Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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O Estado de S. Paulo

19/05/2009 na edição 538

GOVERNO
Nicola Pamplona

Noticiário negativo causa queda das ações

‘O mercado financeiro reagiu mal à criação, no Senado, da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Petrobrás. As ações da companhia puxaram para baixo a Bolsa de Valores de São Paulo ontem e, segundo analistas, a tendência é de mau desempenho nas próximas semanas, em virtude do noticiário negativo que pode ser gerado pela CPI. Especialistas, porém, não veem grandes impactos na gestão da estatal.

‘A Petrobrás deve permanecer na mídia de forma negativa enquanto durar a CPI’, comentou o analista Nelson Rodrigues de Mattos, do Banco do Brasil Investimentos, destacando que o impacto maior deve se dar junto aos investidores estrangeiros, que seriam mais vulneráveis ao noticiário político.

As ações ordinárias da estatal (com direito a voto) fecharam o dia em queda de 1,37%. Já as preferenciais caíram 1,39%. A Bovespa terminou o pregão em queda de 0,89%.’

 

Eduardo Kattah

Patrus ataca mídia por noticiar fraude no Bolsa-Família

‘Demonstrando contrariedade com a abordagem da imprensa às fraudes detectadas recentemente no programa Bolsa-Família, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, afirmou ontem que setores minoritários do País, com influência nos meios de comunicação, são intolerantes ‘com os direitos e com as lutas dos pobres’. No início do mês, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que mortos, políticos eleitos, suplentes e outras pessoas que não teriam direito recebem o benefício. O ministro acredita que falta boa vontade com as políticas sociais do governo e classificou como ‘muito ruim’ a expressão portas de saída, usada para caracterizar uma etapa posterior ao programa de transferência de renda.

‘Traduz um sentimento assim: quando essas pessoas vão sair daí? Como se os pobres fossem incômodos. Na minha terra, no norte de Minas, porta de saída é a serventia da casa’, disse. ‘Nós queremos cada vez mais é ampliar as portas de entrada, para que os pobres cada vez mais tenham entradas no Brasil. Portas de entrada para a inclusão, portas de entrada para o trabalho, portas de entrada para a educação, portas de entrada para a dignidade, para a cidadania.’

ANIMOSIDADE

O relatório do Tribunal de Contas da União constatou indícios de fraude no pagamento de cerca de 106 mil benefícios, o equivalente a 3,4% da folha mensal de pagamentos. Em uma palestra para assistentes sociais, em Belo Horizonte, Patrus falou em somente mil casos suspeitos e observou que o Bolsa-Família atende mais de 11 milhões de famílias no Brasil.

Para o ministro, as notícias sobre a auditoria refletem uma ‘animosidade’ com o programa e avaliou que ‘o retrocesso é possível’ porque existe ainda no Brasil forças políticas e econômicas minoritárias, mas poderosas, que são contrárias às políticas sociais.

‘Os nossos adversários não descansam. Ainda tem gente no Brasil com mentalidade escravocrata’, afirmou. ‘É impressionante, qualquer problema que aparece, como que eles veem com sofreguidão, o que expressa a animosidade que eles têm com qualquer dinheiro direcionado aos pobres. O País aceita sem discussão nenhuma subsídios para os ricos.’

Patrus disse que as denúncias estão sendo apuradas e em entrevista ponderou, destacando a importância do TCU e da imprensa no combate a fraudes e equívocos do programa, ‘ainda que localizados’.

Segundo ele, o governo tem dado ‘forte ênfase’ à capacitação profissional dos beneficiários, por meio de convênio com empresas e oportunidades geradas pelos investimentos e obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O ministro considerou positivo o fato de o PSDB ter realizado recentemente um seminário em João Pessoa (PB) sobre os programas de transferência de renda, assumindo o discurso de que é a favor do Bolsa-Família, mas com a preocupação de fazer ‘avançar’ as políticas sociais. ‘Acho bom que eles estejam discutindo isso, aplaudo.’

VIRADA HISTÓRICA

Patrus reconhece que o programa teve antecedentes no governo Fernando Henrique Cardoso, com o Bolsa-Escola e o Bolsa-Alimentação, mas afirma que a ‘virada histórica’ ocorreu na atual gestão.

O ministro ressaltou que o governo está empenhado em criar uma base jurídica para a manutenção dos programas sociais. ‘No sentido que esses programas se tornem cada vez mais políticas públicas, políticas de Estado. Ou seja, para mudá-los ou para haver qualquer retrocesso tem de mudar a lei. Em alguns até nós estamos procurando colocar no campo constitucional.’’

 

Elder Ogliari

Yeda vai mover ação contra ‘Veja’ por danos morais

‘A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), vai mover uma ação de indenização por danos morais contra a revista Veja pela publicação de reportagem afirmando que ela usou doações não registradas da campanha eleitoral de 2006 para pagar parte de um imóvel. A decisão foi anunciada ontem pelo advogado de Yeda, Eduardo Alckmin, que apontou abalo na ‘honra da governadora’. Procurada, a direção da revista não foi encontrada para comentar.’

 

ROXANA SABERI
O Estado de S. Paulo

Jornalista deixa o Irã e chega a Viena

‘A jornalista americana Roxana Saberi, de origem iraniana, chegou ontem a Viena depois de ter sido libertada na segunda-feira pela Justiça do Irã. Roxana ficará na Áustria por alguns dias antes de voltar para os EUA com a família. Ela estava presa desde janeiro sob a acusação de trabalhar como espiã de Washington em território iraniano.’

 

VENEZUELA
AFP

Líder venezuelano volta a ameaçar emissoras

‘O presidente venezuelano, Hugo Chávez, voltou a ameaçar ontem os meios de comunicação de oposição. ‘Que o mundo não estranhe quando tenhamos que tomar decisões a respeito de alguns meios de comunicação que continuam a fazer terrorismo no país’, afirmou, numa entrevista na Argentina. No domingo, o líder venezuelano disse que preparava uma ‘surpresinha’ para as TVs e rádios ‘conspiradoras’. Chávez não citou o nome de nenhuma emissora, mas pouco depois o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, acusou a rede de notícias Globovisión – única TV opositora que ainda transmite na rede aberta na Venezuela – de fazer ‘terrorismo midiático’.’

 

INTERNET
Renato Cruz

Desacreditada, a Amazon se reinventa e vira líder em tecnologia

‘Em 2002, o consultor Philip Kaplan lançou um livro chamado F?d Companies, em que contava histórias de como empresas de internet captaram bilhões de dólares, para depois quebrar, durante os anos loucos da bolha. Na época, Kaplan gostava de dizer nas entrevistas: ‘Eu sempre encorajo as pessoas a comprarem meu livro da Amazon, porque a cada livro que você compra da Amazon eles perdem cerca de US$ 1,50’.

Muita gente via o varejista virtual como uma empresa da bolha da internet, que estourou em 2000, como uma empresa que não iria sobreviver. Um administrador de fundos, William Fleckenstein, chegou a descrever o modelo de negócios da Amazon da seguinte forma: ‘Ela troca notas de US$ 1 por US$ 0,95 e quer recuperar a diferença no volume de vendas’.

A situação mudou muito desde então, graças à capacidade de Jeff Bezos, fundador da Amazon, de reinventar a empresa continuamente. O executivo – que apresentou o Kindle DX, leitor de livros virtuais com tela grande, no começo deste mês – é visto hoje como um dos principais líderes do mercado de tecnologia, à frente de um gigante com faturamento anual de US$ 19,2 bilhões e lucro líquido de US$ 645 milhões.

‘A Amazon evolui bastante’, aponta Alejandro Padron, consultor de varejo da IBM. ‘Como livraria, nunca conseguiria chegar a esse faturamento. Hoje, ela usa mais a plataforma tecnológica e a marca, e atrai tráfego para muitos outros varejistas.’

Formado [KRANTZ, 1998]em engenharia elétrica e ciência da computação por Princeton[/KRANTZ, 1998], Bezos trabalhava como analista financeiro quando resolveu criar a Amazon em 1994, depois de ler um relatório que previa crescimento médio anual de 2.300% para a internet. O site entrou no ar em julho de 1995, vendendo somente livros, e anunciando-se como a maior livraria do planeta. Isso era possível porque, atuando pela rede mundial, podia colocar à venda títulos que não estavam no estoque.

A estratégia inicial da Amazon foi agressiva. Aproveitando do dinheiro fácil que existia na época da bolha, a empresa buscou crescer sem se preocupar com o lucro. O plano de negócios de Bezos previa que a empresa ficaria no vermelho por quatro ou cinco anos. O primeiro lucro só chegou no quarto trimestre de 2001, um ano após o estouro da bolha, quando a empresa teve um resultado positivo de US$ 5 milhões e um faturamento de mais de US$ 1 bilhão. Desde então, nunca voltou ao vermelho.

DIVERSIFICAÇÃO

A primeira reinvenção da Amazon foi se transformar de livraria em grande varejista. A diversificação começou já em 1998, quando a empresa passou a vender CDs. Hoje, a oferta da empresa inclui uma vasta gama de produtos, que inclui eletrônicos de consumo, computadores, roupas, alimentos e móveis, entre outros. A Amazon também criou sites locais para atender a outros países, como Alemanha, Canadá, China, França, Inglaterra e Japão.

A segunda grande mudança aconteceu em 2000, quando a Amazon passou a oferecer sua plataforma de varejo para terceiros. Várias lojas, como CDNow, Target, Timex, Marks & Spencer e Lacoste, funcionam com a tecnologia da Amazon. Isso fez com que a empresa conseguisse maximizar seus investimentos em tecnologia, transformando-se numa companhia de serviços e deixando de ser somente um varejista. Os próprios consumidores podem vender livros, CDs e DVDs usados pela Amazon. Desse jeito, a empresa consegue aproveitar ao máximo o tráfego que consegue atrair para o seu site.

Aprofundando essa estratégia, foi lançada em julho de 2002 a Amazon Web Services, que oferece vários serviços para desenvolvedores de outros web sites. Naquela época, ainda não existia o conceito de ‘computação de nuvem’, mas, de certa forma, é isso que a empresa oferece. A Amazon colocou a disposição de terceiros, como serviço, capacidade de servidores, armazenamento e banco de dados disponível em seus centros de dados.

A reinvenção mais recente foi o lançamento do Kindle, leitor de livros digitais. Apesar de todo o barulho, o equipamento ainda precisa se provar no mercado. Sua primeira versão foi lançada em 2007 e, até agora, ele tem sido um dispositivo que conseguiu atrair aficionados por tecnologia.

Bezos transformou a Amazon de livraria em grande varejista e grande varejista em empresa de serviços. Com o Kindle, a companhia acabou se tornando uma fabricante de eletrônicos de consumo, entrando no mercado de gigantes bem estabelecidas como a Apple e a Sony. A ideia de que o Kindle será o ‘iPod dos livros’ ainda tem de se provar.

Mesmo com todas as mudanças, a maior força da Amazon vem de suas operações de varejo. Com faturamento de US$ 19,2 bilhões, ela é quase três vezes maior que a vice-líder do comércio virtual, a Staples, que fatura US$ 7,7 bilhões.

‘Existe um grande potencial de crescimento’, diz Padron, da IBM. ‘Somente 7% do varejo global está na internet e, apesar de ser o maior varejista virtual do mundo, a Amazon ainda atua em poucos países. Não está no Brasil, por exemplo.’’

 

ARTE
Antonio Gonçalves Filho

Sophie Calle reencontra amante e quebra a barreira da privacidade

‘Há 30 anos ela seguiu um desconhecido pelas ruas de Paris, acompanhou seus passos até Veneza e fotografou tudo o que o anônimo viajante fez durante a viagem. Batizou o trabalho de Suite Vénetienne (Suíte Veneziana, 1979) e tomou gosto pelo voyeurismo. Percebeu também que outras pessoas adoravam fuçar a vida alheia. Dois anos depois, pediu à mãe que contratasse um detetive para fazer o mesmo com ela, seguindo-a, tomando notas de suas ações e fotografando-a por 24 horas. Isso resultou no trabalho La Filature (A Perseguição, 1981), apresentado na 28ª Bienal Internacional de São Paulo. Agora, a artista e escritora francesa Sophie Calle volta ao Brasil para mostrar a obra que há dois anos provocou polêmica na 52ª Bienal de Veneza, Prenez Soin de Vous (Cuide-se). O filme, um acerto de contas com o ex-namorado e também escritor Vouillier, que a dispensou por carta, será exibido no festival Videobrasil em julho, mesmo mês em que ela e o antigo amante, autor do livro L?Invité Mystère, participam da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Antes do esperado reencontro, ela falou ao Estado, por telefone, sobre esse cruzamento entre vida privada e pública.

Prenez Soin de Vous não é o registro de sua primeira desilusão amorosa. Em 1984, ela construiu uma instalação com 92 fotos que registravam um encontro frustrado em Nova Délhi. Pode parecer contraditório, mas é isso mesmo. Sophie marcou um encontro em um hotel e o homem não apareceu. Ela, então, registrou imagens do quarto onde os dois deveriam ter passado horas agradáveis e cruzou o próprio depoimento sobre a desilusão com o de outras pessoas. Douleur Exquise (Dor de Cotovelo, 1984) é o registro de uma ausência, intraduzível tanto em termos verbais como visuais. Desde então, tornou-se o tema central e obsessão de Sophie.

A ausência do ex-amante, em Prenez Soin de Vous, começa pelo próprio título, referência à última frase da mensagem eletrônica enviada por ele, ‘Cuide-se’. Foi o que fez. Deixou de se lamentar e enviou a carta do namorado para 107 mulheres, gravando em vídeo a reação de atrizes, cantoras, bailarinas, tarólogas, DJs, palhaças, advogadas e até sua excêntrica mãe ao ler a telegráfica dispensa amorosa. Entre as celebridades que aparecem no vídeo estão as atrizes Jeanne Moreau, Maria de Medeiros e Victoria Abril, que dá um conselho de mulher madura para Sophie: ‘Esqueça isso e me deixe dormir’, diz, enrolando-se nos lençóis e rindo.

Em Cuide-se, muitos críticos, diante do luxuoso catálogo de sua mostra, que inclui DVDs, um ensaio erudito, poemas e desenhos, perguntaram que tipo de mulher responde a uma dispensa amorosa eletrônica por e-mail com uma orquestração pública de contra-rejeição. Em tempos de Big Brother, que aboliu as fronteiras entre vida privada e pública, você considera que a melhor maneira de se cuidar é atacar o outro?

Não estou interessada nos críticos de Veneza. O meu não é um diário, mas um trabalho de arte, em que tento construir não uma obra para ficar exposta na parede, mas para incentivar relações interpessoais.

O uso de material inspirado ou retirado da vida privada é contemporâneo, mas tem uma dívida com artistas conceituais, caso de Vito Acconci, Orlan e Cindy Sherman, que usaram os próprios corpos para se expressar. Você diria que tem uma dívida com eles?

Especialmente com Vito Acconci. Pensei muito nele antes de fazer meu trabalho (e Les Dormeurs, em que ela convida pessoas ao acaso para dormir em sua cama, tem muito a ver com a obra de Acconci, que lotou limusines de noivas com penetras). Viajei até Nova York especialmente para pedir permissão a Acconci, considerando as semelhanças de propósitos e ele foi bastante gentil, dizendo que o meu trabalho era diferente, que era mais sentimental. Não sou a pessoa indicada para falar sobre a ressonância do legado conceitual em minha obra, mas admito que teve um papel enorme em minha formação.

Seu ex-namorado Grégoire vai dividir a mesa Entre Quatro Paredes com você na Flip, dia 4 de julho. Que reação você espera dele? Grégoire viu o vídeo Cuide-se?

O livro foi publicado na França e o vídeo, exibido em Veneza. Ele já viu a exposição que estará no Videobrasil com os textos, fotos e as performances das mulheres convidadas a interpretar a carta enviada por Grégoire. Foi difícil para ele. Não gostou do que viu, mas respeitou o projeto. Grégoire foi muito generoso ao dizer que não causaria nenhum problema. Não fez nenhuma objeção ao trabalho. Sugeri ao pessoal da Flip que o convidasse não por causa do vídeo, mas porque é um ótimo escritor (L?Invité Mystère trata também de um reencontro, numa festa, de um casal que não se vê há anos).

Antes de apresentar a exposição e exibir o vídeo na Bienal de Veneza, você colocou anúncios em diversos jornais à procura de um curador. O que a fez decidir por um artista, Daniel Buren? Foi um protesto contra o poder curatorial que domina as mostras internacionais, eclipsando os artistas?

Recebi 200 propostas de críticos, curadores e alunos de arte, mas a melhor foi a de Daniel. Queria alguém a meu lado que conhecesse bem o espaço expositivo em Veneza e ele era a pessoa indicada, já que recebeu um Leão de Ouro da Bienal como melhor pavilhão de 1986. Não tinha nada contra curadores, mas não queria que o pavilhão francês parecesse uma provocação ou um jogo. Acho que fiz a escolha perfeita.

Muitas de suas obras, como Suite Vénitienne e La Filature, lidam com o conceito da ausência, que não pode ser compensada apenas por uma imagem fotográfica, necessitando um comentário verbal para trazer o passado de volta. Não diria que é um trabalho um tanto proustiano?

Nem pronuncie o nome de Proust. Certa vez disse isso e quase fui massacrada, porque Prout é um nome sagrado na França. Sigo gente que não conheço, fotografo anônimos. Então, digo agora que seguimos caminhos diferentes. Proust escreveu sobre pessoas de suas relações.

As imagens de Cuide-se são bastante coutardianas, no sentido que parecem surgir da câmera de Raoul Coutard, o fotógrafo de Godard.

A Nouvelle Vague francesa é paradigmática, mas prefiro que os críticos cuidem disso.

Paul Auster elegeu-a como modelo de Maria em seu quinto romance, Leviatã (escrito em 1992), e certa vez ouvi seu nome numa conversa com a mulher dele, que também é escritora e crítica de arte, Siri Hustvedt. Foi Siri a reponsável por esse encontro?

Não. Quando ele me escreveu, não o conhecia. Foi um diretor inglês, Michael Radford (O Carteiro e o Poeta e 1984), que encomendou a ele um roteiro sobre meu trabalho. O filme acabou não saindo por problemas de produção. De qualquer forma, dei autorização para Auster usar minha história e ele foi bastante gentil retribuindo com um convite para que eu fizesse uma performance baseada na personagem que criou.

E o que você acha da Maria de Leviatã?

Não li o livro de Auster com o propósito de me reconhecer nele. Prefiro ver Maria como um personagem de ficção. Outras pessoas, aliás, me procuraram na mesma época, interessadas em usar minha história, entre elas o cineasta brasileiro Walter Salles.

Um de seus trabalhos mais intrigantes é Chromatic Diet, justamente baseado na personagem criada por Auster em seu sombrio Leviatã. É uma crítica à herança austera da Bauhaus, ao fascínio do modernismo pelo monocromático, ou um contraponto à folia cromática do mundo contemporâneo?

Essa instalação, apresentada em 1997, foi feita por sugestão de Paul Auster. Não escolhi o assunto. Ela consistia na mesma dieta de meu alter ego Maria Turner. Às terças só comia legumes, carnes ou frutas vermelhos, como tomate ou steak tartare, completando o cardápio com uma boa taça de Lalande de Pomerol, Domaine de Viaund, 1990. Queria apenas atuar como o personagem Maria de Leviatã, não condenar a austeridade cromática da Bauhaus.

Qual o seu trabalho que considera o mais pessoal?

No Sex Last Night (Sem Sexo na Noite Passada), sem dúvida. Ele é dedicado a meu amigo Hervé Guibert (autor de Ao Amigo Que Não me Salvou a Vida, sobre o amante que lhe transmitiu o vírus da aids) e foi feito com Greg Shephard em 1995, quando viajamos de Nova York a Califónia em seu conversível e resolvemos casar numa daquelas capelas drive-thru que existem em Los Angeles. Gravamos tudo com nossas câmeras, da paisagem às tentativas para levar esse casamento adiante. É, sim, o mais pessoal de meus filmes. Chamaram-me de exibicionista, mas devo dizer que minha mãe era bem mais que eu.’

 

TELEVISÃO
Gustavo Miller

Vai tudo para a web

‘A RedeTV! lançará em junho um portal de vídeos online que terá toda a programação da emissora. Batizado provisoriamente de RedeTV! i, uma versão beta do site já pode ser vista no www.redetv.com.br/portal.

Segundo Amilcare Dallevo, presidente da RedeTV!, as matérias dos telejornais da casa agora terão dois enfoques: uma para a TV e outro para a internet. ‘Nossa empresa desenvolveu um software que faz o corte automático da cabeça da reportagem para já ajustar o seu tempo correto de ser publicado no portal’, disse ao Estado.

Mas o portal não vai apenas editar as reportagens para o ‘tempo de internet’. Aquelas que possam ser mais bem exploradas no ambiente online terão uma abordagem mais completa daquilo que foi ao ar na televisão.

Apesar de ter todo o seu arquivo digitalizado desde 2003, a RedeTV! não planeja, ainda, publicar vídeos antigos. A ideia é que os programas de auditório, como Pânico na TV, já sejam disponibilizados no site um dia após a exibição na televisão aberta.

‘A qualidade dos vídeos está muito boa. O site é hospedado em Dallas e consegue suportar 20 mil acessos simultâneos’, diz Dallevo.’

 

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