Segunda-feira, 18 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 22 E 23/3

O Estado de S. Paulo

25/03/2008 na edição 478

TELEVISÃO
Etienne Jacintho

Ela é poderosa

‘Entrevistar Glenn Close envolveu uma série de frescuras, mas por parte dos mediadores. Após dezenas de recomendações e perguntas enviadas por e-mail, jornalistas da América Latina tiveram o prazer de ouvir a sra. Close falar ao telefone sobre Damages (AXN, terças, às 21 horas), uma das melhores séries em cartaz na TV hoje. E somente ouvir. As perguntas enviadas pelos jornalistas foram lidas por uma das mediadoras e somente ela pôde conversar com a atriz.

Diante dos não-me-toques das mediadoras, que não queriam sequer apresentar os jornalistas presentes, em teleconferência, do outro lado da linha, Glenn foi enfática: ‘Gostaria de saber. Estão todos na linha?’ E ficou claro que a sra. Close nada tem de Patty Hewes, a advogada ambiciosa de Damages, que abusa de seu poder. ‘É uma honra falar com vocês, mas gostaria de estar aí pessoalmente.’

Por que fazer TV?

Não é questão de ser cinema ou TV, mas sim de roteiro. Muitas pessoas diziam que se você fizesse TV, não teria carreira no cinema. TV era considerada o primo pobre do cinema, mas isso mudou. TV tem grande audiência e sempre acreditei em seu poder. The Shield, foi um desafio, pois nunca havia feito uma policial, uma superior, aquela que mandava. Era um novo território e gostei de trabalhar com as pessoas do FX. A oportunidade para Damages (também do FX) surgiu com uma personagem fantástica e um roteiro bem escrito.

Você se importa com críticas?

Sempre digo que, se um ator diz que não se importa com críticas, está mentindo. Não leio críticas quando faço teatro, porque tenho de sair de casa toda noite e subir no palco. Não ligo tanto, mas o fato de Damages ter recebido boas críticas foi ótimo. Me senti ótima!

Por que você sempre interpreta personagens fortes e más?

Cruela de Vil (do filme 101 Dálmatas) era um demônio. Nenhuma das outras eram vilãs. Quando sou desafiada a fazer essas personagens, minha tarefa é descobrir por que elas agem dessa forma. Eram mulheres fascinantes, interessantes, que muitas vezes se comportavam como homens e eram julgadas por isso, mas não eram vilãs.

Qual é a personagem favorita em sua carreira?

Todas representaram experiências incríveis e foram recompensadoras, pois adoro minha profissão. Acho que a marquesa Isabelle de Merteuil (Ligações Perigosas, 1988) foi uma das mais fascinantes.

Você já se sentiu discriminada como mulher e foi forçada a agir duramente como Patty Hewes?

Nunca, mas na pesquisa para o papel, conversando com advogadas famosas de Nova York, percebi que elas tiveram de ser mil vezes melhores do que qualquer homem para chegar onde chegaram. Todas têm histórias de batalhas.

Como você descreveria Patty Hewes?

Ela é boa no que faz e quer ganhar. Quando os roteiristas falaram comigo sobre criar esse personagem e a série, estavam interessados em mostrar o que o poder faz com as pessoas. Por isso, a série se chama Damages. Acho que todo mundo que viu a 1ª temporada se sentiu um pouco danificado.

Porque Damages é diferente de outras séries de advogado?

Ainda não tivemos cena de tribunal. É sobre advogados e o que acontece nos bastidores. E, na 1ª temporada – não sei o que estão armando para a 2ª -, tivemos essa estrutura de narração fantástica que começa no presente para voltar ao passado e o público estava ansioso para saber por que Ellen (Parsons) fugiu da casa de Patty coberta de sangue. Há mistério e é um grande entretenimento.

Você acha que os roteiros de TV estão melhores do que os de cinema?

Sempre haverá grandes filmes. Neste ano foram feitos filmes maravilhosos – como os que concorreram ao Oscar – mas acho que a TV, principalmente a TV a cabo, seduz os roteiristas, pois eles têm mais controle e, se você trabalha para HBO, FX, Showtime – que estão fazendo séries maravilhosas -, há mais liberdade criativa e por isso nossos melhores roteiristas estão na TV. Eles podem desenvolver um personagem por um certo tempo e não por duas horas. É como fazer um romance na TV.

Como você se livra de Patty, uma personagem tão pesada, após um dia de gravação?

Tiro meu figurino, lavo meu cabelo, meu rosto e vou para casa (risos)!’

 

Shaonny Takaiama

Ela foi para a Band. Fazer o quê?

‘A Band decidiu entrar na guerra acirrada pela audiência dominical. A aposta da vez é Daniela Cicarelli, que estréia hoje, às 14 horas, no comando do Quem Pode Mais?.

A atração é um game show no estilo guerra dos sexos, com equipes masculinas e femininas disputando TVs de plasma e viagens. A apresentadora também gravará reportagens sobre profissões típicas de homens e de mulheres, e pessoas que fujam a essa regra, como homens que são manicures e mulheres taxistas. Eventualmente, haverá também artistas participando do game e musicais. O primeiro convidado é Marcelo D2.

A escolha de uma disputa entre homens e mulheres como formato da atração tem razão de ser. ‘Eu não queria que o programa fosse uma colagem de quadros qualquer. Por isso o fio condutor é a guerra dos sexos’, explica a diretora de Programação e Artístico da Band, Elisabetta Zenatti.

Apesar de ser focado no público jovem, Quem Pode Mais? é para todas as idades. ‘É um programa leve, jovem. Domingo é dia de reunir a família. O pai vai assistir e gostar, o irmãozinho também’, garante Cicarelli.

A apresentadora mal chegou e já conquistou a simpatia de Elisabetta, que acredita ter feito a escolha certa ao trazer a ex-VJ da MTV para a Band. ‘A Daniela tem muito humor, espírito de improvisação e jogo de cintura’, elogia.

A difícil missão de segurar a audiência do domingo parece não meter medo em Cicarelli. ‘Nunca tive contato com essa coisa de ibope, pra mim é uma grande novidade. Mas a Band não está me cobrando audiência’, diz. Ela não esconde a alegria de apresentar um programa só seu aos domingos. ‘Como todo ator quer estar na novela das 9, todo apresentador quer o domingo.’’

 

Alline Dauroiz

Que vença o melhor… no humor

‘Depois de saírem da MTV, tentarem a sorte em outras emissoras e – por que não – quebrarem a cara, os VJs Cazé, de 40 anos, e Marcos Mion, de 28, hoje são pratas da casa. Pela primeira vez juntos, eles agora comandam o Quinta Categoria, atração em que competem para ver quem é o melhor apresentador. Em um papo com o Estado, os dois mostram que têm em comum muito mais do que o humor e o grande nariz.

O que vocês mais gostam e menos gostam um no outro?

Mion – Gosto muito do Cazé, o assisto desde meus 12 anos. Só não gosto do nariz dele, porque me faz lembrar o meu.

Cazé – A pior e a melhor coisa do Mion é ele ser muito metido. Fica engraçado.

O que têm em comum e qual a maior diferença?

Mion – O humor é um ponto em comum, mas também, a nossa diferença. Trafego muito pelo nonsense, pelo besteirol. O Cazé faz um humor mais político, mais consciente.

Vocês se sentem responsáveis pela formação crítica do público jovem da MTV?

Cazé – Não acho que tenha responsabilidade de educar o povo. Tenho responsabilidade sobre o que eu falo. Em momentos serei construtivo e, em outros, destrutivo. Não quero ser exemplo. Prefiro ser um questionador.

Mion – O melhor jeito de fazer críticas é com o humor. Se você está rindo, capta a atenção do espectador. Sempre acho um jeito de chamar a atenção, para depois passar o recado, sem dar lição de moral.

Os dois já foram para outras emissoras e depois voltaram à MTV. Acreditam na ‘maldição dos ex-VJs’, de que quando alguém sai da emissora, não dá certo em outro canal?

Cazé – Maria Paula está no Casseta&Planeta, Cris Couto, na Cultura, Adriana Lessa, no TV Fama, que p… de maldição é essa? Só se for eu e ele (risos).

Mion – Fomos os únicos que saíram para fazer algo totalmente autoral e fazer também um pouco da história da TV brasileira. Ainda têm frutos do trabalho que começamos.

Houve arrependimento?

Cazé – De jeito nenhum. Passei por vários departamentos na Globo. Claro, o programa não deu certo, depois de nove semanas saiu do ar. Mas tive um quadro no Fantástico que adorei. Tive também um convívio forte com o pessoal do Casseta. Foi uma p… escola!

Mion – (Quando fui para a Band) foi a melhor época da minha vida. Tinha 21 anos e um orçamento gigante para torrar no que queria. Aprendi a fazer televisão numa escala maior.

O que mais gostam e o que mais detestam na TV?

Mion – Assisto a tudo, faz parte do meu trabalho. Para criticar e fazer piada, tenho que saber o que é feito.

Cazé – Eu não assisto a nada, não vejo TV. Gosto de coisas mais curtas, como a internet.

Ser famoso é…

Cazé – Dar entrevista para o Estadão (risos).

Mion – Essa pergunta tem que responder filosoficamente bem. Senão fica aquela coisa: ‘Ser famoso é cortar o cabelo de graça’. A melhor coisa para responder é: ser famoso é conseqüência do trabalho, não é o objetivo, essas coisas (risos).’

 

Ugo Giorgetti

A hora em que as TVs atormentam

‘Entro na padaria, mais ou menos oito e trinta da manhã, preparado para pedir um café com leite e um pão na chapa. Infelizmente não tinha pra quem fazer o pedido. Atrás do balcão havia três funcionários da padaria todos escrupulosamente de costas para mim. Olhavam um aparelho de televisão no qual transcorria um jogo de futebol. Pensei primeiro em chamar a atenção deles, depois decidi esperar e ver no que ia dar. Não poderia, ao mesmo tempo, deixar de ver e ouvir o que se passava na tevê. Era um jogo do campeonato espanhol e ouvi repetidas vezes o nome Getafe ou Getave ou sei lá o que. Um dos times, portanto, ostentava o desconhecido e impenetrável nome de Getafe, o outro também não identifiquei. O que me deixou surpreso não foi alguém prestar atenção a um jogo do Campeonato Espanhol envolvendo um time chamado, talvez, Getafe. O que me deixou perplexo foi a hora: oito e trinta. Acostumado a regras de conduta de um mundo que, é verdade, talvez não exista mais, entendo que ver futebol, como qualquer outra atividade, obedece a tempo e espaço próprios, consagrados por usos e costumes ancestrais. Oito e trinta da manhã não é hora de ver futebol! Na padaria era. Depois de um tempo insuportavelmente longo finalmente fui visto e servido, com o atendente dando rápidas olhadas para a tevê, tentando não perder nada enquanto me servia. Quase pedi desculpas pelo incômodo.

Longe de ser algo fora do comum o que me aconteceu agora é regra. Em todos os bares, padarias, restaurantes, hospitais, velórios, igrejas, bancas de jornal há um maldito aparelho de televisão. Na maioria das vezes ligado num jogo. Qualquer jogo. Daqui e do exterior, entendendo-se a apalavra exterior na sua latitude mais ampla. Há de tudo: futebol, tênis, vôlei,competições de natação, etc, etc. Mas principalmente, claro, futebol. E, principalmente, para minha infelicidade, nos bares. É uma coisa terrível.

Ultimamente me dediquei a observar as pessoas nos bares e sua atitude diante da tevê . Vi garotas lindas, abandonadas, como se estivessem sozinhas, um olhar de tédio incrível no rosto, enquanto seu acompanhante olho cravado na tevê, não perdia um lance. Vi pessoas em silêncio, mastigando maquinalmente, olhando para o aparelho como robôs. Quem sofre é quem ainda não foi desumanizado. Há bares com dois, três aparelhos, cobrindo cuidadosamente todos os cantos, como se os donos não quisessem mais que se converse ou que se coma em paz em seus estabelecimentos. Somos submetidos impiedosamente a jogos e teipes de jogos distantes que só servem para atrapalhar a refeição ou a conversa.

Em vários horários e dias diferentes fui submetido ao mesmo Lazio e Roma e no entanto, a última coisa no mundo que desejava ver ao tomar minha cerveja era o Taddei!

Há pouco tempo, no lendário Ponto Chic do Largo Padre Péricles, vi duas pessoas possivelmente pai e filho, os dois olhando a tevê, acompanhando um jogo do São Paulo. O garçon aproximou-se da mesa e pôs diante deles dois dos famosíssimos baurus que celebrizaram a casa. Os baurus ficaram longo tempo nos pratos, intactos.

Finalmente um deles pegou mecanicamente o delicioso sanduíche, mas não comeu. Apenas ficou segurando, a meio caminho da boca, e assim ficou, boca aberta, olhando a imagem na teve. Não esperei para ver o destino que iam dar ao venerável prato. Pedi a conta e saí.’

 

Daniel Piza

Políticas cruzadas

‘Na segunda-feira, na TV francesa, em uma dessas mesas-redondas sobre política (os franceses ainda discutem política como os brasileiros discutem futebol), Palavras Cruzadas, um dos participantes desancava o presidente Nicolas Sarkozy, grande derrotado das eleições municipais do dia anterior. Depois de alguns argumentos mais técnicos, no calor da situação, ele não se conteve e passou a falar de sua relação com a cantora e modelo (mas nenhum modelo de cantora) Carla Bruni, com quem o presidente vive desfilando, sem respeito nenhum à ‘liturgia do cargo’, etc. e tal. Para quem assistia, parecia mais uma reação pessoal, de moralismo ou inveja, do que uma observação crítica. Sarkozy ou qualquer político, afinal, pode namorar quem quiser e como quiser.

Outra discussão é quanto ele fez uso dessa relação para atrair a mídia em momento difícil, criando factóides ou ‘photo opportunities’ como as de sua lua-de-mel no Egito. Sarkozy, já escrevi, lembra um Collor francês, alguém que quer fabricar uma imagem de dinamismo e modernidade divulgando seu cooper e suas roupas, suas viagens e suas leituras, e ‘esquece’ de dinamizar e modernizar o país. (No caso de Collor, para ficar num só exemplo, aquele confisco da poupança ia diretamente contra qualquer idéia de sociedade moderna, mas houve quem aprovasse.) Nove meses depois de eleito, ‘Sarkô’ ainda não conseguiu apontar para horizonte nenhum.

A separação entre público e privado é fundamental, mas nunca é total. Lembro o livro de Seymour Hersh, O Lado Negro de Camelot, em que mostrou como o presidente americano JFK era beneficiado pela imagem de homem conquistador, o político jovem e bonito que levaria a nação a se rejuvenescer. E como isso até pôs a segurança nacional em risco em algumas situações. No entanto, cabe também à sociedade deixar um pouco a fofoca de lado e fazer menos confusão. Veja o caso do governador de Nova York, Eliot Spitzer. No Brasil e em muitos países, o que se diz é que ele foi derrubado por um escândalo ‘sexual’, como se seu problema fosse o fato de ter traído a mulher com prostitutas, daí o ‘puritanismo americano’, etc. Não, o que pegou foi o fato de que ele montou um esquema fraudulento – talvez até com dinheiro público.

Cidadãos não podem fraudar; governadores, menos ainda. O que não se compreende no Brasil é isso: um funcionário público, por mais poderoso, não pode seguir num cargo quando está sob fortes suspeitas, baseadas em provas concretas (testemunhos e/ou documentos), para as quais não tem uma explicação clara e imediata. Renan Calheiros até hoje não só não explicou a origem do dinheiro com que pagava pensão a Monica Veloso, mas tampouco foi punido por brandir documentos comprovadamente falsos (notas fiscais de empresas inexistentes) à mesa da presidência do Senado desta República.

É diferente do caso da outra Monica, a Lewinsky, no qual Bill Clinton se complicou pela mentira dita em público (sobre não ter tido relação sexual com ela na Casa Branca) e explorada pelo reacionário procurador Kenneth Clark. Clinton não cometeu crime nenhum, ao menos nesse episódio; apenas fez papel de bobo. Não se trata, portanto, do velho provérbio de Pompeu, ‘Não basta à mulher de César ser honesta, é preciso parecer honesta’. A questão com Spitzer é que ele não foi honesto. Como a referência demonstra, a relação entre poder e sexo é tão antiga quanto a mais antiga das profissões. O ‘Estado espetáculo’, por sinal, não é invenção do século 20, mas foi amplificado por ele, com tantos meios de comunicação. Só que ainda é possível distinguir o bom do mau espetáculo e, nas democracias adultas, exigir o dinheiro de volta.’

 

INTERNET
Guilherme Scarance

Internet revira baú da memória política

‘Um curioso baú digital está ajudando a reverter o ditado de que o brasileiro tem memória curta para política. Após a febre do Orkut e dos blogs, cresce agora o compartilhamento de vídeos na internet, sobretudo no site YouTube. Quase tudo foi incluído lá pelos internautas: gafes, momentos históricos, propaganda partidária e ideologia para todos os gostos. De olho no interesse crescente pela nova mídia, políticos aprendem gradativamente a desvendá-la e marqueteiros buscam a melhor maneira de infiltrar seus patrões na rede.

Um consulta por palavra-chave mostra a invasão de temas políticos no YouTube. Há 1.600 vídeos disponíveis com referência ao presidente Lula. A vaia na abertura do Pan, no Rio, é um deles. Também pode ser vista uma mensagem de Lula, antes do segundo turno de 2006: ‘Alô companheiros que navegam no Orkut, muito obrigado pelo apoio.’ Foi vista 111 mil vezes.

A lista de vídeos e áudios disponíveis é grande e exige filtragem: mensalão (664 arquivos), diretas-já (105), Tancredo Neves (134), operações da Polícia Federal (115), Paulo Maluf (353) e Movimento dos Sem-Terra, com 2.170 itens. Denunciada pelo Ministério Público por participar da destruição de 1 milhão de mudas na Aracruz Celulose, há 2 anos, a líder Luciana Passinato aparece num documentário. ‘As mulheres da Via Campesina escolheram esse local porque é uma das grandes ameaças do agronegócio’, diz ela. Em outro vídeo, a Aracruz garante ter investido ‘milhões de dólares’ nas comunidades locais e em educação.

A polêmica transposição do Rio São Francisco é tema de 167 vídeos. O líder do MST João Pedro Stedile, por exemplo, aparece dando apoio ao bispo de Barra (BA), d. Luiz Flávio Cappio, que fez greves de fome contra o projeto. Já o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) aparece batendo boca com d. Luiz e a atriz Letícia Sabatella. Para ele, está em jogo ‘o abastecimento de 12 milhões de pessoas’.

Dá para conferir as acusações do então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) na CPI do Mensalão e o discurso de Renan Calheiros (PMDB-AL), ao entregar o cargo de presidente do Senado. Gafes também estão lá: a famosa frase – ‘relaxa e goza’ – da ministra do Turismo, Marta Suplicy e o governador José Serra se atrapalhando ao dar nota ao governo FHC, no Programa do Jô.

Um dos mais atentos à era digital é o prefeito do Rio, Cesar Maia, que já ‘postou’ 260 vídeos. ‘Trata-se de ampliar e diversificar os instrumentos de comunicação e interatividade’, explicou ele ao Estado, por e-mail. Os marqueteiros também estão atentos. ‘É uma convergência total e absoluta, o exercício da democracia plena’, ressaltou Dante Matiussi, que teve sua TV Mercadante barrada pela Justiça Eleitoral na última eleição. Agora espera regras mais claras.’

 

CHINA
O Estado de S. Paulo

Jornal do PC chinês quer que protestos sejam ‘esmagados’

‘O Diário do Povo, porta-voz do Partido Comunista da China, pediu ontem em editorial que sejam esmagados os protestos de tibetanos contra Pequim, iniciados na semana passada: ‘Precisamos perceber as intenções malignas das forças secessionistas, manter a estabilidade social e esmagar resolutamente a conspiração das forças de independência do Tibete.’ Pequim elevou seu número de mortos nos protestos para 22, mas o governo tibetano no exílio afirma que pelo menos 80 pessoas morreram em Lhasa, capital do Tibete, e outras 19 na Província de Gansu. O governo chinês, que está impedindo o acesso de estrangeiros ao Tibete, também decidiu proibir as filmagens na Praça da Paz Celestial, em Pequim, durante a Olimpíada de agosto. Em visita a Paris, o candidato republicano à presidência dos EUA, John McCain, disse que a repressão chinesa é inaceitável.’

 

ARTHUR CLARKE
Ethevaldo Siqueira

Três encontros jornalísticos com Arthur Clarke

‘‘Inventemos a máquina do tempo para trazer nosso ídolo de volta.’ Essa foi uma das centenas de frases postadas por leitores de Arthur C. Clarke no site do escritor, minutos após a divulgação da notícia de seu falecimento, ocorrido à 1h30 da manhã de quarta-feira, 19 de março de 2008, em Colombo, no Sri Lanka (17h30 de Brasília, da terça-feira).

Leitor e admirador do cientista-escritor, fiquei diante da internet até 3 horas da madrugada, num chat concorrido, no mesmo endereço em que, algumas vezes, eu e ele dialogávamos (http://www.arthurcclarke.net/?scifi=2). Na página principal do site, iam surgindo, uma atrás da outra, centenas de mensagens sobre sua vida, vindas de todos os continentes.

Autor de centenas de previsões geniais, Arthur Clarke foi um dos pioneiros e entusiastas dos satélites de telecomunicações. Em sua homenagem, a órbita geoestacionária se chama Órbita de Clarke. Em outubro de 1945, publicou na revista Wireless World o artigo ‘Extraterrestrial Relays’ (Repetidoras Extraterrestres), em que previa um sistema de três satélites de telecomunicações capaz de cobrir toda a Terra.

Tive o privilégio de encontrá-lo três vezes nos últimos 29 anos. O primeiro encontro ocorreu em 1979, em Genebra, quando ele recebia homenagem especial do Intelsat, durante a Telecom 79, evento mundial de telecomunicações.

BISBILHOTEIROS

Tudo aconteceu casualmente: eu caminhava pela feira, em companhia de Eugênio Staub, presidente da Gradiente, quando vi Clarke à distância, sentado, no estande do Intelsat. Aproximei-me dele e tomei o cuidado de não dizer que era jornalista, pois sabia de sua pouca simpatia por repórteres.

Clarke queixou-se de sua agenda, já que, depois da homenagem, teria que dar uma entrevista coletiva. E disparou: ‘Jornalistas são bisbilhoteiros e indiscretos. Deturpam minhas palavras, querem sempre saber qual será meu próximo livro, como vivo no Sri Lanka, como chama o meu cachorro…’

Não contive o riso e passei a fazer perguntas técnicas, como se fosse engenheiro. Depois de meia hora, falávamos sobre tudo, do futuro do homem à origem do Universo. Que alegria poder ouvir alguém com aquela cultura, por mais de uma hora, sem interrupção. Bem humorado, ele chegou a me contar por que foi viver no Sri Lanka: ‘Vivo lá porque adoro mergulhar e fotografar, em especial a Grande Barreira de Coral, com 2.300 quilômetros de recifes de corais, no litoral da Austrália. Outros brincam, dizendo que eu quis fugir ao confisco dos impostos britânicos.’

Cobrei-lhe algumas previsões que não se concretizaram, contidas no famoso artigo de 1945. A resposta foi direta. ‘Esqueçamos os pormenores, pois acertei em cheio na idéia central de um sistema mundial de telecomunicações via satélites geoestacionários localizados a 36 mil quilômetros (22 mil milhas) de altura no plano do Equador terrestre. Onde errei feio foi no tipo de satélites, pois antes da invenção do transistor só poderia imaginar imensas estações espaciais tripuladas, de 150 toneladas, com equipamentos a válvulas, operados por astronautas. E mais: não haveria foguetes capazes de levar tais engenhos ao espaço’.

Ao final, Arthur Clarke me pediu para conduzi-lo ao pavilhão britânico na Telecom 79, onde reencontrou amigos, entre os quais um engenheiro da British Telecom, antiga estatal de telecomunicações, com quem havia trabalhado durante a Segunda Guerra Mundial, na operação dos primeiros radares instalados no litoral do Canal da Mancha.

Meu segundo encontro com o escritor, três anos depois, em Paris, numa feira de eletrônica, rendeu mais de uma hora de entrevista. Clarke sempre supôs que eu fosse engenheiro de telecomunicações ou escritor especializado em comunicações. Por isso, me pedia informações sobre projetos brasileiros, como o dos satélites Brasilsat, da Embratel.

PREVISÕES

Mesmo vivendo como antípodas, nunca perdemos o contato. Nosso terceiro encontro, no entanto, só ocorreu em 2001. Com mais de 80 anos, Clarke já mostrava problemas de saúde. Diversos jornalistas o procuravam naquele ano para conferir as previsões mostradas no filme 2001, Uma Odisséia no Espaço. A todos ele dizia: ‘Eu não queria que o filme fosse datado. Mas o Stanley Kubrick (diretor do filme), com sua teimosia, insistiu em manter o ano 2001 no título. Agora me cabe justificar porque o computador ainda não pensa’ – explicava.

INTERNET

O telefone, mais do que satélites e computadores, era sua grande paixão: ‘O telefone revolucionou a economia e a comunicação no mundo’. Lamentava nunca ter previsto em seus escritos as duas maiores invenções do século 20: o transistor e a internet.

Periodicamente trocávamos alguns e-mails, nos quais me chamava, com amabilidade: My Brazilian friend. Colaborativo e solícito, me sugeriu dezenas de fontes de informação e abriu portas para que eu entrevistasse cientistas e acadêmicos, nos Estados Unidos e na Europa. Esse apoio me foi extraordinariamente valioso para escrever o livro 2015 – Como Viveremos.’

 

 

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