Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > 18 ANOS DE TRIP

Regina Augusto

14/09/2004 na edição 294

‘No próximo dia 8 a Trip completa 18 anos. Símbolo de atitude e de opinião, a marca extrapolou a revista que lhe deu origem e hoje agrega ao seu entorno a TPM (Trip para Mulheres), um programa de rádio que é transmitido para 32 cidades em todo o Brasil e uma divisão especializada em trabalhos para outras marcas, dos quais o mais significativo são os títulos customizados. Para Paulo Lima, criador da Trip Editora, o foco de todos esses desdobramentos de negócios da empresa fundada em 1986 é apenas um: ‘Desenvolver uma comunidade. Temos uma boa habilidade em decodificá-las, estabelecendo uma ética, um eixo de valores. Quando você coloca isso para fora, começa a atrair pessoas físicas e jurídicas’, explica o ex-campeão estadual paulista de pólo aquático e eterno surfista. O gosto pelo esporte e o talento para a área de comunicações fizeram com que o advogado formado pela tradicional Faculdade de Direito do Largo de São Francisco descobrisse ainda durante o curso a vocação. Em 2004 a Trip Editora irá faturar aproximadamente R$ 22 milhões, o que representa um crescimento de 38% em relação aos R$ 16 milhões apurados no ano passado. A área de negócios para outros clientes responde por 60% desse volume e está em franca expansão. A mais recente novidade é uma publicação para a Natura, que ainda está sendo gestada e deverá ser lançada nos próximos dias. Nesta entrevista, Paulo Lima conta como tudo começou, fala do momento atual de sua empresa, de sua visão de mundo e a respeito do mercado de revistas.

Meio & Mensagem – Você é formado em direito. O que levou o jovem Paulo Lima a querer montar uma revista em 1986?

Paulo Lima – No meio da faculdade, em 1981, um amigo meu que é músico – também surfava e gostava de esportes – me chamou e contou que tinha um primo fazendo uma revista no Rio de Janeiro sobre alguns esportes que nós gostávamos. Ele havia sido convidado para ser representante em São Paulo e então propôs que eu fosse seu ajudante. Topei na hora e comecei a ver o projeto. Era uma revista chamada Visual Esporte, focada em surf, skate, vôo livre e wind surf, que depois vieram a ser chamados de esportes radicais. Fiquei fascinado porque eram coisas que eu adorava. Vi então a possibilidade de me aproximar dessa magia que é a comunicação.

M&M – E como foi essa experiência na revista?

Lima – Virei o ajudante do representante de vendas de uma publicação independente do Rio de Janeiro em São Paulo. Esse meu amigo é o Zezinho Mutarelli, que hoje é um dos principais produtores de trilhas sonoras do mercado. Ele começou a se desinteressar pelo negócio porque tinha uma vocação brutal para a música e foi para essa área. Além disso, o mercado para esses esportes naquela época simplesmente não existia. Era muito duro conseguir vender publicidade. Ele me disse que ia sair e perguntou se eu queria ficar fazendo as suas coisas. Com ele trabalhava também o Fernando Costa Neto, que hoje tem a revista Vênice. Os dois desencanaram. Saí com o Fernando e visitamos alguns clientes para que eu treinasse um pouco e visse como que era o discurso, porque até então eu ficava mais na retaguarda. Vi mais ou menos a maneira como eles conversavam. Eles me deram uma mala cheia de papéis, de tabelas de preço, talões de pedido e papel carbono. Assim eu comecei a vender publicidade.

M&M – Você ainda não tinha nenhum contato com agências?

Lima – Ainda não. Só que nessa época tive um estalo de que existia esse negócio chamado agência de propaganda e pensei que tinha alguma coisa a ver com o que eu fazia. Não conhecia absolutamente ninguém de nenhuma agência. Só que eu ia muito para Ubatuba nessa época e ficava na casa de um amigo cujo primo era publicitário. Foi então que o conheci. Esse cara é o Sérgio Lopes, que hoje é o dono da QG e naquela época trabalhava na CBBA. Um dia liguei para ele, contei que estava trabalhando nessa revista e perguntei como eu fazia para entrar em agência. Ele me disse para ir até lá que ele me mostraria. Então fui visitar o Serginho, que me recebeu e me mostrou uma coisa que na época achei fascinante: a dupla de criação. Não sabia que existia isso. Perguntei se eles além de fazer também compravam anúncios. E ele me explicou que havia um departamento chamado mídia e ligou para o responsável. Quero até render minha homenagem a essa pessoa, o Cláudio Matteucci, que na época era o diretor de mídia da CBBA. Ele foi de uma gentileza e de uma simpatia que não me esqueço jamais. Ele me deu um Anuário de Mídia e uma pilha de Meio & Mensagem e disse que era o jornal que liam para saber o que estava acontecendo no mercado. Emprestou-me tudo aquilo e passou como lição de casa a leitura desse material. Fiquei lendo o Meio & Mensagem para entender o máximo possível e fui vendo algumas matérias sobre a Rainha, por exemplo, e marquei a agência que atendia o cliente na época. Lembro que a Yamaha era atendida pela Denilson e marquei também. Então voltei lá no Cláudio que me indicou o nome das pessoas que eu tinha de procurar em cada agência. Para algumas ele até telefonou. Talvez sem saber, ele me deu um superempurrão. A partir dessas dicas comecei a visitar as agências.

M&M – E como foi essa experiência?

Lima – Marcava hora, levava as revistas, tabelas de preços e tudo o mais. Mas comecei a ver que por ali eu não ia conseguir nada. Se hoje ainda não é tão fácil para as grandes agências entender o que não é muito grande, naquela época isso era absolutamente invisível. Eu me sentia o homem invisível. Eu ia lá, ficava esperando horas até ser atendido por alguém que me dizia para deixar as revistas lá que depois entraria em contato. Nesse momento tive a sensação clara de que daquele jeito eu não ia conseguir ir pra frente. Eu mesmo teria que ir aos clientes diretamente.

M&M – E foi o que você fez?

Lima – Sim. Paralelamente a isso, no começo dos anos 80, o mercado começou a evoluir para olhar um pouquinho mais para esse público denominado jovem. E começou a entender que essas pessoas têm poder de consumo e, principalmente, de formar uma opinião muito forte. Então começaram a surgir alguns focos de empresas para atender essa demanda. Apareceu a OP, que foi o meu primeiro grande cliente, com o qual fiz um plano de comunicação na revista para o ano inteiro. Foi a primeira vez que vi que aquilo tinha alguma consistência. Passei a sentir que eu fazia parte de alguma coisa. Depois da OP foi surgindo um núcleo de lojas, ali em volta do shopping Ibirapuera (zona sul de São Paulo), voltadas a surf, mergulho e, de repente, comecei a formar uma carteirinha de clientes.

M&M – Você tinha alguma ingerência com relação ao conteúdo da revista?

Lima – Foi então que surgiu uma segunda fase: alguns desses anunciantes que estavam começando a comprar espaço falaram que não iam mais anunciar porque a revista era do Rio e o conteúdo não tinha nada a ver com São Paulo. Fui ao Rio para falar com os donos da revista e explicar que ela precisava de algum conteúdo sobre São Paulo. Um dia eles me disseram para arrumar alguma coisa que seria publicada. Então eu mesmo comecei a escrever, tirava algumas fotos e mandava pra lá. Comecei a procurar fotógrafos e assuntos pertinentes à revista. Primeiro me deram uma página, que se chamava Visual São Paulo. Escrevia notinhas. Depois comecei a cobrir alguns eventos. A minha primeira matéria foi sobre um campeonato de wind surf, em 1982. Fui pra Ilha Bela, cobri, relatei e publiquei na revista. Isso foi crescendo, de uma página nasceram duas. Quando chegou em 1985 eu já tinha aqui em São Paulo um escritório com umas 12 pessoas trabalhando, entre fotógrafos e secretária. Eu produzia uma quantidade razoável de conteúdo.

M&M – Você que era o editor desse material?

Lima – Nem sabia, mas era. Eu vendia mais ou menos 70% da publicidade da revista e já cuidava de uma parte importante do processo industrial. Ao longo do tempo, a gráfica que era usada no Rio fechou. Fui descobrindo canais aqui em São Paulo. Eu tinha uma sensação clara de que a revista não estava evoluindo no mesmo ritmo que as pessoas e o mercado estavam. Sentia-me muito aprisionado nos assuntos, na visão de mundo da revista. Era algo muito focado na performance dos esportes. Ela se fechava naqueles assuntos. Eu sentia que o grupo que eu freqüentava, o universo pelo qual eu transitava, estava querendo se expandir, estava enxergando mais coisas, mais possibilidades. Nos anos 70 a segmentação de comportamento era muito radical. Você era roqueiro e ponto, surfista e ponto ou punk. Você não era mais do que uma coisa. Comecei a sentir que havia uma chance das pessoas poderem ser mais do que uma coisa só ao mesmo tempo. Sempre gostei de andar muito em todas as turmas e não ser de nenhuma. Sentia isso empirica e instintivamente. Uma hora essa questão da revista começou a me deixar desconfortável e passei a não gostar mais do que eu vendia. Resolvi conversar com a diretoria e propor as mudanças que achava necessárias. Sentei com o dono da Visual Esporte e mostrei o que eu pensava que tinha que ser feito. Ele concordou com duas ou três coisas. Não concordou com as outras. Decidi tocar a minha vida e acabei saindo da revista.

M&M – Sua estrutura foi mantida?

Lima – A essa altura eu já tinha um escritório com equipe, uma ampla carteira de clientes, o software já tinha sido desenvolvido. Existia um mercado de surfe, com campeonatos, eventos. Eu tinha estabelecido relações legais. Os clientes já confiavam em mim e tudo o mais. Eu tinha 23 anos. Cheguei a pensar em morar em Florianópolis e abrir um videoclube. Um dia contei isso a um dos meus clientes, que estava meio bêbado, e disse que eu não poderia sair daquele mercado. Senti que era querido e que tinha valido alguma coisa tudo o que havia colocado ali. Isso me motivou a pensar na possibilidade de ficar nesse mercado. Eu já tinha sido pego pelo vírus da edição, que na verdade era o que eu queria fazer desde o começo. Em 1985 fui para Porto Rico pegar onda com uns amigos. Fiquei um mês e meio mais ou menos. Nessa viagem comecei a escrever o que achava que seria uma revista mais contemporânea, direcionada a esse público que eu gostava. Quando voltei da viagem chamei algumas pessoas que trabalhavam comigo, inclusive lá do Rio, para olhar esse projeto e dar alguma contribuição a ele. Assim nós fomos concebendo a Trip.

M&M – O nome já existia naquela época?

Lima – O nome eu bolei depois, dentro do carro, indo para a praia. Assim, na estrada, sozinho. Gostei muito porque o nome não era preso a nenhum significado, tinha múltiplos sentidos. Na época eu pensava nessa coisa da viagem mesmo, do deslocamento físico. Pensava na viagem mental. Na possibilidade de explorar a mente em todos os estágios de raciocínio.

M&M – Você se associou a alguém no início?

Lima – Sim, depois que concebi esse projeto saí em busca de apoio. Um dia, numa festa de família, encontrei um empresário que era meio aparentado e expliquei a ele que tinha um projeto. Ele contou que estava querendo diversificar. Tinha uma empresa atacadista de artigos de papelaria. Nós marcamos um encontro e ele gostou bastante do projeto. Resolvemos abrir uma empresa. Ele ficaria com a metade em troca de um aporte de capital. Acho que deve ter sido de uns US$ 40 mil. Assim nós começamos a Trip. Sendo que, de cara, na hora de conceber mesmo a revista, eu já resolvi comprometer uma parte importante desse aporte com comunicação. A primeira coisa que fiz foi contratar uma assessoria de imprensa. Depois contratamos um design gráfico, o Rafic Farah.

M&M – O projeto gráfico inicial é dele?

Lima – O projeto e o logotipo também. Até hoje estamos muito próximos. No começo ele me ajudou muito na concepção da revista. Isso não era uma coisa tão freqüente. Contratamos um design gráfico que já tinha uma cultura mais sofisticada na época e que imprimiu todo um estilo para a revista em termos de desenho, a começar pelo logotipo. Ela tinha um projeto editorial bastante ousado.

M&M – Como você posicionou a revista naquele momento?

Lima – Se eu te mostrar o folheto do lançamento, um broadside que fizemos quando lançamos o projeto, o texto é absolutamente atual. Era uma revista que já propunha uma visão de mundo aberta, procurava gente que tivesse a fim de conhecer todas as opções que o mundo oferece para escolher e editar a sua. Uma revista contemporânea que tinha a pretensão de ser um observatório avançado que olhasse as migrações, as mudanças, as alternativas que o mundo oferecia para o leitor escolher a sua. Sentíamos que ia chegar um momento em que você poderia ser o que quisesse, tudo ao mesmo tempo inclusive. A tese da Trip desde o início era essa. Em 1986 fizemos a festa de lançamento do projeto no Terraço Itália, com um show em que tocaram três bandas punks: Os Inocentes, Kid Vinil e os Heróis do Brasil e Maria Angélica Não Mora Mais Aqui. Ou seja, escolhemos um lugar onde essas bandas jamais tocariam. Era um pouco esse o conceito que queríamos passar. O que eu queria, já desde o começo, e deixei claro com essa festa, era que o nosso negócio era misturar mundos. Misturar tudo num mesmo caldeirão.

M&M – A revista inicialmente estava muito associada ao surfe.

Lima – Porque o surfe aparece com algumas propostas bastante diferentes. Primeiro, é fundamental para o seu prazer e para a sua saúde estar muito perto da natureza. Segundo, o corpo pode ser um instrumento de expansão para tudo, física e espiritualmente. Terceiro, ficar mais livre te dá mais liberdade de relacionamento. Quarto, viajar para vários lugares e entrar em contato com outras culturas. Esse esporte, conscientemente ou não, propunha essas coisas todas que hoje estão absolutamente incorporadas na nossa vida moderna. Hoje você não precisa ser surfista para querer ficar mais próximo da natureza e achar isso o máximo, nem para querer cuidar do seu corpo. Isso tudo foi absorvido pela sociedade com o passar do tempo e nem é algo mais só para jovens. Contudo, naquela época, esse esporte propunha tudo isso. Era uma quebra muito grande do lugar comum, do tal do paradigma.

M&M – Hoje a Trip está posicionada como uma revista de comportamento?

Lima – Somos uma revista de comportamento desde antes dessa expressão existir. Nosso negócio é observar gente e prestar atenção, fazer perguntas. Acho que sabemos perguntar muito bem hoje em dia. Olhar para as coisas e enxergar outras. Não enxergamos só a frente, só o obvio. Creio que isso tem diferenciado bastante a Trip, levando-a a se expandir, inclusive como empresa, atraindo outros negócios, outras marcas.

M&M – Ao longo de sua trajetória a Trip sempre se posicionou diante de alguns temas bastante polêmicos. Por exemplo, é a favor da descriminação da maconha, não aceitou propaganda de cigarros muito antes desse assunto vir à tona com o projeto do governo, em 2000. Ou seja, tem uma proposta de provocar reação e abrir espaço para reflexões. Isso se deve ao fato de ser uma publicação independente? Como é essa questão da independência editorial para você?

Lima – Nunca fui ‘desindependente’. Não tenho essa referência. Nós estamos inseridos no mercado, temos colegas em outras redações, em grandes editoras e vejo muita gente que tem esse espírito parecido com o nosso se enquadrar em esquemas maiores e perder isso com o tempo. Para nós é absolutamente natural ter opinião e se colocar. E isso sempre ocorreu de forma natural. Nunca foi uma coisa assim: ‘Pessoal, nós temos que ter opinião e atitude porque daí a revista vai dar certo’. Esses exemplos que você citou, que foram realmente momentos marcantes do ponto de vista jornalístico da revista, ocorreram de forma muito natural. Nós não planejamos isso como uma ferramenta de marketing.

M&M – Você acabou virando referência quando o assunto é público jovem. Você se vê assim?

Lima – O segredo é não querer trabalhar para jovem nem para velho. Só para gente, inclusive para mim. Gosto muito quando vejo a Trip transitando e sendo degustada por pessoas que não são as que imaginei como público-alvo. Tenho esse feedback toda hora e adoro.

M&M – Hoje a divisão de revistas customizadas da Trip responde por 60% da editora. Como começou esse processo?

Lima – A questão das revistas customizadas é muito simples. O nosso negócio – que te contei desde o começo – era desenvolver uma comunidade. Estávamos colocando uma ética, um eixo de valores, de manifestação. Uns chamam de atitude, eu chamo de opinião. É a mesma coisa. Quando você coloca isso para fora começa a atrair pessoas físicas e jurídicas. No começo essas pessoas eram pequenininhas. Era um amigo, um fotógrafo, um vendedor de anúncio que achava aquilo legal e todos vinham para perto. Depois começaram a vir algumas empresinhas, um anunciante, a OP, depois a Alpargatas. O que eles vêm procurar? Eles querem interagir com essa comunidade, fazer parte desse clube. Nós temos uma comunidade de verdade – conceito que ganhou força com a internet -, construída com muita calma, muito tempo, muita solidez através de milhões de pequenas atitudes. Alguns anunciantes me pediam referências para a comunicação que iam fazer. Cansei de fazer publicidade pra um monte de marcas de roupas até que, em 1997, motivado um pouco pela própria Trip, tive contato com o Tutinha (Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, diretor-presidente da Rede Jovem Pan) em alguns eventos.

M&M – Foi aí que nasceu o primeiro projeto, a Revista Jovem Pan?

Lima – Exatamente. Tanto do lado dele como do meu, de uma forma muito intuitiva, fomos percebendo que havia uma habilidade desenvolvida de conversar com uma comunidade. Ele tinha uma questão para resolver, que era a da rede. Toda empresa que se transforma numa rede precisa unificar a cultura. Por mais que o rádio seja um veículo muito forte e genial, ele não materializa. Ele fica literalmente no ar. Então começamos a ter esse tipo de conversa e assim nasceu o projeto da Revista Jovem Pan. Nós a construímos em torno do DNA da Jovem Pan. No fim de 1999 o Tutinha recebeu uma proposta irrecusável do grupo que estava formando a Editora Camelot no Brasil e passou a fazer a revista com eles. Um pouco antes dele vender a revista, a Daslu entrou em contato conosco. Eu conhecia um pouco a Eliana Tranchesi e fui lá com o Luciano Huck bater um papo. Na época, estávamos vendendo muita revista com CD e a Daslu tinha feito o seu para comemorar os 40 anos da empresa. Quando recebi o CD falei para o Luciano que seria legal se pudéssemos lançá-lo em banca como uma revista de moda. Comecei a conversar sobre essa idéia com a Eliana. Ela disse que não podia fazer aquilo porque não tinha os direitos daquelas músicas. Tinham sido comprados só para as cópias enviadas aos clientes. Também não achava que fazia sentido para uma marca como a Daslu estar em bancas de jornais, pois ela funciona como um clube fechado. Mas disse que tinha gostado da idéia da revista. Aí voltamos a conversa para esse lado. Ela fazia catálogos maravilhosos, mas estava sentindo que eles já não traziam mais nada de novo. Percebia que precisava rever sua comunicação. Ela enxergou lá na frente a questão do conteúdo como um diferencial muito importante. Começamos então a conversar sobre a revista da Daslu.

M&M – Hoje, a Trip sozinha seria viável economicamente?

Lima – Seria porque tem 18 anos de construção. Quase nos matamos durante os primeiros dez. Foi muito difícil. Não só porque era complicado consolidar um título independente mas também porque foi um período desastroso da economia. Durante os primeiros quatro, cinco anos, todo dia achávamos que íamos quebrar. Não tínhamos capital de giro. Fomos nos consolidando. Hoje a Trip é viável como revista. Dá lucro porque tem essa história toda por trás. A Trip talvez seja uma das revistas de comportamento, ou jovem, como você queira definir, de maior faturamento publicitário do Brasil.

M&M – O que representou para a editora, em 2000, a sociedade com o empresário Marcos de Moraes?

Lima – Considero a entrada do Marcos genial. Primeiro porque vínhamos de um relacionamento muito bom com ele. O site da Trip é um dos mais antigos do Brasil. O dia em que o UOL foi inaugurado, já estava lá. Mas quando o Marcos pensou em fazer o Zip.Net, nos chamou para conversar. Ele foi muito objetivo e claro. Explicou que queria fazer um portal focado num público mais jovem, mais aberto e nos propôs estar lá com ele. Aí ele explicou o projeto do Zip, que era fascinante, e fez uma proposta financeira muito legal também. Ficamos encantados com o estilo objetivo, sem ser frio, do Marcos. Acabamos fechando o negócio. Ficamos no UOL uns três anos. Depois, creio que em 1999, fomos para o Zip.Net. Passei a ter encontros freqüentes com o Marcos e viramos parceiros.

M&M – Daí para a sociedade foi só uma questão de tempo…

Lima – Quando o Marcos vendeu o Zip, uma das primeiras pessoas para quem ele ligou fui eu. Ligou para agradecer a parceria. Esse processo foi muito legal. Na época eu tinha um projeto com o Ricardo Guimarães (presidente da Thymus Branding)e com o pessoal da Conspiração de fazer um portal na área de comunicação, que nós apresentamos. Ele achou legal e disse que iria estudar. No dia seguinte me ligou chamando para almoçar. Disse que era interessante a idéia, mas estava acabando de sair de uma supertransação gigante e não queria entrar em outro negócio de internet naquele momento. Contudo, disse que gostava muito da Trip e que se tivesse espaço gostaria de entrar como sócio na editora inteira. O que fosse feito a partir daquele momento – um portal, uma nova revista, etc – seria estudado com calma. A forma como se colocou, dizendo que não queria ter uma quantidade grande de ações de controle de capital, mas ser minoritário, sem atrapalhar a maneira como nós tocávamos o negócio, foi muito legal.

M&M – A TPM (Trip para Mulheres) foi resultado dessa associação?

Lima – A TPM é sem dúvida uma conseqüência da entrada do Marcos. Tínhamos um projeto de uma revista feminina que não teria sido levado adiante se não fosse a segurança de ter esse aporte.

M&M – Por que uma revista feminina?

Lima – Você já reparou que 90% das revistas femininas que existem no Brasil não são fórmulas brasileiras? Elas são fórmulas estrangeiras adaptadas. Isso vale para Elle, Vogue, Marie Claire, Capricho, que é uma versão da Seventeen. Percebemos que 25% dos leitores de Trip eram mulheres e esse número chamou muito minha atenção. Eu achava que eram uns 10%. Essas mulheres, na minha visão, eram justamente atraídas pela maneira como a Trip vê a mulher, que é muito mais respeitosa, de uma certa forma até como uma entidade superior. Ela é feita com uma visão do mundo masculino, só que é – e eu sou suspeito – contemporânea. Portanto, ela não separa os dois mundos. Ela interage e admira. Mas então por que fazer outra revista? Essa foi uma grande discussão e chegamos à conclusão de que havia um específico feminino que não era tratado por essas outras revistas. De uma forma geral elas desenham uma mulher como um ser menor, frágil, ansioso, quase desesperado, que depende 100% de um homem para ser feliz, que está sempre insatisfeita com a sua condição física, sexual e profissional. Ou seja, é um ser muito fácil de ser manipulado. Porque quando você consegue deixar uma pessoa insegura e ansiosa, qualquer coisa que você proponha ela aceita, inclusive consumo. É uma estratégia bastante rasa e até uma forma simplória de fazer a mulher marchar para o consumo de cremes e roupas.

M&M – A TPM seria um contraponto a isso?

Lima – Ela vem nessa contramão radical, o que torna o projeto difícil. No primeiro ano foi supercomplicado. Teve um lançamento forte. Investimos bastante em publicidade. Depois, lá pela edição número seis, começou a ficar complicado. Tínhamos muita dificuldade com a publicidade. Mas agora, depois do segundo aniversário, está mais consolidada. Uma revista desse tipo é igual a um clube. Você não fica sócio porque ele faz propaganda, mas porque alguém te indicou, te disse que era legal. Então, ela precisa de tempo para se consolidar. Paralelamente, o mercado foi alcançando a idéia da revista. As marcas de moda começaram a perceber que tinham que conversar de outro jeito com as meninas, com as mulheres. As marcas de cosméticos também. O tempo joga a favor.

M&M – Quais são os planos da editora Trip para o futuro?

Lima – A Trip está claramente dividida em duas. Uma divisão que trabalha o nosso ativo, que é a marca Trip, e uma divisão que lida com as marcas dos nossos clientes. Na divisão Trip temos basicamente a revista Trip e o seu site; a revista TPM e o seu site; e o Trip FM, programa de rádio que hoje é transmitido para 32 cidades. Temos também um projeto de TV, que seria basicamente transpor o Trip FM para a televisão, um minitalk-show. Já temos uns pilotos gravados e estamos conversando com algumas emissoras. Chama-se Trip TV.

M&M – E a área de eventos? Vocês estão investindo nisso também?

Lima – No passado realizamos alguns eventos esportivos em parceria com a Koch Tavares, como campeonatos. Depois passamos a fazer as festas, que nasceram de idéias bem concebidas, com patrocínio, e foram crescendo. A idéia é profissionalizar um pouco mais essa atividade. Estamos sentindo muito a necessidade de materializar essa comunidade, de agrupar, torná-la mais palpável. Sempre que fazemos isso dá muito certo. Realizamos recentemente o Trip Marca, que servirá como balão de ensaio para a criação de uma série de eventos voltados para o trade de comunicação, abordando aspectos e temas de interesse para os profissionais mais antenados.

M&M – E a outra divisão da Trip, que tem o faturamento maior e está crescendo muito ultimamente?

Lima – Nessa divisão trabalhamos para outras empresas. Temos como atividade mais conhecida e mais significativa o custom publishing. Expressão que não gosto muito porque pressupõe publicações para clientes e não é exatamente isso que fazemos. Funcionamos como uma espécie de aliado da empresa para que ela se relacione melhor com os seus públicos. Muitas vezes é usada a ferramenta revista, mas outras vezes não. Por exemplo, para a Daslu nós fazemos a revista, também o site e participamos de uma parte da comercialização da nova loja. Ou seja, contribuímos também com o negócio deles como um todo. Nós criamos conteúdos para os clientes se relacionarem melhor com os seus públicos.

M&M – Para quantos clientes a editora Trip publica revistas?

Lima – São oito (Daslu, Gol, Mitsubishi, Coelho da Fonseca, AmBev, Pão de Açúcar, Faculdade Trevisan e Expand) e agora temos um novo cliente. É primeiríssima mão isso. Estamos fazendo a revista da Natura. É um projeto de muito tempo, começou focado nas consultoras e agora já está sendo até discutida sua ampliação para os clientes. É um projeto fascinante que nasceu da vontade da Natura de falar mais de perto com as consultoras mais jovens. As empresas estão percebendo a sutileza dessa ferramenta. Estão procurando alguém que consiga realmente mergulhar no DNA delas. Acho que existe um monte de gente que faz revista direito, um monte de agências de propaganda que fazem layouts maravilhosos e que poderiam fazer revistas também. O que acho é que não tem muita gente que está há 18 anos entendendo comunidade. Se há um diferencial competitivo para a Trip é o fato de sermos detetives de agrupamentos de pessoas. Nisso, realmente temos uma vantagem. Não é falsa modéstia, é porque estamos treinando há muito tempo.

M&M – Como você visualiza o futuro do mercado de revistas?

Lima – Acho que o mercado de revistas enfrenta hoje um problema seríssimo que é o canal de distribuição. O canal banca é muito complicado. Ele sofreu uma mutação. Não há nenhum culpado nessa história, pois houve mesmo uma evolução do tecido urbano. Hoje, uma banca, por uma série de razões, é obrigada a ter uma quantidade gigantesca de produtos que não são revistas. Você compra lá CDs, DVDs, filmes fotográficos, presentes, carrinhos, charutos, cigarrilhas, chocolates, balas, doces e revistas também. A tecnologia tornou possível para qualquer pessoa fazer uma revista. Hoje você imprime uma publicação de cem páginas em qualquer gráfica rápida. Há uma infinidade de títulos. As pessoas de maior poder aquisitivo estão indo bem menos às bancas de jornal por uma série de motivos, desde segurança até falta de tempo. Além disso, a internet e a TV por assinatura estão suprindo o público de informações específicas de uma forma muito competente. Acho que vão ganhar muito as revistas que têm o seu grupo de leitores muito claro, muito definido e o meio de acessá-lo. E aí se encaixam as revistas customizadas. Estamos estudando mil formas para não ficarmos na dependência da banca o resto da vida. É um bolo que fica do mesmo tamanho e as fatias vão diminuindo.

M&M – Existem planos de lançar alguma nova revista com a marca Trip?

Lima – A Trip não pretende criar novos títulos para banca. Temos alguns filhotes, algumas coisas para sair de Trip e TPM, mas não pretendemos lançar uma nova publicação para um público específico.

M&M – Você enxerga a expansão dos negócios da Trip mais para a área que cuida das marcas dos seus clientes?

Lima – Acho que o nome Trip Editora e Propaganda está defasado. Não vejo a Trip como uma editora, no sentido tradicional. Somos uma empresa de construção de marca e de comunidade. De relacionamento com essa comunidade. É uma especialização em observação de gente e agrupamentos humanos. É isso o que nós vendemos. Se está em formato de revista, de site, de programa de rádio no Brasil inteiro, de programa de televisão, é detalhe. A mercadoria é a mesma, assim como a essência. Acho que a expansão dos negócios da Trip se dará na expansão desse core businnes que é o entendimento de comunidade e a materialização desse entendimento em forma de negócios.’



JORNALISMO & IDEALISMO
Carlos Chaparro

‘Não basta dizer ‘sou jornalista’’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 10/09/04

‘O XIS DA QUESTÃO – Para que o jornalismo não perca sentido nem função, é preciso que o preservemos na sua confiabilidade. E a mais importante fronteira de preservação do jornalismo terá de situar-se no idealismo, na competência e na honestidade intelectual dos jornalistas. Qualquer que seja o lugar ou função em que atuem, não basta dizer ‘sou jornalista’; é preciso sê-lo. Integralmente.

1. Voz própria

Em sua edição de 3 de setembro, a Folha de S. Paulo publicou uma reportagem surpreendente, cujo inusitado começava pelo título: ‘Na Câmara, morador de rua cobra respeito’. Pelo que me lembro, esta foi a primeira vez em que, no relato jornalístico urbano, os moradores de rua conquistaram tratamento de protagonistas e sujeitos sociais.

Até então, apareciam com certa freqüência no noticiário do dia-a-dia, mas na condição de vítimas de ações ou situações que os agrediam na dignidade. Incapazes de falar por si próprios, os moradores de rua sempre precisavam de alguém que falasse por eles – na maior parte das vezes, líderes religiosos como o padre Júlio Lancellotti, um dos responsáveis pela Pastoral do Povo de Rua, na Arquidiocese de São Paulo.

Tudo bem. Proteger pessoas humilhadas, lutar por elas, é, certamente, meritória forma de agir social, no mundo das injustiças. Porém, na medida em que esse ‘falar pelos outros’ se torna rotineiro, corre-se o risco de cair no paternalismo que perpetua as incapacidades sociais. E irriga-se aquilo a que podemos chamar de exclusão discursiva, aleijão nas democracias.

Os agrupamentos humanos que não conseguem produzir, articular ou socializar ações discursivas (se preferirem, ações noticiáveis) serão, inevitavelmente, excluídos dos confrontos democráticos. Porque, nesses confrontos, só terá lugar próprio quem tiver voz própria.

O que a Folha nos relatou, na reportagem de 3 de setembro, a que me refiro, foi uma ação política, planejada e controlada para ser notícia, na qual moradores de rua finalmente usaram a própria voz, para dizer ao mundo algo que, antes, outros diziam por eles:

‘Só albergue não serve para nós. Queremos dignidade e soluções.’

‘Acordamos para a participação social. Hoje, estamos dando um novo passo rumo à cidadania.’

Isso foi proclamado em ato público realizado no plenário da Câmara Municipal de São Paulo, sob a presidência Ciro Susumo, cidadão das ruas. Chamados por Ciro, vários outros moradores de rua subiram à tribuna para dizer o que o jornalismo socializaria, no dia seguinte.

É certo que, compondo a mesa, lá estavam vários dos notáveis que costumam falar pelos moradores de rua, um deles o padre Lancellotti. Talvez até tenha sido desses notáveis a iniciativa de promover o ato público na Câmara Municipal. Pouco importa. O que importa é que desta vez eles se calaram, para que os excluídos falassem, delimitando espaço próprio em confronto social do seu interesse. No ato público, os moradores de rua agiram, gerando a notícia que levaria à sociedade a sua intervenção discursiva. E se tornaram autores e atores da sua luta.

2. Dupla dimensão

Aconteceu, pois, uma ação de inclusão discursiva, na qual o jornalismo cumpriu dois papéis essenciais: l) O de ser linguagem eficaz para socializar ações discursivas de grupos humanos organizados, que dão vida à democracia; 2) O de ser espaço público confiável para embates discursivos, vinculando-se a objetivos éticos dos ideários convenientes à sociedade.

De alguma forma, o caso aqui utilizado serve de resposta à questão colocada no final de texto anterior: que papel, funções e ações cabem ao jornalismo, não na ditadura, mas na democracia, em sua atual configuração?

No episódio dos moradores de rua, do qual a reportagem da Folha fez parte (porque a notícia faz parte do acontecimento), e tal como deve ser, o jornalismo não produziu os fatos; apenas os relatou ao mundo, para efeitos que são da conta da sociedade, não do jornalismo. E não se propôs a substituir qualquer dos sujeitos sociais envolvidos nos conflitos do fato relatado; apenas captou, interpretou e difundiu o discurso embutido no acontecimento, com técnicas próprias da narração jornalística.

É essa dupla dimensão do jornalismo (ser linguagem narrativa e espaço de difusão) que dá poder de ação aos acontecimentos noticiáveis. E para que o jornalismo não perca sentido nem função, é preciso que o preservemos na sua confiabilidade, tanto como linguagem quanto como espaço público de embates discursivos, entre sujeitos sociais organizados. Inclusive para exercitar a capacidade de dar alcance social à voz e às ações dos excluídos. em paternalismos nem militâncias.

3. Ser jornalista

Preservar o jornalismo deveria ser preocupação da sociedade. No Brasil, infelizmente, são precários, quase inexistentes, os mecanismos de defesa do jornalismo – e por defesa do jornalismo se entenda a defesa do direito à informação.

Esse é um dos aspectos em que a democracia brasileira precisa avançar bastante. Não temos estatutos editoriais, não temos comissões de redação, não temos instâncias de iluminação ética dos processos e das discussões. Em vez disso, temos donos do negócio que não abrem mão do comando das redações, uma tradição de subalternidade ao poder político e ao poder econômico, além de propensões para controles potencialmente censores.

De qualquer forma, a mais importante fronteira de preservação do jornalismo terá de situar-se no idealismo, na competência e na honestidade intelectual dos profissionais, na hora do pensar e do fazer jornalismo real. Qualquer que seja o lugar ou a função em que atuem, não basta dizer ‘sou jornalista’; é preciso sê-lo. Integralmente.

Se não pudermos acreditar nisso, não teremos razões para acreditar no jornalismo.’



LÍNGUA PORTUGUESA
Deonísio da Silva

‘Quando um burro fala’, copyright Jornal do Brasil, 13/09/04

‘Quando um burro fala, o outro abaixa a orelha. Este provérbio, de sutil complexidade, combina arrogância e modéstia em doses iguais. Recomenda reverente silêncio diante de quem fala. Mas quem o profere, põe-se no mesmo nível do ouvinte. Afinal, os dois são burros.

Quem assim desclassifica o interlocutor, é o primeiro a admitir a mesma condição, reconhecendo, por caminhos paradoxais, que também é burro. Em resumo, tão logo o outro tome a palavra, abaixará as orelhas quem falou. A operação resulta, não em desclassificação, mas em ordenamento do diálogo.

Entre tantas curiosidades que rondam o berço da expressão, é de se registrar que uma das mais antigas versões é bíblica. Balaão espanca o burro (em algumas versões é a mula) para que prossiga. Mas há um anjo no meio do caminho, visível somente ao animal. Na terceira tentativa, o burro fala, recriminando a teimosia do dono. O episódio está narrado em Números, o penúltimo do Pentateuco, como é chamado o conjunto dos cinco primeiros livros da Bíblia.

Bíblia e Pentateuco são palavras de origem grega: bíblos, papiro, papel; penta, cinco; teûchos, livro. O radical grego está presente também em biblioteca, designando originalmente caixa de livros. Qualquer intelectual pré-Gutenberg tinha como biblioteca apenas uma caixa com poucos livros.

Livro e burro sempre foram associados a falar e ouvir. Um registro igualmente muito antigo está numa das narrativas de Fedro, o culto escravo do imperador Augusto que traduziu e reescreveu fábulas de Esopo. Numa delas, um burro encontra uma lira, tenta tocá-la e, não conseguindo, lamenta a sorte do instrumento, que em vez de cair nas mãos de alguém capaz de extrair suaves harmonias, foi topar justamente com ele, burro, que nada entende de música.

Em outro autor latino, Luciano, um burro ouve lira e, parecendo entender, mexe as orelhas. Também Horácio, criticando espectadores de teatro, invoca Demócrito para dizer que, se o filósofo grego vivesse em Roma naquele período, se divertiria mais observando o público do que assistindo aos espetáculos, pois os autores pareciam contar suas histórias a um burro surdo. Como se vê, o autor lançou mão de uma dificuldade adicional, a surdez, com o fim de ampliar a ignorância dos criticados.

O burro fala também em divertida estrofe de Bábrio, o poeta grego que pôs em versos várias fábulas de Esopo. Um burro sobe no telhado de uma residência e quebra muitas telhas. Quando o dono o castiga, ele retruca, sentindo-se discriminado: ‘no outro dia, quando o macaco fez a mesma coisa, você riu’.

Também Cícero perguntou: ‘por que eu te ensinaria a ler agora, burro?’. Enfim, a metáfora que dá o burro como animal que simboliza por excelência a ignorância está presente em muitas outras línguas, de que é exemplo o ditado alemão: ‘Man kann den Esel mit Atlasdecken belängen, er bleibt doch immer ein Esel’ (‘pode-se cobrir o burro com um atlas e ele continuará sendo sempre um burro’).

Mas coube ao escritor brasileiro João Guimarães Rosa, que sabia ouvir e entender, não estrelas, mas animais, reconhecer a sabedoria dos burros, como no conto O burrinho pedrês.

Animais e homens filosofam sem parar em seus contos. Eis a justificativa: ‘Como escritor, não posso seguir a receita de Hollywood, segundo a qual é preciso sempre orientar-se pelo limite mais baixo do entendimento. Portanto, torno a repetir: não do ponto de vista filológico e sim do metafísico, no sertão fala-se a língua de Goethe, Dostoiévski e Flaubert, porque o sertão é o terreno da eternidade, da solidão. No sertão, o homem é o eu que ainda não encontrou um tu; por ali os anjos e o diabo ainda manuseiam a língua’.’

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PRIMEIRAS EDIçõES > RETROSPECTIVA 2003 / MÍDIA & MERCADO

Regina Augusto

Por lgarcia em 23/12/2003 na edição 256

RETROSPECTIVA 2003 / MÍDIA & MERCADO

“Um ano que não deixará saudades”, copyright Meio e Mensagem, 15/12/03

“O ano de 2003 completa um ciclo de três exercícios consecutivos de crise e profundas transformações na indústria da comunicação. As dificuldades conjunturais da economia coincidiram com uma mudança estrutural do negócio da propaganda. A composição das verbas de marketing por parte dos anunciantes ficou mais complexa e diversificada e com isso a publicidade acabou perdendo terreno. Para as agências é o momento de assumir um posicionamento mais abrangente na orquestração das estratégias de comunicação dos clientes para que haja aumento da percepção de valor de sua atividade. Os veículos, por sua vez, em sua grande maioria endividados, fizeram os ajustes necessários para continuar operando e aprenderam a conviver com um cenário de retração. A grande lição foi o amadurecimento empresarial. A esperança de um ano melhor, em 2004, tem fundamentos palpáveis como dados macroeconômicos positivos e demanda reprimida por parte de diversos setores econômicos que devem ativar o mercado consumidor. Para fazer um balanço desse ano que chega ao fim, Meio & Mensagem ouviu a opinião dos integrantes de seu Conselho Consultivo formado por Abaetê de Azevedo (Rapp Collins), Alberto Pecegueiro (Globosat), Antoninho Marmo Trevisan (Trevisan), Antonio Jacinto Matias (Banco Itaú), Antonio Manuel Teixeira Mendes (Folha de S. Paulo), Carlos Berlinck, Dalton Pastore (Carillo Pastore), Flavio Pestana (Editora Escala), Jaime Troiano (Troiano Consultoria de Marca), João Cabral Augusto de Araújo (Vetor), João Rozário da Silva (Perdigão), José Roberto Maluf, Luis Grottera (TBWA), Luiz Lara (Lew,Lara), Nizan Guanaes (Africa), Paulo Novis (Infoglobo), Rui Porto (Alpargatas), Sérgio Amado (Ogilvy), Walter Longo (Synapsys) e Willy Haas (Rede Globo). A seguir, as impressões deste seleto grupo sobre as lições de 2003 e confira também na próxima edição de M&M (que circula em 5 de janeiro) as perspectivas deste mesmo time para 2004.

ABAETÊ DE AZEVEDO

Tivemos um duplo impacto negativo no Brasil. Nossa economia foi esfriada pela crise americana, somada às pressões do novo governo para controlar a inflação. Assim, com altas taxas de crédito ao consumidor e desemprego crescente, a indústria e o comércio sofreram muito. Com vendas em queda e margens críticas, houve redução dos budgets de marketing e forte pressão dos clientes na remuneração das agências.

ALBERTO PECEGUEIRO

Foi um ano de sobrevivência e finalização de ajustes. Estamos agora preparados para a retomada de crescimento com a produtividade desenvolvida e as empresas mais enxutas. A lição que devemos tirar desses últimos anos, especialmente de 2003, é que dinheiro não aceita desaforo e que cada centavo investido deve ter uma perspectiva de retorno pré-definida e estabelecida em bases críveis. Felizmente voltamos à prática milenar de que o valor das empresas é dado em função da sua capacidade comprovada de gerar lucros, e de que nem só porque um business plan é feito por uma empresa de consultoria internacional ele tem mais credibilidade do que executivos talentosos e experientes.

ANTONINHO MARMO TREVISAN

Um ano difícil, com altas taxas de juros e baixa disponibilidade de capital para investimento, fazendo com que o mercado de comunicação se concentrasse em um pequeno número de grandes anunciantes. O custo da mídia de massa extremamente alto tem impedido o acesso dos anunciantes de médio porte e, por outro lado, há o uso mais intensivo e mais racional de outras ferramentas de comunicação. Além disso, marketing direto, promoção de vendas, relações públicas e venda pessoal têm crescido. Só sobrevive quem é competente e, para tanto, a empresa tem que cuidar de todas as áreas e departamentos com muita atenção, entendendo muito bem o consumidor e o mercado em que está inserida. Houve enxugamento e fusão de empresas e as que ficaram estão tendo que trabalhar mais para ganhar a mesma coisa, ou menos. Não há espaço para nenhum tipo de desperdício.

ANTONIO JACINTO MATIAS

O ano de 2003 foi de verbas cada vez mais enxutas e de pressão cada vez maior por resultados. A comunicação na área financeira ficou ainda mais focada no cliente, no relacionamento, reforçada pela melhoria do atendimento nas agências. Com a consolidação em curso na área financeira, o mercado está mais competitivo.

ANTONIO MANUEL TEIXEIRA MENDES

O ano de 2003 foi marcado pelo ápice da política de contenção geral de custos, pela adequação da estrutura funcional das empresas e conseqüente busca por resultados econômicos/financeiros. Pelo terceiro ano consecutivo o negócio apresentou crescimento real negativo. No mercado de jornais, a tônica foi compensar nos custos a retração da carteira de leitores e do mercado publicitário. As empresas de comunicação, de um modo geral, apostaram num mercado consumidor futuro que não se realizou, caso principalmente dos investimentos em TV a cabo, com estrutura financeira frágil (emissão de dívida em dólar com receitas em real) e apetite concorrencial desmedido. Uma lição óbvia é que não se pode depender do mercado financeiro para além de um certo nível de endividamento. O custo do dinheiro sempre será proibitivo. O nosso negócio passa por um momento difícil no mundo todo. Há concorrência com novas mídias, queda de faturamento devido ao desaquecimento da economia global e, no caso brasileiro, perfil de endividamento muito alto.

DALTON PASTORE

Todo mundo sabe que este foi um ano difícil, talvez o mais difícil já vivido pela indústria da comunicação publicitária. As mudanças ocorridas na essência do nosso negócio em todo o mundo não contribuíram em nada para o crescimento da indústria, nem para seu aperfeiçoamento, nem para a saúde das empresas que a compõem. O que nos ensina que mudanças não necessariamente são para melhor, como se imagina de saída. Acredito que está na hora de aplicar um outro conceito: back to basics. A indústria da comunicação publicitária é formada por veículos, agências de publicidade e fornecedores de serviços especializados. Cabe a nós a defesa desta indústria. Cabe a nós armar o nosso negócio da forma como acreditamos que ele seja mais competitivo em relação aos nossos concorrentes.

FLAVIO PESTANA

Acho que o negócio da propaganda deve fechar o ano com um crescimento real próximo de zero. O que é péssimo, principalmente se considerarmos que 2001 e 2002 foram anos de queda no investimento publicitário. Eu acredito que a grande lição é que estamos aprendendo a viver forçadamente em outro patamar de tamanho de negócio. E é bom que aprendamos mesmo, porque os tempos de ouro acabaram e não acredito que voltem mais. Ou seja, ficamos todos mais pobres.

JAIME TROIANO

Desde que comecei a trabalhar em marketing e comunicação, estes últimos anos foram aqueles em que mais aprendi! Até então, o mercado, de alguma forma, repetia as mesmas fórmulas tradicionais com sutis variações. O que mudou substancialmente? A certeza definitiva de que é muito mais complexo e trabalhoso fazer comunicação eficaz do que se supunha. O mito de ?para quem tem na mão um martelo tudo parece prego? está sendo sepultado definitivamente. Não é possível pensar em comunicação eficaz a não ser com a habilidade de um maestro. Saber como utilizar os recursos finitos de comunicação, compondo várias partituras que se integrem, criando um efeito harmônico de muitos instrumentos. É isto, e apenas isto, o novo terreno que o futuro nos reservou. Os últimos anos serviram para mostrar o quanto esta complexidade é crescente. E tenho lá minhas dúvidas sobre o quanto a maior parte do mercado brasileiro está preparada para pisar neste terreno. Tenho dúvida sobre o quanto ainda não temos na cabeça uma visão de que o profissional de valor é o solista e não o maestro.

JOÃO AUGUSTO CABRAL

Do ponto de vista macroeconômico não poderíamos ter tido um ano mais positivo, pelo menos no que se refere aos indicadores, que são um reflexo dos fundamentos da economia. Tivemos um forte ajuste fiscal, a melhora do saldo da balança comercial, a queda da taxa de câmbio, a queda da inflação e dos juros. As conseqüências foram graves, com um aprofundamento da recessão e do desemprego. Infelizmente não dá para resolver tudo ao mesmo tempo. Na dúvida, o governo apostou no ajuste e deixou para resolver a questão social de 2004 em diante. O negócio da comunicação depende fundamentalmente do nível interno de consumo, portanto sofreu, mais uma vez, as conseqüências da recessão. O mercado publicitário deve sofrer uma perda real da ordem de 5% a 7% e as tiragens dos jornais continuaram em uma trajetória de queda, devendo terminar o ano com uma perda da ordem de 10% em relação a 2002. Mas acho que o saldo acabará sendo positivo, porque com a queda do dólar as empresas conseguiram melhoras relativas na sua situação patrimonial e o segundo semestre já demonstra uma recuperação das receitas de publicidade, pelo menos em alguns segmentos da mídia. E os balanços vão acabar mostrando algumas melhoras, fruto também dos pesados cortes de custos operados desde o ano passado. Há sempre muitas lições para se tirar de uma crise. Talvez a mais importante seja a mais óbvia, ou seja, nenhum setor da economia pode ser impedido de receber novos investidores, que são a fonte mais saudável de capitalização. Os grupos de mídia basearam a expansão exclusivamente no endividamento, dadas as restrições constitucionais vigentes até o ano passado. Foi um grave erro o País ter convivido com essa anomalia por tanto tempo. A segunda lição é que já está claro para todo mundo que mudanças estruturais aconteceram no modelo econômico das empresas de mídia, que terão que conviver com uma dependência menor da publicidade, notadamente os veículos impressos. A composição das verbas de marketing mudou em definitivo, em detrimento da publicidade. Acho que a principal mudança operada pelas crises foi o amadurecimento empresarial. Todos estão mais preparados para a competição e para a adoção de modelos de gestão mais modernos e compatíveis com a realidade.

JOSÉ ROBERTO MALUF

O ano de 2003 termina tarde e não vai deixar saudades. Dólar contido, juros baixando (pouco, é verdade), mas a economia do País está estagnada. Até para os incorrigíveis otimistas, como eu, a situação pode não mudar muito nos próximos tempos. Bem que o governo tentou fazer o melhor na situação encontrada. Dentro dos parâmetros estruturais existentes, não havia mesmo muitas outras coisas a se fazer. Nem por isso, todavia, o País cresceu. Vinha de problemas do governo anterior e apenas tomou as medidas necessárias para tentar um novo impulso, o que ainda não ocorreu. O Brasil não cresceu neste ano quase nada: do aumento do PIB de 1%, a previsão caiu para 0,8%, talvez 0,5%, quiçá nada. O aumento das exportações com certeza vem ocorrendo, mas esse superávit é insuficiente até para pagar o serviço da dívida do País. De qualquer forma, acho que estamos no caminho certo. Houve uma melhora na roda da economia neste final de 2003, insuficiente, todavia, para acreditar que entraremos em 2004 a todo vapor. As lições, se não foram aprendidas, não o serão mais. É preciso buscar novas receitas, contar centavos, baixar custos e focar no resultado. Quem o fez, está fazendo. E o custo social disso para o País é muito alto. Vende-se pouco, compra-se menos, corta-se despesa e o desemprego só cresce e piora a vida do brasileiro. A situação das empresas do nosso ?trade? não ficou imune a esse processo doloroso passado por outros setores (respeitadas algumas ilhas de excelência, que melhoram seus negócios). Sem exceção, de um modo geral, grupos de mídia e agências passaram por um processo de dificuldade jamais visto. As reduções correram aos magotes. Na área de comunicação, as dificuldades foram maiores para aqueles que não puderam reverter situações anteriores, das quais perderam o controle, ou por causa das novas situações criadas, pelo fato de não terem sabido decodificar o momento de desarrumação da casa.

LUIZ LARA

O ano de 2003 foi mais um ano difícil. Espero que encerre esta triste trilogia de não crescimento da propaganda brasileira, que se iniciou após a euforia de 2000 e que tem afetado negativamente nosso negócio. A única certeza é que o negócio da propaganda jamais será o mesmo porque vivemos nestes últimos três anos uma crise econômica em meio a uma mudança estrutural da nossa indústria. Hoje os principais executivos de marketing sabem que a propaganda é uma das variáveis no composto do seu mix de comunicação. De longe a ferramenta mais importante e mais eficaz para construir e posicionar marcas de sucesso. A propaganda é a grande responsável pelo efeito multiplicador do valor de uma marca e basta mencionar cases como os da Nokia, do Banco Real, da Tim, da Assolan, da Nova Schin, da Brastemp, para constatar que estas marcas tiveram absoluto sucesso de vendas, recall e posicionamento forte na mente dos consumidores. Graças à propaganda! Só que hoje é fundamental utilizá-la em absoluta sinergia com as demais ferramentas de comunicação porque as variáveis de marketing são mais complexas. Por isso as agências têm que se reposicionar, atuando como verdadeiras consultoras de comunicação, fazendo a co-gestão da marca com o cliente. Ou seja, gerenciando todos os pontos de contato do consumidor com sua marca. Na minha visão esta é a principal lição: o novo papel das agências de propaganda.

LUIS GROTTERA

2003 foi o ano da mula-sem- cabeça. Tudo pareceu acontecer ao contrário do que se imaginava, os sonhos se tornaram pesadelos e as catástrofes esperadas viraram cenas de esperança e até de deleite. Pelo segundo ano consecutivo o mercado da comunicação de marketing vive uma depressão. De ordem econômica e psicológica. Essa situação fechou o ciclo de mudanças no mercado das agências, que devem deixar marcas profundas e definitivas. Rompeu-se definitivamente o elo de encantamento entre clientes e empresas de propaganda. De gênios viramos as ?Genis? do mercado. Muitos anunciantes nos vêem apenas como empresas que estão lá ao seu lado com o único objetivo de gastar sua verba de propaganda e ficar com a comissão. Portanto, quanto mais mísera, melhor. Nos últimos anos, as companhias do setor tiveram que fazer negócios vivenciando três diferentes crises: a crise do mercado e do modelo da publicidade nacional; a crise que passa a atividade da publicidade no mundo inteiro, que passou a conviver com uma importância cada vez maior das demais disciplinas da comunicação de marketing; e as crises econômicas do cenário internacional e dos tristes dois anos finais do governo FHC. O nosso negócio, portanto, teve que se redesenhar. Essa situação amplificou a tendência de internacionalização do setor, as lideranças se redefiniram. A crise e a pobreza fizeram com que diminuíssemos nossas egolatrias internas. Hoje já é possível saber quem é o grupo (majoritário) de líderes que consegue sentar numa mesma mesa para debater e trabalhar em favor da categoria; já conseguimos identificar quais são aqueles que também sentam nessa mesa e no primeiro prospect com que se deparam jogam na lata do lixo seu caráter e sua ética.

NIZAN GUANAES

Foi um ano difícil de maneira generalizada que afetou alguns setores de formas diferentes. A despeito disso, algumas empresas continuaram crescendo, mostrando a capacidade de se adaptar a novas realidades e buscar oportunidades em circunstâncias adversas. A crise não foi localizada no Brasil, mas foi global e, do ponto de vista macro, afetou e paralisou alguns negócios, pois quando os Estados Unidos espirram, o resto do mundo pega uma gripe. A grande lição é que as oportunidades continuam existindo, elas só não estão mais da mesma forma. É preciso uma nova maneira de olhar para a realidade e para o mercado. É claro que para quem vende fax ou curso de datilografia não existe mais espaço, mas para quem tem uma escola de informática e comercializa aparelhos de telefones celulares de última geração, por exemplo, a demanda é cada vez maior.

PAULO NOVIS

2003 foi um ano ruim para o negócio da comunicação como um todo. Ainda escaldadas pelos resultados de 2002, as empresas não retomaram seus investimentos em comunicação, em construção de marca – com algumas poucas exceções, caso notório de uma nova cerveja e de uma grande marca de varejo. Um importante anunciante, o governo, ainda em fase de definição de rumos, também retardou o início de suas atividades nesse campo específico. Outro importante marco: o início da real efetivação das normas do Cenp. Na nossa área específica, os jornais: o setor colheu os frutos de uma ação a que foi forçado, ainda em 2002, o aumento dos preços de capa e das assinaturas, conseqüência da elevação do câmbio. Este fator, aliado a uma profunda queda do poder aquisitivo do público em geral, contribuiu para deprimir as circulações. A crise econômica mundial alterou para pior o horizonte de planejamento das empresas. Mesmo quem planeja a médio/longo prazo – por uma questão de cultura da própria empresa – passou a ter, pelo menos, um plano de curto prazo, a buscar resultados mais imediatos. Isto afeta sensivelmente o mix de verbas de comunicação, drenando verbas de construção de marcas (visão de longo prazo, de valor) para promoções e ações de ponto-de-venda (visão de curso prazo, de caixa). A nossa indústria ainda tem um desafio grande pela frente: provar ao mercado que comunicação é investimento que vale a pena, que gera valor, mesmo nos cenários econômicos mais adversos.

RUI PORTO

Foi um ano difícil. A propaganda acompanha os outros segmentos de mercado. Não é uma atividade à parte. Para o negócio da propaganda, o ano não foi bom. No nosso caso, não houve problema. A São Paulo Alpargatas compra mídia com antecedência. É tudo planejado, não tem o que mudar. O ano foi conforme o planejamento e não houve a necessidade de verba adicional. A grande lição é que o temor de Lula, algo ruim para a economia, não se confirmou. Não foi o fantasma que havia sido apregoado. Acredito que temos bons indícios – dólar estável, inflação controlada, risco Brasil em baixa – para pensar positivamente. Acho que as pessoas ficaram mais práticas e mais estratégicas.

SÉRGIO AMADO

Com a economia estagnada não existe possibilidade de crescimento real do negócio da comunicação no Brasil. O ano de 2003 – repetindo 2002, 2001 – foi um desastre para a comunicação nacional. A pequena reação dos últimos meses será incapaz de gerar crescimento acima da inflação. Tirando os olhos do maior mercado nacional – São Paulo – o desastre é ainda maior, atingindo pequenas e médias empresas em todo o Brasil, gerando um volume de demissões nunca visto na história do nosso negócio. As mudanças que só agora ?começam a virar moda? por uma parte do mercado já estavam em curso há muito tempo em diversas agências no Brasil: mudanças como visão global das marcas, relacionamento com clientes ?sem muros?, mais inteligência estratégica a serviço das marcas, mais aplicação nas novas tecnologias de planejamento, resultados e compra de mídia.

WILLY HAAS

O ano foi extremamente difícil em função da política do novo governo e sua adaptação ao mercado, com política de juros altos, conseqüente desemprego e achatamento salarial, resultando em retração nas vendas. Num momento difícil, sabemos que a propaganda é extremamente necessária para a sobrevivência, porém, como não há folga nos budgets os clientes priorizam meios e veículos; por este motivo, a equipe da Rede Globo se mobilizou para tentar fazer deste ano um modelo de atuação e performance. A lição é que em momentos difíceis, temos que atuar com mais criatividade e transpiração, mantendo-se a ética, o equilíbrio emocional, o respeito e o profissionalismo com nossos clientes, agências e concorrência (direta e indireta).”

“O ano em retrospectiva”, copyright Meio e Mensagem, 15/12/03

“JANEIRO

– Luiz Inácio Lula da Silva assume a presidência da República no dia 1? de janeiro, data em que o governo federal passa a adotar as regras do Cenp para seus investimentos em propaganda. No dia anterior, 31 de dezembro de 2002, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, assinou decreto neste sentido.

– A Secretaria de Comunicação do Governo e Gestão Estratégica (Secom), comandada por Luiz Gushiken, convoca agências e veículos para colaborarem com o programa Fome Zero.

– Assolan, marca de lã de aço da Prátika Industrial, contrata a Africa com o objetivo de ganhar 30% do mercado até dezembro deste ano.

– Francisco Valim, ex-diretor financeiro da Telemar e ex-diretor da Net Sul, assume a presidência da Net Serviços de Comunicação, antes ocupada por Luiz Antonio Vianna.

– TBWA Wordwilde Inc. e Grottera oficializam negociação com o objetivo de abrir nova agência de comunicação de marketing no Brasil.

FEVEREIRO

– Ambev rompe parceria de seis anos com a Carillo Pastore Euro RSCG, que atendia Sukita, guaraná Antarctica, Marathon e Caracu.

– Uol vende sua operação na Colômbia e reestrutura sua rede no Brasil.

– Lew,Lara vence a concorrência pela conta das Casas Pernambucanas, antes atendida pela UpGrade.

– SBT passa por reestruturação e José Roberto Maluf, vice-presidente executivo da emissora, desliga-se da companhia por não concordar com as medidas.

– Pedro Parente, ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso, assume o cargo de vice-presidente executivo do Grupo RBS.

– Unilever volta a liderar ranking de anunciantes do Ibope Monitor em 2002, quando investiu o equivalente a R$ 255,7 milhões, um crescimento de 37% sobre 2001.

– Duda Mendonça, guru da campanha que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República, anuncia que vai voltar suas baterias para a conquista de contas da iniciativa privada.

– Nestlé deflagra maior ação de marketing da história da empresa no País por meio da promoção ?Nestlé e você. Junta Brasil?, estrelada por Gugu Liberato, Fausto Silva, Ana Maria Braga e Hebe Camargo. Companhia também adere ao Programa Fome Zero, do governo federal.

– Grupo Ogilvy anuncia o nome de Antonio Carlos Carletto para assumir a vice-presidência e diretoria geral da OgilvyOne Worldwide.

– Africa vence a concorrência pela conta de lançamento da Vivo, resultado da joint venture entre Telesp Celular e Telefônica Móviles.

MARÇO

– Dados do Projeto Inter-Meios revelam que em 2002 o mercado publicitário movimentou R$ 13,218 milhões, um crescimento nominal de 3,4% sobre o exercício anterior.

– Prefeitura de São Paulo sanciona projeto de lei que estabelece nova regulamentação do uso da paisagem urbana pela publicidade na capital.

– Holding Ypy relança marca MPM, agora comandada por Bia Aydar.

– Volkswagen comemora 50 anos de Brasil com campanha criada pela AlmapBBDO.

– A Carat, gigante especializada em compra de mídia pertencente à holding britânica Aegis Group, inicia operação no Brasil, apesar da rejeição do mercado.

– A Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) assina campanha para estimular as empresas a retomar seus investimentos em propaganda.

– Lançada há 12 anos, a campanha ?Não tem comparação?, da Brastemp, entra em nova fase e passa a ser estrelada por famosos.

– Publicis.Norton e Salles D?Arcy anunciam fusão, responsável pela criação da Publicis Salles Norton e surgimento da Salles Chemistri.

– Fischer América vence concorrência pela conta da cerveja Schincariol.

– Ricardo Ramos, da Grottera, assume a presidência da Associação dos Profissionais de Propaganda (APP).

ABRIL

– AlmapBBDO é a agência mais premiada da segunda edição do Prêmio Folha/Revista da Criação.

– Grupo Pão de Açúcar anuncia série de ações para engajar suas bandeiras ao Programa Fome Zero, do governo federal.

– NBS conquista a conta do guaraná Antarctica.

– Meio & Mensagem completa 25 Anos e lança edição especial comemorativa à data.

– João Roberto Vieira da Costa, Silvana Tinelli e Nelson Biondi Filho anunciam a criação da SNBBnovagência.

– Governo federal decide centralizar a negociação de compra de mídia para publicidade oficial. Decisão gera polêmica e muitos consideram que a situação se assemelha a um bureau de mídia.

– Proibido desde 1998, o serviço de ligações telefônicas pelo prefixo 0900 volta a ser liberado pela justiça.

– A Propeg Rio é dividida em duas agências: Next e Quê.

– Cartoon Neywork faz 10 anos de exibição na América Latina com 14 milhões de assinantes.

– O Grupo EuroRSCG apresenta a Joy Euro RSCG, criada a partir da sociedade entre a companhia e as empresárias Hortência Marcari e Dora Kaufman.

– Editora Globo unifica diretorias comercial e de marketing e contrata Ângelo de Sá Júnior.

– Dalton Pastore, sócio da Carillo Pastore Euro RSCG, é eleito presidente da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap) em substituição a Sergio Amado, presidente da Ogilvy.

MAIO

– Nicolino Spina assume a presidência do jornal Valor Econômico na vaga deixada por Flavio Pestana.

– TBWA, do conglomerado Omnicom, adquire 25% das ações da Taterka.

– Contexto vence a concorrência para o atendimento da conta de R$ 24 milhões do governo do Estado de São Paulo.

– A rede de videolocadoras Blockbuster é eleita Anunciante Online do Ano na segunda edição do Prêmio MMonline/MSN.

– Sun MRM ganha o Grand Prix do IX Prêmio Abemd, da Associação Brasileira de Marketing Direto.

– Ministério da Saúde anuncia intenção de restringir a propaganda de bebidas alcoólicas na TV, incluindo cerveja, vinho e bebidas ice, ao horário das 22h às 6h.

– A Giovanni,FCB conquista a conta da Dairy Partners Americas (DPA), joint venture criada em 1? de janeiro deste ano a partir da aliança estratégica entre a Nestlé e a Fonterra para atuação no setor de produtos lácteos em todo o continente americano.

– BankBoston decide manter sua conta na Leo Burnett após concorrência remunerada que durou 75 dias.

– O anuário Melhores e Maiores, da revista Exame, completa 30 anos e lança livro sobre história da economia brasileira.

JUNHO

– O Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp) acata denúncia da Rede Globo e determina redução do prazo de validade do Certificado de Habilitação Técnica da Leo Burnett (documento sem o qual a agência não tem como pleitear o desconto-padrão de 20% na compra de mídia) de cinco para um ano. A emissora denunciou a agência ao Cenp por compra de espaço pela Starcom MediaVest, bureau de mídia. Agência se compromete a encerrar operação da Starcom.

– O Grupo Abril, sócio do Grupo Folha no Uol, lança seu próprio portal e anuncia parceria de conteúdo com o iG.

– Portugal Telecom (PT), também sócia do Uol, vende sua participação na agência de notícias InvestNews, cujo controle era dividido com a Gazeta Mercantil.

– Duda Mendonça recebe homenagem da Associação Brasileira de Propaganda (ABP) como Personalidade do Ano.

– Editora Manchete, de Marcos Dvoskin, dá continuidade aos títulos da extinta Bloch e anuncia novos parceiros.

– Valisère volta para a carteira de clientes da W/Brasil, que deixou de atendê-la em 1990.

– Brasil, Japão e Colômbia foram os grandes vencedores da 14? edição do Festival de Gramado.

– AgênciaClick é bicampeã do Prêmio MMonline/MSN.

– Grupo De Simoni anuncia o surgimento da De Simoni Marketing Services, resultante da associação com a Virtual Case e da aquisição da agência de promoções Gas.

– O Brasil consegue 33 Leões no Festival de Cannes, desempenho acima do esperado, já que o número de inscrições caiu quase 40% em relação a 2002, quando o País conquistou 27 Leões.

– Editora Símbolo vende a revista Tititi para a Abril.

– A AlmapBBDO é a principal vencedora do Prêmio Abril de Publicidade com três estatuetas nacionais.

JULHO

– Projeto Inter-Meios revela que o faturamento da mídia manteve-se estagnado no primeiro semestre. O valor total foi de R$ 4,67 bilhões, uma redução de 0,02% diante do mesmo período de 2002.

– Thomaz Souto Corrêa, vice-presidente e diretor editorial da Editora Abril, deixa a companhia após 40 anos e passa a integrar os conselhos de administração e editorial da empresa.

– McCann-Erickson ganha o GP da quarta edição do Prêmio MaxiMídia, promovido por Meio & Mensagem e patrocinado pela Rede Record.

– Ary de Carvalho, presidente do grupo de comunicação O Dia, morre no dia 4 aos 69 anos.

– Armando Strozenberg, sócio diretor da Contemporânea, é reeleito presidente da Associação Brasileira de Propaganda (ABP).

– Silvio Santos, dono do SBT, rompe o silêncio e concede entrevista para a revista Contigo, para a qual afirma, entre outros assuntos, que teria vendido a emissora para a rede mexicana Televisa e para um grupo de empresários liderado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. As partes citadas desmentem a informação e, na seqüência, o próprio apresentador afirma que tudo não passou de brincadeira.

– Comitê Olímpico Brasileiro (COB) informa que duas agências de propaganda vão fazer a divulgação dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007.

– Senado surpreende o mercado publicitário com taxação de ISS sobre veículos de comunicação. Entidades do setor tentam marcar audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para expor o impacto negativo dessa medida sobre as empresas de mídia.

– Duda Mendonça, Lew,Lara e Matisse vencem concorrência pela conta publicitária total de R$ 150 milhões da Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica (Secom). Disputa envolve recorde de 47 participantes.

– UpGrade sai do Grupo Total, holding do publicitário Eduardo Fischer, ganha independência e anuncia Beto Ramazzina como novo sócio.

AGOSTO

– Morre no dia 6 o jornalista Roberto Marinho, fundador das Organizações Globo, aos 98 anos, em conseqüência de uma embolia pulmonar. Roberto Irineu Marinho, filho do jornalista, passa a ser o presidente do conglomerado.

– O presidente Luiz Inácio Lula da Silva veta a cobrança de ISS aos veículos de comunicação. A decisão significou alívio para as empresas de mídia.

– Os Jogos Pan-Americanos, realizados na República Dominicana, têm a maior cobertura de sua história.

– A Jodaf e a Radar unem-se para a criação da Mixer, marca guarda-chuva para as operações das empresas dos dois grupos.

– Brasil dá o pontapé inicial do processo de unificação das bandeiras Maestro e RedeShop em MasterCard Maestro.

– QG ganha a concorrência pela conta de mais de R$ 30 milhões da Sonae Distribuição Brasil, que era atendida pela McCann-Erickson, e abre a QG Sul em Porto Alegre, onde fica a sede do novo cliente.

– Fischer América lança primeira campanha para Schincariol com teaser que ironiza uso de tartaruga em comerciais de cerveja. A F/Nazca e a Ambev conseguem suspender a veiculação no Conar, mas são acusadas de espionagem pela concorrente e sua respectiva agência. Isso porque teriam anexado ao processo a cópia de um comercial da Schincariol que ainda não havia sido veiculado.

– A Ambev e a Diageo, dona da Smirnoff, iniciam campanha para estimular o consumo consciente do álcool.

SETEMBRO

– Schincariol apresenta finalmente a Nova Schin e anuncia verba anual de R$ 120 milhões em marketing. Primeiro filme, com participação de personalidades como o ator Thiago Lacerda e o cantor Zeca Pagodinho, traz o bordão ?Experimenta, experimenta?.

– Gugu Liberato gera polêmica ao exibir no dia 7 uma entrevista com supostos integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no programa Domingo Legal, pelo SBT. Os ?entrevistados? fizeram ameaças de morte e seqüestro a políticos e personalidades. Caso vai parar na Justiça.

– TBWABR, resultado da associação entre a multinacional e a Grottera, é oficialmente lançada no mercado.

– Leyla Fernandes, da Produtora Associados, é a nova presidente do conselho administrativo da Associação Brasileira das Empresas Produtoras de Obras Audiovisuais Publicitárias (Apro).

– CaliaAssumpção, DNA e Ogilvy ganham a conta de R$ 142 milhões do Banco do Brasil.

– Souza Cruz lança campanha em que pede moderação aos fumantes e divulga ingredientes da marca Free. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), porém, suspende a campanha sob alegação de que a ação, além de mencionar propriedades que o tabaco não possui, pode ser considerada propaganda enganosa.

– Contemporânea vence a concorrência pela conta da Prefeitura do Rio de Janeiro. Verba de outubro de 2003 a abril de 2004 soma R$ 10 milhões.

– Conar altera normas técnicas para publicidade de bebidas alcoólicas.

– Rede Record comemora 50 anos com meta de chegar ao segundo lugar entre as emissoras de TV aberta.

– MaxiMídia passa a ter programação paralela focada em marketing direto, o MaxiDirect. A tradicional feira do evento, agora exclusivamente voltada para negócios, reúne cerca de 12 mil pessoas.

– O Conselho Federal de Medicina (CFM) edita resolução em que proíbe a participação de médicos em campanhas publicitárias.

– Flavio Pestana, ex-presidente do jornal Valor Econômico, assume a superintendência da Editora Escala.

– A Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) batem à porta do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) para pleitear linha de crédito às empresas de mídia.

OUTUBRO

– A Salton, fabricante norte-americana de eletroportáteis, desembarca no Brasil e entrega sua conta para a Z+. Meta inicial é lançar uma linha de grill com o nome de George Foreman, ex-campeão mundial de boxe.

– Giovanni,FCB, Bagg/Link e SMPB são as vencedoras da concorrência pela conta de R$ 72 milhões da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.

– Publicis Salles Norton ganha dois GPs no segundo festival do Clube de Criação do Rio de Janeiro, agora presidido por Álvaro Rodrigues. DPZ, NBS e McCann-Erickson levam os outros GPs.

– Sony relança a marca Aiwa no Brasil.

– Eletropaulo deixa a Neogama/BBH e entrega sua conta para a F/Nazca.

– Porto Alegre institui lei que limita ações de telemarketing na capital gaúcha, assim como já ocorre nos EUA.

– A gaúcha Veraz vence a concorrência pela conta de R$ 2,5 milhões da Anhembi Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo.

– Nokia é eleita a marca de maior destaque do Folha Top of Mind.

– A Direct Marketing Association (DMA) propõe a auto-regulamentação para evitar lei contra e-mail marketing durante o 86? congresso da entidade.

– Diretoria da Forbes se demite por causa do cancelamento de licenciamento da marca e por atraso de pagamento de fornecedores e funcionários.

– Grupo Abril vende praticamente toda sua participação acionária no Universo Online (UOL), ficando com apenas 8% das ações.

– Conta do Ponto Frio, estimada em R$ 60 milhões, deixa a carteira da Fischer América e vai para a DM9DDB.

NOVEMBRO

– Silvio Santos reúne representantes do mercado publicitário para apresentar Antônio Athayde como superintendente comercial do SBT.

– Leo Burnett, W/Brasil e F/Nazca são os principais vencedores da 25? edição do Profissionais do Ano, promovido pela Rede Globo de Televisão.

– Giovanni,FCB vence a concorrência pela conta de R$ 50 milhões da Sabesp.

– A Eugênio retira a sigla WG de sua assinatura e assume a denominação Eugenio DDB diante da cisão entre a agência paulista e a catarinense.

– Tomás Lorente deixa a sociedade na Age após quatro anos.

– Duda Mendonça, F/Nazca e Quê ganham a licitação de R$ 120 milhões da Petrobras.

– Ibope Mídia anuncia o Radioplanning, novo produto de pesquisa para o meio rádio.

– TBWABR torna-se grupo no Brasil com a criação da TequilaBR e da G1BR.

– Governo gaúcho define vencedores da concorrência de sua conta estimada em mais de R$ 40 milhões. As ganhadoras são DCS, Dez Propaganda, Escala, SLM, Publicis Salles Norton, Matriz, Martins + Andrade e Novacentro.

– Euller Matheus, presidente executico da Publicis Salles Norton anuncia sua aposentadoria e determina 31 de dezembro como último dia de trabalho.

– Gradiente troca a Neogama/BBH pela Africa.

– Cenp notifica veículos para não concederem mais descontos nas compras de mídia, efetuadas pela DM9DDB e Young & Rubicam, para o cliente Telefônica. Isso aconteceu porque o anunciante, após uma série de negociações, não se enquadrou às normas do Cenp.

– F/Nazca conquista pela terceira vez o título de Agência do Ano do Festival Internacional de Publicidade do Rio de Janeiro, promovido pela ABP.

– McCann-Erickson vence a concorrência pela conta estimada em R$ 30 milhões do Banco Santander/Banespa.

– A Molson, dona das marcas de cerveja Kaiser e Bavaria, troca a Bates pela W/Brasil. Enquanto isso, a Ambev entrega a conta das marcas superpremium para a Africa.

– Avelar Vasconcelos, ex-presidente da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), após 35 anos na Nestlé, onde desenvolvia serviços de assessor da presidência, deixa a companhia e parte para carreira solo.

DEZEMBRO

– Carlos Righi é reeleito presidente do Clube de Criação de São Paulo em pleito que disputou com a chapa de oposição liderada por Sérgio Gordilho.

– A produtora Luz Mágica, do cineasta Cacá Diegues, passa a integrar a Mixer, de João Daniel Tikhomiroff.

– Ogilvy passa a atender a conta da marca de pneus Michelin para os mercados das Américas do Sul e Central.

– Prêmio Caboré destaca os melhores da indústria da comunicação (ver mais informações na pág. 38)

– Guerra das cervejas ganha novo round com a Brahma, que contratou o apresentador de TV e locutor de rádio, Milton Neves, para transmitir suas mensagens publicitárias. O profissional mantém contrato similar com a Schincariol até o final deste mês.

– O Cenp restabelece certificação de qualificação técnica da DM9DDB e Young & Rubicam no relacionamento comercial com a Telefônica. Anunciante assume compromisso de se adequar às normas-padrão.

– O Ministério das Comunicações multa o SBT em R$ 1.792 mil por conta da veiculação, em 7 de setembro, de entrevista com supostos integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no programa Domingo Legal, ancorado pelo apresentador Augusto (Gugu) Liberato. Na época, os entrevistados fizeram ameaças de morte e seqüestro a políticos e personalidades.”

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