Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 10 E 11/7

O Estado de S. Paulo

13/07/2010 na edição 598

ITÁLIA
Jornalistas fazem greve contra lei de Berlusconi

A maioria dos jornais, revistas e sites noticiosos da Itália parou ontem em protesto contra a proposta de lei do primeiro-ministro Silvio Berlusconi de restringir as reportagens com base em materiais obtidos de grampos telefônicos feitos pela polícia com autorização judicial.

O governo diz que a medida, chamada pela imprensa italiana de ‘Lei da Mordaça’, é necessária para proteger a privacidade de indivíduos contra investigações arbitrárias, mas os críticos alegam que ela prejudicará a luta contra o crime organizado e dificultará o trabalho da imprensa, que terá mais obstáculos para reportar casos de corrupção.

Previsto para ser votado no Parlamento no dia 29, o projeto restringe as condições nas quais juízes podem ordenar grampos e proíbe jornais de usar transcrições das gravações enquanto investigações preliminares não forem concluídas, o que normalmente pode levar anos.

O principal sindicato de jornalistas italianos, o FNSI, disse que a legislação ‘limitará gravemente o direito dos cidadãos de tomar conhecimento do andamento de inquéritos judiciais, impondo graves limites à livre circulação de informações’.

A greve dos jornalistas recebeu apoio dos principais jornais do país, como o Corriere della Sera, a Gazzetta dello Sport, La Stampa e La Repubblica, que não circularam ontem, das revistas L’Espresso e Panorama, do site da agência Ansa e da seção de notícias da rede de TV estatal RAI, que não foram atualizados.

Entre os poucos jornais que podiam ser encontrados nas bancas estavam Il Giornale, que pertence à família de Berlusconi, e o Libero, jornal pró-Berlusconi segundo o qual ‘os verdadeiros obstáculos à Justiça são os grampos descontrolados’.

A questão mobilizou a oposição ao premiê no momento em que ele enfrenta uma divisão em sua coalizão de centro-direita e uma luta para fazer aprovar um pacote de austeridade de 25 bilhões para reforçar as finanças públicas desgastadas com o impacto da crise econômica na Europa.

Berlusconi, cuja aprovação caiu 9 pontos porcentuais – tem 41% – nas últimas semanas, disse que renunciará se o Parlamento rejeitar sua proposta orçamentária. No início da semana, ele pediu um voto de confiança à Câmara e ao Senado, que deve ser votado na semana que vem. Berlusconi disse que o pedido era um ‘ato de coragem do governo’. A oposição ironizou o que será a 33.ª moção de confiança apreciada pelo Parlamento. ‘Coragem? Não. Ele está morrendo de medo’, disse Pierluigi Bersani, do Partido Democrático, de centro-esquerda. ,

CENSURA À ITALIANA

Quem será grampeado?

Alguém só poderá ser grampeado se houver forte indício de culpa e só por alguns crimes, entre eles o de terrorismo, os ligados à Máfia e os de sequestro

Locais dos grampos

Os grampos não podem mais ser colocados em casa ou em carros particulares

Retroatividade

Se virar lei, as novas regras serão aplicadas também aos processos em curso, ou seja, muitas gravações que sustentam casos atuais serão consideradas ilegais

Silêncio dos juízes

Os juízes serão proibidos de dar declarações sobre os processos

Censura aos jornalistas

Jornalistas não poderão divulgar o conteúdo das gravações até o fim do processo. Pena de 1 mês de prisão e multa de 10 mil por descumprimento. As empresas de mídia serão multadas em até 450 mil euros

 

INTERNET
China renova licença de funcionamento do Google

O Google anunciou ontem que o governo chinês renovou a licença da empresa para operar na China, o maior mercado de internet do mundo, com 400 milhões de usuários. A permissão, com validade de um ano, foi concedida depois que o serviço de buscas aceitou a censura do conteúdo feita por Pequim.

Para driblar o controle do governo sobre seu conteúdo, a empresa fazia o redirecionamento automático dos usuários chineses para o endereço eletrônico de Hong Kong, onde o serviço não é censurado.

A licença era uma preocupação importante porque o Google precisa dela para usar seu endereço chinês, que é fiscalizado por autoridades. Os usuários poderiam acessar diretamente o site do Google em Hong Kong ou outro site internacional do Google, mas autoridades podem limitar o acesso a esses endereços.

Apesar de ser o serviço de buscas online mais usado do mundo, o Google é o segundo mais acessado da China. A Baidu, uma empresa local, é líder de acessos.

O governo comunista determina que assuntos polêmicos no país, como democracia e direitos humanos, sejam censurados na internet. Todo conteúdo online é obrigatoriamente aprovado pelo Departamento de Informação e Propaganda. Desde que começou a operar na China continental, o Google submeteu-se a essas restrições.

A empresa havia fechado seu portal na China em março, após ter sofrido um sofisticado ataque de hackers originado no país asiático. Os invasores tentaram ainda acessar contas de e-mails de ativistas de direitos humanos críticos do governo chinês.

O incidente ganhou proporções diplomáticas. Os governos americano e chinês iniciaram uma guerra de comunicados questionando a liberdade de acesso à internet e os problemas enfrentados por empresas estrangeiras na China.

Nesta semana, o centro de investigações de Pequim afirmou que o site de relacionamentos Facebook representa um desafio para a segurança nacional e ‘é uma ferramenta de subversão política’ dos países ocidentais, principalmente dos Estados Unidos.

 

CHINA
David Barboza, The New York Times

Pequim lança seu canal em inglês

A agência de notícias Nova China, principal serviço de notícias do país e braço de propaganda do Partido Comunista, lançou um canal de notícias 24 horas em inglês e prepara-se para abrir uma redação na Times Square, como parte de uma tentativa, cara, para aumentar o alcance e a influência dos meios de comunicação chineses no exterior.

Numa entrevista coletiva na quinta-feira, o presidente da agência Li Congjun disse que o CNC World, canal de notícias 24 horas, faz parte de um esforço do governo para ‘apresentar uma visão internacional com uma perspectiva chinesa’.

Essa é a mais forte indicação de que a China pretende gastar bilhões de dólares nos próximos anos para criar um império de mídia global que se compare ao poder diplomático e econômico crescente do país e projete eficazmente suas opiniões a uma audiência internacional.

Há muito tempo as autoridades em Pequim queixam-se de que a China é retratada de maneira negativa pela mídia ocidental e uma cobertura que consideram tendenciosa tem afetado os interesses do país no exterior.

O novo canal, cujo modelo seria a rede de notícias árabe Al-Jazira, deverá oferecer uma ampla cobertura dos assuntos mundiais e, ao mesmo tempo, explicar temas considerados importantes pelos líderes chineses numa perspectiva que os produtores dos programas entenderem apropriada. Para analistas, a expansão global dos serviços noticiosos chineses é surpreendente, porque muitas gigantes do setor, por causa de uma forte queda nas receitas de publicidade, estão reduzindo suas operações, fechando escritórios e demitindo jornalistas.

‘Enquanto nossos impérios de mídia derretem como os glaciares do Himalaia, os da China estão se expandindo’, diz Orville Schell, diretor do Centro de Relações EUA e China, na Asia Society, em Nova York, e ex-diretor da faculdade de jornalismo na Universidade da Califórnia, em Berkeley. ‘Eles querem obter todos os selos de confiabilidade do mundo do jornalismo e manter uma sede em Nova York, um local emblemático, faz parte dessa aspiração.’

Na quinta-feira, um funcionário da Nova China, que pediu para não ser identificado, disse que a agência planeja abrir um escritório no topo de um arranha-céu de 44 andares na Times Square, mesma região em que estão a Reuters, a Editora Condé Nast e The New York Times. A decisão da Nova China inclui-se numa série de iniciativas planejadas por Pequim. A China Central Television, maior rede estatal de TV do país, vem se expandindo para o exterior, oferecendo programas em inglês, espanhol, francês, árabe e outras línguas.

Não há garantias de que esses serviços de notícias estatais financiados e controlados por Pequim consigam atrair uma grande audiência internacional ou obter receitas substanciais no exterior. Para muitos especialistas do setor de mídia, embora os canais de notícias da China estejam progredindo, ainda não oferecem uma informação objetiva e confiável e são considerados veículos de propaganda do governo chinês.

Há anos fala-se que algumas agências de notícias chinesas estão estreitamente ligadas aos serviços de inteligência do país. A Nova China foi inaugurada em 1931 como Agência de Notícias da China Vermelha, antes de o Partido Comunista chegar ao poder, em 1949.

A Nova China divulga boletins do governo e comunicados oficiais para os membros do Politburo, além de continuar estabelecendo a pauta para outras publicações chinesas bastante censuradas. Na quinta-feira, ao anunciar o lançamento do novo canal de notícias, a agência indicou que espera oferecer ‘uma visão mais positiva da China para os telespectadores internacionais’ e pretende fazer isso por meio de noticiários em língua inglesa, programas de entrevistas e reportagens mais minuciosas, com análises em profundidade.

A agência chinesa já tem mais de 10 mil funcionários e 120 escritórios em todo o mundo, rivalizando, em termos de alcance ? mas não de qualidade ?, com serviços de notícias internacionais, como a Reuters ou a Bloomberg. A Nova China já começou a recrutar jornalistas não chineses de todo o mundo para colaborar com seu serviço de notícias.

Orville Schell, da Asia Society, diz que Pequim está pretendendo seriamente apresentar suas agências de notícias como uma alternativa confiável para os órgãos de informação internacionais. ‘Apesar dos esforços hercúleos, eles não acham que estão sendo levados a sério; a Nova China não está no mesmo nível em termos de confiabilidade’, disse Schell. ‘Mas ainda estamos longe da próxima etapa, quando eles se apoderarem de empresas debilitadas do mundo da mídia global.’ / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É CORRESPONDENTE EM XANGAI

 

PUBLICIDADE
Joseph Plambeck

Publicidade vai para dentro dos videoclipes

Tanto no caso do celular da Virgin Mobile quanto do molho Miracle Whip, Lady Gaga faz uma propaganda explícita. No vídeo do seu novo single Telephone, ela exibe o celular e um punhado de outras marcas – oferecendo um dos mais claros exemplos de inserção de propaganda de produtos em vídeos de música.

Embora tenha levado a propaganda ao extremo, Lady Gaga não é a única, no campo da música, a inserir propaganda de uma marca nos seus vídeos. Pelo menos duas tendências contribuíram para o aumento da popularidade dessas inserções: a mudança dos vídeos da TV para a internet e a tentativa dos selos de transformar os vídeos em fonte de receita, e não apenas em um instrumento para vender CDs.

De acordo com estudo divulgado pela empresa de pesquisa PQ Media, o dinheiro gasto na inserção de publicidade de produtos em clipes musicais cresceu 8% em 2009 em comparação com o ano anterior, enquanto a propaganda paga de produtos no geral caiu 2,8%, para US$ 3,6 bilhões.

O dinheiro, com frequência, é usado para pagar os custos do vídeo, que em geral são divididos entre o artista e a gravadora. Patrick Quinn, diretor executivo da PQ Media, diz que a receita derivada desse tipo de propaganda totalizou entre US$ 15 milhões e US$ 20 milhões em 2009, mais do que o dobro do contabilizado em 2000, e ele acha que vai crescer ainda mais este ano.

Canal. Rio Caraeff, diretor executivo da rede de vídeos de música Vevo, aberta no ano passado em parceria com o YouTube, diz que o objetivo da empresa é possibilitar a inserção de publicidade de produtos em vídeos. Ela serve como ‘um canal entre as grandes gravadoras e as empresas de marketing’, disse ele em uma mensagem por e-mail.

O vídeo de Lady Gaga, que já teve 62 milhões de exibições no YouTube, traz propaganda de produtos de Miracle Whip e da Virgin Mobile. Segundo Caraeff, a empresa de telefonia tem ‘um forte relacionamento’ com a Vevo, que pertence em parte à Universal Music, matriz do selo da cantora pop.

O diretor da Vevo diz que a propaganda deixou claro ‘como são complementares nossos relacionamentos com marcas e empresas de música e como podemos reuni-las, em parcerias de sucesso no futuro’. Uma versão do vídeo na MTV, no entanto, deixa embaçada a marca Virgin Mobile, mas não a Miracle Whipp, que tem menos destaque.

Segundo Jonathan Feldman, vice-presidente da área de parcerias de marcas na Atlantic Records, hoje o selo valoriza mais os vídeos do que há cinco ou dez anos. ‘Antes, o vídeo servia apenas para mostrar criatividade e conteúdo, era promocional. Hoje, consideramos o vídeo uma parte integrante do todo e uma maneira de gerar receita’, disse.

‘Parte do argumento para convencer os anunciantes é que, ao contrário de muitas outras oportunidades de propaganda em torno dos vídeos de música, como um anúncio de 15 segundos antes da música comprado para uma duração específica, ou pelo número de vezes em que é exibida, o produto inserido num vídeo está sempre lá. Não vai desaparecer’, explicou.

O vídeo da Atlantic de Billionaire, música de sucesso de Travie McCoy interpretada por Bruno Mars, inclui uma propaganda paga de um Mini Cooper.

Os dois artistas estão viajando com o carro, e Bruno Mars cede o veículo para um homem querendo andar nele. O vídeo foi visto mais de 9 milhões de vezes por usuários do YouTube. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

 

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