Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
Menu

ENTRE ASPAS >

O Estado de S. Paulo

11/08/2009 na edição 550

CASO SARNEY

Wilson Tosta

‘Censura e crise podem levar a autoritarismo’

‘Doutora em sociologia com especial interesse pela área de história da imprensa, a pesquisadora Alzira Alves de Abreu, da Fundação Getúlio Vargas, se escandalizou com a proibição ao Estado de veicular informações sobre Fernando Sarney – filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) -, imposta pelo desembargador Dácio Vieira, do Distrito Federal, no último dia 30. A pesquisadora lembra que, no passado, as restrições aos meios de comunicação brasileiros partiram do Executivo e ocorreram em regimes de exceção. E vê perigo de a censura à imprensa e a crise do Senado apontarem para um regime autoritário, com restrições ao exercício do jornalismo, como, segundo ela, começa a ocorrer em outros países da América Latina, como a Venezuela. ‘Esses políticos não estão se dando conta do que estão preparando para o futuro’, diz, alarmada.

VOLTA DA CENSURA

‘Acho lamentável. Lembro de uma frase do (filósofo italiano) Norberto Bobbio, que diz que a regra da democracia é a publicidade e não o segredo; a luz, não a escuridão. Me parece que (as sentenças proibindo jornais de abordar certos assuntos) são decisões muito complicadas, que comprometem muito o regime democrático. Isso me assusta muito.’

SEGREDO DE JUSTIÇA

‘O sigilo teria que ser dado no processo judicial. Na medida em que a imprensa recebeu a informação, é obrigada a dá-la ao público. Se alguém tem que ser punido, é quem vazou a informação que não podia ser dada. O cidadão precisa da informação. Sem isso, como é que se faz, como se forma a opinião? Na democracia, o julgamento dos atos do governo é feito através da divulgação da informação. E cabe à imprensa esse papel. Então, acho que (a censura prévia) não se justifica. E é mais lamentável ainda que venha da Justiça.’

CENSURA NO PASSADO

‘É um juiz ligado ao próprio interessado no assunto. Isso é muito complicado. Agora, acho que tinha que ter uma manifestação maior por parte de toda a imprensa, por parte da ABI, por parte da OAB… Eu estava lembrando disto hoje: como a gente tem uma tradição de momentos de ruptura, de censura à imprensa. A gente – sem falar para trás – tem, desde 32, o empastelamento do Diário Carioca; em 37, o Estado Novo; em 64… A gente tem uma experiência muito ruim, de momentos de ruptura, em que se tenta calar a democracia, a imprensa. (….) Foram sempre momentos em que entrou um regime autoritário, um momento de autoritarismo, de ditadura, em que o Executivo agia para impedir a manifestação da imprensa, em vários momentos com a conivência do Judiciário. Tanto em 37 como em 64 houve conivência do Judiciário na implantação da censura. Hoje, isso está partindo do Judiciário, o que é muito grave. Isso tem que ser dito. E como se informa o cidadão? Os atos de governo, o cotidiano da política, a atuação dos políticos, dos homens públicos? Tudo isso tem que ser feito através da imprensa, não tem outra forma.’

JUVENTUDE

‘O que me preocupa muito no desenrolar desses acontecimentos é: que geração estamos preparando? O que o jovem vê nisso tudo? Como é que ele vai se posicionar diante da política, diante de um Congresso, de uma Câmara de Deputados, de um Senado? Isso é muito preocupante. O que estamos preparando para o futuro? Acho gravíssimo..’

RESPONSABILIDADE

‘A imprensa está no papel dela. Sem esquecer que a imprensa divulga, muitas vezes, informações de acordo com suas posições políticas, o jornalista também tem posições políticas, tem visões ideológicas, que o fazem se posicionar deste ou daquele lado.Tem que ter cuidado com isso, quando se quer destruir uma personalidade porque se é contra ela. O papel e a responsabilidade do jornalista também são muito importantes.’

INSULTOS NO SENADO

‘Fico sempre pensando assim: nós já temos uma formação política etc, mas… E esse pessoal jovem, que está assistindo a isso na televisão, que está lendo isso no jornal? Qual é a repercussão disso para o futuro? Sabe, isso é que me preocupa muito. Não para mim, para pessoas da minha geração, que têm uma posição já definida, que defendem a democracia, mas para o pessoal que está vindo, está chegando, que lê isto… O que que é isso? Essas pessoas não estão preocupadas com isso.’

DESCRÉDITO

‘As pessoas dizem: ?Para que esse Senado? Gasta tanto dinheiro…? Isso é que me preocupa… Daqui a pouco dizem: ?Fecha a Câmara! Fecha o Senado! Para quê? Bota censura na imprensa…? Isso preocupa muito.. Vivi o último regime autoritário, não posso defender isso. Há um desinteresse muito grande de parte da população. Não toda, há nichos que ainda estão preocupados, acompanhando. Tudo isso tem que ser levado em consideração, as pessoas estão muito apáticas. Esses políticos não estão se dando conta do que estão preparando para o futuro.’

TARSO E CENSURA

‘O Executivo, a meu ver, está dando um péssimo exemplo. Porque está justificando não atuar dentro da lei. Isso é preocupante. Porque, se é o próprio Executivo, se são os ministros, se é o presidente, que passam essa mensagem, que democracia é essa que vamos ter? Acho que se está desmoralizando não só o Congresso, como o regime democrático.’

FUTURO

‘Acho que pode apontar para um regime autoritário. Pode… Por que não? Olhe o que está acontecendo na Venezuela… Não está começando a haver movimentos autoritários na América Latina? Começo a olhar isso com alguma preocupação… Equador, Venezuela… Sabe? Começam a haver claramente indícios de controle. Não é tão aberto ainda, mas são momentos que a gente percebe. Espero que não.’’

 

VENEZUELA

Denise Chrispim Marin

Chávez quer inserir ‘limite ético’ à imprensa em declaração da Unasul

‘O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, quer inserir na declaração final da 3ª Reunião de Cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), que ocorre amanhã em Quito, no Equador, um parágrafo sobre a ‘responsabilidade ética’ dos meios de comunicação.

A linguagem parece inofensiva, mas vinda de um governo que fechou 34 rádios em julho e ameaçou adotar uma legislação que afeta a liberdade de imprensa (mais informações na página A18), a proposta alarmou o Itamaraty. Caberá a Uruguai e Chile impedir o consenso necessário para a aprovação do texto.

Segundo um diplomata brasileiro, a sugestão venezuelana causou surpresa, suspeitas e mal-estar nas negociações técnicas, especialmente porque seria impraticável chegar a uma definição de consenso sobre o que é ‘responsabilidade ética’ em um debate sob a tutela do governo Chávez.

O temor é de que qualquer menção em aberto dê margem para que a Venezuela ou outro país da região possa se apoiar na declaração da Unasul para adotar medidas contrárias à liberdade de imprensa. ‘O Uruguai e o Chile se opuseram com tanta veemência que o Brasil nem precisou se manifestar’, afirmou o diplomata.

A Venezuela montou ainda outro imbróglio para o encontro de cúpula ao propor a inclusão de um parágrafo sobre a ‘arquitetura financeira regional’ no texto, que terá como tema a crise econômica global.

A linguagem novamente esconde as intenções de Caracas: a adoção pela Unasul de todos os mecanismos monetários aceitos pela Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba), como a futura criação de uma moeda comum e de um Fundo de Reservas Comum. Nesse caso, o Brasil tem mais interesse em manifestar sua contrariedade com o assunto.

Com isso, Chávez causou polêmica suficiente para esgotar o exíguo tempo disponível para os debates em Quito e livrou a Colômbia das críticas mais pesadas. Os temas propostos por ele ficaram pendentes de encontros técnicos anteriores à cúpula de Quito.. Ambos serão submetidos hoje ao Conselho de Ministros das Relações Exteriores e, amanhã, serão omitidos da declaração de Quito.

Mais sorte terá o presidente da Bolívia, Evo Morales, que insiste, em cada foro de que participa, no reconhecimento de que o hábito de mascar folhas de coca faz parte dos costumes tradicionais dos povos andinos. Evo havia conseguido inserir esse parágrafo na declaração final da última cúpula do Mercosul, em Assunção, em julho. Agora, terá a chance de registrá-lo também na Unasul.

ENXUTO

Se não houver tempo para nenhuma menção ao caso das bases militares colombianas, a Cúpula de Quito não passará de um evento de transmissão da presidência temporária da Unasul do Chile para o Equador. O próprio presidente equatoriano, Rafael Correa, havia proposto um encontro enxuto para não colidir com sua posse para o segundo mandato.

A criação do Banco do Sul, primeira iniciativa consistente do bloco sul-americano, será alvo de um evento – ainda não agendado -, que ocorre ainda este ano em Caracas. O encontro reunirá ministros da Economia e presidentes de bancos centrais.

A reunião de Quito, entretanto, dará a partida para a instituição de quatro novos conselhos da Unasul. Por sugestão da Bolívia – aceita até mesmo pela Colômbia -, o Conselho de Combate ao Narcotráfico terá a função de coordenar ações e de estimular a cooperação entre os sócios da Unasul para o treinamento de forças e a troca informações de inteligência. Ao lado do Conselho de Defesa, cujos membros nunca se reuniram desde que foi criado, em 2008, esse foro complementará o arco de segurança da América do Sul.

Os líderes presentes em Quito deverão ainda criar o Conselho de Infraestrutura e Planejamento, que incorporará o conjunto de obras da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-americana (IIRSA).

Também serão instaurados os Conselhos de Desenvolvimento Social e de Educação, Cultura e Tecnologia. Além destes, já foram criados os Conselhos de Saúde e de Energia.’

 

Roberto Lameirinhas

Chávez aperta mais o cerco à mídia

‘No centro das crescentes investidas do presidente venezuelano Hugo Chávez aos meios de comunicação independentes, a Globovisión, a emissora de TV que se tornou uma pedra no sapato do governo, conta com a reação da população da Venezuela e da comunidade internacional para manter-se funcionando. Para a maior parte dos analistas, o fechamento da emissora é uma questão de tempo. A medida – que repetiria o capítulo do fechamento da Radio Caracas Televisión (RCTV), cuja concessão não foi renovada em 2007 – seria o ápice das recentes investidas de Chávez contra a liberdade de expressão, que incluíram a tentativa de impor draconiano projeto de lei de imprensa e a cassação da licença de rádios.

‘Só no mês passado, pagamos mais de US$ 2 milhões em multas impostas pela Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações), pelas razões mais ridículas que se podem imaginar, mas estamos dispostos a seguir adiante’, declarou ao Estado o principal diretor da emissora, Alberto Federico Ravell (ler entrevista nesta página), no dia seguinte ao ataque de um grupo chavista à sede da TV, em Caracas, que deixou dois feridos. ‘Com este governo é sempre melhor não pagar para ver, mas vamos esperar até onde Chávez estaria disposto a pagar o custo político de nos calar.’

‘Um alerta é necessário’, adverte o diretor e proprietário do jornal Tal Cual, de Caracas, Teodoro Petkoff. ‘Sou capaz de compreender a teia de interesses geopolíticos e as razões de Estado, mas é hora de a comunidade internacional – e, em especial, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem certa ascendência sobre Chávez – reagir de forma contundente às ações do governo contra a liberdade de expressão. A atual política de vários governos democráticos da região de fechar os olhos para o que está ocorrendo na Venezuela pode ter um alto custo para a democracia venezuelana, mas para toda a região.’ Nas últimas semanas, dois funcionários graduados estrangeiros – o chanceler espanhol, Miguel Ángel Moratinos, e o assessor especial da presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia – elogiaram o estado da liberdade de expressão no país, para irritação de parte dos venezuelanos.

Na sede da Globovisión, no distrito de Alta Florida, em Caracas, cerca de 400 funcionários trabalham em clima de tensão – mas, ao mesmo tempo, de determinação. A Globovisión opera com sinal aberto de UHF, o que lhe deixa menos sujeita aos humores do governo, em apenas duas cidades: Caracas e Valência. Em todo o restante do país, as imagens da emissora são distribuídas por meio de cabo ou sinal digital fechado. ‘Ainda que uma cassação do sinal de UHF nos cause grande prejuízo em termos de abrangência e custo operacional, não significaria o fim da Globovisión’, explica o gerente de engenharia da emissora, José Inciarte. ‘Passaríamos a transmitir integralmente por meio da TV paga.’

Em razão dessa particularidade, o governo Chávez concentra suas ações em sanções financeiras contra a empresa que administra o canal e em processos penais contra seus proprietários. Uma das multas aplicadas pela Conatel baseou-se na acusação de a Globovisión ter noticiado, antes de o governo ter emitido seu comunicado sobre o tema, a magnitude de um terremoto sentido levemente em Caracas há dois meses. O principal acionista da emissora, Gustavo Zoluaga, dono também de uma concessionária de veículos, está proibido de deixar o país, acusado de especular com o preço de carros de luxo na Venezuela. ‘Respondo na Justiça por dezenas de processos por causa de notícias difundidas pela emissora’, diz Ravell.

Chávez já deu ordens expressas para que seus ministros ajam contra a emissora – no ar há 15 anos, apenas com programas jornalísticos -, que considera ‘a grande lacaia do imperialismo e das oligarquias da Venezuela’. ‘A mim pouco importa o que diz o mundo. Para mim o único que importa é a saúde mental do povo venezuelano. Diosdado Cabello, estou aguardando’, disse Chávez durante uma transmissão de seu programa dominical Alô, Presidente!, conclamando seu ministro de Obras Públicas a levar adiante o fechamento da Globovisión.

RADICALISMO

As declarações do líder bolivariano refletem-se nas ações de seus seguidores mais radicais. Nos últimos dois anos, a emissora foi alvo de pelo menos quatro ataques violentos, o mais grave deles na segunda-feira, quando um grupo de cerca de 30 militantes armados da facção chavista Unidade Popular Venezuelana (UPV), sobre motocicletas e comandados pela ativista socialista radical Lina Ron, conseguiu invadir o pátio externo da Globovisión e lançou duas bombas de gás lacrimogêneo, causando pânico e deixando dois feridos. ‘Foi um ataque rápido’, relatou ao Estado o produtor da editoria de Internacional da TV, Carlos Arturo Alvino. ‘Muitos funcionários entraram em pânico, mas a polícia evitou que os motorizados chegassem aos estúdios.’

Desde 2008, quando a Globovisión sofreu outro ataque com uma bomba de fabricação caseira lançada pela facção chavista conhecida como ‘La Piedrita’, um destacamento da Polícia Metropolitana monta guarda na porta da TV. Equipes de reportagem são hostilizadas pelas ruas de Caracas por partidários do presidente. Para os chavistas, a Globovisión assumiu o papel da RCTV, de promover a conspiração para depôr – ou, em alguns casos mais extremos – assassinar Chávez.’

 

O Estado de S. Paulo

Caracas quer controlar toda informação, diz jornalista

‘A atual ofensiva do governo de Hugo Chávez contra os meios de comunicação é mais um passo na direção de propiciar ao Estado venezuelano o controle total da informação no país, diz o diretor e proprietário do jornal de Caracas Tal Cual e um dos jornalistas venezuelanos mais respeitados e conhecidos no exterior, Teodoro Petkoff.

‘Ao governo não interessa que se denuncie sua ineficiência, sua truculência, seus desmandos e atropelos’, diz Petkoff ao Estado.

Na terça-feira, a Assembleia Nacional dominada por deputados chavistas recuou – alegando falhas na tramitação – da tentativa de aprovar um projeto de lei que previa penas de prisão de até 4 anos para jornalistas, donos de veículos de comunicação, acadêmicos, usuários da internet e cidadãos comuns que divulguem notícias entendidas pelo governo como ‘incompletas, inexatas, conspiratórias, destinadas a causar alvoroço, convulsão ou agitação social’. O projeto foi considerado uma tentativa de amordaçar a imprensa e o recuo não significa que a ideia não possa renascer em breve.

‘Fica clara a intenção de se promover a autocensura nos meios de comunicação’, diz Petkoff.

As reformas constitucionais permitiram ao presidente Chávez lançar mãos de instrumentos que lhe permitiram controlar todos os poderes do Estado e intervir de forma doutrinária nos setores de educação, organização social e comunicação.

‘O caso venezuelano é um exemplo claro de como a construção de um arcabouço jurídico por meio de uma reforma constitucional pode se tornar uma armadilha para a democracia formal’, declarou, de Tegucigalpa, o editorialista do jornal hondurenho El Heraldo, Graco Pérez.

O diário defende a ação do Exército que depôs Manuel Zelaya, aliado de Chávez, argumentando que ela impediu uma reforma constitucional considerada ilegal pela Justiça do país, que abriria o caminho para a ‘venezuelização’ de Honduras.

IMPÉRIO

Depois de se negar a renovar a concessão da RCTV, em 2007, o governo venezuelano intensificou a criação de um império de comunicação que inclui a TV estatal Venezolana de Televisión, Televisión Educativa y Social (TVes, na frequência da RCTV) e Telesul, além de dezenas de emissoras de TV regionais e comunitárias.

E após fechar, no dia 31, 34 emissoras de rádio sob a alegação de irregularidades administrativas (há mais 200 arriscadas de perder a concessão), investe nas estações comunitárias, que já somam quase 300 em toda a Venezuela.

‘É óbvio que, para o governo, não interessam os meios que fazem jornalismo crítico, quando tem toda uma rede de comunicação que se destina unicamente a elogiá-lo e disseminar sua doutrina’, diz Petkoff. ‘A cada semana, o governo de Chávez tem reduzido sua tolerância ao dissenso.’’

 

***

‘Custo político de fechar TV é cada vez mais alto’

‘Alberto Federico Ravell, diretor-geral da Globovisión, acredita que o custo político do fechamento da emissora torna-se mais alto a cada dia. Mas teme que isso não seja suficiente para impedir uma medida de força. A seguir, trechos da entrevista que concedeu ao Estado na sede da TV.

O sr. acredita que a decisão do governo de encerrar as transmissões da Globovisión já está tomada?

Uma decisão dessas vai se tornando politicamente mais custosa a cada dia. Mas tenho consciência de que isso não quer dizer que, em algum momento, o presidente Hugo Chávez se coloque muito raivoso e tome essa medida. É preciso lembrar que a avaliação do custo político interno e externo de fechar a Radio Caracas Televisión (RCTV, cassada em 2007) não o fez pensar duas vezes.

Há pessoas no governo capazes de moderar as ações de Chávez contra os meios de comunicação?

No governo há algumas vozes que não estão de acordo com essas medidas. Não se sabe exatamente até que ponto elas são ouvidas. O governo encomendou uma pesquisa sobre o fechamento da Globovisión e das emissoras de rádio. O resultado mostrou que 75% da população é contrária a essas ações.

Que papel instituições e governos internacionais têm exercido para evitar o fechamento da emissora?

Acredito que o presidente está atento à opinião internacional. Estávamos até pensando em falar com (o presidente deposto de Honduras, Manuel) Zelaya e pedir a ele que fale com a OEA e com Chávez e o convença a manter a liberdade de expressão (risos). Mas, falando sério, o presidente Lula deveria converter-se em um bom conselheiro de Chávez para pedir a ele que não se desvie do caminho democrático.

Como o sr. viu a tentativa de se aprovar na Assembleia Nacional essa lei de delitos midiáticos?

Eu já dizia que seria muito difícil que essa lei fosse aprovada. Nem nós nem nenhum meio de comunicação da Venezuela poderia fazer jornalismo sério, caso ela se tornasse realidade. Teríamos de passar a transmitir apenas novelas brasileiras e desenhos animados. Desde que chegou ao poder, Chávez sonha em consquistar hegemonia da comunicação no país. Ele dirige seu governo pela televisão, por isso a televisão é tão importante para ele. Muitos funcionários são destituítos ou sancionados por meio de seus discursos pela televisão.’

 

INTERNET

Ethevaldo Siqueira

O garoto empreendedor que criou o Facebook

‘Quem poderia imaginar que um estudante de 19 anos pudesse se tornar bilionário em cinco anos com um site de relacionamentos criado sem maiores pretensões, que era quase um brinquedo? Para surpresa do mundo, esse é exatamente o caso de Marc Zuckerberg, o fundador do Facebook.

‘Tudo começou em 2004, quando eu era aluno da Universidade Harvard. Eu não tinha a menor ideia de que o Facebook seria um sucesso mundial, ao lançar o site de relacionamento, que era pouco mais do que um brinquedo, mas que hoje tem mais de 250 milhões de usuários, 70% deles fora dos Estados Unidos’ – conta Marc Zuckerberg, seu criador e executivo principal (CEO), em entrevista a esta coluna, na semana passada, em São Paulo.

O crescimento do Facebook impressiona. O número de seus usuários dobrou no primeiro semestre deste ano. A cada dia é postado 1 bilhão de fotos e inseridos mais de 10 milhões de vídeos no site. Cada usuário tem, em média, 120 amigos. O índice de utilização alcança atualmente a impressionante marca de 5 bilhões de minutos por dia. O site está disponível atualmente em 50 idiomas, e há mais outros 40 em desenvolvimento.

Conversar com esse garoto famoso de apenas 25 anos nos dá a sensação de que estamos dialogando com um adolescente, ou geek. Ele gosta de perguntas diretas, específicas e objetivas sobre o Facebook. Esquiva-se com elegância de quase todas as questões mais profundas, que lhe peçam reflexão, como sobre o futuro da internet e problemas como crimes cibernéticos ou riscos à privacidade. Demonstra sempre otimismo diante desses problemas, bem como dos riscos de colapso ou de congestionamento da rede em escala mundial.

Esta é a primeira vez que Zuckerberg vem ao Brasil. Seu objetivo é conhecer de perto o potencial do mercado brasileiro, cujos números o impressionam quanto ao crescimento da internet e das novas tecnologias, entre as grandes economias emergentes.

GAROTO EMPREENDEDOR

Filho de um dentista e de uma médica, Marc Elliot Zuckerberg, nasceu em 14 de maio de 1984. Aos 20 anos de idade ainda como estudante de computação em Harvard, criou o Facebook, em seu dormitório em companhia de um colega de classe e de um estudante veterano – Dustin Moskovitz e Chris Hughes. Desde adolescente, já desenvolvia programas e aplicativos, em especial alguns games.

Por que a denominação Facebook? A história desse nome é simples e vem de uma das tradições de Harvard, que era a publicação anual de um diretório de alunos com as fotos do rosto de cada estudante, de cada professor e dos funcionários, conhecido com o nome de Facebook. Mas até que fosse escolhido esse nome, o site era conhecido apenas por ‘Harvard-Thing’.

Nascido para estabelecer o relacionamento de estudantes, o Facebook se espalhou logo por outras universidades americanas – como Stanford, Dartmouth, Columbia, Cornell e Yale – graças ao trabalho do cofundador Dustin Moskovitz.

Incluído pela revista Time entre As Pessoas Mais Influentes do Mundo em 2008, na categoria de cientistas e pensadores, pelo fenômeno do Facebook, ele foi classificado em 52º lugar num total de 101 escolhidos.

ALÇANDO VOO

Logo após a criação do Facebook, Zuckerberg mudou-se para Palo Alto, na Califórnia, com Moskovitz e outros amigos. Instalam-se em seu primeiro escritório no verão, no começo do segundo semestre de 2004.

Pergunto-lhe se ainda pretende voltar a estudar em Harvard: ‘Gostaria muito de retornar e terminar algum curso de pós-graduação. Quem sabe, em poucos anos, tenha condições de retornar aos estudos acadêmicos.’

News Feed foi o primeiro novo produto lançado dentro do Facebook, em setembro de 2006, para mostrar aos seus amigos o que cada um está fazendo. Na sequência, surgiu a Plataforma Facebook, desenvolvida para permitir que programadores criassem aplicações sociais dentro do Facebook.

Seu sucesso ultrapassou todas as expectativas e despertou interesse incomum na comunidade de desenvolvedores. Em poucas semanas, numerosas aplicações foram criadas e o número de usuários explodiu para muitos milhões. Hoje, existem mais de 400 mil desenvolvedores em todo o mundo trabalhando em aplicações da Plataforma Facebook.

Uma versão dessa plataforma, chamada Facebook Connect, para aplicações sociais em outros websites, foi lançada no dia 23 de julho de 2008. Nove meses antes, Marc Zuckerberg já havia aberto uma nova frente de receitas comerciais, com o Beacon, um sistema social de publicidade e propaganda.

Marc Zuckerberg diz que, por tudo que já aprendeu com o modelo de negócio, ‘a propaganda e o comércio eletrônico são as duas grandes vertentes não apenas do Facebook, mas da própria internet’.

Em outubro de 2007, o Facebook vendeu a pequena fatia de 1,6% de seu capital à Microsoft, por US$ 260 milhões. Por essa venda, muitos analistas estimaram o valor do Facebook em cerca de US$ 15 bilhões.

Para a revista Forbes, no entanto, esse valor, parece exagerado. Seria mais razoável estimá-lo entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões. Com a crise mundial, a fortuna pessoal de Zuckerberg caiu abaixo de US$ 1 bilhão.’

 

******************

Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo

Folha de S. Paulo

O Estado de S. Paulo

O Estado de S. Paulo

Comunique-se

Carta Capital

Terra Magazine

Agência Carta Maior

Veja

Tiago Dória Weblog

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem