Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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ENTRE ASPAS >

Serviço Secreto teria ordenado blitz no Clarín

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 15/09/2009 na edição 555


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas. 
 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 14 de setembro de 2009 


 


ARGENTINA


Silvana Arantes


Serviço secreto ordenou inspeção a ‘Clarín’, dizem jornais


‘Depois que a direção da Receita Federal e a Casa Rosada negaram a autoria da espalhafatosa blitz fiscal empreendida contra o grupo Clarín, na última quinta-feira, uma nova peça entrou no quebra-cabeças para desvendar a história.


A ordem para a operação, que contou com cerca de 200 agentes e envolveu buscas na sede do diário ‘Clarín’ e em residências de diretores do grupo, teria partido da Side (Secretaria de Inteligência de Estado), órgão homólogo da Abin brasileira.


A atuação oculta da Side foi sugerida por jornais argentinos no fim de semana, depois de analisar o currículo dos dois funcionários da Receita que lideraram a blitz e foram afastados pelo diretor, Ricardo Echegaray. Um deles, Andrés Vázquez, teria vínculos anteriores -e atuais- com a Side.


Há duas versões antagônicas sobre quem na Side teria disparado a ordem. Uma delas aponta o marido da presidente, Cristina Kirchner, o ex-presidente Néstor Kirchner, que teria o órgão sob sua influência.


Essa seria a chave para entender a permanência no cargo de Echegaray, mesmo depois de afirmar publicamente que uma megaoperação do órgão que comanda foi feita nas suas costas. Echegaray entregou o cargo a Cristina, que recusou a renúncia, segundo o jornal ‘Página 12’, aliado do governo.


É também do ‘Página 12’ a insinuação de que Vázquez possa ter agido em linha com a Side, mas sob impulso de adversários do governo, como o governador de Chubut, Mario das Neves, peronista que se opõe aos Kirchner e é pré-candidato à sucessão de Cristina.


Essa hipótese abraça o argumento oficial de que o governo não seria tão estúpido para determinar uma ação que o prejudicasse com tanta contundência num momento crucial.


Está em discussão no Congresso o projeto do governo da Lei de Serviços Audiovisuais. O grupo Clarín é contrário ao projeto, em que vê tentativa do governo de controlar a mídia.


Além disso, os interesses econômicos do Clarín seriam seriamente afetados pela lei. As medidas de ‘desconcentração’ de propriedade previstas obrigariam o grupo a se desfazer de parte de suas concessões, além de ver entrar no mercado de TV a cabo, que hoje domina, um enorme competidor -as companhias telefônicas ficam autorizadas a operar o ‘triple play’ (telefone, internet e cabo).


O ‘Clarín’ publicou ontem um texto em que contesta, com dados estatísticos sobre seu alcance, a designação de ‘monopólio’ que o governo lhe dá. ‘Clarín é o principal grupo de mídia, mas o cenário é plural e competitivo’, afirma o texto.


A blitz no ‘Clarín’ ajudou a fortalecer a oposição contra a lei de mídia do governo, sob a liderança do vice-presidente, Julio Cobos, de quem a Casa Rosada pediu a renúncia, por seu gesto opositor. ‘Seria mais fácil renunciar, mas meu compromisso é com a cidadania e vou seguir onde estou’, disse.


A associação dos empregados da Receita Federal, por sua vez, divulgou nota ratificando a blitz contra o ‘Clarín’ e a competência da Receita para fiscalizar sem distinções. ‘Não pedimos desculpas nem concedemos privilégios’, dizem.’


 


 


PROPAGANDA


Editorial


A Fiesp nos comerciais


‘POUCAS instituições brasileiras desfrutam de imagem tão boa, em termos de eficiência, utilidade pública e importância educacional, quanto as do chamado ‘sistema S’, de que são exemplos o Sesi e Senai. Só por isso, já seria de estranhar que veiculem publicidade na TV, nos ônibus e no metrô enaltecendo qualidades amplamente reconhecidas pela população.


Estranha-se mais ainda -ou melhor, entende-se perfeitamente- que o material propagandístico esteja concentrado na figura de Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. É a Fiesp, órgão representativo por excelência do empresariado paulista, que controla o Sesi e o Senai.


A candidatura ao governo paulista está nas cogitações de Skaf, que há dois meses contratou o célebre publicitário Duda Mendonça como consultor da Fiesp. Eis que o rosto do presidente da entidade é lançado para o conhecimento mais amplo da população, numa campanha de R$ 8 milhões. Os recursos, é crucial lembrar, provêm de contribuição compulsória de todo empresário paulista, seja qual for sua preferência partidária.


Argumenta-se, na Fiesp, que a presença de Skaf na investida publicitária seria para mostrar que Sesi e Senai não são órgãos do governo, e sim da iniciativa privada, sendo assim legítimo associá-los ao líder empresarial.


Certamente, não veio da fértil imaginação de Duda Mendonça um argumento tão inconvincente. O velho aparelhamento das entidades sindicais, tão comum nos órgãos representativos dos trabalhadores, repete-se na Fiesp. O público e o privado, a pessoa e a instituição, misturam-se desse modo pelas artes da política e da propaganda.


E o ‘Sistema S’ corre o risco de tornar-se, pelo menos até as próximas eleições, uma outra coisa: o Sistema Skaf.’


 


 


Fábio Zanini


Redutos da oposição recebem mais publicidade do Planalto


‘Redutos da oposição no Sul e Sudeste receberam no primeiro semestre tratamento privilegiado do governo na distribuição de propaganda de seus três principais programas: PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Minha Casa, Minha Vida e Bolsa Família.


O Sul recebeu mais de 70% dos anúncios em jornais do PAC e teve publicidade do Bolsa Família superior à sua proporção na população, em jornais e em rádios. Já o Minha Casa concentrou-se em São Paulo -capital e interior, também em proporção superior à população do Estado.


Os três programas estão no centro da estratégia eleitoral de Lula em 2010 para tentar fazer sua sucessora a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.


A distribuição da publicidade dos programas está em planilha de 30 de julho que a Presidência enviou à Câmara dos Deputados, atendendo a requerimento apresentado pelo deputado Edson Aparecido (PSDB-SP). São 52 páginas assinadas por Ottoni Fernandes Jr., responsável pela publicidade oficial na Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência.


À Folha Fernandes afirmou que ‘a definição de veículos e cidades é orientada pelo cruzamento dos objetivos das campanhas com o público-alvo a ser atingido’. De acordo com ele, ‘inclusão e diversificação são diretrizes que orientam a comunicação de governo’.


A planilha refere-se aos meses de março a julho deste ano e lista todos os órgãos de mídia que receberam anúncios.


A região Sul, onde Lula tem seus mais baixos índices de aprovação, tem 70,61% dos jornais que receberam anúncios do PAC. A proporção é muito superior aos 14,54% de sua fatia da população brasileira. O Sul ficou ainda com 23,51% das rádios onde houve anúncio do PAC e 22,46% das que tiveram propaganda do Bolsa Família.


Em comparação, o Nordeste, com 28,01% da população, teve apenas 3,23% dos jornais com anúncios do PAC e 15,4% das rádios que tiveram publicidade do Minha Casa. Segundo Fernandes, a distribuição segue a proporcionalidade do número de rádios nas regiões. ‘De acordo com o MídiaDados 2008, a região Sul concentra 23,4% das emissoras de rádio’, diz.


No caso dos jornais, ele afirma que o contato com os veículos para oferecer publicidade é feito por meio de associações regionais dos veículos, e que o Sul tem algumas das associações mais estruturadas.


Um terceiro critério, de acordo com o governo, é o número de obras e projetos em curso em determinado Estado.


Em São Paulo, governado pelo PSDB, há concentração dos anúncios de rádio do Minha Casa, programa habitacional que deve ser o carro-chefe da campanha de Dilma. Das 227 emissoras do país que tiveram esses anúncios, 119 são paulistas (52,42%). O Estado tem 21,66% da população do país.


No Brasil, foram 80 cidades a receber publicidade em rádio do programa habitacional (em várias cidades, mais de uma emissora foi atendida). Pertencem ao Estado de São Paulo 55 delas (68,75%).


No Estado, Dilma tem algumas de suas piores taxas de intenção de voto, variando de 11% a 14%, dependendo do cenário, segundo o Datafolha.


Segundo a Secom, o Estado é o que está ‘mais preparado’ para projetos habitacionais e por isso recebeu esse tratamento diferenciado.


Marcas


O ofício da Secom não informa quanto foi pago a cada veículo, só o gasto total de cada programa no primeiro semestre. Os valores mostram como é importante para o governo Lula investir nessas três ‘marcas’. Juntas, têm gasto previsto para 2009 de R$ 59,92 milhões, ou um terço de toda a verba publicitária da Presidência para o ano, de R$ 187,5 milhões.


A propaganda do PAC tem custo no ano de R$ 33,2 milhões. Equivale a campanha de ponta no mercado privado de publicidade. Segundo estimativas da área, a verba para promover o sabão em pó Omo em 2009, por exemplo, é de cerca de R$ 35 milhões. ‘É difícil dimensionar a verba do governo em comparação com o mercado privado. O governo tem obrigação de prestar contas de suas ações e não tem concorrentes’, diz o diretor de Marketing da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Emmanuel Publio Dias.’


 


 


***


Governo prevê gastar 30% mais em propaganda


‘A proposta de Orçamento para 2010, enviada pelo governo federal ao Congresso no final de agosto, prevê R$ 700 milhões de gastos com publicidade, um aumento de 30% sobre o total aprovado pelos deputados e senadores para ser usado em 2009. A inflação prevista para este ano é de no máximo 6%.


Em grande medida, o governo está fazendo uma recomposição, com um ano de atraso, do que pretendia ter gasto em 2009, mas acabou tendo de cortar em razão da crise mundial.


A proposta inicial para 2009, entregue pelo Executivo ao Congresso no ano passado, pouco antes da eclosão da crise, pedia R$ 642 milhões. O valor acabou reduzido para R$ 542 milhões. A verba de publicidade refere-se apenas à administração direta -Presidência da República, secretarias especiais, ministérios, agências reguladoras e autarquias.


Estatais como Petrobras e Banco do Brasil têm verbas próprias para isso, sobre as quais há pouca transparência.


Mesmo na administração direta, há duas modalidades de publicidade. A Secretaria de Comunicação da Presidência tem uma verba institucional de R$ 187 milhões para a propaganda das principais ações do governo, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida. Essa verba tem permanecido estável ao longo dos últimos anos.


Os ministérios têm também suas próprias rubricas para isso, que, teoricamente, têm caráter de utilidade pública. Na prática, a distinção é tênue. Marca e slogan do governo federal sempre aparecem, por exemplo. Alguns ministérios têm verbas gigantescas de publicidade. A pasta campeã é a das Cidades, que destina R$ 120 milhões para campanhas de segurança no trânsito.


Em 2010, os recursos publicitários para o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) saltarão de R$ 10 mil para R$ 34 milhões. A razão é o censo populacional, realizado a cada dez anos.


Algumas pastas terão aumentos expressivos em suas verbas de publicidade, segundo a previsão do governo. O Ministério do Trabalho, da cota do PDT, salta de R$ 1,64 milhão aprovado neste ano para R$ 18,5 milhões no ano que vem.


Pastas controladas pelo PMDB também se beneficiaram. A Saúde passa de R$ 89 milhões para R$ 120 milhões. Já a Integração Nacional pula de R$ 5 milhões para R$ 13,75 milhões, enquanto a Agricultura vai de R$ 7,53 milhões para R$ 26,25 milhões.’


 


 


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Distribuição de propaganda privilegia plano habitacional


‘Com seis meses de existência, o Minha Casa, Minha Vida já tem direito a tratamento VIP na distribuição do bolo publicitário do governo.


Dos três principais programas do governo (os outros são o PAC e o Bolsa Família), o plano habitacional é o que mais uso fez da propaganda de TV no primeiro semestre de 2009.


Foram 27 emissoras contempladas com anúncios de 30 segundos e de 1 minuto no período, segundo dados enviados pela Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) ao Congresso em 30 de julho.


Embora tenha sido lançado só em março, o Minha Casa tem R$ 17,08 milhões para publicidade em 2009, o dobro do já estabelecido Bolsa Família. Segundo avaliações do governo, o programa, com sua meta ambiciosa de construir 1 milhão de casas populares, tem o potencial para ser a grande alavanca da candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff.


O governo deu atenção especial a segmentos estratégicos, como os veículos de cunho religioso. Dos 515 anúncios televisivos veiculados no período, 21% destinaram-se a sete emissoras religiosas. São elas as redes católicas TV Aparecida, Rede Vida e Canção Nova, as evangélicas RIT (da Igreja Internacional da Graça de Deus), Rede Família (ligada à Universal do Reino de Deus) e Rede Gênesis (da Sara Nossa Terra) e a Rede Boa Vontade, ligada à Legião da Boa Vontade.


Ao contrário dos demais programas, o Minha Casa teve direito, no primeiro semestre de 2009, a propaganda em telões e circuitos fechados em meios de transporte de massas.


Suas inserções apareceram no metrô de São Paulo, nos trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e nos da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Também houve exibição em ônibus executivos em São Paulo, Rio, Brasília, Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte e Salvador.


‘O lançamento do Minha Casa, Minha Vida tinha como alvo a sociedade em geral, mas com foco nas classes C, D e E, a quem ele se destina’, diz o secretário-adjunto de Comunicação, Ottoni Fernandes Jr.


Embora seja um projeto habitacional direcionado às classes mais baixas, o Minha Casa recebeu destaque do governo em um espectro amplo de veículos. Neste ano, foi o único a ser anunciado em revistas populares, destinadas a fofocas e notícias sobre artistas, como ‘Ti Ti Ti’ e ‘TV Novelas’. Mas também marcou presença na ‘Harvard Business Review’, da prestigiosa universidade norte-americana, e em revistas voltadas ao setor da construção civil.


No total, 359 veículos no país receberam anúncios do programa -227 rádios, 77 jornais (nas capitais estaduais), 27 TVs, 23 revistas e 5 canais ligados a meios de transportes.


Segundo Fernandes, a opção pelas TVs religiosas (que ele chama de ‘mídia segmentada’) é uma decorrência de dados estatísticos que mostram que esse veículos têm 53% de penetração nas classes C, D e E. ‘As revistas populares possuem, também, grande penetração na população de baixa renda’, diz o secretário.


Colaborou DANIEL CASTRO, colunista da Folha’


 


 


REFORMA ELEITORAL


Marina Silva


Eleição, internet e borboletas


‘ELEIÇÃO É sempre uma grande oportunidade de reafirmar a democracia. E as regras eleitorais são o primeiro passo para garantir que os processos democráticos sejam transparentes, precisos, confiáveis, informados e coerentes com a vontade popular. Alterá-las deveria significar, sempre, torná-las mais modernas, inteligentes e aptas a realizar o objetivo de chegar a uma sociedade democrática avançada, regida por regras universais e avessa ao patrimonialismo.


O Congresso brasileiro está hoje às voltas com a apressada análise -em consequência dos prazos constitucionais- de uma reforma na legislação eleitoral que poderá valer já em 2010. O texto básico foi aprovado, mas o Senado terá que votar nesta semana as emendas para depois remetê-lo de volta à Câmara dos Deputados, que o enviará à sanção do presidente Lula. Tudo até o dia 3 de outubro.


São muitos os pontos polêmicos. Além de não exigir divulgação dos nomes de todos os doadores e valores doados, a reforma, até agora, mantém a ‘doação oculta’, em que recursos vão para os partidos, que os repassam a candidatos sem a necessária identificação do vínculo entre doador e beneficiário.


Ainda é possível aprovar a emenda do senador Aloizio Mercadante que garante internet totalmente livre, antes, durante e depois das eleições. Nada de amarras, de tentativas de tolher a revolução na comunicação que a internet representa, com ampla liberdade e espaço para a conscientização, a mobilização e a pressão da sociedade.


Restringir a internet, como se fosse só mais um canal de comunicação nas relações entre mídia e sistema político, é desconsiderar que ela é estruturalmente diferente. É a maior ferramenta daquilo que o sociólogo espanhol Manuel Castells chamou de sociedade em rede, tornada possível pela expansão das tecnologias de informação.


Essa estrutura de redes tem sido decisiva para potencializar ações coletivas, que podem ganhar maior espaço nas eleições, interferindo diretamente na qualidade das escolhas políticas, por meio de iniciativas autônomas da sociedade.


Na internet, o fazer político é multicêntrico, não há senhores. Nela, a expansão política se dá no sentido oposto ao de um modelo autoritário ou dirigido, pois fica longe de controles, monopólios e centralização.


Uma reforma política democrática não pode, sob nenhum pretexto, tentar tolher essa livre manifestação. Insistir nisso é retrocesso grave -além de ser, provavelmente, tarefa impossível. Como tentar capturar num único puçá uma revoada de milhões de borboletas.’


 


 


Fábio Zanini e Johanna Nublat


Senado tenta votar reforma a tempo para eleição de 2010


‘O Senado fará nesta semana uma última tentativa de votar a reforma eleitoral. Líderes partidários acertaram antecipar a votação da matéria para amanhã no início da tarde, em vez de deixar para o fim do dia ou quarta-feira, quando o quorum tradicionalmente é mais alto.


Tudo para evitar que a reforma ‘caduque’. O consenso entre os partidos é que se o plenário do Senado não votar a matéria nesta semana, não haverá tempo hábil para que ela retorne à Câmara dos Deputados, seja votada, encaminhada para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sancionada e publicada no ‘Diário Oficial da União’.


Tudo tem de ser feito até 2 de outubro, para que esteja em vigor na eleição do ano que vem.


‘O risco de a reforma não ser votada existe, mas vamos trabalhar para aprovar o projeto definitivamente na terça-feira [amanhã]’, diz um dos relatores do projeto, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).


A dificuldade é que há muitos pontos polêmicos ainda sem definição. Na semana passada, a votação foi interrompida durante o debate sobre um deles, que prevê eleição indireta para governadores e prefeitos caso o titular dos cargos seja cassado pela Justiça na metade final do mandato de quatro anos.


A matéria contava com amplo apoio na Casa até que o presidente, José Sarney (PMDB-AP), subiu à tribuna para argumentar que a mudança seria inconstitucional. A filha de Sarney, Roseana, beneficiou-se da regra atual para assumir o governo do Maranhão com a cassação do antecessor, Jackson Lago (PDT). Com o debate acalorado, a sessão foi suspensa.


Vencido esse ponto, ainda será preciso resolver pelo menos mais duas polêmicas. Uma emenda do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) derruba restrições à cobertura da internet na eleição, colocadas por Azeredo. Ela tem ganhado força nos últimos dias.


Mesmo o presidente do partido de Azeredo, senador Sérgio Guerra (PE), defende a emenda do petista. ‘Não adianta criar regra para a internet.’ Na mesma linha se manifesta o líder do DEM, José Agripino (RN). ‘Meu sentimento é que vai passar a internet livre’, afirmou.


Azeredo contra-argumenta que o seu relatório contém uma série de avanços. ‘Estamos permitindo a manifestação em blogs, a propaganda paga na internet e os debates. A atual discussão é o detalhe do detalhe.’


O tucano diz ainda que, se seu relatório for derrubado, prevalecerá a atual legislação, que equipara internet a TVs e rádios, que são concessões públicas. ‘Seria um retrocesso.’


Também deve causar barulho o artigo que cria uma espécie de cláusula de barreira para que ‘nanicos’ possam participar de debates na TV, rádio e internet. Apenas candidatos de partidos com ao menos dez parlamentares teriam de ser convidados obrigatoriamente.’


 


 


Italo Nogueira


Para pesquisador, iniciativa de fiscalizar a internet é ‘caricata’


‘A iniciativa de congressistas para regulamentar o uso da internet em período eleitoral ‘chega a ser caricata’, na avaliação de Camilo Aggio, pesquisador da UFBA (Universidade Federal da Bahia). Com pesquisa sobre o uso da internet na política de países como EUA e Japão, Aggio diz que não é possível fiscalizar conteúdos políticos na internet como pretendem os legisladores. Mas ele avalia que a lei discutida no Congresso amplia a possibilidade de uso da rede, comparada à lei aplicada nas últimas eleições municipais.


FOLHA – Qual a sua avaliação do projeto discutido no Congresso?


CAMILO AGGIO – O que mais me preocupa é a expansão do uso de ferramentas de compartilhamento de conteúdo, mídias sociais, para que candidatos possam ter contato com o eleitor. Estão tentando adaptar, depois da pressão popular. Nas eleições passadas, políticos podiam estruturar campanhas apenas em websites. Isso sufocava ferramentas valiosas para fortalecer princípios democráticos. [O presidente dos EUA, Barack] Obama utilizou largamente essas ferramentas. Agora há essa possibilidade.


FOLHA – O projeto melhora o uso da internet na campanha?


AGGIO – Ao criar canais para os candidatos debaterem ou exporem com mais detalhe seus projetos, é um ganho democrático extremo. Principalmente se for pensar na campanha de candidatos de partidos pequenos, com menos recursos.


FOLHA – É possível fiscalizar a campanha na internet?


AGGIO – A ideia de fazer uma lei sobre internet é tida como caduca e restritiva. Não se sabe como vai fiscalizar, com tantos sites de compartilhamento de conteúdo, de relacionamento.


Chega a ser caricato que algum representante do Legislativo pense em fiscalizar. Usar seis, sete funcionários do gabinete para ver o que alguém falou ou deixou de falar. O princípio da internet é a liberdade.


FOLHA – Por que os políticos sentem necessidade de lei sobre isso?


AGGIO – É uma questão de preservação. Só acho que é caricato aplicar isso à internet como um todo porque é impossível.


Quantos blogs são mantidos por brasileiros? Não há sistema possível para fiscalizar todos os blogs pessoais.


FOLHA – Há o risco de campanha negativa?


AGGIO – Se pegar toda a literatura de campanhas online desde 1996, há mais conteúdo de autopromoção do que referência a outro candidato.


FOLHA – Como é a lei em outros países?


AGGIO – Nos EUA e na Inglaterra, é livre para partidos e candidatos. Cingapura e Japão têm mais restrições, mas tinham em todos os meios de comunicação na campanha, foi transferido para a internet. Ainda assim, a web no Japão permitiu que políticos de partidos menores entrassem em contato com eleitores e divulgassem inclusive sua existência.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


‘Exit’


‘Nas reportagens publicadas por ‘Wall Street Journal’ e ‘Financial Times’ no sábado, o mesmo título, ‘Brasil sai da recessão’. O ‘FT’ ouviu economista que creditou ao Bolsa Família e aos salários em alta. O site do ‘WSJ’ acrescentou que a dívida dos emergentes fechou a semana em alta ‘pelos dados do Brasil e da China’, agora sempre juntos.


O ‘WSJ’ postou ainda que o ministro da Fazenda falou em crescimento de 1% no ano e o presidente do Banco Central concordou que crescimento positivo é ‘provável’. E a ‘Veja’ destaca que dias antes, na reunião preparatória do G20, o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, declarou ‘em alto e bom som’, para todos ouvirem, que ‘o Brasil está liderando o mundo para fora da recessão’.


Ontem, no alto das buscas por Google News e Yahoo News, Mantega e Meirelles seguiam falando, já com os próximos passos, mas ainda festejando seu ‘success case’, modelo de sucesso.


CRISE? QUE CRISE?


Nas duas primeiras chamadas da revista, ‘Por que o Brasil foi o último a entrar e o primeiro a sair’ e ‘Os emergentes superarão os ricos em cinco anos’. Abrindo a reportagem, ‘Dá para acreditar?’


TALVEZ


Em série de reportagens no domingo, a Reuters Brasil destacou que o ‘PIB mais forte faz mercado melhorar previsão de 2009’, a exemplo dos dois ministros. Mas ainda não passa de ‘talvez até positivo’. Por outro lado, avisa, ‘Trabalhadores já pensam em greve por salário maior’, caso dos metalúrgicos.


NÚMEROS MELHORAM


Da americana AP à chinesa Xinhua e à BBC original, ‘Brasil deixa recessão’. Já na BBC em português, ‘Brasil tem uma das maiores recuperações pós-recessão’. E no ‘Jornal Nacional’, fechando a semana, ‘Números da economia melhoram e mostram que país deixou para trás o período de recessão’.


AGORA, A REGULAÇÃO


A uma semana da cúpula do G20 nos EUA, Lula deu nova entrevista à BBC, de Américo Martins, e declarou que ‘os países ricos são mais culpados’ pela crise, ‘porque não tinham qualquer regulação para o sistema financeiro’


EUA VS. CHINA


Na manchete on-line do ‘China Daily’, ‘China investiga importação de automóveis e frangos dos EUA’, em ação antidumping que ‘se soma à série de disputas’ bilaterais. Logo abaixo, avalia que a tarifa imposta sexta pelos EUA, sobre os pneus chineses, deve custar 100 mil empregos. Foi manchete on-line no ‘New York Times’, ressaltando que ‘sobem as tensões’ comerciais entre os dois países, e nos sites econômicos ocidentais.


Na manchete de papel, no ar no início da noite, o estatal ‘China Daily’ conteve a própria retórica e destacou, já no enunciado, que ‘não é por vingança’.


QUEM TEM MEDO?


Ecoa a coluna em que Maureen Dowd, do ‘NYT’, diz ter percebido, no corte do discurso de Barack Obama por um republicano sulista que gritou ‘You lie!’, uma palavra oculta, ‘You lie, boy!’, você mente, menino. ‘Boy’ é uma expressão usada por brancos para falar com negros de maneira ofensiva, como escravos. A manchete do site Politico se perguntou, o dia inteiro, ‘Quem tem medo de Barack Obama?’.


A PRIMEIRA


Na Folha Online, a atriz Taís Araújo disse que ‘a maior conquista’, hoje à noite, não é ser ‘a primeira protagonista negra’ de novela das oito, mas viver Helena, personagem célebre do gênero. O ‘Fantástico’ anunciou que ‘pela primeira vez vem aí uma Helena jovem’


À PERFEIÇÃO


No Huffington Post e daí para toda parte, o Emmy da comediante Tina Fey pela imitação da republicana Sarah Palin, na campanha do ano passado. Foi entregue antes da cerimônia, como parte das categorias ‘técnicas’


NO AR


O portal UOL destacou ontem reportagem especial sobre os políticos que ‘apimentam o Twitter de olho nas eleições de 2010’, sobretudo demos e tucanos, mas encontrando também um ataque entre petistas. ‘Nenhum deles se diz arrependido.’ O site ouviu, de um cientista político, que o efeito eleitoral ‘é limitado’


REALPOLITIK


Resposta de José Dirceu, em blog, ao noticiário que aproxima José Serra do PMDB: ‘Foi só acabar a Operação Senado, que visava romper a aliança nacional do PT com o PMDB, para os tucanos iniciarem outra. Na verdade, dão prosseguimento ao que estava em curso, tendo como emissário nada mais, nada menos do que Orestes Quércia, o arquiinimigo dos tucanos e de sua moral de ocasião’.’


 


 


TELEVISÃO


Daniel Castro


Globo agora conta até as arrancadas de jogadores


‘Está em fase final de testes na Globo um novo sistema de telemetria que mostra até quantas arrancadas cada jogador dá durante uma partida de futebol. Chamada de ‘optical tracking’, a tecnologia vem de Israel. É uma evolução do já velho ‘tira-teima’.


Uma amostra do que o sistema pode fazer foi ao ar na última quarta, no jogo entre Brasil e Chile. Ao final, Galvão Bueno relatou que Nilmar, além de três gols, deu 15 arrancadas e percorreu 8,7 quilômetros.


Logo depois, no programete sobre a rodada, a Globo exibiu a projeção de um campo virtual que, com a cor vermelha, apontava que o Chile se movimentou mais pelo meio do campo, um pouco mais avançado do que o Brasil. No conjunto, os chilenos percorreram 86,4 quilômetros e os brasileiros, 82.


Segundo a Globo, o sistema monitora a movimentação de todos os jogadores, do juiz, dos bandeiras e da bola. Tudo isso é feito com quatro câmeras, que cobrem toda área do campo.


Antes de a partida começar, o operador (profissional que opera o software) distribui os jogadores em um campo virtual e dá a eles seus números de camisa. A partir daí, o software reconhece cada um deles nas imagens captadas pelas câmeras e acumula as informações de seus deslocamentos. Ao final da partida, permite à emissora saber quanto tempo determinado jogador ficou andando, correndo ou arrancando.


Todo esse trabalho é feito no estádio. A Globo vem testando o sistema há dois anos e meio. Ainda não há previsão de qual será a próxima transmissão a empregá-lo.


ANTAGONISTA 1


Priscila Fantin foi escalada para a próxima novela das sete da Globo, a estrear em janeiro. Interpretará Nara, papel que seria inicialmente de Fernanda Vasconcellos, que foi ‘promovida’ a protagonista depois que Carolina Dieckmann disse não à personagem principal.


ANTAGONISTA 2


Fantin começa a novela namorando Thiago Rodrigues (que substitui Daniel Oliveira), mas logo o perde para Fernanda Vasconcellos.


RECAÍDA


Carlos Massa, o Ratinho, que prometeu abandonar a baixaria, teve recaída na última quinta. Queria porque queria saber de um garoto de programa se ‘o traseiro’ dele era ‘virgem’.


FALA SÉRIO


A Record distribuiu nota à imprensa afirmando que exibirá hoje ‘a primeira matéria da televisão feita com um telefone celular’. A emissora precisa ver mais a concorrência. A Band usa imagem de celular em seus telejornais há três anos. A Globo também já usou.


AGORA VAI


A Record promete exibir ‘Bela, a Feia’ a partir das 20h45 todos os dias desta semana (antes, entrava em vários horários a partir das 20h15). A emissora acredita que ‘Bela’ irá crescer em cima de ‘Viver a Vida’, nova novela da Globo.


REGISTRO


O último capítulo de ‘Caminho das Índias’, sexta-feira, rendeu 55 pontos.’


 


 


Clarice Cardoso


Justus quer deixar jeito durão em estreia


‘Roberto Justus tenta escapar, mas o tema ‘cabeludo’ parece persegui-lo.. Logo após a entrevista coletiva sobre seu ‘1 Contra 100’, um repórter faz a pergunta-piada da vez: Silvio Santos já o convidou para ir ao Jassa, seu famoso cabeleireiro? ‘O Jassa é só dele. Eu vou ao Toninho há 25 anos’, responde, levemente irritado.


‘No começo, isso me incomodava mais. Hoje, não ligo tanto. Não acho que meu cabelo seja tema nacional. Você vê algum topete?’, diz à Folha, minutos depois, no camarim.


Na atração, que estreia na quarta no SBT, Justus mostra um lado mais descontraído, diferente do chefe rígido que encarnou à frente das seis temporadas de ‘O Aprendiz’. ‘Adaptei-me a esse formato de game show, que já queria fazer na Record. Se quisesse crescer como apresentador, tinha de me desassociar daquele gênero, mesmo gostando de fazê-lo.’


Na nova fase, Justus fez questão de fazer tudo em grande estilo. Já no evento de lançamento, convidou os jornalistas a testarem o game show nos lugares dos participantes.


O cenário grandioso também impressiona: para abrigar seus 13 metros de altura, um antigo estúdio da produtora Casablanca na zona Sul, que antes fora um cinema, foi todo reformado em 45 dias.


‘Isso fez toda a diferença, a energia dessas pessoas ali é incrível’, diz. ‘Não falamos em números, mas é um dos programas mais caros da grade’, diz.


‘Quem estiver cansado do 11 contra 11, agora tem o ‘1 contra 100’, brincou, referindo-se ao horário do programa, que irá competir que o futebol na TV Globo. Os planos vão além: para o dia 23 de dezembro, planeja um musical de fim de ano. ‘Vou chamar convidados pra cantar comigo. Será Roberto contra Roberto.’


1 CONTRA CEM


Quando: quartas, às 22h30


Onde: SBT


Classificação: não informada’


 


 


Tarso Araujo


Você na TV


‘Faltavam dez minutos para a nova atração da TV Cultura entrar no ar, na última terça, e as caixas de som do estúdio ecoavam sem parar as palavras ‘programa novo’.


Só não se falava no nome do tal programa. Porque ele simplesmente não tinha um.


Escolher o título é apenas mais uma das coisas que os idealizadores do programa esperam que a audiência faça.


Exibido ao vivo na TV de segunda a sexta, ele também é transmitido em ‘streaming’ no site tvcultura.com.br/programanovo.


Ali, os telespectadores/internautas podem dar todo o tipo de palpite. Um chat fica ao lado da telinha que mostra o programa, com os internautas comentando tudo em tempo real. Via MSN e Twitter, eles também podem colaborar.


‘A ideia não é essa interatividade meio ‘fake’ [falsa] das transmissões de futebol, por exemplo. Não tem limite para a participação do público’, diz o diretor, Paulo Marchetti.


‘É uma grande oportunidade para o internauta participar e ter o seu trabalho ou mesmo a sua brincadeira exibidos na TV. Essa junção da TV com a internet é o futuro’, diz Roberta Youssef, 27, blogueira e apresentadora do programa.


Ah, é, o programa até tem uma equipe de apresentadores. Zé Brites e os blogueiros Carlos Carlos e Rodolfo Rodrigues, além de Roberta e da DJ Cláudia Dorei, ficam no estúdio, cujo cenário imita a decoração de uma casa. Na rua, a repórter Gabi França faz entrevistas.


Mas o papel deles é o de mediadores da participação do público, convidado a mandar, além de vídeos, sugestões de reportagens e de quadros para o programa.


‘Vamos usar a linguagem de YouTube mesmo, para que o internauta perceba que tudo que a gente mostra aqui ele pode fazer em casa, com seus próprios recursos’, diz Paulo.


Como fez a adolescente que apareceu em uma das edições da primeira semana, em vídeo do YouTube, imitando Lady Gaga com uma peruca loira, no quintal de casa.


Ainda é cedo para saber se isso vai dar certo. Mas o público parece ter pegado o espírito da coisa, porque uma das opções de nome para o programa mais votadas até agora é ‘Coletivo’.


‘PROGRAMA NOVO’


(nome provisório)


De seg. à sex., das 18h às 19h30, na TV Cultura ou no site www.tvcultura.com.br/programanovo’


 


 


TECNOLOGIA


Devin Leonard, NYT


Guerra publicitária agita mercado da informática


‘Durante anos, a Microsoft foi a líder de mercado inconteste na informática. Ela vendeu 90% do software de sistema operacional do mundo e, em geral, deixou a publicidade para os fabricantes de hardware que licenciavam seu sistema operacional Windows. A única vez em que a Microsoft anunciou sua marca mais conhecida na TV americana foi no lançamento da última versão, o Vista.


A Apple é o clássico menor rebelde. Sua participação de mercado em desktops e laptops nos EUA é de pouco mais de 8%. Uma das maneiras como a Apple tenta ganhar mercado é publicando anúncios ‘espertos’ de seus computadores Macintosh, que ridicularizam tudo o que a Microsoft representa. Segundo a TNS Media Intelligence, a Apple gastou US$ 264 milhões em comerciais de televisão no ano passado, 71% a mais que a Microsoft.


Não há exemplo melhor que ‘Get a Mac’, campanha lançada três anos atrás pela agência publicitária da Apple, TBWA/Chiat/Day. Os anúncios mostram PC, personagem representado pelo comediante John Hodgman, e seu amigo mais poderoso e jovem Mac, interpretado pelo ator Justin Long.


PC cheira a passado. Ele ridiculariza Mac por usar seu desktop para ações ‘juvenis’ como blogs e produção de filmes. Ele é impedido por vírus, travamentos do sistema e outros problemas mais associados a computadores baseados em Windows. O personagem de Long assiste satisfeito às dificuldades de PC, como se dissesse: ‘Se esse coitado comprasse um Mac…’


Desde o início da campanha, a participação da Apple no mercado de computadores de mesa nos EUA mais que dobrou, segundo a firma de pesquisas IDC.


Mas a Microsoft revidou. No primeiro semestre de 2009, investiu US$ 163 milhões em comerciais, mais que o dobro dos gastos da Apple, segundo a TNS.


A campanha da Microsoft, que pretende mostrar que os usuários de Windows não são robôs, tem ambientalistas, DJs sensuais e pré-escolares informatizados.


A agência de publicidade da Microsoft, Crispin Porter & Bogusky, também distribuiu dinheiro aos consumidores e lhes pediu para escolher entre um PC e um Mac. Lauren, de 20 e poucos anos, ficou feliz com o dinheiro que economizou ao comprar um computador HP de US$ 699 com tela de 19 polegadas, em vez de um Mac de US$ 1 mil com tela de 15 polegadas. ‘Acho que não sou bacana o suficiente para ser uma pessoa Mac’, ela ironiza.


Os comerciais chegam a parodiar o personagem PC da Apple. Sean Siler, 39, funcionário da Microsoft que usa óculos, o uniforme sem graça do PC —camisa branca, calças cáqui frouxas, paletó marrom—, diz: ‘Sou um PC. E fui transformado em estereótipo’.


O esforço da Microsoft para inspirar orgulho pelo PC parece ter repercutido. Segundo a IDC, as encomendas de Mac nos EUA despencaram 20% no quarto trimestre de 2008 em relação ao trimestre anterior, enquanto a economia entrava em parafuso, e as de PCs da Dell e da HP caíram apenas 13% e 3%, respectivamente.


A Microsoft declarou vitória —talvez cedo demais. No segundo trimestre de 2009, as vendas de Mac nos EUA se recuperaram 34%, disse a IDC, enquanto as da Dell e da HP tiveram ganhos modestos.


Em consequência, analistas dizem que a campanha da Microsoft falhou. Mas eles também podem estar se apressando. O lançamento, em 22 de outubro, do Windows 7 poderá desfazer parte do dano autoinfligido pelo sistema operacional Vista da Microsoft, muito criticado. Os usuários de PC podem estar esperando o lançamento do novo sistema para comprá-lo.


Por mais eficazes que sejam, os comerciais da Microsoft levaram a Apple a reagir com outros que zombaram de seu concorrente por gastar dinheiro em publicidade quando deveria estar consertando o Vista. ‘Mas chamaram a atenção da Apple, não foi?’, disse Robert X. Cringely, apresentador do programa ‘NerdTV’.’


 


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 14 de setembro de 2009 


 


ESTADÃO SOB CENSURA


Daniel Bramatti


‘Não há sentido democrático na censura’


‘Para o cientista político José Álvaro Moisés, decisões judiciais como a que colocou o Estado sob censura afetam a qualidade da democracia brasileira. O jornal está, desde o dia 31 de julho, impedido de divulgar informações sobre uma investigação da Polícia Federal que atingiu o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A decisão foi tomada pelo desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.


Como o senhor analisa a decisão do desembargador Dácio Vieira?


Qualquer decisão que implique censura à informação ao público é antidemocrática. É claro que existem circunstâncias em que pode haver objeções à divulgação de informações sigilosas de processos judiciais. Mas não há sentido democrático em criar obstáculos a um órgão de imprensa que obtém informações por uma fonte confiável, segura, e se as informações são de interesse público.


Existe a questão da demora no julgamento dos recursos apresentados pelo jornal.


Considero essa demora absolutamente indevida. Mesmo que o juiz tenha feito considerações de ordem jurídica que devessem levar à não divulgação de certos aspectos do processo que envolve o empresário Fernando Sarney, a questão deveria ter se resolvido em um curto período de tempo. Há nesse caso um grande interesse público, que diz respeito a uma das questões mais centrais da democracia. A democracia não existe sem que o interesse público seja defendido. Nesse caso, fazer Justiça é trazer à luz a informação. Essa demora para que a decisão seja tomada indica que há outros interesses mobilizados.


Isso afeta nossa imagem como País? É um tropeço na consolidação da democracia?


Não tenho dúvidas de que vivemos uma democracia no Brasil. Temos eleições regulares, com razoável grau de justeza nos resultados, as instituições não estão ameaçadas. Mas o problema não é saber se temos ou não democracia. O problema é saber a qualidade da nossa democracia. Quando há um déficit de funcionamento da Justiça ou das instituições de representação, ou mesmo do Executivo, isso torna visível uma baixa qualidade do processo democrático. A grande vantagem da democracia é que a Justiça precisa ter procedimentos universais, impessoais, baseados na justeza das decisões, na obediência a normas que são iguais para todos e, principalmente, no primado da lei, ou seja, de que não há ninguém acima dela. Quando uma decisão mostra que alguns são mais iguais que outros, isso evidencia uma falha na qualidade da democracia.


Liminar do Tribunal de Justiça do DF em ação movida por Fernando Sarney proíbe o jornal de publicar dados sobre a investigação da PF acerca de negócios do empresário, evitando assim que o ‘Estado’ divulgue reportagens já apuradas sobre o caso’


 


 


Clarissa Oliveira


Fórum pela Qualidade do Jornalismo critica ação


‘Um grupo de universidades, veículos de comunicação e entidades relacionadas à imprensa em Cascavel (PR) iniciou um movimento pela liberdade de imprensa no Brasil, motivado em parte pelo caso da censura imposta ao Estado. Em carta aberta que começou a ser veiculada em agosto, o Fórum pela Qualidade do Jornalismo em Cascavel saiu em defesa do direito à informação.


‘A censura aos meios de comunicação é um dos mais antigos e mais graves atentados que comprometem as liberdades democráticas, a liberdade de informação e o direito dos cidadãos de tomar conhecimento dos assuntos que interessam às suas vidas’, diz o documento, intitulado Carta de Cascavel, cuja elaboração coube ao jurista René Dotti.


‘A censura ao jornal O Estado de S. Paulo, trincheira histórica da luta de resistência contra a ditadura militar e em favor das liberdades públicas, dos direitos e das garantias individuais, deve ser repelida pela sociedade brasileira através de suas múltiplas formas de expressão e representação’, afirma o texto.


A ideia de elaborar a carta surgiu durante os preparativos para uma palestra de Dotti no fórum, sobre a lei de imprensa. Após o Estado se tornar alvo de censura, o grupo decidiu incluir o assunto no documento, assinado pelas universidades e veículos de comunicação. O jornal está proibido de veicular reportagens sobre a Operação Boi Barrica da Polícia Federal, que investiga o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).’


 


 


PRÊMIO


Marili Ribeiro


Profissionais de mídia têm novos desafios


‘Com seis trabalhos premiados, ainda que indiretamente, já que em cinco deles ela foi orientadora, a professora Karla Regina Macena Patriota, da Universidade Federal de Pernambuco, foi a presença mais frequente no palco na noite de entrega dos troféus aos vencedores da 12ª edição do Prêmio de Mídia do Estadão, na última quarta-feira, com um jantar que reuniu 750 convidados.


Há cinco anos, ela é figura cativa no evento promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo para incentivar a carreira dos profissionais de Mídia, distribuindo prêmios a monografias e os casos eleitos por um júri formado basicamente por publicitários. A professora é responsável por uma safra de ‘mídias’ com sotaque pernambucano em São Paulo. Os mídias são os profissionais que, nas agências de propaganda, programam os canais de comunicação que melhor se adaptam às ações de marketing dos anunciantes.


Na edição deste ano, foram 600 trabalhos inscritos, sendo que 60 chegaram à final e 22 foram premiados em 12 categorias. Entre os prêmios de maior destaque está o de Mídia do Ano, eleito pelos próprios colegas em votação via internet, foi ganho pelo publicitário Paulo Sant’Anna, da agência Taterka. Além dele, foi eleita a Personalidade de Mídia do ano, categoria na qual venceu Paulo Gregoraci, da agência W/.


Karla tem orgulho de influenciar estudantes a participar do prêmio. ‘Gosto de motivá-los a desenvolver a criatividade e, com isso, muitos deles saem daqui contratados’, diz ela, que contabiliza jovens empregados em grandes agências como Ogilvy, F/Nazca Saatchi & Saatchi, Giovanni+DraftFCB e Young & Rubicam.


Uma de suas ex-alunas, Carolina Cabral, 27 anos, hoje na Almap, fez questão de vir cumprimentar a mestre na noite do evento. ‘Foi por causa dela que escolhi trabalhar com mídia’, conta.


Karla também é crítica da atividade e acha que falta maior presença na vida acadêmica para aprofundar as questões do setor, que ela vê passando por um período de ebulição por conta dos avanços da era digital. ‘Em Pernambuco, temos apenas três doutores em publicidade, contra dezenas na área de jornalismo.’


As transformações vividas pelo meio são assunto recorrente entre os profissionais de propaganda. ‘Os softwares resolvem o emaranhado de cálculos que surgiram com a multiplicação de canais de mídia que hoje em dia entram na programação de uma campanha publicitária’, diz Paulo Stephan, diretor de mídia da Talent.


‘A equação que antes tinha três ou quatro variáveis, agora tem dez’, afirma. Por isso mesmo, Angelo Franzão, presidente do Grupo de Mídia, acha que a atividade está cada vez mais cúmplice da busca por resultados.’


 


 


AQUECIMENTO


Marili Ribeiro


Investimentos agitam mercado editorial no País


‘A chegada de mais um jornal de economia e a perspectiva de novos investimentos em conteúdo do portal iG estão movimentando o mercado editorial brasileiro. O jornal batizado de Brasil Econômico deve começar a circular na segunda quinzena de outubro. Tem como investidor o grupo familiar português liderado pelo empresário Nuno Vasconcelos, presidente da holding Ongoing Strategy Investments, e será presidido pelo executivo José Mascarenhas. Já no iG, que pertence à empresa de telecomunicações Oi, há pouca disposição de se falar sobre o projeto. A empresa confirma apenas que está investindo e contratando vários profissionais do meio jornalístico.


O volume de recursos financeiros que envolvem os dois negócios ainda não é conhecido e sequer estimado por consultores e profissionais do meio. No caso do Brasil Econômico, Mascarenhas, um brasileiro com forte sotaque luso, informa apenas que há disposição e capacidade para bancar o novo jornal, que começa multiplataforma – terá, além das 48 páginas em papel de cor salmão e formato tabloide, versões online e adaptadas para celulares.


Na área de mídia, o Ongoing é dono do Diário Económico, principal jornal de economia de Portugal, que foi adquirido em junho de 2008 por 27,5 milhões. Tem participação no semanário Expansão, que circula em Angola, e em emissoras de televisão em Portugal. Fora isso, o maior acionista, Nuno Vasconcelos, por meio de fundos de investimentos, mantém participações expressivas em outros negócios, como a Portugal Telecom e o Banco Espírito Santo.


Com a entrada no mercado editorial brasileiro, o grupo pretende ocupar o lugar do jornal especializado em economia Gazeta Mercantil, que deixou de circular em maio, e vai concorrer com o outro veículo da área, o Valor Econômico. Pelos dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC), o desaparecimento da Gazeta ainda não produziu migração de leitores. Em julho de 2008, o Valor tinha uma circulação média, de segunda a sexta, de 57,9 mil exemplares, enquanto a Gazeta detinha 78,9 mil exemplares. Em julho deste ano, o Valor, mesmo sem o maior concorrente, perdeu leitores, registrando uma média semanal 56,9 mil exemplares.


O diretor editorial do Brasil Econômico, jornalista Ricardo Galuppo, assim como o diretor comercial, o publicitário Heitor Pontes, que comandam uma equipe de 80 profissionais, dizem que têm encontrado entusiasmo e boa aceitação na apresentação da proposta. ‘Há espaço no mercado para mais um veículo especializado em assuntos econômicos’, diz Galuppo. ‘É um jornal que já estreia multiplataforma e que vai circular aos sábados, o que a concorrência não faz’, acrescenta Pontes.


A exigência da lei brasileira no segmento, que requer que 70% do capital de empresas de comunicação estejam nas mãos de brasileiros natos, foi atendida, segundo Galuppo, pelo fato de Nuno Vasconcellos ser casado com uma brasileira. Mesmo assim, ainda está em estudo um acordo editorial que envolveria sócios brasileiros na operação.


REFORÇO ONLINE


No universo de disputas pela audiência dos portais na internet, não há dúvidas entre os concorrentes que o jogo esquentou. Há especulações até de que a gigante Microsoft, cujo portal MSN mostra-se bastante rentável nos Estados Unidos, esteja de olho no mercado brasileiro. Por isso mesmo, segundo um executivo da área que preferiu não se identificar, a movimentação da Oi para dar um novo impulso ao iG – que passou a controlar depois da compra da Brasil Telecom -, faz todo o sentido.


‘É um mercado que fica cada vez mais competitivo e tem gigantes globais na disputa, além da Microsoft, há o Google, a Telefónica e no Brasil a Globo’, diz ele. ‘O iG não vinha fazendo nada já há algum tempo e precisava de uma investida para se posicionar melhor no fornecimento de conteúdo, caso contrário poderia perder a atual posição para outros competidores.’ Pelo ranking de audiência dos sites do instituto Ibope, referente ao mês de agosto, o UOL segue na liderança, com 27 milhões de usuários únicos, seguido pelo iG, com 24 milhões.


Procurada pela reportagem para falar sobre os investimentos em conteúdo no iG, a Oi enviou o seguinte comunicado: ‘O iG esclarece que, acompanhando a perspectiva de forte expansão do mercado de internet, o portal periodicamente reforça e oxigena sua equipe de geração de conteúdo. Neste contexto, o iG está sempre buscando atrair profissionais de prestígio e comprovada experiência de forma a garantir melhoria constante de seu conteúdo.’’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Exclusividade na web


‘Record e Globo estão travando uma nova disputa por artistas, desta vez, no campo virtual. Prestes a lançar seu novo portal, o R7, a Record resolveu arrebanhar todo o conteúdo virtual de seu casting – blogs, sites, Twitter, Facebook, Orkut e afins – em sua nova casa na web. Resultado: os artistas que já tinham blogs e sites em outros lugares terão de migrar e até rescindir contratos para poderem entrar no R7.


O problema é que um número considerável de atores e apresentadores da Record tem blogs abrigados no Bloglog, do portal da Globo, o Globo.com.


Entre os que já trocaram de casa virtual está Dado Dolabella, que deixou o Bloglog pelo R7. O novo portal da Record já tem confirmados os blogs de: Rodrigo Faro, Ana Paula Padrão, Luciano Szafir, Britto Jr., Ana Hickmann, Téo Becker, Geraldo Luis e Celso Freitas.


A rede segue negociando com outras estrelas da casa, à espera de que elas rescindam compromissos com outros portais. Além de blogs, o R7 remeterá aos endereços oficiais desses artistas em redes sociais como Twitter. O R7 será lançado no dia 27, data exata em que a Record comemora 56 anos no ar.’


 


 


 


 


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