Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1008
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O Estado de S. Paulo

16/12/2008 na edição 516

INTERNET & POLÍTICA
Luciana Alvarez

‘Governo digital’ de Obama dá voz à população

‘Geraldo Hernandez não faz parte da equipe econômica do presidente eleito dos Estados Unidos, mas também deu seu conselho sobre como Barack Obama pode criar os 2,5 milhões de empregos prometidos. ‘É preciso investir em novos negócios e empresas pequenas em vez de dar dinheiro às grandes corporações, que levam as fábricas para onde a mão-de-obra é mais barata. Dessa forma, o dinheiro chegará às pessoas comuns’, diz. A opinião foi registrada, comentada e avaliada no site oficial da transição, mesmo sem ninguém saber se existe um ‘Geraldo Hernandez’ de verdade por trás da identidade virtual.

Obama usou a internet de forma inovadora durante sua campanha e promete aproveitá-la de forma ainda mais revolucionária no governo, transformando o mundo virtual numa ferramenta de transparência política e participação popular reais.

Já durante o período de transição, ele abriu um canal direto para falar com a população e ouvi-la. O Change.gov, uma mistura de site de notícias, lista de discussão, rede social e organizador de eventos, conquistou milhares de usuários em apenas um mês de funcionamento.

Além do debate sobre a crise econômica, outro tópico popular no site trata da reforma do sistema de saúde. Em uma semana, a lista de discussão teve mais de 5 mil comentários. Os internautas também foram convidados a organizar discussões reais em suas comunidades, a partir de amanhã até o fim do ano. A equipe de transição promete considerar todos os documentos originados nessas discussões e Tom Daschle, nomeado secretário de Saúde de Obama, prometeu aparecer pessoalmente em alguns dos debates.

‘O novo governo vai envolver uma quantidade significativamente maior de pessoas no processo político graças à internet’, acredita Darrell West, professor de ciências políticas da Universidade Brown e autor do livro Digital Government: Technology and Public Sector Performance (‘Governo Digital: Tecnologia e Desempenho do Setor Público’). ‘Espero que Obama seja de fato o primeiro presidente digital dos EUA, trazendo para o setor público o mesmo senso de inovação tecnológica que teve durante a campanha’, afirmou West ao Estado.’

 

***
Internet cria transparência e canal direto de comunicação

‘O uso que o candidato Barack Obama fez da internet durante a campanha trouxe a perspectiva de que o presidente Obama fará uma das administrações mais interativas da história dos EUA. ‘Ele aproveitou as oportunidades da internet como nenhum outro político’, afirma John Wonderlich, diretor da Fundação Sunligh, que luta pela transparência na política. ‘A internet tem o potencial de trazer as pessoas para mais perto do poder e estamos animados para ver o que Obama fará com ela.’

Uma das promessas de campanha do presidente eleito foi a de deixar todos os contratos e concessões federais disponíveis na internet. Assim, a população poderá saber como os impostos que paga estão sendo empregados.

‘Liberar essas bases de dados à população terá um impacto positivo sobre a forma de o governo trabalhar’, diz Wonderlich. Para ele, o aumento de fiscalização vai provocar um aumento da responsabilidade do Executivo.

Outra proposta de Obama que chama a atenção é a abertura de consulta popular online antes de assinar novas leis. ‘Dar cinco dias para as pessoas dizerem se ele deve ou não aprovar uma determinada lei vai melhorar a transparência, a prestação de contas e a compreensão do governo’, diz o cientista político Darrell West.

Durante a campanha e o período de transição, Obama também aproveitou a internet para se aproximar e ganhar a confiança da população. Além de divulgados na mídia tradicional, anúncios e discursos oficiais foram transformados em vídeos do YouTube. ‘Com a internet, um político pode se comunicar diretamente com milhares de pessoas, sem o filtro da mídia’, diz Thomas Gensemer, gerente de estratégia da empresa Blue State Digital, que desenvolveu os softwares para o site de campanha e transição de Obama.

A comunicação direta, considerada uma das principais armas da vitória eleitoral de Obama, deve se manter e ser aperfeiçoada durante o governo. ‘Podemos esperar do presidente Obama aquilo que tivemos do candidato: alguém aberto, honesto e transparente’, afirmou Gensemer.

Mas para que as promessa de abertura e transparência se concretizarem, a equipe de tecnologia e comunicação de Obama terá grandes desafios a superar. A pesquisa online aos contratos federais precisa ser simples, de forma que pessoas leigas consigam encontrar o que desejam em imensas bases de dados. As respostas dadas pela população às consultas feitas terão de ser realmente levadas em conta.

‘Pode ficar difícil analisar a opinião de todo mundo’, avalia o diretor da Sunlight. ‘Isso vai dar trabalho, algumas situações serão realmente desafiadoras, mas o importante é que eles estão tentando e aprendendo.’

A experiência mostra que até o momento a equipe de comunicação online de Obama, que conta com estrelas como Chris Hugles, do Facebook, e Eric Schmidt, do Google, vem acertando. Na campanha pela internet, Obama conquistou 3 milhões de doadores, mobilizou 35 mil grupos de voluntários e teve seus vídeos vistos 50 milhões de vezes no YouTube.

Seguindo na linha da campanha, o site da transição permite que as pessoas se cadastrem, façam perguntas e participem de discussões. Ao dar opiniões, elas recebem notas de outros internautas. Quanto mais a pessoa participa e maiores as notas recebidas, ela se torna um comentador mais respeitado. As perguntas também recebem notas e são ranqueadas. As questões com maiores notas serão respondidas com um vídeo online pelo responsável da área.

‘O mais difícil de gerenciar é a expectativa das pessoas – e nisso a campanha acertou’, afirma Gensemer. ‘O desafio agora é outro, mas para ter sucesso, o tom e a substância devem ser os mesmos.’’

 

WEB & INFÂNCIA
Ethevaldo Siqueira

Proteja seu filho dos perigos da internet

‘Insisto em meu conselho, leitor: não abandone seu filho, criança ou adolescente, diante da internet. Tive há menos de um ano, em minha família, uma experiência dramática, de uma garota de 11 anos que entrou inadvertidamente num site pornográfico do mais baixo nível e ficou traumatizada. Seus pais tiveram que recorrer a psicólogos para evitar males maiores. Desde então, me convenci definitivamente que a web tem sua face negativa, como tentei mostrar em minha coluna no domingo, 23 de novembro de 2008, com o título ‘Não abandone seu filho diante da internet’.

Sempre pensei nas centenas de milhares ou talvez de milhões de crianças e adolescentes que navegam na internet sem qualquer vigilância ou acompanhamento de pais e professores. Volto ao tema e reitero minha advertência, afirmando que, por mais benefícios que a internet possa trazer à maioria das pessoas – e, efetivamente, traz, no caso de adultos – quase metade de seu conteúdo é lixo da pior qualidade. Aos pais que discordam desta visão, resta a opção de ignorar totalmente o que fazem seus filhos, garotos de 3 a 17 anos, na web, e dar-lhes liberdade absoluta.

A propósito da coluna de 23-11-2008, recebi exatamente 87 mensagens de apoio e apenas duas de discordância com a tese que defendo. O que me interessa, aqui, entretanto, é analisar a posição dos dois autores dos e-mails que divergiram de minha opinião. Curiosamente, esses leitores, em nenhum momento negam a existência do vasto material de baixa qualidade disponível na internet. E mais grave: não reconhecem a necessidade de orientação e supervisão de seus filhos menores no acesso à internet.

Os dois leitores discordantes, creiam, são meus amigos de longa data (ainda espero que continuem meus amigos). Em seus e-mails, porém, eles me crucificam exclusivamente por ter levantado o tema – sem jamais refutar meus argumentos. Nunca imaginei que minha tese em defesa das crianças e adolescentes pudesse despertar tal reação.

O primeiro crítico, um professor da USP especialista no uso de novas tecnologias na educação, considerou meu artigo o mais reacionário de minha vida, quase de extrema direita. No final, paternalmente, me perdoa e reitera sua amizade.

O segundo e-mail discordante, bem menos amistoso, me veio de um jornalista, amigo de mais de 20 anos, que me ataca duramente em seu site de relacionamento, sugerindo que minha posição lembra os tempos da Inquisição, que equivale a ‘uma aula de não-jornalismo’, uma defesa de ‘tese banal e primária, além de descontextualizada e enviesada’.

Veja que situação estranha, leitor: minha tese se resume em afirmar que a internet é uma mistura de joio e trigo, fato que nos obriga a pensar em seus efeitos deletérios em crianças e adolescentes. Não creio que isso tenha nada de medieval nem de inquisitório. Mais estranho é acusar a proposta de banal, primária, fora de contexto e enviesada, se o que defendo é apenas a proteção de nossos filhos diante do lixo, da fraude, da pedofilia e de crimes que têm acontecido por causa de determinados contatos na internet.

Tendo sido professor durante mais de 25 anos, sempre tentei conscientizar os pais, para que eles tomem suas próprias atitudes. Por que me calar diante do problema? Existe hoje um clima de tolerância com o volume crescente de lixo na internet. Furtos de identidade, phishings (roubo de dados confidenciais), armadilhas e todo tipo de fraude encontram pouca reação daqueles que só vêem o lado positivo. O mundo inteiro, entretanto, já se preocupa com a face negativa da rede. Além da União Internacional de Telecomunicações, o governo alemão está propondo um esforço conjunto de todos os países para se evitar que o material indesejável alcance as crianças.

Um dos maiores problemas é o anonimato por trás do qual se escondem fraudadores, pedófilos e criminosos de toda espécie. É contra esses sites e pessoas que devemos proteger nossas crianças, até que tenhamos meios para inibir os delinqüentes da web. Estou convencido de que, num futuro próximo, a introdução da versão 6 do protocolo IP (IPv6) nos permitirá coibir a maioria das mensagens anônimas e bloquear sites e endereços de delinqüentes.

Para reduzir substancialmente os problemas do lixo da internet, proponho três estratégias essenciais:

Educação do usuário – de todas as idades. Se bem informado, o usuário escapará de quase todas as armadilhas.

Mais tecnologia – sob a forma de programas de proteção de acesso a sites de conteúdo indesejável, filtros, firewalls e antivírus, além de aplicativos que monitoram o uso da internet, gravando informações que podem depois ser conferidas pelos pais.

Melhor legislação – precisamos de leis adequadas, que caracterizem o abuso e o crime, e nos permitam aplicar a punição aos seus responsáveis.’

 

REVISTA DAS REVISTAS
Francisco Quinteiro Pires

Os interesses encontram-se em outro lugar

‘Uma das efemérides mais discutidas neste ano foram os 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil. Os meios de comunicação se referiram à exaustão ao fato, com ênfase nas alterações provocadas pela presença dos Braganças em solo nacional. Nascia uma nação a caminho da independência enquanto se realizavam certas novidades, como a abertura dos portos ao comércio internacional, a criação da Casa da Moeda e a fundação da Biblioteca Nacional.

A Revista da USP (edição 79, 224 págs., R$ 20) propõe outro enfoque no dossiê Família Real no Brasil, composto de 11 ensaios e organizado por Iris Kantor e Laura de Mello e Souza, professoras de história da USP. O exame das continuidades e rupturas históricas deixa de ser privilegiado para abrir espaço à investigação dos impactos imediatos da vinda da coroa portuguesa. 1808 não é um ano de resultados positivos apenas, como uma análise apressada pode sugerir.

Adriana Salay Leme, João Paulo Garrido Pimenta, Lúcia Bastos Pereira das Neves, Neil Safier e Raquel Stoiani falam do interesse e da ansiedade com que rio-platenses e norte-americanos acompanharam a viagem da corte de d. João VI, que durou 53 dias. As notícias sobre a guerra na Europa, ao chegarem ao Rio, reforçaram o poder da dinastia dos Braganças. José Jobson de Andrade Arruda escreve sobre a relevância da produção brasileira de algodão para a indústria britânica. Lilia Moritz Schwarcz apresenta o Brasil idealizado por artistas franceses, tão crentes no mito do paraíso quanto os viajantes de três séculos antes, quando se descobriu o Novo Mundo.

Regina Celestina e Edu Otsuka lembram que, apesar das expectativas, a chegada da corte mudou pouca coisa na vida de negros, índios e indivíduos das baixas classes urbanas. Rafael Marquese e João José Reis tratam do tráfico negreiro, mais intenso com a chegada de d. João, um monarca negreiro. Ganhou força a repressão aos quilombos e às práticas religiosas. O modelo brasileiro, ora renovado, inspirou Cuba, onde a prática escravista também deixou marcas indeléveis. Mais uma vez, o Brasil mostrava sua vocação para as esperanças irrealizadas.

Professor da Universidade Federal da Bahia e autor de Domingos Sodré, Um Sacerdote Africano, João José Reis fala dessas esperanças que escorrem pelo ralo em Dono da Terra Chegou, Cento e Cincoenta Acabou? O número se refere à medida estabelecida pelo conde da Ponte, governador da Bahia entre 1805 e 1809, segundo a qual os escravos sem salvo-conduto deveriam se recolher na hora das ave-marias. Quem contrariasse a decisão era punido com 150 chicotadas. Quando o príncipe regente d. João aportou na Bahia, em 1808, a caminho do Rio, os escravos fizeram o governador saber sua resolução: ‘Dono da Terra chegou,/ Cento e cincoenta acabou’. Tola e dolorosa ilusão.

Nos 35 dias de d. João na Bahia, entre 22 de janeiro e 26 de fevereiro, a ponta do chicote descansou, decisão do conde da Ponte para mostrar a generosidade de Sua Alteza Real. Na prática não foi possível saber se as costas dos escravos tiveram alívio. A certeza é que o governador da Bahia era intolerante com os escravos. Suas medidas, entre as quais criar rede de delatores e conceder patentes de capitão-do-mato a granel, tinham o apoio irrestrito da metrópole.

Quando a família real deixou a Bahia, o governador mandou colocar nas ruas versos em resposta irônica: ‘Dono da Terra abalou,/ Cento e Cincoenta voltou’. A demanda dos escravos por dignidade foi ignorada. Os interesses do mundo português, em agonia, encontravam-se em outro lugar – confirmando que, no Brasil, elite e povo nunca habitam o mesmo espaço. Espaço de onde, ainda hoje, o interesse geral permanece apartado.’

 

TELEVISÃO
O Estado de S. Paulo

A ficção local já tentou de tudo para sair do armário. E a luta continua

‘- Ex-gay, bissexual ou confuso de doer, o Orlandinho de A Favorita é mais um conto de destaque na conturbada história do homossexualismo na TV, que começou muito antes do famoso casal Sandro (André Gonçalves) e Jeferson (Lui Mendes) de A Próxima Vítima, de Silvio de Abreu.

Grande sucesso da TV em 1995, a novela pôs o tema da homossexualidade em pauta, com todas as letras. Mas muito antes dela – com maior ou menor discrição – personagens empunharam a bandeira do arco-íris no ar. Não sem razão, com todo o escândalo que se criou em torno do não-beijo-gay de América (2005) – cena que chegou a ser gravada, mas que foi vetada pela Globo -, ficou a impressão de que o conservadorismo dá as cartas.

Mas até mesmo sob a ditadura militar a TV tentou ir além do tipo biba cocó – aquele pirilampo assexuado que sempre diverte a audiência, um amuleto para os autores. Em 1970, Dias Gomes criou o carnavalesco Rodolfo Augusto, afetadíssimo, interpretado por Ary Fontoura em Assim na Terra como no Céu.

Galã dos mais lindos que a TV brasileira já teve, o hoje diretor Dennis Carvalho causou quando viveu o Inácio Newman, de Brilhante (1981), de Gilberto Braga. Filho de uma milionária, Chica Newman (Fernanda Montenegro), ele era obrigado a se casar com uma mulher, mesmo sendo gay. ‘O personagem era bem aceito, principalmente por causa do carinho que tinha pela mãe. Mas o público não entendia que ele era homossexual’, lembra o ator.

Nem sempre suscetível a sutilezas, o público aceitou Inácio. A censura, não. E era proibido pronunciar a palavra homossexual na TV. ‘As cenas que o Gilberto escrevia para o Inácio tinham de 2 a 3 páginas, e a censura cortava tudo, reduzindo a meia página’, conta Carvalho. ‘O entendimento ficou muito prejudicado. Mas tenho certeza que levar essa história até o fim foi uma vitória.’

O autor Lauro César Muniz também esteve nessa trincheira, a de mostrar na TV a vida como ela é. Em 1986, criou na novela Roda de Fogo o politicamente incorreto Mário Liberato (Cecil Thiré), um homossexual requintado, extravagante e vilão. ‘Ele tinha a seu serviço o mordomo Jacinto (Claudio Curi) seu parceiro pago para serví-lo em todos os níveis’, lembra Muniz. ‘Numa sala, em sua casa, chamada Sala de Priapo, ficava sugerido que havia muitos instrumentos para uso sadomasoquista. São vistos de passagem, pois a censura não permitia a plena exibição dos chicotes e outros adereços.’

Liberato aparecia de quimono, sendo massageado por Jacinto que – provocação – era ex-torturador da ditadura. ‘Era um sádico, e isso fascinava o Mário’, observa o autor.’

 

Mário Vianna

Olhos de ressaca continuam sedutores

‘- O diretor Luiz Fernando Carvalho é aquela gaveta que a Globo sempre abre quando quer mostrar que não produz só novelas repetitivas e humorísticos à beira da histeria. Carvalho é um diretor ‘cabeça’, que não esconde a admiração pela boa literatura em língua portuguesa. Dirigiu a minissérie Os Maias (2001) com tamanho requinte, que as pessoas estranharam o ritmo lento. Fez Hoje É Dia de Maria e provou que é possível fazer poesia em rede nacional. Há pouco tempo, levou à TV o épico de Ariano Suassuna, A Pedra do Reino, e o resultado, plasticamente perfeito, beirava o incompreensível. Agora, voltou à carga, com Capitu, sua versão de um dos maiores romances brasileiros, Dom Casmurro.

Continua imbatível sua capacidade de fugir da narrativa formal como o diabo se esconde da cruz. Capitu tinha capítulos fragmentados (como o romance), trilha sonora surpreendente e um estilo de representar mais operístico que teatral. E ainda brindava o público com o talento de Antonio Karnevale (o José Dias) e a beleza espantosa de Letícia Persiles (a jovem Capitu). Na abertura, os créditos apresentados a partir de recortes de jornais lembram os atuais noticiários de fofocas, repletos de maledicência e retratos incompletos.

Desta vez, a história foi mais fácil de acompanhar. E havia mesmo uma boa dose de humor, tirando o ranço que os desinformados pensam existir no grande Machado de Assis. O único risco – presente em todos os trabalhos de Carvalho – é passar ao espectador comum a idéia de que toda ‘obra de arte’ é enigmática e de acesso difícil. Que bobagem. Dom Casmurro, A Pedra do Reino e Os Maias são romances fenomenais e divertidos à sua maneira. Transformá-los em seriados que poucos entendem chega a ser maldade. Capitu mostra que é possível reverenciar o clássico sem pedantismo.

*** Parabéns a João Emanuel Carneiro, por manter a decisão de matar Gonçalo (Mauro Mendonça). Mimado, o público chiou e ameaçou boicotar A Favorita. Fez bem o autor em ignorar os fricotes. Mauro Mendonça sai da novela com a certeza de ter feito um excelente trabalho – o encontro com o neto (Cauã Reymond) e o diálogo de duplo sentido com Silveirinha (Ary Fontoura) foram memoráveis.’

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