Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > INTERNACIONAL

Repórter do Estadão é libertado na Líbia

09/03/2011 na edição 632


G1, 10/3


Jornalista brasileiro é libertado na Líbia


O diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, disse na tarde desta quinta-feira (10) que o repórter Andrei Netto, enviado especial do jornal O Estado de S. Paulo à Líbia, foi libertado. Segundo Gandour, o jornalista está abrigado na casa do embaixador brasileiro em Trípoli, George Ney Fernandes. Netto esteve preso por oito dias, após ter sido capturado por tropas leais ao ditador Kadhafi. Ele está bem de saúde e deve deixar a Líbia na sexta, de acordo com o diretor do Grupo Estado.


Gandour contou que Netto está na Líbia desde o dia 19 de fevereiro e foi preso no dia 2 de março. O primeiro contato com ele foi somente nesta quinta. A soltura do brasileiro foi confirmada também pelo Ministério das Relações Exteriores.


Segundo as informações preliminares passadas pelo Estadão em uma coletiva em São Paulo, o jornalista ‘foi preso quando tentava legalizar sua situação de entrada no país’, como contou Luciana. Netto, um dos enviados especiais para a cobertura dos conflitos no país árabe, entrou pela fronteira da Líbia com a Tunísia.


Gandour disse que o repórter não mantinha contato com o Brasil todos os dias, mas ‘sempre voltava (com informações), nos tranquilizando’.


Ajuda parlamentar


Mais cedo, os senadores Eduardo Suplicy (PT) e Paulo Paim (PT-RS), integrantes da Comissão de Direitos Humanos do Senado, informaram que o repórter poderia ser libertado ainda nesta quinta. Os parlamentares ligaram para o embaixador líbio no Brasil, Salem Ezubedi, pela manhã para buscar informações sobre o jornalista.


Segundo Suplicy, o embaixador líbio relatou que Andrei estava na cidade de Sabratha. Ele ficou preso a Oeste da capital Trípoli.


O Estadão havia perdido todo contato direto com Netto havia uma semana. Até domingo, o jornal relatou que recebia informações indiretas de que o repórter estava bem, escondido na região de Zawiya – cenário de violentos confrontos entre Kadhafi e os insurgentes, a 30 quilômetros de Trípoli. A comunicação direta com a redação – por meio de telefonemas e e-mails – havia sido propositadamente cortada por segurança, afirmavam fontes líbias ao jornal.


Segundo Paim, a Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou duas moções sobre o caso. ‘A primeira moção é de solidariedade ao jornal e também com a família do jornalista e a outra exigindo das autoridades líbias a imediata libertação do repórter’, disse ele.


O governo brasileiro, a Embaixada da Líbia no Brasil, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a ONU e vários veículos de comunicação do Brasil e do mundo estão colaborando no sentido de garantir a integridade física e segurança do repórter, diz o jornal.


 


 


O Estado de S. Paulo, 10/3


Repórter do Estado é solto na Líbia


O repórter Andrei Netto, enviado especial do Estado à Líbia, foi libertado nesta quinta-feira, 10. Ele está abrigado na casa do embaixador brasileiro em Trípoli, George Ney Fernandes. O jornalista esteve preso por oito dias na cidade de Sabrata, a 60 km da capital, após ter sido capturado por tropas leais ao ditador Muamar Kadafi. Netto está bem de saúde e deve deixar a Líbia na sexta.


No período em que esteve preso, o jornalista ficou sem qualquer contato com o exterior. No domingo, a prisão em que ele estava foi alvo de ataques.


O Estado havia perdido todo contato direto com Netto. Até domingo, o jornal recebia informações indiretas de que seu repórter estava bem, escondido na região de Zawiya – cenário de violentos confrontos entre Kadafi e os insurgentes, a 30 quilômetros de Trípoli. A comunicação direta com a redação – por meio de telefonemas e e-mails – havia sido propositadamente cortada por segurança, afirmavam fontes líbias.


Desde a última semana, O Estado tem acionado diversas entidades internacionais, como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a ONU e a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), além do governo brasileiro, a Embaixada da Líbia no Brasil,e vários veículos de comunicação nacionais e internacionais no sentido de garantir a integridade física e segurança do repórter.


 


 


O Estado de S. Paulo, 10/3


Repórter do Estadão deve ser libertado


[Título original ‘Repórter do Estado preso na Líbia está sendo libertado, diz embaixada’]


O embaixador da Líbia no Brasil, Salem Omar Abdullah Al-Zubaidi, informou nesta quinta-feira, 10, aos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Eduardo Suplicy (PT-SP) que o correspondente do Estado em Paris Andrei Netto, preso na Líbia durante a cobertura dos confrontos entre rebeldes e forças do regime de Muamar Kadafi, está sendo libertado.


A conversa aconteceu há pouco [manhã de quinta-feira, 10/3], por telefone, durante a reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado, que é presidida por Paim. ‘Todas as autoridades da Líbia estão tomando as providências para que ele seja libertado’, afirmou o senador Paim, repetindo as palavras que ouviu por telefone do embaixador.


Segundo os senadores, o embaixador disse que ele foi preso por não ter preenchido corretamente os documentos para entrar no país. A conversa com o embaixador se deu minutos depois da comissão ter aprovado uma moção de solidariedade do Senado ao Grupo Estado de S.Paulo pela apreensão provocada com o desaparecimento do jornalista.


O Estado havia perdido todo contato direto com Netto. Até domingo (6/3), o jornal recebia informações indiretas de que seu repórter estava bem, escondido na região de Zawiya – cenário de violentos confrontos entre Kadafi e os insurgentes, a 30 quilômetros de Trípoli. A comunicação direta com a redação – por meio de telefonemas e e-mails – havia sido propositadamente cortada por segurança, afirmavam fontes líbias.


Desde a última semana, o Estado tem acionado diversas entidades internacionais, como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR), a ONU e a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), além do governo brasileiro, a Embaixada da Líbia no Brasil e vários veículos de comunicação nacionais e internacionais no sentido de garantir a integridade física e segurança do repórter.


Veja também


** Twitter: Acompanhe os relatos do enviado do Estado
** Linha do Tempo: 40 anos de ditadura na Líbia


 


O Estado de S. Paulo, 9/3


‘Estado’ perde contato com repórter na Líbia


O Estado perdeu há uma semana todo contato direto com seu repórter Andrei Netto, correspondente em Paris que estava no oeste da Líbia cobrindo os confrontos entre rebeldes e forças do regime de Muamar Kadafi. Segundo informações não confirmadas obtidas nesta quarta-feira pelo jornal, Netto teria sido preso pelo governo, juntamente com um outro jornalista e um guia líbio que os auxiliava.


Até domingo, o Estado recebia informações indiretas de que seu repórter estava bem, escondido na região de Zawiya – cenário de violentos confrontos entre Kadafi e os insurgentes, a 30 quilômetros de Trípoli. A comunicação direta com a redação – por meio de telefonemas e e-mails – havia sido propositadamente cortada por segurança, afirmavam fontes líbias.


Nesta quarta, porém, novas informações indicavam que Netto tinha sido preso na região de Zawiya. Em conversa por telefone com o Estado, o vice-chanceler da Líbia, Khaled Qaim, disse que a notícia da prisão era ‘provavelmente correta’. Ele já estava informado sobre o assunto antes de ser contatado pelo jornal e se comprometeu a ajudar a localizar o brasileiro. Até o ínicio da noite desta quarta, porém, Trípoli não tinha confirmado oficialmente a detenção.


O governo brasileiro, a Embaixada da Líbia no Brasil, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, a ONU e vários veículos de comunicação do Brasil e do mundo estão colaborando com o Estado no sentido de garantir a integridade física e segurança do repórter, bem como sua saída imediata e em segurança da Líbia. A família do repórter – que tem 34 anos e é gaúcho de Ijuí – está em contato direto com o jornal.


Netto entrou em território líbio pela fronteira da Tunísia no dia 19, dias após o início dos confrontos entre Kadafi e opositores. Pouco a pouco, ele foi avançando na direção de Trípoli, mas parou em Zawiya, onde se intensificaram os confrontos.


A cidade, que havia sido tomada pelos rebeldes, foi sitiada por soldados leais ao governo há uma semana. Em seguida, forças da brigada Khamis – tropa de elite comandada por um dos filhos de Kadafi – realizaram várias investidas contra Zawiya.


Correspondente do Estado em Paris desde 2006, Netto tem experiência em grandes coberturas internacionais, como o terremoto de L’Áquila, na Itália, o acidente do voo 447 Rio-Paris da Air France e cúpulas do G-20.


 


 


Veja, 4/3


Jornalistas estrangeiros sofrem duro controle de autoridades da Líbia


As autoridades líbias mantêm um controle rígido sobre os jornalistas estrangeiros em Trípoli, proibindo-os de deixar seus hotéis desacompanhados, fornecendo informações truncadas e cortando o acesso à internet.


As restrições se intensificaram às vésperas das orações desta sexta-feira, dia santo para os muçulmanos, que se tornaram um trampolim na Líbia para protestos antirregime, pedindo a saída do ditador Muamar Kadhafi, no poder há 41 anos.


As portas do hotel Rixos, onde a maioria dos correspondentes estrangeiros se hospeda, estavam fechadas. Aos jornalistas só era permitidos sair uma vez, em uma visita organizada e acompanhada por oficiais.


O porta-voz do governo Moussa Ibrahim fez um alerta severo à imprensa.


‘Qualquer jornalista que sair às ruas sem permissão será preso. Este é um dia especial. Elementos terroristas buscam provocar violência e a presença da mídia só vai piorar as coisas’, disse a jornalistas ocidentais.


No entanto, um repórter da AFP conseguiu chegar à Praça Verde, ponto de referência de Trípoli, onde centenas de pessoas participavam de um protesto pró-Khadafi, gritando palavras de ordem em apoio ao ‘Guia da Revolução’.,


Quinze policiais rapidamente conduziram o correspondente para um táxi, ordenando ao motorista que o levasse diretamente para o hotel, sem desvios.


Mais tarde, testemunhas disseram que manifestantes pró e contra o líder líbio se enfrentaram perto da praça, o principal reduto dos leais a Kadhafi na capital.


Outra testemunha disse que a polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo na direção de manifestantes em Tajoura, bairro no leste de Trípoli, depois das orações desta sexta-feira.


Mas mesmo antes, os serviços de segurança enfrentaram uma tarefa complicada, quando autoridades do governo assumiram o controle dos jornalistas desde o momento que chegaram no aeroporto.


Desde a quinta-feira, a internet foi desconectada nos dois hotéis designados a hospedar os correspondentes estrangeiros.


‘Não é nossa culpa. Foi uma intervenção externa’, disse um funcionário do hotel Corinthia.


Desde o início dos protestos, em 15 de fevereiro, as autoridades líbias têm acusado regularmente a mídia internacional de exagerar a extensão da violência, projetando uma imagem negativa de Muamar Kadhafi, que está no poder há 41 anos.


Esta semana, as autoridades têm negado sistematicamente as operações militares no leste da Líbia, onde a AFP coletou versões testemunhos e às vezes chegou a testemunhar eventos no local.


Na quarta-feira, Ibrahim se recusou a reconhecer que as autoridades tenham lançado uma ofensiva militar para tomar o controle do porto petrolífero de Brega.


‘Tem havido boatos de um ataque supostamente lançado por nossas forças. Mas todos se revelaram falsos’, afirmou.


No entanto, Seif al-Islam, um dos filhos de Kadhafi, disse à Sky News esta quinta-feira que o ataque aéreo a Brega foi ‘apenas para assustar’ as forças da oposição que tentavam tomar o controle do porto estratégico.


Quando o governo organizou um comboio especial para a imprensa para viajar para o noroeste do país, onde forças leais ao regime pareciam estar no controle, repórteres foram alertados contra interação com a população local.


Em Zawiyah, cidade a oeste de Trípoli no caminho para a Tunísia, Aicha Jaloud, que acompanhava a imprensa internacional, disse que a situação estava ‘sob controle’, mas se recusou a levar os jornalistas ao centro da cidade.


Outro acompanhante da imprensa admitiu que o centro de Zawiyah, local de um combate feroz entre simpatizantes da oposição e forças de Kadhafi, não estava totalmente sob controle do governo.


De fato, um bloqueio de três tanques na estrada sugeriam um longo desafio.


 


 


 


Folha de S. Paulo, 10/3


Peter Beaumont, do Guardian, em Trípoli


Jornalistas em Trípoli se prestam ao jogo sinistro do regime


Uma noite, na tradicional coletiva que o regime do coronel Gaddafi oferece todos os dias no hotel Rixos, em Trípoli, uma carta foi entregue aos jornalistas.


Era a cópia de um comunicado a Li Baodong, presidente do Conselho de Segurança da ONU. Para os jornalistas, sobressaiu o sexto parágrafo.


‘Nenhuma restrição é imposta aos jornalistas estrangeiros. Correspondentes trabalham livremente na Líbia, e todas as necessárias instalações são fornecidas a eles. Eles têm liberdade de movimento, exceto em áreas controladas pelos terroristas da Al Qaeda’, dizia o texto.


A realidade é que jornalistas não podem trabalhar livremente, apesar das inúmeras promessas de pessoas como Saif al Islam, filho do ditador, e do vice-chanceler Khalid Khaymen.


Nos últimos dias, o ‘Guardian’ foi detido duas vezes por testar essas promessas. A primeira, por seis horas e meia, perto da cidade de Zawiyah, após visita a instalações de inteligência.


No episódio, disseram aos jornalistas que eles seriam vendados e levados a um lugar não identificado.


Na segunda ocasião, o repórter do jornal foi detido por três horas por paramilitares em um posto de controle -junto com outros 24 jornalistas detidos em Trípoli num único dia.


Jornalistas de outras nacionalidades, todos com permissão para trabalhar no país, têm sido submetidos a tratamento ainda pior: alguns passaram a noite detidos, foram espancados por milícias ou ameaçados com armas carregadas.


SEM PROTEÇÃO


Autoridades responsáveis pela imprensa têm pouco interesse em protegê-la. Quando o ‘Guardian’ foi detido no sábado, o chefe do escritório de imprensa disse aos que buscaram ajuda que ele havia ‘lavado as mãos’. Havia um ‘preço a pagar’ por não seguir as regras .


Quando os homens de Gaddafi ajudam, é nos termos mais sinistros. Um porta-voz do governo, Moussa Ibrahim, falando com um grupo de jornalistas que esperava um discurso de Gaddafi no hotel, aconselhou os fotógrafos a não subirem ao primeiro andar. ‘Se vocês subirem, vão ser mortos imediatamente. Estou só avisando. Estou tentando ajudar.’


Se há um senso de ameaça contra a mídia internacional, as consequências para os líbios que falam com a gente são muito mais sérias.


Na sexta-feira, um jovem de uma região opositora em Trípoli, foi preso diante de nós após uma conversa.


COLETIVAS SURREAIS


O conteúdo das coletivas de imprensa beira o surreal. Operações ofensivas viram operações defensivas.


O que leva à pergunta: por que estamos aqui? A resposta é preocupante. Jornalistas estão em Trípoli para dar o pano de fundo para os pronunciamentos do governo.


Não somos apenas o inimigo. Somos uma audiência cativa. Ao registrar o que os porta-vozes e Gaddafi dizem, damos crédito a suas declarações, por mais extravagantes que sejam.


A alternativa para as tentativas arriscadas de fazer jornalismo independente é aquilo a que o governo dá acesso. Todos os dias, os jornalistas se reúnem no Rixos à espera de um tour a uma localidade onde, inevitavelmente, um teatrinho do regime foi montado.


Enquanto isso, o que está acontecendo com os civis líbios é efetivamente censurado. Em algum momento, por nossa mera presença, ao sermos ineficazes, nos tornaremos cúmplices da censura.

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