Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 10 E 11/02

O Globo

13/02/2007 na edição 420

PT & MÍDIA
Chico de Gois

Teses para ‘democratizar comunicação’

‘O PT avisa: uma das prioridades para os próximos quatro anos do presidente Lula será a ‘democratização da comunicação’. O assunto, que mereceu 12 linhas no programa de governo do candidato, ganhou vários parágrafos e até capítulos inteiros nas cinco teses apresentadas neste fim de semana na reunião do diretório nacional, em Salvador, e que serão debatidas no 3º Congresso do partido, em julho.

O texto da Articulação de Esquerda, ‘A esperança é vermelha’, defende que ‘o sistema privado, já consolidado na figura dos meios comerciais, deve ser alvo de efetivo controle contra o monopólio’. Já o texto do Campo Majoritário, ‘Construindo um novo Brasil’, dedica um parágrafo ao assunto: ‘O PT não pode abrir mão de seu compromisso histórico com a democratização dos meios de comunicação e o fortalecimento de uma imprensa comprometida com a linguagem e as causas populares’.

Os outros três documentos vão na mesma linha, pregando a democratização dos meios de comunicação, mas sem detalhar de que forma isso pode ser feito, como na tese do grupo ligado ao ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, que não perde uma oportunidade para criticar a imprensa.

‘Refundação foi voto em Lula’

O novo líder do PT na Câmara, Luiz Sérgio (RJ), afirma que não vai discutir na bancada a proposta de anistia do ex-ministro José Dirceu. Luiz Sérgio, apesar da amizade, avisa que a figura de Dirceu não será ‘nem sombra, nem sol, nem eclipse’ de sua passagem pela liderança do partido.

A indicação de um petista do Rio para líder na Câmara marca uma nova fase nas relações do estado com o governo?

LUIZ SÉRGIO: Agora há uma excelente relação do presidente Lula com o governo do estado. Programas que estavam atrasados estão dando o pontapé inicial, como o arco rodoviário. Ter um líder do PT do Rio só reforça esse momento.

Como avalia a atual situação do PT?

LUIZ SÉRGIO: É importante não esquecer o passado, mas temos de olhar para o futuro. Essa avaliação do PT e do governo o povo já fez, dando 58 milhões de votos ao Lula e ao PT a maior votação para Câmara.

O PT aprendeu com os erros?

LUIZ SÉRGIO: Todo mundo aprende com os erros. Precisamos colocar a reforma política na pauta. Espero que a sociedade pressione sobre esse tema também.

No PT, o senhor é da mesma tendência do ex-ministro José Dirceu, que pensa em anistia… O que acha?

LUIZ SÉRGIO: A questão da anistia está na cabeça, no coração e na vontade do Zé Dirceu, e na pauta da imprensa. Não está na pauta do Congresso. Se (ele) for recolher 1,5 milhão de assinaturas, ela não será protocolada no período em que eu estiver como líder. Isso não vai entrar em debate na bancada enquanto eu for líder. Temos outras prioridades.

Não será uma sombra?

LUIZ SÉRGIO: Não vai ser nem sombra, nem sol, nem eclipse, nem nada (risos).

Como vê o movimento do ministro Tarso Genro em defesa do que chama de refundação do PT?

LUIZ SÉRGIO: O PT já foi refundado quando 300 mil filiados foram eleger a nova direção; quando todos diziam que o PT iria eleger 30 ou 40 deputados e elegeu 83. Os 58 milhões de votos que Lula obteve no segundo turno são a refundação que muitos gostariam.

Como administrar os pedidos de cargos?

LUIZ SÉRGIO: Não cabe utilizar mecanismos de pressão. O presidente pegou para si essa condução e temos confiança nele.’

***

Prioridade para ‘democratização da informação’

‘O PT avisa: uma das prioridades para os próximos quatro anos de mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva será a ‘democratização da comunicação’. O assunto, que mereceu 12 linhas no programa de governo do candidato, que tinha 34 páginas, ganhou vários parágrafos e até capítulos inteiros nas cinco teses apresentadas neste fim de semana durante a reunião do diretório nacional, realizada em Salvador, e que serão debatidas no 3º Congresso do partido, em julho.

O texto da corrente Articulação de Esquerda, intitulado ‘A esperança é vermelha’, defende, por exemplo, que ‘o sistema privado, já consolidado na figura dos meios comerciais, deve ser alvo de efetivo controle contra o monopólio’. O documento dessa tendência de esquerda não poupa críticas, mesmo que indiretas, ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, a quem acusa de perseguir as rádios comunitárias.

‘O PT não pode abrir mão de seu compromisso histórico’

Já o texto do Campo Majoritário, intitulado ‘Construindo um novo Brasil’, dedica um parágrafo ao assunto. ‘Entendemos que o PT não pode abrir mão de seu compromisso histórico com a democratização dos meios de comunicação e o fortalecimento de uma imprensa comprometida com a linguagem e as causas populares’, descreve a tendência.

E prossegue: ‘É preciso fortalecer a concepção de um sistema de comunicação que combine a atuação do setor público, do setor privado e dos instrumentos de comunicação comunitária’.

Outros três documentos seguem a mesma linha

O artigo é assinado pelo presidente do partido, Ricardo Berzoini, e pelo assessor especial para Assuntos Internacionais do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, entre outros.

Os outros três documentos vão na mesma linha, sempre pregando a democratização dos meios de comunicação, mas sem detalhar de que forma isso pode ser feito, como acontece com a tese do grupo ligado ao ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, que não perde uma oportunidade para criticar a imprensa.

‘(O PT deve buscar) a democratização dos meios de comunicação e informação pela ampliação da liberdade de imprensa, que significa promover – hoje – instituições jurídicas e meios técnicos para garantir a circulação livre das opiniões, pluralizando o acesso dos indivíduos e dos grupos sociais aos meios de comunicação, garantindo a informação não manipulada pelo Estado nem pelos meios privados de comunicação’, assinala o texto.’

***

PT quer ‘contribuir com comunicação do governo’ e divulgar PAC

‘Nas reuniões que a comissão política do diretório nacional do PT tem mantido com o próprio presidente Lula e alguns de seus ministros, o assunto já foi abordado. Na segunda-feira passada, por exemplo, a deputada Maria do Rosário (RS) e o secretário-geral adjunto do partido, Joaquim Soriano, deixaram o Palácio do Planalto, tarde da noite, depois de se reunirem com o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci, para tratar do tema.

A pasta de Dulci é responsável pela comunicação institucional do governo. Os petistas que integram a comissão política do partido foram tratar, segundo Maria do Rosário, de temas como ‘a importância econômica e social da TV digital, a aplicação da legislação sobre as rádios comunitárias’ e de que forma o PT poderá ‘contribuir com a comunicação do governo’, sobretudo para divulgação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

– O PT fará ações propositivas. Faltou isso no primeiro mandato do presidente Lula – adiantou a deputada.

Petistas também discutem atuação da Radiobrás

Uma dessas proposições é ‘garantir o funcionamento e ampliação da atuação das rádios comunitárias’. De acordo com Maria do Rosário, no primeiro semestre do ano passado foram fechadas cerca de dez rádios por dia.

– Não há uma política do ministro das Comunicações para garantir a liberdade de atuação das rádios – critica.

O secretário de Relações Institucionais do partido, Valter Pomar, afirmou que a discussão sobre os meios de comunicação tem, ainda, interesse econômico.

– É importante, do ponto de vista da soberania nacional, investir em tecnologia.

Por isso, os petistas querem ter voz no debate sobre a implantação da TV digital, por exemplo.

– Queremos melhorar o diálogo com o governo sobre esse assunto – disse Maria do Rosário.

Outro tema em discussão entre os petistas é a ampliação da atuação da Radiobrás. O conteúdo da programação já é alvo de polêmica. Alguns petistas, como o próprio Pomar, consideram que sua atuação tem dado espaço para assuntos que, em sua opinião, são contrários ao próprio governo, como foi a divulgação, pela estatal, de noticiário sobre o mensalão e o caso do dossiê contra os tucanos.

O debate sobre o que os petistas classificam de ‘democratização da comunicação’ vai se intensificar até a realização do Congresso do partido. E continuará, mesmo depois da definição do futuro ministério, uma vez que o PT já deu mostras de que procurará interferir nas ações do Ministério das Comunicações.’

Maiá Menezes

‘O PT não está rachado. Tem uma disputa democrática saudável’

‘IRAQUARA (BA). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou ontem que o PT esteja rachado, por causa da luta interna pelo controle do partido, e afirmou que não pretende fomentar disputas. Em entrevista na sede da nova usina de biodiesel inaugurada ontem, em Iraquara, na Chapada Diamantina, disse que os petistas apenas exercem a democracia. Na véspera, contudo, o presidente dera uma bronca nos companheiros, condenando as disputas entre as tendências do PT.

– O PT está completando 27 anos. Todas as vezes que o PT vai chegando em momento de congresso, as perguntas são as mesmas. O PT está rachado, o PT está dividido? O PT não está dividido nem rachado. O PT está exercitando uma coisa que chamamos de democracia. Vai ter uma disputa, as teses serão votadas e um documento final. Não tem divisão nem racha. Tem uma disputa democrática que é saudável para o Brasil e para o PT – afirmou Lula.

Lula evita falar de Ministério e diz já ter a cabeça na folia

O presidente – que sexta-feira dissera não pretender ser o fiel da balança do PT – apresentou-se ontem como magistrado nas contendas do partido. Ele afirmou que não entra nas lutas internas do PT ou de qualquer outro partido e que a responsabilidade dos petistas é maior, porque é o partido do presidente da República. Afirmou ainda que, caso tenha ‘sensibilidade’, o PT – em processo de escolha do sucessor do atual presidente, Ricardo Berzoini – sairá fortalecido da disputa.

– A minha posição como presidente é que sou uma espécie de magistrado. Não entro nas disputas internas do PT. Não me meto nas disputas de outros partidos políticos – afirmou, em entrevista à imprensa.

Em um discurso de vinte minutos, para cerca de duas mil pessoas, Lula foi recebido aos gritos de ‘Olê, olê, olá, Lula, Lula’. Antes de o presidente chegar, o público ouviu sucessos do pré-carnaval baiano. Lula disse estar com a cabeça na folia:

– Não me perguntem sobre ministério. Eu estou com a cabeça no carnaval – brincou Lula, vestindo o jaleco usado pelos químicos da Brasil Ecodiesel.

Ao falar sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente sinalizou com a possibilidade de vetar as 700 modificações previstas pelo Congresso Nacional ao plano:

– A experiência que tenho é que, na maioria das vezes, o Congresso ajudou. Outras vezes que eles apresentam alguma coisa que não condiz com a realidade, o presidente tem o poder do veto. Mas estou convencido que o Congresso vai colaborar para que o PAC seja aperfeiçoado.

O presidente afirmou que vai transformar o biodiesel em tecnologia para americano ver. Lula quer conversar sobre o tema com o presidente George W. Bush, que chega ao Brasil dia 9 de março. No discurso, o presidente afirmou que os americanos querem fazer álcool com milho, que serve para ‘encher o papo da galinha’.

– O Bush vem aqui no dia 9 para conversar e acho que o assunto sobretudo é biocombustível. Os Estados Unidos produzem uma quantidade grande de álcool, mas no milho. E nós achamos que é prejuízo produzir álcool no milho, que é para fazer ração animal. O que nós queremos é fazer parceria para que o Brasil possa introduzir o álcool no mercado americano. Pode vir aqui no Brasil. Tem que botar um flex para ele andar – afirmou o presidente.’

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

O Globo

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