Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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ENTRE ASPAS >

Para cientista político, segredo de justiça preserva Sarney

08/09/2009 na edição 554


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas. 
 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 7 de setembro de 2009 


 


ESTADO SOB CENSURA


Clarissa Oliveira


‘Segredo de Justiça serve apenas para preservar Sarney’


‘A censura que impede o Estado de publicar informações relacionadas a investigações sobre a família Sarney coloca em questão o próprio conceito de segredo de Justiça. A avaliação é do cientista político Leonardo Barreto, pesquisador da Universidade de Brasília (UnB). Para ele, o sigilo das investigações sobre o empresário Fernando Sarney tem por único objetivo proteger interesses de seu pai, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).


Como o sr. avalia a censura imposta ao Estado e a demora em solucionar o caso?


A censura é um problema grave, denota um caráter autoritário de algumas organizações no Brasil. É preocupante que o Poder Judiciário ainda acomode esse tipo de coisa. Acho que o caso do Estadão serve de exemplo para que a gente possa discutir uma coisa muito mais ampla, que é o próprio segredo de Justiça.


O sr. acha que o conceito deveria ser revisto?


É um instituto muito estranho. Por que determinadas coisas só podem ser julgadas e processadas sob segredo? Qual é o motivo para isso? Não sei. Não vejo por que, num país democrático, transparente, haver esse tipo de instituto.


O sr. concorda com a tese de que o segredo de Justiça não se aplicaria a esse caso, devido ao interesse público envolvido?


Concordo plenamente. Acho que o segredo de Justiça está sendo aplicado, nesse caso, para preservar a vida política de uma das pessoas mais poderosas do País. Unicamente por isso. Não sei quais são as razões que os juízes apontam, mas a única razão prática que eu vejo para isso é a preservação da carreira política da família Sarney. Me soa como uma coisa absurda, sendo que o objeto desta ação é de total interesse público.


O sr. vê a necessidade de uma discussão sobre a relação entre o poder público e a Justiça?


Não vejo nada mais urgente. O fato é que a Justiça não é igual para todos. Se a gente for pegar autoridades com foro privilegiado levadas ao Supremo ou ao STJ nos últimos 20 anos, desde que foi criado o instituto, me parece que ninguém foi julgado.


Neste caso, há uma relação particular entre o desembargador autor da decisão e a família Sarney. O sr. vê relevância nisso?


Deveria ser um agravante. Na hora que ficou comprovada a existência de uma relação pessoal, esse juiz tinha de ter sido desqualificado como pessoal hábil para decidir sobre o assunto. A Justiça está demorando imensamente para corrigir um erro gravíssimo, que foi cometido por um de seus membros. E quem vai perder com isso vai ser o Poder Judiciário e nós, que precisamos ser informados.’


 


 


TECNOLOGIA


Ethevaldo Siqueira, Berlim


Feira mostra explosão da TV3D


‘Uma feira com as proporções da IFA 2009 – maior evento de eletrônica de entretenimento da Europa e segundo do mundo – pode ser um indicador não apenas do estado geral da economia mas, também, do sucesso da criatividade tecnológica utilizada como estratégia de combate à crise. Por isso, a abertura da feira este ano contou com a presença de autoridades de primeiro escalão da política alemã, como a primeira-ministra Angela Merkel e o prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, que não esconderam seu entusiasmo pelo que viram no fim de semana nos quase 200 mil metros quadrados de área de exposição da IFA 2009.


Pense agora, leitor, em qualquer produto de áudio, vídeo, fotografia, internet, comunicação ou computação pessoal, jogo eletrônico ou eletrodoméstico moderno e a IFA 2009 terá algumas respostas surpreendentes, como lançamento ou tendência. Entre as curiosidades, está uma máquina de lavar hi-tech da LG, que reúne todos os recursos possíveis da automação e da computação. E ainda avisa a dona de casa com esta saudação: ‘sua roupa está lavada e enxuta; a vida é boa, aproveite-a’.


Inovação é, portanto, a palavra-chave do sucesso desta IFA. E um dos grandes destaques e melhor exemplo de sucesso nessa área é o Instituto Fraunhofer, que reúne mais de 50 instituições de pesquisa aplicada, privadas e estatais alemãs. Seus mais recentes desenvolvimentos estão voltados tanto para o entretenimento, como para a educação e todas as formas possíveis de integração da comunicação na casa digital..


Um dos casos mais surpreendentes foi apresentado pelo Fraunhofer nessa feira: o protótipo do controle de todas as funções da TV apenas com gestos, bem como o comando verbal de todos os componentes do home theater. Até o desafio de criação de um padrão de sucesso de rádio digital (do padrão Digital Radio Mondiale ou DRM), cuja evolução recente entusiasma os especialistas europeus.


TRÊS DIMENSÕES


O maior sucesso desta IFA 2009 é, no entanto, a explosão da televisão com imagens tridimensionais (TV3D). A indústria eletrônica mundial de maior peso – incluindo fabricantes como Samsung, Sony, Panasonic, LG, Mitsubishi e Philips, entre outros – tem vários produtos prontos para a comercialização nessa área. O maior desafio passa a ser agora a área de produção de conteúdo, em especial os filmes de Hollywood, que ainda enfrentam a falta de padronização das tecnologias de TV3D.


O mais provável é que o sucesso da TV3D comece pelos desenhos animados e dos videogames. A garotada está dando shows de entusiasmo pelos desenhos e longos filmes de animação tridimensionais. A tendência é a utilização de óculos especiais para o telespectador, tanto assim que já são produzidos até óculos de grife, não descartáveis, que são bem aceitos pela maioria dos usuários. A visita ao estande da Sony, de quase mil metros quadrados, surpreende pela variedade de inovações, muito além das demonstrações de TV3D, com conteúdos que mostram os melhores efeitos da terceira dimensão.


CINEMA DO FUTURO


Nunca tantas mudanças ocorreram no mundo audiovisual como nos últimos 10 anos. Na TV, nos home theaters e no cinema, a evolução tecnológica é a mais acelerada possível. Depois da passagem do formato (ou relação de aspecto) 4 por 3 para o 16 por 9, com o advento da TV digital, surgem agora novas propostas, como a Philips, com a sugestão do formato 21 por 9.


O cinema 3D já é uma realidade emergente, em especial nos desenhos animados e filmes infantis, com o uso obrigatório de óculos. A guerra dos formatos deverá indicar os caminhos futuros de Hollywood e da indústria do cinema mundial, para que entre com força total na produção e adaptação de conteúdos de alta qualidade.


A alta definição exige televisores cada dia melhores. A resposta a esse desafio tem acelerado o desenvolvimento de novas tecnologias, muito além das tradicionais, de plasma e LCD. Duas delas são as TVs de LED (sigla de diodos emissores de luz) e as de LED orgânico ou Oled. Finalmente, estão em fase final de maturação os televisores com uso do laser puro – em que as três cores básicas (azul, verde e vermelho) são geradas por canhões de laser. Para a maioria dos especialistas, o mundo caminha para as tecnologias Oled e laser.’


 


 


GLOBALIZAÇÃO


Marili Ribeiro


Propaganda só para inglês ver


‘Os profissionais de criação publicitária no Brasil que trabalham para as grandes redes globais veem seus horizontes se ampliarem. Cresce o número de anúncios concebidos no País – às vezes filmados aqui, outras na vizinha Argentina, onde os custos são menores. São campanhas que os brasileiros não veem. Propaganda feita para ser veiculada no mercado externo, mas que carrega um toque de brasilidade.


Vários fatores têm colaborado para isso. O primeiro deles é a retração dos negócios em mercados relevantes, como os EUA, onde houve dispensa de funcionários nas agências e redução de 15,4% dos investimentos publicitários no primeiro semestre ante o mesmo período de 2008. Isso acabou estimulando o aproveitamento de equipes em países menos afetados pela crise onde as redes estão presentes. Caso de Brasil, Índia e China, onde conglomerados como WPP, Interpublic e Omnicom têm afiliadas.


A agência Ogilvy Brasil, que pertence ao grupo WPP, tem desenvolvido aqui, sob comando do vice-presidente de criação Anselmo Ramos, os filmes da Coca-Cola para o chamado ‘mercado hispânico’. Não só esses, mas também os da empresa de telefonia Motorola. A produção e o planejamento vêm sendo realizados na Argentina, e , no caso da Coca, o atendimento fica em Miami, onde os anúncios também são veiculados.


‘As multinacionais estão trazendo trabalho para cá porque há boas ideias e custos menores’, diz Anselmo. ‘Até mesmo figurões da direção de filmes publicitários, que antes da crise não dispunham de agenda para filmar para mercados latinos, agora estão disponíveis. Tudo ficou mais fácil.’


E, se o efeito crise impulsionou a procura por agências brasileiras, a maturidade e internacionalização da atividade, intensificada nos últimos anos com a vivência de publicitários trabalhando no exterior, como é o caso do próprio Ramos, tornou a demanda por trabalhos criados aqui ainda mais consistente, na opinião do vice-presidente de criação da agência JWT (grupo WPP), Mário D?Andréa.


‘As novidades que vejo hoje são o fato de os criativos terem aprendido a trabalhar nos padrões e conceitos anglo-saxões, que dominam a grande publicidade, como também a existência de uma rede de executivos de marketing brasileiros espalhados pelo mundo em multinacionais. Ele são mais sensíveis em contratar serviços de comunicação com referências nativas’, diz D?Andréa.


No caso da JWT, a solicitação da cota brasileira de colaboração tem sido identificada em campanhas realizadas para o banco HSBC. Há dois exemplos no forno atualmente. Um está para entrar no ar no mercado argentino – é um filme criado pela equipe da JWT Brasil. No âmbito global, o novo filme institucional do banco, criado em parceria por equipes do Brasil e Londres e produzido na Índia, para ser veiculado na Europa, Ásia e América Norte, é mais um com acento nativo mas que não os brasileiros não verão.


Menos otimista com a perspectiva de que a atual demanda tenha vindo para ficar, o vice-presidente de criação da Leo Burnett (grupo Interpublic), Ruy Lindenberg, acha que ‘o sonho de todo o publicitário é exportar suas ideias, produzir no melhor lugar e veicular o trabalho no maior mercado do mundo’. Mas, para ele, as campanhas elaboradas no exterior são mais consistentes e com planejamento mais bem detalhado. ‘Ainda não estamos preparados para criar as megacampanhas vistas lá fora’, diz. ‘Mas também reconheço que a vivência dessa nova geração, que tem experiências profissionais intensas lá fora, está mudando esse cenário.’


Fora do universo das redes globais, mas também com a intenção de se preparar para disputar um mercado maior, está a Loducca. O presidente da agência, Celso Loducca, tem contratos profissionais em países como Argentina e Portugal para integrar sua equipe e lhe dar um caráter mais internacionalizado.


‘ Acredito que é a hora e a vez do Brasil também no negócio da propaganda. O mundo está mais bacana com a gente. A criatividade sempre foi bem vista, mas o negócio na propaganda, nem tanto. Mas essa percepção está mudando. Basta ver que, antes, qualquer empresa tinha o escritório de marketing para atender a América Latina em Miami. Agora, não há dúvida, a opção é de instalar o escritório em São Paulo.’’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Globo enxuga farsa


‘Em A Favorita, a vilã é vilã desde o começo, e a mocinha é mocinha. Pelo menos para o mercado internacional. Para comercializar a novela de João Emanuel Carneiro aos mercados acostumados aos novelões, a Globo resumiu a reviravolta total no folhetim, que aqui só se deu por volta do capítulo 50.


A emissora temia que a estratégia do autor – que no meio da história praticamente iniciou outra trama ao revelar que Flora (Patrícia Pillar) era a vilã, e não a coitadinha – não fosse compreendida pelos telespectadores latinos, consumidores da teledramaturgia clássica e maniqueísta desde o início.


Para tanto, em sua embalagem internacional, A Favorita perdeu cerca de 50 de seus 197 capítulos, boa parte deles da fase em que o público acreditava ainda que a megera era Donatela (Cláudia Raia). Com isso, a distância entre a apresentação da história e a reviravolta do bem e do mal foi encurtada. A Globo acreditava que a demora para revelar quem é quem afastasse a audiência.


A nova embalagem de A Favorita já foi vendida para mais de 15 países. Desde o mês passado, é exibida no Chile, em Porto Rico e no Equador.’


 


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 7 de setembro de 2009 


 


TELEVISÃO


Daniel Castro


Sem futebol, Globo promove ‘Cinquentinha’ a minissérie


‘A Globo desistiu de exibir ‘Cinquentinha’, de Aguinaldo Silva, no formato de seriado, com oito capítulos semanais. Na última quinta, decidiu ‘promovê-la’ a minissérie, a ser apresentada nas duas últimas semanas de novembro.


Segundo Manoel Martins, diretor-geral de entretenimento, a decisão foi artística. Depois de receber os cinco primeiros capítulos, Martins percebeu que tinha em mãos o texto de uma minissérie, com capítulos que deixam ‘ganchos’ para os próximos, e não um seriado, em que uma história toda é contada a cada episódio.


Há, no entanto, algumas conveniências na mudança. ‘Cinquentinha’, que só começa a ser gravada hoje, estava prevista para estrear em 2 de outubro, uma sexta-feira. Ou seja, a produção ganhou tempo.


Além disso, no final de novembro não haverá futebol às quartas-feiras. A minissérie ocupará esse espaço melhor do que filmes. No lugar de ‘Cinquentinha’, em outubro, deve entrar ‘Ó Paí, Ó’, que já está quase toda gravada.


‘Cinquentinha’ será uma comédia em que um milionário à beira da morte, Daniel (José Wilker), faz uma gincana para distribuir sua fortuna.


Suas três ex-mulheres -Lara (Susana Vieira), Rejane (Marília Pêra) e Mariana (Marília Gabriela)- terão de superar a rivalidade e se juntar para administrar negócios em crise e fazê-los prosperar de novo.


Só a ex-mulher que se sair melhor nas tarefas administrativas pré-estabelecidas levará os 50% do patrimônio -a outra metade ficará com os filhos. O título vem daí.


CHUVISCO 1


O Ministério das Comunicações instaurou processo administrativo para apurar a exibição de comerciais locais pela Record em Campinas. Na cidade, a emissora tem outorga de retransmissora, que só pode repetir o sinal que recebe de São Paulo. As penas pela irregularidade vão de advertência a cassação da retransmissora.


CHUVISCO 2


Na última quinta-feira, o diretor de programação da Record distribuiu circular interna determinando o cancelamento da veiculação de comerciais e de programas da Igreja Universal exclusivos para a região de Campinas. A assessoria de imprensa da Record, entretanto, afirma que a emissora nunca descumpriu a legislação.


FIM DE UMA ERA


Locação de ‘Malhação’ desde 1999, o colégio Múltipla Escolha vai acabar. Segundo Ricardo Hofstetter, que assina o texto a partir de novembro, a escola vai fechar. Seus alunos mudarão para outra escola. O shopping da atual temporada também desaparecerá.


PATINAÇÃO


‘Malhação’ finalmente será ambientada em um bairro. Haverá uma rua, com padaria e um ‘roller’ (local para patinação). ‘A gente vai resgatar os patins’, aposta Hofstetter.


DESERÇÃO


Sem folgas, confinados no Ceará e trabalhando sob pressão, alguns profissionais de ‘No Limite’ jogaram a toalha. Pediram demissão do programa.’


 


 


Rodrigo Vargas


Plantações de soja são tema de reality show


‘A febre dos realities vai ganhar neste ano uma abordagem rural em um cenário nada bucólico: colheitadeiras e tratores guiados por GPS, correção de solo orientada por satélite, defensivos químicos de última geração e sementes aprimoradas pelas mais avançadas técnicas de engenharia genética.


É neste ambiente de última geração que 20 estudantes de agronomia serão filmados enquanto tentarão, juntamente com seus professores e pesquisadores da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), levar adiante lavouras de soja em Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás. Os melhores ganharão estágios em grandes empresas do setor.


O projeto ‘Lavouras do Brasil’, uma produção do Canal Rural, será lançado neste mês e irá gerar conteúdo para oito programas da grade fixa, além de um especial de 30 minutos por mês e flashes na programação. Na internet, uma página transmitirá em tempo real imagens do plantio à colheita.


Serão ao menos oito meses de transmissão ininterrupta. O gerente de programação do canal, Júlio Cargnino, diz que, ao contrário dos programas do gênero, o reality show da soja não terá como objetivo o entretenimento. ‘O nosso foco será técnico. Queremos que o programa funcione como um serviço ao produtor’, diz.


Nesta semana, começou a coleta de amostras para análise do solo em Mato Grosso. A Folha acompanhou o trabalho. Vinícius Rivelini, 23, se diz ‘preparado’ para enfrentar as câmeras e mostrar o que aprendeu em quase quatro anos de curso na UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso). ‘Vou lidar com algo que conheço. Só acho que a minha voz não é muito boa.’


O estudante avaliou como ‘única’ a chance de demonstrar capacidade diante de sua futura clientela. ‘Vamos falar diretamente aos produtores. Então, não pode existir nem a hipótese de algo dar errado.’’


 


 


RAIMUNDO JOSÉ DE FARIA PINTO (1953-2009)


Talita Bedinelli


O jornalista do Pará que ninguém percebia que era gago


Raimundo era gago desde criança, mas ninguém percebia. É que logo que descobriu o problema e as primeiras gozações começaram, criou uma técnica de disfarce: estendia as letras que seriam repetidas na gagueira.


‘Não po-po-de dizer’ virava ‘não pooode dizer’, exemplifica o irmão Lúcio. Já tinha trauma porque antes de ser gago trocava as palavras.


Era chamado pelos seis irmãos de ‘badi bau a’, forma como passava a ordem da mãe: ‘não pode ir para a rua’.


Tornou-se uma criança ‘tímida e bastante observadora’. Já na adolescência passou a se expressar por meio da escrita e virou jornalista, profissão do pai e de três dos irmãos.


Começou no jornal ‘A Província do Pará’ e tornou-se correspondente na Amazônia para ‘O Estado de S. Paulo’, conta Lúcio.


Ganhou dois prêmios ‘Esso’ na década de 1970 e virou presidente do Sindicato dos Jornalistas do Pará.


Gostava de contar como escapou da morte, aos 25 anos: deveria viajar em um avião teco-teco para o Amapá, onde havia acontecido um naufrágio. Raimundo se atrasou e acabou perdendo o voo. A aeronave caiu e nenhum dos ocupantes sobreviveu.


Morreu aos 56 na última quinta-feira, em decorrência de um câncer no estômago descoberto há três anos. Deixou a mulher e três filhos.


A missa de sétimo dia será na quarta-feira, mas a família ainda não havia definido um local até a noite de ontem.’


 


 


INTERNET


Ronaldo Lemos


Tudo o que é sólido se desmancha na rede


‘Pânico. De repente, milhões de links existentes na internet param de funcionar. Referências a sites feitas no Twitter, no YouTube e no Facebook, do dia para noite, tornam-se inúteis. Ficção científica?


Atentado de ciberterrorismo? Apenas a mais pura realidade, derivada das tendências recentes de uso da rede. Nas últimas semanas, o site Trim.to ameaçou fechar as portas. Mesmo que você não conheça, já deve ter visto sites que abreviam endereços da rede, como o bit.ly ou o migre.me. Aqui no Folhateen mesmo eles sempre aparecem, inclusive nesta coluna, para poupar espaço.


No Twitter então, em que os posts são limitados a 140 caracteres, nem se fala.. Muita gente recorre a essas abreviações para postar links. Pois bem, o Trim.to é um desses sites. Não é tão popular no Brasil, mas é bastante usado fora daqui.


Acontece que sites como esse são empreendimentos comerciais. Não há mágica. Todos estão à procura de um lugar ao sol, de tráfego e de um modelo de negócios que permita pagar as contas no fim do mês. E foi nisso que o Trim.to falhou. Não conseguiu mais se sustentar, o dinheiro acabou e ele ficou prestes a fechar as portas (até que foi salvo de última hora por um investidor, não se sabe por quanto tempo). O resultado seria todos os links feitos pelo Trim.to deixarem de funcionar. Toda a informação linkada por meio dele se desmancharia.


A lição é importante. O modelo que a internet está seguindo é o de que toda a informação tende a ficar armazenada na própria rede (a chamada ‘nuvem computacional’). O problema é que cada pedaço dela é de propriedade de alguém e pode sumir. Colocar informação na nuvem é fácil. Retirar é que é difícil. Experimente tentar fazer o download de tudo o que você inseriu no Orkut, Twitter, Facebook de volta para o seu computador. Não há nenhum jeito fácil de fazer isso.


Esses sites são ótimos para absorver a informação, mas péssimos para devolvê-la. Por isso, surgiu um movimento chamado ‘open cloud’ (nuvem aberta), exigindo justamente a possibilidade de resgatar o que colocamos na nuvem, para não dependermos só dela. O link para acessá-lo é trim.to/yae .’


 


 


Jenna Wortham, NYT


Microdoadores usam internet para apoiar projetos artísticos


‘Earl Scioneaux III é um simples engenheiro de áudio de Nova Orleans que de dia faz mixagens de discos de jazz ao vivo e à noite cria música eletrônica. Há muito tempo ele queria realizar seu sonho de fazer seu próprio álbum, de jazz e música eletrônica, mas não tinha como levantar os US$ 4.000 necessários para a produção.


Então ele ouviu falar da Kickstarter, uma empresa novata sediada no Brooklyn (Nova York) que usa a web para unir aspirantes a Da Vinci com pequenos mecenas dispostos a investir alguns dólares em seus projetos.


Ao contrário de sites semelhantes, que simplesmente pedem doações, os mecenas do Kickstarter têm amplo acesso aos projetos que financiam e, na maioria dos casos, uma lembrança concreta de sua contribuição.


‘Não é um investimento, nem empréstimo ou caridade’, disse Perry Chen, cofundador do Kickstarter e amigo de Scioneaux. ‘É algo intermediário: um mercado sustentável no qual as pessoas trocam bens por serviços ou algum benefício e recebem algum valor.’


Scioneaux, que afinal levantou US$ 4.100, ofereceu uma série de recompensas a seus apoiadores: por um pagamento de US$ 15, os patronos receberiam um exemplar antecipado do disco; por US$ 30, ganhariam uma aula de música também. US$ 50 ou mais davam direito aos dois e a um lugar na mesa de jantar de Scioneaux para provar seu quiabo caseiro. ‘Eu não esperava que as pessoas gostassem muito disso, mas vendeu quase instantaneamente’, disse.


Essa sensação de inclusão é uma parte importante da atração para os apoiadores do Kickstarter. Os cerca de 12 convidados para o jantar de Scioneaux incluíram Mark Barrilleaux, engenheiro de Houston, e sua mulher, Janet, enfermeira aposentada, que investiram ao todo US$ 100. ‘Decidimos que valeria a pena, pela diversão e a oportunidade de participar de uma produção musical’, disse Barrilleaux. ‘Sou um engenheiro petrolífero.. De que outra forma poderia entrar no negócio da música?’


Até agora, os projetos do Kickstarter incluíram construir uma capela de casamentos temporária em Manhattan, transformar um velho ônibus em restaurante tailandês móvel, velejar ao redor do mundo e tirar fotografias dos 50 Estados norte-americanos.


Chen começou a brincar com essa ideia em 2002, depois que relutantemente cancelou um concerto que pretendia dar no JazzFest de Nova Orleans porque o investimento de US$ 20 mil era arriscado demais para ele bancar sozinho.


‘O dinheiro sempre foi uma enorme barreira à criatividade’, disse Chen. ‘Todos temos muitas ideias que gostaríamos de ver decolar, mas, a menos que você tenha um tio rico, nem sempre consegue concretizá-las.’


Depois de levantar cerca de US$ 300 mil em financiamento inicial de parentes e amigos, a Kickstarter apresentou sua plataforma em abril. A empresa ainda não dá lucro -todo o dinheiro levantado vai para os projetos. Até agora, mais de US$ 400 mil foram solicitados para quase 400 ideias.


Patrick Rooney, diretor de pesquisa do Centro para Filantropia da Universidade de Indiana, disse que alguns doadores, especialmente os jovens, podem achar o modelo do Kickstarter mais atraente do que instituições tradicionais sem fins lucrativos. ‘É, de certa maneira, algo muito pessoal, em oposição a fazer uma doação a uma universidade, por exemplo’, disse.


‘Eu vejo o Kickstarter como um micromecenato’, disse Lewis Winter, 27, designer gráfico de Melbourne, Austrália, que pediu dinheiro para cinco projetos. ‘Se eu fosse rico, financiaria vários projetos, mas isto me permite financiar o quanto for possível.’’


 


 


 


 


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