Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
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O Estado de S. Paulo

06/10/2009 na edição 558

OLIMPÍADA
Antero Greco

Cabe à imprensa séria fiscalizar

‘Quem dedica alguns minutos à leitura da coluna ‘Boleiros’ às sextas-feiras sabe de minha postura contrária à realização de Olimpíada no Brasil. Pelo menos enquanto não tivéssemos política que contemplasse o esporte como extensão de educação e saúde. Resultados expressivos e conquistas de medalhas seriam WW�eqüência dessa atitude.

Infelizmente, em mais de 30 anos de profissão perdi a conta das vezes em que fiz reportagens em que a tônica eram as dificuldades de atletas e abandono de instalações esportivas. Ouvi de dirigentes e políticos de variadas legendas promessas, jamais realizadas, de que haveria mudanças de postura. Cansei de entrevistar gente que pretendia usar o esporte como forma de inclusão social e fica só na intenção.

A bandeira que empunho com dezenas de colegas de conduta irretocável é em defesa do Esporte – e não de interesses corporativos, publicitários, financeiros ou pessoais. Muito menos tem conotação bairrista. Bobagem discutir isso. Claro que o Rio, com sua exuberância, é o mais famoso cartão postal do Brasil. Seria meu candidato natural… no futuro.

Mas a decisão é fato consumado, fruto de trabalho de convencimento dos responsáveis pela candidatura nacional. Ponto para eles. Agora cabe à imprensa independente, comprometida com a verdade, fiscalizar o uso das verbas públicas, denunciar desvios até elogiar, quando for o caso. Dessa estrada jamais desviarei.’

 

LIBERDADE DE IMPRENSA
Roberto Almeida

Entidade em NY critica TJ e pede fim da censura

‘O Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), entidade internacional de defesa do jornalismo e da liberdade de expressão, com sede em Nova York, nos Estados Unidos, considerou ‘desconcertante’ a atuação da Justiça brasileira no caso da censura ao Estado e criticou a demora na solução definitiva do episódio.

Na última quarta-feira, após 61 dias de espera, os desembargadores da 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) consideraram o foro de Brasília incompetente para julgar o caso e determinaram a transferência do processo para o Maranhão. A mordaça ao jornal O Estado de S.Paulo e ao site estadao.com.br, no entanto, foi mantida.

Carlos Lauria, coordenador para a América Latina do CPJ, lamentou a decisão. ‘Isso só mantém as coisas no mesmo plano. Está muito claro que a censura foi imposta sobre um caso de corrupção. E a população precisa ser informada sobre este caso em sua totalidade’, afirmou.

Lauria faz referência à liminar obtida em julho por Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que proibiu o Estado de publicar reportagens sobre as investigações da Operação Boi Barrica, da Polícia Federal. O material envolve Fernando e distribuição de cargos no Senado por meio de atos secretos.

‘As informações que deveriam ser publicadas são de interesse público. O Estado tem toda a responsabilidade frente aos leitores, sua audiência, a cidadania brasileira’, disse Lauria, que é jornalista argentino e especialista em liberdade de expressão.

Para ele, os juízes do TJ-DF estão cometendo dois atentados contra a liberdade de imprensa. O primeiro é a manutenção da censura por tanto tempo. O segundo é a criação de um obstáculo para o leitor, que tem o direito de ser informado. ‘Consideramos que as autoridades precisam reverter essa situação’, sublinhou.

MANIFESTAÇÕES

Esta é a segunda vez que o CPJ se manifesta sobre a censura ao Estado. A primeira foi no dia 12 de agosto, cerca de duas semanas após o início da mordaça. Na ocasião, Lauria classificou a decisão como ‘absurda’ e alertou que o caso precisava ser tratado como um ‘chamado para a cidadania’. ‘Meios de comunicação sempre são proibidos de cobrir casos de corrupção que envolvem funcionários públicos, políticos e empresários’, afirmou.

O CPJ foi criado em 1981 por correspondentes americanos, ‘em resposta ao tratamento brutal recebido por colegas estrangeiros de seus governos autoritários’. Para reverter os quadros negativos, a entidade organiza protestos e trabalha nos bastidores da diplomacia, pressionando autoridades.

Assim como o CPJ, outras entidades internacionais em defesa dos direitos humanos que já se manifestaram sobre a censura ao Estado estão informadas sobre a nova decisão do TJ-DF.

A Associação Mundial de Jornais, que enviou carta conjunta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, rechaçando a censura, avalia quais os próximos passos que tomará.

A relatora para liberdade de expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA), Catalina Botero Marino, tem em mãos a cronologia da mordaça ao jornal e já alertou para uma ‘responsabilização internacional’ do Brasil sobre o tema.

A Repórteres Sem Fronteiras, por sua vez, avisou que acompanha ‘de perto’ o caso de censura e deve se manifestar novamente.’

 

ITÁLIA
O Estado de S. Paulo

Prostituta desmente Berlusconi

‘Em entrevista transmitida pela TV italiana, a prostituta de luxo que assegura ter passado uma noite com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, Patrizia D’Addario, afirmou que ele sabia que ela era uma garota de programa quando participou de suas festas. A afirmação contraria declarações de Berlusconi. O premiê alega não ter tomado conhecimento prévio de que se tratava de uma prostituta e pensava que Patrizia era conhecida de algum de seus convidados.’

 

ENEM
O Estado de S. Paulo

Repórter do jornal é ameaçada

‘A repórter Renata Cafardo recebeu, na noite de quinta-feira, ameaças feitas por um homem. Acionada pelo jornal, a Polícia Civil instruiu a repórter a registrar boletim de ocorrência, o que ocorreu ontem à tarde, em São Paulo.

Encarregada da investigação do vazamento da prova do Enem, a Polícia Federal intimou a repórter a depor no inquérito, o que também ocorreu ontem. O Departamento Jurídico do Grupo Estado entregou à Polícia Federal fotografias, feitas a distância, dos dois homens que tentaram vender as provas. As fotos foram tratadas para impedir a identificação de outras pessoas que estavam no local.

O Estado não publicou as imagens para preservar os jornalistas que participaram da reportagem. O jornal entregou as fotos à polícia porque considera que a segurança da repórter está sob ameaça.’

 

POLANSKI
AFP

Em protesto, diretor tira filme de festival

‘Em protesto contra a prisão do cineasta Roman Polanski, de 76 anos, o diretor francês Jan Kounen pediu que seu filme Coco Chanel e Igor Stravinsky fosse retirado do programa do Festival de Cinema de Zurique. A Justiça dos EUA acusa Polanski de ter mantido ‘relações sexuais ilegais’, em 1977, com uma menina de 13 anos. Ontem, a Sociedade Francesa de Autores e Compositores Dramáticos emitiu nota pedindo a liberação do cineasta.’

 

INTERNET
Renato Cruz

Internet faz 40 anos e busca novos caminhos

‘Aos 40 anos, a internet precisa se reinventar. Em 29 de outubro de 1969, foram conectados os laboratórios de computação da Escola de Engenharia e Ciência Aplicada da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla) e da SRI International, um instituto de pesquisas em Menlo Park, na Califórnia, na rede que viria a ser chamada de Arpanet, a precursora da rede mundial.

Criada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a Arpanet foi a primeira rede de pacotes do mundo. A rede telefônica convencional é uma rede de circuitos. Ou seja, os dois telefones que se falam são ligados por um circuito. As centrais fazem as vezes da telefonista que conectava os interlocutores com um fio. Na rede de pacotes, as mensagens são divididas em pequenos pacotes de dados, com o endereço, e a rede decide a cada momento qual é o melhor caminho para chegar ao seu destino.

Essa estrutura básica da internet, que a torna resistente a problemas, dificulta algumas aplicações que estão se tornando importantes na rede mundial. A internet não foi pensada para ser móvel, para comunicações em tempo real (como televisão) e para a transferência de arquivos de grande tamanho. ‘Além de móvel, a internet precisa ser ubíqua’, disse Tania Regina Tronco, pesquisadora do CPqD. Isso significa que todos os serviços precisam estar disponíveis ao usuário com a mesma qualidade, onde quer que ele esteja.

Um evento realizado no mês passado em Campinas pelo CPqD, centro de pesquisa e desenvolvimento que pertencia à Telebrás, discutiu o futuro da internet. Tania apresentou o projeto Arquitetura de Rede para Comunicações Móveis sobre IP (Arcmip). O TCP/IP, sistema de endereçamento da internet, identifica os usuários com o local onde eles estão, o que pode ser um problema nas aplicações móveis.

‘É necessária uma nova infraestrutura, mas será muito difícil fazer com que seja adotada no mundo todo’, afirmou Serge Fdida, professor da Université Pierre & Marie Curie. ‘Existe uma discussão se essa mudança precisa ser evolucionária ou se é preciso partir do zero, com uma nova internet e, depois, integrar as duas redes, como foi feito entre a internet e a rede de telefonia’, explicou Tania.

A evolução da internet, com seu aumento constante de capacidade, tem até implicações ambientais. Hiroaki Harai, do National Institute of Information and Communications Technology (Nict), identificou alguns desafios existentes no Japão. ‘Seguindo a tendência atual de crescimento de tráfego, a velocidade necessária chegará a 1 petabit por segundo (Pbps) em 2020’, explicou Harai. ‘Cem roteadores (equipamentos de rede) nessa velocidade consomem a energia gerada por uma usina nuclear.’ Um Pbps equivale a um bilhão de megabits por segundo (Mbps), unidade mais comum para se medir a velocidade da internet hoje.

O CPqD participa do projeto Giga, em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Trata-se de uma rede experimental de alta velocidade, que está recebendo investimento de R$ 25,54 milhões em sua segunda fase, num período de três anos. Atualmente, a rede conecta 25 instituições e 70 laboratórios em Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, com velocidades de 10 gigabits por segundo (Gbps) no seu núcleo e 1 Gbps nos acessos. Um Gbps equivale a 1 mil Mbps. Na segunda fase, a capacidade no núcleo da rede poderá chegar a 40 Gbps e a 10 Gbps nos acessos.

‘Existe hoje um descompasso na internet brasileira’, afirmou Alberto Paradisi, gerente do CPqD e coordenador-geral do projeto. ‘As pessoas precisam de uma capacidade maior do que é oferecida.’’

 

TELEVISÃO
Jotabê Medeiros e Lucas Nobile

VMB é um déjà-vu em banho-maria

‘O passado vestiu roupa nova e foi tirar uma onda no VMB: Paralamas do Sucesso ganhou como Show do Ano; o Melhor Documentário Musical mostra a carreira dos Titãs; o Videoclipe do Ano é do Skank; Britney Spears é a artista internacional do ano; e o rock mais rebelde tocado na noitada foi É Proibido Fumar, tocado por Erasmo Carlos, cujos versos ganharam sentido de desobediência civil na era do cigarro zero.

Até a Pitty (‘A audiência do VMB adora essa mulher’, justificou MariMoon, da banda Gloria) parecia uma versão turbinada de Martinha com Rosemary cantando a jovem-guardista Me Adora (do disco Chiaroscuro). Sintomaticamente, uma múmia priápica entrou na onda e se esfregou nos espectadores e no braço do crítico de música Lúcio Ribeiro durante o show do Massacration – velha piada com o metal que sempre funciona.

Foi um déjà-vu em banho-maria, arrastado em boa parte da noite – e especialmente constrangedor na hora do discurso ‘emocionado’ de despedida de Marcos Mion, contratado pela Record, e que conseguiu ganhar um prêmio na categoria Twitter, batendo o treinador Mano Menezes e Danilo Gentilli (do CQC, que ganhou notoriedade por declarações racistas).

Mas no terceiro ano da tediosa hegemonia emo NXZero-Fresno (ganharam nas categorias Pop, Hit e Artista do Ano), o prêmio Video Music Brasil, o VMB 2009 mostrou também algumas perspectivas novas. Ao designar, como banda revelação, o grupo Vivendo do Ócio, o ‘Arctic Monkeys baiano’, e incentivar performances de puro rock’n’roll de Erasmo Carlos e até do Massacration (com o apoio de Falcão), fez o sangue do rock ferver na panela.

Os novos grupos que começam a tomar a cena tiveram dignos desempenhos, caso do grupo Móveis Coloniais de Acaju (um dado bizarro: o saxofonista da banda caiu no fosso da claque, e demorou para reaparecer no palco, voltando lá pelo fundo). Lovefoxxx (do CSS) e Mallu Magalhães, revelações passadas, viraram coadjuvantes. O hip-hop só fez figuração (MC Emicida e MV Bill foram para passear), como de hábito.

Os aspectos políticos que marcaram em anos anteriores – protestos contra corrupção, o mensalão – sumiram, tirando algumas menções, no início, pelo apresentador Marcelo Adnet, que falou de Sarney, da gripe suína e do pré-sal. Teve só um arroubo pré-eleitoral de Samuel Rosa, do Skank, que gritou: ‘Salve o Aécio Neves!’

Rogério Flausino, do Jota Quest, viu indício de uma retomada do videoclipe. ‘Entenderam que o clipe ainda é importante não só para a MTV, mas também para as bandas’, disse.’

 

AP

Preso homem que extorquiu Letterman

‘Um funcionário da CBS News foi acusado de tentar extorquir David Letterman pela quantia de US$ 2 milhões. Diante da ameaça, o apresentador do Late Show foi obrigado a admitir em discurso televisionado para milhares de espectadores que havia mantido relações sexuais com uma das funcionárias do programa. Segundo Letterman, há três semanas ele recebeu uma carta, com provas, que dizia ‘eu sei que você faz coisas muito terríveis e posso prová-las’. Letterman é casado desde março com Regina Lasko. De acordo com a emisssora, o homem preso trabalha no programa sobre crimes na vida real 48 Hours.’

 

Alline Dauroiz

Celebridades na faca

‘Três celebridades brasileiras, uma delas da RedeTV!, serão contempladas com cirurgias plásticas na versão brasileira do reality show Dr. Hollywood, que deve ser exibida em 2010 pela RedeTV!. Quem informa ao Estado é o dr. Robert Rey, o excêntrico cirurgião plástico do reality, que esteve nesta semana no Brasil para divulgar sua nova marca de lingeries modeladoras. Além das três celebridades, a ideia é sempre levar algum famoso nacional para se ‘recauchutar’ na atração.

Na versão, as operações também serão realizadas em pacientes brasileiros que vivem nos Estados Unidos, já que Dr. Rey, apesar de brasileiro, não tem o diploma nacional. ‘Será tudo falado em português, até mesmo porque essa voz que colocaram em mim na versão dublada é muito afrescalhada’, brinca.

Em tempo, Dr. Rey avisa que sua atração no E! Entertainment será reformulada. ‘Mudaremos o nome para Dr. 90210 Extreme ou Rey’s Anatomy, além de fazermos uma seleção para contratar novos médicos.’ Para se adequar à versão brasileira, a ideia do doutor é a miscigenação. ‘Teremos um médico bonitão, uma bonitona, um gordo, um nerd e um oriental.’’

 

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