e sem conseguir emprego na Venezuela, muitos foram para países do Oriente Médio, além de Canadá, EUA e México. ‘Hoje a PDVSA tem dificuldade para encontrar os técnicos que precisa no mercado local’, diz Francine. ‘A tendência é que isso ocorra em outros setores da economia no curto e médio prazo.’’

NYT
Clark Hoyt

Falar do concorrente é mais fácil

‘do The New York Times – Eis uma reportagem que eu gostaria de ler. Uma das principais companhias dos Estados Unidos, mundialmente famosa, está em apuros. Suas receitas e lucros estão caindo, sua classificação de crédito foi rebaixada e uma importante firma de Wall Street aconselhou os investidores a livrar-se de suas ações. Com as vendas de seu principal produto em queda, a companhia está aumentando o preço e investindo pesado em nova tecnologia, cujo retorno é lento.

Um grande acionista externo faz campanha para pôr fim à estrutura acionária que permitiu que uma família poderosa dirigisse a companhia por quatro gerações. Num momento em que outra família do mesmo ramo conturbado parece prestes a jogar a toalha, essa família será capaz de se manter unida e reencontrar o sucesso? Isto é dramático e importante. E é o tipo de história que vocês lêem com freqüência na primeira página ou na abertura da seção de Economia de domingo do jornal The New York Times.

Mas vocês ainda não leram essa história em grande estilo, pois a companhia é a New York Times e a família é formada pelos unidos e reclusos Ochs-Sulzberger, descendentes de Adolph Ochs, que veio de Chattanooga, Tennessee, em 1896, comprou o moribundo jornal e lhe mostrou o caminho do sucesso.

‘O Times é uma grande história’, disse Alex S. Jones, vencedor do Prêmio Pulitzer que cobriu o setor da imprensa para o jornal por nove anos e é autor, com a mulher, Susan E. Tifft, de The Trust, o livro definitivo sobre a família Ochs-Sulzberger. ‘É a organização noticiosa mais importante do mundo.’

O Times já enfrentou problemas antes e sobreviveu. Em 1976, uma reportagem de capa da revista Business Week contestou as qualificações de Arthur Ochs ‘Punch’ Sulzberger, pai do atual publisher, Arthur Sulzberger Jr., e disse que a família poderia ser forçada a vender se os lucros não aumentassem. Depois disso, o Times viveu alguns de seus melhores anos.

O Times de hoje é surpreendido por mudanças sem precedentes, que varrem um setor cujos leitores e anunciantes migram do jornal impresso para a internet, onde a maior parte do conteúdo é gratuita e os preços da publicidade são mais baixos.

Considerem o que aconteceu em pouco mais de um ano: a segunda maior editora de jornais dos EUA, Knight Ridder, foi vendida e dividida. A terceira maior, Tribune Co., está fechando o capital, numa complexa transação que põe um empresário do setor imobiliário no comando e deixa a maior parte do risco para os empregados. E a família Bancroft, proprietária, há mais de 100 anos, da Dow Jones, que publica The Wall Street Journal, parece propensa a vendê-la a Rupert Murdoch.

Nesse caos, objeto de reportagens e análises agressivas no New York Times, tem havido relativo silêncio no jornal quanto a seus próprios donos, seus desafios e sua estratégia. De Arthur Sulzberger Jr. a Landon Thomas Jr., um repórter de economia escalado para cobrir os assuntos envolvendo o jornal, todos reconhecem uma verdade fundamental: é difícil escrever sobre si mesmo.

Se os funcionários dizem algo positivo, alguns leitores acham que estão ‘agradando aos chefes’, afirmou Bill Keller, o editor-executivo. Se escrevem algo negativo, continuou Keller, alguns leitores acham que ‘o fim está próximo, pois a situação deve ser ainda pior’.

Em março, enquanto Hassan Elmasry, administrador de portfólio do Morgan Stanley baseado em Londres, conclamava os acionistas externos da New York Times Co. a se abster de votar nos diretores, em protesto contra a administração, o Journal publicou, na primeira página, um artigo de 3.200 palavras sobre a controvérsia. O jornal retratou o drama da disputa entre Elmasry e Sulzberger e informou que a campanha de Elmasry havia forçado a diretoria da Times Co. a ‘entrar em algumas discussões difíceis’, incluindo a hipótese de fechar o capital da companhia.

Um mês depois, na véspera de uma reunião anual onde uma maioria dos acionistas externos se absteve de votar na lista de diretores da companhia, o Times publicou sua bem-comportada versão de 1.500 palavras sobre a revolta liderada por Elmasry. O artigo abordou os temas principais sem o interesse, o drama e a qualidade investigativa da reportagem do Journal.

Thomas, o repórter, afirmou: ‘Não é que não sejamos agressivos, mas escrever sobre o Times e seus donos não é a coisa mais fácil de se fazer’. Sulzberger afirmou: ‘O Journal pode ser um pouco mais especulativo do que nós podemos quando o assunto somos nós.’ O Times, disse ele, tem de ser duplamente cuidadoso, pois todo o conteúdo de um artigo sobre o diário é interpretado pelo leitor como informação privilegiada.

Poderíamos dizer que foi fácil para o Journal publicar sua reportagem, pois é um prazer noticiar problemas do concorrente. Mas o artigo do Journal era sólido e revelador. Também poderíamos dizer que o Journal, embora tenha sido agressivo na cobertura da oferta de Murdoch pela Dow Jones, não foi tão diligente sobre os problemas financeiros e administrativos que, antes de tudo, tornaram a companhia vulnerável.

Eis um artigo que o Times deveria publicar sobre si mesmo: os Bancroft, como os Sulzberger, orgulharam-se, ao longo de gerações, de ter uma companhia que dava menos lucro que outros jornais, mas produzia um grande jornalismo. Mas, com o preço de suas ações deprimido e a geração mais jovem afastada dos negócios e insatisfeita com a queda dos lucros, a família parece ter se dividido.

Quão unidos são os Sulzberger e o que os mantém juntos? Quem representa a nova geração e qual seu grau de compromisso com o velho costume da família de investir pesado no jornalismo de qualidade, mesmo em períodos financeiros turbulentos? A quinta geração tem 27 membros. Quanto espaço há para eles na empresa e como estão sendo preparados para assumir a liderança? Uma conversa com Sulzberger indica como a história seria interessante e também delicada e difícil de entender.

Sulzberger afirmou que há duas grandes diferenças entre sua família e os Bancroft. O controle dos votos na New York Times Co. é mantido num único grupo de administração de propriedades dirigido por oito membros da família, dos quais seis precisam aprovar as decisões mais importantes. O grupo de administração único ajuda a manter a família unida, disse Sulzberger. As propriedades dos Bancroft na Dow Jones espalham-se por uma complicada rede de grupos de administração separados e, às vezes, sobrepostos, tornando mais fácil para os membros da família seguir rumos diferentes.

Sulzberger não quis falar sobre a partilha dos lucros na família ou outros detalhes de seu grupo de administração familiar. Entre os administradores estão Sulzberger, seu primo Michael Golden (vice-presidente da New York Times Co. e publisher do jornal International Herald Tribune) e pelo menos um membro da quinta geração.

Os Bancroft não se envolvem nas operações da Dow Jones. O cargo de publisher do Times é ocupado por um membro da família Ochs-Sulzberger desde que Adolph Ochs comprou o jornal. E outros membros da família, como Golden, envolvem-se nas empresas em vários níveis.

‘Mais de meia dúzia de membros de minha geração trabalharam no New York Times’, disse Sulzberger. ‘Os membros da família aprenderam que ‘precisavam cometer erros e crescer. É o que estamos fazendo com a próxima geração, dentro e fora do Times.’ Mesmo relutando em revelar mais detalhes sobre a família, Sulzberger reconhece que o tema de reportagem é legítimo.

*Clark Hoyt é ombudsman do ‘The New Yor Times’’

MÍDIA & POLÍTICA
Sérgio Augusto

Ainda é pouco, diria Henfil. Que venha a CPI do Brasil

‘Na terça-feira, o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo, aquele mesmo que, sem alterar sua catadura de papa-defunto, atacara ‘a índole cínica e perversa da burguesia brasileira’ em maio do ano passado, surpreendeu-nos outra vez. Em artigo para a revista eletrônica Terra Magazine, incitou-nos a sair da pasmaceira e ir à luta. ‘Greve geral, já!’, proclamava o título do artigo, referindo-se às paralisações operárias ocorridas em São Paulo há 80 anos, mas com o olhar e o espírito voltados para o presente. ‘O brasileiro cai e aceita, sofre e esquece’, lamentou Lembo, saudoso das utopias de antanho e da disposição de lutar-se por elas até a morte.

O ex-governador não está sozinho em sua cruzada, se a tanto podemos promover seu desabafo. Nas seções de cartas dos jornais, nas conversas de rua e botequim, nas festas de ricos e remediados, por todo canto, enfim, a indignação com a corrupção, o cinismo, a incompetência e outras mazelas nacionais parece ter atingido ou estar prestes a atingir seu ponto de ebulição. ‘Precisamos fazer alguma coisa’ só não virou um mantra entre aqueles que, cínica e perversamente, desqualificam qualquer reparo ao governo Lula como ‘manobra tucana’, ‘moralismo udenista’ (até em ‘neolacerdismo’ já ouvi falar) e ‘pressão desestabilizadora’.

A quem interessa desestabilizar o governo Lula? A ‘elite financeira’ está no sétimo céu; e se alguma dúvida a esse respeito ainda havia, o conservador Le Figaro de terça-feira passada sepultou-a com esta manchete: ‘Brasil, paraíso dos ricos’.

Mais do que uma greve, necessitamos de uma passeata. Ou de uma marcha, sem terço, agnóstica. Até hoje não entendi por que não se fez uma marcha sobre Brasília quando Collor & Zélia nos impingiram aquele criminoso confisco. Caímos e o aceitamos, que vergonha. Até quando iremos tolerar o confisco da nossa dignidade? Sim, é a nossa dignidade que agora está em jogo. Marchar é preciso.

Vaia é paliativo, mas com inegáveis virtudes catárticas. Até isso, porém, já reprovaram. Por que execrar a mais ruidosa e coletiva manifestação de desagrado inventada pelo homem num país tão necessitado de apupos como o nosso? Vaiar não é faltar com a educação, é faltar com a violência, é sublimar ânimos incontroláveis. Vaia é alarme civilizado, um alerta amarelo. Tudo bem que a condenem ou mesmo a proíbam em competições esportivas individuais, que exigem dos atletas concentração absoluta, mas criticá-la ou vetá-la em outras circunstâncias é dar corda ao conformismo, à intransigência, ao autoritarismo.

Vaiaram o presidente Lula. E também alguns atletas do Pan, que hoje só termina sem vaias ao presidente porque ele não é bobo de fechar o que não abriu. Qual o próximo da lista? Waldir Pires? Agora é tarde. Guardemos nosso fôlego e nossa cólera para as demais autoridades que, em meio ao recrudescimento da crise aérea na semana passada, apareceram nas primeiras páginas dos jornais rindo não se soube direito de quê ou quem: um show de escárnio à altura da condecoração dos diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), presidida por Milton Zuanazzi, e do anunciado aumento no preço das passagens aéreas para cobrir despesas não assumidas pelo atual governo e os que o antecederam.

Também merecem vaias aqueles dois deputados (Efraim Filho, DEM-PB, e Marco Maia, PT-RS) que, às nossas custas, viajaram inutilmente até Washington, como chaperones das caixas-pretas do Airbus A-320 da TAM. Idem o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, pelo patrioteiro protesto contra a intervenção da Federação Internacional dos Controladores Aéreos (Ifcta) na insegurança e ineficiência de nosso transporte aéreo. (Há uma auditoria da Ifcta prevista para daqui a três anos. Que tal antecipá-la?)

Não adianta o coronel Eduardo Antonio Carcavalo se esconder ou sair de fininho, pois, desde que atribuiu à Lei de Murphy a pane do último fim de semana, no Cindacta-4 da Região Amazônica, candidatou-se, com méritos, com o sargento responsável pela pane, a uma sonoríssima e ensurdecedora vaia.

Descobri, ao longo da semana, que os funcionários da Anac não pagam passagem de avião. Se isso não configura uma dependência nada recomendável em relação às empresas aéreas, minha avó é bicicleta; ou melhor, um Cessna. A direção da Anac considera a regalia ‘um passe livre funcional’. Com base nessa mordomia, eu poderia iniciar uma campanha para que ao menos os jornalistas ligados à área cultural passassem a entrar de graça em todas as casas de espetáculo e, também munidos de um ‘passe livre funcional’, ficassem isentos de pagar contas em livrarias, lojas de discos, antiquários, galerias de arte, restaurantes, adegas e lojas de roupas, mas o decoro me impele a propor outra coisa: uma CPI do Cinismo. Com passe livre para o xadrez.

Como o Henfil gostava de dizer, ‘ainda é pouco’. Na verdade, estamos precisando é de uma CPI totalizadora, esperta, implacável e conseqüente, de uma CPI-para-acabar-com-todas-as-CPIs. Precisamos de uma CPI que investigue a fundo todos os nossos podres: uma CPI do Brasil. Mas como implementá-la se o P de sua sigla não merece confiança?’

TELECOMUNICAÇÕES
Ethevaldo Siqueira

Assim são tratadas as nossas agências reguladoras

‘Ministérios se transformam em moeda de troca, todos os anos. Agências reguladoras são dadas de presente a amigos sem a qualificação mínima. Quase tudo se resolve na base da barganha e do critério político-partidário ou ideológico, em particular quando se trata da escolha de dirigentes dos diversos escalões da administração pública.

Essa degradação, comum a diversos governos, parece chegar ao fundo do poço no governo Lula. As agências reguladoras, criadas e concebidas para funcionar como entidades independentes, técnicas e profissionais – órgãos de Estado e não de governo – têm sido simplesmente loteadas pelo PT e aliados.

Há poucos meses, surgia um primeiro sinal de mudança. Ao escolher Ronaldo Sardenberg para a presidência da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), nos últimos meses, parecia que Lula pretendia mudar os rumos dessa política insana. Já não estou tão certo disso.

Veja agora, leitor, a ridícula e constrangedora situação do presidente da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi – agarrando-se ao cargo do qual não pode ser demitido.

Mas, convenhamos, os que apadrinharam e aprovaram seu nome são muito mais culpados do que ele. Sim, leitor: esse gaúcho foi indicado pelo presidente Lula, com apoio decisivo da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e aprovado pelo Senado. No passado, quem comandava decisões desse tipo era o ministro José Dirceu. Hoje, o colégio de padrinhos se ampliou muito.

A rigor, Zuanazzi apenas não tem desconfiômetro. Está surdo diante do apelo de tantos cidadãos que lhe imploram que renuncie, porque o governo está disposto até a mudar a lei atual para substituí-lo – o que será uma péssima solução, por deformar o caráter das agências.

Tenho a leve impressão de que Lula, Dilma e a maioria dos senadores responsáveis pela homologação de Zuanazzi começam a perceber que não vale a pena levar pessoas incompetentes a cargos de tanta responsabilidade como os de presidente das agências reguladoras.

Reconheçamos, por outro lado, que Zuanazzi é um prodígio de ecletismo e polivalência. Conheci-o em 1991, ocupando a presidência da antiga Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), estatal gaúcha. Engenheiro mecânico, com pós-graduação em sociologia, foi guindado a cargos públicos nas áreas de telefonia, magistério superior, marketing e turismo. Em aviação civil, sua experiência não foi além de muitas viagens, como simples passageiro. Brizolista, foi perseguido pelo ex-governador gaúcho Alceu Colares, mas elegeu-se vereador em Porto Alegre e se bandeou para o PT, a convite de Olívio Dutra.

INEFICIÊNCIA

O efeito mais sério do compadrio político-partidário no governo é a baixa eficiência da máquina pública. Ninguém saberia dizer o preço que pagamos pela incompetência predominante dos dirigentes deste País. Mas deve ser muito elevado.

Pior ainda: aliado à sucessão de escândalos que o País tem vivido, esse comportamento mediocrizante dos homens públicos tem outra conseqüência terrível: a corrosão contínua da confiança popular na democracia.

O presidente da Anac é, portanto, filho político de Lula, de Dilma e do Senado. Se o presidente escolhesse para a agência e para a Infraero especialistas de renome, talvez a crise aérea já pudesse ter sido superada sem o saldo de mais de 350 mortos.

Nunca na história do Brasil, um presidente teve tantos auxiliares envolvidos em casos de corrupção e/ou de incompetência quanto o presidente Lula. Não vamos perder espaço deste artigo citando as dezenas de nomes cujas cabeças rolaram, desde o esquecido Valdomiro Diniz, passando pelos protagonistas do mensalão até o apagão aéreo de nossos dias.

Na raiz desses escândalos e insucessos administrativos está uma única motivação: o compadrio político-partidário, como critério de escolha dos primeiros escalões de governo.

Vejam o que ocorre agora com a futura Lei das Agências. Apoiado em sua base parlamentar, o governo deverá aprovar uma lei que, além de submeter os órgãos reguladores ao controle direto do Poder Executivo, irá nivelá-los por baixo, não importa se eles cuidem de coisas tão diversas quanto petróleo, telecomunicações, energia elétrica, saúde ou aviação civil. Como bem qualificou Renato Guerreiro, ex-presidente da Anatel, ‘é algo estúpido’.

Esse tipo de política não tem nenhum compromisso com o País. Diferentemente da punição inapelável dos maus gestores nas empresas privadas – nas quais a escolha de funcionários incompetentes conduz à falência – o aparelhamento do Estado não tem trazido aos culpados nenhum castigo direto.

No entanto, inviabiliza o desenvolvimento, o progresso científico-tecnológico, a modernização da sociedade e da justiça social.

A maioria de nossos políticos segue esse velho estilo de fazer política: populista, paroquial, provinciano, personalista e primário.

É essa maioria que nos faz ter vergonha do Brasil de hoje.’

INTERNET
Marili Ribeiro e Ana Paula Lacerda

Second Life precisa de mais tempo

‘Foram abandonados 80% dos 8 milhões de avatares inicialmente registrados no programa em terceira dimensão Second Life (SL). Os avatares, representações virtuais de pessoas do mundo real, são um parâmetro do sucesso dessa investida tecnológica, que chegou a ser festejada como o ambiente de negócios do futuro, onde todas as empresas deveriam fincar bandeira.

Muitas seguiram o conselho para dar visibilidade às suas marcas, caso da Coca-Cola, Adidas, Reebok, ABN Amro, Sears, Procter & Gamble – e agora queixam-se do esvaziamento do SL. Seus ambientes têm sido pouco visitados, o que não justificaria os gastos que tiveram para participar desse mundo virtual.

O programa, que recria situações no qual as pessoas podem passear, conversar e até fazer compras, na sexta-feira à noite, computava apenas 41 mil pessoas conectadas. No último mês, um milhão de usuários se logaram ao site.

A ausência de avatares pode ser explicada por razões técnicas, já que o programa requer capacidade de processamento gráfico maior do computador, mas também pela falta de compreensão sobre como usar esse canal.

‘Muitas das ações não estão ancoradas em visão estratégica de mídia, que busque gerar experiências de engajamento, com construção de audiência dentro do programa’, explica Abel Reis, vice-presidente de Tecnologia e Projetos da agência Click. ‘Os avatares entram nos ambientes das empresas, matam a curiosidade e não voltam, porque não têm razões para voltar lá. É mau uso da ferramenta’.

Um aficionado desse mundo, Reis lembra que toda a inovação tecnológica tem um ciclo natural, com pico no lançamento e depois uma retração, antes da consolidação. Walter Longo, mentor de Estratégia do Grupo Newcomm, vai além e aposta que os chamados ‘lançadores de tendência’ estariam saindo do SL porque o programa já vive fase de popularização.

‘O ciclo de vida da mídia digital é bem mais dinâmico e fugaz para investimentos. É um erro olhá-lo como se vê a mídia convencional’, diz ele. ‘Muitas empresas aderiram ao SL logo para passar a impressão de modernidade’, acrescenta Emmanuel Publio, diretor de marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

Publio acha que, apesar de ainda não saber se o ambiente virtual vai vingar como local para negócios, estar lá dentro é um aprendizado para possíveis novas tecnologias. ‘Sabemos que comunidades virtuais são um sucesso no Brasil. Agora, depende de esses novos universos oferecerem recursos interessantes para atrair pessoas. Montar no SL uma empresa virtual igual à do mundo real, por exemplo, é perda de tempo.’

Participar de comunidades virtuais de todos os tipos (como Orkut ou SL) é a 2ª principal atividade dos internautas brasileiros: eles dedicam a isso 14,8% do tempo que ficam conectados. Menos apenas que o uso de mensagens instantâneas, como MSN Messenger, que toma 17,5% do tempo.

Com um total de 36.385 avatares ativos no último mês, o Brasil é o 3º país com mais usuários no SL. Isso, no ranking mundial. Mas já há uma versão brasileira do SL, lançada há apenas dois meses.

O diretor-executivo do Ibope Inteligência, Marcelo Coutinho, avalia que, num primeiro momento, apenas 2% ou 3% da população aderem às novidades tecnológicas. Coutinho acredita ser cedo para dizer se o SL deslanchou ou não. ‘Acho que houve empolgação inicial. Mas não se pode dizer ainda que não deu certo. Há 30 anos, as pessoas estranhavam os caixas eletrônicos. Mas não se podia dizer à época que eles não iriam funcionar.’

O SL não é a única opção de universo virtual interativo. Já tem concorrência. O Kaneva, criado em 2004, permite que seus usuários postem fotos e vídeos, além do ambiente 3D – uma espécie de mistura de SL e MySpace, site de relacionamento. Há também o Entropia Universe, que atingiu 500 mil usuários.

O diretor de relações externas da Procter&Gamble, Pedro Martins da Silva, diz que ações dentro do SL podem ser eficientes se o público for bem estudado. ‘Fizemos uma ação para jovens, realizando festas virtuais. Deu certo, mas não é qualquer coisa que funciona nesse mundo virtual.’

O problema, talvez, seja a dificuldade para se aprender a usá-lo. ‘Não é prático e nem divertido no início’, diz o diretor de Marketing da Coca-Cola, Ricardo Fort. ‘Gasta-se muito tempo aprendendo, e internautas jovens ficam sem paciência porque gostam de fazer coisas rapidamente.’

Ainda assim, a sede da empresa, em Atlanta, está fazendo experimentos no SL – apesar de sua ilha virtual ter recebido poucas visitas. A empresa lançou um concurso para a criação de uma máquina de vendas de Coca-Cola virtual, e o projeto vencedor será usado em todo o SL. ‘Assim que descobrirmos a melhor maneira de aproveitar essa tecnologia, faremos ações locais’, adianta Fort.

Espaços vazios e frustração no mundo virtual

Elevadores em forma de anéis, que se movem entre edifícios que aparecem e desaparecem, dão um ar sofisticado e, ao mesmo tempo, futurista e adequado ao ambiente virtual. Esse clima hightech, pontuado por vasos ornamentados com fícus, é encontrado pelo avatar que visita a ilha criada pelo ABN Amro no ambiente do Second Life.

Apesar do empenho nos detalhes, o espaço estava às moscas na manhã de quinta-feira. Não era o único. Na ‘ilha’ Brasil, o anexo reservado ao Pan-Americano, mesmo empolgando torcidas no mundo físico na vila real do Pan, enfrentava o mesmo abandono. Em Dublin, era difícil encontrar um pub aberto para beber uma Guinness. Comprar tulipas em Amsterdã, nem pensar.

Um passeio de pouco mais de duas horas com o avatar Kings Kmesley, que pertence a Abel Reis, da agência Click, confirmava o esvaziamento.

Uma das razões, diz ele, talvez esteja na irregularidade dos recursos disponíveis. O avatar inglês Keira, com quem Kmesley conversou, frustrou-se ao procurar uma jaqueta na ilha Adidas e só encontrar tênis.’

Pedro Doria

Rumo à Casa Branca, com a web

‘Na noite de segunda-feira, oito pré-candidatos à presidência dos EUA pelo Partido Democrata se encontraram num debate televisionado pela CNN. Foram assistidos ao vivo por 2,6 milhões de espectadores, a segunda maior audiência de encontros do tipo nesta campanha. Destes, 407 mil tinham entre 18 e 34 anos. A marca é histórica: trata-se da maior audiência nessa faixa etária dos embates presidenciais na TV a cabo.

O YouTube fez a diferença na participação de jovens. As perguntas que chegaram ao site de vídeos foram filmadas em casa por usuários da internet, na maioria jovens, e enviadas para o site de vídeos. Não houve perguntas de jornalistas no debate. Das mais de 3 mil perguntas recebidas, a equipe da CNN selecionou 39, que foram ao ar. Entre elas, um casal de lésbicas perguntava por que não podia casar, uma paciente de câncer cobrava um sistema universal de saúde pública, sem o qual teria menos tempo de vida, e um boneco de neve animado falava sobre aquecimento global.

A internet entrou nas disputas presidenciais há quatro anos, na campanha de Howard Dean, um dos pretendentes à candidatura democrata. A inovação veio por intermédio de John Trippi, o consultor contratado para chefiar a campanha. Trippi pôs no ar um blog para Dean, estabeleceu uma rede social, espécie de micro Orkut, na qual partidários de uma mesma região podiam se conhecer e se organizar e, principalmente, publicou um sistema de microdoações. Qualquer eleitor poderia doar quanto quisesse, US$ 5 que fosse, para uma candidatura. Nunca se arrecadou tanto.

Howard Dean era, no final de 2002, o candidato líder nas pesquisas nacionais e favorito dos analistas políticos. Esteve na capa das principais revistas – da Time à intelectualizada New Yorker. Mas perdeu. Para ser candidato à presidência nos EUA é preciso ganhar uma série de primárias regionais. Cada partido em cada Estado faz a sua. Dean fez tarde a campanha em Iowa, primeiro Estado que realiza a convenção, e perdeu. Perdeu também em New Hampshire, o segundo. Não conseguiu decolar novamente e John Kerry se saiu vitorioso.

Mas Dean havia mudado algo no jogo – a entrada da internet. Ele foi convocado, ainda em 2004, a reorganizar o Partido Democrata para a eleição presidencial de 2008. É o atual presidente da legenda e esta campanha é resultado de seu trabalho.

A diferença que a internet está fazendo pode ser medida em números. Historicamente, são os grandes doadores, magnatas dos vários setores, de Hollywood à indústria automobilística, que sustentam o jogo. Candidatos estabelecidos e com contatos na elite – como o casal Clinton – saem-se melhor e têm mais recursos.

Durante o debate de segunda-feira, Chris Dodd, senador e pré-candidato, acusou os líderes nas pesquisas – Hillary Clinton, Barack Obama e John Edwards – de serem financiados por essa elite. Desta vez, não é de todo verdade. Em conjunto, os democratas arrecadaram US$ 300 milhões para suas candidaturas. Desse total, 16% vieram de doações feitas seguindo o modelo criado por Howard Dean: pequenas quantias oferecidas por muita gente, via internet.

No caso de alguns dos pré-candidatos, como o senador Obama, o porcentual é bem maior. Dos US$ 58 milhões arrecadados até hoje, 30% vieram de microdoações via web.

Disputas presidenciais nos EUA são caras. Estima-se que entre o lançamento da pré-candidatura e a chegada à Casa Branca, o presidente eleito no final de 2008 terá gasto US$ 500 milhões. Seu adversário derrotado terá gasto a mesma quantia.

Mas a internet não tem servido apenas como fonte de arrecadação. Após o debate de segunda-feira, entre blogs e grupos de discussão e mesmo por meio de novos vídeos veiculados pelo YouTube, partidários e críticos engajaram-se na discussão. É a mobilização do público jovem, novamente, que está sendo focalizada pelos consultores de campanha.

A audiência jovem é importante para o Partido Democrata, pois nesta faixa está a maior concentração de seus eleitores. Por outro lado, apontam as estatísticas, quem tem menos de 35 anos se interessa pouco por política e vai menos às urnas. Nos EUA, o voto não é obrigatório. Foi Bill Clinton, em 1992, que conseguiu mobilizar o eleitorado jovem pela última vez.

Historicamente, mudanças tecnológicas em campanhas favorecem os democratas. Franklin Roosevelt era de uma habilidade ímpar com o rádio, quando o veículo iniciou seu apelo às massas. John Kennedy derrotou Richard Nixon, em 1960, após vencê-lo num debate, o primeiro a ser televisionado, assistido por incríveis 70 milhões de espectadores.

Clinton pegou o auge da TV a cabo. Há 15 anos, na MTV, canal de jovens, o então governador do Arkansas tocou saxofone e sentou-se informalmente no meio de um público de 20 e poucos anos para responder a perguntas como: ‘O senhor usa cueca tipo sunga ou samba-canção?’ Ele riu e não titubeou: ‘Tipo sunga.’

Para aquela juventude – que foi em números recordes às urnas – o tipo de cueca, o sentar-se informalmente e o tocar saxofone estavam a favor de Clinton. Ele parecia um político diferente, e, aos 43 anos, representava de fato uma nova geração chegando à política nacional. Saíam os veteranos da 2.ª Guerra para a entrada de quem protestou contra o Vietnã.

Não há uma mudança geracional no comando, agora, mas se a internet de fato influir nesta eleição, os pré-candidatos do Partido Republicano têm um problema. A CNN marcou um debate nos mesmos moldes para 17 de setembro. Apenas dois, o senador John McCain e o deputado federal Ron Paul, confirmaram presença. O líder nas pesquisas, Rudolph Giuliani, informou que tem outro compromisso. Mitt Romney, o candidato que lidera as pesquisas em Iowa, o primeiro Estado a fazer sua convenção, nem sequer sabia explicar aos jornalista o que era o YouTube.

A convenção de Iowa, que marcará o início da corrida para definir o candidato de cada partido, está marcada para janeiro. Até lá, muita coisa vai ocorrer. Uma das apostas é a entrada repentina, mas não surpreendente, na disputa do ex-vice-presidente Al Gore, um dos favoritos das discussões online. Um dos que aposta na participação de Gore é o editor da New Yorker e veterano observador das campanhas americanas, David Remnick.

SEGUNDA, 23 DE JULHO

Afiando as garras

No debate entre pré-candidatos democratas à presidência dos EUA, Barack Obama disse estar disposto a se encontrar com líderes de países ‘vilões’ – Irã, Venezuela, Coréia do Norte… Hillary Clinton considerou a afirmação irresponsável e ingênua.’

Peter Singer

No mundo dos vícios virtuais

‘Num jogo de role-playing (RPG) popular na internet chamado Second Life, as pessoas podem criar uma identidade virtual para elas, escolhendo coisas como idade, sexo e aparência. Esses personagens virtuais então fazem coisas que pessoas no mundo real fazem, como sexo. A depender de suas preferências, você pode fazer sexo com alguém mais velho ou mais novo que você – talvez muito mais velho ou mais novo. Aliás, se seu personagem virtual for um adulto, você pode fazer sexo com um personagem virtual que seja uma criança.

Se você fizesse isso no mundo real, a maioria de nós concordaria que está fazendo algo gravemente errado. Mas será que fazer sexo virtual com uma criança virtual é algo muito errado? Então, vejamos.

Alguns jogadores de Second Life dizem que sim, e prometeram expor quem fizer isso. Os fabricantes do jogo, Linden Labs, disseram que o modificarão para impedir que crianças virtuais sejam usadas em situações de sexo. Promotores alemães também se envolveram no caso, embora suas preocupações pareçam ser mais com o uso do jogo na disseminação de pornografia infantil do que em saber se pessoas fazem sexo com crianças virtuais.

Leis contra pornografia infantil em outros países também poderão levar à proibição de jogos que permitam o sexo virtual com crianças virtuais. Na Austrália, Connor O’Brien, presidente da seção de legislação criminal do Instituto de Justiça (a OAB local) de Victoria, disse ao jornal The Age, de Melbourne, que o fabricante de Second Life deveria ser processado por publicar imagens de crianças num contexto sexual.

A lei pisa em terreno sólido quando protege crianças de exploração sexual. Mas ela se torna dúbia quando interfere em atos sexuais consensuais, praticados entre adultos. O que adultos decidem fazer na cama é assunto deles e o Estado não deveria interferir, acreditam muitas pessoas bem informadas.

Se você fica excitado(a) em ver o(a) parceiro(a) adulto(a) vestido(a) como escolar antes de fazer sexo, e se ele ou ela ficam felizes de entrar nessa fantasia, seu comportamento pode ser visto como abjeto para a maioria das pessoas. Mas enquanto ocorrer privadamente, poucos achariam que isso faça de você um criminoso.

Também não deveria fazer nenhuma diferença se você convidar alguns amigos adultos e, na privacidade de seu lar, eles aceitarem tomar parte numa fantasia sexual do gênero, em maior escala. Usuários conectados via internet – de novo supondo-se que só estejam envolvidos adultos consensuais – serão tão diferentes de uma fantasia em grupo desse tipo?

Quando alguém quer interpretar algo como uma transgressão criminal, deveríamos sempre perguntar: quem é prejudicado? Se puder ser demonstrado que a encenação de uma fantasia de sexo virtual com uma criança virtual torne pessoas mais propensas a se envolverem em pedofilia real, então crianças reais serão prejudicadas – e o caso de proibir a pedofilia virtual ganha força.

A abordagem dessa questão leva a outra, talvez mais significativa, sobre atividades virtuais: a violência em videogames. Os jogadores de videogames violentos estão com freqüência numa idade impressionável. Doom, um videogame violento dos mais populares, estava entre os favoritos de Eric Harris e Dylan Klebold, os assassinos adolescentes da Columbine High School. Num videotape arrepiante que fizeram antes do massacre, Harris diz :’Vai ser como na p* do Doom… Esta p* desta espingarda (ele beija a espingarda) saiu diretamente do Doom!’

Há outros casos em que fãs de videogames violentos se tornaram matadores, mas eles não provam causa e efeito. Entretanto, deveria ser dado mais peso ao crescente número de estudos científicos, tanto em laboratório como em campo, sobre o efeito desses jogos. Em Violent Game Effects on Children and Adults (Efeitos de jogos violentos em crianças e adultos), Craig Anderson, Douglas Gentile e Katherine Buckley, do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Iowa, reuniram estudos desse tipo para defender que videogames violentos aumentam o comportamento agressivo.

Se o processo criminal não for um instrumento eficaz para se usar contra videogames violentos, existe, porém, base para pagamento de indenização às vítimas, ou famílias das vítimas, de crimes violentos cometidos por pessoas que joguem videogames violentos. Até agora essas ações foram rejeitadas – pelo menos em parte com base em que os fabricantes não poderiam prever que seus produtos levariam as pessoas a cometer crimes. Mas as evidências que Anderson, Gentile e Buckley apresentam enfraquecem essa tese de defesa.

André Peschke, editor-chefe de Krawall.de, uma das principais revistas online sobre computadores e videogames, me informa que em dez anos no setor de videogame ele nunca viu nenhum debate sério no setor sobre a ética de se produzir videogames violentos. Os fabricantes se escudam na afirmação simplista de que não existe nenhuma comprovação científica de que videogames violentos conduzam a atos violentos. Mas às vezes não dá para esperar pela comprovação. Este parece ser um desses casos: os riscos são grandes e ultrapassam quaisquer benefícios que os videogames possam ter. As evidências podem não ser conclusivas, mas isso é forte demais para continuar sendo ignorado.

O surto de discussões sobre pedofilia virtual em Second Life pode ter mirado o alvo errado. Os videogames devem estar sujeitos a controles legais não quando capacitam pessoas a fazerem coisas que, se fossem reais, seriam crime – mas quando há evidências sobre as quais podemos razoavelmente concluir que ajudam a aumentar a criminalidade grave no mundo real. Atualmente, as evidências disso são mais fortes para os jogos que envolvem violência do que para realidades virtuais que permitem a pedofilia.

* Peter Singer é professor de bioética na Universidade de Princeton (EUA) e na Universidade de Melbourne (Austrália). No Brasil, tem publicados A Ética da Alimentação (Campus) e Ética Prática (Martins Fontes)’

TELEVISÃO
Etienne Jacintho

Hablas portuñol?

‘Um dia atípico na capital argentina. A neve caía sobre a cidade deixando a paisagem branca. Desde 1918 não nevava por lá e, enquanto a população fazia festa, a equipe de Donas de Casa Desesperadas mudava o esquema de filmagem. Externas, nem pensar!

O cenário que a Disney montou em Pilar, cidade da Grande Buenos Aires, para reproduzir a Wisteria Lane de Desperate Housewives, estava coberto de neve. E fazer o público acreditar que aquela rua típica do subúrbio americano exista de fato no Brasil já é difícil; com neve, fica impossível! A saída foi rodar cenas no interior das casas.

Solução para a equipe e uma tortura para os atores. Afinal, não é apenas o cenário que tem de convencer os brasileiros. O figurino também é essencial. Franciely Freduzeski é quem mais sofre com seus decotes na pele de Gabriela. Mas é hora de tirar o casaco, o cobertor e as luvas. Ação!

Essa é uma visão recorrente nos bastidores. Aguardando o sinal do roteirista e co-diretor Marcelo Santiago, Teresa Seiblitz e Viétia Zangrandi pulam para aquecer o corpo e aguardam ansiosamente o corte para buscar suas bolsas de água quente. Já Isadora Ribeiro tenta enganar a figurinista: coloca meias sob o escarpin. Levou um puxão de orelha! Quem disse que não sacariam o ultraje?

As gravações de Donas de Casa são de enrolar a língua. De um lado, brasileiros tentam falar espanhol; de outro, argentinos tentam entender portunhol. Fábio Barreto comanda a direção no estúdio da Pol-Ka – produtora argentina -, em Buenos Aires, e Santiago dirige as cenas em Pilar. Cada um conta com assistentes de direção argentinos – bom para dirigir os atores do elenco secundário que também hablam espanhol.

Figurinistas e maquiadores são portenhos, assim como o gosto deles. Ou seja, apesar de o figurino ser parecido com o da série original, o tempero latino está lá nas cores, nos babados, nas estampas e na maquiagem exagerada. As atrizes tentam conter a fúria dos pincéis, dos batons e do laquê… O tom rosa do batom de algumas personagens dói nos olhos. E o babado na blusa de Lucélia Santos é de chorar!

Mas a essência de Desperate está lá. O texto é o mesmo e a vontade da equipe de fazer a série com gosto tropical pode ser um erro, uma vez que Desperate é pura fantasia com personagens caricatos. Não se vê Desperate com os olhos de quem vê novela. E não se encara um remake de Desperate como um de novela, pois a Disney exige que o roteiro e até diálogos originais sejam respeitados. Pequenas modificações são aceitas.

Já as atrizes divergem no jeito de trabalhar. Isadora Ribeiro não quis ver Nicolette Sheridan interpretar Edie para não copiar. Já Viétia Zangrandi fez questão de imitar a Bree de Marcia Cross. ‘Ela faz o papel perfeitamente bem’, justificou a atriz, com toda a razão. Não é cópia mesmo? Então que seja bem-feita!’

***

Em Wisteria Lane

‘Frio à parte, esta jornalista confessa que esperava bem menos da versão nacional de Desperate Housewives. O cenário reproduz de forma nada tabajara a rua cenográfica de Wisteria Lane original que fica em Los Angeles. Talvez a rua argentina seja um pouco menor, mais sinuosa e com uma praça um pouco diferente da americana. Mas nada que diminua a grandiosidade do set da Disney em Pilar.

E essa é só uma parte do esquema criado em parceria com a Pol-Ka, produtora independente argentina responsável por trabalhos como a série Epitáfios, da HBO. Em Buenos Aires, no complexo da Pol-Ka, a Disney ocupou três estúdios para a reprodução dos cômodos das casas das personagens. O comandante por lá é Fábio Barreto. É lá que o Estado acompanha Franciely passar frio novamente, desta vez de lingerie.

Era a filmagem da cena em que sua personagem Gabriela é flagrada pela sogra com o amante jardineiro na cama. Lembra? Tudo é igual ao original americano. Então, após os elogios à produção impecável, resta a questão: Quanto vale o remake?

Desperate é uma série que, além do humor, conta com uma bela dose de suspense. Para quem já sabe o que acontece, a graça some. A não ser que a graça venha exatamente da inevitável comparação. Isadora Ribeiro pode ser a própria Edie de Nicolette Sheridan. Já Lucélia Santos como a Susan Mayer de Teri Hatcher… Enfim, cada um tem a dona de casa desesperada que merece!’

***

Bizarrices

‘Brasileiros contracenam com argentinos. Um fala português e o outro responde em espanhol ou finge falar português. Haverá dublagem, claro, mas será feita em Miami.

Para parecer real, a Rede TV! vai localizar a rua das donas de casa num condomínio no estilo de Alphaville, no bairro Arvoredo, na cidade fictícia de Nova Vista, em São Paulo, que tem um clima de Teresópolis (RJ). Acompanhou?

O personagem Mike, que virou Miguel, teve de mudar de profissão. Um encanador não poderia comprar uma casa no condomínio estilo Alphaville… Ele agora é empresário do ramo de construção, mas que entende tudo de encanamento.

Personagens

Nicolette Sheridan

é Edie, a menos integrada das amigas, e tenta roubar os homens de Susan; na descrição da atriz, a personagem ‘é a vadia’

Teri Hatcher (Susan Mayer)

Com seu papel, a atriz realizou o sonho do tapete vermelho e ainda abocanhou um Globo de Ouro; Susan é a pedra no sapato de Edie

Felicity Huffman (Lynette Scavo)

Ela se sentia o patinho feio entre as divas, mas até indicação ao Oscar a moça teve; é a mais real das personagens

Marcia Cross (Bree Van de Kamp)

Atriz é sempre a louca ou problemática da história: foi assim em Melrose Place, em Everwood e agora em Desperate. Perfeita

Eva Longoria (Grabrielle Solis)

Ela virou a sensação latina após a estréia da série; Eva costuma comprar as roupas de seu figurino

Franciely Freduzeski (Gabriela Solis)

É a caçula do elenco, assim como Eva Longoria, e dona das curvas na série; também comprou roupas de seu figurino portenho

Viétia Zangrandi (Elisa Fernandes)

Segundo Sônia Braga, Viétia já incorporou Bree em sua vida; Viétia diz que melhorou a postura graças ao papel

Tereza Seiblitz (Lígia Salgado)

Tereza tem três filhos e diz que, com a ajuda de uma boa babá é possível ser mãe, trabalhar e estar sempre linda

Lucélia Santos (Suzana Mayer)

A Rede TV! queria um nome conhecido no elenco e escalou Lucélia, apesar de ela não ter nada a ver com a Susan de Teri

Isadora Ribeiro

Foi lembrada por Luciana Gimenez e ganhou o papel de Vera Marques, a antagonista da Suzana de Lucélia Santos’

Keila Jimenez

É TV na web ou web na TV?

‘Os autores da idéia odeiam o rótulo de ‘TV Youtube’. Apostam que o Fiz TV, canal que estréia amanhã na TVA, é muito mais, mas não há definição melhor do que esta para a nova sintonia.

Fruto do grupo Abril, a novidade utiliza a fusão da TV com a internet, disponibilizando em um site vídeos postados por usuários e exibindo na TV os mais votados.

Desde do início do mês o público pôde se cadastrar,enviar vídeos, assistir e votar nos melhores no site Fiz TV. As produções eleitas entram agora na programação do canal – onde ficam cerca de uma semana – divididas por temas

‘Não nos interessam os flagras de outras emissoras que fazem sucesso no Youtube. É claro que essa comparação é inevitável, mas nós somos um canal de TV, eles são só um portal de vídeos’, sustenta o Diretor-geral do grupo TV da Abril, André Mantovanni.

O FizTV, que irá ao ar no canal 20 da TVA – e negocia também com a Net- pretende exibir vídeos caseiros e produções independentes de qualidade. Os mais votados pelo público ganham prêmios e incentivos em dinheiro para novas produções.

‘O que queremos mesmo é abrir espaço para novos talentos. Quem sabe alguém que produza para o FizTV acabe indo para a Globo? Seria ótimo, eles precisam de cabeças pensantes por lá’, alfineta.

Para Mantovanni, a grande demanda pelos vídeos de ‘besteirol’ – videoclipes bizarros, tombos à la Jackass, videocassetas – é inevitável.

‘São os vídeos populares, como costumo dizer. Eles divertem a galera’, fala. ‘Mas o que me interessa é que algumas produções ganhem continuidade no canal’.’

Mário Viana

O efeito Paulo Coelho

‘Escrever uma coluna sobre novelas tem conseqüências inesperadas. Os amigos telefonam, estranhos escrevem, todos opinam. E você acaba por descobrir que, assim como no futebol, o brasileiro é especializado em tele-folhetins. Com isso, fico sabendo que Igor Garcia, rapaz de 23 anos, montou um site na internet sobre a cantora Miúcha – tema da coluna passada. O endereço é www.miuchanet.cjb.net, pra quem estiver interessado. Outros me questionaram sobre Miúcha ser ‘apenas’ mãe de Bebel, mas convenhamos que isso já seria um grande feito. Provocar as pessoas a se manifestarem é outro grande passo.

O engraçado, mesmo, de escrever sobre novelas é ouvir a opinião alheia. As novelas batem no telespectador, cada uma de um jeito. A mesma Paraíso Tropical que estimula L.S. dá sono em C.F., mas todos continuam assistindo ao trabalho de Gilberto Braga e Ricardo Linhares. Outros falam das novelas da Record, como quem toma a revolucionária atitude de ‘não ver mais a Globo’.

Isso é bobagem. Primeiro, porque ninguém faz revolução com o controle remoto. Depois, Globo e Record lutam por pontos no Ibope e faturamentos publicitários. Por isso, investem em dramaturgia: contratam autores, atores, técnicos. Mais tímidas, SBT e Band seguem na mesma toada, para alegria dos milhares de noveleiros que pipocam por todo canto.

Esquisito mesmo é quando ninguém fala de novela. Ou de uma novela, em especial. Eterna Magia, por exemplo. A produção é caprichada – alguns bons atores, figurinos impecáveis, cenários lindos. A gente fica com a impressão que nos anos 40 tudo era mais limpinho e as pessoas usavam os pronomes nos lugares certos.

Para quebrar o jejum, a serelepe N.F. me telefona. Confessa-se espectadora fiel da novela das 6 e pergunta: por que será que novelas espíritas dão ibope e novelas sobre feitiçaria, não? Esperta, a própria N. dá a resposta. ‘A culpa é do Paulo Coelho’, ataca. ‘Em 1998, a TV Manchete fez Brida, baseada num livro dele. A novela e a emissora foram pras cucuias.’ A análise, arguta, prossegue. ‘Agora, Paulo Coelho em pessoa fez um mago em Eterna Magia. E a novela não emplaca.’ Vejam só. Num simples telefonema, a gente descobre que ‘Paulo Coelho’, no dialeto das valentinas irlandesas, significa ‘pé frio’.’

Shaonny Takaiama

‘Eu seria uma boa professora’

‘O canal Futura está há 10 anos no ar e Regina Casé, à frente do Um Pé de Quê, já soma incríveis sete anos. Incríveis se considerarmos que este é um programa sobre árvores e que, em tese, interessaria a pouca gente. Em tese, por que Regina Casé sempre surpreende.

O ‘Um Pé de Que?’ já está há sete anos no ar. A que se deve o sucesso do programa?

A primeira vez que apresentei o projeto, falaram assim: ‘A idéia é ótima, mas isso aí dá uns dez programas porque é muito específico.’ E eu falei: ‘não, vai durar mais’, mas nem eu pensava que fosse durar sete anos. Eu acho que essa permanência vem de ser um assunto que você até gostaria de saber mas acha que não é pro seu bico e aí você vê que é muito simples.

Você parece ter um dom para tornar esse tema acessível…

Agora eu vou ser um pouco imodesta. Eu não acho que é esse tema, não, eu acho que sou boa nisso, eu seria uma boa professora. Desde pequena a minha filha diz que eu explico bem as coisas (risos).

Você já pensou em levar o programa para o ‘Fantástico’?

Este é um sonho que eu tenho. Eu adoraria fazer no Fantástico o concurso da árvore que melhor representa o Brasil ou ‘a árvore de cada cidade’, ‘a árvore de cada estado’.

Como o programa surgiu?

O Hugo Barreto me convidou pra fazer um programa de debates, com assuntos polêmicos, de adolescentes, sobre sexo, violência, porque ele achava que eu entrevistava bem os jovens. Aí eu disse: ‘eu não estou com vontade de fazer um programa assim, eu queria fazer um programa de identificação de árvores brasileiras’ (risos). A pessoa te oferece um guarda-chuva e você compra um isopor, né? (risos).

Como vocês irão neutralizar as emissões de carbono no programa?

Com o Um Pé de Que? muitas vezes a gente ia numa cidade como Camaçari, que tem o nome de uma árvore, e lá não havia um camaçari. Então a gente arrumava as mudas e fazia um plantio. Agora, com a neutralização, a gente faz isso de uma forma calculada.

Dizem que todo mundo deve ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Você já é uma pessoa realizada?

(Risos). Não, eu ainda não escrevi um livro. Mas acho que uma hora eu vou escrever um.

Você costuma abraçar árvores?

Olha, eu acho que conversar com samambaia no apartamento eu não seguro a onda. Agora abraçar árvore eu não tenho a menor dúvida que é bom e não vejo nada de metafísico ou esotérico nisso. A árvore alcança lugares e tem contato com umas coisas que eu não tenho. Então tá na cara que isso daí é bom, né? Agora conversar com samambaia em apartamento não, né? Eu já acho chato quem conversa muito. (Risos).

Você é muito cobrada para fazer piadas?

Eu era mais, na época do TV Pirata. Eu estava no restaurante e o cara falava: ‘faz uma piada!’. Ou, o que é pior, o cara chega e fala assim: ‘Nossa, você é tão diferente, na televisão você é tão engraçada!’ e você só está ali na fila esperando pra fazer o check-in (risos). Mas hoje em dia acho que meu trabalho está muito mais abrangente. Então tem um pouco menos de cobrança.

‘Um Pé de Que?’ ajudou a diluir essa sua imagem de humorista?

Contribuiu muito. No começo, eu ia entrevistar as pessoas e elas achavam que eu ia zoar, que era uma brincadeira. Depois todo mundo me viu entrando na vida das pessoas, me envolvendo e tratando aquilo com tanta seriedade que eu acho que essa imagem foi caindo. E o Um Pé de Que? contribuiu principalmente para aparecer um lado meu educadora do qual eu me orgulho muito.’

******************

Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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