Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

ENTRE ASPAS > CHARLES & CAMILLA

Sarah Lyall

12/04/2005 na edição 324

‘Espera-se que os casamentos reais façam as pessoas felizes, reavivem a fé de um público desanimado. Mas não desta vez. Pesquisas de opinião mostram que o número de pessoas que reprovam o casamento do príncipe Charles com Camilla Parker-Bowles aumentou muito desde o anúncio do compromisso, em fevereiro.

Enquanto isso, a mídia, que nunca chegou a manter uma relação amigável com o príncipe, aproveita cada tropeço ou gafe dele com indisfarçada alegria. ‘Essa maldita gente’, resmungou Charles na semana passada, nos Alpes, referindo-se aos repórteres. De certo modo, realmente não se pode culpá-lo.

Como se não bastasse a explosão de notícias de primeira página, há alguns dias um artigo do Daily Mail argumentando que mulheres mais velhas ficam horríveis vestindo jeans foi ilustrado por uma enorme e horrível foto de Camilla. E no Telegraph a escritora Pam Ayres, solicitada a fazer um poesia para a ocasião, publicou Pensamentos Desanimados sobre o Casamento Real, de apenas quatro linhas:

‘Minha mãe disse: ‘Não diga nada/Se não puder dizer algo refinado’/Pois em meu poema você vê/Que segui o recomendado.’

Essa sordidez casual é relativamente nova. Até os anos 60, a maioria dos britânicos ainda considerava a monarquia essencial, e a família real a síntese dos valores nacionais. Sua deferência era tão inerente que um cauteloso ataque à rainha por parte do historiador John Grigg em 1957 (ele disse que ela era elitista e complacente) foi considerado chocante, quase uma traição. E chegaram mesmo a pedir que ele fosse enforcado.

Quando exatamente as opiniões mudaram é discutível. Mas muro invisível protegendo o mistério da família real desmoronou de vez no fim dos anos 80, quando o casamento de conto de fadas de Charles e Diana começou a parecer ter sido escrito pelos irmãos Grimm. Desde então, a mídia tem se tornado cada vez mais desdenhosa.

Se a família real ainda tem um propósito, escreveu Mary Riddell no Observer, é no papel de ‘pára-raios do ódio nacional’, um ‘canal para a crueldade coletiva’.

O humor está tão sombrio ultimamente que algumas pessoas até começam a sentir pena do herdeiro do trono.’



Érica Fraga

‘Após 30 anos, Charles e Camilla se casam’, copyright Folha de S. Paulo, 10/04/05

‘Saudados por uma pequena multidão de 20 mil pessoas e sem muita pompa -para os padrões reais-, o príncipe Charles, 56, e Camilla Parker-Bowles, 57, foram declarados marido e mulher ontem em cerimônia civil em Windsor, seguida por uma benção na capela St. George, depois de manterem um intenso e intermitente romance por mais de 30 anos.

Acenando discretamente para o público, o casal chegou e partiu do cartório Guildhall a bordo de um Rolls-Royce, ao som da música ‘Congratulations’, de Cliff Richard, executada pela Windsor Boyschooll Jazz Band. Ao deixar o cartório, Camilla já portava o título de duquesa da Cornuália e passava a ser a segunda mulher mais velha da família real depois da rainha Elizabeth 2º, mãe de Charles, príncipe herdeiro.

Os trajes de Camilla foram considerados elegantes e discretos. Para a cerimônia civil, ela usou vestido de chiffon e casaco discretamente bordado e em cor marfim, desenhados pelo estilista Robinson Valentine. Na benção religiosa, ela optou por um vestido de seda longo azulado e bordado.

O clima em Windsor era alegre. Algumas lojas estavam especialmente decoradas. O McDonalds dava presentes para as crianças e funcionários de um salão de beleza bebiam champanhe.

Mas as comparações com o casamento do príncipe com Diana, em 1981, surgiram aos presentes em diversos momentos. Ontem, o número de pessoas que foram saudar os noivos, segundo estimativas da polícia, era de 20 mil pessoas. Em 1981, uma enorme multidão de cerca de 600 mil pessoas invadiu as ruas de Londres para celebrar os noivos. E, se o casamento anterior foi realizado na famosa catedral St. Paul, os noivos desta vez receberam a benção na capela de St. George, dentro do castelo de Windsor. As diferenças, porém, eram previsíveis, uma vez que Charles e Camilla optaram por um evento discreto. Desde 1972, Charles mantinha um relacionamento intermitente com Camilla, que também era casada.

Mas nem é necessária uma comparação com Diana para medir a relativamente baixa popularidade do casal. Em 1999, quando o príncipe Edward, filho mais jovem da rainha, se casou com a princesa Sophie, também em Windsor, 20 mil pessoas foram olhar e saudar os noivos. Embora o número seja o mesmo, Charles é a segunda figura mais importante da realeza, depois da rainha, além de ser uma personalidade muito mais midiática.

Os turistas que foram a Windsor para ver o casamento esperavam que a cidade, de 133 mil habitantes, estivesse mais lotada. ‘Chegamos aqui hoje às 7h. Acho que fomos os primeiros’, disse em tom de brincadeira o estudante americano Patrick Malloy, 22, que carregava grandes orelhas de mentira, em alusão caricatural às de Charles. ‘Vim aqui hoje para ser parte da história. Achei que seria mais difícil me locomover na cidade’, disse Catherin Samuel, funcionária pública de Cardiff.

Apesar do entusiasmo moderado da população britânica em relação ao casamento e de todos os reveses enfrentados pelo casal nas últimas semanas (como o adiamento do casamento por causa do funeral do papa), os cenários mais pessimistas previstos para ontem, não se concretizaram.

Não houve nenhuma grande manifestação contra a união nas proximidades do cartório, e apenas um cartaz de protesto se destacava no meio do público, classificando a união de vergonhosa.

Outra manifestação, discreta, não era contra a união, mas usava o exemplo como desculpa engraçada para reclamar mais direitos aos homossexuais. Os cartazes diziam: ‘Se Charles pode se casar duas vezes, por que os gays não podem se casar uma vez?’.

Outro temor era a ocorrência de alguma atentado terrorista. Mas o forte esquema de segurança que mobilizou centenas de policiais -alguns armados, franco-atiradores e oficiais à paisana- foi capaz de evitar incidentes.

De forma geral, os jornalistas britânicos especializados em monarquia elogiaram o casamento, os trajes dos noivos e convidados e o clima. Os fãs incondicionais da monarquia diziam ontem ter certeza de que, com o tempo, o público aprenderá a gostar de Camilla.

Esse era o veredicto, por exemplo da aposentada britânica Sheila Boreham, 67. Sheila foi uma das 2.000 pessoas que conseguiram entrar no castelo de Windsor e ficar do lado de fora da capela de St. George. ‘Enviei uma carta para a família real contando a minha admiração por eles e pedindo para poder entrar no castelo. Consegui. Tenho certeza de que com o tempo os britânicos vão aprender a gostar de Camilla’, disse Sheila.

Bênção religiosa

A bênção religiosa foi celebrada pelo arcebispo da Cantuária, Rowan Williams. Na cerimônia estavam presentes 800 convidados, entre eles a rainha Elizabeth e o príncipe Philip, o premiê Tony Blair e o ex-marido da noiva, Andrew Parker-Bowles.

Durante a cerimônia, o casal fez orações e promessas de fidelidade. Também recitaram um severo ato de penitência reconhecendo ‘pecados’ e ‘maldades’. ‘Nós reconhecemos e lamentamos nossos múltiplos pecados e maldades, que nós, de tempos em tempos, pesarosamente cometemos, por pensamento, palavra e ação, contra a Divina Majestade, provocando muito justamente a ira e a indignação contra nós.’

Do lado de fora da igreja centenas de pessoas esperavam a chegada dos noivos. Entre elas, estava Vivienne Reay, 53. ‘É genial. Acho muito bom que eles se casem. Eles esperaram tanto tempo e estou contente por eles’, disse à BBC. Os súditos puderam acompanhar a cerimônia por um telão e, ao término, os recém-casados foram cumprimentar os presentes com abraços e apertos de mão. A princesa da Cornuália, feliz, ainda que nervosa, já começou a se adaptar à vida da realeza.

Após a recepção, em que foram servidos bolos e canapés, Charles e Camilla rumaram para Aberdeen, na Escócia, onde passarão a lua-de-mel.’



O Estado de S. Paulo

‘‘Bomba’ de repórteres faz polícia dobrar guarda’, copyright O Estado de S. Paulo, 10/04/05

‘Um esquema excepcional de segurança foi montado pelas autoridades policiais britânicas para proteger a família real e seus convidados, entre os quais o primeiro-ministro Tony Blair, durante as bodas do príncipe Charles e de Camilla Parker-Bowles, que ocorrem hoje em Windsor. Agentes com detectores de metais e explosivos vistoriaram o castelo e até bueiros das ruas adjacentes.

A Scotland Yard, responsável pelo policiamento, redobrou a vigilância, principalmente depois da ousada façanha de dois repórteres do tablóide The Sun, de Londres, que ingressaram na quarta-feira no Castelo de Windsor carregando uma caixa onde se lia claramente a palavra ‘bomba’.

Os repórteres teriam entrado pelo portão principal, dirigindo um furgão. A caixa, disseram eles, estava num local visível do veículo.

Os repórteres teriam levado pacote até à Capela de São Jorge, onde hoje o casal real receberá uma bênção na presença da rainha e dos convidados. ‘Se a bomba fosse transportada por terroristas, teria ocorrido uma carnificina’, advertiram. Ontem, um porta-voz da Scotland Yard disse que dois agentes responsáveis pela guarda do portão do castelo foram afastados de suas funções.’

***

‘Vexame: repórteres entram em Windsor com uma bomba falsa’, copyright O Estado de S. Paulo, 8/04/05

‘A apenas três dias do casamento do príncipe Charles com Camilla Parker-Bowles, as forças de segurança britânicas viveram uma situação extremamente embaraçosa: dois repórteres do tablóide The Sun, disfarçados de entregadores de mercadorias, entraram no Castelo de Windsor com uma bomba (falsa) sem serem revistados pelos policiais. ‘Poderíamos ter alcançado facilmente a ala residencial do castelo, onde estava a rainha, e acionado o explosivo’, disse o repórter Alex Peake, que, com seu plano, quis demonstrar a vulnerabilidade do esquema de segurança do castelo. ‘Teria sido uma verdadeira carnificina’, ressaltou, acrescentando que ele e o colega circularam apenas pela área reservada aos turistas.

Segundo o jornal, seus repórteres entraram no castelo com um furgão, que carregava num local bem visível uma caixa com a inscrição ‘bomba’, usando pedido e nota fiscal falsos.

‘Carregamos a caixa até a Capela de São Jorge’, acrescentou Peake. Nesse local, o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, vai abençoar Charles e Camilla, numa cerimônia religiosa marcada para depois do casamento no civil que será assistida pela rainha Elizabeth e outras altas autoridades, incluindo representantes de várias monarquias européias.

O chefe da Scotland Yard, Ian Blair, ordenou ampla investigação para esclarecer a nova violação do esquema de segurança de um edifício pertencente à família real.

‘Estou muito preocupado com isso e determinado a apurar responsabilidades doa a quem doer’, reagiu o chefe de polícia visivelmente irritado. Ele é responsável pelo forte esquema de segurança montado para evitar um eventual ataque terrorista ao castelo ou incidentes grotescos como o ocorrido há dois anos, quando um humorista disfarçado de Osama bin Laden entrou numa festa do príncipe William sem ser notado pelos agentes.

A falha seguiu-se a um embaraçoso incidente ocorrido no domingo. Dois turistas poloneses conseguiram transpor uma vala do castelo e ingressar na ala residência. Passearam tranqüilamente pelo local e chegaram até perto dos aposentos da rainha, antes de serem detectados pela segurança e presos.

O Castelo de Windsor, a cerca de 90 quilômetros de Londres, é apontado como o favorito da rainha Elizabeth II. Ali, ela passa quase todos os fins de semana.’



CASO TERRI SCHIAVO
John Hemingway

‘Cérebro morto’, copyright Direto da Redação (www.diretodaredacao.com), 7/04/05

‘Ligar a TV em qualquer lugar dos EUA recentemente levaria você a pensar que a notícia mais importante, se não a única que merecia ser divulgada, tinha a ver com o cérebro morto de Terri Schiavo e o recente falecimento do Papa João Paulo II. Por três semanas eu estive viajando com uma equipe da TV alemã, que está fazendo um documentário sobre minha família, e quando não estava sendo entrevistado ou a caminho de algum dos lugares favoritos dos Hemingway, distraidamente ligava a TV no quarto do hotel para ter uma idéia do que estava acontecendo no mundo. A cobertura sobre Ms. Schiavo, a mulher de quarenta anos que vivia em estado vegetativo há mais de dez anos, eclipsou completamente as demais notícias na mídia corporativa. Quando ligava na ABC, lá estava a batalha dos pais de Terri Schiavo para reinserir o tubo de alimentação, se mudava para a MSNBC, lá estava um exaustivo perfil do marido, Michael Shiavo, com sua ‘nova’ companheira e seus dois filhos. Todas as empresas jornalísticas tinham uma cobertura de vinte e quatro horas dos protestos e vigília que estavam montados por organizações religiosas do ‘direito à vida’, além da tentativa de Bush para ganhar crédito político com seus apoiadores de extrema direita quando enviou projeto de lei ao Congresso para que o tubo de alimentação de Schiavo fosse reinserido. Infelizmente para Bush, as cortes da Flórida apoiaram os direitos e desejos de seu parente mais próximo, o marido, e permitiram que seu corpo morresse.

Um dia ou dois depois da morte de Schiavo, o Papa morreu e a mídia americana resolveu o problema de encontrar outro grande assunto para manter os americanos em seu estado de letargia. Especialistas do Vaticano foram chamados para explicar detalhadamente o que acontece quando morre o Papa e como é a eleição do sucessor. Americanos comuns, católicos ou não, eram entrevistados e respondiam como estavam sentindo aquela grande perda. Espantosamente, pouco foi falado das ações políticas de extrema-direita de Wojtyla e como a eleição dele em 1978 significou um retrocesso conservadorista em relação à política de reformas dos Papas Paulo VI e João Paulo I. O mais importante, como em todos esses eventos da mídia, é ‘manter a mensagem’ para seguir o script, seja o direito à vida de um cérebro morto, seja a morte de um dos mais fervorosos opositores do controle da natalidade. Se os americanos algum dia começarem a pensar sobre seus outros problemas, aqueles que estão muito perto de casa, só Deus sabe o que pode acontecer. Bush pode algum dia ficar sem trabalho, impedido por impeachment, ou pior.

Mas eles pensam. Num longo vôo, a bordo de um pequeno jato fabricado no Brasil, de Houston, Texas, para Ketchum, Idaho (onde meu avô está enterrado), eu conversei com a comissária de bordo, uma mulher de meia idade da Filadélfia. Os americanos contam sua vida inteira, se você lhes der cinco minutos, e eu fiquei sabendo sobre seus filhos, de 23 e 18 anos. O mais jovem é aluno do último ano no High School (segundo grau no Brasil), mas já está alistado na corporação dos Marines. Os marines têm um programa onde estudantes podem se alistar e fazer treinamento básico nos fins de semana até que se formem do colégio. Quando conseguem o diploma, eles são geralmente enviados para o Iraque ou Afeganistão ou onde mais W e seus ideólogos estão ocupados em libertar o mundo do terror. A comissária de bordo era contra seu filho incorporar-se ao Marines. ‘Meus filhos são a única coisa que tenho’, disse. A mãe dela foi assassinada em Los Angeles ano passado e ela jamais se casou de novo depois do divórcio quando seus filhos ainda eram meninos. ‘Eu tenho uma casa nos arredores de Houston’, disse-me ela, ‘e a última vez que meu filho mais jovem veio me ver ele estava vestido com o uniforme de Marine, e quando eu o vi comecei a chorar. Eu não pude me controlar, juro que não pude. Ele disse que queria servir seu país, mas ele é muito jovem para saber o que está fazendo’. Eu concordei com ela, mas não havia muito mais que eu pudesse dizer. A tragédia da América se mostrava através dos olhos daquela mulher, dez mil metros de altura acima do Colorado. Ela não acreditava nas mentiras de seu governo e temia pela vida do filho dela, mas sentia-se impotente para ajudar a mudar qualquer coisa.

O desastre era iminente e claro para qualquer um que se importasse em observar. Isso você não encontra nos noticiários.

(*) Escritor e tradutor, historiador formado pela Universidade da Califórnia (UCLA). Neto do célebre escritor Ernest Hemingway, John está escrevendo um livro sobre o relacionamento entre o pai dele, Gregory, e o avô.’



WARNER & ADELPHIA
O Estado de S. Paulo

‘Warner compra TV a cabo’, copyright O Estado de S. Paulo, 9/04/05

‘A Time Warner e a Comcast chegaram ontem a um acordo preliminar para comprar a falida empresa de TV a cabo Adelphia Communications por cerca de US$ 18 bilhões. Pelo acordo, que precisa ser aprovado pelo Conselho de Administração da Adelphia, pelos credores e pela Justiça, seria formada uma nova companhia, que teria os ativos da Adelphia e os da Time Warner. Elas pagariam US$ 13,5 bilhões em dinheiro e US$ 4,5 bilhões em ações da nova empresa.

A Adelphia tem algo em torno de 5,3 milhões de clientes e, segundo o acordo, a Comcast pagaria cerca de US$ 2 bilhões para ficar com 2 milhões deles.

Além desse pagamento, a Comcast entregaria à Time Warner os 21% dos ativos da televisão a cabo da Warner que a companhia possui desde que comprou o setor de televisão a cabo da AT&T, que tinha participação nessa própria empresa. Desta forma, seria desfeita a sociedade entre a Warner e a Comcast, as maiores companhias de televisão a cabo dos Estados Unidos.

A oferta da Time Warner e da Comcast supera a de US$ 16,5 bilhões feita esta semana pela Cablevision Systems, que ainda poderá apresentar uma nova proposta, segundo especialistas do setor.

Nenhuma das companhias envolvidas quis comentar a notícia.

IRREGULARIDADES

A Adelphia teve a falência requerida em 2002, depois de ter acumulado uma dívida superior a US$ 20 bilhões.

Esse colapso financeiro trouxe à tona uma série de irregularidades na gestão, que acabou com a condenação, no ano passado, do fundador e ex-presidente da empresa, John Rigas, e um de seus filhos, por falência fraudulenta.

Em agosto do ano passado, a empresa exigiu que a família Rigas pagasse US$ 3,23 bilhões para compensar os desvios. Em março, informou-se que a empresa estava concluindo um acordo com as autoridades americanas para encerrar o processo por fraude, em troca do pagamento de US$ 725 milhões.

Ontem, na Bolsa de Nova York, as ações da Time Warner subiram US$ 0,31, para US$ 18,19, e as da Comcast avançaram US$ 0,31, para US$ 33,59.’

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PRIMEIRAS EDIçõES > PEDOFILIA

Sarah Lyall

Por lgarcia em 08/08/2001 na edição 133

ASPAS

PEDOFILIA

"Pedofilia, histeria e sátira: reação pública contra um programa de TV britânico", copyright The New York Times / Último Segundo, 3/8/01

"As reclamações começaram assim que o programa de televisão, planejado para satirizar o que seus criadores vêem como histeria pública sobre pedofilia, começou.

Alguns telespectadores se queixaram da linguagem vulgar usada pelo programa e das imagens provocativas. Alguns não gostaram do humor, quando o narrador apareceu pondo seus filhos para dormir em um armário para protegê-los de predadores sexuais (?Seus filhos estão em segurança?? ele perguntou. ?Os meus sim.?) Outros simplesmente acharam tudo ultrajante.

Qualquer que seja a razão, a edição do programa da última quinta-feira, um episódio da série Brass Eye, provocou um furor de proporções incomuns em um país que sempre empreende boas brigas públicas a favor da censura e da moralidade.

Quase 3 mil pessoas apresentaram queixas oficiais contra a série, um número mais do que o de qualquer outro programa, e colunas de jornais estavam repletas de cartas de pessoas revoltadas. O secretário de governo o denunciou, juntamente com uma porção de funcionários do governo, inclusive um porta-voz do primeiro-ministro Tony Blair.

A razão para toda esta revolta foi um programa de apenas 30 minutos que foi ao ar no dia 26 de julho no canal 4, um dos cinco canais da televisão britânica. Foi descrito como um programa de paródias de assuntos públicos sobre os males da pedofilia, mas sua verdadeira intenção, de acordo com seus criadores, foi a de satirizar a maneira como o público encara o assunto.

No ano passado, por exemplo, o ?News of the World?, um tablóide sensacionalista, iniciou uma campanha para ?expor e denunciar? criminosos sexuais que foram libertados da prisão. A campanha levou a linchamentos, bombardeios e tumultos em pelo menos 11 comunidades, e alguns manifestantes atacaram pessoas que haviam sido incorretamente identificadas como pedófilas.

Em uma declaração, o canal 4 disse que queria se desculpar pelo fato de que o Brass Eye tenha insultado as pessoas, mas Chris Morris, responsável pelo programa, não queria fazer piadas com a pedofilia em si. ?Seu objetivo era satirizar o perigoso sensacionalismo e exploração que podem caracterizar a cobertura da mídia em relação ao assunto?, afirma o canal 4.

Beverley Hughes, ministra de proteção às crianças, disse que apesar de não ter visto o programa todo porque ficou repugnada, leu sobre ele e achou-o ?horrivelmente doente?. E Tessa Jowell, ministra da cultura, disse que iria examinar as queixas públicas contra programas de televisão.

Mas houve também um movimento de oposição contra a reação pública. A Comissão de Televisão Independente, que recebeu 962 reclamações sobre o programa, afirma que recebeu também 411 telefonemas de apoio ao programa.

O que acontecerá agora está nas mãos da Comissão de Televisão Independente, a agência que determina padrões para a indústria e analisa reclamações do público. Se achar que o canal 4 quebrou o código de decência e bom senso, por exemplo, a comissão poderá fazer uma condenação pública ou cobrar uma multa da estação de televisão."

    
    
            

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