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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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ENTRE ASPAS > SEXTA-FEIRA, 25/4

Ricardo Teixeira e CBF perdem ação contra Juca Kfouri

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 25/04/2008 na edição 482

Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


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Comunique-se


Sexta-feira, 25 de abril de 2008


FUTEBOL
Comunique-se


Ricardo Teixeira e CBF perdem ação de danos morais contra Juca Kfouri, 24/4


‘A Justiça do Rio de Janeiro indeferiu pedido de indenização da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do presidente da organização, Ricardo Teixeira, contra o jornalista Juca Kfouri. A ação, de danos morais, foi motivada pelo post ‘Senador da CBF’ do Blog do Juca, que informa que o senador Delcídio Amaral (PT-MS) recebeu doações da confederação.


O senador foi investigado pela Polícia Federal durante a Operação Navalha, acusado de ter pego R$ 24 mil da Construtora Gautama para alugar um avião. A CBF alegou que a nota a relaciona com a empreiteira, insinuando uma doação irregular durante a campanha de Delcídio Amaral.


O juiz Antonio Aurélio Abi-Ramia Duarte, da 4ª Vara Cível da Barra da Tijuca, julgou o pedido improcedente porque a informação não é falsa. ‘A conclusão dos fatos com base na verdade não pode ensejar dano moral algum, já que não é deflagradora de ilicitude alguma, sendo todos os fatos verdadeiros. A CBF, inclusive, não negou a doação de R$ 100 mil ao senador em questão, que foi realmente acusado de ter pego R$ 24 mil da empreiteira Gautama’, escreveu na sentença.


O magistrado destacou que Kfouri estava fazendo seu trabalho divulgando as informações. ‘Tal conduta está rigorosamente em compasso com a liberdade de imprensa, na sua mais perfeita forma. O réu exerceu sua regular atividade, aliás, é dever de todo cidadão fiscalizar as doações efetuadas para as campanhas políticas, sendo legítimo o exercício de cidadania. Não há, portanto, conduta ilícita por parte do jornalista que somente divulgou a verdade’.


O juiz também decidiu que Ricardo Teixeira não é citado na nota, então não há conduta lesiva contra sua pessoa. A CBF e seu presidente foram condenados a pagar as custas do processo. Cabe recurso à decisão.


No fim de 2007, Teixeira já tinha perdido outra ação contra Kfouri.’


 


 


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 25 de abril de 2008


JUAN GELMAN
Clóvis Rossi


De pé contra a morte


‘SÃO PAULO – Juan Gelman recebeu anteontem, na Espanha, o prêmio Cervantes. Pena que, no Brasil, poucos conheçam esse poeta e jornalista argentino, 78 anos, uma extraordinária figura humana. Gelman teve a penosa honra de ter sido condenado à morte duas vezes, por entidades opostas, aliás.


Em ambos os casos, por olhar para os fatos e dizer que os fatos eram como eram.


Primeiro, pela ditadura argentina do período 1976/83. Acusava-a de praticar um autêntico genocídio, do qual foi vítima direta. Seu filho e sua nora ‘desapareceram’ (foram seqüestrados e mortos). Sua neta, nascida durante o cativeiro dos pais, também esteve desaparecida até que o avô conseguiu resgatá-la.


Depois, foi condenado à morte pelo grupo ‘montoneros’, a que pertenceu. Por dizer que a luta armada a que se dedicavam estava perdida -e estava.


O exílio (no México) impediu, provavelmente, que ambas as sentenças fossem executadas, para o bem de quem acredita na vida, na vida civilizada, quero dizer.


Ao receber o prêmio, Gelman fez um comício contra apagar-se o passado. ‘Dizem que não há que remover o passado, que não há que ter olhos na nuca, que é preciso olhar para a frente e não encarniçar-se em abrir velhas feridas. (…) As feridas não estão fechadas. Latejam no subsolo da sociedade como um câncer sem sossego. Seu único tratamento é a verdade. E, em seguida, a justiça. Só assim é possível o olvido verdadeiro.’


Mas a melhor parte do discurso foi a defesa da poesia, ‘nestes tempos de penúria’. Perguntou, citando o poeta alemão Friedrich Hölderlin (1770-1843), para que serve a poesia, ‘em um mundo em que a cada três segundos e meio morre uma criança de menos de cinco anos de enfermidades curáveis, de fome, de pobreza?’. Respondeu: ‘Aí entra a poesia: de pé contra a morte’.’


 


CASO ISABELLA NARDONI
Cláudio Guimarães dos Santos


‘Vox populi, vox Dei?’


‘AS TONELADAS de informações de baixa qualidade, ‘repercutidas’ dia e noite, sobre a trágica morte da pequena Isabella não permitem aos que desejam preservar o senso crítico senão concluir que o sacrifício do intelecto é o alto preço que pagamos pela facilidade com que as notícias circulam no mundo contemporâneo.


De um lado, está o vergonhoso mercantilismo dos ‘meios de comunicação’, bem mais preocupados em vender o seu ‘peixe’ do que em cumprir o importante dever de informar. De outro, temos a cólera da multidão, ainda ontem tão pacata, que se despe, num segundo, da sua casca de civilidade e clama pelas cabeças dos suspeitos.


Para explicar a vileza dos abutres da imprensa, que contabilizam, sem culpa, os seus lucros sobre o corpo (ainda quente) de Isabella, podemos lançar mão de Adam Smith ou de Marx. Já a fúria incontrolável das massas exige, para ser entendida, que recorramos a Freud.


Se possível, esqueçamos, por um momento, as novelas, as partidas de futebol, as revistas de fofoca, os programas de auditório apelativos, toda a miríade, enfim, de irrelevâncias com que nos ‘brinda’ a mídia onipresente e tentemos pensar um pouco levantando algumas questões.


Por que a multidão não se volta, com a mesma ira, contra os políticos corruptos, os empresários desonestos, os ‘religiosos’ picaretas, os fraudadores impudentes ou até mesmo -tristes tempos!- contra alguns ‘magníficos’ reitores? Por que não se montam ‘campanas’ com banheiros químicos também na frente das suas casas? Por que não se almeja linchar tais criminosos de ‘mãos limpas’ como se quer amiúde fazer com infanticidas, estupradores e pedófilos?


Será que os ditos crimes de ‘colarinho branco’ -’limpos’ só no nome- acarretam menor dano à sociedade do que os atos isolados, certamente hediondos, de alguns poucos indivíduos, como pensam não só os leigos, mas também legisladores e juristas?


Não creio.


Um assassino, mesmo ‘produtivo’, só consegue destruir algumas vidas, precisamente as que se colocarem ao alcance da mira. Um criminoso de ‘gola branca’, porém, dependendo do tamanho do ‘golpe’, afetará a vida de milhões. Apenas, ele o fará de maneira lenta, menos cruenta, mais palatável à nossa época digital, esmigalhando os futuros de um monte de Isabellas de uma forma ‘quase indolor’.


Mas, se é assim, por que o povo reage de maneira tão diversa perante esses dois tipos de criminosos? As respostas são muitas. Mencionarei a que julgo a mais relevante e que é também, por isso mesmo, a que menos agrada ao senso comum.


As pessoas, de um modo geral, sentem-se ‘mais à vontade’ com os ‘criminosos de gravata’. Pensamentos como ‘a carne é fraca’, ‘eles roubam, mas fazem’ e, é claro, o famoso ‘no lugar deles eu faria o mesmo’ acabam por criar uma empatia profunda com tais delinqüentes, tornando-os, muitas vezes, merecedores de sincera admiração. Tal se dá especialmente no Brasil, onde a ‘esperteza do malandro’ é louvada em prosa e verso.


Já no caso dos crimes hediondos, custa-nos aceitar que também nós podemos cometê-los. E, a não ser que o indivíduo disponha de um real autoconhecimento, obtido a duras penas pela análise corajosa do seu íntimo, jamais admitirá que sente, dormindo ou acordado, todo tipo de desejos inconfessáveis, o que inclui os impulsos infanticidas, parricidas, sadomasoquistas, pedófilos, homossexuais e tudo o mais que a sociedade costuma, em uma época ou outra, abominar.


Daí que essas pessoas que tanto se apressam em apedrejar não pretendem, ao contrário do que crêem, obter a justa punição para os culpados. Buscam, antes, evitar o encontro doloroso com a face mais horrenda da natureza humana, sem o qual nenhuma lucidez é possível.


Mas, compreende-se… É tão mais agradável seguir inconsciente desse fato, afundando sempre mais na doce mediocridade das novelas, das partidas de futebol, das revistas de fofoca…


Infelizmente para todos nós, as pessoas inconscientes constituem, desde sempre, a grande maioria. Diante disso, fica fácil imaginar o que seria, por exemplo, dos brasileiros se passássemos a ser governados por meio de plebiscitos, num grotesco pesadelo rousseauniano, tal como defendem alguns políticos totalitários que fingem ser democráticos.


‘Vox populi, vox Dei?’ Definitivamente não. Precisamos, antes, ser mais humildes, reconhecendo que ainda estamos, enquanto espécie, muito longe de falarmos e de agirmos como deuses. Mas, afinal, o que isso importa, se o show tem que continuar?


CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS , 48, médico, psicoterapeuta e neurocientista, é escritor, mestre em artes pela ECA-USP e doutor em lingüística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França).’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Big Oil’ no etanol


‘Até foi notícia por aqui, mas ecoou mais no exterior a compra de metade da Tropical BioEnergia pela British Petroleum. Estava lá, no alto da home do ‘Financial Times’, sublinhando que a petroleira já explica que etanol de cana ‘não afeta a oferta de alimentos’.


Mas foi Kenneth Rapoza, da Dow Jones, quem identificou o significado do negócio, no texto ‘Big Oil’ entra na indústria de etanol do Brasil’. ‘E finalmente aconteceu’, abre ele, dizendo que ‘a primeira’ grande companhia de petróleo subiu ‘contra a corrente’ e entrou no ‘mundo verde do etanol’. Outras ‘majors’, dos EUA, estariam ‘prospectando’ aquisições em etanol no Brasil. E o avanço da BP é ‘um alerta’ para a Petrobras se mexer no setor, registra a Dow Jones.


E TAMBÉM NA COSAN?


Em outro ‘alerta’ à Petrobras, a Cosan, maior empresa brasileira de etanol, comprou o serviço de distribuição da Exxon. De novo, ecoou mais no exterior, com o ‘Wall Street Journal’ ressaltando em longa reportagem que foi para ‘melhor distribuir seu etanol’. O ‘FT’ também deu.


E uma análise de Antonio Regalado no ‘WSJ’ perguntou o mais importante: ‘Quem está ajudando a Cosan a comprar?’. Arriscou, citando ‘o mercado’, que é a mesma British Petroleum que levou 50% da Tropical BioEnergia.


O ÁLCOOL CERTO


No contra-ataque do etanol, Roger Cohen, colunista do ‘New York Times’, escreveu ‘Tragam os biocombustíveis certos’. Faz uma defesa apaixonada do etanol de cana do Brasil, cuja produção poderia crescer dez vezes que não avançaria sobre a Amazônia. Cobrando o fim da tarifa sobre o etanol, disse que o problema é o ‘protecionismo’ de EUA e Europa, ‘não a idéia dos biocombustíveis’.


TUPI E A OUTRA CIA


Deu ontem na Bloomberg. A consultoria texana Strategic Forecasting, que o ‘Barron’s’, a versão dominical do ‘WSJ’, chama de ‘a CIA paralela’ (the shadow CIA), acredita que os campos de Tupi e Carioca ‘podem ajudar a acabar com a dependência do Hemisfério Ocidental do petróleo do Oriente Médio’. Não seria mais ‘nosso problema’, mas de China e Índia, a violência geopolítica da região.


SEM SUPRIMENTO


O ‘Guardian’ liderou o ataque ao etanol e agora dá com alarme que a ‘relutância’ da Europa levou a forte queda na produção de navios-tanques para os biocombustíveis


WEB E A NOVA CLASSE C


Saiu pesquisa Ibope/NetRatings com novo salto mensal no número de internautas residenciais, 3,2% em março, noticiou a Folha Online. Mas a novidade, sublinhou Elisa Araújo no Blue Bus, é que para o instituto ‘a entrada da classe C no clube dos internautas deve manter esse compasso forte de aumento’. O Ibope credita o avanço ao ‘momento econômico’, com mais emprego e financiamento, e aos preços em queda de computadores e acesso.


ENSINAMENTOS


Depois de algum vaivém, estreou ontem o blog de Duda Mendonça. Para começar, ‘O que todo candidato precisa saber’’


 


TECNOLOGIA
Folha de S. Paulo


Lucro da Microsoft recua 11%


‘A queda de 24% nas vendas do Windows levou a Microsoft a uma redução de 11% no lucro do primeiro trimestre, que foi de US$ 4,4 bilhões. Ajudaram no resultado o atraso no lançamento de versões do Windows Vista (US$ 1 bilhão) e a multa da União Européia (US$ 1,4 bilhão).


O lucro do Yahoo! subiu mais de 280% no período, para US$ 542 milhões, e o do Google cresceu 8,3%, para US$ 1,31 bilhão.


Com agências internacionais’


 


TELES
Humberto Medina


Governo quer limite e contrapartida para fusões de teles


‘Depois de enviar à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) documento em que pede o fim das restrições legais à compra de uma concessionária de telefonia fixa pela outra (mudança que permitiria a compra da Brasil Telecom pela Oi), o Ministério das Comunicações fala agora da necessidade de restrições a esse tipo de operação.


O governo federal expressou sua opinião no documento que acompanha consulta pública sobre a atualização das políticas públicas em telecomunicações. ‘Devem também ser estabelecidos claros limites ou contrapartidas aos processos de fusões e aquisições entre as atuais prestadoras’, argumenta o ministério. ‘Tais limites são necessários para possibilitar a existência de condições favoráveis à atuação de competidores no mercado’, conclui.


O governo não especifica que limites ou contrapartidas seriam, mas dá um sinal. Avalia que as grandes empresas detentoras da infra-estrutura devem compartilhar suas redes, para favorecer o surgimento de prestadoras de pequeno e médio porte.


No documento, o governo reconhece que o atual marco legal está velho, que telefonia fixa é um serviço estagnado e que celular é caro e, por isso, apesar de muito difundido, é pouco usado. ‘O modelo precisa de atualização. O tradicional serviço de voz (…) já entrou em curva de declínio’, avalia o governo. ‘Na telefonia móvel, ainda se verifica que os serviços têm preços que levam a um baixo índice de utilização individual.’


De acordo com o ministério, o processo de universalização da telefonia fixa foi insuficiente: há 39,3 milhões de linhas em serviço, o que corresponde a cerca de 20 linhas para cada 100 habitantes. No caso dos celulares, há 121 milhões de linhas, o que dá 63 para cada 100 habitantes, com tendência de crescimento.


Para o ministério, o acesso à internet em alta velocidade vai substituir a universalização da telefonia fixa (voz) como principal objetivo da política pública para o setor. ‘Apesar de sua importância, o serviço de voz não pode ser mais o único fio condutor da política brasileira de telecomunicações. O eixo para os próximos dez anos tem que ser o acesso em banda larga, sobre o qual são oferecidos, de forma convergente, serviços de voz, dados e vídeo.’


Ainda segundo o ministério, o papel do Estado no fornecimento de acesso à internet com banda larga é oferecer serviços gratuitos em instituições públicas e locais de acesso coletivo. ‘Acesso individuais devem ser providos de forma privada, em bases comerciais adequadamente reguladas pelo Estado.’


Junto com o texto, o Ministério das Comunicações formulou 21 perguntas sobre o setor ‘como estímulo ao debate’. O texto e as perguntas está disponíveis em www.mc.gov.br.’


 


Anatel aprova concessão para a Embratel


‘A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou a concessão de licença para que a Embratel ofereça serviço de TV por assinatura via satélite. A agência, porém, estabeleceu contrapartidas. A Embratel terá que doar 2.000 conjuntos de TV, decodificador e antena receptora a escolas públicas, oferecer, gratuitamente, o sinal de um canal educativo a todas as escolas e incluir no pacote básico os canais da TV Justiça, TV Câmara, TV Senado e um canal educativo. As mesmas exigências haviam sido feitas para aprovação da compra da TVA pela Telefônica.’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


TV Cultura perde verba de R$ 12 milhões


‘A TV Cultura não irá mais produzir a programação da TV da Câmara Municipal de São Paulo. Perderá, assim, verba que poderia atingir R$ 12 milhões nos próximos 12 meses, o equivalente a cerca de 10% do total de suas receitas, e terá que demitir 30 funcionários.


A TV Câmara de São Paulo (que é diferente da TV Câmara, dos Deputados Federais) divide um canal nas operadoras de TV a cabo com a Assembléia Legislativa do Estado. Transmite as sessões da Câmara Municipal. Atualmente, irradia sete horas diárias, mas vai ampliar sua grade para 12 horas.


O contrato da Cultura com a Câmara vence no próximo dia 30. Será substituída por uma fundação ligada à Escola de Comunicações e Artes da USP.


A Câmara tentava renegociar o contrato com a Cultura desde abril de 2007. Vereadores apontam má vontade da emissora, que os teria deixado sem resposta a propostas de acordo. Nos últimos dois meses, diretores da emissora (inclusive o presidente, Paulo Markun) se mobilizaram para tentar manter o contrato, mas já era tarde.


A Cultura recebia mensalmente R$ 614 mil para captar a TV Câmara São Paulo. Esse valor subiria para R$ 1 milhão. A USP receberá R$ 950 mil/mês.


A TV Cultura informou apenas que ‘a primeira proposta enviada pela direção da Câmara Municipal continha alguns pontos questionados pela Fundação Padre Anchieta’.


TREMOR 1 Em seu blog, Aguinaldo Silva afirma que o terremoto de terça prejudicou ‘Duas Caras’, justamente no ‘melhor capítulo’ já escrito por ele, no qual uma Bíblia à prova de balas salvou Antonio Fagundes de vários tiros. ‘No exato instante em que a novela começou, a terra tremeu e fez todo mundo sair de casa correndo, depois de desligar a TV, é claro’, escreveu Silva.


TREMOR 2 Os dados do Ibope desmentem Silva. No momento do terremoto, às 21h, 67,7% dos televisores estavam ligados na Grande SP. Houve ligeira queda nos minutos seguintes, até atingir 66,9% às 21h05. Às 21h07, já eram 67,7% novamente. Mas, de fato, a audiência na terça-feira estava menor, indicando desgaste da exploração do caso Isabella.


CAMPANHA Fãs da novela ‘Lalola’ estão fazendo campanha na internet contra o SBT. Acusam a emissora de ‘picotar’ a trama argentina. ‘Lalola’ começou bem, com oito pontos. Mas já caiu à metade disso. Anteontem, ficou em quarto lugar no Ibope, atrás da Rede TV!. O SBT nega cortes na novela.


NÃO VINGOU A parceria entre a Globo e o cineasta José Padilha, pela produção de um seriado baseado no filme ‘Tropa de Elite’, não deu certo. À edição on-line da revista ‘Veja’, Padilha disse que está sobrecarregado de trabalho e não poderá assumir a tarefa. A Globo confirma. Nos bastidores, no entanto, a história é outra: Padilha não se acertou com a Globo porque queria ter total controle do seriado, o que a emissora não permitiu.’


 


Laura Mattos


TV quer programa de rádio de Dan Stulbach


‘Silvio Santos ligou seu rádio na CBN em uma sexta-feira, entre 19h e 20h, e gostou do que ouviu. No ar, estavam o ator Dan Stulbach e dois amigos de longa data no comando do programa ‘Fim de Expediente’, que completa dois anos.


‘O SBT me convidou para apresentar um programa aos domingos, entre o Silvio e o Gugu, para concorrer com o futebol da Globo. Negociaria com o Silvio em seu camarim’, conta Dan, enquanto os companheiros de rádio não contêm a gargalhada. ‘Eu o aconselhei a não topar’, diz, rindo, o escritor e músico José Godoy, o Zé, 37, do trio do ‘Fim de Expediente’.


‘Resolvi aceitar o conselho, até para não virar o telefonista mais bem pago do Brasil’, brinca Dan, 38, em referência a uma frase de Adriane Galisteu, insatisfeita com as ordens de Silvio Santos para passar boa parte de seu programa do SBT ao telefone com telespectadores.


Esse clima de piada entre Zé, Dan e o economista Luiz Gustavo Medina, o Teco, 33, é o segredo do sucesso do ‘Fim de Expediente’, que, além dos apresentadores, recebe um convidado a cada edição.


Os três nunca haviam trabalhado em rádio, começaram o projeto quase como brincadeira e mal acreditam que estejam há dois anos no ar, com sucesso.


Fora a proposta de Silvio Santos, há convites que levam a sério. Dan foi sondado pela Globosat (programadora de canais pagos da Globo) a transformar o ‘Fim de Expediente’ em programa de TV, para o GNT, Multishow ou SporTV. ‘Talvez a gente vá para a TV, vamos estudar, mas não acho que isso represente uma evolução, e sim um passo diferente’, diz Dan.


‘Acho que seria um desafio interessante fazer algo diferente na TV, onde tudo é muito igual’, anima-se Zé.


Paulo Autran


Ao longo desses dois anos, o ‘Fim de Expediente’ cresceu no rádio. Fora a atração semanal, desde 2007, os apresentadores se revezam em um breve comentário diário, ao vivo, às 19h15, na CBN. Além disso, o programa passou a ter a edição da última sexta-feira de cada mês transmitida direto de um auditório com platéia.


‘Fim de Expediente’ vai ao ar todas às sextas na CBN São Paulo, que está livre, por liminar, da ‘Voz do Brasil’, e, aos feriados, em todo o país.


Hoje, para comemorar o segundo aniversário, a transmissão será do teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, com uma platéia de mil ouvintes, que se inscreveram por meio do site. Os convidados serão o apresentador Serginho Groisman, o músico André Abujamra e a cantora Roberta Sá.


‘É significativo que seja nesse teatro. Quando pensei em fazer o programa, falei com Paulo Autran, que não achou boa idéia. Disse que um ator não deve expor sua opinião, que isso tira o mistério e prejudica personagens. Tinha razão, mas para outra época. Hoje, revistas de celebridade acabam com o mistério. E, já que minha imagem será exposta, é melhor eu ter uma atitude voluntária nesse caminho’, analisa Dan.


O ator combinou com os amigos que todos deveriam ser sempre transparentes no ar e dar opiniões sinceras. Isso deixou Teco, fã de cinema comercial, bem aliviado. ‘No começo, fiquei preocupado. Será que podia dizer que gosto da Demi Moore?’, conta o economista.


‘Teve o dia em que o Teco falou que, se fosse em um show do João Gilberto, iria dormir o tempo todo!’, lembra Zé, da turma dos filmes de arte.


‘Isso é bom, porque mais ouvintes se sentem representados’, diz Dan, o mediador, que atua nos dois tipos de cinema.’


 


FEBRE
Cristina Fibe


Fábula bipolar


‘Apontada pelos principais jornais americanos e europeus como ‘o novo fenômeno’ pop infanto-juvenil, Hannah Montana, ou melhor, Miley, é uma garota de carne e osso que virou fábula da Disney.


O nome da atriz é Miley Cyrus, 15. Nascida no Tennessee, filha de um cantor country e meio caipira, a menina foi batizada Destiny Hope; apelidada pelo pai Smiley Miley, cresceu e trocou o nome para Miley.


Aos 13 anos, estreou na série do Disney Channel ‘Hannah Montana’, interpretando uma garota comum que esconde sua outra personalidade, uma estrela pop. O lado ‘trivial’ da personagem também foi chamado Miley; quando veste uma peruca loira, Miley vira Hannah, a ‘artista’. Seu pai na vida real, Billy Ray, é seu pai na TV.


Não é só na série que atriz e personagem se confundem. Fora das telas, a menina lança CDs e vende shows como Hannah Montana, de peruca. No palco, quando canta com os cabelos castanhos, o público entende tratar-se de Miley.


São essas duas vidas que acompanham o filme ‘Hannah Montana e Miley Cyrus – O Melhor dos Dois Mundos em 3D’, que estréia hoje em cinco salas no Brasil, todas com cópias dubladas e tridimensionais.


Feito para fãs, o auto-intitulado documentário mostra a turnê da cantora pelos EUA, mas não esclarece muita coisa sobre o fenômeno que esgotou ingressos para 54 shows em quatro minutos, nos EUA.


O inebriante efeito 3D só vem reforçar a fantasia, agigantando seu corpo mignon e ressaltando a loucura das fãs.


Britney, Madonna, Bowie


Apesar de ter estreado na TV em 2006, Miley/Hannah só estourou no fim do ano passado, impulsionada pelo sucesso do telefilme ‘High School Musical’, do mesmo canal.


No palco, ela não faz feio, apesar de ficar restrita ao gosto das meninas que têm até a sua idade. O jornal inglês ‘The Guardian’ a definiu como uma performer que mistura ‘a Britney dos anos 90, a Madonna dos 80, o Bowie dos 70 e a Motown dos 60’, isso ‘se você pensar (muito) sobre o assunto’.


Do ponto de vista brasileiro, o comportamento de Miley lembra Sandy, apesar do som mais pop. A garota ‘de família’ não usa decote, esconde as pernas com um meião acima do joelho quando ousa colocar uma saia e evita bebedeiras e polêmicas à Britney Spears.


‘Tudo o que quero é ter um impacto ao redor do mundo’, afirmou Miley, enfatizando sua fé em Deus, ao jornal ‘Independent’. Negando envolvimento com álcool e drogas, ela disse que ‘fazer esse tipo de coisa só faz você se sentir bem por um tempo, mas amigos e família vão fazer você se sentir o máximo para sempre’. Sexo, então, nem pensar.


A mesma reportagem afirma que, na lista americana das ‘Top 100’, Hannah Montana chegou a ter cinco músicas ao mesmo tempo, superando os Beatles e Elvis Presley.


‘Amiga’ e ‘estrela’


Faz parte da estratégia da Disney evitar maus exemplos, aproximar suas estrelas dos contos de fadas e garantir a aura de ‘menina comum’ que permite a identificação das fãs. E o apoio dos pais.


Herbert Greco, diretor de marketing da Disney Brasil, diz que o ‘grande sucesso’ de Hannah se dá pela fato de ‘ela parecer uma menina que pode ser sua amiga’, mas que ‘ao mesmo tempo é uma estrela’.


Isso porque Miley não é bonita demais, demonstra certa dificuldade para aprender as coreografias, se diverte com a banda e é uma filha amorosa.


Mesmo quando os dançarinos a derrubam no palco (o ponto alto do filme) ela não aparenta irritação. Apesar do tombo, a turnê, que tem participação dos Jonas Brothers, é cercada de profissionalismo -no encerramento do filme, por exemplo, em um constrangedor dueto de Hannah (no telão) e Miley (no palco), a coreografia das duas, em sincronia, prova quanto trabalho a menina enfrenta longe das câmeras.’


 


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Boa notícia para os pais: dura só 74 minutos


‘O ‘documentário’ que acompanha Hannah/ Miley em sua cobiçada turnê reforça a fantasia em torno da menina ‘comum’ que alcançou um sonho impossível e ainda assim ‘não liga’ para a fama. ‘Hannah Montana e Miley Cyrus – O Melhor dos Dois Mundos em 3D’ não funciona para explicar o fato de atriz e personagem compartilharem os nomes na vida real e na ficção.


O efeito tridimensional não impressiona como nos filmes em que insetos e tubarões parecem atacar a platéia. O que temos são as pernas fininhas de Miley, os celulares que a fotografam, as mãos agitadas do público. O efeito algo vertiginoso desaparece nas poucas entrevistas e cenas de bastidores.


Para as adoradoras da série, há porções suficientes de Hannah e Miley no palco, alegres e profissionais, registradas por sete câmeras. Aos pais, a boa notícia é que o show dura só 74 minutos.’


 


CONGRESSO
Mônica Bergamo


Da Cela e da cozinha


‘A jornalista americana Judith Miller, que passou 85 dias presa em 2005, por ter se recusado a revelar o nome da fonte que lhe vazou a identidade de uma agente da CIA para uma reportagem, virá ao Brasil.


Ela vai participar do 4º Congresso Brasileiro de Publicidade, em julho, falando sobre liberdade de imprensa. Já o ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que abrirá o evento, pediu para trazer o próprio cozinheiro a SP.’


 


 


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 25 de abril de 2008


ALEMANHA
O Estado de S. Paulo


Serviço de inteligência espionou jornalista


‘A revista alemã Der Spiegel disse ontem estudar a possibilidade de processar o serviço de espionagem alemão BND após a descoberta de que uma de suas repórteres foi espionada durante seis meses. De acordo com a publicação, o BND monitorou a troca de e-mails de Susanne Koelbel com um político afegão, em 2006.’


 


TELES
O Estado de S. Paulo


Anúncio do acordo da BrOi é adiado


‘A tão esperada publicação do fato relevante sobre a reestruturação acionária da Oi e da Brasil Telecom será feita hoje. Essa é a previsão dos envolvidos na operação, que vem sendo costurada desde dezembro do ano passado. ‘Existem 90% de chances de o acordo ser anunciado na sexta’, afirmou uma fonte que participa diretamente da operação.’


 


TECNOLOGIA
O Estado de S. Paulo


Lucro da Microsoft cai 11% no trimestre


‘A Microsoft informou ontem que seu lucro líquido no primeiro trimestre caiu 11%, para US$ 4,38 bilhões, em relação ao mesmo período do ano passado. Embora o resultado tenha ultrapassado as expectativas, os analistas contavam com um forte crescimento do faturamento graças às vendas de computadores pessoais no mundo todo e à queda do dólar.’


 


TELEVISÃO
O Estado de S. Paulo


Anatel aprova pedido de TV da Embratel


‘A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou ontem o pedido da Embratel para operar serviço de TV por assinatura via satélite (DTH) em todo o País. A Anatel obrigou, no entanto, a Embratel a transmitir o sinal da TV Câmara, TV Senado e TV Justiça e de um canal com programação educacional.’


 


TV Câmara amplia programação diária


‘Às vésperas do início da campanha para as eleições, a TV Câmara vai ampliar de 7 para 12 horas a sua programação diária, a partir do dia 2 de maio. Ontem, foi definido que a Fundação Para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação, ligada à Universidade de São Paulo, assumirá a concessão, que ainda é da Fundação Padre Anchieta. O valor do novo contrato anual será de R$ 11,4 milhões.’


 


Roberta Pennafort


Tropa pede pra sair


‘Tropa de Elite não vai mais ganhar a telinha – pelo menos por enquanto. Roteirista do filme, o ex-PM Rodrigo Pimentel confirmou ontem que o diretor José Padilha e o produtor Marcos Prado não irão assinar com a TV Globo, como se esperava. Ele não quis dizer o motivo.


‘Não tenho como falar nada sobre isso’, avisou, alegando que precisaria conversar antes com Padilha (que está viajando) e Prado (que não atendeu a reportagem ontem).


O grande número de projetos tocados pela produtora Zazen – um filme de Padilha nos Estados Unidos, um roteiro que ele ainda está desenvolvendo, um outro filme dirigido por Prado – seria o motivo oficial da não-assinatura do contrato. Mas consta que a proposta da Globo não foi considerada satisfatória por eles. A decisão de Padilha e Prado foi comunicada à emissora esta semana.


A série entraria no ar no segundo semestre deste ano, ou em 2009. A Record chegou a entrar na disputa, mas acabou não levando.


Estima-se que o filme, vencedor do Urso de Ouro em Berlim, tenha sido assistido por mais de 2 milhões de pessoas nos cinemas.’


 


 


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