Segunda-feira, 09 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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ENTRE ASPAS >

Rio-2016 monta operação para conter críticas

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 01/10/2009 na edição 557


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas. 
 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 1º de outubro de 2009 


 


OLIMPÍADAS


Rodrigo Mattos e Sérgio Rangel


Para frear críticas, Rio usa jornais e ‘bombeiro’


‘As duas reclamações seguidas ao COI contra campanhas adversárias são reflexo de um rigoroso controle do fluxo de informações sobre o Rio de Janeiro empreendido pelo comitê da candidatura brasileira.


O rastreamento na imprensa por notícias consideradas nocivas à postulação é constante. Uma vez identificadas, servem para a estratégia de defesa.


Entrevistas com jornalistas estrangeiros recebem um cuidado extra para evitar o impacto de perguntas negativas.


Foi assim quando um jornal dinamarquês publicou nota sobre o cancelamento da etapa do Rio da Copa de Mundo de natação por falta de verba. A notícia acendeu o alerta na Rio-2016.


Na entrevista coletiva de imprensa, ontem, jornalista americano perguntou sobre o fato.


‘A confederação [de desportos aquáticos] preferiu investir na preparação para o Mundial’, respondeu rapidamente o diretor de marketing da Rio-2016, Leonardo Gryner, referindo-se ao torneio realizado em agosto.


Outro elemento para evitar questionamentos nocivos é o marqueteiro Mike Lee, mediador das entrevistas e que muitas vezes atua como um ‘bombeiro’. Ele já trabalhou para a Uefa e é considerado peça-chave na vitoriosa campanha de Londres pelos Jogos de 2012.


Foi o responsável pela costura política feita pelo então primeiro-ministro britânico Tony Blair, que deu apoio total aos Jogos em seu país e fez campanha entre membros do COI.


Lee teve de agir quando Pelé foi questionado sobre o financiamento público dos eventuais Jogos no Rio. ‘Agora, Pelé vai tomar posse do Banco Central do Brasil’, ironizou. Em outra ocasião, ignorou pergunta de um jornalista americano.


O Rio, ao crescer na campanha, tem estado sob o ataque de adversários nos últimos meses. Madri e Chicago já fizeram comentários sobre a cidade.


Em ambos os casos, o comitê carioca respondeu com reclamações em pouco tempo. No caso de Madri, em poucas horas. Chicago foi pega de surpresa pelo presidente da Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, que disse ter protestado contra declarações dos americanos.


A imprensa internacional enfocou casos de violência, como reportagem da revista ‘New Yorker’ sobre as gangues que dominam favelas no Rio.


Dados do relatório do COI, que elogiou a melhora na segurança, foram utilizados na defesa da candidatura carioca.


Uma falha no sistema ocorreu em entrevista de Pelé, que cometeu erros de informação.


O ex-jogador afirmou que os EUA tiveram ‘três ou quatro Olimpíadas’ (foram oito, contando as de Inverno), além de declarar que Chicago teria financiamento público nos Jogos Olímpicos (é privado).’


 


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


Folha de S. Paulo


Decisão contra ‘Estado’ continua a valer, diz TJ-DF


‘O Tribunal de Justiça do Distrito Federal decidiu ontem que não é o foro competente para julgar ação movida pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), contra o jornal ‘O Estado de S. Paulo’.


O jornal está proibido há 62 dias de publicar informações da Operação Boi Barrica (rebatizada de Faktor) da Polícia Federal, que investiga Fernando desde 2007. Essa decisão, do desembargador do tribunal Dácio Vieira, continua a valer.


No entendimento do tribunal do Distrito Federal, o processo deve ser julgado pela Justiça Federal do Maranhão, Estado onde mora Fernando e onde começaram as investigações contra ele.


Conforme a assessoria do Tribunal de Justiça, o jornal ainda poderá recorrer ao Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal para tentar derrubar a proibição.’


 


 


PRÊMIO


Folha de S. Paulo


Jornalistas da Folha vencem em 5 categorias


‘Jornalistas da Folha foram vencedores em 5 das 9 categorias de mídia impressa do Prêmio Comunique-se de Jornalismo. A escolha foi realizada pelo portal Comunique-se e contou com milhares de votantes cadastrados.


Os profissionais premiados da Folha foram Clóvis Rossi (categoria jornalista de política), Elvira Lobato (repórter), Sérgio Dávila (correspondente brasileiro no exterior), Mônica Bergamo (colunista de notícias) e Juca Kfouri (jornalista de esporte).


Nas outras categorias de mídia impressa os vencedores foram Artur Xexéo, de ‘O Globo’ (jornalista de cultura), Luis Fernando Veríssimo, de ‘Zero Hora’, ‘O Globo’ e ‘O Estado de S. Paulo’ (colunista de opinião/articulista), Sonia Racy, de ‘O Estado de S. Paulo’ (colunista social) e Carlos Alberto Sardenberg, de ‘O Estado de S. Paulo’ e ‘O Globo’ (jornalista de economia).’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


‘Crackdown’


‘Por Reuters e outras agências, postadas por ‘New York Times’ e outros jornais, ‘Polícia faz repressão, enquanto cresce a pressão’ sobre o governo ‘de facto’. Em resumo, ‘as forças de segurança dispararam gás para dispersar jornalistas que protestavam contra o fechamento da rádio Globo’, de Honduras.


Entre os atingidos, o cinegrafista enviado pela TV Globo, do Brasil. No G1, da Globo, Ronaldo de Souza relatou via audiocast: ‘Ficamos encurralados, não tínhamos por onde escapar. Corríamos do lançamento de gás. Não viemos preparados para isso, não somos soldados. Uns 50 policiais não queriam deixar que nos aproximássemos. Cassetete para lá e para cá.’


No UOL, ‘mais de 2.000 presos’ em dez dias, relata o Comitê de Direitos Humanos de Honduras.


‘ESQUERDISMO’


O argentino ‘Clarín’ entrevistou o golpista Roberto Micheletti (acima). Pergunta e resposta:


‘O que levou ao golpe?’


‘Tiramos Zelaya por seu esquerdismo e corrupção. Ele virou presidente como liberal, como eu. Mas se fez amigo de Daniel Ortega, Chávez, Correa, Evo Morales.’


‘Desculpe…’


‘Foi para a esquerda, pôs comunista, nos preocupou.’


Despacho da americana AP, por ‘Washington Post’ e outros, destacou que os ‘power brokers’ ou donos do poder em Honduras já ‘pressionam pelo fim da crise’. Em suma, ‘líderes empresariais e políticos que apoiaram o golpe agora estão considerando o impensável: pôr Zelaya de volta na Presidência, com poderes limitados’.


ITAMARATY PETISTA


Na Folha Online, o presidente do PT ‘afirmou no Twitter que o ministro Celso Amorim se filiou ao PT’, ontem. No blog Radar, Lauro Jardim registrou que ‘tem embaixador achando que Amorim está sonhando alto, por exemplo, virar ministro (de qualquer pasta) num eventual governo Dilma Rousseff’ e até ‘suceder Dilma’.


BC PEEMEDEBISTA


Manchete na Reuters Brasil, ‘Henrique Meirelles entra no PMDB e fala em continuidade no Banco Central’. Na Folha de ontem, a Marcio Aith, declarou que não será candidato ao governo de Goiás, mas o Senado ‘é uma possibilidade a ser considerada, em março de 2010’.


FIESP SOCIALISTA


Fim do dia, destaque na Folha Online e no UOL, Renata Lo Prete informou que o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, assinou ficha de filiação ao PSB, ‘partido pelo qual pretende disputar o governo de São Paulo’. O partido já havia filiado Gabriel Chalita para concorrer ao Senado.


O MELHOR MOMENTO


Na primeira página do estatal ‘China Daily’, hoje, o país comemora ‘o melhor momento desde 1949’, no aniversário de 60 anos da revolução. Anuncia ‘dragões’ pelo país e ouve as famílias dos ‘pais fundadores’


TODOS QUEREM TUPI


Na manchete do portal Exame, ‘Todos querem o pré-sal’. Entrevista a analista-chefe da consultoria Enegy Intelligence, para quem ‘as gigantes do petróleo têm grande interesse no pré-sal apesar das novas regras’.


LOBBY MERRIL


Ontem no site do ‘Wall Street Journal’, o analista do BofA Merril Lynch para a América Latina saiu dizendo que o Chile será o primeiro país na região a elevar a taxa de juros, em 2010.


LOBBY FITCH


E no site da Bloomberg, em destaque nas buscas, um analista da agência de classificação de risco Fitch saiu dizendo que o Brasil precisa cortar gastos ‘para merecer outro aumento na nota’.


O FUTURO DA IMPRENSA?


O site Gizmodo noticiou que a Apple negocia com o ‘NYT’ a adatação das edições para ‘um novo aparelho’, o ‘tablet’, mistura de celular e notebook que ‘vai redefinir os jornais’ (acima). E que a Microsoft já prepara um concorrente’


 


 


TELEVISÃO


Laura Mattos


Acadêmica, autora da Globo sente ‘clima de preconceito’


‘Autora de livros de conto e poesia, Thelma Guedes assina pela primeira vez como titular uma novela -’Cama de Gato’, que estreia nesta segunda na Globo-, e afirma ‘sentir no ar o preconceito’ contra telenovelas nos meios literário e acadêmico, que ela frequenta.


Formada em literatura com mestrado sobre Pagu pela USP, Guedes soube que a Globo procurava por novos autores em um quadro de avisos da universidade. Foi selecionada entre 700inscritospara trabalhar como roteirista na emissora, em 1997. Passou por programas da Angélica,Didi, ‘Sítio’e foi colaboradora de autores de novela. Agora assina sua primeira trama, em parceria coma também estreante Duca Rachid.


‘Esse preconceito na universidade não faz sentido, até porque para escrever uma novela é preciso grande referência literária e estofo cultural’, afirma.


‘No mínimo, um autor de novelas tem que entender bem a construção de um folhetim para ter um pacto com o público.


E é preciso fazer concessões, como repetir informações,mas sempre de forma criativa’,diz.


A autora, que escreve os primeiros capítulos da novela enquanto termina mais um livro de contos, afirma que ‘o preconceito é velado’. ‘Para meus colegas,minha entrada na Globo foi uma surpresa.’


Segundo ela, esse ‘tabu da universidade’ tem diminuído. ‘Hoje meus colegas entendem que a novela é um fenômeno de massa e muitos até têm admiração pelo meu trabalho.’


‘Cama de Gato’ é protagonizada por Camila Pitanga e Marcos Palmeira e entra no lugar de ‘Paraíso’,às 18h.


PT X PT


Um racha no PT embolou ontem, na Câmara, a discussão sobre proibição à publicidade infantil. Miguel Corrêa achou radical sugestão do colega petista José Guimarães de vetar comerciais dirigidos a crianças e liberar anúncios de produtos infantis desde que dirigidos a adultos. O clima esquentou e não houve tempo para votar.


NOVELA


O presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, na qual o projeto de lei da publicidade infantil está em pauta, pedirá mais prazo para o presidente da Câmara, que já havia dado um ultimato para esta votação antes de encaminhar a proposta para a Comissão de Ciência e Tecnologia.


FORA DO LIMITE


O Ministério da Justiça publicou só ontem a classificação de ‘No Limite’, que terminou domingo, após dois meses: inadequado a menores de 14 anos por ‘exposição de pessoas em situações degradantes’.


DEGRADANTE


Romeu Tuma Jr., secretário Nacional de Justiça, afirma. ‘Temos 60 dias para classificar. Estávamos monitorando o programa e concordando com a classificação da Globo, também para 14. Se houvesse inadequação, teríamos mudado antes’.


PCC


Produtores de ‘Salve Geral’, candidato brasileiro à uma vaga no Oscar, não conseguiram reclassificar de 16 para 14anos.’


 


 


Fernanda Ezabella


Nova série põe modelo em corpo de gordinha


‘É o pior pesadelo de muitas mulheres: acordar com vários quilos a mais. Em troca, no entanto, ganhar um cérebro afiado e um trabalho inteligente.


Essa é a base de ‘Drop Dead Diva’, série que a Sony lança no Brasil em 16 de novembro. Haverá uma pré-estreia na noite de hoje, para convidados, no Festival de Cinema do Rio.


O evento contará com o criador do seriado, o norte-americano Josh Berman, que veio ao país dar uma palestra sobre roteiro no RioMarket, a área de negócios do festival. Mais conhecido como roteirista das seis primeiras temporadas de ‘CSI’ e ‘Bones’, ele agora investe em sua primeira comédia, após 12 anos na TV americana.


‘Drop Dead Diva’ começa com a clássica troca de corpos: uma modelo magricela e patricinha morre, chega ao céu, mas é enviada de volta à Terra no corpo de outra mulher, uma advogada bem sucedida e bem gordinha. A série segue a vida desta ‘nova mulher’.


‘Minha avó, que teve um papel muito importante na minha adolescência, foi a inspiração para essa personagem. Ela era baixinha e rechonchuda, mas agia como se fosse uma supermodelo’, disse Berman em entrevista à Folha.


A série estreou em julho nos EUA e já tem segunda temporada garantida para 2010.


A atriz desconhecida Brooke Elliott faz o papel da advogada Jane, que tem alma de Deb (a modelo). Para achar Elliott, a produção rodou os EUA por três meses e a encontrou em musicais da Broadway.


‘Brooke está criando moda nos EUA, as pessoas amam sua personagem. Muitas mulheres entram no site do programa só para perguntar onde ela compra suas roupas, suas bolsas’, contou Berman.


Como é sobre uma advogada, a série vai aos poucos deixando para trás as confusões de troca de corpos para investir em casos de tribunais. No final, acaba parecendo uma mistura da série ‘Ugly Betty’, sobre uma garota feiosa com um trabalho fashion, com a comédia de tribunal ‘Legalmente Loira’.


O sobrepeso da protagonista não chega a ser o centro da série. No segundo episódio, ela até tenta entrar numa dieta com sua amiga de tempo de modelo, mas logo desiste e o assunto é encerrado.


Para Berman, um dos pontos fortes do programa são os convidados especiais, que incluem Liza Minnelli, Paula Abdull, Rosie O’Donnell e Jorja Fox, a Sara Sidle de ‘CSI’.


‘Em toda a minha carreira, sempre me esforcei muito para conseguir bons convidados e finalmente estou escrevendo um seriado do qual os convidados querem participar’, disse Berman. ‘Em ‘CSI’, o espaço para convidados era pequeno e, geralmente, para fazer assassinos. Em ‘Drop Dead Diva’, temos espaço para papéis mais interessantes.’


DROP DEAD DIVA


Quando: estreia dia 16/11, às 22h


Onde: Sony


Classificação: não informada’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 1º de outubro de 2009 


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


Mariângela Gallucci


TJ manobra e envia caso de censura ao Maranhão


‘Os desembargadores da 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal decidiram ontem manter o Estado sob censura. Depois de ter tomado três decisões a respeito da proibição requerida pelo empresário Fernando Sarney, o TJ-DF determinou que o caso seja transferido para a Justiça Federal Cível de primeira instância no Maranhão. Os juízes consideraram que o tribunal de Brasília não é foro competente para julgar o assunto.


Fernando, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), conseguiu há 62 dias uma liminar do desembargador Dácio Vieira que proíbe o jornal de noticiar as investigações da Polícia Federal na Operação Boi Barrica. O empresário, responsável por dirigir os negócios da família do parlamentar, está sob investigação há quase três anos.


A operação, depois desdobrada em cinco inquéritos, mapeou transações financeiras suspeitas das empresas do grupo, detectadas às vésperas da eleição de 2006. Em julho, ao final de quase seis horas de depoimento na Superintendência da PF do Maranhão, em São Luís, o empresário foi indiciado por lavagem de dinheiro, tráfico de influência, formação de quadrilha e falsidade ideológica.


O nome da operação, alusivo ao grupo folclórico maranhense que tem os Sarney como patronos, foi modificado depois para Faktor. É uma referência a uma factoring, descoberta no início das investigações da Polícia Federal, que movimentou R$ 40 milhões em cinco anos.


SUSPEIÇÃO


No julgamento de ontem, a portas fechadas – assistido apenas pelos advogados do jornal -, os desembargadores da 5ª Turma concluíram que o Tribunal de Justiça do DF não era competente para julgar o caso, porque as decisões sobre a Operação Boi Barrica foram tomadas pela Justiça maranhense.


Apesar de terem chegado a essa conclusão, os juízes mantiveram a liminar que instaurou a censura, em decisão criticada por juristas e entidades de defesa da liberdade de imprensa. Em sessão anterior, os desembargadores já haviam decidido afastar Vieira do caso. Os advogados do Estado sustentaram que o desembargador não era mais isento para relatar o processo porque atribuíra ao jornal ‘ação orquestrada mediante acirrada campanha com o nítido propósito de intimidação’.


O desembargador criticou o jornal justamente ao rejeitar um primeiro recurso, no qual o Estado sustentava que ele não poderia atuar no caso, pois tinha relações com os Sarney. Reportagem publicada em agosto mostrou que Vieira era do convívio social da família do senador e do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia.


O TJ não reconheceu a parcialidade invocada pela intimidade do magistrado com Sarney. Mas, depois de o jornal protocolar o segundo recurso, o tribunal reconheceu que o desembargador havia perdido a isenção com as críticas feitas ao Estado.


Maurício Azêdo


Presidente da ABI


‘É mais uma demonstração do corporativismo que retarda a solução e prolonga uma inconstitucionalidade absurda. Estamos diante de um absurdo só comparável àqueles cometidos na ditadura’


Rosângela Giembinsky


Voto Consciente


‘Não tem explicação uma situação dessas. O que esses caras estão querendo? É inadmissível. O Voto Consciente sente uma indignação. Não podemos mais confiar na Justiça, é preciso um controle externo’


Mozart Valadares


Presidente da AMB


‘O que mais me espanta, me deixa surpreso, é quando um tribunal diz que não tem competência e mantém a decisão. Se é incompetente, a decisão está revogada. Não consigo entender’


Márlon Reis


Juiz, membro do MCCE


‘O Judiciário não pode realizar censura prévia, ofende claramente a Constituição. Pode ter chegado o momento de o STF ser estimulado a editar uma súmula vinculante. OAB e ANJ deveriam provocar o Supremo’


José Carlos Cosenzo


Presidente do Conamp


‘Se o juiz foi declarado incompetente, a decisão não tem valor. O TJ-DF é competente, a meu ver, já que todos os fatos se deram em Brasília. O jornal deve fazer representação ao CNJ e à Corregedoria Nacional de Justiça’


Rubens Figueiredo


Cientista político


‘É uma decisão medieval, em pleno século 21. Parece que estamos dando sempre passos para trás em nossa democracia. É como se fosse um dinossauro, um pterodáctilo sobrevoando nosso mundo’


Marina Person


Cineasta e apresentadora


‘É uma coisa tão absurda, um contrassenso inaceitável. Fica até difícil não chover no molhado. O que está acontecendo lá é com dinheiro nosso, então nada mais apropriado que a gente possa saber o que está acontecendo’


Ricardo Pedreira


Diretor executivo da ANJ


‘A ANJ expressa seu repúdio e estranheza pela decisão da 5.ª Turma Cível do TJ-DF de se declarar incompetente para julgar a ação e manter a liminar do desembargador Dácio Vieira, que é totalmente inconstitucional’


Cézar Britto


Presidente da OAB


‘A censura prévia não foi agasalhada pela Constituição brasileira. As instituições da liberdade só podem ser aquelas previstas no texto constitucional. Não está incluída a censura. Ela é vedada expressamente’


Cláudio Abramo


Transparência Brasil


‘É insanidade, não faz nenhum sentido. Estão brincando com o jornal. Eu diria que esse é o sinal de uma Justiça esquizofrênica. Não me admira que as pessoas considerem o Judiciário incompetente’


Ana Moser


Ex-jogadora de vôlei


‘É mais um sinal, um retrato do Brasil. Há bons retratos, mas outros muito feios, de abuso de poder. É uma continuidade do poder na mão de pequenos grupos. Isso é o que atrasa o Brasil em pleno século 21’


Henrique Calandra


Desembargador


‘O desgaste provocado pela liminar é tão grande que em outras ocasiões a parte desse mesmo tipo de liminar cedeu. Este é um bom momento para que a polêmica seja enfim encerrada’


Leonardo Barreto


Cientista político


‘A decisão do TJ conseguiu ser mais antidemocrática que a do desembargador, porque ela sepulta a possibilidade de revogação da liminar e envia a decisão para a casa do adversário’


Beatriz Segall


Atriz


‘O que é que está acontecendo? Por que a Justiça brasileira tem tanto medo de acabar com essa vergonha? Onde já se viu um tribunal se declarar incompetente depois de 61 dias. Tenho náuseas de saber que essas coisas podem acontecer no meu País’’


 


 


Jornal vai apelar ao STJ


‘‘Não aprendi na faculdade aquilo que venho assistindo nos julgamentos do caso Sarney’, declarou o advogado do Estado, Manuel Alceu Affonso Ferreira, sobre a decisão de ontem.


‘O juiz é declarado suspeito, mas a sua decisão é mantida. O tribunal afirma a sua incompetência absoluta, manda o processo para o Maranhão. Mas, apesar de reconhecer sua incompetência, mantém a censura’, afirmou o advogado. A decisão tomada ontem pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), que mandou deslocar os autos da mordaça para a Justiça Federal de 1ª instância do Maranhão, será alvo de novas medidas da defesa do Estado.


O primeiro passo a ser seguido é tentar barrar a transferência do processo. Para tanto, Manuel Alceu terá de aguardar a publicação do acórdão (decisão judicial tomada por um grupo de magistrados).


Quando isso ocorrer, a defesa do jornal poderá, por exemplo, apelar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio de um recurso especial.


Outra hipótese sob análise é a apresentação de um recurso extraordinário ao Supremo Tribunal Federal (STF).


Qualquer nova medida contra a censura, no entanto, dependerá fundamentalmente da publicação do acórdão. Assim que isso ocorrer, a defesa do Estado tem possibilidade de levar o caso para os tribunais superiores e interpor ação cautelar para dar efeito suspensivo à censura.’


 


 


Fausto Macedo


‘Fiquei chocado. Esperava que saneassem o abuso’


‘‘Todos esses atos foram praticados por autoridade incompetente. Tinha de cair tudo, inclusive a censura, obviamente’, declarou o advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira.


Criminalista com cinco décadas de atuação nos tribunais, Mariz revela inconformismo com os rumos que a ação tomou no Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Na avaliação dele, a censura é ‘uma violência’.


Mais indignado ele fica ao comentar sobre o longo período em que a mordaça prevalece – imposta no dia 31 de julho pelo desembargador Dácio Vieira, do TJ-DF.


Ontem, o julgamento realizado no tribunal do Distrito Federal foi acompanhado com ansiedade por Mariz. Ao saber do resultado, declarou-se ‘chocado’.


É correta a decisão do tribunal do Distrito Federal, que mandou transferir os autos para o tribunal do Maranhão?


O que agrava a decisão de hoje é o fato de que o TJ-DF poderia ter reconhecido sua incompetência. Isso teria impedido o alargamento do período de censura. Já poderiam de cara ter dito: não somos competentes. Desde a primeira decisão, do primeiro desembargador, a incompetência deveria ter sido reconhecida. Se não foi pelo desembargador que determinou a censura, deveria ter sido por aquele que recebeu os autos no processo de suspeição. A decisão judicial tomada pelo desembargador afastado, por si só, já representava uma ingerência indevida do Judiciário no exercício de um direito garantido pela Constituição, o direito à liberdade de imprensa. E agora, ao invés de o Judiciário, por meio do tribunal do Distrito Federal, por um fim à violência cometida anteriormente, decide manter essa agressão.


Onde começou o erro?


O erro, muito grave, já se deu logo no início da demanda, com a imposição de censura. E se agrava na manutenção da proibição, uma medida inconstitucional mantida por meio de decisão de caráter meramente formal. É medida que não acolhe de modo algum os anseios da sociedade brasileira no sentido de ver o jornal da envergadura do Estado livre das amarras de decisão arbitrária.


São mais de 60 dias de mordaça. Como o sr. avalia?


Fiquei chocado com a decisão em si. Esperava que a consciência jurídica e democrática da magistratura do Distrito Federal saneasse o abuso cometido. Mas isso não ocorreu para aumento do meu espanto e da minha decepção.


Quando o desembargador Dácio Vieira foi declarado suspeito a censura não foi afastada. É normal na rotina forense?


É uma grande incongruência, difícil de ser entendida. Uma vez declarada a suspeição do juiz, suas decisões devem ser automaticamente atingidas e tornada nulas. Não se pode compreender que neste caso essa regra não tenha sido aplicada.


O TJ-DF diz que não é competente. Ainda assim manteve a censura. Como é possível?


Na mesma esteira do abuso que marca a manutenção da censura quando o juiz foi declarado suspeito, o TJ-DF, ao dar-se por incompetente, deveria ordenar imediatamente a suspensão dessa proibição. Também nula é a decisão do órgão do Judiciário que não se considera competente para determinado caso. Ora, se é incompetente, a decisão é nula.


Se a censura é inconstitucional como pode ter partido do próprio Judiciário?


O que preocupa nesse episódio é que desta feita o Judiciário está sendo instrumento de uma violência que se imaginava abolida no País. Uma agressão que era cometida nos regimes de exceção, mas jamais no regime onde se imaginava vigorar a plena democracia.


A Associação Nacional de Jornais apurou 12 casos de censura judicial nos últimos dois anos. A liberdade de imprensa está sob risco?


Preocupa a possibilidade de essa censura adquirir um caráter exemplar no sentido de influenciar outros órgãos do Judiciário a acolherem postulações que tenham o mesmo objetivo de amordaçar a imprensa. Há outro fato que mais agrava a situação: a demora que os advogados do jornal terão de suportar para ingressarem com medidas cabíveis contra a decisão do TJ-DF. As atividades do Judiciário se revestem de burocracia revoltante que, no entanto, devem ser cumpridas até que haja a publicação desta mesma decisão.’


 


 


PRÊMIO


O Estado de S. Paulo


Quatro jornalistas do ‘Estado’ são premiados


‘Os jornalistas do Estado Marili Ribeiro, Luis Fernando Verissimo, Sonia Racy e Carlos Alberto Sardenberg venceram o Prêmio Comunique-se 2009, entregue na noite de terça-feira, em cerimônia no HSBC Brasil, em São Paulo.


Com a vitória pela terceira vez, Verissimo, que também publica sua coluna nos jornais O Globo e Zero Hora, entrou para a Galeria Mestres do Jornalismo. Celso Ming, colunista da editoria de Economia do Estado, também está na galeria, já que foi premiado três vezes em edições anteriores.


Marili, que é repórter da editoria de Economia, ganhou na categoria Jornalista de Propaganda e Marketing. Verissimo, na de Colunista de Opinião/Articulista e Sonia, na categoria Colunista Social. ‘É muito importante a imprensa ter um prêmio em que os jornalistas são julgados por seus colegas. Isso tem um valor especial’, declarou Sonia, que edita a coluna diária Direto da Fonte.


Sardenberg, que também escreve semanalmente no jornal O Globo, ganhou como Jornalista de Economia de mídia impressa na categoria Colunista.


Verissimo foi representado no evento por sua filha, Mariana. ‘Ele diria: muito obrigado’, disse ela, muito aplaudida durante a cerimônia, que reuniu cerca de 200 participantes.


No total, 27 jornalistas, escolhidos por votos dos leitores do portal de internet, foram premiados em 13 categorias. Os vencedores foram definidos após três etapas. Primeiro, foram indicados dez profissionais em cada categoria, com base nas sugestões de jornalistas cadastrados no portal. Depois, os profissionais escolheram três finalistas e, por fim, os agraciados em cada categoria.’


 


 


REINO UNIDO


O Estado de S. Paulo


Brown perde apoio do tabloide ‘The Sun’


‘O premiê britânico, Gordon Brown, sofreu ontem um revés, depois que o jornal de maior circulação do país retirou o apoio a ele e declarou respaldo aos conservadores. O tabloide The Sun, que pertence ao magnata da mídia Rupert Murdoch, publicou um editorial criticando os trabalhistas. ‘Após 12 anos no poder, esse governo se perdeu. E perdeu também o nosso apoio’, afirmou o Sun, cuja circulação diária é de 3 milhões de exemplares.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


CQC para garantir


‘Daniella Cicarelli volta ao ar, mas muito bem acompanhada. A apresentadora terá sua segunda chance na Band ao lado de Felipe Andreoli, do CQC, que dividirá com ela o comando da versão nacional de Go, game show da Endemol.


Os últimos detalhes da compra do formato foram acertados na terça-feira e ficou estabelecido que o programa teria dois apresentadores, sendo um deles do CQC. Uma ideia do patrocinador da atração, só para garantir, não é?


Go, que irá ao ar aos domingos à tarde na Band, é uma competição por um carro zero-quilômetro. No formato, uma fila de carros velhos será formada, por ordem de chegada, na frente do estúdio da Band, cada carro com um grupo de participantes dentro. Ao entrar no estúdio, o motorista e seu time, plugados com microcâmeras, responderão a uma bateria de perguntas, de dentro do carro.


Ao acertar a questão, o carro avança um semáforo verde; se errar, fica. Para chegar até a roleta de prêmios (onde há um carro novo) o participante deverá passar por cinco semáforos verdes seguidos. Eles terão três chances na roleta para levar o prêmio.


Ligue já


Até que enfim diversão. Cris Nicolotti entra na próxima segunda-feira em Viver a Vida, da Globo, como Regina, mãe de Renata (Bárbara Paz), e cartomante das boas. Ela lerá cartas para Tereza (Lilia Cabral) e Betina (Leticia Spiller) .’


 


 


Patrícia Villalba


‘No fim, contei a história do jeito que queria contar’


‘Edmara Barbosa termina amanhã mais um remake de sucesso de uma novela do pai, Benedito Ruy Barbosa. Contemplativa e delicada, Paraíso levantou o Ibope do horário das 6 da Globo (a média foi de 30 pontos), depois do fiasco Negócio da China, que contava uma história rocambolesca em ritmo de videoclipe. Agora, quando Santinha (Nathália Dill) e Zeca (Eriberto Leão) partem para o ‘felizes para sempre’ além do horizonte, a autora e o pai começam uma viagem pelo Rio São Francisco, onde colhem material para a trama que marcará a volta de Benedito às novelas, depois de Esperança (2003). Nesta entrevista ao Estado, Edmara conta como foi repaginar um texto do pai pela terceira vez (antes, ela adaptou Cabocla, em 2004, e Sinhá Moça, em 2006) e quantas broncas levou dele ao longo destes sete meses.


Como foi adaptar Paraíso? É diferente dos outros remakes?


Sim, ela teve de ser toda adaptada, porque se passa nos dias atuais, e o original era de 1982. Muita coisa teve de ser atualizada, toda a parte que fala de política. Alguns personagens foram modernizados, para não ficarem fora de época.


De 1982 para cá, mudou também a maneira de se retratar as mocinhas, que agora são menos ingênuas. Nesse sentido, como você reconstruiu a Santinha?


Deu muito trabalho, justamente por isso. Precisei dar um pouco mais de postura a ela, mesmo mantendo-a fiel à criação religiosa. Ela era predestinada à carreira religiosa e, ao longo da novela precisava descobrir o desejo. Isso foi sendo construído desde o começo e precisava ser coerente. Por isso, levou um tempo.


Como foi a relação com Benedito durante a novela? Ele de palpites?


Conversei com ele o tempo todo. Não vou dizer que ele fez supervisão, porque não interferiu, mas sempre que eu precisava fazer uma mudança muito grande, discutia com ele antes. A mudança da Santinha, por exemplo, foi um ponto que conversamos bastante. Eu falei para ele ‘pai, ela é muito boba, preciso fazê-la um pouco mais carente, com mais arroubo’. Tomei umas broncas dele também, em passagens onde ele achou que eu tinha pegado muito forte na crítica política. E na cena da ambulância (quando o protagonista, acidentado, é levado para a fazenda do pai), que ele achou que tinha ficado longa demais. Ele disse ‘vocês não perceberam que tinha ambulância demais?’ (risos).


A Globo pediu mesmo para acelerar a novela?


Não. O problema foi só a cena da ambulância. A novela anterior era muito mais acelerada, então teve um choque inicial. As pessoas falaram que a novela não tinha ritmo, mas não era nada disso. Depois, tudo se acomodou e eu contei a história do jeito que queria contar.


Você já adaptou três novelas do Benedito. Não pensa em lançar um projeto original?


Sim. Agora, com o fim de Paraíso, meu pai e eu vamos viajar pelo Rio São Francisco. Será uma pesquisa para a próxima novela que escreveremos juntos, O Velho Chico. A ideia do Benedito é que seja uma novela que mostre bastante o Brasil.’


 


 


Luiz Zanin Oricchio


A questão do aborto, vista sem hipocrisia


‘Fim do Silêncio é um documentário muito simples e por isso abre o jogo: o aborto ilegal é um dos principais problemas de saúde pública do País. O filme, de Thereza Jessouroun, passa hoje às 23h10 na TV Cultura e seu grande mérito é tratar o tema sem o moralismo habitual. Ouve as pessoas diretamente envolvidas no problema – as mulheres que tiveram, ou optaram por praticá-lo. E, sabiamente, ignora especialistas, políticos e religiosos.


Thereza visita mulheres no Rio, em Pernambuco e São Paulo. Há entrevistadas de várias classes sociais, mas predominam as pobres, o que não é difícil de entender. São elas que, com maior frequência, veem-se obrigadas a apelar para o aborto clandestino como forma de contracepção. Muitas falam de danos à saúde, danos psicológicos, ou situações grotescas, como a que encontrou dois fetos embrulhados num pacote.


No total, são 22 mulheres, que olham diretamente para a câmera, sem esconder o rosto, o nome ou a emoção. Contam por que, em que circunstâncias, praticaram a interrupção da gravidez. Muitas vezes foi por decisão própria; outras, por imposição de maridos ou parceiros. Poucas cenas externas são mostradas. No máximo, uma aproximação ao bairro, à moradia das entrevistadas. O resto é esculpido em planos internos, a câmera em geral fixa, concentrada no rosto de quem fala.


Entre os depoimentos, aparecem intertítulos informativos. Por exemplo, que o medicamento Cytotec é o abortivo mais usado. Ou que o projeto de descriminalização está empacado na Câmara desde 1991. Ou que os lobbies religiosos são o principal entrave à aprovação da lei.


O filme foi financiado pelo Ministério da Saúde e não se propõe como panfleto pró-liberalização do aborto. Se toma um partido, o faz em nome de quem sofre na pele o problema. Abre uma fresta na ignorância e joga luz sobre a hipocrisia com que a questão em geral é tratada.’


 


 


 


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