Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1020
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ENTRE ASPAS >

Patrícia Villalba

12/04/2005 na edição 324

‘Mito de ocasião e personagem de poucos amigos, o escritor Adolar Gangorra faz sucesso na internet, nos palcos e até mesmo nas colunas sociais, veja só. Mas, nestes tempos de fama fácil e amplamente perseguida, blogueiros, atores, diretores de teatro e viciados em internet em geral se perguntam: ‘Quem é Adolar Gangorra?’

A pergunta é inevitável e vem à cabeça logo que terminamos a leitura de um dos textos de Gangorra, que estão espalhados por toda a rede – em blogs, e-mails de amigo para amigo e mensagens spams. Mas o autor não se deixa iludir pela glória e apelos dos fãs. E, mesmo tendo sido encontrado pelo Estado, se mantém firme na trincheira do anonimato e se recusa a tirar o balde da cabeça. ‘Eu não preciso aparecer, só fazer rir já está bom’, diz Gangorra, o verdadeiro, por telefone.

Gangorra se debruça sobre o que ninguém se atreve – por medo de mexer em vespeiro ou por descaso mesmo -, como uma análise comportamental detalhadíssima sobre a música Eduardo e Mônica, da banda Legião Urbana, por exemplo. Sacanagem pura. Mas como tiração de sarro das boas tem sempre de vir acompanhada de um quê de verdade, o misterioso escritor não deixa por menos e atira no seu alvo preferido, ‘a patrulha intelectual’.

Sim, porque como alerta o autor, o pobre Eduardo é retratado como um banana, que se submete às vontades da pouco democrática Mônica. ‘Assim temos Eu não estou legal/ Não agüento mais birita. Percebe-se que o jovem Eduardo não está familiarizado com a rotina traiçoeira do álcool. É um garoto puro e inocente, com a mente e o corpo sadios. Bem ao contrário de Mônica, notória bêbada sem-vergonha do underground’, escreve Gangorra. ‘Adiante, ficamos conhecendo o momento em que os dois protagonistas se encontraram – E a Monica riu e quis saber um pouco mais/ Sobre o boyzinho que tentava impressionar. Vamos por partes: em ‘e a Mônica riu’ nota-se uma atitude de pseudo-superioridade desumana de Mônica para com Eduardo. Ela, bêbada inveterada, ri de um bêbado inexperiente!’

Mônica e Eduardo é um dos textos mais famosos de Gangorra. Foi publicado pela primeira vez em 1998, num fanzine, quando o alter ego do escritor estava na faculdade de publicidade, em Brasília. Logo, foi parar na internet. ‘Não fui eu que pus’, garante o escritor.

Alguns anos depois, em 2001, Mônica e Eduardo estava na tela do computador da diretora e produtora de teatro Fernanda D’Umbra, da companhia Cemitério de Automóveis. ‘Encontrei o texto num e-zine. É muito engraçado e com uma pegada muito original, humor politicamente incorreto ao extremo’, classifica ela. Fernanda mandou o texto para vários amigos – coisa comum de se fazer com os textos de Gangorra – e resolveu adaptá-lo para o teatro. O primeiro passo era encontrar o autor. ‘Escrevi um e-mail para o e-zine com uma pergunta: ‘quem é Adolar Gangorra?’ Eles me responderam: ‘Boa pergunta.’

Fernanda percorreu os blogs e e-zines que abrigam os textos de Gangorra por seis meses – e nada de alguém achar ou conhecer o cara. Resolveu, então, montar o espetáculo assim mesmo, à revelia. ‘Nem que fosse para ele ficar sabendo e me processar por causa dos direitos autorais’, diverte-se.

Mônica e Eduardo foi ao palco como Análise Comportamental e Crítica da Música Eduardo e Mônica. Na adaptação, um reitor de universidade apresenta a ‘análise comportamental’, auxiliado por um cover do Pablo – o moço de cara pintada que fazia dublagens no programa Qual É a Música?, de Silvio Santos. ‘É muito inteligente o jeito como o Adolar brinca com a ditadura dos malucos, com essa inversão de valores. Ele mostra que Eduardo é só um moleque e que não é preciso que todo mundo seja maluco, drogado e bissexual. Parece que, hoje em dia, você é obrigado a ser maluco, senão passa por idiota’, observa Fernanda, ela mesma uma blogueira (www.semgelo.zip.net).

De lá de Brasília, Gangorra acabou sabendo da montagem da peça. ‘Estava de bobeira e pus meu nome no Google e vi lá que o texto estava em cartaz no teatro. Liguei para agradecer, para dizer que eu existo de verdade’, diz ele. ‘Ele foi adorável o tempo todo’, entrega Fernanda.

VELHO E RANZINZA

Adorável é realmente um adjetivo que pode acabar com a reputação de Adolar Gangorra – um velho e ranzinza senhor que pode ter 55, 65 ou 75 anos, dependendo do humor. Já o criador nos confessa a verdadeira idade: tem 29 anos. Gangorra foi nome inventado nos tempos da faculdade e já apareceu como editor-chefe de um fanzine – Os Reis da Gambiarra. ‘Aproveitei isso de não aparecer para criar um personagem, que usa um balde na cabeça’, explica o autor, escondido atrás do número de um celular pré-pago. ‘Eu queria um nome meio esquisito, mas que não ficasse na cara que é uma invenção, como ‘Liquidificador da Silva’. Adolar Gangorra é um nome bobo até, mas pegou’, diz. Pegou tanto que, conta ele, uma senhora da família Gangorra, de Portugal, escreveu um e-mail, questionando o parentesco.

Sem a pretensão de ser famoso, o autor está na posição confortável de poder falar o que quiser, criticar o que for, tirar sarro de tudo o que possa fazer rir. Já que é personagem, Gangorra pode até mesmo esquecer que é um senhor de respeito e se aventurar na platéia ultra-engajada do grupo Los Hermanos.

A ‘experiência’ deu o mote para outra de suas grandes tacadas: Como me f… por completo no Show dos Los Hermanos. A crônica, que conta como o pessoal ‘do bem’ pode ser intransigente e patrulheiro, foi parar na caixa de e-mails da atriz Fernanda Torres. Recém-chegado ao País depois de uma temporada na Europa, Gangorra conhece uma universitária típica, que o convida para o show. ‘Ia ser fácil achar essa garota no meio da multidão’, escreve. ‘Ela se veste de uma maneira estilosa, diferente, bem individual: sandália de dedo, saia indiana, camiseta de alça, uma bolsa a tiracolo e o mais interessante: um óculos retangular, de armação escura e grossa, engraçado até! Depois de uns mil ‘desculpe, achei que você fosse uma amiga minha’, finalmente encontrei Tainá e seu grupo de amigos. Cacete, isso sim é que é moda! Parecia uniforme de escola!’

De tão engraçado, valeu uma nota da protagonista do seriado Os Normais numa coluna social do jornal O Globo, com um apelo para que Gangorra apareça. ‘Falei com ela pelo telefone e mandei uns textos meus’, relata o autor. ‘O que eu acho bacana não é o meu texto, não. É que estão acontecendo coisas na internet que ninguém tinha previsto. Meu texto passeou até chegar a Fernanda Torres, e isso encurtou muito o caminho. Se eu tivesse a pretensão de mandar para ela, talvez ela nem leria.’

Sossegado nas delícias do anonimato, Gangorra curte comedidamente a fama. Está montando – ‘devagar, porque trabalho e não tenho muito tempo’ – seu site (www.adolargangorra.com.br) e planeja o lançamento de um livro. ‘Vai se chamar Como Tenho Certeza Absoluta do Que o Mundo Deveria Ser, por Adolar Gangorra’, adianta o autor, às gargalhadas. A foto da orelha deve ser essa mesmo de um sujeito – que não é ele, mas um modelo de 85 anos – com um balde na cabeça.’

***

‘Ao vivo, de Nova York, há 30 anos’, copyright O Estado de S. Paulo, 7/04/05

‘No show biz americano, o grito ‘Live, from New York is Saturday Night’ na TV é medidor de popularidade, sucesso e reconhecimento profissional. Há 30 anos, a nata de Hollywood e da televisão se reveza no palco da rede NBC, no comando do programa de humor mais influente de todos os tempos.

Fora essa tacada de mestre, de ter a estrela da vez como âncora a cada sábado, o SNL é um poço de inovações, que são copiadas e adaptadas mundo afora – aqui no Brasil, inclusive. Foi deles por exemplo a idéia de inserir comerciais fictícios de produtos estapafúrdios, que nunca serão encontrados no mercado. Atualmente, está no ar a ‘propaganda’ de uma fralda descartável para bebês em formato fio dental – para as mães que ficam incomodadas com aquele volume nada estético no bumbum das crianças. Outra memorável é a do carro que é uma máquina sofisticada por dentro e um bagulho por fora – para os que se preocupam com a segurança. Qualquer semelhança com a inconcebível Organizações Tabajara, do Casseta & Planeta, e com os comerciais da turma do TV Pirata não poderia ser apenas coincidência.

Outra particularidade do SNL é a de ser uma espécie de laboratório do humor nos Estados Unidos. Desde o início do programa, em outubro de 1975, uma lista enorme de atores saiu do programa para brilhar em comédias de Hollywood. Os mais famosos nem esquentam cadeira, aliás. Lançados ali, Billy Cristal, Robert Downey Jr. e Jeanne Garofalo ficaram apenas um ano no cast. Estão na lista ainda nomes como Eddie Murphy, Jimmy Belushi, Mike Myers, Bill Murray, Chris Rock, Ben Stiller e Adam Sandler. Julia Louis-Dreyfus ficou três anos no elenco – de 1982 a 1985 -, para depois entrar para a história da TV como a personagem Elaine, do seriado Seinfeld.

O rei das comédias tipicamente americanas, Steve Martin (de O Pai da Noiva) é outro que consolidou sua carreira no palco do SNL. Apesar de nunca ter feito parte do elenco fixo, ele apresentou o programa 13 vezes, a primeira logo em 1976.

É preciso estar na lista dos mais badalados astros americanos para chegar à apresentação do programa. Nomes como Nicole Kidman, Nicolas Cage, Alec Baldwin (um dos campeões em aparição), John Travolta, Jennifer Garner, Ben Affleck, Jennifer Aniston, Cameron Diaz, entre outros, foram mestres-de-cerimônias do SNL.

E uma vez naquele palco, ao vivo, a estrela fica à mercê dos irreverentes atores e roteiristas do SNL. Chama a atenção do espectador o desprendimento com que os convidados chegam ali, para muitas vezes tirarem sarro de si mesmos ou experimentar papéis que fogem completamente do lugar-comum. Foi assim com a cantora Britney Spears, que numa esquete do programa encarnou a Barbie – sua imagem e semelhança – em 2002. Ator dos mais sérios que se tem notícia, Robert de Niro fez uma das participações mais engraçadas do programa, nesta 30.ª temporada – que no Brasil vai ao ar pelo canal pago Sony. Entre vários personagens, ele fez uma releitura politicamente incorreta de Peter Pan.

O PAPA É POP

Mas não é só de estrelas do cinema, da TV e da música – que todos os sábados se apresentam no programa, nos intervalos das esquetes – que passam pelo SNL. Os políticos americanos, que são invariavelmente sacaneados ao vivo todas as semanas, adoram dar as caras por ali. O ator Dana Carvey fez tanto sucesso como George Bush, o pai, que o então presidente resolveu fazer uma despedida pessoalmente de seu governo no programa, em 1992 – e não perdeu a oportunidade de repetir – e não gritar, como é o costume entre os convidados – o slogan do programa e chamou com ar sóbrio: ‘Ao vivo, de Nova York.’

Com o mérito de ser ao vivo – afinal, há um nome a zelar -, o SNL vira-e-mexe é vítima de algum pequeno ‘acidente’ de palco. Não é raro, por exemplo, algum apresentador convidado ser posto numa saia-justa por um dos comediantes do elenco. Foi assim com o ator Sean Penn em 1987, então marido de Madonna, que se viu questionado sobre os boatos de que ele batia na pop star.

A produção do programa também se surpreende. Ficou famoso e deu o que falar o episódio de 3 de outubro de 1992, quando a polêmica cantora irlandesa Sinéad O’Connor simplesmente rasgou uma foto do papa João Paulo II no palco, após cantar uma versão a capela de War, de Bob Marley, enquanto gritava ‘enfrente o verdadeiro demônio!’. Educada por freiras católicas, a cantora protestava contra a reprovação do aborto pela Igreja Católica.’



Beatriz Coelho Silva

‘Gafes jornalísticas com sabor de piadas’, copyright O Estado de S. Paulo, 7/04/05

‘Jornalista gosta de contar histórias e o público, de ouvi-las. Por isso, o atual assessor de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Rio, Maurício Menezes, ex-repórter do Estado, vem lotando bares e teatros há 15 anos, com o espetáculo Plantão de Notícias, em que ele lembra casos engraçados e gafes sem remédio cometidas por ele mesmo e seus colegas de profissão. Atualmente, está no Teatro dos Grandes Atores, na Barra da Tijuca, numa temporada sem prazo para terminar, de tão cheia que fica a casa.

‘O repórter, em particular, e o jornalista, em geral, está sempre atrasado porque sua vida é uma correria sem fim. Por isso, a gente comete esses erros todos’, explica Maurício, que tem um repertório infindável. Tanto que o show virou programa da TV Bandeirantes no Rio, nas madrugadas de sábado. ‘Todo mundo me conta histórias novas, casos engraçados e gravações de gafes cometidas no rádio, no ar. É onde acontecem mais porque o repórter radiofônico apura enquanto apresenta a notícia, nem tem tempo de refletir direito. Às vezes, ele só percebe quando já acabou de dar a notícia.’

Plantão de Notícias tem hoje seis atores/repórteres, mas começou em 1988, para desanuviar as longas madrugadas que Maurício e outras equipes jornalísticas passaram em frente da casa do empresário Roberto Medina, que havia sido seqüestrado. ‘Eu era repórter do Estado e a situação era terrível porque a gente passava longas noites ao relento, sem nenhuma base de apoio’, lembra ele. ‘Para passar o tempo, contava histórias engraçadas e, quando o seqüestro acabou, um bar do centro do Rio nos convidou para contá-las para seu público. No início iam só os amigos, mas estes trouxeram os conhecidos e, desde então, não parei mais. Quando acaba uma temporada, logo nos convidam para outra. Até deixei o jornalismo diário por falta de tempo.’

No Rio, o espetáculo é um sucesso onde se apresenta. Mas Maurício quer levá-lo para São Paulo. ‘É impressionante a quantidade de paulistas que vêem nos ver, mas nunca me apresentei lá, a não ser em shows fechados’, conta ele. ‘Tudo começou quando Jô Soares me chamou ao programa dele. Aí não parei mais, mas ainda não deu para fazer uma temporada paulista. Quem sabe agora, em 2005?’

Até lá ninguém se preocupe com o esgotamento do repertório de histórias, ‘100% verdadeiras, mas 10% um pouco folclorizadas’, adverte ele. Maurício conta que, no fim do show, o camarim enche de gente contando casos e sempre tem colegas que mandam gravações dos erros. ‘Agora dramatizamos para ficar mais interessante. Com a televisão, o show cresceu e, se a gente se apresentar em São Paulo, vai ficar completo.’’



HENFIL DO BRASIL
Eliane Lobato

‘Henfil top (top! top!)’, copyright IstoÉ, 13/04/05

‘Uma verdadeira preciosidade estará aberta ao público – em especial para quem gosta do riso como castigo. Trata-se de Henfil do Brasil (Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, a partir do dia 19), a primeira retrospectiva da obra do cartunista Henfil (1944-1988), com 501 originais entre revistas, gibis, tiras, peças gráficas, cartazes e até um convite de casamento e um aviso de nascimento. O acervo pertence ao único filho do cartunista, Ivan Cosenza de Souza, e a curadoria é de Julia Peregrino e Paulo Sergio Duarte. A mostra, que vai para Brasília em julho e para São Paulo em outubro, revela o (hoje) rudimentar método de trabalho de Henfil, que primeiro fazia a história em preto-e-branco, depois tirava xerox e as coloria com lápis de cor em fases que poderiam incluir papel-manteiga colado nas pontinhas do original.

Outra rara oportunidade é acompanhar a transformação de personagens como a Graúna, a desbocada ave da Caatinga que nasceu um insosso passarinho e virou um desenho de traços mínimos do qual o autor extraía as mais incríveis expressões. Os Fradins, Baixim e Cumprido, adquiriram um hábito que ficou mais famoso do que eles próprios: bater com uma mão aberta na outra fechada e produzir o safado som top, top, top! Com esse genuíno humor, suas figuras exigiram o fim da ditadura, pediram anistia para os presos políticos e marcharam com o movimento Diretas-já. As antológicas ‘Carta para a Mãe’ que publicou em ISTOÉ entre 1977 e 1984 também estão presentes. Na primeira, ele escreve: ‘Mamãe, lembra daquela noite que eu estava brincando de dar injeção na Filomena e a senhora me deu bolos na mão que estava em pecado mortal? Me explicou que, se não castigasse, minha mão secaria e cairia. Pois graças à educação exemplar que a senhora me deu, hoje sou conhecido e tenho fama, sucesso e fortuna! Obrigado, mãe!’

Se nem a mãe escapou da ironia, o que dizer dos outros 27 personagens? O cangaceiro Zeferino, o bode intelectual Orelana, o paranóico Ubaldo, os fanáticos torcedores Urubu e Cri-Cri, todos diferentes, mas carregados de inquietude e disposição para incomodar – principalmente os que não gostavam de ser incomodados. ‘O trabalho dele é caligráfico, muito pessoal’, atesta o artista plástico e cartunista Caulos, colega na redação do Pasquim. Henrique de Souza Filho nasceu em Ribeirão Preto, Minas Gerais. Hemofílico, contraiu Aids numa transfusão de sangue, assim como seus dois irmãos, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e o músico Francisco Mário. Ivan, 35 anos, que conviveu com o pai até os 18, diz que os trabalhos são atuais ‘não porque os problemas do Brasil são os mesmos, mas pelo jeito de Henfil ir a fundo nas questões.’ Para a curadora Julia, foi um desafio selecionar as peças: ‘Nosso critério foi a expressividade dos personagens e a piada.’ E Jaguar, cartunista, oferece o melhor motivo para que ninguém perca a exposição: ‘Idiotas, já conheci milhares. Talentos, muitos. Grandes talentos, poucos. Gênios, só dois, Garrincha e Henfil.’’

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