Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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ENTRE ASPAS >

Paulo Markun vai comandar a TV Cultura

Por Luiz Antonio Magalhães em 06/04/2007 na edição 427


Leia abaixo os textos de sexta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 5 de abril de 2007


GOVERNO LULA
Jorge da Cunha Lima


TV estatal não é TV pública


‘O DEBATE anda solto. Nunca se discutiu tanto a televisão pública. Até Lula afirma que não quer TV chapa-branca. Mas o tema ainda exige explicações.


O produto da televisão pública é a programação, voltada para a formação crítica do telespectador. O produto da televisão comercial é a audiência, baseada no entretenimento. Na TV estatal, o produto é a divulgação de ações e atos do Poder Executivo.


São televisões complementares, segundo a sábia ordenação da nossa Constituição Federal.


TV pública, portanto, não se confunde com TV estatal nem com TV comercial privada. Está eqüidistante do poder e do mercado. Programação, linguagem e objetivos diferem significativamente dos da comercial e da estatal. Comum a todas elas, apenas os princípios da Constituição: os valores éticos e sociais da família, a regionalização da produção cultural, artística e jornalística e o estímulo à produção independente.


A proposta de uma rede nacional de televisão pública do Executivo, apresentada pelo ministro Hélio Costa, pareceu a todos tão desnecessária quanto inconveniente. Desnecessária porque já existem televisões institucionais dos Poderes Legislativo, Judiciário e Executivo.


Inconveniente porque gastar 250 milhões de reais nesse projeto é direcionar mal o dinheiro do público. Mas a proposta teve um mérito: colocou para a sociedade a discussão da televisão pública. Seus conceitos são desconhecidos por quem paga a conta e usufrui suas programações, pelos políticos que não distinguem o público do privado e mesmo por bons jornalistas que sabem muito pouco a respeito do assunto, preocupados que estão com a medição das audiências.


O Brasil possui 21 emissoras abertas, geradoras públicas de televisão, nos Estados. Divulgam programações para 1.561 retransmissores e atingem 2.911 municípios. Fundadas entre 1967 e 1983, têm hoje um quadro de recursos humanos com 5.680 empregados. Seu produto é a programação educativa, cultural e informativa para crianças e adultos.


Embora a audiência não seja sua preocupação principal, a televisão pública desfruta de uma presença significativa na maioria dos Estados, onde suas programações locais mantêm ótimos níveis de audiência.


Em São Paulo, a TV Cultura não disputa, mas se situa entre as quatro televisões com melhor ‘share’ (audiência de televisões ligadas). Sua programação está em primeiro lugar nos quesitos independência editorial e qualidade, em recente pesquisa do ‘Meio e Mensagem’. É uma das televisões mais premiadas do mundo. Conquistou três Emmy dos quatro recebidos pelo Brasil. Ganhou o Prix Camera. Só foram concedidos dois pela Unesco, um para a Cultura e outro para a BBC, desde que o prêmio existe.


No farisaico capítulo dos custos, a discussão chega a ser ridícula. A BBC, que é a melhor televisão pública do mundo, gasta 2,8 bilhões de libras esterlinas por ano -e acha pouco, ante as novas perspectivas pedagógicas da televisão digital.


No Brasil, a Globo tem um orçamento de quase 3 bilhões de reais. A TV Cultura, que dispõe do maior orçamento, gasta por ano cerca de 140 milhões de reais, dos quais apenas 80 milhões são repassados pelo governo do Estado. Nos demais Estados, à exceção da Bahia, de Minas, do Paraná e do Rio Grande do Sul, a dotação quase não paga o pessoal. Em Santa Catarina, a receita anual é de 180 mil reais, isto é, 12 mil por mês, menos que o salário de um deputado.


Se não fosse a TV Rá Tim Bum, o público infantil só teria a programação estrangeira importada pelas televisões a cabo. E o programa ‘Roda Viva’, que pauta a imprensa brasileira? E a música erudita, que só passa na televisão pública? E a música popular brasileira, relegada ao esquecimento, não fossem as ‘públicas’? E o ‘Sem Censura’ (TVE), que instrui as donas de casa nas tardes de cada dia? E o Carnaval negro da Bahia, que só a TVE local passa? E o ‘Catalendas’, diretamente do Pará para a rede pública? E o ‘Café Filosófico’, com 60% de audiência na classe C? E o ‘DOC TV’, o maior projeto cultural da produção independente nacional, coordenado pelas televisões públicas? E o jornalismo público, que propõe a compreensão do acontecimento, e não o espetáculo da notícia?


Esses são os valores da televisão pública. Subestimá-los significa uma compreensão baixíssima do que é bem público. Por isso mesmo, achamos que a criação de uma nova rede estatal não se justificaria. Lula afirma que não será isso, mas uma nova rede pública, no estilo de televisão pública.


Chegou a dar como exemplo a TV Cultura. A sociedade, contudo, deverá ficar atenta aos eventuais desvios.


O Fórum Nacional de Televisão Pública, convocado pelo próprio governo com todas as instituições do campo público de televisão, será a melhor ocasião para discutir a independência, a sobrevivência e o papel das televisões públicas, além de propor uma legislação decente para a concessão de outorgas.


JORGE DA CUNHA LIMA , 75, jornalista e escritor, é presidente do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta e da Abepec (Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais).’


TV CULTURA
Catia Seabra


Markun assume em junho o comando da TV Cultura


‘O jornalista Paulo Markun assumirá, em junho, o comando da Fundação Padre Anchieta, gestora da TV Cultura. Há nove anos à frente do programa Roda Viva, Markun foi convidado para o cargo pelo governador José Serra, de quem recebeu carta branca para montagem de sua equipe.


Markun substituirá o atual presidente da fundação, Marcos Mendonça, indicado pelo ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).


Antes, provavelmente no fim deste mês, seu nome será submetido ao conselho da fundação, que também abriga a Rádio Cultura AM e FM.


Apesar de uma mobilização pela permanência de Mendonça -que incluiu tucanos-, o conselho deverá endossar a escolha de Serra, segundo fontes da própria TV Cultura. O conselho reúne secretários estaduais e municipais, todos ligados ao governador.


Com uma receita de R$ 36,2 milhões no ano passado, a Cultura é apontada como a maior TV educativa do país.


Segundo tucanos, Markun assumirá o cargo com a tarefa de organizar a emissora, incluindo o enxugamento substancial no quadro de pessoal e terceirização de serviços.


Ele também deverá investir na melhora da programação cultural, com atenção também a professores da rede pública de ensino. Ainda segundo tucanos, Serra pretende dar caráter suprapartidário à emissora.


Hoje com 54 anos, Markun foi preso pela ditadura, em 1975, aos 23, por ‘atividades subversivas’ ligadas ao Partido Comunista. Então chefe de reportagem da TV Cultura, ele era amigo de Vladimir Herzog, assassinado no DOI-Codi. A relação com Herzog está em ‘Meu Querido Vlado’, um de seus doze livros. Markun é autor de oito documentários.


Formado em comunicação pela USP em 1974, foi repórter, editor, comentarista, chefe de reportagem e diretor de redação em emissoras de televisão, jornais e revistas.


Trabalhou na Folha e em ‘Jornal Opinião’, ‘Jornal da Tarde’, ‘Jornal do Povo Piracicabano’, ‘O Globo’, além de no programa Fantástico, da Rede Globo. Em 1983, recebeu o prêmio de melhor apresentador de televisão, pelo programa São Paulo na TV, com a apresentadora Silvia Poppovic.


Além de apresentar o programa Roda Viva, Markun é editor do Jornal de Debates (recriou na internet a versão do jornal de 1946) e preside o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de Santa Catarina.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


O espírito animal


‘Na submanchete do ‘Valor’, a captação no exterior ‘à menor taxa da história’ e a explicação do diretor da Merrill Lynch em Nova York: ‘O Brasil já possui os fundamentos de um país que é grau de investimento’.


No caderno ‘Dinheiro’, a agência de classificação de risco Standard & Poors saudou o novo PIB por refletir ‘com muito mais fidelidade’ o crescimento e disse que só não avança mais por ‘trauma’ dos investidores com a velha inflação. Eles precisam de ‘alguns anos’.


Nem tanto, alerta o Valor Online, com o anúncio de que os ‘investimentos medidos pelos bens de capital já apontam maior crescimento’. Para o economista Octavio de Barros, ontem à coluna ‘Mercado Aberto’, ‘o espírito animal empresarial começa a se soltar’.


BRASIL E OS VIZINHOS


Em especial sobre finanças globais, a ‘Economist’ avalia que ‘Lula, campeão da igualdade, tem sido bom para as ações’, trocadilho com ‘equality’ e ‘equity’. E que o petista ‘conquistou’ a Bovespa como esta conquistou os investidores. ‘Por trás dos números’ das ações, diz a revista, evidencia-se que ‘os investidores estão aprendendo a distinguir o Brasil de seus vizinhos’.


LULA E A VIDA MANSA


Sob o título ‘Uma vida calma’, a ‘Economist’ diz que o novo ministério prenuncia ‘um segundo mandato sem ambição’, quer dizer, sem reforma da Previdência. Avalia que, com ministros como Dilma Rousseff, Guido Mantega e Luiz Marinho, Lula não vai usar o poder que acumulou, ‘o maior que um presidente pode obter’. A revista lamenta a ausência de ‘Mr. Palocci’.


‘OFFSPRING’


A capa da revista foi para a ‘prole da globalização’, as novas multinacionais que ‘vêm mudando as velhas’. São ‘empresas indianas e chinesas’, como a Tata, mas ‘ brasileiras e russas também começam a deixar sua marca’. Das velhas, algumas não sobreviverão. Outras, sim, mas apelando aos executivos das novas.


EMBRAER LÁ


Em despachos desde Cingapura, de agências ocidentais e da XFN, versão financeira da chinesa Xinhua, a Embraer anunciou US$ 40 milhões para expansão na Ásia -onde tem encomendas de aéreas chinesas, indianas etc. etc.


UM MUNDO PLANO


O ‘NYT’ noticia ‘o interesse cada vez maior de empresas ocidentais em países em rápido desenvolvimento como Índia, China e Brasil’, criando ‘um mundo plano’, na imagem de um executivo.


EUA, BRASIL E A ÍNDIA


A representante comercial dos EUA declarou à BBC Brasil que ‘o presidente Lula tem um papel especial, como líder global’, de convencer a Índia a abrir seu mercado e viabilizar Doha. A verdade, notou a ‘Economist’, é que George W. Bush está de mãos amarradas.


FIDEL VS. LULA


Na capa do ‘Granma’, Fidel Castro avançou mais e atirou contra os discursos de Camp David e o artigo de Lula no ‘Washington Post’. A desculpa foi o etanol, mais uma vez.


GEOPOLÍTICA


O ‘Miami Herald’, sublinhando que o nicaraguense Daniel Ortega suspendeu viagem ao Brasil, quando assinaria acordo sobre etanol, avalia que a disputa é ‘geopolítica’, entre Venezuela e EUA, e se concentra na influência sobre a América Central e o Caribe.


BOM E MAU ETANOL


A ‘Economist’, ironizando que ‘não é sempre’ que se vê ao lado do ‘ditador comunista’, avalia que Fidel ‘está certo’ ao atacar o programa de etanol de Bush. É o ‘mau etanol’, de milho, subsidiado, diz a revista, que defende o ‘bom etanol’ de cana, do Brasil.


‘PASSAGEIROS FURIOSOS’


Andrew Downie, da ‘Time’, viajou ou tentou viajar sexta à noite pelo Brasil -aliás, como este colunista- e postou desabafo no site da revista, se solidarizando e concordando com os ‘passageiros furiosos’. Sobrou para todos, de Lula à Aeronáutica e aos controladores. Em sites como a BBC e o About.com, este do ‘NYT’, a sombra de mais problema para os estrangeiros durante o feriado no Brasil tomou toda a atenção. E o argentino ‘La Nación’ já fala em prejuízo para o turismo do país.’


CASO SOBEL
Contardo Calligaris


Pequenos furtos, manchas e alívio


‘EM PSIQUIATRIA , a cleptomania (impulso de roubar) é um dos ‘transtornos do controle dos impulsos’, junto com o jogo de azar descontrolado, a piromania (impulso incendiário), a tricotilomania (impulso de se arrancar cabelos) e as explosões repentinas de violência contra os outros ou os objetos.


Caraterísticas comuns desses transtornos: 1) o impulso surge de maneira irresistível e sem premeditação (se coloco fogo na minha granja para receber o prêmio do seguro, não sou pirômano, apenas malandro); 2) o ato, precedido por uma forte tensão, produz no sujeito uma sensação de alívio.


Nota: é importante não confundir os transtornos do controle dos impulsos com condutas similares que aparecem nas crises de mania -as quais, por sua vez, são caracterizadas assim: três ou quatro dias sem sono, idéias (delirantes ou quase) de grandiosidade e onipotência, fuga do pensamento, agitação psicomotora.


Desde que chegou a notícia da prisão do rabino Henry Sobel pelo furto de quatro gravatas em lojas luxuosas de Palm Beach (EUA), recebo e-mails que propõem apoio moral ao rabino e outros que parecem antever e contestar antecipadamente esta coluna, lembrando (não sem humor): ‘Cuidado: pobre que rouba é ladrão, rico é cleptômano’.


Que os autores desse segundo grupo de e-mails se tranqüilizem: nos tribunais americanos, a cleptomania não ameniza a responsabilidade do acusado.


Agora, é verdade que, em regra, o cleptômano, rico ou não, rouba objetos que não lhe são indispensáveis e que ele poderia comprar sem grande esforço financeiro.


Mas vamos ao que importa. A categoria psiquiátrica de ‘transtornos do controle dos impulsos’ é descritiva e não diz nada sobre os caminhos que tornam um sujeito cleptômano, pirômano, jogador compulsivo etc. Esses caminhos são singulares.


Exemplo extremo dessa singularidade: conheci um transexual operado (homem para mulher) que, a cada dia, roubava nas lojas de Paris e sempre voltava para recolocar (também às escondidas) o objeto roubado na prateleira.


Provavelmente, era guiado pela vontade de fazer desaparecer e reaparecer objetos que representavam a parte de seu corpo à qual tinha renunciado.


Não tenho idéia das razões singulares que levaram o rabino Sobel a roubar naquelas lojas de Palm Beach. Assim como não sei o que levou Winona Ryder a roubar roupas na Saks de Berverly Hills; ou Ronaldo Esper, o estilista das noivas, a roubar vasos de concretos num cemitério paulistano.


Mas essas três histórias (e várias outras) têm algo em comum: os protagonistas são pessoas públicas; de maneira e por razões diferentes, eles são (ou foram) objeto de algum tipo de idealização. Não só eles não precisavam roubar (pois os objetos furtados estavam ao alcance de seu bolso), mas, sobretudo, se fossem descobertos, o dano sofrido por sua figura pública seria incomparavelmente superior ao valor dos objetos roubados.


Acontece com uma certa freqüência: pessoas respeitadas e admiradas cometem, irresistivelmente, atos que mancham sua imagem. Elas ganham assim, no noticiário, um espaço que é o inverso àquele que elas ocupavam: caem, diretamente, da idealização ao escárnio.


Poderíamos inventar uma nova categoria, a dos ‘transtornos do controle dos impulsos em notáveis de uma comunidade’. Seu traço saliente seria a desproporção entre o tamanho da infração (geralmente pequena) e o risco de comprometer uma reputação que é, no fundo, o maior patrimônio do sujeito.


Uma explicação possível para essas condutas está justamente na desproporção.


Imagine conviver com a sensação de um divórcio permanente (que é, de qualquer forma, inevitável) entre a visão idealizada que os outros têm de você e a visão, bem menos lisonjeira, que você tem de sua pessoa. Imagine a tensão incessante para estar à altura de uma imagem pública da qual você só pode, honestamente, sentir-se indigno: a visibilidade, o respeito e a admiração dos outros se tornam um fardo insustentável.


Quando um homem respeitado e respeitável comete um ato incompreensível que prejudica o capital de estima que ele acumulou, talvez seja justamente para desmentir sua figura pública idealizada, ou seja, para abrandar, enfim, o sentimento de viver uma extenuante impostura.


O ato, nesses casos, é um alívio, um grito que diz: ‘Sou um homem qualquer’.’


INTERNET
Folha de S. Paulo


Youtube é bloqueado após ofensa ao rei


‘O governo da Tailândia bloqueou ontem o YouTube depois que o site de compartilhamento de vídeos mais popular da internet colocou no ar imagens pichadas do rei Bhumibol Adulyadej, enviadas por um usuário.


As autoridades do país tomaram a decisão devido à recusa da Google, empresa da qual o YouTube faz parte, em retirar as imagens.


O vídeo de 44 segundos, que mostra uma foto do rei pichada com tinta spray, continuava ontem disponível no YouTube dos Estados Unidos.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Internet faz TV paga bater recorde em 2006


‘O mercado brasileiro de TV paga fechou o ano de 2006 com um total de 4,540 milhões de assinantes, 11,2% a mais do que em 2005, quando atingiu a marca de 4,1 milhões de clientes (8% melhor que em 2004).


É a primeira vez que o setor tem um ‘crescimento chinês’ (alusão ao PIB da China, que sobe mais de 10% ao ano) desde 2000, ano em que evoluiu 17%. Depois, a TV paga passou por recessão até 2003. Em 2004, voltou a crescer (7%).


Os dados, inéditos e obtidos com exclusividade pela Folha, são da PTS Pay-TV Survey, empresa que monitora o mercado.


Segundo Otavio Jardanovsky, diretor da PTS, o chamado ‘triple play’ (a oferta de TV por assinatura combinada com internet de banda larga e telefonia) deu musculatura à TV paga. ‘O pacote de serviços está alavancando o mercado’, diz. ‘O ‘triple play’ ajuda a diminuir a taxa de desconexão e a vender novas assinaturas.’


O total de clientes de banda larga via operadoras de TV paga disparou 77%. O ano fechou com 1,096 milhão de usuários do serviço, a grande maioria (1,077 milhão) no cabo. A telefonia via TV a cabo, que não existia em 2005, terminou 2006 com 183 mil assinantes (quase tudo da Net Serviços).


A programação da Net Brasil (grupo Globo) continua dominando o mercado, com 76% dos assinantes. A NeoTV (alinhada à TVA) tem 22% dos clientes e as independentes, 2%.


NOVA REDE O Ministério das Comunicações autorizou a Rede Mulher a mudar sua ‘denominação de fantasia’ para ‘Record Notícias’. Ou seja, a Rede Mulher vai acabar e a Record News será mesmo uma TV aberta. Coincidência ou não, a Globo já está abrindo imagem (antes era só o áudio) da Globo News no canal 19 (UHF) de São Paulo.


VIRA A PÁGINA Numa demonstração da superioridade da Globo no Ibope, o diretor de marketing da emissora, Anco Saraiva, mostrou a jornalistas, anteontem, que a emissora tem média nacional diária de 23 pontos, quase o triplo da ‘rede B’ (SBT). Mas, o dado, de 2006, está defasado. Em fevereiro deste ano, já tinha caído para 21.


IMPULSO A audiência consolidada de ‘BBB 7’ na terça foi de 50 pontos, a segunda melhor final da história do ‘reality show’. Graças a Alemão, ‘Paraíso Tropical’ bateu seu recorde: 42.


CARONA Até o Cartoon está tirando casquinha do sucesso de Alemão. Exibe vinheta em que Johnny Bravo comenta o fato de ter sido comparado, por Pedro Bial, ao campeão de ‘BBB’.


SUCESSO A Record decidiu esticar ‘Vidas Opostas’, de Marcílio Moraes, em um mês. A produção ficará no ar até 6 de agosto.


DESESPERO Isadora Ribeiro deve voltar à TV em ‘Donas de Casa Desesperadas’, a versão da Rede TV! para ‘Desperate Housewives’.’


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 5 de abril de 2007


GOVERNO LULA
Wilson Tosta


Franklin diz que não vai ‘inventar a roda’ com rede de TV pública


‘O governo federal apresentará em até 90 dias um projeto para criar a rede pública de televisão, provavelmente partindo de estruturas que já controla, como a TVE e a Radiobrás, e visando à integração com as emissoras dos Estados, informou o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins. ‘Ninguém vai inventar a roda, é simplesmente fazer a roda rodar’, disse ele em entrevista ao programa Observatório da Imprensa, na TVE, terça-feira à noite.


O ministro afirmou que o objetivo é fazer uma TV que não seja governista, tenha mecanismos de controle por parte da sociedade e seja plural. Insistiu que não há proposta formatada para a nova rede e atribuiu muitos ataques que o projeto recebeu a ‘preconceitos’.


‘Acho que muita gente já saiu atirando naquilo que achava que seria e não necessariamente em algo que estivesse consolidado no governo’, declarou, na conversa com os jornalistas Alberto Dines, apresentador do programa; Ricardo Gandour, diretor de Conteúdo do Grupo Estado; e Elvira Lobato, repórter da Folha de S.Paulo. ‘Acho que a intensidade com que veio à tona esse debate mostra preconceitos de pessoas que não entendem, não querem ou têm resistência à rede pública, porque têm resistência a tudo que não seja privado, mas mostra também como esse tema está maduro para ser discutido.’ A proposta, ressaltou o ministro, será apresentada para debate com a sociedade e os Estados.


Franklin frisou que não há rede pública de TVs formada, mas um ‘amontoado’. ‘O que existe são emissoras pulverizadas. E a questão que se coloca não é apenas juntar isso. É dar escala, conseguir fazer com que tenha uma programação de alto nível.’ Ele explicou que a intenção do governo não é concorrer com as emissoras comerciais, mas ter caráter complementar. ‘Qual é a TV brasileira que tem correspondentes na África?’, exemplificou.


O ministro disse que nenhuma emissora estadual será obrigada a aderir. O governo, porém, vai se dirigir aos Estados com proposta para discussão. ‘O governo federal não está se preparando para ter um papel coadjuvante, está se preparando para ter um papel central.’


PUBLICIDADE


Franklin, que também cuidará da propaganda do governo, disse que a publicidade governamental deve ter caráter de serviço, utilidade pública e comunicação institucional de programas oficiais. Ele apontou, entretanto, motivos políticos nas críticas ao setor no governo Lula. ‘Todo mundo achava normal quando o Avança, Brasil, de Fernando Henrique, fez propagandas institucionais.’’


Gerusa Marques


Para Costa, meta é fortalecer Radiobrás


‘Depois de se tornar garoto-propaganda da TV Lula, criticada até por setores governistas, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse ontem que o governo pretende fortalecer a Radiobrás com a criação de uma rede nacional de TV pública. Em audiência no Senado, ele anunciou que já está em andamento um projeto para iniciar transmissões da TV da Radiobrás em São Paulo, que já teria um canal disponível.


‘Não estamos propondo uma nova TV. Queremos fortalecer a Radiobrás’, afirmou durante debate sobre o assunto na Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação. Ele contou que já conversou com o presidente da estatal, Eugênio Bucci, para que a TV Nacional possa ser transmitida em sinal aberto em São Paulo. Hoje, a Radiobrás alcança 30% dos municípios. Segundo Costa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que o governo, quando pensa na criação de rede nacional de TV pública, está preocupado com o interesse público.


O ministro também voltou a dizer que o governo não propõe modelo estatal para os quatro canais previstos no decreto de implantação da TV digital: do Executivo, da Cultura, da Educação e da Cidadania. ‘O governo não pretende competir com ninguém’, acrescentou, referindo-se aos canais comerciais.


Ainda segundo o ministro, no prazo de três semanas será criado um grupo de trabalho para discutir o conteúdo desses quatro canais. Ele adiantou, no entanto, que poderão ser usados programas produzidos pela TVE do Rio e pela TV Cultura de São Paulo. ‘Nossa idéia de TV pública passa por aí, por uma TV isenta, profissional e competente.’ Na semana passada, ao dar posse a cinco ministros, Lula já havia dito que deseja uma TV educativa que não seja ‘chapa-branca’. As definições sobre o financiamento da TV pública, disse Costa, não são atribuições de sua pasta. ‘O Ministério das Comunicações tinha que apresentar o projeto técnico, e o fez’, disse.’


Leonencio Nossa


Ministro escala diplomata para atuar como porta-voz de Lula


‘O diplomata gaúcho Marcelo Baumbach é o novo porta-voz do governo Lula. No Itamaraty desde 1992, ele estava na missão brasileira nas Nações Unidas em Nova York, onde atuou na equipe que representou o País no Conselho de Segurança entre 2004 e 2005. A uma pergunta sobre se torcia para o Internacional ou para o Grêmio, no primeiro contato com os jornalistas, o novo porta-voz sinalizou como pretende se comportar: ‘Prefiro não me pronunciar.’


Na estréia no cargo, Baumbach acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa entrevista coletiva no Itamaraty. O novo porta-voz, sempre ao lado de Lula, foi confundido com seguranças da Presidência, pelo jeito sério e de militar. A diferença estava no terno bem cortado.


Em conversa com jornalistas, ele pediu ‘colaboração’, sempre medindo as palavras. ‘Vamos poder desenvolver um bom trabalho e obter aquele que é o nosso objetivo, que é levar ao povo brasileiro uma informação fidedigna, informação de qualidade sobre aquilo que o governo está fazendo’, afirmou o diplomata.


Ao anunciar o nome de Baumbach como substituto do professor e jornalista André Singer, que volta a dar aulas na Universidade de São Paulo (USP), o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, disse que o novo porta-voz está encarregado de repassar informações oficiais, sem ‘conversas e entrevistas’.


‘Os diplomatas são capazes de entender pontos de vista diferentes e de dizer não quando for necessário’, argumentou Franklin. ‘Ele vai separar o joio do trigo’, reforçou.


No início da semana, o ministro havia atuado como um porta-voz improvisado, surpreendendo jornalistas com um relato detalhado de uma reunião de Lula com ministros. Bastidores e entrevistas, agora, segundo ele, serão obtidos junto a ministros e outros assessores do governo.


TRADIÇÃO


A separação entre a figura do porta-voz e a do assessor de imprensa é uma tradição que vem do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).


Tudo começou com a então secretária de Imprensa, Ana Tavares, uma mulher discreta que atuava nos bastidores do poder e que não gostava de aparecer diante das câmeras. Franklin Martins já manifestou simpatia pelo modelo Ana Tavares – de porta-voz lacônico e de distribuição organizada de notícias de acordo com empresas e profissionais.


Fernando Henrique contou com três porta-vozes durante seus oito anos de mandato. Os diplomatas Sérgio Amaral, Georges Lamazière e Antônio Parola não tiveram motivos para reclamar do período em que estiveram no cargo – voltaram ao Itamaraty alcançando bons postos no exterior.


ANTECESSORES


O primeiro presidente a ter um diplomata como porta-voz foi João Figueiredo (1979-1985). O embaixador Carlos Átila, no entanto, fazia também a figura do secretário de Imprensa.


Os demais presidentes da história recente escolheram jornalistas como porta-vozes, um costume que remonta ao início do período republicano.


Até mesmo os presidentes do regime militar recorreram, em diversas ocasiões, a profissionais da imprensa para falar por eles. Durante a República Velha, o costume era contratar repórteres para registrar eventos e viagens presidenciais, além de manter contato com a imprensa.’


Gerusa Marques


Canais de TV digital serão liberados 2ª feira


‘O ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciou ontem que na segunda-feira seu ministério vai liberar os primeiros canais digitais para as principais emissoras de televisão em São Paulo, entre elas a Globo, o SBT, a Record e a Bandeirantes. A idéia é de que em junho as emissoras comecem a operar a TV digital, em São Paulo, em caráter experimental. A intenção do governo é que as primeiras transmissões comerciais em sinal digital sejam feitas ainda neste ano, em dezembro.


Os canais serão repassados para as emissoras em regime de consignação, já que, durante os dez anos de transição para a implantação completa da TV digital, as empresas terão dois canais: um para transmissão de sinais analógicos e outro para sinais digitais. O canal analógico será devolvido à União no fim desses dez anos. A cerimônia de distribuição de canais será no Ministério das Comunicações, às 16 horas.


Ontem, durante audiência pública na comissão de Ciência e Tecnologia e Comunicação do Senado, Costa estimou que a devolução dos canais analógicos para o governo poderá render uma receita de US$ 20 bilhões, com a licitação desses canais para novas empresas.


A estimativa do ministro foi feita com base no mercado dos Estados Unidos, no qual a devolução significou uma receita de US$ 100 bilhões ao governo americano.


Costa disse também que o Ministério das Comunicações está elaborando um projeto de políticas públicas pra a área de comunicação.


Segundo o ministro, esse projeto, que poderá ser convertido em decreto presidencial, traçará diretrizes para orientar a implantação de programas do governo de inclusão digital e a realização de licitações, como, por exemplo, a de concessão de licenças para prestação de serviços de internet em banda larga sem fio (WiMax) e de telefonia celular de terceira geração.


POLÍTICAS PÚBLICAS


Hélio Costa antecipou que, em duas semanas, a proposta será apresentada ao Palácio do Planalto. Ele reconheceu que faltam políticas públicas em alguns setores das comunicações, como a licitação das licenças de WiMax, suspensa, no ano passado, por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), que detectou defasagem no preço mínimo das licenças.


Na semana passada, Costa disse que essa licitação será refeita, com novas regras, e que vai sugerir à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que reserve parte das freqüências para projetos do governo de inclusão digital.’


TELECOMUNICAÇÕES
Nilson Brandão Junior


Receita de teles sobe, investimento cai


‘O faturamento do setor de telecomunicações fechou o ano passado em R$ 143,8 bilhões, 6,9% acima dos R$ 134,3 bilhões no ano anterior. O crescimento veio, basicamente, apenas de dois subsetores: telefonia celular e tv por assinatura. Nos segmentos de telefonia fixa e na indústria fornecedora o movimento ficou praticamente estagnado. Já os investimentos do setor recuaram 14,3%, para R$ 12,6 bilhões.


Os dados fazem parte de um estudo divulgado ontem pela Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) em parceria com a consultoria Teleco. Segundo o presidente da Telebrasil, Ronaldo Iabrudi, o setor de telefonia fixa está atingindo a ‘maturidade’ no País e faturou R$ 70,5 bilhões no ano passado, ante os R$ 69,2 bilhões em 2005.


Na prática, o peso do segmento no setor vem caindo: era de 56% da receitas totais em 2000 e recuou para 51% ano passado, enquanto outros segmentos avançaram. É o caso da telefonia celular, cujas receitas passaram de R$ 42,9 bilhões para R$ 49,3 bilhões entre 2005 e 2006; e das tvs por assinatura, que avançou de R$ 4,7 bilhões para R$ 5,5 bilhões na mesma comparação. O movimento da indústria ficou em R$ 16,7 bilhões, R$ 200 milhões acima do ano anterior.


Iabrudi destaca que a carga tributária do setor, de 42,1%, considerada uma das maiores do mundo, impede crescimento maior. A estimativa é de que as operadoras pagaram R$ 33 bilhões em tributos ano passado.


Os investimentos setoriais, por sua vez, declinaram. Eles foram mais fortes em anos anteriores, primeiro na telefonia fixa e depois na celular. Em 2001, os investimentos chegaram ao equivalente a 10,9% de todo o investimento na economia – fatia que encolheu para 3,2% no ano passado. O patamar de 2006 deverá permanecer nos próximos anos, a não ser que o País agregue novas modalidades, como a terceira geração (3G).’


TELEVISÃO
Cristina Padiglione


Dois Irmãos na tela


‘Dois Irmãos, de Milton Hatoum, é o terceiro título selecionado por Luiz Fernando Carvalho para a série Quadrante. A primeira obra produzida nos moldes do projeto concebido pelo diretor Luiz Fernando Carvalho é A Pedra do Reino, de Ariano Suasssuna, e estréia no dia 12 de junho na Globo. A segunda, já em fase de escalação de elenco e produção de roteiro, é Dom Casmurro, de Machado de Assis.


O principal foco de Quadrante, que leva à tela uma grande obra da literatura nacional, em poucos capítulos, é ‘a inclusão artística regional’. Assim anuncia Luiz Fernando Carvalho.


O diretor de Hoje É Dia de Maria tem se entusiasmado em descobrir talentos longe do eixo Sul-Maravilha. Para Dom Casmurro, a idéia é que todo o cast seja inédito aos olhos do grande público. A exceção é Rodrigo Santoro, que voltará à TV nacional justamente por ocasião tão nobre.


Em Taperoá, Paraíba, onde filmou A Pedra do Reino, o trabalho rendeu um acordo de cooperação técnica entre a Globo, a Fundação Roberto Marinho, o governo da Paraíba e a prefeitura local para os projetos Casa de Cultura Ariano Suassuna e Tecendo o Saber, sistema de educação do ensino fundamental.


Barraco no morro


Em cena da novela Vidas Opostas, da Record, que vai ao ar no dia 23, Jacson (Heitor Martinez) e seus homens avançam em direção ao centro comunitário e rendem o miliciano que ficou de guarda. Jacson manda o refém ficar de cueca e correr pelo morro pedindo socorro.


Entre-linhas


Depois de trocar sua novela das 22h para as 17h30, a Band agora vai cortar 21 capítulos de Paixões Proibidas. Seriam 160, e boa parte já estava rascunhada. Agora serão 139.


A final do BBB7 rendeu média de 50 pontos de audiência. no horário, 70% dos aparelhos ligados estavam sintonizados na Globo. Não foi, no entanto, o recorde do reality show. A final do BBB5, que elegeu o baiano Jean vencedor, registrou 57 pontos.


A aprovação a Diego-Alemão neste Big Brother, sim, foi recorde na história do programa no Brasil. Ele venceu com 91% dos 26 milhões de votos.


A Play TV exibe hoje, às 21 h, em prometido caráter de exclusividade, o trailer do longa-metragem da Família Simpsons. O filme Os Simpsons – O Filme, tem previsão de estréia no Brasil para agosto.


O personagem Hiro Nakamura, que tem o poder de manipular o tempo e o espaço na série Heroes, exibida aqui via Universal Channel, foi eleito como quem tem tem o ‘superpoder mais interessante’ no enredo, em enquete promovida pelo blog oficial da série.


Amanhã, os interessados na série Roma, da HBO, terão acesso a um canal virtual (180) transmitido pela Net com biografias dos atores e making of. Até o dia 12, das 20 h à meia-noite, os assinantes de SP, RJ e BH poderão rever os episódios da 1.ª temporada da série, disponíveis pelo canal 37.’


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