Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

ENTRE ASPAS > CHINA

Paulo Vicentini

30/11/2004 na edição 305

‘A abertura do bilionário mercado de produções para televisão aos investidores e produtores estrangeiros deve inaugurar um novo ciclo de modernização da China. E, segundo Zhuo Hong, diretor Jurídico da Administração Estatal de Televisão, Rádio e Cinema da China, o país está disposto a ‘adquirir boas produções na área do entretenimento provenientes de qualquer país do mundo, inclusive do Brasil’.

A abertura do setor está marcada para 28 de novembro. Segundo Zhuo, ‘a maioria dos telespectadores anseia por novidades’. O pacote de oportunidades oferecido aos investidores e produtores estrangeiros é tentador. O público potencial é de 360 milhões de famílias, em todo território nacional (menos as regiões especiais administrativas de Hong Kong e Macau). O mercado movimentou cerca de US$ 9,5 bilhões em 2003, incluindo os 100 milhões de assinantes da TV a cabo.

Zhuo afirma que a Disney, a Viacom e a Warner podem se transformar nas primeiras multinacionais dos meios de comunicação a formar joint ventures com empresas chinesas. ‘Elas poderão deter até 49% das ações das novas companhias. Nos interessa apreender as avançadas técnicas e experiências acumuladas por estas gigantescas multinacionais. Mas, qualquer outra produtora mundial, desde que preencha todos os requisitos necessários, poderá atuar em nosso mercado.’

Segundo o decreto presidencial, as multinacionais interessadas em explorar o mercado chinês devem registrar capital mínimo de US$ 900 mil e se associarem às empresas nacionais credenciadas pelo governo. A área de informação, porém, não estará aberta aos estrangeiros, embora possa haver transferência de tecnologia ou de conceitos nos formatos de noticiários ou especiais produzidos pela TV chinesa.

Zhu faz parte da legião de chineses que assistiu à telenovela Escrava Isaura, produzida pela TV Globo, um grande sucesso no país. E repete que a China está disposta a adquirir boas produções de qualquer país do mundo. ‘Devo frisar que as produções brasileiras são mundialmente reconhecidas por sua qualidade.’’



PORTUGAL
Maria João

‘Correspondentes Internacionais Criticam Jornalismo Português’, copyright Publico (www.publico.pt), 18/11/04

‘A falta de rigor e qualidade dos conteúdos, o prolongamento excessivo da duração dos noticiários televisivos ou o esbatimento das fronteiras entre os vários géneros jornalísticos, foram algumas das falhas apontadas ao jornalismo português por correspondentes internacionais em Portugal, durante um debate promovido ontem pela Universidade Lusófona.

‘Nunca houve tanta liberdade e tantos constrangimentos económicos como hoje’, disse Mário Dujisin, chileno que trabalha para a agência italiana Ansa, lembrando que é difícil ‘vender’ um país pequeno como Portugal no estrangeiro. O jornalista, criticou o ‘excesso de literatura e pouca substância informativa’ na imprensa, mas elogiou o destaque dado à actualidade internacional, e o facto de não existirem jornais abertamente partidários em Portugal.

A propósito da autonomia da informação, o italiano Ricardo Carucci, vice-presidente da Associação de Imprensa Estrangeira e igualmente jornalista da Ansa, afirmou que ‘os governos têm a tendência natural de exercerem controlo nas estações públicas’, devendo procurar-se um ‘equilíbrio entre as exigências gerais do Governo e os interesses da informação’.

De acordo com Jair Ratner, do jornal ‘Estado de São Paulo’, o interesse do público fica fragilizado com o excessivo ‘oficialismo’ da imprensa portuguesa na qual, muitas vezes, ‘não são os jornalistas, mas sim as pessoas [interpeladas] que decidem o que querem falar’, perante a passividade dos profissionais de informação. O correspondente brasileiro salientou a sensação de ‘estranhamento’ inerente à vida de jornalista num país estrangeiro, como Portugal, onde veio encontrar um jornalismo ‘pouco agressivo’ e que insiste em noticiários televisivos ‘absurdamente longos’. A correspondente da BBC, a britânica Alison Roberts, elogiou a consciência deontológica dos portugueses, mas alertou para a situação precária dos estagiários nas redacções.

A preocupação foi subscrita por professores de Ciências da Comunicação da Universidade Lusófona que comentaram a sessão, moderada por Mário Mesquita, investigador e docente do departamento. Fernando Correia centrou a atenção nos mecanismos de produção da informação e no actual estado de ‘penúria’ do jornalismo português de investigação. ‘Fala-se mais de oportunidades de negócios do que de projectos jornalísticos. Damos mais atenção à liberdade de empresa do que à de imprensa.’ Carla Martins destacou a importância de apostar na qualidade dos conteúdos e altertou para os condicionalismos económicos que se colocam aos profissionais do sector.’



Tiago Silva Pires

‘Muitas críticas ao jornalismo português’, copyright Diario de Noticias, 19/11/04

‘Quatro correspondentes estrangeiros que residem em Portugal foram desafiados, quarta-feira, na Universidade Lusófona, a falar sobre o jornalismo português.

Alguns aspectos positivos foram referenciados, mas as críticas abundaram. Alison Roberts, colaboradora da BBC e freelancer, mostrou-se «impressionada» com a «consciência» que os profissionais da comunicação social têm das «normas deontológicas», embora, na maioria dos casos, não «as coloquem em prática». Chamou a atenção para o «abuso de estagiários» nos media. Jair Ratner, do Estado de São Paulo, acusou os jornalistas de «falta de agressividade» pela notícia e «de criatividade» nas questões. Mário Dujisin, da Ansa, disse que em Portugal há «jornalistas de referência» e não «jornais de referência». Entende que não existem «jornais abertamente partidários» e enaltece a «solidariedade» dos colegas para com a imprensa estrangeira. Ricardo Carucci, vice-presidente da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal, mencionou «lapsos frequentíssmos na televisão». Frisa que o Governo «não controla» a televisão, mas exerce «alguma pressão» sobre os media.

Num debate moderado por Mário Mesquita, professor da Lusófona, Carla Martins e Fernando Correia, docentes do estabelecimento de ensino, e Ana Rita Dinis, aluna finalista do curso de Ciências da Comunicação, tiveram a seu cargo os comentários ao colóquio.’

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