Domingo, 22 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

ENTRE ASPAS > SALÃO CARIOCA DE HUMOR

Paulo Henrique Ferreira

29/03/2005 na edição 322

‘Alexandre Henrique Moteiro Guimarães, ou Xande, 33 anos, é um homem bastante ocupado: é professor de artes visuais, historiador da arte e faz ilustrações para uma agência de publicidade. Mesmo assim, encontrou espaço para se dedicar à sua paixão: a caricatura. Com uma de Jaguar debaixo do braço, ele inscreveu o desenho no último dia no concurso promovido pelo Salão Carioca de Humor. Tanto esforço foi recompensado: Xande faturou o primeiro lugar na categoria. Seu trabalho pode ser conferido na mostra dos vencedores do concurso na Casa de Cultura Laura Alvim.

Caricaturista é fã da obra de Alfredo Volpi

– Resolvi prestar minha homenagem particular a ele – conta. – O desenho de Jaguar me atrai pela acidez. Ele não tem pudor, é abusado, audacioso. O Jaguar tem um comportamento bem carioca, do papo de botequim e estou reverenciando essa cultura.

Licenciado em arte, Xande, entretanto, é autodidata em desenho de humor, talento que descobriu quando pequeno ao retratar os professores da escola, um sucesso entre os coleguinhas.

-Sou tímido e acabava me socializando com as pessoas por meio do desenho – diz.

Xande lamenta que não haja veículos de comunicação impressa suficientes no Brasil para abrigar os profissionais do desenho de humor. Enquanto não realiza o sonho de um dia poder se dedicar exclusivamente à atividade, ele aproveita o pouco tempo que tem – ‘Tenho que ganhar dinheiro, né?’- para desenhar. Desenhos que se acumulam pela casa, coisa que a mulher odeia, mas de que ele não abre mão de praticar: qualquer pessoa que passe por ele pode virar objeto de caricatura.

– É necessário ter uma boa memória fotográfica e pesquisar tudo o que sai na mídia sobre quem você quer retratar – ensina.

Seus ídolos no desenho de humor são os brasileiros Nássara e J. Carlos. Nas artes plásticas, Picasso e Matisse, entre outros da vanguarda moderna européia da primeira metade do século XX. Mas quem o tira do sério é Alfredo Volpi.

– Fico tranqüilamente meia hora na frente de uma tela dele procurando imagens que vão aparecendo aos poucos. Admiro seu despojamento.

Despojamento que faz questão de trabalhar no estilo de retratar as pessoas:

– Meu traço é sumário, de linhas simples. A caricatura tem que ter essa coisa impiedosa, sem eufemismos. O traço mais simples a deixa mais contundente, pregnante.’



PAPA NA MÍDIA
Nelson de Sá

‘Imagem do papa entra em disputa’, copyright Folha de S. Paulo, 28/03/05

‘Ator até os 20, depois dramaturgo até os 40, o polonês Karol Wojtyla, papa João Paulo 2º, conhece como poucos o impacto de uma cena, de um ‘golpe de teatro’.

Ele que sabe até a data de sua morte, segundo um comentarista da ultracristã Fox News, tentou dar a bênção diante das câmeras, mas não conseguiu e se limitou a movimentos.

Como mostrou a BBC, causou comoção nos fiéis -e um conflito na cobertura mundial.

Duas séries de fotos da mesma cena parecem apresentar dois fatos diversos. Numa, de imagens internas, ele está de costas, sereno, diante da multidão. A outra série mostra o papa num crescendo de gestos e expressões de dor ou angústia.

O site do ‘New York Times’, na dúvida, deu as duas versões. O do ‘Financial Times’ deu só a interna. O ‘Le Monde’ e outros pelo mundo, inclusive Folha Online e Globo Online, deram só as cenas dramáticas.’



CHINA
Cláudia Trevisan

‘Governo chinês endurece regras para o exercício do jornalismo’, copyright Folha de S. Paulo, 24/03/05

‘O governo chinês divulgou regulamentação que prevê a suspensão por cinco anos do exercício da profissão de jornalistas que receberem propina ou relatarem fatos inverídicos. Os que forem condenados por crimes poderão ser excluídos da profissão pelo resto da vida.

A imprensa chinesa é fortemente controlada pelo Estado e pelo Partido Comunista, e a acusação de corrupção já serviu de base para o afastamento e a prisão de editores críticos ao governo.

Ao mesmo tempo, é comum a entrega de dinheiro a jornalistas chineses que participam de entrevistas coletivas de grandes empresas. O material de divulgação distribuído para a imprensa costuma vir acompanhado de 400 a 500 yuans (US$ 48 a US$ 60).

Introduzida por companhias de relações públicas, a prática é absolutamente comum e não está claro se ela será atingida pela lei.

Segundo a agência oficial de notícias Xinhua, a função das novas regras é a ‘manutenção da justiça, da autenticidade e da objetividade’ no relato dos fatos.

Reportagem publicada ontem no jornal ‘South China Morning Post’, de Hong Kong, sustenta que uma das razões que motivaram a regulamentação foi o pagamento de propina a 11 jornalistas da Xinhua para que eles subestimassem o número de mortos em acidente em mina de carvão no fim do ano passado.’



JORNALISMO EM OXFORD
O Globo

‘Oxford cria curso para melhorar nível de imprensa’, copyright O Estado de S. Paulo, 25/03/05

‘O sensacionalismo pode vender jornal, mas, segundo a Universidade de Oxford, está minando a qualidade do trabalho da imprensa britânica. Pensando nisso, a universidade planeja criar um Instituto de Jornalismo.

O projeto de Oxford ganhou o apoio de acadêmicos e profissionais da área. Entre eles estão o historiador Timothy Gordon Ash; o diretor do jornal ‘The Guardian’ Alan Rusbridger; John Lloyd, do ‘Financial Times’; e a Fundação Reuters, entre outros.

Segundo a revista ‘The Economist’, essas pessoas acreditam que o jornalismo britânico está perdendo qualidade, principalmente devido à obsessão com a vida de pessoas famosas, o que estaria contagiando o restante da imprensa.

Um reflexo disso foi o prêmio de jornal do ano, ganho na semana passada pelo sensacionalista ‘News of the World’. O prêmio de notícia exclusiva foi para uma reportagem sobre o adultério de um jogador de futebol, conseguida, segundo ‘The Economist’, em troca de dinheiro. As escolhas levaram 11 diretores de jornais a anunciar um boicote ao prêmio.

As personalidades que apóiam a criação do instituto de jornalismo de Oxford gostariam de conceder seus próprios prêmios, ao estilo do Pulitzer, nos Estados Unidos.

Outros problemas apontados pela revista na imprensa britânica são a invasão de privacidade e a imprecisão de informações. A perda de qualidade está ainda relacionada, segundo ‘The Economist’, à luta para conquistar leitores, muitas vezes lançando mão do sensacionalismo.’

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