Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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O Estado de S. Paulo

24/08/2010 na edição 604

ELEIÇÕES 2010
Bruno Tavares e Ivan Fávero

Audiência cai no início do horário eleitoral

A audiência televisiva despencou na capital e grande São Paulo após os primeiros minutos do horário político. Levantamento feito pelo Estado com base na medição minuto a minuto do Ibope da Rede Globo, entre 20h30 e 21h20 de terça e quinta-feira, indica que o telespectador desligou a TV logo no início do programa e voltou a ligá-lo nos minutos finais.

Com essa matemática contrária à exposição, os presidenciáveis que apareceram primeiro levaram ligeira vantagem em relação aos adversários.

Foi o que aconteceu no programa de estreia do candidato José Serra (PSDB) no horário nobre da TV, na noite de terça-feira. O tucano teve a melhor média de audiência entre os três líderes das pesquisas de intenção de voto, com 30,2%.

A queda registrada depois dos primeiros minutos da exibição da propaganda de Serra perdurou pelas apresentações das candidatas do PT, Dilma Rousseff, e do PV, Marina Silva, que tiveram 29% e 29,5% de média, respectivamente.

Entre às 20h29 e às 20h30, quando todos os canais abertos são obrigados a interromper suas programações para transmitir os programas dos partidos, a audiência da Rede Globo era de 33,2%. Dois minutos depois, o porcentual caiu para 29,9%.

A propaganda de Dilma começou às 20h41 com 28,5% de audiência. Ao término, a audiência era de 29,4%.

O chamado share – porcentual de TVs ligadas – também despencou no primeiro dia da propaganda eleitoral. Às 20h30, era de 51,2% na Rede Globo. Dez minutos depois, atingiu a marca mais baixa nos 50 minutos do horário político, com 44,4%.

Na noite de quinta-feira, segundo dia da propaganda dos candidatos à Presidência, o fenômeno se repetiu. O PCB, primeiro a ter sua peça publicitária exibida, teve em seu primeiro minuto queda de 1,5 ponto porcentual – de 28,5% para 27. Quando Serra entrou no ar, às 20h31, a audiência era de 26,5%. Comparado com o primeiro dia, o tucano teve uma média de 25,3%, ante os 30,2% – uma queda de 4,9 pontos porcentuais.

A presidenciável petista também amargou queda se comparado ao seu primeiro dia na TV. Seu programa começou com audiência inferior a 23% e, durante os 10 minutos e 38 segundos de exibição, oscilou dentro dessa faixa. A candidata do PV teve média maior que Dilma, com 24,2%.

Rodízio

A ordem de exibição dos programas é definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por sorteio. Para garantir igualdade entre as candidaturas, a lei eleitoral estabelece um rodízio diário das propagandas – a primeira num dia vira a última no dia seguinte.

Cada ponto de audiência corresponde a 56 mil domicílios na Grande São Paulo. No primeiro dia de programa eleitoral no horário nobre da TV, a audiência média foi de 29,7%, similar à do Jornal Nacional, por exemplo.

Doutor em Marketing Político e professor de Marketing Político da Escola de Comunicações e Arte (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), Celso Matsuda argumenta que o importante para os candidatos é que o começo e o final do horário eleitoral sejam muito bons. Assim, segundo ele, é possível prender a atenção de todos os espectadores, mesmo aqueles que tinham a intenção de desligar a TV durante a propaganda política.

‘Quem vai assistir ao horário eleitoral na íntegra são os interessados em discutir política, os formadores de opinião, que vão chegar no trabalho no dia seguinte falando: ‘Você viu tal candidato?’’, explica Mastuda. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

Nanicos compensam tempo curto na TV com a internet

José Maria Eymael (PSDC) e Zé Maria (PSTU) estão em extremidades opostas do espectro ideológico, mas adotaram estratégia idêntica no horário eleitoral gratuito. Com exíguos 55 segundos na TV, ambos os candidatos à Presidência usam os filmetes para convidar os telespectadores a visitar seus sites. A ideia é exportar para a internet o que lhes falta tempo para fazer na televisão: detalhar propostas para conquistar o eleitor.

O roteiro também é semelhante. Os candidatos surgem rapidamente, abordam de forma genérica algum tema e, pouco depois, chamam o eleitor a ver mais sobre o assunto na internet. Mas, enquanto o candidato do PSTU apresenta uma série de vídeos gravados, Eymael dialoga ao vivo, por meio de videoconferência, com seus eleitores.

As aparições serão sempre às terças-feiras à noite, logo depois do programa na TV – ‘para não engessar a agenda’, segundo o candidato. A primeira experiência, na semana passada, atraiu 2.165 internautas. Pareceria pouco para os líderes na corrida presidencial. Eymael, porém, afirma que superou as expectativas. ‘Tem o fenômeno do retweet (quando usuários do Twitter passam adiante uma mensagem). Você nunca sabe onde essa rede acaba’, diz o candidato.

Zé Maria é menos otimista. Para ele, a internet ‘ajuda, mas nada substitui a TV’. O candidato afirma não ter como medir o número de acessos em seu site desde o início do horário eleitoral.

O candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, ainda não recorreu à mesma estratégia, mas promete adotá-la nos próximos programas. Ele tem um minuto no horário televisivo. Na semana passada, o socialista causou celeuma no Twitter ao comentar ao vivo, pela webcam, um debate presidencial online para o qual não foi chamado. Mesmo ausente, foi um dos assuntos mais abordados no microblog.

Com o marketing da campanha coordenado por Duda Mendonça, o ex-presidente da Fiesp Paulo Skaf (PSB) – que disputa o governo de São Paulo – também recorreu à internet para compensar o nanismo eletrônico. Ele entra ao vivo, em seu site, logo depois do horário na TV. O primeiro bate-papo contabilizou 1.667 visitantes.

Para o consultor político Lucas Copelli, sócio-diretor da Vallua Consultoria de Gestão, o alcance da medida é limitado. ‘Só vão entrar no site, buscar mais informações, aqueles eleitores que já têm simpatia pelo candidato’, opina.

Ele afirma que a web funciona como ferramenta para mobilizar a militância, não para conquistar eleitores. ‘A internet serve para armar a militância, fazer com que seu eleitor vire seu advogado’, diz.

 

TERROR E COMUNICAÇÃO
Richard A. Falkenrath

Mensagem de texto para os terroristas

Quando os Emirados Árabes Unidos anunciaram na semana passada que suspenderão o serviço BlackBerry dentro de suas fronteiras, a começar deste final de ano, pessoas que viajam a negócios e dependem de aparelhos móveis reagiram com compreensível consternação.

Mas a decisão foi aplaudida por aqueles que ganham seu sustento caçando terroristas, contrabandistas, traficantes de pessoas, agentes estrangeiros e o bando ocasional de assassinos desastrados. Entre os investigadores de polícia e os agentes dos serviços secretos, a decisão dos Emirados foi recebida com aprovação, admiração e até mesmo com um toque de inveja.

Por que? Porque assim como os profissionais dependem de aparelhos celulares para exercer suas funções, policiais e agentes do serviço secreto dependem de vigilância eletrônica para exercer o seu.

Os Emirados Árabes Unidos tomaram a decisão principalmente porque a Research in Motion, a companhia canadense que fornece os serviços do BlackBerry, recusou-se a modificar sua arquitetura de informações de forma a permitir que as autoridades interceptassem as comunicações de determinados assinantes.

O monitoramento das comunicações eletrônicas em tempo real e a recuperação de dados eletrônicos armazenados são as técnicas de contraterrorismo mais importantes hoje disponíveis aos governos. A vigilância eletrônica é particularmente vital no combate ao terrorismo global, em que o que está em jogo é da maior importância, mas ela faz parte de praticamente todas as investigações de graves ameaças transnacionais.

Os métodos usados pelos governos para realizar uma vigilância eletrônica são muito peculiares, costumam ser controlados por um emaranhado impressionante de leis e de capacidades tecnológicas que variam de um país ao outro, de uma agência a outra, de uma provedora de serviços a outra, de um aplicativo a outro.

A interceptação de um chamado por telefone fixo, por exemplo, é totalmente diferente da interceptação de um chamado de voz pela internet, e a recuperação de um e-mail é diferente da recuperação de uma mensagem de texto. Por razões óbvias, os governos (e ex-funcionários do governo) não explicam abertamente as diferenças de um método de comunicação para outro usado na vigilância eletrônica.

Os Emirados Árabes Unidos não são os únicos a pretender ter acesso aos serviços de telecomunicações usados dentro de suas fronteiras a fim de que as autoridades possam espionar os usuários.

Nos Estados Unidos, as provedoras de telecomunicações em geral devem fornecer um mecanismo que favoreça este acesso de acordo com a Communication Assistance for Law Enforcement Act de 1994 e as respectivas regulamentações emitidas pela Comissão Federal de Comunicações (FCC). Como princípio geral, as provedoras dos serviços de informação dos EUA devem fornecer um meio às agências federais, comumente o FBI, para visualizar dados particulares dos assinantes, sempre que tiverem ordem de fazê-lo dentro da lei.

Entretanto, a FCC não é uma agência nacional de segurança: é uma comissão bipartidária, independente, cujos agentes e gestores trabalham por mandatos fixos. A comissão interpreta uma variedade de estatutos e avalia interesses diferentes, incluindo o sucesso econômico das provedoras de telecomunicações e a conveniência dos consumidores, e suas determinações estão sujeitas à contestação judicial nos tribunais.

Consequentemente, há inúmeros métodos usados em telecomunicações nos quais as agências federais não podem penetrar facilmente.

Considerando o modo de operar da FCC, a perspectiva de ela adotar uma ação decisiva, rápida, para que estes serviços sejam acessíveis ao governo é quase inconcebível. Daí a inveja de alguns funcionários da inteligência americana a respeito da decisão dos Emirados Árabes.

A Research in Motion está aprendendo uma lição que outras companhias aprenderam anteriormente. Como vimos em 2000 com a fracassada tentativa da Yahoo! de criar um site de leilões de relíquias nazistas na França, e com as reiteradas tentativas da Google, nos últimos anos, de conseguir que seus resultados de busca fossem isentos de censura na China, nenhuma provedora de serviços de informação escapa do poder do Estado. O que está em jogo é demasiadamente importante para que os governos cedam a interesses privados.

As companhias às vezes podem fugir da ingerência do governo durante algum tempo. Em muitos casos, os governos não conseguem acompanhar o ritmo das inovações no campo das telecomunicações; em outros, a ingerência do governo nas comunicações privadas ofende a sensibilidade liberal.

Mas no fim, são os governos, e não as empresas do setor privado, que controlam as comunicações e a internet. Os Emirados Árabes Unidos agiram de maneira justificada e apropriada: os governos não deveriam ser tímidos no uso dos seus plenos poderes para que a polícia e os serviços de inteligência garantam a segurança dos seus cidadãos. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

É UM DOS DIRETORES DO CHERTOFF GROUP, AGÊNCIA DE CONSULTORIA SOBRE GESTÃO DE RISCO, FOI VICE-ASSESSOR DE SEGURANÇA INTERNA DO PRESIDENTE GEORGE W. BUSH

 

TELEVISÃO
Patrícia Villalba

À moda da Camorra

Numa espécie de salto sem paraquedas, em cena da novela Passione (Globo) que foi ao ar na última terça-feira, a vilã Clara (Mariana Ximenes) contou a Totó (Tony Ramos) quase tudo o que andou aprontando pouco antes de se casar com ele. Disse que foi cúmplice de Fred (Reynaldo Gianecchini) no golpe envolvendo as ações da Metalúrgica Gouveia e que viajou à Itália mesmo para tentar enganá-l0. Com medo de ser desmascarada, resolveu, antes, dançar conforme aquela música de Caetano Veloso e dizer a verdade para tentar continuar iludindo. Nisso, lançou nova leva de mentiras e encerrou: ‘Você foi o único homem que me tratou com decência nessa vida e me fez ver o mundo de outro jeito.’

Um noveleiro eventual e desavisado com certeza pensaria que ela é a mocinha da novela. A sequência plantou dúvidas até mesmo na cabeça de Mariana Ximenes, que vive com o coração aos pulos por causa da personagem. ‘Quando li essa cena, fiquei pensando ‘será que tem algum pingo de sinceridade aqui, gente?’ Se você for pensar, a Clara é carente de afeto, de estrutura familiar. Acho que ela pode ter ficado tocada pelo que viu ali no sítio do Totó, o amor e a união da família dele’, arrisca a atriz, que recebeu o Estado na quarta-feira, num dos camarins da cidade cenográfica da Globo, no Projac, em Jacarepaguá.

Vigarista das mais ordinárias, Clara poderia ser a filha da Flora, de A Favorita, ou a neta da Bia Falcão, de Belíssima. Foi a partir dela que Silvio criou toda a Passione, enquanto ouvia a música Malafemmena, de Totó – que não por acaso é o tema da moça. O nome de Mariana, o autor não esconde, foi o primeiro que lhe veio à cabeça para interpretar a schifosa linda que ilude e se aproveita de um homem cego de amor. ‘Queria trabalhar com ela faz tempo’, entregou ele, pouco antes da estreia da novela.

O melhor de Clara, no entanto, é o tempero que Silvio usou para compor a personagem, muito mais complexa do que a ‘mulher má’ da canção napolitana. Ela pode ser perigosa, mas não chega nem perto de um gênio do mal. Abandonada pela mãe, Clara passou a infância sob a guarda da avô, Valentina (Daisy Lúcidi), essa sim, uma schifosa (nojenta) que a usava para obter favores de homens. Perdida na vida, ela tenta impedir que a irmã adolescente, Kelly (Carol Macedo), passe pelo mesmo.

O autor admite que o passado sofrido pode ser uma janela dramatúrgica para uma virada da personagem. ‘Depois de tomar consciência das burradas que fez, é bem possível que ela tome juízo. Ou seja, a redenção é possível para uma pessoa como ela?’, pergunta o autor, coisa que só ele poderá responder. ‘Logo, o Totó vai dizer que o fato de ela ter tido uma vida difícil não justifica suas atitudes, e que a irmã teve a mesma vida e as mesmas dificuldades e é uma pessoa de bom caráter.’

Entre vítima e vigarista, Clara não despertou a ira do público. Muito pelo contrário, são muitos os que pedem ao autor para que ela se apaixone de verdade por Totó.

Mas antes da redenção, se é que ela virá, Clara tem muitos capítulos pela frente. Falta pouco para que ela seja entregue à polícia pelo próprio Totó, que é apaixonado, mas não bobo. ‘Vai ter uma sequência em que ela vai ser presa, uma cena enorme de perseguição’, adianta Mariana. ‘O diretor propôs que eu subisse num caminhão em movimento. Adoro cenas desse tipo, faço amarradona. Dá uma adrenalina…’

Método. No camarim do Projac, Mariana contou que na noite anterior tentava se concentrar para a entrevista que teria com o Estado no dia seguinte, quando foi fisgada pelo seriado A Cura, que a Globo transmitia lá pelas 23 horas. ‘Eu queria pôr as ideias no lugar para chegar aqui e dar uma entrevista interessante’, disse, dando pequena amostra do cuidado com que conduz a carreira, item citado por todos que a conhecem.

Paulistana criada no bairro de Vila Mariana, desde que chegou ao Rio, aos 17 anos, para trabalhar na Globo, já interpretou papéis criados por boa parte dos autores mais renomados. ‘É muito bom conhecer vários estilos de dramaturgia, até mesmo como estudo’, observa ela, que agora sonha com um papel numa novela de Gilberto Braga. ‘A gente já se namorou algumas vezes. Mas, poxa, a próxima novela dele vai entrar logo depois de Passione, e eu não vou poder fazer.’

Dinâmica, como ela mesma se define, Mariana fala da profissão e do ofício de fazer novela com sincera empolgação. ‘Já foi na cidade cenográfica?’, pergunta ela, ainda surpresa com a indústria gigante de ficção que ela já frequenta há tanto tempo. ‘Nunca a gente domina, e nunca está pronto ou é fácil ou não dá um friozinho na barriga. Por isso que novela tem o seu barato, você está sempre num processo. Não tem muito método ou manual de instrução. Acho que você tem de ser flexível e intuitiva, para poder dançar conforme a música.’

 

‘A Clara é uma excelente atriz’

Clara, de Passione, é a primeira vilã de Mariana Ximenes na carreira que ela começou aos 13 anos de idade. Depois de nove novelas, duas minisséries, 12 filmes e muita disciplina, ela parece à vontade no set de gravação, mas a experiência não a fará decifrar com mais facilidade a imprevisível personagem criada por Silvio de Abreu. Deve ser por isso que a schifosa parece tão sincera quando finge que é boa. ‘Como não sei para onde o Silvio vai levá-la, interpreto com verdade quando ela está fingindo. Então, se ela é boa, faço a boa de verdade’, tenta explicar. ‘Brinco que ela é uma excelente atriz.’

No ar há três meses, já está confortável como Clara?

É uma personagem que tem muitas facetas e isso é muito instigante, mas muito trabalhoso também. Ela passa por boa, singela, ingênua, depois é perversa, sensual, afetuosa com a irmã… É uma personagem que dá muitas possibilidades para uma atriz. Encontrar a personagem não foi fácil, porque tem registros que eu nunca tinha acionado, como o linguajar bagaceiro, o despudor com o corpo… Foi um processo bem difícil.

É, então, sua personagem mais complexa?

Não, a Lara (de A Favorita) era bem complexa, a Ana Francisca (de Chocolate com Pimenta), também. Mas acho que é uma personagem que me proporcionou registros que eu não tinha tido ainda. É uma vilã, né… Nunca tive uma vilã desse porte.

Acha que ela é totalmente dissimulada ou às vezes é ingênua?

Ela é mais inconsequente do que ingênua. Ela é manipuladora, quer dinheiro, poder. Por outro lado, ela tem certas atitudes. Na cena do incêndio, por exemplo, ela salvou o Totó. O que a levou a isso? Foi compaixão, medo ou ela tem afeto por ele? Eu, como intérprete, faço a cena como se ela estivesse sendo sincera. O que o Silvio vai fazer com isso eu não sei. Ele não está economizando história, é genial. Fico jogando o jogo que ele propõe, sem medo de ser feliz.

No começo, a Clara foi bastante comparada à Flora (de A Favorita). Ficou chateada?

Fiquei muito honrada! A Patrícia (Pillar) fez um trabalho brilhante junto com o João Emanuel (Carneiro, autor), eles criaram um personagem marcante. Eu sei porque convivi muito com a Flora. Minha personagem (Lara) era filha da personagem da Patrícia. Me inspirou muito estar perto dela.

Alguns casais de novela com diferença de idade – o homem mais velho com a mulher mais nova – foram rejeitados. Mas o Totó e Clara ficaram muito bem juntos, a ponto de o público torcer por eles. Tem algum palpite sobre o motivo?

Que honra ouvir isso, porque a gente está falando do Tony Ramos… (risos) Acho que é um conjunto de fatores. Primeiro, tem a dramaturgia, que está muito sedimentada, com personagens tão estruturados na sua complexidade. E tomamos cuidado para construir a relação dos dois com delicadeza e profundidade. O Totó tem um caminho de personagem muito interessante. É um pai de família, teve quatro filhos, mas é também um homem viril, da terra, que fala dos seus sentimentos. Você acredita que aquele homem sente mesmo tesão.

A Clara tem defesa?

Não, nada justifica a maldade dela. É claro que ela teve problemas na infância e que isso faz uma pessoa ser desestruturada, mas não mau caráter.

O Silvio de Abreu disse que continua discutindo em Passione o mesmo tema de Torre de Babel (1998): a pessoa nasce má ou é modificada pela sociedade? O que você acha?

Que difícil… Acho que tem casos e casos. É uma discussão interminável. Tem casos de índole, em que a pessoa nasce assim mesmo, e outros casos em que a vida é tão dura, que a pessoa não enxerga mais nenhuma possibilidade. É uma discussão longa, mas que bom que o Silvio propôs que as pessoas discutam isso.

Qual é o ponto positivo da Clara?

Ela é determinada. E o coração dela não é gelado, bate pela irmã.

 

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