Domingo, 13 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
Menu

ENTRE ASPAS >

SIP critica demora em processo contra o Estadão

02/09/2009 na edição 553


Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas. 
 


************


O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 2 de setembro de 2009 


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


Clarissa Oliveira


SIP critica demora no julgamento de censura a ‘Estado’


‘A censura imposta há mais de um mês ao Estado por uma decisão judicial favorável à família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), já deveria ter sido derubada, na avaliação da Sociedad Interamericana de Prensa (SIP).. Para Ricardo Trotti, coordenador da Comissão de Liberdade de Imprensa e diretor do Instituto de Imprensa da entidade, a Justiça brasileira deveria dar prioridade absoluta ao caso, para minimizar os prejuízos à liberdade de expressão e ao direito à informação no País.


‘Quando a liberdade de imprensa está em risco, quando está em questão o direito das pessoas de saberem, o Judiciário deveria ser mais rápido, de forma a garantir um direito fundamental da democracia, que é a liberdade de expressão’, afirma Trotti. Desde o fim de julho, o jornal está impedido de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica da Polícia Federal, que investiga o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado.


Trotti reconhece que decisões judiciais que resultam na aplicação de censura aos meios de comunicação não são exclusividade do Brasil. Ainda assim, ele insiste na tese de que a frequência de casos como o do Estado é maior no País, na comparação com outras nações.


‘Nós não vemos no Brasil outros problemas sérios de prejuízo à liberdade de imprensa. Mas sempre assistimos a casos relacionados à Justiça’, avalia o diretor da SIP. Em outros países, exemplifica Trotti, são recorrentes casos em que a liberdade de imprensa é prejudicada pela violência contra profissionais da área. Ele admite que há registros de atentados e assassinatos de jornalistas no Brasil. Mas insiste em que a SIP tem visto a necessidade de emitir sucessivos comunicados condenando decisões judiciais que restringem a ação dos meios de comunicação brasileiros.


Trotti diz acreditar que uma decisão judicial como a que colocou o Estado sob censura dificilmente prosperaria em outro País. ‘Aqui, nos Estados Unidos, por exemplo, você teria uma enorme dificuldade de ver um juiz impondo uma restrição desse tipo à imprensa. A liberdade de expressão é culturalmente muito valorizada. No Brasil, talvez, este conceito não tenha sido assimilado da mesma forma pelos magistrados’, afirma o diretor da SIP, que tem sede em Miami.


Apesar de criticar a lentidão da Justiça brasileira, Trotti avalia que o sistema parece agir rapidamente na hora de analisar pedidos apresentados por autoridades do governo. ‘No Brasil, o Judiciário parece mais concentrado em proteger a reputação dos membros do governo’, ironizou Trotti.


De acordo com ele, a relação entre a imprensa e o Judiciário no Brasil deve entrar nas discussões que a SIP planeja fazer em Caracas, em um fórum para discutir a liberdade de imprensa no próximo dia 18. O assunto, diz ele, também deverá aparecer na próxima assembleia da entidade, agendada para o dia 6 de novembro.


REPERCUSSÃO SOBRE A CENSURA


Organização dos Estados Americanos (OEA)


‘É incompreensível que, enquanto os mais altos tribunais do Brasil tenham tomado decisões exemplares em matéria de liberdade de expressão, ainda exista a possibilidade de que alguns juízes locais possam usar seu poder para censurar e impedir a divulgação livre da informação a qual o público tem o direito de receber’


Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP)


‘Lamentamos que a Justiça brasileira se caracterize por proteger


excessivamente os direitos das pessoas quando elas estão imiscuídas em temas de interesse público, como nesse caso, e deixe em segundo plano o direito de liberdade de expressão, condenando assim os cidadãos ao ostracismo’


International Federation of Journalists (IFJ)


‘A IFJ exige pronta retificação desta medida, que pretende impedir a imprensa brasileira de informar sobre as irregularidades detectadas


pela Justiça Federal, e manifesta sua preocupação porque a decisão obedeceu a conhecidos laços de amizade entre o juiz Vieira e a família Sarney’


Repórteres Sem Fronteiras


‘O fato de um familiar de um político eleito conseguir que seu nome não seja citado impede a imprensa de o mencionar como personalidade pública. Trata-se de um abuso de poder, que esperamos que seja corrigido pela decisão em recurso’


Artigo 19


‘Há violação da liberdade de expressão. Quando é de interesse público que a informação seja divulgada, mais do que de interesse privado, ela deve ser divulgada. Está claro que foi desrespeitado direito fundamental’


Liminar do Tribunal de Justiça do DF em ação movida por Fernando Sarney proíbe o jornal de publicar dados sobre a investigação da PF acerca de negócios do empresário, evitando assim que o ?Estado? divulgue reportagens já apuradas sobre o caso.’


 


 


Anne Warth


Situação fere direitos do cidadão, diz especialista


‘A censura imposta ao Estado e ao site estadao.com.br por decisão judicial foi duramente criticada pela professora da Universidade de São Paulo (USP) Maria Tereza Sadek. Doutora em ciência política e especialista em estudos do sistema judiciário no Brasil, ela considera a situação absurda. ‘Isso fere os direitos do cidadão. Não é O Estado de S.Paulo que está sendo censurado. É a cidadania’, afirmou.


Para Maria Tereza, ‘censurar previamente é uma coisa sem nenhum cabimento’. Segundo ela, casos como o da censura ao Estado prejudicam a imagem do Judiciário junto à população. ‘Ainda que seja proveniente de uma decisão individual.’


Na opinião da coordenadora do Índice de Confiança na Justiça (ICJ-Brasil), Luciana Gross Cunha, o Judiciário está demorando muito para analisar a questão. ‘Em casos de censura, cada dia é um a menos com publicação de questões importantes para o cidadão.’’


 


 


ELEIÇÕES


Eugênia Lopes


Web terá anúncio de presidenciáveis


‘A propaganda paga na internet será restrita aos candidatos à Presidência e limitada aos portais de notícias. Acordo entre líderes governistas e de oposição estabeleceu ainda que programas sociais de governo não poderão ser criados nem ampliados em ano eleitoral.


No texto inicialmente proposto, a publicidade paga poderia ser feita por qualquer dos candidatos nas eleições de 2010. ‘São mais de 20 mil candidatos e não há uma forma igualitária e isonômica de tratar todos eles no acesso à internet paga’, observou o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante(SP).


A proposta faz parte da reforma eleitoral que deverá ser votada hoje pela manhã, em sessão conjunta, nas Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Ciência e Tecnologia (CCT) e, à tarde, no plenário do Senado. Os relatores da reforma são Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Marco Maciel (DEM-PE).


Pela proposta, os candidatos à Presidência terão direito de pôr propaganda paga na internet nos três meses de campanha eleitoral. Ao todo, serão 12 inserções (são 12 semanas de campanha). O tamanho da publicidade é limitado a um oitavo da tela do computador. A reforma também proíbe pinturas em muros, fixação de cartazes, placas, inscrições e outdoors de campanha. Fica permitido uso de faixas (tipo banners) e cartazes não-colantes, limitados ao tamanho de quatro metros quadrados.


Mercadante concordou com a inclusão na reforma de artigo que proíbe a propaganda institucional ou eleitoral de inauguração ou lançamento de pedra fundamental de obras públicas, nos seis meses que antecedem as eleições. Essa proibição atinge em cheio a campanha presidencial da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que conduz o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). ‘Na política social não pode haver ampliação de programas em ano de eleições. É uma forma de evitar que políticas sociais tenham um objetivo político e eleitoral’, disse Mercadante, que participou de reunião para tentar chegar a um consenso sobre a reforma eleitoral.


CASSAÇÃO


Um dos pontos sobre os quais não há consenso para a votação de hoje é o do prazo para a cassação de mandato de governadores que cometeram crimes eleitorais. A proposta dos senadores dá o prazo de um ano para que a Justiça Eleitoral analise e decida a cassação ou o cancelamento de registro de candidatos às eleições majoritárias.


A reforma eleitoral que deverá ser aprovada hoje pelo Senado altera ainda a proposta da Câmara e acaba com o voto em trânsito para presidente da República e o voto impresso. ‘É inviável economicamente, além de se ter um risco muito grande de fraude com o voto em trânsito’, justificou Mercadante, com o aval dos relatores. O texto do Senado mantém a proposta da Câmara e permite as chamadas ‘doações ocultas’ – as que são feitas aos partidos e repassadas aos candidatos evitando, dessa forma, que o beneficiado fique ‘carimbado’ pela contribuição de determinada empresa.’


 


 


A internet deve ter propaganda eleitoral paga?


‘SIM


Hélio Silveira*


Está em tramitação no Congresso Nacional um conjunto de medidas para alterar a legislação partidária e eleitoral, já com vistas às eleições de 2010. Do conjunto de boas novidades aprovadas pela Câmara dos Deputados, temos especialmente a modernização das regras atinentes à realização de campanha eleitoral na rede mundial de computadores, a internet.


A internet, por sua inserção no cotidiano das pessoas e sua importância cada vez maior para o compartilhamento de informação e opinião, tornou-se um meio imprescindível para a realização do debate político e da propaganda eleitoral.


Se a Câmara amplia o uso da internet para as campanhas eleitorais, o Senado inova através de uma emenda autorizando a inserção de propaganda paga em portais de notícias e provedores, utilizando-se, de uma forma aproximada, os limites já estabelecidos na Lei 9.504/97 para a propaganda em jornais e revistas impressos. Respeitadas vozes já se manifestam contrariamente à emenda do Senado, mas fica a pergunta: por que não?


É preciso ter claro que a realização da propaganda eleitoral tem sofrido forte restrição nas últimas alterações legislativas e também por resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É bem verdade que as justificativas utilizadas para restringir a propaganda são sempre por causas justas, como o barateamento das campanhas e a busca pela isonomia entre os candidatos.


Todavia, é preciso considerar que as eleições são o grande ápice da vida democrática do País. É um momento de intenso debate acerca do futuro, dos programas que serão priorizados para os próximos anos.. É o momento em que os governantes e candidatos captam os anseios e as repulsas da população.


Se a propaganda eleitoral perde as ruas, pelos motivos acima explanados, é natural que ela busque outros meios para sua realização. Ora, nesse sentido, é bem-vinda toda iniciativa que vise a dar maior liberdade à propaganda eleitoral. E, se a internet é um instrumento de enorme importância para difusão de comunicação e opinião e se os portais de órgãos de imprensa e de provedores são as principais formas de acesso à rede, qual a razão de impedir a inserção de propaganda paga em tais páginas?


É preciso considerar que a emenda do Senado prevê limitações ao uso dessa espécie de publicidade eleitoral na internet, estabelecendo o tamanho da inserção e a quantidade de veiculação pelos candidatos, o que reforça a convicção do acerto da emenda apresentada pela Casa ao projeto de alterações das regras eleitorais.


* Advogado especializado em legislação eleitoral


***


NÃO


Silvio Salata*


Penso que a vedação quanto à divulgação de propaganda eleitoral paga na rede mundial de computadores (internet), proposta pela Câmara Federal, na redação final do projeto de lei que dispõe sobre a reforma política e eleitoral, caso revertida sua permissibilidade no Senado Federal, certamente trará conseqüências negativas no âmbito do processo eleitoral.


A atual lei das eleições (Lei nº 9.504/97) tem como objetivo principal assegurar a igualdade de condições entre todos os candidatos na disputa do certame, conjugada com os dispositivos legais sobre as proibições da utilização indevida dos veículos de comunicação social e prática do abuso do poder econômico, geram mecanismos para garantia da lisura do pleito, neste tópico principalmente no que tange à divulgação irregular ou ilícita de propaganda a favor ou contra candidato.


O modelo adotado na legislação em vigência sobre as proibições da divulgação da propaganda eleitoral paga nas emissoras de rádio e televisão, limitada somente no horário gratuito reservado aos partidos políticos e seus candidatos, serve de paradigma de sustentação quanto à impossibilidade de vinculação de publicidade paga na internet, tendo em vista a proximidade e identidade entre os referidos meios de comunicação social que atingem grande faixa do contingente de eleitores em nosso País.


Quanto à eventual aprovação pelo Senado da permissão para veiculação de propaganda paga na internet, deverá ser acrescido um fator de fundamental importância que trará grandes dificuldades no controle e fiscalização da propaganda irregular, sobretudo de modo coibir a ruptura do princípio constitucional da isonomia entre os candidatos, alimentando a prática do abuso do poder econômico. Servirá de exemplo a propaganda editada em site através de provedor instalado no exterior, demonstrando, assim, que restará prejudicada a imediata eficácia na prestação da tutela jurisdicional em favor do candidato atingido pela propaganda ilícita ou contra o concorrente beneficiário de tratamento privilegiado, mantida as demais normas elencadas no art. 45, da lei geral das eleições.


Em conclusão, nos breves apontamentos trazidos, resta evidente o obstáculo de inovar no atual regime jurídico sobre a autorização legislativa de divulgação pelos candidatos, partidos políticos ou coligações de propaganda eleitoral paga na internet.


* Advogado especializado em direito político, eleitoral e partidário. Presidente da Comissão de Direito Político e Eleitoral da OAB/SP’


 


 


POLITICA NA REDE


Julia Duailibi


Aloysio estreia blog pessoal


‘O secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, resolveu seguir o exemplo do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e ingressou no mundo virtual. Um dos pré-candidatos do PSDB ao Palácio dos Bandeirantes em 2010, Aloysio lançou anteontem seu blog pessoal.


Em sua página, colocou dois posts. No primeiro, o tucano, em tom mais coloquial, falou sobre o Corinthians, seu time. ‘Corinthians do povo, capaz de unir, nas arquibancadas do Pacaembu, desde o faxineiro até o presidente da empresa, numa paixão em comum descrita com perfeição nos versos do saudoso mestre Paulinho Nogueira: ?Ai, Corinthians, quando és o vencedor, pobre fica milionário, rindo da própria dor?.’ O segundo post é escrito em terceira pessoa e fala sobre uma visita do secretário à cidade de Diadema, na Grande São Paulo. ‘Cerca de 500 pessoas lotaram anteontem o restaurante Dom Carrasco, em Diadema, para ouvir o secretário’, informa o post.


Na corrida pela indicação do PSDB, o secretário, que também está no Twitter, trabalha para diminuir a vantagem do outro pré-candidato tucano, o ex-governador Geraldo Alckmin, mais bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto. O ex-governador, no entanto, ainda não estreou na rede.’


 


 


INTERNET


AP e Reuters


eBay vende controle do Skype por US$ 1,9 bilhão


‘O eBay, líder em leilões virtuais, anunciou ontem a venda de 65% do Skype, empresa de comunicações via internet, por US$ 1,9 bilhão em dinheiro e US$ 125 milhões a serem pagos depois, para um grupo de investidores privados. Os 35% restantes continuarão com o eBay. Antes, a empresa chegou a anunciar planos de vender o Skype por meio de uma oferta pública de ações.


Em 2005, quando a companhia comprou o Skype, a operação deixou os analistas confusos. Nunca ficou claro como o eBay iria integrar o serviço de telefonia via internet com seu comércio eletrônico e sistema de pagamento via internet.


O grupo de investidores inclui Marc Andreessen, cofundador da Netscape e integrante do conselho do eBay, e Danny Rimer e Mike Volpi, ex-conselheiros do Skype. Rimer foi um dos primeiros investidores do Skype e Volpi é presidente do Joost, serviço de vídeo via internet criado pela mesma equipe do Skype.


O acordo, que deve ser fechado no quarto trimestre, congela, pelo menos temporariamente, os planos anunciados em abril pelo eBay de abrir o capital do Skype. A diretoria do Skype, incluindo seu presidente, Josh Silverman, não será alterada, apesar dos novos controladores, e o eBay continuará com um assento no conselho do Skype.


O valor pago pelos investidores avalia o Skype em US$ 2,75 bilhões, segundo o eBay. O número é cerca de US$ 380 milhões menor que os US$ 3,13 bilhões que o eBay pagou pelo Skype, que incluem o preço original, de US$ 2,6 bilhões, e mais US$ 530 milhões pagos em 2007 para vários investidores porque a unidade alcançou metas de lucro e crescimento.


O eBay já havia reconhecido que o Skype valia muito menos do que havia pago por ele, tendo feito uma baixa contábil de US$ 900 milhões no valor da empresa em 2006. O presidente do eBay disse ontem que o valor que a empresa conseguiu pelo Skype ficou ‘muito acima do que a maioria das pessoas esperava’. Ele acrescentou que a venda permitirá que a administração do eBay se concentre em suas atividades principais, ao mesmo tempo em que os acionistas da empresa continuarão com uma participação no sucesso futuro do Skype.


Ontem, as ações do eBay acompanharam a tendência do mercado acionário americano e caíram 2,1%, cotadas a US$ 21,68. A expectativa que existia em 2005, quando o eBay comprou o Skype, de que seus usuários usariam o serviço, não se concretizou.


‘O Skype tem sido uma distração’, disse Colin Sebastian, da Lazard Capita Markets. ‘Esse negócio permitirá que eles voltem a se concentrar em sua atividade principal.’


Apesar de não ter muita utilidade para o eBay, o Skype tem sido um grande sucesso. Ele tinha mais de 480 milhões de usuários no fim do segundo trimestre, um aumento de 42% sobre o mesmo período de 2008. A mudança de controle não deve trazer nenhuma mudança para os usuários.


RESULTADOS


Provavelmente, o Skype é uma empresa lucrativa. O eBay não divulga os resultado do Skype, mas, tendo como base o faturamento da companhia em 2008, de US$ 551 milhões, o analista Robert Haley, da Gabelli and Co., acredita que a empresa teve resultado positivo no ano passado. O eBay prevê que o faturamento do Skype irá ultrapassar US$ 1 bilhão em 2011.


Para Haley, o negócio foi bom para o eBay porque permitiu que a empresa ganhasse com o Skype mais do que teria conseguido na abertura de capital, e mais cedo, já que a oferta de ações aconteceria somente no ano que vem. Os novos controladores da empresa ainda podem manter o plano de abertura de capital.


O Skype não divulga dados por país. ‘O Brasil é um mercado importante para nós’, afirmou Brianna Reynaud, porta-voz da Skype, em entrevista por e-mail. A empresa não possui escritório no País, e tem como parceira local a Transit, para a venda de créditos, para terminar as chamadas em telefones convencionais e para quem quer ter números locais em seu computador.


‘O acordo volta a colocar em foco questões centrais que o eBay enfrenta’, disse o analista James Cordwell, da Atlantic Equities, que destacou que o preço foi bom para o eBay.


NA REDE


Telefonia: O Skype permite fazer chamadas gratuitas via internet, de computador para computador. Também é possível comprar créditos para ligações mais baratas para telefones convencionais, a partir do computador, ou contratar um número para receber chamadas no PC


Fundadores: Os fundadores do Skype, Janus Friis e Niklas Zennstrom, haviam criado antes o Kazaa, sistema de troca de arquivos pela rede mundial, usado principalmente para a troca de arquivos de música. Depois do Skype, eles fundaram o Joost, serviço de vídeo pela internet, que não fez tanto sucesso


Venda: Em 2005, o eBay comprou o Skype, com planos de integrar o serviço de comunicações via internet com sua plataforma de leilões virtuais. O Skype continuou a crescer como serviço independente, mas o eBay nunca teve sucesso em integrá-lo aos leilões. Em abril, a empresa anunciou planos de abrir o capital do Skype, projeto agora adiado.’


 


 


Efe


José Saramago despede-se de seu blog


‘O escritor José Saramago despediu-se dos leitores de seu blog, Caderno, no qual expressava quase que diariamente, desde o dia 15 de setembro de 2008, artigos com suas opiniões e reflexões pessoais. No post Despedida, o autor justifica o adeus pela preparação de outro livro. Saramago aproveitou para convidar os internautas à leitura de seu novo romance, Caim, que será lançado em outubro. Compilados recentemente, os artigos do Caderno refletem o espírito crítico do autor, algo que não agradou, por exemplo, a Silvio Berlusconi, que se negou a publicar uma versão italiana por causa das críticas que recebeu de Saramago.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


SOS mexicano


‘Bela, a Feia, deve ganhar socorro internacional. Há pouco mais de um mês no ar, a trama da Record, primeiro fruto da parceira da rede brasileira com a mexicana Televisa, vem sofrendo com a baixa audiência. Anteontem, o folhetim registrou a menor média desde sua estreia: 5 pontos de ibope. Bela estreou em julho, na faixa dos 10 pontos de audiência.


Preocupada com o desempenho do folhetim, adaptado por Gisele Joras, a própria Televisa teria oferecido ajuda à Record. A emissora deve enviar nos próximos dias um grupo de profissionais para analisar a trama e identificar possíveis problemas. Para a Televisa é importante que o texto dê certo no Brasil, pois abre as portas para um novo modelo de negócio na teledramaturgia.


Para a parceira da Record, um dos problemas da novela é o seu horário de exibição. Segundo avaliação da Televisa, Bela, a Feia, (20h30) é um folhetim leve para ser exibida tão tarde. A faixa das 19 horas seria ideal.


A Record nega que a trama receberá reforço mexicano e informa que as visitas de profissionais da Televisa à emissora já fazem parte da rotina, em razão da parceria entre as redes.’


 


 


 


 


************


Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 2 de setembro de 2009 


 


ELEIÇÕES


Fernando Rodrigues


Marcha da insensatez


‘BRASÍLIA – É real a possibilidade de o Senado aprovar hoje a chamada reforma eleitoral. O texto voltará para a Câmara e será rapidamente analisado pelos deputados. Vai valer já nas eleições de 2010.


Ruim ou inócuo quase do começo ao fim, o aspecto mais nocivo do projeto são as limitações ao livre uso da internet durante o período eleitoral do ano que vem. Num misto de ignorância e má-fé, os congressistas decidiram equiparar a web à TV e ao rádio.


Para quem não chegou hoje de Alfa Centauro, a anomalia é conhecida durante anos eleitorais. O apresentador de telejornal ou de um noticiário em rádio, num momento, começa a recitar os nomes e agendas de todos candidatos, um a um. Entram todos. O político nanico sem a menor relevância, o escroque, o ‘boca de aluguel’ a serviço de alguém. Não importa. Os programas jornalísticos em TV e rádio estão obrigados, por força da lei, a dar espaço a esse trem fantasma que só existe por causa dessa exigência.


Agora, com a nova lei prestes a ser aprovada, a internet terá de se submeter a uma tutela idêntica. Portais, sites e blogs não poderão atrever-se a fazer entrevistas com os principais candidatos. Mesmo sendo empresas privadas, e não concessões públicas, terão de ceder espaço equânime a todos.


Debates em vídeo na internet também seguirão a mesma regra.


Todos os candidatos terão de ser convidados. Se um não aceitar, nada feito. Se todos aceitarem, assiste-se a um encontro inútil. Os gênios por trás desse monstrengo são Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Marco Maciel (DEM-PE). Mas Aloizio Mercadante (PT-SP) também esteve ontem na reunião na qual tramou-se a aurora boreal do atraso.


De todas as estripulias na política neste ano, essa é a pior. Condenará o país para sempre a ter uma internet manietada em anos eleitorais.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


O mundo reage


‘Nas manchetes on-line de ‘Wall Street Journal’ e ‘Financial Times’, ‘Ganhos industriais indicam recuperação global’. Em suma, o setor ‘cresceu nos EUA pela primeira vez desde 2008’, ‘cresceu na China no ritmo mais rápido em mais de um ano’ e ‘superou as expectativas no Japão’. Também na Alemanha e na França. ‘A recuperação é para valer’, avalia o economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais, dos ‘grandes bancos globais’.


A China puxou ‘particularmente’ o Brasil, diz o ‘WSJ’. Mas o país ‘continua a sentir o impacto da crise em suas exportações’, acrescenta outro post no ‘WSJ’, sobre o superavit comercial brasileiro, que subiu devido à redução nas importações.


FIM INEVITÁVEL?


O ‘WSJ’ pergunta, em novo artigo, sobre ‘O fim inevitável do papel do dólar nas reservas?’. Cita de Nicholas Sarkozy a Zhou Xiaochuan, do BC chinês. Não fecha a discussão, mas afirma que ‘alguma coisa foi iniciada pelo pânico de 2008’


ESTÍMULO…


Nas manchetes de Folha Online e Veja.com à tarde, ‘Com IPI menor, governo evita 60 mil demissões’. Mas ‘perde R$ 1,8 bi’.


DE MÃE


Fim do dia na Folha Online, no portal G1, em novas manchetes, ‘Governo deve ser uma mãe com recursos do pré-sal, diz Lula’.


CABO DE GUERRA


Sobre as regras do pré-sal, a cobertura saiu do governo e foi para o DEM, depois também PSDB. No UOL à tarde, ‘Contra urgência, oposição vai obstruir votações’. Depois, ‘Fracassa tentativa de barrar urgência’.


DEM e PSDB defendem manter as regras como foram estabelecidas por David Zylbersztajn -que comandou a agência de petróleo sob FHC e vem ocupando CBN, Globo News e outras, em entrevistas contra a ‘operadora única’ Petrobras. Que quase virou Petrobrax.


TUPI LÁ


Por ‘WSJ’ e outros, a cobertura em papel foi ainda mais crítica do ‘Independence Day’, seu ‘novo plano para dominar a indústria’, seu ‘papel muito maior do governo’. Prevê ‘debate quente’ no Congresso, devido à reação de ‘alguns oposicionistas’


PRÉ-SAL, A NOVELA


A novela ‘Paraíso’, duas semanas antes de saírem as regras, tratou do pré-sal, na conversa de uma candidata a prefeita com assessor:


‘Essa história de petróleo está na moda e, se promessa não paga imposto… Quanto é que custa para perfurar um poço de petróleo? Uns cem mil postos de saúde?’


‘Põe mil nisso.’


‘E escola?’


‘Deve dar para reformar todas e construir mais uma montanha delas.’


‘Então por que a gente está falando em perfurar poço de petróleo?’, encerra ela.


2010, A NOVELA


E causa espécie na blogosfera a entrevista de Audrey Furlaneto com o autor da próxima novela das oito, publicada domingo.


Ele anuncia ‘capítulos quase quentes’, inclusive ‘adendos no dia da gravação’. A personagem de uma comentarista de economia pode entrar ao vivo, ‘se acontecer alguma coisa grave’.


Ele fala em vincular notícias do ‘Jornal Nacional’ com a novela. ‘É evidente que eu aproveitaria, é tão fácil meter um ator no estúdio e fazer um comentário’, diz, citando a crise no Senado.


AINDA O BLOG DO PLANALTO


O blog de Marcelo Tas no UOL e outros comandaram ontem as críticas ao Blog do Planalto, por não se abrir a comentários. Até o ‘El País’ citou criticamente.


O blog de mídia de Tiago Dória também não gostou. Mas lembrou contra a corrente que ‘a referência’ usada foi o blog da Casa Branca (acima), também com ‘conteúdo oficial… e falta de espaço para comentários’. O de Lula até avança em relação ao de Obama, com ‘trackbacks’, os links para posts externos sobre o blog.


‘DESPEDIDA’


No alto da home UOL, o escritor ‘diz adeus aos leitores de seu blog’. Durou um ano, com ‘comentários desligados’’


 


 


AFEGANISTÃO


Associated Press


EUA deixam de investigar jornalistas


‘Autoridades militares dos EUA no Afeganistão cancelaram o contrato com uma empresa de relações públicas que produzia relatórios e perfis de jornalistas que cobrem a guerra no país asiático.


Em comunicado, Gregory Smith, diretor de Comunicações das forças americanas no Afeganistão, afirmou anteontem que o trabalho do Rendon Group havia se tornado ‘uma distração da nossa principal missão aqui’.


O contrato, de cerca de US$ 1,5 milhão, perdeu a validade a partir de ontem.


Smith e outros oficiais americanos no Afeganistão negam que os relatórios da empresa tenham sido utilizados para ranquear jornalistas de acordo com o viés de suas reportagens sobre a guerra e assim decidir quais deles poderiam ser integrados a ações militares no país.


Os oficiais americanos afirmaram ainda que as forças dos EUA no Afeganistão ‘nunca negaram acesso a quaisquer documentos a jornalistas com base em informações sobre os seus passados’.


O Rendon Group diz que apenas uma pequena parte dos seus contratos envolviam a preparação de perfis de jornalistas que se preparavam para acompanhar tropas americanas -’embedded’, em inglês.


A Guerra do Afeganistão foi tornada o foco do combate ao terrorismo pelo governo Barack Obama, que aumentou as tropas no país, mas enfrenta crescente rejeição nos EUA.’


 


 


TECNOLOGIA


Folha de S. Paulo


Ebay vende 65% do Skype por US$ 1,9 bilhão


‘Um consórcio de investidores, que inclui o cofundador do Netscape Marc Andreessen, vai adquirir mais da metade da empresa de telefonia pela internet. O Ebay, que faz leilões on-line, comprou o Skype em 2005 por US$ 2,6 bilhões e manterá 35% da empresa.’


 


 


TELEVISÃO


Daniel Castro


Record faz pesquisa para decifrar fracasso de ‘Feia’


‘Primeira coprodução da Record com a mexicana Televisa, ‘Bela, a Feia’ não emplacou. Anteontem, marcou 5,4 pontos no Ibope da Grande São Paulo, deixando a Record em terceiro lugar, atrás do SBT. Foi a pior audiência da versão brasileira de ‘Betty, a Feia’, um sucesso mundial, desde sua estreia, há quatro semanas.


Na média acumulada desde o primeiro capítulo, ‘Bela’ tem 8,4 pontos. Suas antecessoras na faixa de horário foram melhores. ‘Promessas de Amor’ e ‘Os Mutantes’ tinham, respectivamente, 10,3 e 18,4 pontos nos 20 primeiros capítulos. A expectativa de Record e Televisa era alcançar 20 pontos com a história da falsa mocreia.


Para entender o que há de errado com ‘Bela, a Feia’, a Record faz desde ontem pesquisas com grupos de discussão. Hiran Silveira, diretor de teledramaturgia da emissora, nega que a sondagem tenha sido antecipada. ‘Sempre fazemos [pesquisa] no primeiro mês’, diz.


‘Bela’ terá hoje seu 22º capítulo. Em ‘Poder Paralelo’, as pesquisas com telespectadores ocorreram no final de junho, quando a trama já estava com dois meses de exibição. Na Globo, as pesquisas acontecem por volta do 40º capítulo.


Silveira acredita que ‘Bela’ está sendo ‘prejudicada’ pelo final da novela das oito da Globo, que vem marcando 50 pontos. Além disso, anteontem o número de televisores ligados foi menor em São Paulo no horário nobre, por causa do calor.


‘A gente não vê nada de errado com a novela. Vamos esperar acabar esse momento [‘Caminho das Índias’] para fazer uma avaliação segura’, diz.


TROTE


A Band prepara em sigilo um novo programa humorístico, para estrear em janeiro, com a programação de verão. A atração terá trotes em celebridades, formato recentemente testado -e aprovado pela emissora.


VITÓRIA TEEN 1


A Band venceu a concorrência e comprou da Sony a novela teen ‘Isa TKM’, cuja primeira temporada terminou na última sexta-feira no canal pago Nickelodeon. Gravada na Venezuela, a novela faz sucesso em vários países. No Brasil, foi líder na TV paga às 19h.


VITÓRIA TEEN 2


‘Isa TKM’ será exibida pela Band a partir de outubro. A emissora ainda não revela em qual horário.


EFEITO ‘FAZENDA’


A Record foi a única emissora que cresceu no Ibope da Grande São Paulo em agosto. Na média das 7h à 0h, subiu de 7,4 pontos em julho para 7,8, uma alta de 5%. O SBT caiu 2% e a Globo, 6% (de 19,1 para 18,0).


PÚBLICO FIEL


O público do ‘Pânico na TV’ é fiel. O programa deu 11 pontos no último domingo, mesmo resultado da edição anterior. Ou seja, não sofreu com a estreia de Gugu Liberato na Record.


NÃO PAGAMOS


O Comando Militar do Sudeste informa que o SBT pagou as despesas que o Exército teve com alimentação, transporte e combustível na gravação da abertura do programa ‘Eliana’, exibida no último domingo.’


 


 


Lúcia Valentim Rodrigues


Megashow vira vitrine para TV paga


‘Um boneco, uma roupa, uma caneta, um espetáculo de R$ 1,5 milhão. Os programas da TV paga não dão origem só a brinquedos, mas a shows milionários que invadiram os palcos das principais capitais do Brasil, principalmente na época das férias ou em datas especiais, como o Dia das Crianças.


Para pagar as caras montagens, o contrato estipula fazer minitemporadas que chegam a encavalar até seis apresentações por final de semana.


Adolescentes apaixonadas, cantoras, cachorros falantes, guerreiros alienígenas e até o vetusto Homem-Aranha competem por arrebanhar as crianças para seus auditórios.


Para os canais de televisão, os megaeventos são uma nova ‘plataforma’, na linguagem dos diretores de marketing, que engloba internet, DVD, brinquedos e o próprio desenho.


Fernando Medin, vice-presidente sênior da Discovery Networks no Brasil, que já adaptou seis programas para os palcos, vê como ‘natural’ essa extensão da televisão. ‘A relevância da TV paga na área infantil tem crescido muito. Isso faz com que as pessoas queiram o conforto de ver algo com a qualidade do canal.. É a confiança no conteúdo que leva ao teatro.’


Há dois anos, os ‘Backyardigans’ são habituais dos meses de julho. Para outubro, o Discovery comprou os direitos do espetáculo do cãozinho Doki, que nem programa tem, só aparece nas vinhetas educativas do canal. ‘Ele é uma metáfora de um garoto de seis anos, que é a média de nossa audiência. Merece o investimento’, afirma Medin.


A Nickelodeon vê a febre nos palcos como foi, no passado, o fenômeno dos parques temáticos: ‘As crianças querem interagir com os personagens’, diz Jimmy Leroy, vice-presidente de conteúdo da Viacom.


‘Isa TKM’ é a próxima estreia -com ingressos quase esgotados, só há opções na pista. Novelinha musical, a primeira temporada liderou o horário entre o público de 12 a 17 anos. ‘Quanto mais oferta de personagens, mais produtos.’


‘iCarly’, na mesma linha, virou um show musical nos EUA. Mas negociações para novas vindas de programas ao Brasil não progrediram. ‘Observamos as comunidades do Orkut e das redes de relacionamentos para medir essa demanda.’


Mais concorrência


No final de semana passado, estreou o primeiro investimento do Cartoon nessa área, com ‘Ben 10’. Adriana de Souza, diretora de licenciamento do canal, diz ver a oportunidade como ‘uma nova experimentação com os personagens’. ‘Lançamos quem tem procura por tudo o que fazemos. ‘Ben 10’ é nosso principal produto.’


Muitos espetáculos rodam toda a América Latina. É o caso de ‘Homem-Aranha – Ação e Aventura’, que vem de uma boa temporada em Buenos Aires.


‘Houve uma migração das adaptações de fábulas infantis e dos quadrinhos para a TV paga. Mas para os mais velhos ainda é preciso haver os super-heróis’, diz o produtor Adolfo Scheines.


Mesmo sem ter estreado no Brasil, prevê uma turnê agressiva no ano que vem. ‘Com certeza voltaremos ao Rio e a SP e faremos outras capitais.’


À mercê dos filhos


Para o pai, é fácil levar as crianças a um espetáculo grandioso, com um personagem de que os pequenos já gostam.


Mas a autora infantil Heloisa Prieto acha que ‘os pais ficam à mercê das crianças’. ‘Os adultos pagam mico e vão ver coisas que não querem ou que são bregas para não contrariar o pequeno rei que têm em casa.’


Juliana Araripe, uma das atrizes da série ‘Mothern’ e mãe de uma menina de quatro anos, acha que o megashow encanta pela grandiosidade. ‘Tem uma sedução muito grande para as crianças. Para o pai, fica fácil de acertar no pouco tempo que tem de lazer. Mas a gente também precisa instigar.’


Se depender da TV paga, vem mais comodismo por aí.’


 


 


Bruna Bittencourt


Série mostra vida de mulheres longe do Brasil


‘Há dois anos, a bailarina Maria Clara Sussekind deixou o Rio de Janeiro para estudar danças orientais em Istambul.


Mas não encontrou na cidade um professor que lhe ensinasse a giro sufi, uma dança religiosa que ela tentava aprender. Seguiu então, como turista, para a Capadócia e encontrou ali, sem querer, o orientador que estava procurando.


Maria Clara é a primeira retratada de ‘Fora de Casa’, que estreia hoje à noite no GNT. A série -uma produção nacional que o canal por assinatura exibe até o dia 25 de novembro- registrou a vida de 13 brasileiras que vivem em 13 países estrangeiros – da chef Célia de Mattos (França) à médica Lúcia Aleixo (Quênia), passando pela atleta profissional de snowboard Isabel Clark (Chile) e a modelo de roupas para mulheres gordinhas Flúvia Lacerda (Estados Unidos).


A cada episódio, ‘Fora de Casa’ foca em uma dessas mulheres, no porquê de sua mudança para um país estrangeiro e em sua rotina longe do país.


Na Capadócia, o programa acompanha Maria Clara andando a cavalo, passeando de balão entre montanhas e jogando gamão -todos costumes da região. ‘Aqui não tem cinema e eu adoro cinema’, conta a bailarina, que se acostumou a ver filmes na TV.


A série segue a brasileira em um centro de danças folclóricas, onde ela se apresenta para turistas -seu ganha pão na Capadócia. Ou em sua aula com uma dona de casa que lhe ensina a dança cigana e é interrompida pelo chamado que ecoa das mesquitas convidando os muçulmanos da região a orar, como conta Maria Clara. ‘Tudo é muito novo. É como se estivesse vivendo dentro de um filme. Não é a realidade normal para mim.’


Além das diferenças culturais que experimentam as brasileiras, o programa abre espaço para as protagonistas falarem de suas realizações ou angústias fora do Brasil.


Na Turquia, a bailarina divide-se entre a realização de conseguir viver da dança e crises por viver longe da filha no Brasil, quando coloca em dúvida a decisão de morar longe de casa.


Seguindo o viés feminino que pauta a programação do GNT, ‘Fora de Casa’ extrai boas histórias de anônimas e também aborda questões comuns às mulheres – e não exclusivas de viajantes- , sem precisar do sofá de programas como ‘Saia Justa’. Entre tantas produções que estreaim e deixam sem explicação a grade do canal, esse teria fôlego para continuar.


FORA DE CASA


Quando: estreia hoje, às 21h; reprises sábado, às 6h30, e domingo, às 13h30


Onde: no GNT


Classificação indicativa: não informada’


 


 


INTERNET


New York Times


Ativista diz que Wikipédia censura grupos de esquerda


‘Richard Stallman, ativista do software livre, causou desconforto na conferência anual da Wikipédia, a Wikimania 2009. Ele disse que a versão em espanhol do site anda restringindo links a um site de esquerda, o Rebelión (rebelion.org). A Wikipédia é uma ‘enciclopédia de conteúdo livre que todos podem editar’, segundo diz o slogan do site.


Stallman afirmou ainda que os administradores da versão em espanhol da Wikipédia pioraram as coisas ao banir aqueles que haviam reclamado da suposta censura.


Damian Finol, um especialista em tecnologia da informação de Caracas, na Venezuela, defendeu o site colaborativo e alegou que a dificuldade para pôr referências ao site de esquerda foi colocada porque o link estava se propagando pelos artigos publicados, como em um ataque de spam.


Stallman seguiu defendendo sua posição chamando a declaração de ‘injusta’ e alegando que o Rebelión produz conteúdo próprio e não é somente um agregador. Apesar disso, ele ressaltou: ‘meu propósito não é castigar a Wikipédia, é ter uma discussão construtiva’.


Um dos organizadores da conferência, Patricio Lorente, tentou amenizar os efeitos da declaração. ‘Ele [Stallman] não entende a dinâmica da Wikipédia em espanhol, não existe um líder, as decisões são tomadas com base no consenso’, disse.


Lorente também afirmou que o site de esquerda é apenas um agregador e não produz conteúdo próprio -’o link só vai para a Wikipédia quando é de conteúdo original’. Ele também citou o exemplo de um jornal de esquerda mexicano. ‘Grande parte do material do rebelion..org veio do ‘La Jornada’, e nós temos 1.500 links para esse jornal’, completou. ‘Esse não é um problema ideológico, é um problema de spam.’


Entrevistados, alguns dos administradores da versão em espanhol da Wikipédia disseram que a maioria dos problemas havia sido resolvida em consenso-como a decisão do jeito de descrever o presidente venezuelano Hugo Chávez ou restringir o site Rebelión.


‘A discussão mais acalorada é sobre palavras que são ditas de maneiras diferentes em várias partes do mundo’, afirmou Pedro Sanchez, matemático mexicano. ‘Por exemplo, o dispositivo que move o cursor do computador. Você o chama de ‘mouse’ ou ‘ratón’. Na América Latina, eles chamam de ‘mouse’. Na Espanha, de ‘ratón’.’


 


 


Folha de S. Paulo


Microsoft pede desculpas por apagar negro


‘A empresa de Steve Ballmer divulgou um comunicado se desculpando por ter substituído a imagem de um homem negro por a de um branco em propaganda da empresa divulgada na Polônia. ‘Já substituímos a imagem modificada’, informou a Microsoft. A foto era exibida no site da empresa, e o negro estava com uma mulher e um asiático. O site College Humor fez uma brincadeira e publicou cinco imagens da foto, editadas para países diferentes. Veja em bit.ly/collegeh.’


 


 


 


 


************

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem