Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 6/03

Publicidade cresceu 15%
em 2006, revela Ibope

Por Luiz Antonio Magalhães em 06/03/2007 na edição 423


Leia abaixo os textos de terça-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 6 de março de 2007


PUBLICIDADE
Marili Ribeiro


Ibope diz que mercado de publicidade cresceu 15,5%


‘O mercado publicitário brasileiro cresceu 15,5% no ano passado em relação a 2005. O investimento total dos anunciantes foi de R$ 39,821 bilhões, segundo dados divulgados pelo instituto Ibope Monitor. ‘Foi um crescimento expressivo, se considerarmos que a economia do País deixou a desejar’, diz Dora Câmara, diretora do Ibope. ‘É lógico que o meio publicitário no Brasil ainda tem uma participação pequena no PIB (cerca de 1%), mas é um mercado que vem mantendo crescimento contínuo e tem muito a expandir.’


As projeções feitas por alguns analistas no início do ano passado indicavam que a expansão poderia chegar a 20%. Nessas contas, os especialistas levavam em conta especialmente a Copa do Mundo – realizada no meio do ano, na Alemanha -, que sempre faz aumentar a geração de receita no meio publicitário. Porém, 2006 também foi ano de eleições, o que sempre acaba por travar boa parte dos negócios.


Os dados aferidos pelos Ibope Monitor têm por base a fiscalização de tudo o que foi veiculado nos diversos meios de comunicações, com os preços dos espaços e custos medidos a partir das tabelas dos veículos. Não se leva em consideração os descontos, uma prática comum no meio. Por isso, os números são considerados apenas para referência.


A liderança do mercado publicitário, segundo o levantamento do Ibope Monitor, continua nas mãos do varejo, que detém 27% do valor investido em publicidade. As verbas de 2006 do setor atingiram R$ 10,8 bilhões, ante R$ 9,7 bilhões no ano anterior.


Embora a lista dos maiores anunciantes e das maiores agências ainda não tenha sido liberada pelo instituto, Dora confirma que as Casas Bahia permanecem como o anunciante que mais gastou em publicidade no ano passado. No varejo, o Grupo Pão de Açúcar e a rede Ponto Frio também merecem destaque.


Em segundo lugar, aparece o mercado financeiro e de seguros, com 8% do total das verbas, ou R$ 3,2 bilhões (ante R$ 2,6 bilhões no ranking anterior). Ultrapassou este ano o segmento de serviços ao consumidor, que abrange a área de educação e saúde – os investimentos em propaganda desse segmento totalizaram R$ 2,9 bilhões, ante R$ 2,7 bilhões realizados em 2005. Na seqüência vêm os segmentos de cultura, lazer, esporte e turismo, com R$ 2,7 bilhões e o segmento de veículos, peças e acessórios, com 2,3 bilhões.’


O TEXTO, OU: A VIDA
Patrícia Villalba


Memórias, ou a vida entre livros


‘Médico que se tornou escritor ou um escritor que se tornou médico, o gaúcho Moacyr Scliar comemora seus 70 anos, que se completam no dia 23, cada vez mais convencido de que não há mesmo muita divisão entre sua obra, vida pessoal e trajetória profissional. Tanto que o título de sua autobiografia – O Texto, Ou: A Vida – remete à primeira vista ao menino que cresceu admirando profundamente escritores e acabou se tornando um deles. O livro, que chega na semana que vem às livrarias, pela editora Bertrand Brasil, mistura as memórias do autor a um apanhado de textos escolhidos, que acabam servindo como ilustração de sua própria história de vida.


Ocupante da cadeira de número 31 da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 2003, Moacyr Scliar recebeu o Estado em seu apartamento, em Porto Alegre, para uma conversa sobre a escolha da medicina, literatura, inspiração, enfim, sobre a vida.


Como está recebendo os 70 anos?


Acho que o termo melhor talvez seja tranqüilidade. Tem muitas maneiras de ver os 70, é um aniversário que tem um conteúdo simbólico muito grande. Sou médico e, como médico, sei que isso significa, por exemplo, que a expectativa de vida no Rio Grande do Sul é de 70 anos. Então, é um limiar. Por outro lado, também significa que a gente acumulou um patrimônio cultural e espiritual formado por tudo o que a gente fez na vida. No meu caso, são os livros que escrevi e meu trabalho na saúde pública, mas também minha família, meus amigos. É claro que 70 anos inevitavelmente estão associados à velhice, que te remetem à limitação física e à inevitável lembrança da finitude, da morte. Por outro lado, eu me sinto muito bem. O segredo da coisa está em a gente ver a velhice com seus ganhos e suas perdas. E, no meu caso, o saldo é positivo.


No livro, o sr. fala sobre sua angústia infantil a respeito da eternidade, quando o menino judeu vai estudar num colégio católico e se depara com uma religião totalmente nova para ele. Não é no mínimo curioso que, tantos anos depois, tenha se tornado um imortal?


Essa coisa de imortal é curiosa. Ontem mesmo estava vindo do Rio, aliás, de uma reunião da academia, e quando entrei no avião me reconheceram e alguém disse ‘esse avião não vai cair, porque tem um imortal a bordo’. Sempre tem alguém que faz essa brincadeira. Sabe que, no fundo, as pessoas acreditam um pouco nisso, nessa coisa de imortalidade, de permanecer através da obra. Não é verdade. A academia não te promete a imortalidade, o lema dela é ‘para imortalidade’, ‘ad imortalitatem’ – eles prometem, mas não cumprem. Então, essa coisa de pensar em trabalhar para o futuro, para que te reconheçam daqui a 50 anos, é um sentimento ilusório. As pessoas devem viver atentas à realidade e tentar modificar essa realidade. É um sentido prático que eu adquiri trabalhando como médico. O escritor pode pensar mais a longo prazo, mas o médico tem de tratar do doente agora. Então, aprendi a resolver problemas agora.


O senhor fala também sobre a escolha da medicina, e dá para perceber que foi uma escolha influenciada pela literatura, não?


Sim, mas não é exceção. Na minha geração, a gente lia certos livros, e um deles nos influenciou demais, Olhai os Lírios do Campo, do Érico Veríssimo. É a história de um jovem médico, apaixonado por uma médica, uma história comovente, que fez a cabeça dos jovens da época. Muitos entraram para a faculdade de medicina por causa do livro, com a figura daquele jovem médico na cabeça. O que mais me atraiu na medicina foi a dimensão humana, a possibilidade de mergulhar na natureza humana, de conhecer as pessoas como elas realmente são. Porque quando a pessoa está doente, sobretudo muito doente, ela se revela, as máscaras caem por completo. Ninguém consegue aparentar o que não é quando está numa UTI de um hospital. Para mim, isso foi muito importante. E eu sou de uma geração muito militante do ponto de vista político, de esquerda. Participei de muitos eventos que abalaram o País, principalmente nos anos 60. Em 1961 houve uma tentativa de golpe, houve um movimento de resistência democrática que nasceu aqui em Porto Alegre. Eu estava lá, como também estava na resistência ao golpe de 1964. A idéia era de que a gente vivia num país desigual e eu precisava dar minha colaboração como médico.


Por isso optou pela saúde pública?


Sim. Foi uma decisão da qual eu nunca me arrependi. A idéia de você abordar uma doença na população é muito gratificante. Me lembro que quando resolvi fazer saúde pública, médicos mais velhos me aconselhavam a não fazer isso. Porque é uma área que paga pouco, e onde os recursos são escassos e o componente político é muito forte. Sofri com esses problemas, mas não me arrependi porque estou convencido de que a saúde pública é muito importante para o Brasil. Dei minha contribuição.


Depois, com a abertura política, o sr. abandonou a política, não militou mais?


Não, nunca fui de partido. Meu temperamento não é adequado para essas coisas de intrigas, conchavos, isso sempre me desgostou. Procurava estar presente na luta por determinadas causas, mas não gostava do cotidiano partidário.


Os livros que coincidem com essa época são engajados, mas o fato é que sua obra vai ficando mais doce com o tempo. Poderia dizer, então, ela estava mais contaminada pelo discurso engajado naquela época?


É verdade. Mas você tem de entender que essa é a trajetória da minha geração. Nascemos na queda do nazismo, depois vimos a revolução russa e cubana. Os jovens ficavam muito entusiasmados com isso. Eu estava convencido que a solução era o socialismo, e depois fui me desiludindo. Muitos passaram para o extremo oposto, foram para a direita. Não é o meu caso. Acho que a esquerda pode ter errado, mas os seus objetivos são ainda justificáveis. O que não funcionou foi a prática.


Lendo o livro, dá para perceber o fascínio que o sr. tem pela figura do escritor. Sei que além de escritor, o sr. é estudioso de literatura. Ainda se mantém fascinado pelos mestres?


Esse fascínio envolve muitas coisas que fazem parte do ser humano e são desafiantes. O escritor é um cara que lida com a criatividade. Não é só ele, mas o processo pelo qual nasce uma idéia e esta se transforma numa história é fascinante. Sempre tive essa admiração por escritores e continuo tendo. Há escritores que eu olho não como escritor, mas como se eu fosse um garotinho. Kafka, por exemplo, sempre foi um mestre (aponta uma prateleira só de livros dele na estante). Tem coisas dele que eu conheço de cor.


Acredita que haja uma fonte de inspiração para cada escritor?


Acredito em inspiração, mas não como uma coisa exterior que chega a você. Acho que inspiração é um processo pelo qual você tem acesso, ainda que momentaneamente, àquele compartimento da sua mente que estava oculto ou inconsciente.


O sr. está republicando textos antigos. Costuma guardar originais?


Sim, esses estavam amarelados. Eu reluto em reler as coisas que escrevi. Tenho um livro que nunca mais deixei publicar, que escrevi quando era estudante de medicina. É sobre minhas experiências como médico iniciante. No fim do curso, os colegas insistiram para que eu lançasse um livro, que até teve sucesso, porque meus pais obrigaram toda a vizinha a comprar. Mas, relendo, percebi a precariedade. Dominar a arte de escrever demanda treino. Até os primeiros textos do Machado de Assis são patéticos. Não guardo tudo o que escrevi, mas o que posso. Há uns seis meses, doei meus originais – que não vão mais existir por causa dos computadores – para a PUC, que vai organizar um arquivo.’


PALAVRA CRUZADA
Ubiratan Brasil


O difícil e fascinante jogo da entrevista


‘Ney Matogrosso tratou abertamente de sua sexualidade, inclusive do relacionamento com Cazuza. Já Mano Brown confessou sobre sua luta contra o ódio que o assolava contra o preconceito. Antônio Fagundes, porém, não abaixou a guarda e respondeu burocraticamente a todas as perguntas. A arte de entrevista exige um acordo tácito, ainda que de validade momentânea, entre o entrevistador e o entrevistado. O respeito mútuo é a chave do sucesso de um trabalho honesto e revelador. É o que comprova o repórter Júlio Maria que, desde outubro de 2004, publica às segundas-feiras uma grande entrevista no Jornal da Tarde. A lista já ultrapassa as 130 e as 50 mais representativas foram selecionadas por Júlio para formar o livro Palavra Cruzada (Editora Seoman, 303 páginas, R$ 25), que será lançado hoje à noite, na Fnac Paulista.


‘São aquelas que acreditei ter uma força perene e não datada’, conta o repórter, que aprimorou sua técnica justamente com a prática – no prefácio, ele conta como descobriu a necessidade de, nos primeiros 20 minutos de conversa, conquistar a confiança do entrevistado para então se sentir à vontade para tratar de assuntos considerados mais delicados, justamente aqueles em que o artista só trata se se sentir seguro diante da figura à sua frente.


Outra descoberta valiosa é a importância do silêncio. Os vagos momentos de uma conversa indicam uma reflexão do próprio entrevistado, que descobre verdades até então desconhecidas para si mesmo. A notável conversa com o ator Raul Cortez, quando ele julgava estar livre do câncer que infelizmente o vitimaria, é um exemplo do valor do silêncio.


‘Nenhuma pergunta é proibida’, acredita Júlio Maria que, mesmo previamente preparado (faz uma cuidadosa lista de perguntas antes de qualquer entrevista, procurando antecipar a reação do entrevistado), já enfrentou revezes, como a frustrante conversa com Antônio Fagundes. Trata-se, na verdade, de uma exceção – Júlio Maria oferece uma aula sobre a difícil arte de entrevistar.


(SERVIÇO)


Palavra Cruzada – O Jogo da Entrevista. De Júlio Maria. Editora Seoman. 313 págs. R$ 32. Fnac Paulista. Av. Paulista, 901, tel. 2123-2000. Hoje, 19 horas’


TELEVISÃO
Cristina Padiglione


Sky reúne boleiros


‘Montar mesa-redonda excepcionalmente por uma partida não é praxe. Mas, vá lá, quando o placar está aberto entre Real Madrid e Barcelona, vale a exceção à regra. Detentora no Brasil (e no restante da América Latina) dos direitos de exibição do Campeonato Espanhol, a Sky resolveu incrementar o bolo que lhe pertence ao promover uma mesa-redonda para a partida deste sábado, dia 10.


Eis a escalação da Sky para a ocasião: Orlando Duarte, tradicional jornalista do ramo, leva nas costas a cobertura de 12 Copas do Mundo e de 9 Olimpíadas; Mauro Silva, ex-volante do La Coruña e da seleção brasileira tetracampeã; Evaristo de Macedo, que jogou pelas duas camisas espanholas do duelo em foco; Luiz Pereira, zagueiro da seleção na Copa de 1974; e, fechando o time e equilibrando o ritmo da boa prosa, o cantor Léo Jaime.


A exibição do jogo, a partir das 18h, estará disponível no formato Widescreen, em 16 por 9. A Sky contratou o narrador Maurício Bonato e o comentarista Clio Levi, especializados em Campeonato Espanhol. A transmissão é aberta a todos os assinantes da nova Sky, ou seja, aquela que resulta da fusão com a DirecTV, pelo canal 128.


SS não fez a ‘concorrência tremer’


Silvio Santos retornou à sua antiga fórmula de dominar as tardes de domingo no SBT para ‘fazer a concorrência tremer’. Mas, anteontem, a Globo seguiu líder e a Record manteve o segundo lugar nos horários em que foram exibidos Rei Majestade, Topa ou não Topa e Tentação, no SBT – apresentados por Silvio. O primeiro obteve 7 pontos de média, 1 ponto atrás de Tudo É Possível, da Record. O programa de Eliana bateu ainda Topa ou não Topa por 9 a 8 pontos e o Tentação por 8 a 6. Eliana ainda venceu o Domingo Legal de Gugu por 10 a 6.


entre-linhas


Ainda com o canal de notícias RecordNews em mente, executivos da Record foram até o Canadá conhecer os estúdios da CBC (Canadian Broadcasting Corporation), maior TV do país, e também da Chum City TV, canal local de Toronto. Ontem, eles visitaram a sede da Avid, em Boston, nos Estados Unidos.


A estréia do Hoje em Dia às 8h30, ou seja, meia hora mais cedo, ontem, na Record, foi bem avaliada pela direção da casa. O programa, concorrendo com Ana Maria Braga e Xuxa, empatou com a Globo em 7 pontos, segundo a prévia de audiência instantânea do Ibope em São Paulo.’


INTERNET
O Estado de S. Paulo


Hacker rouba dados sigilosos de Le Pen


‘A polícia francesa informou ontem que um hacker invadiu um computador do escritório do líder ultradireitista francês Jean-Marie Le Pen e roubou lista com nomes de pessoas que apóiam a candidatura do político à presidência. Le Pen tem até o dia 16 para ganhar apoio de pelo menos 500 dos 42 mil legisladores e prefeitos eleitos na França para se tornar candidato.’


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 6 de março de 2007


TELEVISÃO
Laura Mattos


Classificação esbarra em decreto de Lula


‘O cumprimento da nova portaria de classificação de programas de televisão, que entra em vigor a partir de 13 de maio, pode esbarrar em um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2005.


A portaria 264 do Ministério da Justiça determina que as TVs respeitem os diferentes fusos horários do país. Isso quer dizer que uma novela classificada para as 21h (inadequada a menores de 14 anos), por exemplo, não poderá mais ser veiculada às 20h em Estados do Centro-Oeste e Norte ou às 19h no Acre e em parte do Amazonas.


Para respeitar essa norma, TVs locais terão que gravar a programação gerada pelas redes e transmiti-la com atraso. Para que os telejornais sejam veiculados ao vivo, seria necessária também uma mudança na grade de programação.


Algumas TVs locais, contudo, são autorizadas somente a realizar uma transmissão simultânea da programação da rede, conforme decreto 5.371, assinado por Lula em fevereiro de 2005, que regula serviços de retransmissão e repetição de TV.


Consultado pela Folha, o Ministério das Comunicações, que concede autorizações a retransmissoras e fiscaliza seu funcionamento, confirmou, por meio de assessoria, que pode haver incoerência entre o cumprimento da portaria do Ministério da Justiça e a legislação das retransmissoras.


A Folha apurou, no entanto, que a pasta das Comunicações apóia as novas regras de classificação e está disposta a ajustar normas técnicas para que o fuso horário seja respeitado.


As conseqüências desse conflito legal são mais políticas do que técnicas. As TVs poderão usar a incoerência em uma futura batalha jurídica contra a portaria. Além disso, Lula talvez tenha de se manifestar sobre o tema, visto que se trata de um decreto presidencial que teria de ser reformulado. Apesar de a portaria ter sido determinação de sua gestão, o presidente até agora preferiu manter distância da polêmica que tanto desagrada as redes de TV.’


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MTV estuda caso de Cuiabá e Manaus


‘A MTV, única rede comercial que apóia a portaria de classificação, avaliará com as retransmissoras como respeitar os fusos.


A MTV não terá a mesma dificuldade do que outras redes, visto que cobre apenas 40% do país. Segundo Zico Góes, diretor de programação, serão afetadas as MTVs de Manaus e Cuiabá (uma hora a menos do Brasília). ‘Se for necessário um ajuste, vamos buscar uma solução com as afiliadas.’’


INTERNET
Folha de S. Paulo


Falso professor provoca crise de credibilidade na Wikipédia


‘DO ‘INDEPENDENT’ – A Wikipédia enfrenta uma das maiores crises de sua trajetória após descobrir que um estudante do Estado americano de Kentucky, de 24 anos, se passava por um renomado professor de teologia ao escrever na enciclopédia virtual. Ryan Jordan, um dos 75 mil colaboradores permanentes da Wikipédia, alterou mais de 20 mil tópicos controversos do site.


Apesar de qualquer pessoa poder alterar os 5,3 milhões de artigos da Wikipédia, os colaboradores têm mais privilégios nas modificações feitas em artigos controversos.


Ele podia interferir em disputas entre outros usuários do site sobre temas religiosos e era encarregado de evitar o vandalismo contra a enciclopédia. Usando o pseudônimo ‘Essjay’, Jordan recorria a livros como ‘Catholicism for Dummies’ (Catolicismo para idiotas) para corrigir os artigos.


Jordan chegou a ser mencionado em uma reportagem da revista ‘New Yorker’ como especialista. A revista teve que se retratar em uma nota do editor. ‘Ele não possui nenhum título acadêmico. Ele nunca foi professor’, reconheceu a revista.


O fundador da Wikipédia, Jimmy Wales, pediu que Jordan deixe seu posto de voluntário e defendeu que os editores passem a ter que comprovar suas credenciais e identidades. ‘Eu posso mandar uma cópia do meu diploma por fax para o escritório’, sugeriu Wales.


Enquanto muitos usuários defenderam o estudante, afirmando que o seu julgamento editorial nunca foi questionado, outros expressaram um sentimento de traição. Jordan fez uma última inclusão na Wikipédia no sábado à noite. ‘Eu espero que as outras pessoas redirecionem a energia que gastaram nos últimos dias para me defender e me denunciar para fazer alguma coisa boa para a Wikipédia’, escreveu.’


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Microsoft diz que Google tem posição ‘arrogante’


‘A Microsoft vai partir para o ataque contra o Google. Segundo o ‘Financial Times’, a empresa de Bill Gates vai afirmar que a rival age com ‘arrogância’ em casos envolvendo direitos autorais e vai acusá-la de usar, sem autorização, material como livros, filmes e programas de TV.


‘Companhias que não criam conteúdo e fazem dinheiro à custa do material produzido por outras pessoas estão ganhando bilhões por meio de publicidade e IPO [sigla em inglês para oferta pública inicial de ações]’, enquanto autores e editores enfrentam dificuldades para cobrir seus custos, dirá hoje Tom Rubin, advogado da Microsoft, de acordo com o jornal britânico.


A declaração de Rubin será feita durante o encontro anual da AAP (a associação de editores dos EUA). Esse organismo apóia um grupo de editores e outro de autores em processos contra o Google por fazer cópias digitais de livros sem a autorização prévia dos detentores de seus direitos autorais.


No discurso de hoje, ele dirá que a decisão do Google de digitalizar todos os livros de uma série de bibliotecas, salvo em casos em que é desautorizado pelos editores, ‘viola sistematicamente os direitos autorais, retira de autores e editores uma importante fonte de faturamento e, ao fazer isso, diminui os incentivos para criação’.


Para Rubin, o Google está violando a lei de direitos autorais porque ‘está se concedendo unilateralmente o direito de fazer cópias na íntegra de livros protegidos por direitos autorais’.


O Google disse anteriormente que acreditava estar agindo legalmente e eticamente ao permitir o acesso a pequenos trechos de livros. Ele afirmou também que retira imediatamente da internet o material quando solicitado por editores. Sobre as críticas de faturar com o material alheio, o Google rebate, dizendo que seu sistema de publicidade na internet gerou US$ 3,3 bilhões para outros sites no ano passado.


Os ataques contra o Google por não respeitar direitos autorais têm crescido nos últimos meses, especialmente depois da aquisição do YouTube no final do ano passado.


No começo de fevereiro, a Viacom, dona de canais de TV como MTV e Nickelodeon, pediu para que fossem retirados do site 100 mil vídeos. Anteriormente, uma associação japonesa tinha solicitado que 30 mil vídeos fossem removidos.


O site de vídeos também fará parte das críticas a serem feitas hoje por Rubin. Para o representante da Microsoft, ‘qualquer pessoa que visitar o YouTube vai reconhecer imediatamente a mesma posição arrogante em relação aos direitos autorais’.


Enquanto o YouTube enfrenta problemas com a veiculação de material não-autorizado, a Microsoft mandou na semana passada uma carta para representantes de grandes empresas de mídia. No documento, a companhia se dispõe a colaborar na eliminação da pirataria no Soapbox, o novo site de vídeos da Microsoft.


Além dos problemas com vídeos e livros, o Google, que na semana passada assinou um acordo para veicular material da TV britânica BBC, enfrenta dificuldades com seu site de notícias. Em fevereiro, a Justiça belga determinou que a empresa retire do Google News os links de manchetes dos jornais locais que não autorizarem sua publicação.


Se a decisão permanecer nas instâncias seguintes, o caso pode abrir um precedente nos processos que envolvem serviço de busca de notícias na web. A France Presse tem ações similares contra o Google.’


NYT & GRAMPO
Folha de S. Paulo


Funcionário do Wal-Mart é acusado de grampear ‘New York Times’


‘O Wal-Mart anunciou ontem que demitiu um técnico em computação que, segundo a empresa, gravou as conversas telefônicas entre o seu serviço de assessoria de imprensa e um repórter do ‘New York Times’. Além disso, o funcionário teria monitorado a troca de e-mails.


O Wal-Mart, que não revelou o nome do funcionário demitido, afirmou que as investigações internas começaram em 11 de janeiro, depois que foram feitas reclamações sobre o assunto.


Segundo a empresa, as gravações telefônicas começaram em setembro do ano passado e duraram até janeiro deste ano.


O Wal-Mart, a maior cadeia varejista do mundo, não revelou o nome do jornalista que teve suas conversas gravadas, mas o ‘New York Times’ disse que foi Michael Barbaro, o repórter responsável pelas reportagens do setor de varejo no jornal.


Em comunicado, uma porta-voz afirma que o jornal está ‘preocupado com o que parece ser gravações inapropriadas de conversas de nosso repórter’. ‘Até este momento, não sabemos vários dos fatos principais, como qual era o propósito da gravação e se foi autorizada’, acrescentou o diário.


A porta-voz disse ainda que o jornal não pensa em tomar nenhuma medida legal contra o Wal-Mart.


A cadeia varejista afirmou que o ‘New York Times’ foi avisado do caso no início do dia de ontem.


Além das gravações telefônicas, as investigações do Wal-Mart apontaram que o técnico também monitorava trocas de e-mails e que algumas delas não envolviam funcionários da rede.


De acordo com o Wal-Mart, o monitoramento de mensagens que não envolvem seus funcionários não é permitido em nenhuma circunstância pela cadeia varejista americana.


O caso foi enviado para a Justiça dos Estados Unidos.’


JABÁ NOS EUA
Folha de S. Paulo


Rádios americanas pagarão US$ 12,5 mi por aceitar ‘jabá’


‘Ouvintes americanos exasperados por ouvir a mesma música dezenas de vezes no rádio podem ter algo a comemorar: acordos entre o governo dos EUA e as emissoras podem alterar as listas das ‘mais tocadas’.


A quarta maior companhia da área terá que pagar ao governo US$ 12,5 milhões, além de providenciar 8.400 inserções de meia hora para gravadoras independentes e artistas locais por ter aceitado ‘jabá’ -dinheiro ou outra remuneração de gravadoras em troca da veiculação de suas músicas. Ainda cabe recurso à decisão.’


TV CULTURA
Renata Lo Prete


Prospecção


‘José Fernando Perez, ex-diretor científico da Fapesp, foi sondado pelo secretário João Sayad (Cultura) para presidir a Fundação Padre Anchieta, que administra a TV Cultura de SP.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Vocês têm um amigo’


‘O dia abriu com o ‘Wall Street Journal’ avisando que George W. Bush se prepara para ‘reagir a Hugo Chávez’ com a viagem, mas ‘o presidente dos EUA pode se descobrir na defensiva’ nos aliados, Brasil incluído, ‘parada mais importante’.


Não demorou e o site do ‘WSJ’ e outros ecoavam o ‘Café com o Presidente’ em que Lula cobrou corte na tarifa do álcool brasileiro -ainda que só daqui a dois anos, segundo o ministro da Agricultura, na Reuters. Poucas horas mais e um alto assessor respondeu que ‘a tarifa não está em negociação’,ponto.


E Bush saiu gastando espanhol e assistencialismo. Sua mensagem, ‘vocês têm um amigo nos Estados Unidos da América’. No ‘Guardian’, ‘prometeu uma série de medidas para ajudar os pobres da América Latina’. No ‘Miami Herald’, ‘ele mirou os corações e mentes dos latino-americanos’.


SÓ O COMEÇO


Em reação às críticas de que Bush oferece relativamente pouco, executivos brasileiros de comércio exterior ouvidos pela BBC Brasil dão a visita como ‘excelente ponto de partida para uma relação mais profunda’ no álcool. E não escondem que estão de olho na meta de consumo nos EUA -de ‘132 bilhões de litros nos próximos dez anos’.


GRANDE ESTRAGO


Coluna do ‘Miami Herald’ saúda que agora ‘ao menos Washington parece entender melhor a América Latina’ -com promessas também de ‘justiça social’. Foram seis, sete anos de ‘negligência’, num ‘grande estrago’, como Bush ‘vai descobrir’.


OS PREDADORES


No ‘Café’, Lula pediu corte também nos subsídios para a agricultura americana, para avançar na rodada Doha. Mas aí, pelo que se lia ontem, o problema é a França, que está em campanha eleitoral.


A BBC deu que o ministro francês da agricultura, a uma rádio do país, chamou o Brasil de ‘predador agrícola’, junto com Argentina e Austrália. Se a carne brasileira entrar sem tarifa, ‘será a destruição total da produção francesa’.


E o presidente francês se declarou ‘chocado’, segundo o ‘Guardian’ de ontem, com o comissário comercial da União Européia, o britânico Peter Mandelson, que ‘não pára de querer ceder mais’ para EUA, Brasil etc.


A MENTIRA


independent.co.uk/Reprodução


Com a manchete ‘A grande mentira do combustível verde’, o ‘Independent’ foi ao ataque em reportagem desde São Paulo contra Bush e sua idéia de que ‘o etanol salvará o mundo’. Pelo contrário, ele até ‘poderá trazer novos problemas ao planeta’.


Em editorial, o jornal atenuou a crítica e disse que ‘o problema é que muitos americanos acham que é só questão de apertar o botão’ para os biocombustíveis, sem ‘alterar o estilo de vida’. O álcool ‘não salva o planeta, não sozinho’, é preciso ‘consumir muito menos também’.


ATAQUE FEROZ


Entrou de manchete no ‘Financial Times’, tarde da noite, ‘Microsoft ataca Google por copyright’. Em suma, no ‘ataque feroz’ uma gigante acusou a outra gigante de ‘explorar livros, música, filmes e programas de televisão sem permissão’. O alvo maior é o YouTube, no conflito aberto desde o anúncio por Bill Gates, em Davos, de que também vai priorizar TV pela internet.


NOVA ARISTOCRACIA


Do escritor Luis Fernando Verissimo, em entrevista à revista do FNDC, sobre web e política, com eco há vários dias pela blogosfera:


– Há uma democratização evidente, mas também parece que se formou uma espécie de aristocracia global, ligada pelo domínio da nova tecnologia… É meio assustador pensar no poder que estão acumulando sem sair de casa.


MENTIRA HEDONISTA


Com destaque no site de edição compartilhada Rec6, o blog de Marcos Guterman fala da Conservapedia, criada nos EUA contra a Wikipedia. Menciona tópicos como o de homossexualismo, que abre com referências bíblicas.


Citado por leitor, o tópico sobre o Brasil descreve o país apenas como ‘Uma mentira propagada por liberais infiéis [godless] e hedonistas’.’


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Ex-Blog do Cesar Maia


Terça-feira, 6 de março de 2007


MERCADO EDITORIAL
Cesar Maia


A lógica dos jornais populares prevalece!


’01. Os jornais populares certamente não são novidade no Brasil. Especialmente no Rio, ex-capital do Brasil. Em 1937 o jornal A NOTÍCIA já começava a fazer sucesso com os escândalos e violência na capa. Tanto sucesso que Ademar de Barros o comprou nos anos 40. Em 1955 Ademar ganhou a eleição para presidente no Rio-DF. Tenório Cavalcanti, com seu jornal Luta Democrática, acentuando as marcas de sangue na capa, passou a ser o deputado mais votado do antigo Estado do Rio e quando se candidatou em 1960 a governador da Guanabara obteve espantosos 20% dos votos, ganhando de Lacerda -UDN- e Sergio Magalhães -PTB- nas favelas e áreas mais pobres. Chagas Freitas ‘herdou’ o sistema de Ademar quando este foi para a Bolívia em função de um mandado de prisão. Mudou o título principal e fundou uma máquina eleitoral poderosa no Rio.


02. Passou ao folclore do jornalismo a escolha das manchetes daqueles jornais de forma a marcar o sensacionalismo e a dupla interpretação. Mas os jornais populares anteciparam a TV no sentido de que se vendem na banca e tem que renovar a audiência todos os dias. Por isso a importância da capa, das fotos e das manchetes.


03. Mas não é só isso. Antecipou as notas curtas e matérias comprimidas. Chagas Freitas ao receber um estagiário, filho de um deputado, pediu que ficasse de pé e lesse o jornal. O estagiário abriu o jornal e iniciou o leitura. Chagas pediu que colocasse um dos braços para o alto como se estivesse segurando-se num trem e continuasse a ler. O estagiário dobrou o jornal. Em seguida Chagas pediu que ele se balançasse como se estivesse num trem. A resultante foi dobrar o jornal numa oitava, de forma a segurá-lo na mão e ler. Chagas concluiu: -Se o que você escrever passar disso, ninguém vai ler.


04. A TV só veio a reforçar a importância da imagem, dos textos curtos e do sensacionalismo. E mais ainda: trouxe a violência para o horário nobre. Nos anos 50 os jornais de leitura da classe média jogavam para páginas bem interiores o noticiário policial e só traziam para a primeira página os fatos de grande repercussão, quase como novela e sempre que envolvesse a alta classe média.


05. O fato é que a TV -com sua linguagem de imagens e seus textos mínimos e fatiados- impôs a lógica da imprensa popular a todos. Surgem as colunas -pequenas notas para serem lidas como se fossem matérias. As fotos passam a ser mais importantes que as matérias. As manchetes devem ser ‘seriamente escandalosas’. O esporte ganhou status e dispensou os jornais especializados. Anos atrás um senador sênior respondia a um diretor de jornal: – Podem escrever o que quiserem de mim. Mas por favor, ponham uma foto boa!


06. O crescimento avassalador dos jornais gratuitos, especialmente vendidos em metrô e trem, dizem tudo quanto ao método. Vinte Minutos é um sucesso na França. É o tempo médio de deslocamento e deve ser preparado -formato e forma das matérias – para uma leitura rápida. O USA TODAY fez escola anos atrás e construiu a ponte entre os jornais populares tradicionais e a adaptação dos jornais de classe média.


07. Hoje os jornais populares no Brasil caminham a passos largos para serem grátis ou quase grátis ou percebidos como tais. Super Notícias em Minas Gerais, disparado o de maior circulação lá, tem preço de capa de 25 centavos.


08. Curiosamente no Rio os jornais tipicamente populares tem uma circulação de mais de duas vezes a dos de S. Paulo, apesar da população metropolitana ser muito menor do que de SP. E esse mercado abalou os jornais tradicionais de classe média, que hoje são desenhados e editados com a mesma lógica dos jornais populares -todos- com caráter cada vez mais local, com exponenciação de imagens do cotidiano, com qualquer violência na capa… Claro, tudo ‘seriamente escandaloso’.


09. Em Minas esse processo é explícito. Os tablóides do Sul chegaram ao mesmo porto. No nordeste este Ex-Blog sem leitura diária, não deve opinar… ainda. Em SP os dois grandes jornais resistem à lógica dos populares. Ainda. O Estadão mais que a Folha. A baixa venda em bancas e a quase totalidade por assinaturas ajuda. A pressão -digamos de mercado- é grande.


10. Com um baixo índice de leitores de jornais, a lógica dos jornais populares é irresistível. Mesmo no caso dos jornais de assinantes, pois seus leitores demandam na lógica da TV e querem respostas -e formas- semelhantes para renovarem a assinatura. Não cabe valorar esse processo. Seria como pensar a TV de outra maneira, o que é impossível hoje. O esperado é que em breve -com maquiagem ou vestuário distintos- todos os jornais no Brasil sejam ‘populares’. Em outros países, com base de leitores mais ampla, sobra espaço para os jornais de classe média, de opinião e informação priorizada.


11. Por sorte há uma diferença em relação ao passado: -os jornais populares -talvez pela presença da mesma linguagem na TV- não são mais máquinas eleitorais.’


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