Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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09/09/2008 na edição 502


HINOS
Deonísio da Silva


Hinos nacionais: do Brasil e de Portugal, 7/9


‘A música de nosso Hino Nacional, tão bonita, foi composta pelo maestro
Francisco Manuel da Silva, mas para celebrar o príncipe português Dom Pedro I,
quando ele proclamou nossa independência, em 1822, dia 7 de setembro, data que
hoje celebramos.


O maestro guardou a música por quase 8 anos e somente a apresentou ao público
no dia 13 de abril de 1831, na cerimônia da partida de Dom Pedro I para
Portugal, onde assumiria o trono.


O Hino não tinha letra oficial, mas, tocado durante todo o período imperial,
passou a ter diversas letras, nenhuma delas, conforme a ocasião. Tocamos e
ouvimos o Hino, sem cantar, porque não havia letra oficial, até 1909.


O marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente da República, organizou um
concurso para o Hino Nacional. Mas não gostou da música vencedora e manteve a
outra, a do Império que derrubara, por meio do Decreto 171. Bom número, hein,
para ‘roubar’ um Hino e ‘fraudar’ um concurso. Nossa República, que começou com
um golpe de Estado, continuou aprontando das suas nos primeiros tempos. Aliás,
nunca mais parou.


Enfim, em 1909, a o professor Osório Duque Estrada fez uma letra para aquela
música, que tinha os mesmos acordes retumbantes e bonitos que ainda hoje
ouvimos.


Mas o Hino Nacional que cantamos não segue o original do autor. No conto
clássico Brás, Bexiga e Barra Funda, do escritor Antônio de Alcântara Machado,
publicado em 1927, alguns soldados cantam a versão original: ‘Ouviram do
Ipiranga as margens plácidas/ Da independência o brado retumbante’.


Joaquim Osório Duque Estrada era professor de português no Colégio Pedro II.
Seu original prova que ele não perpetrou cacófato. Mas, quando ela foi
oficializada, em 1922, já tinham sido feitas muitas alterações. Ele mesmo,
Joaquim Osório, o autor, fez 11 alterações no original. Mas não a do cacófato,
perpetrado logo nos primeiros versos: ‘Ouviram do Ipiranga as margens plácidas,/
de um povo heróico o brado retumbante’. ‘Heróico o brado’ soa ‘herói cobrado’.


A mesma música tivera no passado os seguintes nomes: Hino do Império, Hino 7
de Abril, Hino da Proclamação da República.


O presidente Epitácio da Silva Pessoa enfim o oficializou como Hino Nacional
em 6 de setembro de 1922. A primeira gravação foi feita no dia 4 de janeiro de
1901, na Alemanha, pela Banda Municipal Militar de Londres.


Já o Hino Nacional de Portugal, nossa pátria-mãe, da qual um dia nos
independemos, o que nem todos os filhos fazem, aliás, mas o Brasil fez, foi
criado no dia 11 de janeiro de 1890. A Inglaterra, por telegrama, mandou que
Portugal desocupasse os territórios hoje conhecidos pelos nomes de Zâmbia,
Zimbábue e Maluí, sob pena de intervenção militar. Portugal saiu correndo, mas o
povo português ficou indignado com tal subserviência. Então um músico chamado
Alfredo Keil, indignado, compôs uma música de guerra. Depois foi à casa do poeta
Henrique Lopes de Mendonça e pediu que ele fizesse uma letra para aquela
música.


O poeta fez três estrofes e um estribilho. O estribilho diz: ‘Às armas! Às
armas!/ Sobre a terra, sobre o mar./ Às armas! Às armas!/ Pela pátria lutar!/
Contra os canhões, marchar, marchar!’.


E logo na primeira estrofe diz: ‘Heróis do mar, nobre povo/ Nação valente,
imortal,/ Levante hoje de novo,/ O esplendor de Portugal!/ Entre as brumas da
memória./ Ó Pátria, sente-se a voz,/ Dos réus egrégios avós,/ Que há-de guiar-te
à vitória’.


E o Hino de Portugal termina assim: ‘Raios dessa aurora forte/ São como
beijos de mãe,/ Que nos guardam, nos sustêm,/ Contra as injúrias da sorte’.


Meus leitores e leitoras, desejo um bom domingo a todos e finalizo a coluna
com estes versos do maior gênio que a aquela outra pátria nossa por tanto tempo,
mãe e descobridora, nos deu: ‘Os deuses vendem quando dão,/ Compra-se a glória
com desgraça,/ Ai dos felizes porque são/ Só o que passa./ Baste a quem baste o
que lhe basta,/ O bastante de lhe bastar!/ A vida é breve, a alma é vasta:/ Ter
é tardar’. (xx)’


 


 


 


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