Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 9 E 10/1

O Estado de S. Paulo

12/01/2010 na edição 572

LIBERDADE DE IMPRENSA
‘Estado’ está sob censura há 163 dias

‘O empresário Fernando Sarney, filho do senador José Sarney, apresentou no dia 18 de dezembro, véspera do recesso forense, pedido de desistência da ação contra o Estado, mas a censura ao jornal permanece em vigor.

Desde o dia 7, com o término do recesso, o jornal aguarda para ser intimado a decidir se concorda com a extinção ou prefere que a Justiça aprecie o mérito.

O pedido do empresário foi feito nove dias após o Supremo Tribunal Federal ter arquivado reclamação do jornal contra a censura sem decidir sobre seu mérito.’

 

TECNOLOGIA
Ethevaldo Siqueira

Será que a TV3D vai pegar?

‘A televisão tridimensional (3D)está chegando. E tudo indica que ela vem para ficar. Desta vez, não serão apenas algumas demonstrações isoladas de protótipos precários da TV analógica do passado, com simulações 3D pouco convincentes. Agora são imagens de grande impacto, digitais, de alta definição e três dimensões mesmo – sem dúvida, são de extraordinário realismo.

Muita gente, no entanto, não acredita na aceitação imediata da TV3D pela maioria dos usuários, por mais avançada que ela possa parecer. E a pergunta que fazem é esta: será que as pessoas querem, realmente, gastar um pouco mais em televisores e conteúdos com a nova tecnologia, como os discos Blu-ray 3D, ou os novos filmes de Hollywood, ou os incríveis jogos que encantam a juventude?

As respostas a essa pergunta já foram dadas por uma recente pesquisa feita nos Estados Unidos. O dado mais positivo é o de que 47% dos entrevistados já viram uma demonstração de TV3D e gostaram. No entanto, apenas 24% estariam dispostos a comprar um televisor com os recursos da tridimensionalidade de imagens nos próximos 12 meses.

Outra resposta se refere ao uso obrigatório de óculos. A maioria (65%) acha desconfortável ter de usar óculos, mesmo que sejam de alta tecnologia e não aqueles velhos óculos de papelão e plástico, com um olho vermelho e outro azul. Na verdade, os novos óculos utilizados são muito mais avançados e têm até a opção de marcas famosas, de grife.

Na opinião do diretor de cinema Carlos Saura, há filmes que não ganham quase nada em 3D. ‘Pelo contrário. Podem produzir efeitos negativos em relação às suas versões em 2D. Eu gostaria de poder usar 3D quando essa tecnologia possa acrescentar alguma coisa aos meus filmes e não porque ela é algo novo e moderno. Não acredito em 3D pela 3D. E dou como exemplo o filme Up, um desenho magnífico, que em nada se beneficiaria com a tecnologia 3D.’

Para Saura como para especialistas da empresa virtual CNET e jornalistas da Home Theater Review, há desenhos animados que são produzidos com uma técnica tão avançada que dão a impressão de 3D até para espectadores que os veem sem óculos.

Onde a televisão 3D pode fazer um sucesso extraordinário será nos filmes de ação, nos programa de TV de esportes e nos videogames. Corridas de Fórmula 1, cenas de desastres e catástrofes em 3D são de um realismo impressionante.

TRÊS ESTRELAS

A maioria esmagadora dos visitantes do Consumer Electronics Show (CES 2010) deste ano, realizado em Las Vegas, nos Estados Unidos, ficou encantada com três produtos: a TV tridimensional, os laptops-tablets e os e-readers. Não há dúvida de que a TV3D foi a inovação de maior interesse e de mais debates nessa feira. Foi, realmente, a grande estrela em Las Vegas.

Os laptops, netbook e tablets surpreenderam pela quantidade de novos recursos, pela criatividade, pela diversidade e pela ousadia de alguns modelos. Empresas como Lenovo, Dell, Toshiba, LG, Sony, HP, Samsung e a Asus foram as que mais impressionaram pelas inovações.

Não há dúvida que os laptops de menores dimensões – sejam netbooks ou tablets – constituem uma tendência para o futuro próximo. A indústria descobriu esse filão, de que as pessoas estão em busca de máquinas ultra-leves, com o máximo de portabilidade e mobilidade, acesso à internet e o máximo de recursos possíveis para o trabalho e o entretenimento, em qualquer lugar e a qualquer hora.

CELULAR EM TUDO

Outra tendência clara deste CES 2010 é a do celular embutido em quase todos os equipamentos e dispositivos disponíveis – seja nos netbooks, nos chamados dispositivos móveis de internet (MIDs, na sigla em inglês), nos leitores eletrônicos (e-readers) e nos smartbooks.

No futuro, os celulares embutidos se tornarão ainda mais comuns. Um dos casos mais curiosos deste CES 2010 é o do leitor eletrônico anunciado pela empresa Plastic Logic, um e-reader de tela plástica dotado de comunicação em 3G via AT&T e Wi-Fi. Mais otimistas ainda são os analistas com relação ao futuro desses dispositivos com a chegada futura da quarta geração (4G) e com os progressos da chamada Evolução de Longo Prazo (LTE, de Long Term Evolution, em inglês).

CHINA DOMINARÁ

Depois deste CES 2010, poucos especialistas duvidam do potencial da indústria chinesa de eletrônica de entretenimento. Até aqui, faltavam à China marcas poderosas. Pouca gente conhece outra marca além da Lenovo, que comprou a divisão de laptops da IBM. Agora já não faltam. A primeira marca chinesa a chegar ao ranking cinco maiores do mundo é a Hisense. Mas existem outras que surgem no horizonte do mercado mundial, como a Haier, Changhong, Skyworth, Desay e Boe.

O presidente da Hisense, Zhou Houjian, um dos principais palestrantes do CES 2010, não teve a menor modéstia em prometer que a indústria chinesa de eletrônica de entretenimento ‘vai cobrir o planeta’ com seus preços acessíveis e sua qualidade.

RECUPERAÇÃO

O número de inovações supera tudo que já vimos nas edições anteriores do Consumer Electronics Show, aqui em Las Vegas. Para aquecer o mercado, nada melhor do que a ousadia de novos produtos e novas tecnologias. É o que vemos neste CES 2010. Nas palavras do presidente da Associação Americana de Eletrônica de Consumo (CEA, na sigla em inglês), Gary Schapiro, a capacidade de inovação da indústria de eletrônica de entretenimento no mundo ‘está provando sua criatividade e sua incrível capacidade de recuperação diante da crise econômica 2008-2009’.’

 

MÍDIA NOS EUA
Dean Baker, The Guardian

‘Washington Post’ passa por tempos difíceis

‘O The Washington Post é um jornal com um legado do qual deve se orgulhar. Produziu reportagens importantíssimas no decorrer dos anos, sendo a mais famosa a cobertura do escândalo Watergate, que levou à renúncia de Richard Nixon. Infelizmente, parece ter abandonado seus padrões jornalísticos. Na última edição da década, o Post publicou como matéria noticiosa um artigo assinado por The Fiscal Times, afiliada da Peter Peterson Foundation, comprometendo a sua integridade jornalística a ponto de os leitores não poderem mais levar o jornal a sério.

Peter Peterson é um bilionário de Wall Street e antigo membro do gabinete de governo de Richard Nixon que prega a eliminação dos benefícios da Previdência Social e do Medicare há pelo menos um quarto de século. Ele escreveu diversos livros alertando para um desastre demográfico quando os ‘baby boomers’ (a geração dos anos 50) se aposentassem. Esses livros, com frequência, contêm argumentos ridículos para sustentar a tese. Por exemplo, num deles em que defende cortes na Previdência Social, como uma forma de tratamento equitativo de todas as gerações, Peterson propõe reduzir o gasto anual com a correção dos benefícios previdenciários com base na evolução do custo de vida. Peterson justifica os cortes dizendo que o índice de preços supervaloriza a taxa de inflação real e, consequentemente, o custo anual da correção dos benefícios previdenciários favorece os aposentados além da conta.

O problema com a lógica de Peterson é que, se o índice de preços de fato superestima a inflação, então o país teria enriquecido muito mais rápido do que demonstram os índices mais comuns. O que significa que os jovens com que ele tanto se preocupava estariam muito mais ricos do que se poderia imaginar. E significa também que muitos dos aposentados cujos benefícios ele queria cortar ficaram mais pobres.

Essas conclusões logicamente derivam da afirmação de Peterson de que o índice de preços provoca supervalorização da inflação. Mas Peterson não se importa com a lógica, o que ele deseja são cortes na Previdência e se dispõe a falar qualquer coisa para promover essa ideia.

Naturalmente, o que Peterson fala importa porque ele utiliza os seus bilhões para garantir que sua voz seja ouvida. No caso dos seus livros, ele pode comprar páginas inteiras de publicidade em grandes jornais para assegurar que esses tratados, aliás totalmente desinteressantes, sejam levados a sério.

E ele fundou organizações. Primeiro, a Concord Coalition (‘organização popular, apartidária, que defende uma política fiscal responsável obrigando todas as gerações’); mais recentemente criou a Peter G. Peterson Foundation e agora sua afiliada, a Fiscal Times. O interessante é que o artigo de estreia da Fiscal Times no The Washington Post fez referência às propostas anteriores de Peterson.

O artigo traz o refrão impreciso e padronizado de Peterson segundo o qual ‘os gastos do Medicare, do Medicaid e da Previdência Social sobem vertiginosamente’. As despesas com a Previdência Social não estão ‘subindo vertiginosamente’, no sentido literal do termo. Medida como uma porcentagem da renda nacional, essa despesa aumentará em menos de 40% nas próximas duas décadas, um aumento plenamente financiado pela contribuição à Previdência Social.

Embora os gastos com o Medicare e o Medicaid estejam crescendo rapidamente, isso ocorre, principalmente, porque os custos da assistência médica privada estão explodindo. Como todo analista de orçamento sério sabe, os custos no setor da assistência médica privada cresceram a um nível que ameaça devastar a economia. Se esse setor não for ordenado, vamos enfrentar um desastre econômico independentemente do que ocorrer com o Medicare e o Medicaid. Se ele for regulado, então os problemas envolvendo os programas do setor público serão administráveis.

Não é a primeira vez que o The Washington Post mostra-se disposto a comprometer a integridade para socorrer suas finanças. No ano passado, a administração do jornal planejou uma série de jantares, anunciados como ‘salões’, onde pretendia vender aos lobistas a oportunidade de se reunir com jornalistas do Post num ambiente informal. O plano não deu certo, pois acabou sendo vazado e provocando um escândalo.

Vender o acesso a jornalistas certamente é um crime grave no caso de um jornal sério, mas transferir parte da seção de notícias a um grupo que defende interesses é, com toda probabilidade, um pecado ainda pior. O artigo do Fiscal Times não se distinguia, aparentemente, de qualquer outra matéria noticiosa no The Washington Post. Somente aqueles que leram com atenção o nome do autor do artigo, ou a observação no pé da página, perceberam que não era uma notícia regular. Em nenhuma parte o Fiscal Times foi identificado como empresa afiliada, e financiada, da Peter Peterson Foundation.

Se o Fiscal Times se torna fonte regular de artigos no The Washington Post, possivelmente devemos esperar matérias assinadas também pela Shooting Illustrated, da National Rifle Association. É lamentável que as mudanças tecnológicas possam ter tornado esse jornal tradicional economicamente inviável – mas teria sido melhor se o Post pudesse ter uma morte digna.’

 

Trudy Lieberman, The Columbia Journalism Review

Jornal é alvo de críticas

‘No último fim de semana, houve grande agito na internet em decorrência de um artigo publicado pelo The Washington Post pouco antes do ano novo, sob o título: ‘Combate ao endividamento nacional recebe apoio cada vez mais expressivo’.

A matéria, produzida por uma nova publicação chamada The Fiscal Times, reunia diversas citações favoráveis à criação de uma nova comissão bipartidária, proposta pelos senadores Kent Conrad (democrata da Dakota do Norte) e Judd Gregg (republicano de New Hampshire), dotada de amplos poderes para determinar cortes nos gastos federais e aumentos nos impostos – em outras palavras, para enxugar o governo por meio de reformas na legislação tributária e restrições às verbas dedicadas à Previdência Social, ao Medicare e ao Medicaid.

Esses são programas sociais que abocanham imensas fatias do orçamento federal e sempre foram alvos atraentes das críticas daqueles que combatem os déficits. É possível que parágrafos prevendo a criação dessa comissão sejam incluídos na proposta de lei para limitar o endividamento que o Senado deve levar à votação no dia 20 deste mês. O texto pode também ser incluído na próxima solicitação orçamentária do presidente, no início de fevereiro.

A matéria dizia que o presidente Barack Obama ‘expressou apoio a tal plano’; que 35 senadores republicanos e democratas, entre eles o presidente da comissão orçamentária do senado, Kent Conrad, teriam assinado a proposta; e, finalmente, que Nancy Pelosi, antes uma ‘enérgica opositora à ideia’, poderia agora aceitar a criação de uma comissão desse tipo, composta por 16 congressistas e 2 funcionários do governo. Se 14 dos 18 membros da comissão concordarem em relação a uma reforma da legislação tributária ou a cortes no Medicare e na Previdência Social, o Congresso seria obrigado a levar em consideração imediatamente as recomendações da comissão e submetê-las à aprovação sem possibilidade de alterar posteriormente a decisão tomada.

Para alguns, o novo corpo poderia lidar, sem muita discussão nem grande debate, com o irritante problema dos gastos com programas sociais que beneficiam grupos específicos. Os opositores enxergam a comissão como pretexto para a introdução de grandes mudanças que poderiam acabar de uma vez por todas com a eficácia da Previdência enquanto programa de seguro social.

A matéria omitia todas as referências à oposição composta por cerca de 40 organizações, entre elas a NAACP, a Seiu, a AFL-CIO, a Common Cause, a Now e a AARP, e também pelo presidente da comissão de Finanças do Senado, Max Baucus, que discorda da ideia de pôr em risco benefícios como a Previdência e o Medicare.

Apesar de admitir que ‘não há consenso sobre a melhor maneira de responder’ ao crescimento da dívida pública do país, os leitores teriam dificuldade em entender, pela matéria publicada no Post, que a comissão enfrenta alguma resistência.

No fim, os leitores descobriram que o Fiscal Times, identificado como publicação independente dedicada à cobertura de assuntos fiscais, orçamentários, temas relacionados ao atendimento médico e à economia internacional, tinha produzido a matéria para o Washington Post. O jornal não revelou aos seus leitores o currículo de um dos financiadores da nova publicação: Peter G. Peterson.

Num press release divulgado em dezembro, Peterson disse que a nova iniciativa jornalística, chamada de ‘Fonte de todas as informações fiscais’, forneceria conteúdo a outras publicações online e jornais. Peterson teve extensa carreira em Wall Street, foi secretário do Comércio na presidência de Richard Nixon e presidente do Conselho de Relações Exteriores. No entanto, o dado relevante para a matéria publicada no Washington Post é o fato de Peterson ser o presidente fundador da Coalizão Concord, grupo que manifesta abertamente opiniões contrárias a benefícios como a Previdência.

A reportagem cita o diretor executivo do grupo, Robert L. Bixby, mas o envolvimento de Peterson não é mencionado. A matéria também faz referência a dados da Comissão Peterson-Pew para a Reforma Orçamentária, uma parceria formada há 12 meses com o objetivo de ‘abordar certo número de falhas nas regras orçamentárias atuais, nos seus conceitos e processos’. Em termos menos técnicos, isso significa mudar as regras de funcionamento de benefícios como a Previdência. Novamente, a matéria do Fiscal Times omite tais informações.

Em casos como esse, faz-se necessária uma completa transparência. O Columbia Journalism Review, que funciona parcialmente no modelo filantrópico (além dos modelos dependentes dos anunciantes e das assinaturas), logo anunciará a contratação de um bolsista temporário financiado pela Fundação Peter G. Peterson. O propósito da bolsa, conforme explicitado na proposta de concessão de auxílio financeiro à pesquisa, será ‘encorajar o jornalismo econômico a avaliar as consequências do resgate proporcionado pelo governo e da crise financeira mais ampla, que ocorre num contexto marcado por duas guerras, por reformas potencialmente vastas e caras em sistemas como o de saúde, e em meio a gastos cada vez maiores com programas de benefício social’. O bolsista produzirá matérias para o site cjr.org, por duas de nossas editorias – The Audit, editoria econômica online, e Campaign Desk, editoria de política e medidas públicas.

A matéria publicada pelo Post levanta questões importantes sobre o uso, a qualidade e a transparência necessárias aos textos produzidos para os principais meios de comunicação por fontes chamadas independentes. O público precisa saber quem produz e financia esse tipo de conteúdo. É por isso que defensores extrovertidos da Previdência – como Robert Kuttner, do The American Prospect, Dean Baker, do Centro de Pesquisas em Economia e Medidas Públicas, a autora Nancy Altman e Theodore Marmor, professor emérito da Universidade Yale, escreveram ao ombudsman do Post, Andy Alexander, protestando contra a parceria com o Fiscal Times e contra o artigo publicado, de ‘fonte extremamente parcial’.

Marcus Brauchli, editor executivo do Washington Post, disse ao site Politico que o jornal trabalha ‘com fundações e parceiros sem fins lucrativos que produzem material jornalístico sobre temas valorizados pelo público e do interesse de nossos leitores’. Ele acrescentou que, quando ‘usamos material proveniente de fontes externas, sempre revelamos a fonte do texto jornalístico e nos certificamos de que ele corresponda aos padrões de independência e imparcialidade do Post’. Mas o Post escorregou nesse caso, e a falta de transparência quanto à parceria com o grupo de Peterson levou à troca de e-mails no fim de semana e à redação de outra carta, desta vez endereçada a Brauchli, apontando os ‘erros factuais’ contidos na matéria publicada pelo jornal.

A carta afirma, por exemplo, que Nancy Pelosi ainda é contrária à criação da comissão, apesar de a matéria do Fiscal Times sugerir que ela teria mudado de opinião. A carta diz também que o governo não adotou uma posição sobre o tema, apesar de a matéria do Washington Post/Fiscal Times dizer que o presidente ‘expressou apoio’ à criação de tal comissão.

O site Politico começou a abordar a questão mais ampla por trás do episódio, destacando que o próprio site tinha usado, junto com o Post, matérias produzidas por terceiros – no caso, pelo ProPublica – e o Post tinha publicado, junto com outros jornais, matérias produzidas pela Kaiser Health News, um projeto da Fundação Família Kaiser, apartidária.

Tudo isso nos leva à questão do Kaiser News Service, que tem sido uma das principais fontes de informação durante o debate sobre a reforma do sistema de saúde, fornecendo reportagens, colunas opinativas, matérias especiais e apresentações multimídia. O conselho consultivo do Fiscal Times inclui Drew Altman, presidente e diretor executivo da Fundação Família Kaiser. Ele foi uma das principais fontes procuradas por repórteres que prepararam matérias sobre a reforma.

Será que a sobreposição de diretorias se transformará numa característica desses acordos entre diferentes meios de comunicação? Será que o Fiscal Times está se valendo da experiência da Kaiser, estabelecendo parcerias com meios de comunicação para fornecer a eles as matérias que essas organizações deveriam produzir sozinhas? Como o serviço de notícias de Peterson, o empreendimento da Kaiser se apresenta como editorialmente independente. A Fundação Família Kaiser é listada como parceira no site da Aliança Herndon, um grupo cujos parceiros promoveram o formato final da reforma do sistema de saúde aprovada pelo Congresso em dezembro.

Até que ponto os principais meios de comunicação podem recorrer ao conteúdo produzido por empresas jornalísticas com forte ponto de vista? Seria aceitável publicar o conteúdo de algumas fontes e recusar matérias produzidas por outras? Como garantir a transparência no caso do material financiado por fontes dotadas de objetivos ocultos, que poderiam tê-los incorporado às reportagens que o público está acostumado a considerar confiáveis? Será que uma matéria produzida por fonte independente, mas dotada de um ponto de vista, é diferente de uma matéria produzida por um jornal de forte conteúdo opinativo? Faz tempo que os jornais publicam reportagens sobre vários assuntos e aceitam anunciantes dos mais variados tipos. Aquele que paga ao flautista ganha o direito de escolher a melodia, e num jornal há muitos pagantes patrocinando seu conteúdo. Mas, quando um serviço jornalístico fornece conteúdo específico sobre temas restritos, ou uma organização filantrópica financia determinado articulista para que cubra um tema especialmente querido pela instituição, o pagante pode escolher a melodia com mais facilidade.

O modelo de jornalismo sustentado pelos anunciantes sempre teve seus problemas em relação aos conflitos de interesse. O mesmo pode ser dito do modelo filantrópico. É saudável que Kuttner e os demais ataquem o acordo do Post com o Fiscal Times, e também que os leitores e críticos em geral se mantenham vigilantes em relação ao modelo filantrópico. Nós, do Columbia Journalism Review, faremos o mesmo. Os consumidores do jornalismo sempre adotaram a lei do ‘Compre por sua própria conta e risco’. Agora, com os serviços jornalísticos inserindo suas reportagens nos principais meios de comunicação, essas palavras ganham significado ainda mais forte.

*Trudy Lieberman dirige o programa de reportagens sobre saúde e medicina da faculdade de graduação em jornalismo da Universidade da Cidade de Nova York e é editora contribuinte do Columbia Journalism Review’

 

CASO SEAN
Gustavo Chacra

TV mostra clima amistoso entre Goldman e o filho

‘O menino S. aparentava alegria nas cenas exibidas anteontem em um programa especial da rede de TV NBC sobre o seu retorno aos Estados Unidos. Sua relação com pai é boa, apesar de ele permanecer um pouco distante, segundo o próprio David Goldman. Nesta semana, pela primeira vez, em imagens captadas pelo canal de TV, o menino chama o americano de ‘papai’. S., de 9 anos, voltou aos EUA com o pai em 24 de dezembro, após longa disputa judicial com a família brasileira, que pleiteava sua guarda. A mãe da criança, Bruna Bianchi, morreu no Rio, no ano passado.

No programa, que mostrou duras críticas à família materna e ao padrasto João Paulo Lins e Silva – todos descritos como sequestradores -, também foram exibidas gravações de Bruna dizendo que Goldman era um bom pai.

No avião, quando retornou do Rio a Orlando, S. não parecia triste por voltar aos EUA, conforme afirmava a família materna. A NBC, que vem sendo criticada por pagar ao pai para ter direitos exclusivos no caso, acompanhou o retorno de S. à sua antiga casa, em New Jersey, de onde foi levado pela mãe em 2004. As imagens foram feitas por celular e não fica claro se foram gravadas por um parente de Goldman ou por cinegrafista. O menino entrou na casa correndo, abrindo os presentes de Natal, animado. ‘Onde está o meu quarto de brinquedos?’, pergunta.

O pai abre um champanhe sem álcool e diz: ‘Vamos celebrar’. Os dois bebem. O menino também abre a porta para a entrada dos parentes e faz piadas. Ao brincar com o pai e amigos no jardim, S. diz: ‘Papai, vem aqui. Vem aqui, papai’. Em entrevista no dia seguinte ao seu retorno, Goldman dissera que o filho ainda não o havia chamado de pai. Esta teria sido a primeira vez.

Nas gravações feitas pelo pai dos telefonemas da mãe, ela aparece algumas horas brava e, em outras, calma. ‘Eu não quero mais morar em New Jersey’, diz, irritada. ‘Sabia que você nunca iria me dar o divórcio’, afirma ainda, ao explicar sua partida. Em outra ocasião, ressalta ainda que Goldman era um pai maravilhoso.’

 

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