Terça-feira, 15 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
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ENTRE ASPAS >

Polícia acusa pais de ‘garoto do balão’ de farsa

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 20/10/2009 na edição 560


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 19 de outubro de 2009


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


Moacir Assunção


Especialista vê ‘clientelismo’


‘O cientista político e professor aposentado da USP, Leôncio Martins Rodrigues, vê a censura ao Estado, imposta desde 31 de julho, como um caso típico de clientelismo e patrimonialismo que prejudica a consolidação da democracia e o desenvolvimento do País. ‘O caso mostra como o poder público brasileiro não consegue se afastar dos interesses particulares. Forma-se uma rede que une e mistura interesses familiares, econômicos, de relações de amizade e de parentesco, que assegura a ascensão política e econômica por meio do controle de setores do Estado, e torna muito difícil a racionalização e profissionalização do serviço público. Houve alguma melhora ao longo dos anos mas, especialmente no Nordeste, o progresso foi bem menor’, alertou.


Rodrigues teme que esse tipo de decisão, como a tomada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), possa fortalecer uma certa intolerância, até mesmo da sociedade civil, contra a imprensa e os jornalistas. ‘Ninguém gosta de ser criticado, contudo é das normas das sociedades democráticas que os que se consideram ofendidos busquem reparação nos tribunais que, por sua vez, devem ser prudentes a fim de evitar que a alegada defesa dos direitos individuais sirvam, de fato, para ferir a liberdade de opinião, um dos valores da democracia.’


O episódio que amordaçou o Estado, para o professor, demonstra a força e a capacidade de pressão de lobbies políticos, no caso da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), cujo filho, o empresário Fernando Sarney, entrou com a ação contra o jornal, acatada pelo desembargador Dácio Vieira, ligado ao senador.


‘Não creio que o País possa voltar a uma situação de censura como a que existiu nos governos militares ou no Estado Novo, mas poderemos passar por situações de censura tópicas ao sabor dos interesses políticos e da capacidade de pressão dos lobbies. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem demonstrando que está bem mais empenhado do que os anteriores a não abandonar as delícias do poder. Para tanto, lança muitas indicações de que, se necessário, passará por cima de certas regras disciplinadoras da competição’, afirma Rodrigues.


Ele continua. ‘Basta observar a atuação aberta dele e da provável candidata à sucessão, a ministra Dilma Rousseff, em eventos públicos que ele próprio define como comício.’


INDICIADO


Fernando Sarney, filho do senador José Sarney, foi investigado na Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, e indiciado por crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de influência, formação de quadrilha e falsidade ideológica. Depois de recursos do Estado, Vieira foi afastado e declarado suspeito.


Na sequência, o tribunal se declarou incompetente para julgar a ação, mas manteve a mordaça. Também foi determinada a remessa do processo para a Justiça Federal do Maranhão, onde a família Sarney têm enorme influência. Até mesmo o fórum do Estado leva o nome do pai do presidente do Senado.


IRONIA


Na opinião do professor, é uma ironia histórica no momento que o País vive em termos de avanços democráticos haver pressões contra a imprensa. ‘É irônico que tenha sido sob o imperador D. Pedro II, sempre acidamente criticado pelos jornais, que a imprensa brasileira tivesse gozado do maior grau de liberdade de sua existência. A República poderia ter herdado essa qualidade da monarquia’, disse. ‘A realidade tem demonstrado a diferença no tratamento.’’


 


 


DECORO


Roberto Almeida


Suplicy consegue tirar do ar seu desfile de sunga


‘Na tentativa de aliviar o clima de constrangimento no Senado, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que desfilou pelas dependências da Casa vestindo uma sunga vermelha sobre o terno, reuniu-se com os produtores do programa Pânico na TV e conseguiu que o quadro em que participaria como ‘super-herói’ fosse retirado do ar.


Suplicy vestiu a sunga na última quarta-feira a pedido da apresentadora Sabrina Sato, que o classificou como ‘herói’. O corregedor da Casa, Romeu Tuma (PTB-SP), estuda abrir sindicância por considerar que a ‘imagem de seriedade’ do Senado saiu arranhada.


O desfile de Suplicy durou cerca de um minuto. De acordo com o senador, o pedido da apresentadora foi ‘amável’. Em nota enviada ontem, ele narrou o episódio.


‘Ela (Sabrina) então insistiu que queria que eu o vestisse. Alertei-a de que isso poderia resultar em problema. Ela insistiu, de maneira muito amável, dizendo que não haveria problema, uma vez que eu estava de terno’, descreveu Suplicy.


Os produtores atenderam o pedido porque não ‘tiveram a intenção de provocar qualquer ofensa ou diminuição da minha imagem ou do Senado’, afirmou o senador. ‘Estou de acordo, conforme tantos amigos me disseram, que teria sido melhor não ter atendido o insistente apelo de Sabrina.’’


 


 


VENEZUELA


O Estado de S. Paulo


Chávez estende viagem e cancela programa


‘O presidente venezuelano, Hugo Chávez, suspendeu ontem seu programa de rádio e televisão Alô, Presidente. Ele decidiu estender sua visita à Bolívia, onde chegou quinta-feira para participar de cúpula da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba). A Agência Bolivariana de Notícias informou que o cancelamento do programa deu-se por ‘mudanças na agenda presidencial’. Chávez cumpriu compromissos oficiais ontem ao lado do presidente boliviano, Evo Morales.’


 


 


EUA


AP, Efe e Reuters


Polícia acusa de farsa pais de ‘garoto do balão’


‘O incidente do ‘garoto do balão’, que deixou os EUA apreensivos por várias horas na quinta-feira – pela crença de que um menino de 6 anos estava num balão de hélio à deriva -, foi uma montagem, confirmou a polícia. O balão foi acompanhado por helicópteros da Guarda Nacional americana, enquanto o garoto estava a salvo em casa. O episódio foi transmitido ao vivo por várias horas.


Depois de interrogar os pais do menino Falcon Heene, Richard e Mayumi, e ter feito uma busca na casa deles, a polícia chegou à conclusão de que o espisódio não passou de uma ‘tentativa de buscar publicidade’ por parte da família. Segundo Jim Alderden, xerife do condado de Larimer, no Colorado, a intenção dos Heenes era a de promover um programa de televisão para vender a alguma emissora.


‘Eles nos apresentaram um bom show e nós o compramos’, disse Alderden. Segundo ele, nenhuma queixa ainda foi apresentada, mas os pais de Falcon devem ser indiciados por conspiração, contribuição para a delinquência de um menor, falso relato às autoridades e tentativa de influenciar um servidor público.


As acusações mais graves têm sentença máxima de 6 anos de prisão e US$ 500 mil de multa.


O xerife ainda afirmou que os três filhos do casal sabiam da armação, mas provavelmente não serão indiciados por causa da idade.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Cala boca, Galvão!


‘Sabe aquele grito de ‘burro’, do fundo do âmago, dedicado ao técnico da seleção? E o famoso ‘cala a boca, Galvão!’ Agora você pode fazer tudo isso online, assistindo à partida, e com o coro ilimitado de Casagrandes e Caios de plantão.


A Globo lançou, em caráter de testes, um novo jeito de se assistir futebol. Batizada de Transmissão Social, a ferramenta disponibiliza na web a exibição de um jogo aliada a um bate-papo simultâneo em redes sociais como Twitter e Facebook. A iniciativa, no ar na Globo.com, começou a ser testada durante os jogos da Liga da Europa e chegou à seleção. A última partida do Brasil nas eliminatórias da Copa, contra a Venezuela, teve transmissão online com direito a comentários trocados nas redes sociais. Os ‘melhores’ eram destacados pelo site.


A novidade será incrementada para a Copa de 2010 e pode haver até casamento com a TV. Uma das preocupações é o excesso de acessos na web, o que derruba as transmissões online.


Há quem aposte que bom mesmo será quando os desabafos online oferecerem encontros em 3D com Dunga, durante o jogo. Adeus, chinelo na TV!’


 


 


LIVROS


Ubiratan Brasil


Cautela estrangeira favorece o Brasil


‘Menos leilões, acordos mais rápidos – escaldados pela crise que marcou o ano passado, editores transformaram a 61ª Feira de Frankfurt, que terminou ontem, em um evento cauteloso na luta pelos direitos de novas obras. Em meio ao receio geral, os brasileiros consolidaram sua boa imagem. ‘Com toda a crise financeira internacional, atingindo duramente os mercados do livro nos Estados Unidos, Itália e Espanha, e com toda a apreensão relativa à chegada dos livros eletrônicos, os editores brasileiros se comportaram exatamente como vêm se comportando nos últimos quatro, cinco anos: com alto grau de competitividade e muita gana de ir às compras’, comentou Luciana Villas-Boas, da editora Record. ‘Pelo segundo ano, somos a tábua de salvação de agentes estrangeiros, o que ainda é estranho, senão tolo – livros de estreia, sem currículo e sem expressão em seus mercados locais, saíram para os brasileiros por dezenas de mil dólares e, pelo menos uma vez, por US$ 165 mil.’


Houve também quem comemorou vendas expressivas. A Melhoramentos, por exemplo, fechou um acordo com a Coreia do Sul para a publicação de sua série Bichinho de Maçã, de Ziraldo, por US$ 60 mil. Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), que organizou um estande com 50 editoras, a geração de negócios com direitos autorais atingiu US$ 750 mil.


Quem mais lucrou, no entanto, talvez tenha sido um editor nada experiente e que continua a trabalhar como prático do porto, em Vitória, ou seja, aquele que comanda o pequeno navio que auxilia os comandantes das grandes embarcações a atracarem. Francisco José G. Pereira esteve como expositor na Feira de Frankfurt pela segunda vez e está em negociação de assinar contrato com uma editora norte-americana para lançar o inédito Eu Escrevo – O Livro das 16 Palavras. Se a negociação pilotada pelo agente Peter Riva der certo, a obra será primeiro editada nos Estados Unidos, em 2010.


Foi no curto período de três anos que Francisco deu o salto da sua vida. Embora não se interessasse pela leitura, foi tomado repentinamente pela vontade de escrever. Começou fazendo comentários no blog de um amigo até abrir o seu. ‘E, certa vez, em 2006, quando dirigia meu barco, sonhei em ser um escritor famoso.’


Ciente da ambição desmedida – afinal, nunca lera romance algum -, Francisco teve uma ideia, que logo se desdobrou. Era, na verdade, um jogo com 16 palavras que formam diferentes frases de acordo com a sua colocação – algo como ‘Escrevo o que penso’ e ‘Penso o que escrevo’. A partir daí, surgiu um livro com seis capítulos, sem histórias, apenas com as palavras trocando de lugar, semelhante a um poema concreto ou um mantra.


A ideia interessou Fabricio Toscano, professor de inglês de Francisco, que traduziu a obra para essa língua e ainda gravou um CD com a leitura das frases. ‘Curiosamente, tanto a versão em português como a em inglês têm 16 minutos cada uma’, observa Francisco.


Motivado, montou uma editora, Reflexiva, para participar da Feira de Frankfurt do ano passado, apenas para testar o valor de seu projeto. Foi procurado por agentes de diversos países, ainda que o livro não existisse. Neste ano, voltou, acompanhado de Fabricio, mas não procurou por nenhuma das pessoas que conheceu em 2008. ‘Ele queria testar a sorte’, conta o amigo.


E ela veio no primeiro dia da feira, quando Peter Riva, enquanto passeava saboreando um sorvete, ficou curioso com os dizeres do estande, algo como ‘Usando poucas palavras para dizer mais’. Interessado, ofereceu-se como agenciador do produto. Convenceu também editores a visitarem o estande e um deles logo propôs contrato para a publicação de uma série. O acerto pode acontecer nos próximos dias e, segundo o autor, poderá ser um grande negócio.


‘Sempre digo que, se sou um leitor, sou um atrevido’, disse Francisco, que não pretende abandonar a função de prático do porto (‘flanelinha de navio’, como brinca Fabricio). ‘Minha busca é pelas respostas que digam quem eu sou.’’


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 19 de outubro de 2009


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


O terror no Brasil


‘Na manchete do ‘Jornal Nacional’, ‘Sábado de terror na Zona Norte do Rio… Um helicóptero da PM faz pouso forçado e explode’. Do ‘Jornal da Record’, ‘O tráfico desafia o Rio, derruba helicóptero… Sábado de terror’. A Globo destacou a ‘repercussão imediata no exterior’, com os sites de ‘New York Times’ e Al Jazeera.


Mas o que ecoou mundo afora foi o vídeo do SBT (acima) distribuído pela AP. Por todo lado, o destaque de que a derrubada acontece duas semanas depois da escolha do Rio para os Jogos.


O TERROR NO IRÃ


TV estatal do Irã dá a notícia do ataque


No início da noite, o site do canal de notícias do Irã, Press TV, contava 42 mortos no atentado suicida na fronteira com o Paquistão -e nada de questionamento aos EUA, desta vez, por parte do presidente Mahmoud Ahmadinejad.


No dizer do ‘Financial Times’, foi ‘o ataque mais letal em 20 anos’ no Irã. Foi manchete ao longo do domingo por ‘NYT’ e outros ocidentais, secundada pela ofensiva lançada pelo Paquistão contra o Taleban. O ‘China Daily’, que vem noticiando ‘ameaças da Al Qaeda’ a Pequim, também destacou o atentado e a ofensiva.


CHINA, O MODELO


Na manchete on-line do ‘China Daily’, ‘Partido Comunista da China e Kuomintang’, no poder em Taiwan, ‘sinalizam boa vontade’.


No ‘NYT’, por outro lado, ‘Após duas décadas do colapso do Partido Comunista, os líderes russos acharam um novo modelo: o Partido Comunista. O partido de Vladimir Putin, Rússia Unida, estuda como seguir os passos do PC chinês’. Líderes partidários foram a Pequim para reuniões e convidaram o presidente Hu Jintao para seu congresso em novembro.


EUA, O MODELO


Página ‘+ lida’ ontem no ‘NYT’, a coluna de Bono defendeu Obama como símbolo de um país ‘parceiro’, não mais ‘policial’, de um mundo que, afirma ele, ‘precisa acreditar de novo na América’


OBAMA CONTRA-ATACA


Após semanas batendo em Obama, como outros programas dos EUA, o ‘Saturday Night Live’ convocou Dwayne Johnson para reencarnar The Rock Obama, arrancando braços de republicanos etc. Foi o quadro ‘mais simpático a Obama na temporada’, destacou o Huffington Post.


E em mesa-redonda ontem na ABC o economista Paul Krugman reagiu às críticas a ‘Obama fraco’, dizendo que ‘ele na verdade está fazendo as coisas, agora’.


DA NOTÍCIA À PIADA


O mesmo ‘SNL’ e outros programas de humor americanos tomaram por alvo a cobertura do ‘garoto do balão’, na sexta, quando os canais de notícias do país cortaram um painel sobre a reconstrução de Nova Orleans, comandado por Obama, para acompanhar o caso no Colorado.


‘REALITY TV’


Ontem por Fox News, CNN, Drudge Report e ‘New York Times’, que haviam entrado na corrida pelo balão, destaque para a confirmação pela polícia local de que não passou de ‘trote’ -de cena armada pela família como ‘marketing’ para um eventual ‘reality show’.


A REBOQUE


O principal assessor de comunicação de Obama, David Axelrod, foi ao programa dominical ‘This Week’, da ABC, e defendeu a decisão da Casa Branca de passar a tratar a Fox News como partido, não jornalismo:


‘Mr. Rupert Murdoch tem talento para fazer dinheiro, e eu entendo que sua programação é voltada a fazer dinheiro. Só o que argumentamos é que eles não são um canal de notícias de verdade. Não só os âncoras, mas a programação. Não é notícia de verdade, mas forçar um ponto de vista. E nós vamos tratá-los assim, e outras organizações jornalísticas deveriam tratá-los assim’.


O chefe da casa civil, Rahm Emanuel, sublinhou, também ontem na CNN, que outras organizações não deveriam ‘deixar-se guiar pela Fox News’.’


 


 


TELEVISÃO


Rodrigo Russo


Shop Tour leva programação para outras emissoras de TV


‘O Shop Tour, canal de televisão que veicula 24 horas diárias de programas de televendas, pretende expandir suas atividades retornando às origens. Criado em 1987 por Luiz Antonio Cury Galebe, o Shop Tour nasceu como um programa veiculado em emissoras de TV.


Agora, a intenção da empresa é locar espaço de varejo em diversos canais, tanto em TV aberta quanto fechada. A proposta é inserir blocos de um minuto de ‘infomerciais’, o formato tradicional do Shop Tour, na programação regular das outras emissoras.


Para Marcos Amazonas, diretor de operações e marketing da empresa, ‘este é um momento de expansão do canal, buscando conquistar novos públicos, além daquele que já nos assiste’, em um movimento que define como de ‘horizontalização’ da marca.


A forma de atuação do canal próprio do Shop Tour é, porém, questionada por alguns setores da sociedade. A ONG Intervozes, que discute a ampliação do direito à comunicação, ajuizou em outubro de 2007 uma ação civil pública pedindo a cassação do canal (e de outros similares), por extrapolar o limite de 25% de publicidade e não cumprir os princípios constitucionais de que a programação deve ter fins educativos, artísticos, culturais e informativos.


A ação, porém, ainda está parada, aguardando que a Justiça decida se vai ou não admiti-la. O canal diz que cumpre rigorosamente a legislação do setor de telecomunicações.


VOLTOU ATRÁS…


O SBT, que tinha decidido não investir mais no programa ‘Você se Lembra?’, apresentado às segundas, voltou atrás e adquiriu a terceira temporada da atração de Zé Américo, que agora vai até o fim de janeiro.


…E O CABRINI?


Com isso, ‘Conexão Repórter’, que estrearia no dia 26 no lugar da atração, será apresentado em edições especiais mensais, até o lançamento da nova grade do SBT, o que deve ocorrer em fevereiro de 2010.


TETRAPLEGIA, NÃO


Em entrevista na semana passada, Manoel Carlos, autor de ‘Viver a Vida’, se confundiu. Disse que uma personagem ficará tetraplégica, com a perda de função das pernas -o que é na verdade a paraplegia.


FESTA NO PISCINÃO


Já tem data e local o aniversário de nove anos do programa ‘Altas Horas’, de Serginho Groisman: dia 8 de novembro, no Piscinão de Ramos, no Rio de Janeiro. A intenção do apresentador é fazer uma festa gratuita e popular, levando nomes famosos da música.


SINAL ABERTO


O canal de entretenimento Vh1 terá o sinal aberto na TVA durante um mês, a partir de 3 de novembro. Pela Net, no último fim de semana do mês, para todos os assinantes, e do dia 20 ao 30, para pacotes digitais.


DE VOLTA AO SOFÁ


Apenas hoje, o tradicional sofá para recepção de convidados do programa ‘Hebe’ estará de volta, depois de seis meses sem ser usado.’


 


 


REVISTA


Folha de S. Paulo


MIS faz lançamento de revista de música hoje


‘‘Mbaraka’ é como os guaranis chamam um tipo de chocalho usado em rituais religiosos com música e dança. É também o nome da revista de música clássica e dança que a Fundação Padre Anchieta lança hoje, às 19h, no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo.


A publicação tratará da história, de fatos e de personalidades dessas duas artes. ‘A ideia é que seja um canal adicional de comunicação com o público da rádio Cultura FM e também um instrumento de captação de recursos’, diz Paulo Markun, presidente da Fundação Padre Anchieta e diretor da revista. A edição fica a cargo de Gioconda Bordon e João Marcos Coelho.


A proposta, diz Markun, não é fazer difusão, e sim fidelizar um público que já tenha interesse por esses assuntos. ‘O diferencial é a abordagem segmentada, com linguagem atraente, em reportagens como a sobre o maestro que é surfista [o gaúcho Dimitri Cervo] ou as capas de disco de vinil que são verdadeiras obras de arte.’


A primeira edição homenageia Heitor Villa-Lobos, cujos 50 anos de morte são lembrados em novembro, e inclui entrevista com Yan Pascal Tortelier, maestro da Osesp. A dança aparece em páginas como as do ensaio do fotógrafo italiano Emidio Luisi, que se dedicou a registrar imagens de palco.


Trimestral, vendida em livrarias e bancas, a revista não incluirá agenda de eventos. Estes, assim como a ‘trilha sonora’ da edição impressa, poderão ser conferidos pelo site www.tvcultura.com.br/mbaraka.


MBARAKA


Quanto: R$ 75 (234 págs.)


Lançamento: hoje, às 19h, no Museu da Imagem e do Som (av. Europa, 158, Jardim Europa; tel. 0/xx/ 11/2117-4777)’


 


 


GOOGLE


Ronaldo Lemos


Aqui e agora


‘Vale fazer um experimento. Procure no Google por uma banda nova, como os ingleses do XX. Em primeiro lugar, vai aparecer o MySpace da banda, depois seu site oficial, seguido de alguns posts de blogs maiores. O problema desses resultados é que eles são quase estáticos. Quem procurar pela mesma banda daqui a três meses vai encontrar praticamente a mesma informação, já que a ordem de busca do Google muda muito lentamente.


Agora procure no buscador do Twitter.


A perspectiva é bem diferente. Vai ter gente descrevendo o show que aconteceu na noite anterior (ou que está acontecendo naquele momento). Outros dizendo que estão ouvindo a banda, gostando ou não gostando.


Dá até para medir a popularidade dela, verificando de quanto em quanto tempo ela é mencionada (na semana passada havia cerca de 20 menções por hora, nada mal).


Nessa brincadeira, está acontecendo algo quase impensável. O Google está ficando para trás, ainda que temporariamente, no mercado de ‘busca em tempo real’. E esse mercado vai ser cada vez mais importante e útil, inclusive para pequenas coisas.


Já vi gente que só sai de casa para ir a um show quando tem certeza de que a banda de abertura (menos interessante) já está terminando de tocar. E como saber? Buscando no Twitter. Isso muda também a forma como a mídia tradicional é consumida. Quando a MTV fez a entrega dos prêmios do VMB deste ano, o que mais me chamou a atenção foram os 2.000 posts gerados por minuto quando ele estava no ar.


É um mercado em plena transformação e aberto para quem tiver a melhor ideia.


Até há pouco tempo, o Technorati, site que busca o que as pessoas estão falando nos blogs, era a melhor ferramenta. A competição agora é entre o Twitter e o Facebook (que também está apostando no ‘aqui e agora’). O Google obviamente deve se mexer em breve. Enquanto isso, fico curioso para saber se há muitos projetos no Brasil pensando nisso.


O momento é agora.’


 


 


NEW YORKER


Álvaro Pereira Júnior


Um gringo explica a bandidagem carioca


‘‘Madeiros’ é um sobrenome brasileiro. Carro de defuntos se chama Ravecão (com maiúscula e ‘v’). Macumba é uma religião. O Brasil tem uma rede de TV chamada ‘O Globo’. Boca de fumo, em inglês, é ‘mouth of smoke’.


Estas são imprecisões de uma reportagem polêmica de Jon Lee Anderson, ‘Gangland’, sobre o Rio, publicada na revista ‘The New Yorker’ de 5/10.


Mas os erros não desmerecem o texto, excelente. A missão: explicar o Brasil (ou melhor, o Rio) para americanos. Não é fácil. Em 12 páginas, Anderson fornece contexto histórico, entrevista figuras relevantes, explica a diferença entre o tráfico colombiano (produtor) e brasileiro (importador) e, principalmente, chega ao bunker do ‘überchefe’ do tráfico no Morro do Dendê, Fernandinho Guarabu, um dos bandidos mais procurados do Rio.


A reportagem causou encrenca em terras cariocas. Saiu na semana da decisão sobre a Olimpíada de 2016. Criaram-se teorias conspiratórias. Tudo faria parte de um plano internacional para desmoralizar o Rio e o presidente Lula. Delírio.


Mas se o texto é tão bom, por que abri a coluna destacando seus erros? Pela ironia de o ‘fact-checking’ (checagem de informações) da ‘The New Yorker’ ser lendário pelo rigor. O protagonista de um livro que marcou minha geração, ‘Bright Lights, Big City’, de Jay McInerney, era justamente ‘fact-checker’ de uma revista tipo ‘The New Yorker’, e o trabalho o massacrava.


‘Ravecão’ é fácil explicar. A maiúscula é analogia com Caveirão. Anderson não sacou que rabecão é palavra de dicionário, não apelido popular. E o ‘v’ é porque o repórter deve falar espanhol, em que ‘v’ e ‘b’ têm o mesmo som.


Em ‘mouth of smoke’ como boca de fumo, ‘mouth’ entrou em tradução literal. E houve claramente uma confusão com a palavra espanhola ‘humo’, fumaça. Talvez ‘drug alley’, beco das drogas, fosse melhor.


Enfim, detalhes. A reportagem é exemplar. Leia.’


 


 


 


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