Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > MÍDIA & SAÚDE

Simone Iwasso

02/11/2004 na edição 301

‘Seguir algumas dietas recomendadas em revistas pode trazer prejuízos para a saúde, além de não ajudar a emagrecer. Os riscos estão na falta de equilíbrio do ponto de vista nutricional – com doses abaixo ou acima do recomendado de vitaminas e proteínas, por exemplo – e também na diferença entre as calorias prometidas e as realmente encontradas nos cardápios.

Pesquisa feita por duas nutricionistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 112 dietas de duas publicações durante o ano de 2002 mostrou que nenhuma delas tinha todos os nutrientes recomendados para uma pessoa adulta. Além disso, a maior parte das que diziam ter 1.200 calorias tinha uma variação de 500 a 2.500.

A constatação foi feita pelas nutricionistas Olga Maria Silverio Amancio e Daniela Maria Alves Chaud. Os resultados do estudo foram publicados na edição de setembro/outubro dos Cadernos de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz. A análise levou em conta as quantidades de macronutrientes, formados pelos carboidratos, lipídeos e proteínas, e os micronutrientes, compostos pelas vitaminas e minerais. Para medir as substâncias foram usados o programa Virtual Nutri e os valores da Dietary Reference Intakes, tabela internacional usada por nutricionistas.

‘Escolhemos revistas de grande circulação, uma tinha 120 mil exemplares e a outra cerca de 300 mil. Concluímos que todas são completamente desbalanceadas. Apenas 25% delas tinham as quantidades de carboidratos, proteínas e lipídeos adequadas, mas mesmo assim tinham problemas com micronutrientes’, diz Olga, que não quis revelar o nome das publicações.

Pelo estudo, os maiores desequilíbrios estavam nas quantidades de cálcio, ferro e vitaminas: 85,7% tinham níveis inadequados de cálcio, 97,3% de ferro e 91,9% de vitamina E. Segundo a nutricionista, um dos extremos encontrados recomendava a ingestão de 3.035 miligramas de cálcio, quando a média para uma pessoa seria de 800 a 1.000 miligramas.

‘Das 56 dietas que diziam ter 1.200 calorias, apenas 13 tinham mesmo. O resto variava entre 500 e 2.600, ou seja, valores ou muito baixos ou até altos, dependendo da pessoa’, diz Daniela.

As conseqüências para a saúde logo aparecem, segundo elas. ‘Se a pessoa começa a ingerir uma dieta desequilibrada, ela altera seu metabolismo. Aumento do colesterol, anemia, falta de absorção dos nutrientes. Vários problemas podem ser causados’, completa.

Para a nutricionista Sílvia Fernanda Teixeira dos Santos, outro perigo dessas dietas é que elas são prontas, não focadas nas necessidades de cada pessoa. ‘Dieta precisa ser individualizada, levando em consideração o biotipo da pessoa (altura, peso), sua idade, rotina. Enfim, é necessário ter um perfil do paciente’, diz.

A última dieta da advogada Larissa Lamenha, de 23 anos, foi a da proteína, seguida de uma revista. Diz ter sido a melhor dieta que já fez – perdeu 5 quilos em um mês – , mas sentia-se fraca e desconfortável. ‘Só parei por causa da comida, que eu não agüentava.’ De manhã, comia omelete de queijo e presunto; no almoço, frango ou carne com alface; e, à noite, hambúrguer. Eram proibidas frutas e qualquer outra verdura que não fosse folha. Larissa parou porque ‘a alimentação era péssima e vivia enjoada e com dor de cabeça’.

Já o designer de interiores Miguel Francisco Marcelo, de 22 anos, conta que chegou a perder 4,5 quilos em uma semana e sentiu fortes dores de estômago. ‘Eram dietas malucas, daquelas que você faz quando precisa perder peso em pouco tempo.’ Para ele, a diferença de dietas de revistas e as indicadas por médicos é a elaboração. ‘Com os regimes da nutricionista eu não sentia fome.’ Colaborou: Gabriella Sandoval’



TODA MÍIDA
Nelson de Sá

‘Sem ‘equilíbrio’’, copyright Folha de S. Paulo, 1/11/2004

‘Com a rapidez na apuração, a boca-de-urna da Globo hoje importa menos como notícia e mais como ‘spin’ -como disseminação de sua avaliação sobre os fatos e efeitos.

A declaração oficiosa dos vitoriosos, na emissora, é cada vez mais atração dominical.

Ontem, veio integrada ao Domingão do Faustão, com o animador se permitindo conversar com os âncoras e opinar sobre política nacional. E bradar:

– Agora, boca-de-urna, sob o comando de Alexandre Garcia!

No ‘spin’ global, a boca-de-urna abriu por Porto Alegre, com um ‘empate técnico’, nada mal para o PT -e que foi acabar, como se sabe, em mais uma de muitas derrotas petistas.

Na seqüência, nos números, vieram vitórias e mais vitórias do PSDB, por mais que o comentarista Franklin Martins atenuasse o drama. Por exemplo, ao tratar a eleição de Íris Rezende, em Goiânia, como derrota tanto do prefeito petista como do governador tucano. Não, foi derrota petista, ponto.

São Paulo ficou para o final -e, após tantos resultados em favor do PSDB, nem Garcia nem Martins conseguiam esconder o impacto. Do segundo:

– Um resultado que mexe com o país. É uma vitória importantíssima para o PSDB, que passa a ter a cidade e o Estado de São Paulo. Tem uma fortaleza para tentar a eleição presidencial. É a eleição mais importante e o PSDB leva a vitória.

Para fechar, Garcia:

– E nós ficamos por aqui.

Eles voltaram, na verdade, até tarde da noite. No mesmo tom.

Na seqüência da Globo, entrou a Band com sua mesa-redonda eleitoral, ecoando o ‘spin’ que Garcia e Martins haviam trazido -o de um ‘equilíbrio’ entre PT e PSDB.

Não houve equilíbrio, como bem mostraram as mesmas Band e Globo pouco a pouco -até chegar no fim às lágrimas vitoriosas de José Serra.

Para se contrapor à derrota, o melhor ‘spin’ que os petistas produziram, José Genoíno à frente, na Globo, foi sublinhar vitórias anteriores, ainda do primeiro turno. Não colou.

O PT VAI TER QUE NEGOCIAR

Encerrado o voto, a Radiobrás deu Serra em manchete

Nem havia começado a votação, ontem, e o governo Lula já lançava pontes em direção ao PSDB, como destacou a Folha. E ontem foi sair a boca-de-urna para José Serra virar a manchete do site da estatal Radiobrás.

De sua parte, FHC, em entrevista à agência Reuters, com repercussão no UOL e outros, analisou como ficam as coisas entre os tucanos e os petistas, agora:

– O PT vai ter que negociar… A preocupação era que estivesse ficando poderoso demais. Mas, ao contrário, a eleição vai nos permitir fugir do risco de ter um partido dominante. Eles não são mais a única força do Brasil.

ATÉ O FIM O horário gratuito terminou dias antes, os sites eleitorais saíram do ar, a propaganda de boca-de-urna foi reprimida, mas os comerciais dos governos Lula (à esq.) e Geraldo Alckmin (à dir.) prosseguiam em ritmo de campanha na Globo, durante todo o dia de votação, na Globo, tratando respectivamente do centro e de habitação popular

Derrota de Lula

As primeiras reações em sites no exterior se concentraram na derrota do PT em São Paulo. Eram títulos como ‘Opositor vence corrida para prefeito em São Paulo’, na agência Associated Press, ou ‘Partido do governo sofre derrota em eleições’, na Reuters. Na Bloomberg, ‘Serra vence em São Paulo’.

Os argentinos ‘La Nación’ e ‘Clarín’ deram chamada igual nas páginas iniciais, ‘Partido de Lula perde São Paulo’.

Poder econômico

De Luiza Erundina na Jovem Pan a ACM na Globo Online, derrotados diversos questionavam ontem o peso do dinheiro -com críticas em especial à maneira como agiu o PT.

Até a estatal Radiobrás ouviu o advogado Dalmo Dallari, que defendeu a introdução de financiamento público para ‘neutralizar o poder econômico’.

Larry Rohter lá

Se Lula ouviu um ‘recado das urnas’ no Brasil, no Uruguai a vitória -e o maior destaque da região em sites pelo mundo- foi de um ‘esquerdista’ que não pára de elogiar o petista.

E que já estreou ontem sob ataque de uma reportagem de Larry Rohter no ‘NYT’, destacando a presença dominante de ex-membros dos Tupamaros, de ‘passado violento’, em sua coalizão. Para Rohter, ele se une a Lula e outros ‘num bloco de governantes que têm expressado oposição’ aos EUA.

E cá

De quebra, o mesmo Rohter publicou longa reportagem no ‘NYT’ para avaliar que, ‘Se o Brasil quer assustar o mundo, está conseguindo’. Relacionou o programa nuclear e a resistência a inspeções à ‘sensação de inferioridade’ dos brasileiros em geral.

***

‘Perto do fim da linha’, copyright Folha de S. Paulo, 29/10/2004

‘No Brasil, a Globo e as demais prosseguiam ontem com a cobertura da Operação Chacal concentrada na empresa de investigação Kroll.

Mas os dois principais jornais de economia do mundo, o americano ‘The Wall Street Journal’ e o britânico ‘Financial Times’, só queriam saber do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity e do Citigroup, representado por Dantas no país.

Para o ‘WSJ’, a operação é só o fato ‘mais recente da maior batalha’ empresarial do Brasil -que opõe o Opportunity, ‘parceiro-chave do Citigroup’, à Telecom Italia em torno do controle da Brasil Telecom.

O jornal descreve Dantas como ‘envolvido em numerosas disputas judiciais’. E diz que, até aqui, ‘o Citigroup ficou ao seu lado, mas os últimos acontecimentos vêm num momento em que o Citigroup está cambaleante com um tumulto de escorregões éticos pelo mundo todo’.

O ‘FT’ vai pela mesma linha, sob o título ‘A saga da Brasil Telecom está perto do fim da linha’, afirmando que as ações policiais de anteontem ‘podem marcar o começo do fim na longa disputa pela Brasil Telecom’.

Segundo o jornal, a Telecom Italia ‘pode ser ajudada [em sua disputa com o Opportunity] pela pressão crescente sobre o Citigroup para que limpe sua imagem. No último mês, o grupo recebeu ordem para fechar sua operação bancária no Japão. Ele também se desculpou por ter interrompido o mercado de ações europeu e colocou US$ 5,2 bilhões para cobrir ações legais’.

A operação policial no Brasil, diz o ‘FT’, ‘deve se somar a esse desconforto’.

De volta ao ‘WSJ’, que encerrou perfilando assim o banqueiro Daniel Dantas:

– Para o senhor Dantas, os últimos acontecimentos resumem a mudança em sua sorte. Conhecido a certa altura como o mais habilidoso gerente de fundos do Brasil, ele viu o Opportunity se tornar sinônimo de controvérsia e batalhas legais.

SEM ACORDO

slate.com/Reprodução

Dia após dia, a cobertura nos EUA expõe o desalento com as pesquisas que se contradizem. Ontem a Slate tentou explicar por que há tanta diferença (ilustração ao lado). Começa assim:

– As últimas pesquisas mostram Bush na frente. Ou Kerry na frente. Ou empate. Faça sua aposta.

‘New York Times’ e ‘Los Angeles Times’ já dedicaram reportagens. E ontem o ‘Washington Post’ fez a sua, de ângulo humano: a angústia dos próprios pesquisadores. Num quadro assim, surgiu com imensa repercussão um blog (Mystery Pollster, pesquisador misterioso) voltado a explicar ‘por que os pesquisadores não se entendem’.

O VEREDICTO

A revista britânica ‘The Economist’ deu capa ontem à sua dúvida: ‘O incompetente [Bush] ou o incoerente [Kerry]?’ E divulgou, ‘com o coração pesado’, seu ‘veredicto eleitoral’: prefere John Kerry

Lula se move

O presidente petista falou, afinal, sobre a abertura dos arquivos da ditadura. No que foi descrito como uma ‘conversa informal’ com Tereza Cruvinel, de ‘O Globo’, Lula ‘comprometeu-se pela primeira vez com a abertura dos registros’. Dele:

– Vamos enfrentar essa questão com todo cuidado e responsabilidade. Isso não se resolve com grito de lá ou de cá… É preciso responsabilidade para com a democracia, que custou tanto a todos nós. Mas fiquem todos certos que encontraremos uma solução, na hora certa e da forma certa.

Satisfação

Também ontem, como destacaram o UOL e outros sites, Clarice, viúva de Vladimir Herzog, viu toda a seqüência de fotos e encerrou a questão: o homem retratado não é, de fato, o jornalista. De Clarice, ao site iG:

– Não importa que não era, o fato político ocorreu. Deve haver uma satisfação para a sociedade. O Vlado cumpriu, mais uma vez, um papel importantíssimo.

Brasil x Argentina

A ‘Economist’ distribuiu conselhos ontem ao Mercosul, depois do insucesso das negociações com a União Européia.

Dizendo que ‘a culpa é dos dois lados’, sublinhou que os europeus ofereceram pouca abertura em agricultura, mas que os integrantes do Mercosul são ‘temerosos de competição e divididos entre eles mesmos’.

Para a revista, Brasil e Argentina precisam vencer o ‘protecionismo que usam um contra o outro’, o ‘secretariado fraco’ do Mercosul e a ‘coordenação que é pobre em tudo, das negociações comerciais ao apoio à indústria’.

Mercosul lento

Todd Benson, correspondente do ‘New York Times’ em São Paulo, publicou avaliação bastante parecida, quanto ao incipiente Mercosul e à divisão de Argentina e Brasil. Registrou, da porta-voz da União Européia:

– O Mercosul está construindo a si mesmo enquanto negocia conosco. Por sua própria natureza, ele torna lento o processo.



***

‘Ainda não’, copyright Folha de S. Paulo, 28/10/2004

‘No início da noite, um dos destaques do UOL trazia o título ‘Líder da campanha diz que Serra já ganhou’, referência ao coordenador tucano Walter Feldman.

Foi quando entrou no portal a informação de que havia caído a vantagem de José Serra sobre Marta Suplicy, que ecoou no SPTV e no Jornal Nacional -que trouxeram ainda a queda retratada no Ibope.

Da manchete do UOL:

– Vantagem de Serra sobre Marta cai para 7 pontos.

Nada de ‘já ganhou’, como Serra bem avisou.

Bem diversas do portal foram as manchetes dos sites eleitorais de Serra e Marta.

Para o primeiro, ‘Serra é líder no Ibope e no Datafolha’.

Para o segundo, ‘A virada já começou!!! Datafolha e Ibope confirmam: Marta cresce’.

Por coincidência ou não, duas horas depois o horário eleitoral tucano entrou com o mais duro ataque a Marta, desde o início da campanha.

De uma só vez, jogou no ar as imagens dos célebres bate-bocas entre a prefeita e uma dentista, mostrado originalmente pelo Brasil Urgente (Band), e entre a prefeita e o âncora do SPTV, Chico Pinheiro.

Do locutor da propaganda do PSDB, sobre as cenas:

– É lamentável que a prefeita de São Paulo, que tem que dar o exemplo aos eleitores, tenha um comportamento desse tipo.

A palavra ‘comportamento’, em relação a Marta, foi repetida cinco vezes.

SOB BALA

Por conta da eleição nos Estados Unidos, vêem-se à exaustão os confrontos no Iraque. Mas as imagens que chegam do Haiti começam a ganhar dramaticidade. Na Globo e nas demais redes, ontem, ‘um momento de tensão para as tropas do Brasil no Haiti’:

– As tropas foram atacadas a tiros por rebeldes leais ao ex-presidente Jean-Bertrand Aristide. Elas revidaram. Não há informações sobre mortos ou feridos.

Para o Brasil e o mundo

A Globo se perguntava ‘quem é melhor para o Brasil, Bush ou Kerry?’, ontem de manhã, e saía dizendo:

– A população condena a guerra e parece preferir Kerry. Mas empresários e acadêmicos acham que Bush, por ser liberal [em comércio], é melhor para a economia brasileira.

Não para o ex-embaixador Rubens Barbosa. Com um ou com outro, disse ele:

– Nós vamos continuar a ter excelentes relações diplomáticas e continuar a ter uma série de conflitos na área comercial.

A analista Míriam Leitão, na seqüência, observou que Bush não foi tão liberal. Mas destacou que Kerry vai rediscutir acordos comerciais e ‘incluir cláusulas sociais e ambientais, para efeito de sanções comerciais’.

No UOL, Lillian Witte Fibe tratou ontem do assunto com Mendonça de Barros. Segundo o ex-ministro, com Bush ou Kerry, os EUA vão ‘exportar a recessão’ ao Brasil.

Antes da Globo e do UOL, o ‘Valor’ trouxe uma reportagem ontem sobre como o governo vê a eleição americana:

– Ainda que de uma forma bastante discreta, a cúpula do governo brasileiro torce pela reeleição de Bush.

Estariam na torcida ministros como Antônio Palocci, Roberto Rodrigues e Luiz Furlan. Um dos temores seria a escolha, para secretário de agricultura na eventual administração Kerry, do governador de Iowa -dado como protecionista.

Mas o governo Lula também tem sua pequena torcida por Kerry, liderada pelo chanceler Celso Amorim, em defesa do multilateralismo. Nessa direção, um especialista ouvido disse que não se pode esquecer que ‘o Brasil está no mundo e, para o mundo, Kerry é melhor’.

Reportagem no site do ‘New York Times’ mostrou que apreensão igual atinge governos pelo resto do mundo.

Na Itália e no Japão, que apoiaram a invasão do Iraque, a torcida é por Bush. Já o britânico Tony Blair, para se reaproximar da Europa, vê Kerry com bons olhos. Quanto à América Latina, ‘as preferências estão ligadas a questões comerciais’.

Oportunidade

A imagem de uma longa fila de caminhões no Paraná ilustrou ontem uma reportagem do ‘New York Times’ sobre a ‘pressão’ que o crescimento do comércio externo vem fazendo sobre a infra-estrutura.

O texto, não de Larry Rohter, mas do correspondente Todd Benson, tratou a infra-estrutura como setor de ‘oportunidade para investimentos’.

‘Avalanche’

Na febre das declarações de voto que está vivendo a mídia americana, a publicação on-line Slate abriu o de todos os seus jornalistas e colaboradores.

John Kerry venceu, no que a própria revista qualificou como ‘uma avalanche’. Até as estrelas Christopher Hitchens e Mickey Kaus, defensores ardorosos de Bush quando invadiu o Iraque, agora apoiaram Kerry.’



FSP CONTESTADA
Painel do Leitor, Folha de S. Paulo

‘Cartas ao Painel do Leitor’, copyright Folha de S. Paulo

3/10/2004


Eleição nos EUA


‘Atenta contra a inteligência do leitor o artigo ‘Ante os olhos de cabra cega’ (‘Tendências/Debates’, 2/11), assinado por Olavo de Carvalho. Afronta vil e levianamente contra as imprensas americana e brasileira e contra os eleitores de ambos os países. Em sua linha, apenas Bush e seu séquito são os eleitos que vêem com clareza os problemas dos americanos, dos iraquianos, dos brasileiros, enfim, do mundo. Gostaria de dizer ao autor do artigo que ‘inteligências’ assim já garantiram no poder fascistas, nazistas, ditaduras militares e invasões em países soberanos que têm fronteiras definidas. ‘Pensadores’ desse tipo são inconsistentes e estão obsoletos, ainda mais num jornal que tem colunistas e jornalistas do porte de Clóvis Rossi, Sérgio Dávila e Fernando Rodrigues, entre outros.’ Thaelman Carlos M. de Almeida (São Paulo, SP)"




‘1/11/2004

Entrevista

‘A edição de ontem da Folha trouxe uma entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que ocupava meia página (pág. E6) do caderno especial Eleições 2004. A edição do jornal distribuído em São Paulo surpreendeu-me -não pelo teor da entrevista e as duras críticas ao PT feitas pelo entrevistado, mas pelo fato de eu mesmo ter sido entrevistado no dia anterior para contrapô-la e o resultado da entrevista não ter sido publicado no jornal. A minha entrevista e a de Fernando Henrique estavam apenas em algumas edições que circularam fora do Estado de São Paulo e, estranhamente, no site do jornal, como se estivesse em todas as edições impressas. Em São Paulo, só foi publicada a entrevista do ex-presidente FHC, em que fez considerações a respeito de seu candidato na capital paulista e críticas ao PT. É importante frisar que tudo isso aconteceu justamente no dia em que os eleitores paulistanos foram às urnas escolher entre candidatos do PT e do PSDB. Considero um desrespeito ao PT o fato ocorrido, uma vez que a entrevista com o ex-presidente foi publicada no dia da eleição municipal e com teor duramente crítico em relação ao partido que presido. Considero ainda um desrespeito ao leitor da Folha, a quem foi negado o direito de ler um contraponto à primeira entrevista. Aguardo um posicionamento do jornal sobre o ocorrido através do ombudsman, a quem enviei esta correspondência.’ José Genoino, presidente nacional do PT (Brasília, DF)



30/10/2004

Maluf

‘A Folha não publicou no texto ‘Maluf é acusado de passar US$ 1 mi à filha’ (Brasil, pág A9, 29/10) a íntegra da nota enviada por esta assessoria. Foi omitido que a juíza Renata Okida mandou tarjar o processo, fato jurídico importante. A jornalista Lilian Christofoletti insinua no texto que obteve as informações que divulga justamente no processo que está na 4ª Vara da Fazenda Pública. Como é possível isso acontecer se há um despacho em que a juíza decide que tudo o que ali se encontra está sob segredo de Justiça? Pedimos, por isso, que o texto seja publicado tal como foi enviado: ‘A jornalista Lilian Christofoletti, da Folha, negou-se a exibir os documentos que diz estarem com ela e que envolveriam pessoa da família de Paulo Maluf. Obriga, assim, que a parte ofendida só tome conhecimento dos papéis no dia seguinte, através do jornal. A jornalista contraria assim o ‘Manual da Redação’ do jornal em que trabalha, o qual assegura amplo direito de defesa às pessoas envolvidas nos textos publicados. Esse documento de que fala a repórter foi obtido então sabe-se lá se de que maneira criminosa, pois a juíza da 4ª Vara da Fazenda Pública, Renata Okida, onde o assunto é examinado, exarou no processo (pág. 11), judiciosamente, em 22/ 10/2004, a seguinte decisão: ‘Por fim observo que o processo deve tramitar sob segredo de Justiça (o grifo é da juíza) em virtude de determinados documentos que o instruem, os quais foram obtidos por meio de quebra de sigilos bancário e fiscal em ações cautelares antecedentes de seqüestro e exibição de documentos, bem como por aqueles encaminhados a este juízo em virtude da Cooperação Jurídica Internacional instituída com o Brasil. Tarje-se o feito’. Paulo Maluf não tem e nunca teve conta no exterior’. Como a jornalista se negou a mostrar a Paulo Maluf o texto que disse estar em suas mãos, reproduzido no jornal, de forma que não fosse possível identificar sua procedência, Lilian Christofoletti será processada nas áreas cível e criminal por Paulo Maluf.’ Adilson Laranjeira, assessor de imprensa de Paulo Maluf (São Paulo, SP)’

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