Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 17 E 18/1

O Estado de S. Paulo

20/01/2009 na edição 521

INTERNET
O Estado de S. Paulo

Microsoft é acusada de abuso de poder

‘A Comissão Europeia (CE) voltou a acusar a Microsoft de um suposto abuso de poder de mercado por incluir seu navegador Internet Explorer no sistema Windows, e ameaçou a companhia americana com uma nova multa dentro da lei antitruste. Para a organização, a empresa distorce o mercado de navegadores de Internet ao vincular seu programa Internet Explorer no sistema operacional Windows, o que, na opinião da CE, ‘debilita a inovação’ e ‘reduz a capacidade de escolha do consumidor’. O Explorer está presente em 90% dos computadores pessoais do mundo. A empresa tem prazo de oito semanas para se defender.’

 

TECNOLOGIA
Ethevaldo Siqueira

A incrível diversidade da eletrônica digital

‘O espetáculo visual único e multicolorido dos novos monitores e televisores de LED (Light Emitting Diode), OLED (Organic Light Emitting Diode), Laser e TV tridimensional (TV3D) foi uma das marcas da Feira de Las Vegas – o Consumer Electronics Show (CES) -, um verdadeiro espetáculo de convergência digital. Mais do que em suas edições anteriores, o CES 2009, encerrado no domingo passado, mostrou que uma das armas estratégicas contra a crise é a inovação tecnológica.

Do ponto de vista econômico, os números preliminares mostram que o evento ainda não reflete estagnação nem recessão econômica no setor de eletrônica de entretenimento. Pelo contrário. Nunca foram lançados tantos produtos inovadores, como os novos modelos de câmeras miniatura de vídeo ultra-avançadas, de alta definição. Até um conceito novo, o da Cell TV, foi explorado pela japonesa Toshiba, ao mostrar seu projeto de televisor inteligente, dotado do microprocessador Cell, de multinúcleos, da IBM, o mesmo utilizado nos console Play Station 3 da Sony. Com esse chip, o televisor passa a gravar e processar vídeo, selecionando dezenas de filmes armazenados em discos rígidos, integrando computador e internet à TV, num exemplo concreto de maturidade da chamada TV sobre protocolo IP (IPTV).

FUSÃO PC-TV

Neste Consumer Electronics Show (CES), fica ainda mais nítida e marcante a tendência de fusão entre TV de alta definição, toca-discos Blu-Ray, internet e computador. E comprova a força econômica do mundo do entretenimento eletrônico, que já não atrai apenas empresas de áudio e vídeo, como no passado, mas empresas de telecomunicações e informática – como IBM, HP, Intel e Motorola – e a própria indústria automobilística, com veículos ultrassofisticados, dotados de todos os recursos e acessórios que as tecnologias digitais podem oferecer.

O número de gadgets deste CES 2009 surpreende não apenas pela quantidade mas, especialmente, por sua originalidade e criatividade. Um bom exemplo foi a variedade de porta-retratos digitais (photoframes), que permitem a projeção programada de milhares de fotos ou vídeos, como o Picture Porter 35, porta-retrato digital que tem uma tela de 3,5 polegadas (8,9 cm) de diagonal e pode armazenar milhares de fotos com sua memória de 160 gigabytes (GB). Outros modelos podem servir de monitores para projeção de mensagens ou de páginas da internet ou para comunicação.

Para aqueles que não têm paciência para ver TV no computador, foi lançado o aparelho WhereverTV Receiver, que permite assistir a programas de até 100 países, onde quer que estejam.

FLASH MEMORIES

O grande show das memórias ficou por conta das chamadas memórias flash – Solid State Devices ou Solid State Drives (SSDs). Diversos notebooks ou mesmo os menores netbooks já utilizam memórias de estado sólido, sem qualquer parte móvel, em lugar dos discos rígidos ou HDs, como é o caso das novas linhas Sony Vaio e Lenovo.

Muito mais compactas e com maior capacidade de armazenamento de informação, as memórias SSDs tendem a substituir progressivamente os discos rígidos, não apenas nos computadores, mas nas câmeras de vídeo e fotográficas digitais, bem como em todos os equipamentos portáteis, como os tocadores de música MP3.

Para quem gosta de filmadoras de vídeo (camcorders), há hoje um verdadeiro banquete de ofertas. O elevado número de câmeras de vídeo neste CES 2009 – em especial da Panasonic, Canon, Sony e Samsung – trouxe opções de alta definição e elevada capacidade de armazenamento, seja com DVDs graváveis ou memórias flash. E, para alegria dos consumidores, com preços cada dia mais baixos.

O CES 2009 mostrou também dezenas de modelos de projetores de alto padrão, não apenas de dimensões tradicionais, mas, em especial, os ultra-compactos, com imagens até de alta definição (1080 por 1920 pixels) e, felizmente, mais baratos. Com o uso de tecnologia de LED ou de laser, esses projetores miniaturizados têm três vantagens significativas: menores dimensões, menores preços e luminosidade muito mais elevada.

Na linha de notebooks e netbooks, o número de opções é cada vez maior e com recursos incríveis, como o uso dos DVDs de alta definição Blu-Ray graváveis, novos microprocessadores multinúcleos e comunicação sem fio.

A nova guerra se trava na produção de netbooks ultraleves, com menos meio quilo de peso total.

TRADUTOR

É surpreendente o progresso dos tradutores automáticos nos últimos anos. Um bom exemplo é o iTravl, que permite ao usuário a comunicação bidirecional em diversas línguas, além de oferecer um dicionário eletrônico. Portátil e ativado pela voz, o iTravl permite que o usuário dialogue com estrangeiros em aeroportos, hotéis e outros locais. O aparelho é indicado também para estudo e treinamento de línguas estrangeiras.

Com os novos recursos da microeletrônica e da realidade virtual, surgem também opções de brinquedos que apaixonam até os adultos, como é o caso dos simuladores de corridas de Fórmula 1 ou de simuladores de voo (flight simulators), como os da Intel e da Microsoft.’

 

TELEVISÃO
O Estado de S. Paulo

‘A minha época também é hoje’

‘Este ano, Chico Anysio celebra quatro décadas na TV Globo. No entanto, embora continue sendo reverenciado pelo público brasileiro e os colegas por seus mais de 200 personagens, não parece haver motivo para festa. Aos ‘77 anos e três quartos’, o humorista não está parado: tem show de esquetes em cartaz no Rio até fevereiro, é visto no cinema no blockbuster Se Eu Fosse Você 2 e coleciona projetos, os mais variados, entre livros, uma novela para a Globo e um programa de rádio. Mas desde 2002 não tem programa próprio (só fez participações especiais).

‘Até hoje, em qualquer lugar do Brasil, as pessoas reclamam a minha ausência. Isso me ajuda a encarar essa geladeira’, diz Chico. Sua voz tem um traço de amargura; seu discurso, também. Só que ele não se faz de coitado, preferindo olhar para a frente. Senta-se ao computador todos os dias e escreve sem parar. Também é diária a ida à academia do fisioterapeuta, onde a briga é contra o enfisema pulmonar, diagnosticado há 24 anos (fumou por 40). Nos fins de semana, diverte-se com os netinhos na piscina de seu condomínio, na Barra da Tijuca. A pintura ele parou momentaneamente, por falta de espaço em casa.

Bom de papo, Chico recebeu o Estado para uma conversa de duas horas na quarta-feira, no apartamento em que vive com Malga, sua sexta mulher, e dois cachorros. Sorri muito, comenta algumas ‘pequenas vitórias’, como a falta de manchas senis nos braços e mãos e o fato de já conseguir caminhar 35 minutos na esteira. ‘Estou muito feliz com meu enfisema. Pelo tanto que eu fumei (mais de três maços por dia), poderia ter tido um câncer facilmente.’

Você está há 40 anos na Globo. É triste fazer aniversário fora do ar?

É uma vida. Eu entrei um mês depois de o homem fingir que foi à Lua. Não é triste, porque durante o tempo em que estive no ar, eu ajudei a Globo. Eu fui, de certa forma, uma pessoa importante na Globo.

Para você, estar no palco é tão prazeroso quanto estar num estúdio?

É diferente, não dá para comparar. Um é basquete, outro é futebol.

Como é o show De Pai Para Filho, com o qual você e seu filho André Lucas estão em cartaz?

Esse show foi feito a partir do diálogo da velhinha prostituta que nós fizemos no Programa do Jô, que as pessoas começaram a pedir. Eu conto coisas, ele conta coisas, e fazemos cinco esquetes. É muito melhor do que me ver na TV. Não tem contador de histórias melhor do que eu.

O que você assiste na televisão?

Não assisto TV aberta. Eu tenho uma cláusula no meu contrato que diz que sou proibido de dar qualquer opinião sobre programas ou decisões da direção, então, para evitar qualquer problema, não vejo. Seria difícil ver sem falar nada. Sou língua solta. Mas não entendo de TV o suficiente para ficar criticando isso ou aquilo. Eu entendo de humor.

Você não vê nenhum programa de humor, o Pânico na TV ou o CQC, que foi um sucesso no ano passado?

CQC, o que é isso?

Qual é sua opinião sobre o tipo de humor que o Pânico faz?

Há dois tipos de humor: o engraçado e o sem graça. Se for engraçado, funciona, é ótimo; se for sem graça, não presta. É difícil eu te dizer se é bom ou é ruim. Eu teria que ver para emitir uma opinião.

Você tem escrito muito?

Muito. Fiz uma novela com meu irmão (Elano), dirigida ao público da terceira idade. Nós fizemos com a intenção de colocá-la às 17h30, para ela alavancar o Ibope da novela das 18 horas, transferindo Malhação para as 17 horas. Malhação é um programa dirigido a um público certo, que, depois que acaba, desliga. Um dia vai ser aproveitada. Quando acabar meu contrato na Globo, posso negociar essa novela com qualquer televisão, se a Globo não tiver usado ou quiser usar. Quando eu morrer, meus filhos poderão fazer dela o que bem quiserem.

Ficar fora do ar tem te deixado amargurado?

Durante algum tempo, pensei que minha retirada da grade fosse uma coisa momentânea, e, a qualquer momento, seria utilizado de novo. Então, por achar isso, não me deu angústia nenhuma. Depois, eu percebi que era para sempre, que eu estava sendo rifado. Aí eu já estava acostumado a não ir, a não fazer.

Em algum momento você se cansou de fazer algum personagem?

Nunca. É o meu trabalho. Nunca pensei: ‘Ai, tenho que trabalhar hoje…’ É uma glória fazer o que eu faço. Fazer o que eu fiz… É uma história grande a minha. Isso é uma coisa que ninguém tira. O que eu fiz está feito.

Quando tiraram a Escolinha do Professor Raimundo do ar, em 2002, o que lhe foi dito, exatamente?

Falaram que na véspera ela tinha perdido no Ibope. Aí eu disse: ‘Mas ontem foi a primeira vez que perdeu. E ontem o Silvio Santos colocou no ar O Exterminador do Futuro, que ganharia de qualquer atração.’ Isso me doeu muito, por dois motivos: foi na semana do Natal e a cinco meses antes de a Escolinha fazer 50 anos no ar. Também me desgostei porque não me deixaram fazer a despedida. Fiz um texto legal, agradecendo a audiência por 49 anos e 7 meses. Aí eu passei a achar que ela voltaria. Depois é que eu percebi que não.

E você gostou de fazer participações especiais em outros programas?

Gostei. Mas nenhum papel foi importante. Se eu não puder ir hoje, botam outro no meu lugar. Não é um papel que faça falta.

Você tem uma situação financeira confortável, não?

Não tenho dinheiro guardado. Eu tentei guardar, mas eu tenho cinco divórcios. Não tenho nenhum imóvel. Como se dizia, eu não tenho onde cair morto (ri). Eu tenho uma casa na Serra, em Petrópolis, que eu dei para os meus filhos.

Como é seu relacionamento com seus dois filhos caçulas (Rodrigo, de 16 anos, e Vitória, de 14, do casamento com a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello), sendo a diferença de idades entre vocês tão grande?

Eles moravam na América e agora estão morando aqui. Mas não vão ficar. Eles são americanos. É inútil querer tapar o sol com a peneira. Pensam como americanos, falam ‘Posso ter uma coca?’, como ‘May I have a coke?’ A convivência tem sido boa, pelo menos para mim.

Você acha que a audiência medida pelo Ibope é muito valorizada?

Sempre foi. Acho até que mais do que devia, porque o Ibope pode dizer quantas pessoas viram, mas não quantas gostaram. E é muito difícil nos dias de hoje haver casas com uma TV só. Aqui, se puser no quarto da Vitória, vai dar MTV; no Rodrigo, ESPN; na cozinha, SBT; na sala, SporTV, que é o que eu vejo. Vejo também Law & Order, House, Smallville, Two & A Half Men.

Você tem um personagem preferido, entre os 209 que já fez? O Professor Raimundo. Foi o primeiro que eu fiz no rádio, me deu sucesso no rádio. Depois eu levei para a televisão. Através dele, muita gente começou. Zilda Cardoso, Mussum, Zacarias, Ary Leite, Castrinho…

Você se incomoda de ver a Escolinha sendo feita por outras pessoas? A Escolinha da Record não me incomodou porque deu emprego a vários que estavam na minha escola e tinham perdido o emprego. Mas quando aparece uma, como na Bandeirantes, que é uma cópia, eu tomo uma atitude. Não existe Escolinha do Professor Raimundo sem o Professor Raimundo. Se quer fazer, me contrata.

Você recebeu propostas de outras emissoras?

Muitas vezes. Não quis. Eu dizia: ‘Doutor Roberto, eu me sinto dono de uma dessas pilastras!’ E ele dizia: ‘Chico Anysio, a Rede Globo toda é sua!’

Você pede para voltar ao ar?

Não. Eu já mandei 16 projetos, e nem leram. Se não tive resposta, a resposta é não. Quem cala consente só vale para a vida. Na Globo, quem cala não deixa.

Quais são as lembranças mais fortes da Globo?

A decisão de fazer da Escolinha um programa diário. O Boni propôs e eu topei na hora. Há outra coisa que eu não posso esquecer: era o único programa que ganhava do Pantanal (novela da TV Manchete exibida em 1990). O Jayme Monjardim (diretor) perguntava: ‘Mas que escolinha é essa?’

Como criou seus personagens?

Até tinha uma coisa de sentar para criar, mas uns nasceram pela voz, outros pelo tipo, pela personalidade, pela caracterização. Sempre fiz questão de que eles fossem encontrados sem que eu estivesse presente. Que alguém dissesse: ‘Na minha terra, tem um Pantaleão’; ‘No Rio tem muito Azambuja’.

A TV hoje está melhor ou pior do que já foi?

Eu acho que tem pouco humor na TV. Acho que houve uma queda na audiência de novela, até na novela das 8. Eu me lembro quando O Astro foi para o ar. Teve 96% dos televisores ligados. Isso não acontece mais. Peguei uma dessas revistas e vi um artigo falando que a Rede Globo perdeu 14 pontos no ano passado em relação ao retrasado. A Record cresceu 6 pontos. A TV fechada não faz cócegas. O canal mais visto da TV fechada é a Globo.

Como vê a briga pela audiência entre Globo e Record?

O ‘padrão Globo’ é ‘conseguível’. Tudo depende de dinheiro. A Record só não passa porque não quer.

Você é saudosista?

Não. Nunca usei essa expressão ‘no meu tempo…’ Meu tempo é hoje, ou melhor, hoje também é meu tempo.

Você lê jornal todo dia? Acompanha o noticiário político?

Eu acho que o Lula está fazendo um belo governo. Depois do Juscelino, Lula é o presidente de maior carisma que o Brasil já teve. Mas ele só elege ele mesmo. Não sei se foi bom para a Dilma (Rousseff), politicamente, ter ficado mais bonita. A figura antiga era mais austera. Ninguém assobiaria para ela na rua.

E a eleição do Obama, te emocionou?

Sim. Vou assistir à posse pela TV. Na América, sou Democrata. Preferia a Hillary Clinton. Mas tenho medo pelo Obama. O racismo na América é brutal, podem matá-lo. Não atiraram em Reagan, mataram Kennedy, acertaram o papa?

Frases

‘A Escolinha da Record não me incomodou porque deu trabalho a vários que estavam na minha escola e tinham perdido o emprego. Mas quando aparece uma na Bandeirantes, que é uma cópia, eu tomo uma atitude. Não existe Escolinha do Professor Raimundo sem o professor Raimundo. Se quer fazer, me contrata.’

SOBRE PROGRAMAS QUE COPIAM O FORMATO DE A ESCOLHINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO

‘Falaram que na véspera ela tinha perdido no Ibope. Aí eu disse: ‘Mas ontem foi a primeira vez que perdeu. E ontem o Silvio Santos colocou no ar O Exterminador do Futuro, que ganharia de qualquer atração.’ Isso me doeu muito, por dois motivos: foi na semana do Natal e cinco meses antes de a Escolinha fazer 50 anos no ar. Também me desgostei porque não me deixaram fazer a despedida. Fiz um texto legal, agradeci à audiência por 49 anos e 7 meses. Aí eu passei a achar que ela voltaria. Depois é que eu percebi que não.’

SOBRE A SAÍDA DO AR DA ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO

‘Durante algum tempo, pensei que minha retirada da grade fosse uma coisa momentânea, e que, a qualquer momento, seria utilizado de novo. Então, por achar isso, não me deu angústia nenhuma. Depois eu percebi que era para sempre, que eu estava sendo rifado. Aí eu já estava acostumado a não ir, a não fazer.’

SOBRE A AUSÊNCIA DESDE 2002 DA GRADE DE PROGRAMAÇÃO DA TV GLOBO

‘Até tinha uma coisa de sentar para criar, mas uns nasceram pela voz, outros pelo tipo, pela personalidade, pela caracterização. Sempre fiz questão de que eles fossem encontrados sem que eu estivesse presente. Que alguém dissesse: ‘Na minha terra, tem um Pantaleão’; ‘No Rio tem muito Azambuja’.’’

 

LULA E OS JORNAIS
Daniel Piza

Azia e má gestão

‘Estou com o presidente Lula e não abro: ler jornais dá azia. Pense nos exemplos recentes, surgidos na ressaca do réveillon. Em dezembro tivemos a maior queda da produção industrial em 13 anos, a maior fuga de capitais desde 1982 e o menor superávit da balança comercial desde 2003. O desemprego aumentou, e qualquer cidadão conhece um parente, vizinho e/ou amigo que foi demitido recentemente. A carga tributária em 2008 sofreu seu maior aumento no século, saltando para 34,8% segundo a otimista estimativa oficial. Por falar em otimismo oficial, a inflação beirou os 6%, mas índices alternativos bateram em dois dígitos e o aumento das escolas também. Já o dólar sofreu aqui a maior valorização do mundo, comprovando a tibieza do real. O atraso dos voos superou 20%, quase o mesmo do ano anterior, no auge do caos aéreo, embora a Anac tenha dito que nada disso aconteceria de novo. Vai sal de frutas aí?

É claro que o governo diz que a culpa é da crise internacional. Mas quando tudo estava melhor ele ficava indignado quando se dizia que o bem-estar se devia aos eflúvios de fora. E a má gestão só piora os sintomas, pois não é com um aumento anual de 8% nos gastos públicos que o Brasil vai conseguir reagir à crise. Enquanto isso, Barack Obama assume nos EUA prometendo um investimento pesado em infraestrutura – muito maior que o PAC, que nenhum BNDES consegue desempacar – e o corte de impostos da classe média, na ordem de mil dólares anuais por pessoa. O mundo inteiro baixa juros, gastos e taxas; o Brasil faz o contrário. Deve ser a tal ‘singularidade’ de Pindorama.

Não é só a economia que queima no esôfago. Os jornais estão repletos de fatos ácidos como a ordem de libertação de Marcos Valério, a recusa de Tarso Genro em extraditar um terrorista italiano, a barganha do PT com PMDB de olho no fim da reeleição e na sucessão de 2010, a sinecura dada a Paulo Lacerda em Portugal apesar de acusado por uso indevido de grampos da Abin nas operações da PF. E, como se não bastasse, Lula diz na revista Piauí (logo depois dos diários da modelo Fernanda Lima sobre sua vida de mãe) que não lê jornais, mais uma vez se gabando de sua ignorância e incentivando o povo brasileiro a seguir seu exemplo. Mas isso não o isenta de elogiar os colunistas ‘meio intelectuais, meio de esquerda’ que são clipados para ele por sua equipe. Afinal, não é de hoje que Lula prefere não ver os problemas a enfrentá-los.’

 

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