Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 30 E 31/1

Primeira Página

02/02/2010 na edição 575

LITERATURA
Deonísio da Silva

J. D. Salinger e seu livro de referência

‘Ele era mais conhecido como J. D. Salinger (1919-2010), já que não assinava o nome inteiro, Jerome David. Era filho de judeus de ascendência polonesa, o pai; e escocesa e irlandesa, a mãe.

Em 1951, aos 32 anos, lançou o romance pelo qual se tornaria mais conhecido, O apanhador no campo de centeio, que continua vendendo um milhão de exemplares a cada quatro anos e é um dos livros mais lidos pelos adolescentes da Galáxia Gutenberg. Todo escritor tem um livro que é sua obra de referência e este era o dele.

Salinger foi autor de poucos livros, e o último, a novela Hapworth 16, foi publicado em 1965 e apenas em jornal, escrito em forma de carta que um menino de apenas sete anos envia para sua família.

Alguns urubus rondam O apanhador no campo de centeio. Mark Chapman, o assassino de John Lennon, confessou que estava lendo este livro enquanto planejava o próprio suicídio, mas que durante a leitura mudou de ideia e resolveu matar o Beatle.

O homem que atirou no presidente Ronald Reagan, em 1981, também declarou que seu ato tinha sido inspirado pela leitura do romance.

No filme Teoria da Conspiração, de Mel Gibson, um motorista de táxi que sofre de psicose, com mania de perseguição, compra todos os dias um exemplar do romance, guardando milhares deles em casa, e é por isso que é descoberto por seus inimigos, que por pouco não o matam. Os psicóticos costumam ser vítimas do que temem, pois vão construindo o contexto em que se enredam.

Qual é a graça de O apanhador no campo de centeio? Holden Caulfield, um adolescente já grandinho, de 16 anos, foge do internato um pouco antes do inverno, depois de ter sido reprovado de novo em quase todas as matérias. Ele já tinha sido expulso uma vez. Antes de encontrar os pais, procura três pessoas nas quais confia: um professor, um antiga namorada e a irmã.

Salinger não queria nada com a mídia. Foi morar isolado numa casinha no alto de uma montanha, numa pequena cidade chamada Cornish, em New Hampshire, nos EUA. Viveu praticamente recluso as últimas três décadas.

Numa entrevista que concedeu por telefone, em 1974, declarou que era maravilhoso não publicar nada. ‘Publicar é uma terrível invasão da minha privacidade. Eu gosto de escrever. Eu amo escrever. Mas eu escrevo apenas para mim e para meu próprio prazer’. Como se vê, é no mínimo estranho que um escritor não queira publicar e queira escrever somente para si mesmo.

Em 1972, aos 53 anos, começou a namorar Joyce Maynard, de apenas 18. Algumas cartas que ele escreveu para a menina foram leiloadas em 1999 por 150.000 dólares. O relacionamento terminou na década de 1980, quando casou-se com Collen O’Neill, com quem viveu até o fim, que para ele chegou na quinta-feira passada.

Vejam como o garoto que narra a história de O apanhador no campo de centeio define um bom escritor: ‘Bom mesmo é o livro que, quando a gente acaba de ler, fica querendo ser um grande amigo do autor, para poder telefonar para ele toda vez que der vontade. Mas isso é raro de acontecer’.’

 

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