Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

Pedro Doria

12/07/2005 na edição 337

‘Não é sempre que acontece. Mas, desta vez, a ‘Trip’ levou. Porque a Diana Bouth da ‘Trip’ é muito mais Diana Bouth que a da ‘Playboy’. Que ninguém se engane: nudez total, que uma só insinua, a ‘Playboy’ entrega de todo. Então está aí um motivo para a compra da revista. Mas é só que a trupe da ‘Playboy’ – ou o fotógrafo, e aí era tarde – não entendeu a moça.


Não é uma arte elementar: há muitos tipos de beleza feminina, coisa para todos os gostos. Uma, esta anda em voga, é aquela beleza que empurram goela abaixo do freguês. É uma Carla Perez da vida, uma Feiticeira, uma Tiazinha. Tanto as mostram na TV, rebolantes, tanto as espalham nos outdoors e capas de disco e revistas que impõem o desejo por repetição. Na verdade, depois de um tempo todo mundo as esquece, não eram de verdade.


Tem um segundo tipo de beleza que é aquela sem charme. Veja-se a moça consagrada pela São Paulo Fashion Week, Daniela Sarahyba, vários e muitos quilos a menos. Lindinha que só, uma graça – sem sal. Basta lançar os olhos em qualquer desfile de moda ou mesmo, vez por outra, nas novelas de TV ou seriados enlatados e lá estão elas, as moças lindas, esculturais, que se provocam um suspiro é muito.


Diana Bouth na ‘Trip’: mais fiel ao jeito da moça


Aí tem o terceiro tipo, que é quem realmente importa: a linda com contexto. Pode ser charme, pode ser papo, cada uma é de um tipo diferente. Diana Bouth é assim. No caso, ela evoca um clima, com um pé no surfe, outro no hip-hop. Tem um sorriso magnífico só possível na casa dos 20, porque ainda tem uma inocência matreira. Peitinhos miúdos, pele morena – Diana Bouth é menina que se encontra na Prainha, no Rio, ou então em Santa Catarina, vestindo biquíni de lacinho.


(Esta é uma tese, é o clima que a moça evoca, não importa se ela mesma é isso ou não. Mas há que ser fiel ao clima, sempre.)


Então o que faz o fotógrafo Klaus Mitteldorf: leva a moça para uma praia à noite, levanta uns holofotes de luz, bota ao fundo um jipe. Praia parece certo, jipe para quem apresenta um programa de esportes chamado ‘Zona de impacto’, também.


Só que o resultado não tem nada disso, aquelas luzes artificiais sempre evidentes ao fundo; aí, depois, a moça Diana abraçada aos postes de alumínio como uma stripper em boate norte-americana. Então ela tem uma flor no cabelo como se fosse um luau. Só que luau tem fogueira, violão e frutas tropicais, não holofotes profissionais com postes de alumínio, material pesado e um jeito de anti-praia, que mais parece estúdio.


Aí ele pega uma moça cujo grande charme é o sorriso jovial e faz ela posar séria. São 18 fotografias, incluindo o pôster frente e verso, e só cinco sorrindo, em dois dos casos um sorriso meio cínico, pseudo-sedutor, que decididamente não lhe cai bem. E tome fundo preto, fundo preto, fotos em preto-e-branco como se fosse necessário um fundo liso para facilitar o Photoshop. Injustiça, que a moça não tem disso.


Agora veja-se o ensaio da ‘Trip’: uma casa ensolarada, o tal biquíni de lacinho, cores fortes, Diana relaxada entre almofadas, dia de verão como ela merece, como lhe cabe. Bem verdade, não lhe aparecem os pêlos – são os pudores da ‘Trip’, vá. Mas a Diana Bouth de verdade é a gracinha que o J.R. Duran fotografou para a ‘Trip’, não esta da ‘Playboy’.


Ficou na dívida.’




BLENDER
Álvaro Pereira Júnior


‘A revista mais bacana do mundo’, copyright Folha de S. Paulo, 11/7/05


‘Dá para falar sobre música de um jeito inteligente e que não interesse só a fanáticos por música? Dá para misturar crítica bem fundamentada com textos irreverentes? É possível publicar grandes reportagens numa revista eminentemente musical?


É claro que sim, e uma revista americana é a maior prova disso: a ‘Blender’ (www.blender.com).


Já falei dela várias vezes, mas volto ao assunto porque a ‘Blender’ acaba de ser eleita, pelo jornal ‘Chicago Tribune’, a melhor revista dos EUA. Não é pouca coisa.


Olha só a opinião do ‘Tribune’: ‘Finalmente (…), uma revista de música que une o estilo ágil e irreverente da melhor imprensa musical inglesa com reportagens sérias e ótimos perfis (…). As resenhas da ‘Blender’ são bem informadas, divertidas e livres do exibicionismo de críticos de rock que só serve pra impressionar outros críticos’.


Não suporto quando algum exibicionista diz que suas revistas preferidas são ‘Magnet’, ‘Wire’, ‘Jockey Slut’ e outras do gênero. Essas são publicações de nicho, dirigidas a ‘nerds’ de música, críticos de rock, gente desse naipe. Trazem bastante informação, mas não são bem escritas, não são divertidas, não têm um projeto gráfico elegante, não são criativas, não têm seções daquele tipo que cativa um leitor.


Já a ‘Blender’ tem tudo isso. E que fique claro: não é uma revista para descolados, de tiragem pequena, que só se acha em livrarias bacanésimas. A ‘Blender’ é voltada para o grande público. Desde que foi criada, em 2001, aumentou a circulação em 150%. A tiragem, hoje, é de 630.000 exemplares (atrás da ‘Rolling Stone’, e disputando o segundo lugar com a ‘Spin’).


A lista completa do ‘Chicago Tribune’, com as 50 melhores revistas dos EUA, está aqui: www.chicagotribune.com/features/lifestyle/chi040615mags,1,1202754.st.


Tem mais um detalhe: eles botaram em quarto lugar a ‘Wired’. Mas o legal é que, para exemplificar como a ‘Wired’ faz grandes matérias, eles citam uma reportagem sobre uma turma de filhos de mexicanos pobres que ganharam um concurso para construir um robô submarino competindo contra um monte de filhinhos de papai de faculdades particulares. Coincidência ou não, esse mesmo texto foi mencionado em ‘Escuta Aqui’, em 2/5/2005, como exemplo de reportagem de revista. Posso dizer muita bobagem, mas pelo menos não estou falando sozinho.’




NU NA PISTA
Fábio Seixas


‘Repórter de jornal inglês desfila nu pelo circuito de Silverstone’, copyright Folha de S. Paulo, 11/7/05


‘Um GP que começou taciturno, com treinos livres um dia após os atentados em Londres, terminou no domingo com festa e bom humor. ‘Culpa’ da McLaren e do jornalista inglês Bob McKenzie, 56.


Pagando uma aposta que havia feito com seus leitores no ano passado, o repórter do tablóide ‘Daily Express’ deu uma volta correndo por Silverstone pintado com as cores da equipe, e seminu –vestia só tênis e um tapa-sexo coberto por um ‘sporran’, uma bolsa que integra a indumentária tradicional da Escócia.


Em julho do ano passado, McKenzie escreveu no jornal que daria uma volta por Silverstone, pelado, caso a McLaren vencesse alguma corrida naquela temporada. No mês seguinte, Kimi Raikkonen levou o GP da Bélgica.


‘A reação do público foi fantástica’, disse o jornalista.’

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