Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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O Estado de S. Paulo

16/06/2009 na edição 542

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
O Estado de S. Paulo

Windows sem o Explorer não beneficiaria consumidor

‘REUTERS – O anúncio da Microsoft de que vai oferecer na Europa a nova versão do Windows sem o seu navegador Internet Explorer não surtiu, aparentemente, o efeito desejado pela empresa. A gigante do software vem sendo acusada de práticas anticoncorrenciais, e vender o sistema operacional sem o navegador seria uma forma, segundo a empresa, de dar mais oportunidades à concorrência. A Comissão Europeia (CE), órgão executivo da União Europeia, porém, avaliou que a iniciativa pode até prejudicar o consumidor, beneficiando, na verdade, os fabricantes de computadores.

‘A Comissão sugeriu à Microsoft que consumidores tenham a possibilidade de escolha de navegador de internet’, disse a CE, em nota. ‘Em vez disso, a Microsoft aparentemente decidiu fornecer aos consumidores de varejo uma versão do Windows sem nenhum navegador. Ao invés de mais escolha, a Microsoft parece ter escolhido oferecer menos. Já para os fabricantes de computadores, a proposta da Microsoft pode, potencialmente, ser mais positiva’, acrescentou a Comissão, observando que os fabricantes teriam a escolha de instalar o Internet Explorer ou outro navegador em seus computadores novos.

CONCORRÊNCIA

A Opera ASA, operadora norueguesa do navegador de internet de mesmo nome, disse ontem que o plano da Microsoft de vender o novo sistema operacional Windows na Europa sem o Internet Explorer não é suficiente para restabelecer a competição no mercado. ‘Não acredito que isso vai restabelecer a competição’, disse o vice-presidente de Tecnologia da Opera, Hakon Wium Lie.

A CE já multou a Microsoft em quase US$ 2 bilhões por várias infrações às regras de competitividade. No mês passado, a Comissão também multou a fabricante de chips Intel em US$ 1,49 bilhão por práticas anticompetitivas.’

 

IMPRESSOS EM CRISE
O Estado de S. Paulo

‘NYT’ recebe ofertas pelo ‘Globe’

‘Três empresários de Boston manifestaram interesse na aquisição do The Boston Globe, colocado à venda pelo grupo dono do jornal The New York Times. A informação foi publicada ontem pelo próprio Globe. São eles: Stephen Pagliuca, diretor da Bain Capital; Jack Connors, ex-publicitário; e Stephen Taylor, integrante da família dos antigos donos do Globe, que venderam o diário para o New York Times por US$ 1,1 bilhão em 1993.’

 

INTERNET
O Estado de S. Paulo

Twitter ajuda nas vendas da Dell

‘A Dell disse já ter obtido mais de US$ 3 milhões em vendas para usuários do Twitter que clicaram em mensagens no serviço e foram conduzidos a sites da empresa. A fabricante de computadores utiliza o Twitter há cerca de dois anos e usa um software especial para acompanhar as vendas. Apesar de ínfimas frente ao tamanho da Dell, o anúncio é positivo para o Twitter, que luta para estabelecer um modelo de negócios lucrativo.’

 

TELEVISÃO
Pedro Venceslau

Globo segura Fausto

‘A Rede Globo não esperou as primeiras baixas oficiais na guerra do domingo entre SBT e Record – que teria acertado a contratação de Gugu Liberato por um salário mensal de R$ 3 milhões – e renovou o contrato de Fausto Silva até 2017.

O anúncio oficial será feito semana que vem, após uma derradeira reunião entre Otávio Florisbal, diretor geral da Globo, e o apresentador. A assessoria de Faustão, que está na Globo desde 1989, não nega nem confirma, mas segundo fontes da emissora, ele receberá R$ 5 milhões mensais, a maior cifra da televisão brasileira.

O novo contrato é dois anos mais longo que o atual, que acaba em dezembro e foi assinado em 2005. A Globo está preocupada com o assédio dos concorrentes, especialmente de Silvio Santos, que procura uma opção para ocupar o vazio a ser deixado por Gugu aos domingos.

Desde o ano passado, a Globo vem atendendo a todos os pedidos do apresentador. O programa, antes feito só no Rio, passou a ser realizado em sistema de rodízio com São Paulo – um lá, outro cá. Faustão também foi autorizado a deixar alguns programas gravados para poder viajar aos fins de semana.

Entre-linhas

O diretor Fernando Meirelles tem viagem marcada para a Itália em 9 de julho. Debaixo do braço, leva um compacto de 6 dos 11 episódios de Som & Fúria, minissérie que a sua O2 coproduziu com Globo, para apresentar no Roma Fiction Fest.

Além de exibir Som & Fúria em Roma, Meirelles e Susan Coyne, uma das criadoras do original canadense, participam de um debate. Aqui, a Globo põe a minissérie no ar em 7 de julho.

É no rastro da Parada GLTB que Maysa Monjardim estreia na direção do Superpop, de Luciana Gimenez, segunda-feira. O palco da RedeTV! receberá experts na temática gay.

Sucesso com Antero Greco e Paulo Soares à noite, o Sportcenter ganha mais uma edição diária na ESPN Brasil, às 12 horas, com André Kfouri e Arnaldo Ribeiro. Estreia segunda-feira.

A novela Paraíso consolida bons resultados no Ibope: o capítulo de anteontem obteve 28 pontos, com 48% dos televisores sintonizados (share). Já Malhação, no mesmo dia, fez 25 pontos, recorde da temporada.

Vai até 4 de julho a exibição, via TV Cultura, do programete gravado pela Turma do Cocoricó para desmitificar o uso de óculos entre a criançada.

Júlio e a turma do paiol mostram como os óculos podem melhorar o rendimento escolar. É vídeo de apoio ao programa Visão do Futuro, que treina professores da rede pública a fazer testes de visão nos alunos.’

 

MÍDIA & LITERATURA
A. P. Quartim de Moraes

Hora de ouvir o mestre

‘No dia 1º de julho abre-se a 7ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), importante evento que desde 2003 tem ajudado a oxigenar a discussão sobre literatura no Brasil. Talvez exatamente por se tratar de uma ‘festa’, a programação da Flip tem-se concentrado em temas estritamente literários, geralmente relacionados às obras dos autores convidados, passando ao largo de questões políticas do mercado editorial. Mas, até porque o incentivo à criação literária é um dos objetivos expressos desse conceituado encontro, talvez fosse oportuno pensar em incluir em programas futuros a discussão de um tema que parece tão relevante quanto urgente, embora nada festivo: o estado pré-falimentar da literatura brasileira.

Alguns poucos editores genuinamente comprometidos com a valorização da literatura nacional se queixam de que muitos dos nossos novos e talentosos escritores mais atrapalham do que ajudam a produção literária quando se preocupam mais em criar estilos e gêneros do que em contar bem boas histórias.

Por outro lado, a tendência à formação de verdadeiras ‘panelinhas’ no entrelaçamento de ambientes acadêmicos, literários e da mídia favorece uma clara elitização dos cânones e a exclusão de ‘não eleitos’. Isso é fatal para a necessária revitalização permanente da produção literária.

Mas nem aos escritores ‘problemáticos’ nem aos grupos fechados em torno de seus próprios interesses se pode atribuir a responsabilidade maior pelas perspectivas sombrias que pairam sobre a literatura brasileira, condenada a morrer de estiolamento, de morte matada. Essa glória pertence aos fundamentalistas do mercado que dominam o mundo do livro.

O negócio do livro no Brasil orienta-se hoje pela conclusão de um silogismo: o que não vende não se publica, literatura brasileira não vende, logo, literatura brasileira não se publica. Há que ressalvar, obviamente, as exceções a autores consagrados, assim mesmo em termos muito relativos. Dificilmente uma grande editora investe em obra de escritor brasileiro uma fração daquilo que não hesita em pagar, como adiantamento de direitos autorais, a qualquer cara nova estrangeira que desponte em listas de best-sellers no Primeiro Mundo.

A premissa de que literatura brasileira vende muito pouco, para justificar o desprezo que, de modo geral, o big business editorial tupiniquim tem por ela, é certamente discutível. Mas temos de nos render à evidência de que essa premissa tem respaldo nos fatos, na prática do mercado. E isso seria suficiente para justificar o diagnóstico aparentemente precipitado da condição pré-falimentar da produção literária brasileira. Parece sensato concluir que o que não vende não se publica…

Mas, só para argumentar, podemos inverter a equação: o que não se publica não vende mesmo.

E aprofundando: por que, afinal, literatura brasileira não vende?

A experiência profissional me habituou a ouvir, de livreiros e até mesmo de editores, a explicação, bem simplesinha, de que o desempenho do mercado demonstra que o leitor de livros brasileiro não tem grande apreço por conteúdos ficcionais nacionais; não se interessa, enfim, por histórias brasileiras. E seria apenas por essa razão que, na comparação com a nacional, a ficção estrangeira predomina nas listas de livros mais vendidos e – causa ou efeito? – nos catálogos editoriais e nas livrarias.

Se a programação das emissoras de televisão brasileiras seguisse o mesmo ‘critério’, o chamado horário nobre estaria hoje tomado por séries do tipo Lost, 24 Hours, Sex and the City and so on. Não é o que ocorre. A teledramaturgia brasileira, fundada maciçamente em conteúdos brasileiros, é absolutamente hegemônica em audiência e conquistou um padrão de qualidade que se impôs no mercado internacional. É hoje talvez o maior produto de exportação brasileiro no campo da criação artística e cultural. O know-how por ela conquistado tem reflexos evidentes não só na criação de subprodutos de grande refinamento artístico – muitas das chamadas minisséries -, como até mesmo na recente produção cinematográfica nacional. Trata-se, é claro, de uma criação artística destinada ao consumo de massa, com tudo o que isso possa significar em termos de frustração da expectativa de maior sofisticação intelectual. Expectativa que, de resto, não chega a ser uma característica marcante do mercado livreiro. Mas o fato é que as novelas de televisão fazem sucesso em todos os estratos sociais. Até os leitores de bons livros as acompanham. Trata-se, inegavelmente, de um importante fenômeno cultural. E, claro, de um negócio extremamente lucrativo.

E por que a teledramaturgia brasileira está com essa bola toda, enquanto a nossa literatura definha? Simplesmente porque, há cerca de meio século, desde as experiências pioneiras das TVs Tupi e Excelsior, as emissoras de televisão, Rede Globo à frente, têm investido pesadamente no gênero. Hoje se colhem os frutos daquilo que vem sendo plantado há 50 anos.

Enquanto isso, o big business editorial brasileiro investe, também pesadamente, em autores estrangeiros bons… de vendas. Ou na invenção de escritores conterrâneos que já chegam ostentando a precondição da celebridade…

‘Comparada às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, não outra, que nos exprime. Se não for amada, não revelará a sua mensagem; e se não a amarmos, ninguém o fará por nós.’ Palavras de Antonio Candido de Mello e Souza, no prefácio à primeira edição (1957) de Formação da Literatura Brasileira.

Está na hora de dar ouvidos ao mestre!

A. P. Quartim de Moraes é jornalista e editor. E-mail: apquartim@dualtec.com.br’

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