Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > REDE TV! FORA DO AR

Ricardo Galhardo

16/11/2005 na edição 355


‘A Rede TV! ficou fora do ar durante todo o dia de ontem em São Paulo devido ao descumprimento de decisões judiciais referentes ao programa ‘Tarde Quentes, apresentado por João Kleber. Somente às 22h20m a emissora voltou a transmitir. Embora a decisão da juíza da 2 Vara Cível Federal de São Paulo, Rosana Vidor, determinasse a suspensão do sinal de TV aberta da emissora para todo o Brasil durante 48 horas, ou até a Rede TV! se comprometer por escrito a cumprir as exigências da Justiça, a medida só foi cumprida na capital paulista.


– Estamos averiguando com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) o que aconteceu – disse o procurador federal Sergio Suiama, responsável pelo pedido.


A decisão judicial não atingia as transmissões a cabo ou para antenas parabólicas.


A juíza havia determinado anteriormente a mudança do programa para depois das 23h30m. No horário do ‘Tarde Quente’ (17h às 18h30m) deveriam ser exibidos, por seis meses, vídeos educativos produzidos por entidades de defesa dos direitos humanos. Além disso, a Rede TV! foi condenada a pagar R$ 500 mil para que as entidades produzissem o material. A ação movida por um grupo de ONGs pede ainda indenização de R$ 20 milhões e a cassação do registro da Rede TV!


Emissora tenta propor acordo ao Ministério Público


A emissora tirou o programa do ar, mas recusa-se a receber oficiais de justiça que tentam entregar os vídeos educativos e não pagou os R$ 500 mil referentes à produção dos vídeos.


No início da noite de ontem, representantes da Rede TV! procuraram o Ministério Público Federal para propor um acordo, que foi fechado no fim da noite. A emissora se compromete a veicular os vídeos educativos por 30 dias e pagar R$ 400 mil de indenização.


O motivo da primeira decisão judicial são as pegadinhas exibidas no programa. O MPF e a Justiça consideraram que elas humilham, ofendem, desrespeitam e reforçam o preconceito contra negros, mulheres, idosos, homossexuais e deficientes.


Kleber lidera por quatro anos seguidos o ranking da campanha ‘Quem financia a baixaria é contra a cidadania’, com 1.211 denúncias entre janeiro e junho. Segundo a Rede TV!, ele está em Portugal. Nenhum responsável pela emissora se pronunciou.’



Paulo Ricardo Moreira


‘Justiça tira do ar a Rede TV!’, copyright O Globo, 16/11/05


‘A Rede TV! foi retirada do ar na noite de anteontem por determinação da Justiça. O sinal por antena da emissora foi interrompido por ordem da juíza Rosana Ferri Vidor, da 2 Vara Civel Federal, que deferiu uma liminar do Ministério Público Federal. A transmissão via cabo, no entanto, não foi paralisada. Até o início da tarde de ontem, o sinal por antena ainda estava bloqueado.


A juíza decidiu punir a Rede TV! por descumprimento de uma ordem judicial, na semana passada, que obrigava a emissora a exibir a partir de anteontem programas educativos no lugar do vespertino ‘Tarde quente’, apresentado por João Kléber. Desde o dia 8, o programa de pegadinhas estava fora do ar, sendo substituído por reprises da série infantil ‘Vila Maluca’.


Ontem, por causa do feriado, ninguém foi encontrado na emissora para falar sobre a suspensão do sinal.


Segundo o Ministério Público (MP), o ‘Tarde quente’ estimularia a homofobia e discriminaria os homossexuais. Baseado em uma série de desrespeitos aos seres humanos, o MP entrou com uma ação, em outubro, junto com mais seis ONGs ligadas à defesa dos direitos dos homossexuais, pedindo a retirada do ar do programa de João Kléber.


Multa é de R$ 200 mil pordescumprir liminar


Na semana passada, a juíza Rosana Ferri Vidor concedera liminar ao MP determinando a suspensão do ‘Tarde quente’ por 60 dias. No lugar dele, a emissora, que até sexta-feira passada negava ter sido notificada, deveria exibir programas de cunho educativo produzidos pelo MP.


A juíza estipulara ainda multa diária de R$ 200 mil por descumprimento da ordem judicial. Após o prazo de 60 dias, segundo a liminar, a Rede TV! também deveria fazer alterações em sua grade: a mudança de horário do ‘Tarde quente’ para após as 23h30m e a adequação de conteúdo.’



Cristina Padiglione e Taíssa Stivanin


‘Justiça tira RedeTV! do ar por 25 horas ‘, copyright O Estado de S. Paulo, 16/11/05


‘O sinal aberto da Rede TV! ficou 25 horas suspenso, após liminar concedida pela juíza Rosana Ferri Vidor, da 2ª Vara Federal de São Paulo, atendendo a pedido do Ministério Público Federal (MPF). Desde as 21 horas de anteontem às 22 horas de ontem, a emissora transmitiu apenas para operadoras de tevê por assinatura.


Um acordo homologado ontem à noite determinou que a emissora leve ao ar programas sobre direitos humanos produzidos por seis ONGs, por 30 dias úteis, no horário do programa Tardes Quentes, de João Kleber, alvo da ação. A Rede TV! pagará multa de R$ 400 mil ao Fundo Federal de Defesa dos Direitos Difusos e outros R$ 200 mil para a produção dos programas das ONGs.


A emissora foi punida por não ter cumprido decisão anterior de exibir tal conteúdo. No dia 24, uma ação civil pública foi protocolada pelo procurador do MPF e procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Sérgio Suiama. Ele pedia a suspensão do Tardes Quentes e a cassação da Rede TV!, sob acusação de homofobia e de ferir os direitos humanos.


Superintendente jurídico da emissora, Dennis Munhoz disse ao Estado que a Justiça havia determinado, a princípio, a reprise de programas jornalísticos no horário. ‘Como é possível reprisar notícias, que são factuais? Optamos pelo Vila Maluca, que tem classificação livre’, alegou.’



Agência Estado


‘Programa de João Kleber tira Rede TV do ar’, copyright Agência Estado (www.agestado.com.br), 15/11/05


‘Desde as 21h de segunda-feira a Rede TV estava fora do ar, em cumprimento à ordem da juíza Rosana Ferri Vidor, que deferiu liminar do Ministério Público Federal, assinada no final da tarde. O motivo da decisão judicial contra a emissora é a baixa qualidade do programa ‘Tarde Quente’, apresentado por João Kleber, que segundo o Ministério Público, estimula a homofobia.


Além do MP, nove Organizações não-governamentais representaram contra a emissora. Apesar da punição que bloqueou o sinal da emissora, no canal aberto, a transmissão via cabo não foi paralisada.’



Folha de S. Paulo


‘Justiça tira Rede TV! do ar em São Paulo ‘, copyright Folha de S. Paulo, 16/11/05


‘No dia em que completou seis anos de transmissões, a Rede TV! ficou fora do ar na Grande São Paulo por descumprimento de decisão judicial que a obrigava a exibir programas educativos no lugar do ‘Tarde Quente’, suspenso desde a semana passada sob a acusação de desrespeitar direitos humanos e de incitar a homofobia por meio de ‘pegadinhas’.


Ontem, no final do dia, advogados da Rede TV! firmaram um acordo com o procurador regional dos direitos do cidadão, Sérgio Suiama, autor da ação. Mas, como o acordo dependia de homologação judicial, a Rede TV! continuava fora do ar até a conclusão desta edição.


O sinal da Rede TV! foi cortado por volta das 21h de segunda, quando a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e a Polícia Federal lacraram seu transmissor, no bairro do Sumaré.


A Anatel tentou ainda lacrar o centro de exibição da emissora, em Barueri, mas não conseguiu entrar no prédio. Assim, o sinal para satélite não foi cortado e a Rede TV! continuou no ar no resto do país e na TV paga.


O corte foi autorizado pela juíza federal Rosana Ferri Vidor. Ela determinou em liminar que o sinal fosse interrompido por 48 horas ou até que os administradores da Rede TV! se comprometessem em juízo que irão cumprir outra liminar, do dia 4.


Desde anteontem, a Rede TV! deveria ocupar a vaga do ‘Tarde Quente’ (17h/18h) com ‘contrapropaganda das idéias divulgadas pelo programa combatido’, o que a emissora não fez e provocou a liminar que a tirou do ar.


Ontem, a Rede TV! tentou, sem sucesso, cassar a liminar.’



CANTO DO TORERO


Esther Hamburger


‘Torero entrevista objetos inusitados em novo ‘talk-show’ ‘, copyright Folha de S. Paulo, 16/11/05


‘Entre a estréia de duas grandes produções, ‘Belíssima’ no último dia 7 e a nova temporada de ‘Cidade dos Homens’ depois de amanhã, comento aqui um pequeno programa, discretamente no ar há alguns meses, sempre às quartas-feiras, às 22h30, no Canal Brasil.


Trata-se de ‘Canto do Torero’, um programete de no máximo


cinco minutos em que José Roberto Torero, profícuo autor multimídia, entrevista objetos. Isso mesmo. Aqui a verborragia da TV, bem expressa no excesso de ‘talk-shows’, formato barato que não pára de se reproduzir, é tratada com ironia.


Torero nasceu em Santos, onde é dono de uma livraria. Escreveu livros (passagens do seu romance ‘Chalaça’ foram recentemente citadas por César Maia como se fossem dados reais em um inusitado episódio de apropriação política). Dirigiu filmes, assina roteiros para a TV e o cinema e tem uma coluna sobre futebol nesta Folha.


O humor é a marca principal dos diversos trabalhos do autor, que agora passa para o outro lado da câmera. No caso do programete no Canal Brasil, Torero, com sua pinta de bom moço, contracena com objetos interpretados por uma voz -às vezes feminina, às vezes masculina, a depender do sexo da entidade escolhida para protagonizar a conversa.


Uma mostra de algumas edições inclui entrevistas com uma vagina, protegida por uma vasta penugem negra entre as coxas grossas de um pedaço de manequim branco. A lógica da neutralidade jornalística justifica o tema da semana seguinte, a cara-metade da vagina: um pênis de borracha, garbosamente instalado na poltrona.


Torero entrevistou ainda a morte, um apito e a boneca Barbie. O papo com a loura milionária foi especialmente inspirado, versando sobre temas como peruas ou o imperialismo norte-americano.


O programa, dirigido por Kiko Mollica, é hilário. A produção é mínima. Duas poltronas, um fundo vermelho decorado com objetos pouco identificados, típicos dos cenários anódinos de TV. Torero ocupa a da esquerda. A outra poltrona abriga a cada semana um objeto convidado.


Já há algum tempo o Canal Brasil diversificou a sua programação com a exibição de diversos programas de entrevistas com personalidades do mundo da literatura, do cinema e da TV. Como parte desse esforço, o canal criou ‘Cantos Gerais’, um espaço para ‘colunas eletrônicas’ semanais.


A cada dia da semana, às 22h30, um colunista se apresenta. Segunda-feira é dia de Ariano Suassuna; terça, de Jorge Mautner; quinta, de Geraldo Carneiro; e sexta, de Zé Celso Martinez Corrêa.


A brincadeira de Torero é simples e barata. Não exige transmissão ao vivo, não tem compromisso com momentos específicos da conjuntura, ou seja, não depende de atualidades, o que permite a pré-gravação de vários programas no mesmo dia. O formato não exige locação, não depende da agenda nem da presença física de personalidades -a não ser a do próprio apresentador, que vai assim se reinventando.


O diferencial aqui é a inteligência, que com parcos recursos supera o blablablá que satura a TV de todo dia. As histórias são boas. Mas o formato merece destaque, com seu visual tosco: os pés do apresentador estão invariavelmente fora de quadro.


A curta duração e a simplicidade de produção parecem características adequadas ao momento de convergência digital que aumenta as possibilidades de circulação de sons e imagens.


Não perca o programa de hoje e o sensacional destaque da semana que vem: entrevista exclusiva com um casaco de peles da Daslu. O paletó preto e justo é metido, se diz francês, mas fala portunhol.


Esther Hamburger é antropóloga e professora da ECA-USP’


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PRIMEIRAS EDIçõES > MÍDIA GAY

Ricardo Galhardo

Por lgarcia em 15/08/2001 na edição 134

MÍDIA GAY

"Desde que Walter Forster e Vida Alves deram o primeiro beijo de uma novela, em ?Sua vida me pertence?, na extinta TV Tupi, há 50 anos, um beijo não causava tanta polêmica. Anteontem, a MTV exibiu o primeiro ?Fica comigo? protagonizado por homossexuais (o programa é uma espécie de namoro na TV moderninho, segundo definição da emissora, que já existe na versão heterossexual). No fim do programa, depois de uma hora de suspense, Conrado Gotti, químico-farmacêutico de 30 anos, católico praticante nascido no interior de São Paulo, se decidiu por Fábio Chelotti da Cruz, estudante de educação física, de 27 anos, que mora com a mãe aposentada e a irmã na Zona Leste.

Sob gritos de ?está namorando? de uma eufórica platéia de gays, os dois deram um beijo em rede nacional.

? O clima era de vitória em Copa do Mundo ? disse o diretor de programação da MTV, Zico Góes.

A média da MTV para o horário das 23h à meia-noite é de apenas um ponto no Ibope (equivalente a cem mil pessoas na Grande São Paulo). Anteontem, atingiu quatro pontos.

? Adorei! Minha cara de felicidade já dizia tudo ? disse Conrado ontem.

Desde a gravação, em 28 de julho, ele e Fábio já saíram três vezes.

? Estamos namorando ? disse Fábio, embora Conrado insista em manter o pé atrás:

? Não mergulho mais de cabeça nas coisas do amor. É preciso dar tempo ao tempo.

No ?Fica comigo?, o interessado põe um anúncio no site da MTV e tem que escolher um entre quatro pretendentes. No fim, podem se beijar ou não. O beijo de Conrado e Fábio foi o mais longo do programa até hoje.

Agora, a MTV pretende fazer um ?Fica comigo? com lésbicas e outro com bissexuais.

? Esse foi um programa institucional. A MTV assume a responsabilidade de derrubar esse preconceito ? disse Zico.

A idéia de fazer um ?Fica comigo? gay nasceu com o programa. Mas havia dificuldades. Uma foi o medo da exposição. Quinze dias antes da gravação, apenas dois dos quatro pretendentes haviam confirmado presença. O próprio Conrado demorou a se decidir. Foram várias idas e vindas até a decisão, tomada em ?15 minutos de loucura?.

Além disso, a gravação atrasou duas horas devido ao grande número de jornalistas e curiosos. A MTV não explicou por que as inserções de merchandising não foram ao ar na versão gay."

"Haja tabu!", copyright
no. (www.no.com.br), 9/8/01

"Quebrou-se mais um tabu ontem à noite na televisão. Não vi. Dormi. Fui salvo pelo videocassete. O ?Fica Comigo? da MTV, um game-show heterossexual do tipo rapaz-procura-moça-para-dar-uns-amassos, abriu seu armário para os gays. Bofe-quer-bofe-prum-regabofe. Até os gays andam chatos. Deu saudade da peixeira de Madame Satã. Saudade do Renato Russo. Saudade da polícia invadindo o tal barzinho gay no Village. Havia conflito de idéias, tinha sempre um herói em desacordo entrando com um balaço e um pulmão perfurado para a História. O Bush ainda se esforça com seu terrorismo ecológico, suas barreiras comerciais. De resto, tédio, poucas bandeiras nas ruas. Ninguém mais quer ser travesso. ?A felicidade está dentro de nós e devemos caminhar semeando algo de bom?, atacou um certo Jeferson quando lhe pediram que jogasse uma cantada no rapaz do ?Fica Comigo?. Os burgueses já tinham morrido de tédio quando o! s heróis do Cazuza começaram a morrer de overdose. Todo mundo agora quer ficar bem vivo e ? no máximo com os cornos um pouquinho só acima ? no meio da manada. O melhor programa da televisão no momento é ?Os Normais?. Malucos discretos, inseridos no contexto. No último programa havia uma festa em que ser lésbica dava crachá Vip e duas personagens, heteros convictas, topam se anunciar do outro lado em buscar do Santo Graal dos tempos modernos ? um crachá Vip. Ter status, ser aceito, eis o ponto. O importante é procurar não chocar, porque teria efeito ridículo: ninguém se choca com mais nada. E foi assim, sem gracinha, que os gays saíram do armário aberto pelo ?Fica Comigo? da MTV na quarta-feira. ?Eu tenho uma mania muito estranha?, disse Fábio, ?gosto de dormir mexendo na ponta do travesseiro.? Eram rapazes já na faixa dos 25 anos, mas davam aquela mesma impressão de doença irritante que vem acometendo a geração de heteros: os sinais vitais da adolescência estão todos preserv! ados. Um deles, Hugo, disse que para apimentar a relação receberia o amado em casa vestido de Tiozinho. Parecia querer se afirmar um tremendo de um devasso. Mas faltam referências de perversões adultas. São gays que nunca viram uma foto de Lachapelle. Nem desconfiam do que vai por trás de um marinheiro de Tom of Finland. Nem a diabólica Anita, 16 anos, passando no mesmo horário na Globo, dá mostras de tanta dificuldade em misturar a pureza da idade e o projeto de ser despudorada. Dá saudade do tempo em que os gays se recebiam ouvindo Barbra Streisand. Ninguém mais lê Genet, nem Capote. Não rola um vídeo sugestivo do Pasolini. Que fique, claro, nada de muito especial está acontecendo com os gays. Apenas vão se plastificando também, desejosos mais do que o resto de parecer igual, normal e ganhar um crachá Vip. Por isso, o crítico dorme na poltrona. A MTV abre o armário, e faz com muita competência em trazer o espetáculo para os seus padrões, mas o que sai de lá é um bando de i! rrelevâncias típicas dos garotos e garotas que nas semanas anteriores estavam no ?Fica Comigo? correndo atrás de um amasso no seu oposto. ?Roupão de seda combinando com cueca samba-canção é um luxo?, aprendi com um dos gays, Conrado. Ninguém esperava o Pitibicha e seu cuecão de couro, mano. Mas os gatos estão todos pardos demais nesta noite. ?Morar sozinho é superdificultoso?, choraminga um dos rapazes com a língua típica de quem jamais pôs os olhos numa frase de Lúcio Cardoso, um seu igual dantanho. ?Para estimular a relação é preciso dar aquela regada?, diz outro, mas sem qualquer maldade, coitado. Parecia demonstrar mais falta de linguagem culta do que língua maliciosa. Fernanda Lima, a apresentadora do show, avançou mais. Perguntou num dos quadros se o rapaz, nas artes da cozinha, diante dos pratos sujos, ?lava ou enxuga?? ? e soou com a mesma entonação clássica que se dá ao ?Cospe ou engole? da piada. De um modo geral, no entanto, não se avançou o sinal dos bons modos. ! Tem um momento do programa em que o rapaz em disputa avalia, de olhos vendados, às apalpadelas, o corpo do pretendente. Só um se deixou tocar na bunda. No final, o casal escolhido dá um beijo na boca ao som do Portishead cantando ?Glory Box?, aquela do ?Give me a reason to love you?. A música é depressivo-piegas, o beijo, de novela. Pela primeira vez dois gays se beijam na boca, ao vivo, na televisão brasileira. FH, no entanto, dormia tranqüilo. São tantos tabus que se vão que já há gente desprezando os carneirinhos e contando ?um tabu, dois tabus, três tabus? em busca do sono perdido. Mário de Andrade, que nunca ouviu o Portishead mas curtia todo o resto, preferia como música ?o barulho da fivela do cinto de um fuzileiro naval batendo no espaldar de uma cadeira de hotel na Praça Mauá?. Ele também dormiria."

 

    
    
                     

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