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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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ENTRE ASPAS > ELEIÇÕES / EUA

Paul Krugman

10/08/2004 na edição 289

‘Um recado para meus companheiros jornalistas: verifiquem os sites que acompanham a imprensa, como campaigndesk.org, mediamatters.org e dailyhowler.com. Encontrei o conceito do Daily Howler para um roteiro da mídia, uma linha que dá forma à cobertura, freqüentemente contrariando as provas, o que particularmente ajuda a entender noticiários na TV a cabo.

Se quer realmente ver esses roteiros em ação, observe a convenção democrata.

TVs comerciais cobriram apenas uma hora por noite. C-Span, por outro lado, fez uma cobertura ampla, com comentários livres. Mas muita gente assistiu pela TV a cabo – e o que viu foi manipulado por um roteiro que mostrava os democratas como pessoas que odeiam Bush e desdenham dos militares.

Se soa como um roteiro escrito por republicanos, é porque é. Como o filme ‘Outfoxed’ deixa claro, a Fox News é para todos os propósitos uma agência de propaganda republicana. Uma pesquisa mostrou que espectadores da Fox eram mais inclinados a acreditar que foram encontradas provas sobre ligações entre Saddam e a al-Qaeda.

A CNN costumava ser diferente. Mas o Campaign Desk, da Columbia Journalism Review, concluiu que a emissora ‘se dobrou à imitação das mais dúbias táticas e políticas da Fox’. Segundos após o discurso de John Kerry, a CNN deu a Ed Gillespie, presidente do Partido Republicano, a oportunidade de atacar o candidato.

Os comentaristas trabalharam duro para ajeitar cenas que não se encaixavam. Na Fox, Michael Barone afirmou que delegados comemoraram quando Kerry criticou Bush, mas que permaneceram calados quando falou em força militar. Cheque o vídeo: houve comemoração quando Kerry falou de uma América forte.

Na CNN, Bill Schneider disse que, de acordo com uma pesquisa de opinião do ‘New York Times’ e da CBS, 75% dos delegados eram a favor do direito ao aborto sem restrições – exagerando o resultado, que indica que 75% se opõem aos limites que hoje temos.

Mas o verdadeiro poder de um roteiro é o modo como ele pode mudar uma reportagem sobre o que aconteceu.

Um grupo reunido por Frank Luntz, pesquisador de opinião republicano, achou o discurso de Kerry impressionante e persuasivo. Mas um alerta de ataque terrorista já apaga as lembranças da semana passada, com um conveniente timing político. Uma vez que a calma retorne, não se surpreenda se alguns comentaristas começarem a descrever o ineficaz discurso que esperavam ver, e não o que realmente viram.

Felizmente, nesta era da internet é possível driblar o filtro. No C-span.org, você acha as transcrições e vídeos dos discursos. Estimulo cada um a ver Kerry e fazer seu próprio julgamento. PAUL KRUGMAN é colunista do ‘New York Times’’



Antonio Brasil

‘A Internet pode decidir as eleições americanas’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 30/07/04

‘As redes de TV americanas decidiram diminuir consideravelmente o tempo dedicado à cobertura ao vivo da Convenção do Partido Democrata. Baseados em pesquisas que provam qualquer coisa, os novos executivos de TV resolveram que o público médio americano não estaria mais interessado em política no horário nobre. O público de TV aberta prefere entretenimento e todos os tipos de ‘baixarias’ que ainda proporcionam bons lucros. A cada dia, a TV aberta confirma uma tendência a ser um mero repositório de programas baratos e novas formas de ‘infotainment’ – noticiários leves que não dizem nada e priorizam o ‘entretenimento’ dos telespectadores. Crime pode. Política e informação de qualidade… nem pensar.

Como todos os meios de comunicação de massa, a TV aberta luta para ‘sobreviver’. Tem custos altíssimos, perde verbas publicitárias para os novos meios, não consegue definir uma programação de sucesso, a audiência qualificada diminui e nesse cenário, prossegue em ritmo acelerado rumo ao desastre que nos parece inevitável.

Convenção dos blogueiros

Hoje, quem deseja informação atualizada e de qualidade procura a Internet. E dentro da Internet, o grande sucesso tem sido os jornalistas blogueiros.

A Convenção do Partido Democrata teve a participação de aproximadamente 5 mil delegados e cerca de 15.000, vou repetir, 15.000 jornalistas. Desses jornalistas, pela primeira vez na história das convenções americanas, uma parcela considerável era formada por jornalistas blogueiros.

Eles fazem parte de uma nova e espetacular tendência do jornalismo segmentado. Escrevem para um público pequeno e específico. O jornalismo de massa, impessoal e generalista, assim como os meios de comunicação de massa podem estar com os dias contados. Muitos dos jornalistas ‘blogueiros’ conhecem seu público quase que individualmente, por nome. Ele se comunica com o seu público com uma nova linguagem multimídia ainda mais ‘personalizada’, coloquial e diferenciada. Eles utilizam todos meios para criar uma nova forma de comunicação.

Jornalismo digital é jornalismo nanico

Telefones celulares com câmeras digitais sofisticadas transmitem tudo a vivo e a cores por um custo baixíssimo. Esses jornalistas não tem necessariamente que priorizar o tempo e a competição. Eles reinventam um jornalismo ‘sensual’, quase ‘solitário’, com público cativo. Um novo jornalismo mais ‘ecológico’, nanico, voltado para um público com interesses específicos nos grandes eventos. Um público cansado de ambições gigantescas, promessas não cumpridas e muitas decepções com os grandes veículos de informação. Os jornalistas blogueiros se tornam uma alternativa digital às grandes generalizações, ideologias e pouquíssimas informações. Sinal de ‘novos tempos’ onde o individuo não aceita mais ser tratado como mero consumidor de notícias, ‘massa’ a ser manipulada ou índice de audiência a ser aferido. Mas para quem prefere viver no passado e insiste nos velhos modelos e soluções, é bom lembrar que uma coisa, não substitui a outra. A grande mídia pode até sobreviver. Mas deixa de ser única e hegemônica. Criam-se alternativas para quem não está satisfeito.

Ontem, debates na TV. Hoje, blogs na Internet

Obviamente, muitos jornalistas e políticos resistem às novas tendências e tecnologias e se apegam às velhas táticas do passado. Acreditam no poder supremo dos meios de comunicação de massa, apostam tudo na TV e arriscam a repetir erros do passado.

Em 1960, um novo meio de comunicação de massa, a televisão ainda engatinhava. Não tinha desenvolvido uma linguagem definida própria, e lutava contra a hegemonia da imprensa e do rádio em tempos ferozes de eleição. Mas foi um debate transmitido pela primeira vez ‘ao vivo’ pela TV que se tornou o fator decisivo na eleição de um jovem e inexperiente candidato, o futuro presidente John Kennnedy.

Nixon era um candidato experiente, sabia tudo de política, mas não percebeu o poder das imagens e do novo meio de comunicação para decidir uma eleição ‘apertada’.

Em 2004, as redes de TVs americanas decidiram que as convenções de partidos políticos não passam de ‘não eventos’ publicitários. Não há notícias novas. Tudo já está decidido com antecedência pelos produtores de Hollywood contratados pelos novos donos da política, os marqueteiros. Eles também resolveram impôr limites ao trabalho dos jornalistas das redes de TV e, principalmente, a suas ‘prima donas’, os poderosos âncoras dos telejornais noturnos. Peter Jennings, da rede ABC foi o primeiro a apostar no futuro. Resolveu transmitir a convenção pelo novo canal de notícias pela Internet, o ABC Now. Para o velho Tom Brokaw, ‘âncora’ da emissora líder, a NBC, Peter Jennings deve ter ‘enlouquecido’. Declarou com muita ironia que o seu ‘competidor’ estava trabalhando tanto para tão poucos. Segundo Tom Brokaw, falar na Internet seria como falar ‘ao vento’.

Burros demais!

Tsc, Tsc, Tsc. A História tem sido muito cruel com aqueles que menosprezam o poder das novas tecnologias e, principalmente o poder das novas idéias.

Com esse tipo de raciocínio, não é a toa que o público se afasta ainda mais dos noticiários pela TV e da política. As convenções políticas americanas não possuem o mesmo apelo do passado. São eventos ultrapassados, longos, chatos e previsíveis. Mas o interesse pela política, a participação em eleições ainda é fundamental para a preservação da democracia. Para o público da TV aberta, a política é mero consumo, comportamento passivo e manipulação. Para o público da Internet, jornalismo é uma nova forma comunicação segmentada, interatividade e… mobilização.

As próximas eleições americanas serão de importância vital para o futuro dos EUA e de todo o nosso planeta. Menos de 50% dos eleitores americanos assistem muita TV e não se interessam mais em votar. Eles não acreditam em mudanças. Como já diziam os nossos Titãs, ‘A TV nos fez burro demais, pensamos como os animais’!

As próximas eleições americanas podem ser diferentes. Elas podem ser decididas pela primeira vez, por um novo meio de comunicação totalmente diferente de tudo que jamais conhecemos. Quem viver, verá!’



Fernando Canzian

‘Artistas anunciam megaturnê pró-Kerry’, copyright Folha de S. Paulo, 6/08/04

‘Mais de uma dúzia de artistas liderados pelo cantor Bruce Springsteen vão pedir votos e dinheiro para o democrata John Kerry, candidato a presidente dos EUA. Eles farão uma turnê que percorrerá os nove territórios mais disputados da eleição presidencial. São os chamados ‘swing States’, Estados que concentram a maioria dos eleitores indecisos.

Na semana em que a chapa democrata teve frustrada a expectativa de melhora nas pesquisas, como resultado da convenção do partido, o apoio de ídolos da música pop vem se somar a outras manifestações a favor de Kerry.

No lado financeiro, dinheiro do Partido Democrata e de duas organizações de esquerda, The Media Fund e New Democratic Network, começou a chegar nesta semana à campanha de Kerry, com anúncios em dezenas de Estados.

Como reforço político, o candidato recebeu adesão de cerca de 200 grandes empresários para tentar igualar o forte ‘apelo corporativo’ da campanha de seu adversário, George W. Bush.

A inesperada caravana de artistas ‘Vote for Change’ (vote para mudar) começará em outubro e terá ainda o cantor James Taylor e os grupos R.E.M., Pearl Jam e Dixie Chicks, entre outros, que percorrerão 34 cidades.

O dinheiro dos ingressos será usado em anúncios pró-Kerry, segundo a MoveOn.org, que organiza os shows. No ano passado, Springsteen sozinho gerou cerca de US$ 39 milhões com apenas dez shows em Nova Jersey.

Depois de 25 anos afastado de envolvimento partidário, o cantor explicou em artigo publicado ontem no ‘New York Times’ as razões que o levaram a entrar na campanha de Kerry.

‘Com meu trabalho, sempre procurei fazer as perguntas duras. Não creio que John Kerry e [seu vice] John Edwards tenham todas as respostas. Mas eles entendem que precisamos de um governo que dê prioridade à justiça, à curiosidade, à abertura, à humildade e à coragem’, escreveu, criticando ainda a Guerra do Iraque.

Há 20 anos, Springsteen proibiu o então candidato Ronald Reagan de usar sua música mais famosa, ‘Born in the USA’, como tema de campanha política.

Na semana passada, em Boston, Kerry entrou no palco da Convenção Nacional Democrata ao som de outro sucesso do cantor, ‘No Surrender’.

Outras organizações de esquerda também têm ajudado Kerry arrecadando e gastando mais de US$ 7 milhões em anúncios em 20 Estados só nesta semana.

Como Kerry aceitou usar fundos públicos em sua campanha, ele terá agora um teto de gastos de US$ 75 milhões até a eleição. Bush terá o mesmo limite a partir da sua nomeação oficial como candidato, no início de setembro.

Até lá, as organizações paralelas vão pagar pelos anúncios de Kerry para que ele possa economizar recursos para a reta final da disputa. A eleição presidencial acontece no dia 2 de novembro.

Aos poucos a campanha americana ganha as ruas e, na grande maioria das demonstrações, cartazes e camisetas, é Kerry o beneficiário. Nas pesquisas o democrata ainda não decolou. Está virtualmente empatado com Bush.’



Helena Celestino

‘‘Estão nos levando a implodir nossa cultura’’, copyright O Globo, 8/08/04

‘Diretora do curso de jornalismo internacional da Universidade de Columbia, Anne Nelson afirma que a manipulação de notícias sobre ameaças terroristas está matando os americanos de estresse. Ela identifica duas tendências na cobertura da campanha presidencial. Uma delas é favorecer o presidente George W. Bush para não ser acusada de apoiar seu adversário, John Kerry. A outra, procurar pequenas contradições nos candidatos em vez de discutir com eles questões importantes. Anne é autora de uma peça de sucesso nos EUA, ‘The guys’ (‘Os caras’), sobre sua vivência do 11 de Setembro, quando ajudou a escrever o elogio fúnebre de bombeiros mortos no atentado.

A imprensa tem feito uma cobertura imparcial dessa campanha eleitoral?

ANNE NELSON: É uma eleição inacreditavelmente complexa e vejo duas tendências. A primeira é que muita gente tem descrito a imprensa escrita como de esquerda. Para provar que isso não é verdade, os jornais acabam sendo brutais com Kerry e condescendentes com Bush. Um exemplo: há algumas semanas, Bush deu uma entrevista e fiquei impressionada como ele estava incoerente e confuso. Parecia ansioso, suas frases não faziam sentido. No outro dia, os jornais não faziam menção a suas incoerências e foram extremamente exigentes com Kerry ao analisarem o discurso dele na convenção democrata. Foi um discurso forte mas os jornais criticaram, disseram que faltou falar de coisas concretas. E não é porque odeiam Kerry e amam Bush. Estão tentando provar que são imparciais.

E a segunda tendência?

ANNE: O verdadeiro problema é o jornalismo de pegadinha, que vem sendo praticado. É mais forte na TV, mas também acontece nos jornais. Estão todos esperando um pequeno erro dos candidatos para atacarem. Este país ainda tem milhões de crianças pobres, escolas péssimas, problemas de acesso ao sistema de saúde, mas a mídia não tem discutido isso. Por exemplo: o ‘60 Minutes’, programa da ABC que faz jornalismo de qualidade, entrevistou Kerry e Edwards mas só fez perguntas sobre pequenas coisas, minúcias. A repórter ficou o tempo todo tentando pegá-los em pequenas contradições, em pequenas coisas sem importância alguma. A campanha presidencial era uma oportunidade de discutir grandes problemas, grandes idéias, grandes propostas, mas isso não tem acontecido. Os repórteres tentam ser estrelas maiores que os candidatos. Jornais e TVs falam demais em pesquisas de opinião e dão muito espaço a repercussões, quando deveriam forçar os candidatos a falar de questões importantes.

Esta semana, Paul Krugman disse num artigo que a CNN está ficando tão parcial em sua cobertura das eleições quanto a Fox News. Concorda com ele?

ANNE: Acho que estamos caminhando para uma reorganização da televisão. Durante 50 anos, três canais dominaram a mídia e ganhavam dinheiro com publicidade. Isso está mudando. Esse modelo vem definhando nos últimos cinco ou dez anos. A TV a cabo permite às pessoas ver televisão sem publicidade. O público de TV está ficando menor, mais velho e com menos instrução, o que torna o veículo menos atraente financeiramente. Os jovens usam mais internet e TV a cabo. Durante um tempo a CNN dominou, mas teve que ser toda remodelada para concorrer com a Fox News, um canal aberto com estilo dinâmico que atraiu as atenções. A CNN abandonou seus valores tradicionais e passou a investir no design e nos âncoras em vez de manter o foco na notícia. Fechou muitos escritórios internacionais, está menos preocupada em aprofundar os assuntos.

A polarização do país está deixando a imprensa em situação desconfortável?

ANNE: A polarização do país e da mídia é a maior desde os anos 30. Outro dia, um dos mais famosos homens do rádio americano estava na TV dizendo que Bush é um homem mau. Usava uma linguagem infantil. Esse tipo de linguagem costumava ser usada pelos conservadores, mas agora os liberais estão fazendo a mesma coisa. Isso não é jornalismo. As empresas de notícia, que eram éticas, estão divididas, não sabem se investem em jornalismo sério, não sabem se é isso o que o país quer.

Esta semana, houve intenso debate sobre se existiram de fato novas ameaças terroristas ou se tudo não passou de uma política do medo. O ‘New York Times’ disse que era manipulação do governo, Bush reclamou, o jornal recuou. Acha que aceitou as pressões?

ANNE: É a velha dança das informações sobre segurança nacional. O governo sempre diz que tem razões para confiar nas suas informações mas não pode divulgá-las. O problema é que, depois da história das armas de destruição do Iraque, o público está desconfiado. Numa democracia, você sempre tem de questionar as chamadas razões de segurança nacional. O fato de o ‘Times’ recuar está no jogo. É a dança das informações de segurança.

Nesses tempos de eleição, como os jornais podem distinguir quando as ameaças terroristas são para valer e quando se trata de manipulação política?

ANNE: Não conseguem. Ainda estamos vivendo os tempos de Pearl Harbor e da Segunda Guerra. Temo que a al-Qaeda tenha uma compreensão muito grande dos americanos. Eles sabem como jogar com nossos medos e nossas ansiedades. Não temos um entendimento tão sofisticado deles. Qualquer menino com explosivos nas costas pode explodir todo o sistema de segurança do país. Todos os jornais noticiam como é fácil entrar em usinas nucleares e químicas. As medidas de segurança que vêm sendo tomadas são inócuas, o governo só está mostrando serviço. Não sei se reduz a ansiedade das pessoas obrigar todo mundo a tirar o sapato no aeroporto. Todo o sistema de alerta não faz sentido. Se existe alto risco de atentado tem de esvaziar cidade, o edifício… Dizer que está sob grande risco e nada fazer não adianta. O aumento das doenças ligadas ao estresse aumentaram drasticamente desde o 11 de Setembro, as pessoas estão morrendo de terrorismo mesmo se a causa mortis for ataque do coração. Isto é consequência da maneira como a informação está sendo manipulada. Isso não é uma vitória da al-Qaeda? Estão nos levando a implodir nossa própria cultura. As pessoas estão cansadas, nem dizem mais que estão com medo. Moro aqui há 27 anos e percebo o efeito desse estresse.’

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