Domingo, 22 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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O Estado de S. Paulo

01/09/2009 na edição 553

GOVERNO

Gabriel Manzano Filho

Plano Dilma está ficando ?torto?, avalia ‘Economist’

‘Longe vão os tempos em que o PT era um partido ‘socialista, ético, jovem, até mesmo romântico’. O curso da história o reduziu a um papel menor, o de ‘levar seu fundador, Luiz Inácio Lula da Silva, ao poder e a mantê-lo lá’.

Assim a revista The Economist descreve, na edição desta semana, o drama petista, num artigo em que sustenta, também, a tese de que ‘começou a ficar torto’ o plano do presidente brasileiro de fazer da ministra Dilma Rousseff a sua sucessora, por causa do enfraquecimento e das divisões internas do PT.

O texto reafirma uma atitude que se tornou habitual na revista: elogiar os feitos econômicos do governo Lula e desfeitear suas maneiras de conduzir a política. Desta vez, sob o título Uma força ferida em busca de um novo ritmo, a revista afirma que as recentes mudanças no comportamento petista ‘trouxeram desapontamento e compromissos que agora lhe trazem danos’. Em seguida, detalha a saída da ex-ministra Marina Silva (AC) e do deputado Flávio Arns (PR). E descreve o apoio de Lula ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ‘o tipo do líder político antiquado que muita gente do PT entrou na política justamente para expulsá-lo de lá’. E arremata com a avaliação do cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília: ‘Lula não teve escolha. Mas quase destruiu o PT.’

Os incidentes recentes trouxeram à luz, diz o texto, problemas que o sucesso do PT havia camuflado e o maior deles é que, quanto à sucessão de Lula, ‘nunca se cuidou de um plano B’. Dilma é descrita como ‘impressionantemente competente’, mas ‘sem o carisma do presidente’. Além disso enfrentou problemas práticos, com o câncer linfático, e os desacertos com informações falsas em um currículo universitário e o vaivém sobre o suposto encontro com a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira.

FATOR MARINA

Mas o pior para Dilma, segundo a Economist, foi a chegada à disputa eleitoral da senadora Marina Silva – pois ela ‘tem muitas qualidades que lhe faltam’. Embora ‘não seja também muito carismática’, é uma das poucas figuras da política brasileira ‘com uma biografia que rivaliza com a de Lula’. É improvável, diz a revista, que Marina chegue à Presidência, ‘mas ela pode de fato tirar muitos votos de Dilma’.

Sobram críticas, também, para o futuro partido da senadora acreana. Para a revista, o Partido Verde ‘perdeu seu ímpeto moral em algum lugar de Brasília’ – uma ironia ao fato de que seu líder na Câmara é Zequinha Sarney, justamente o filho do político que levou Lula a agravar a crise petista.’

 

LIBERDADE DE IMPRENSA

O Estado de S. Paulo

Censura afeta percepção sobre País, diz especialista

‘O diretor do Instituto Brasil do Woodrow Wilson Center For Scholars em Washington, nos Estados Unidos, e professor visitante da George Washington University, Paulo Sotero, avalia como ‘frustrante’ o episódio de censura ao Estado, em voga desde o dia 31 de julho sob decisão do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. ‘O episódio é lamentável, porque envolve um ex-presidente do Brasil (José Sarney), uma figura que exerceu papel positivo na transição para a democracia’, afirmou.

Para Sotero, especialista em comunicação e em relações internacionais brasileiras, a decisão pode impactar na percepção sobre o Brasil na cena global. ‘A ascensão tem a ver com dados qualitativos relacionados ao caráter democrático da vida brasileira nas últimas duas décadas’, assinalou Sotero. ‘É um País que tem mostrado que é possível estabilizar sua economia, enfrentar os problemas sociais em um ambiente político aberto, competitivo e respeitador do elemento central da democracia que é a liberdade de expressão.’

De acordo com o especialista, o Brasil agora tem a chance de reverter a decisão que silenciou o Estado sobre a Operação Boi Barrica, que envolve Fernando Sarney, filho do presidente do Senado José Sarney, e transformar o episódio de censura em uma demonstração positiva de que a democracia brasileira é mantida pela Constituição. ‘Como o Brasil tem uma reputação democrática, existem expectativas. E o resultado final, eu confio, será positivo’, anotou Sotero.

Como forma de ratificar sua posição, o especialista lembrou da repercussão do impeachment ao então presidente e hoje senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). ‘O escândalo que inviabilizou a administração Collor foi negativo, mas a forma como o País solucionou o escândalo usando a Constituição para a remoção do presidente foi bem vista, como amadurecimento democrático’, disse Sotero, que afirma confiar nos tribunais superiores.’

 

ITÁLIA

O Estado de S. Paulo

Berlusconi processará jornais europeus

‘O premiê italiano, Silvio Berlusconi, vai processar vários meios de comunicação da Europa pela cobertura de sua vida privada. Ele exige uma indenização de 1 milhão do jornal italiano La Reppublica por ‘difamação’. Desde maio, o diário vem publicando dez incômodas perguntas sobre a controvertida vida privada de Berlusconi desde que a mulher dele anunciou o divórcio e insinuou que ele saía com jovens menores de idade. A revelação de festas com prostitutas desatou um escândalo com ampla cobertura da mídia.’

 

TELEVISÃO

Pedro Venceslau

Museu na RedeTV!

‘A RedeTV! vai incluir um acervo especial em sua nova sede, em Osasco, que terá inauguração oficial em 13 de novembro, com esperada presença do presidente Lula. A emissora negocia com a atriz Vida Alves, pioneira da TV brasileira e protagonista do primeiro beijo de telenovela, para abrigar lá o museu criado por ela há 13 anos.

Atualmente, Vida acomoda em sua casa no Sumaré, uma série de relíquias da história da TV brasileira, que em 2010 completará 60 anos. ‘Já está tudo acertado. O museu vai funcionar em uma enorme sala. E também vai haver umas redomas de vidro nos corredores, com raridades’, conta Amaury Jr. Foi dele a ideia de levar o museu para a RedeTV!. ‘Fui na casa de Vida Alves fazer uma matéria. Levei a ideia para a direção, e eles adoraram’.

Em 2008, por pouco o museu não foi adotado pela TV Cultura, que o levaria, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura e da Prefeitura, para a Casa das Retortas, no Brás. Mas a concorrência reclamou, e o governo, temendo associação política, recuou. ‘Foi um choque de egos. Estou animada com o projeto, mas dessa vez serei mais precavida ‘, diz Vida.’

 

Cristina Padiglione

Bonner faz sua leitura sobre o JN

‘A obsessão de ser compreendido por um público tão heterogêneo quanto permitem as dimensões de um país como Brasil faz de William Bonner um didático por excelência. A evidência de quem persegue o tom está no livro Jornal Nacional – Modo de Fazer (Ed. Globo, 244 págs., R$ 35,90), que o editor chefe e apresentador do JN lança agora, para celebrar os 40 anos que o maior noticiário do País completa na terça-feira. Bonner relata como é feito o JN, quem são os profissionais envolvidos nele e, melhor, cenas de bastidores. Ao Estado, ele falou por e-mail, desculpando-se pela falta de tempo para uma conversa de viva voz: ‘Vamos estrear cenário novo na segunda, temos gravado pilotos diariamente’, conta.

O livro é bastante didático. A quem ele é dirigido?

Sobre a questão do didatismo, imaginei que seria necessário para que os mecanismos do JN fossem compreendidos por quem quer que se interessasse pela leitura. É claro que jornalistas poderão ter essa curiosidade – e certas explicações lhes parecerão dispensáveis. Mas haverá também leitores entre estudantes e telespectadores que são leigos em jornalismo.

Você se mostra muito tranquilo para quem comanda o principal telejornal do País. Qual foi o momento de maior tensão durante o JN?

Preciso observar que não sou tão tranquilo assim. O rigor que aplicamos na apuração jornalística exige atenção absoluta, além de uma humildade que não combina com a imagem que muita gente possa ter de um editor-chefe de Jornal Nacional. O cargo exige a humildade de ouvir opiniões divergentes das minhas. Ao mesmo tempo em que um chefe tende a baixar a adrenalina de todos, um chefe que muda de ideia, convencido por novos argumentos, precisa mudar a ordem de paginação do jornal, os tempos reservados aos assuntos… E isso eleva muito a adrenalina dele. Sobre tensão durante a apresentação, tenho que dizer que todas as apresentações do JN são tensas. Seja porque a edição de textos e a apresentação ocorrem simultaneamente, seja porque não conheço ninguém que fala com tanta gente sem um certo nível de tensão. E conto um ‘causo’: perguntei ao Cid Moreira, no dia em que o vi de perfil pela primeira vez (e nunca esqueci isso, porque a TV só mostrava o Cid de frente), quando ele deixou de ficar nervoso para apresentar o JN. E ele, com aquela voz: ‘Nunca. Eu sempre fico nervoso quando estou aqui.’

No livro, você esclarece que o termo ?âncora? não implica emitir opinião, como faz Boris Casoy, e que o JN não emite opinião. Casoy diz que a seleção dos assuntos, o tempo dado a cada um e a inflexão do apresentador também são um meio de expressar opinião. Você concorda?

Não concordo – embora tenha um respeito enorme pelo Boris, que me levou a citá-lo, no livro. A seleção de assuntos diz respeito ao processo incontornável de edição, que, no caso de um jornal generalista como o JN, tem o objetivo de levar as principais notícias aos telespectadores. Se eu, como editor chefe, escolhesse assuntos distantes desse objetivo, talvez pudesse aceitar que escolher é opinar.. Mas a comparação entre o que o JN noticia com os principais jornais do Brasil e do mundo mostrará um alto grau de coincidência: geralmente a manchete do JN é a manchete dos jornais, o conteúdo do JN se assemelha às primeiras páginas. E, dentro de cada reportagem, a gente oferece opiniões plurais, emitidas por pessoas que divergem. É diferente de eu ou Fátima dizermos se um dos lados está certo ou errado.

O JN inaugura novo cenário na próxima segunda-feira. De que forma você interfere nessa repaginação?

O cenário foi concebido pela equipe do diretor de arte Alexandre Arrabal com a supervisão da direção do Jornalismo. No cenário, mesmo, dei um pitaco ou outro, mas mal os reconheço no resultado final porque evoluíram para soluções melhores. A bancada nova do JN foi desenvolvida em absoluto respeito à ergonomia. Isso faz uma diferença incrível. É a melhor bancada que já tivemos (Fátima não se cansa de elogiar). Acho bem difícil que haja algo melhor em qualquer outra televisão do mundo em termos de funcionalidade para a edição e conforto para a apresentação..

A reforma será só no cenário ou pressupõe mudanças no formato?

O cenário é a etapa final de um processo de reformulação que começou há cinco meses. Primeiro, com a mudança na forma de participações ao vivo dos repórteres: mais longas, mais frequentes e com maior interação com os apresentadores. Depois, modificamos as formas de enquadramento das câmeras.

Você e Fátima Bernardes têm adotado tom mais coloquial na bancada. O que motivou essa aproximação?

Depois de tantas edições em que um estava na bancada e o outro estava fora, nós percebemos que é absolutamente possível apresentarmos o JN com menos ‘sisudez’, digamos assim, sem perdermos a seriedade. Nós nos tornamos menos solenes. E isso vai ficar mais evidente com o cenário novo.

Por fim, mas não menos importante: quem escolhe suas gravatas?

Tá brincando? Eu, ué!’

 

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