Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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ENTRE ASPAS >

Stephen Labaton

01/02/2005 na edição 314

‘Empresas de comunicação dos Estados Unidos que querem expandir seus negócios e comandar tanto emissoras de televisão quanto jornais nos mesmos mercados sofreram um golpe anteontem, quando o governo Bush decidiu abandonar sua contestação de uma regra que bloqueava o relaxamento das regras de propriedade.

O Departamento de Justiça não vai pedir à Suprema Corte para avaliar uma decisão do ano passado de uma corte federal de recursos na Filadélfia que criticava duramente a mobilização para desregulamentar as regras e ordenou à Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) que reconsidere sua atitude. A decisão é um golpe definitivo em Michael K. Powell, o presidente demissionário da FCC, que defendia as mudanças.

Também joga na questão o futuro dos jornais e das emissoras de televisão sob controle da Tribune Company e da Media General, que adquiriram empresas antes da desregulamentação. As aquisições feitas pela Tribune em Los Angeles, Nova York, Hartford e no sul da Flórida violariam as velhas regras, assim como as da Media General em Florence, Carolina do Sul e Panama City, na Flórida. As empresas teriam de entrar com pedidos de exceção se quiseram ficar com todas elas.

A desregulamentação das regras foi antecipada pela maior parte das emissoras de televisão e muitas das grandes empresas de comunicação, incluindo News Corp., Tribune, the Gannett Co. e The New York Times Co.

PRESSÃO

As redes esperavam por regras que lhes permitiriam expandir o número de emissoras de TV de que são proprietárias, dando-lhes uma parcela maior do lucrativo negócio da televisão. De acordo com uma lei que passou pelo Congresso no ano passado em resposta à proposta de Powell, uma empresa pode ser dona de emissoras que atingem 39% dos lares do país. Powell queria aumentar esse índice em 10%, para 45% dos lares.

Grandes empresas de comunicação querem expandir o número de mercados nos quais podem ser donas tanto de jornais quanto de emissoras de televisão e de rádio. Nos últimos dias, algumas delas, principalmente o Tribune, pressionaram o Departamento de Justiça para contestar os recursos julgados pela corte, disseram os advogados envolvidos no caso.

Algumas das empresas disseram que planejam entrar com recurso elas próprias, mas têm poucas chances de obter sucesso sem o apoio do Departamento de Justiça.

Os críticos das mudanças dizem que já há muita concentração de mídia, deixando os leitores e espectadores com poucas fontes de notícias e informações. Eles argumentam que a consolidação abafaria a criatividade e levaria a um declínio da cobertura local.’



CNN vs. FOX
O Estado de S. Paulo

‘Fundador da CNN ataca proprietário da Fox News’, copyright O Estado de S. Paulo / The Guardian, 28/01/05

‘PROVOCAÇÃO: O fundador da CNN, Ted Turner, que nunca se envergonha de falar o que lhe vem à cabeça, comparou ontem a ascensão da Fox News, de Rupert Murdoch, à de Hitler antes da 2.ª Guerra. Foi durante reunião da Associação Nacional de Diretores de Televisão. O bilionário de 67 anos também acusou a Fox, a maior em audiência nos EUA, de ter se tornado uma rede a serviço da administração de Bush. ‘Um pouco menos de Hollywood e um pouco mais de notícias sérias provavelmente seriam uma boa coisa para a nossa sociedade.’ A Fox não deixou por menos: ‘Ted está amargurado por ter perdido seu ibope, sua rede e agora a cabeça.’’



BLOGS DO IRAQUE
Sérgio Dávila

‘Blog iraquiano pró-EUA racha e expõe rede de intrigas’, copyright Folha de S. Paulo, 26/01/05

‘A história mistura as tramas dos livros de espionagem de John le Carré com as traições familiares das peças de Shakespeare. Cenário: blogosfera, mais precisamente dois blogs (diários virtuais) baseados em Bagdá e escritos pelos Fadhil, uma família de bagdalis. Personagens: Mohammed e Omar, de um lado, seu irmão Ali do outro, e o presidente Bush, entre outros. Sobe o pano.

Nas primeiras semanas de dezembro, Washington, Nova York e Los Angeles receberam a visita de dois dentistas bagdalis, Mohammed, 35, e Omar, 24, que, juntos de seu irmão do meio, o pediatra Ali Fadhil, 34, tocavam o blog IraqTheModel.

Desde a queda de Saddam Hussein, em abril de 2003, a internet foi inundada por esses diários virtuais escritos por iraquianos, finalmente livres para acessar a rede e escreverem. O pioneiro foi Salam Pax, um arquiteto homossexual, mas na sua esteira vieram milhares de blogs.

Depois de definida a data das eleições e empossado o governo provisório, nenhum deles teve tanta publicidade por aqui quanto o dos três irmãos. Contra a corrente dos sites antiguerra e com argumentos consistentes e um inglês escorreito, os três defendiam a presença dos invasores no país e a realização do pleito. Bancados pela ONG Spirit of America, Mohammed e Omar finalmente realizaram seu sonho: conhecer os EUA. Na turnê de dezembro, ciceroneados pelo vice-secretário da Defesa, Paul Wolfowitz, deram palestra em Harvard.

Em Nova York, visitaram a redação do diário ‘The Wall Street Journal’, que publicaria elogioso artigo escrito por Daniel Henninger, em que o subeditor de opinião do jornal citava Mohammed em frases como ‘Bagdá está florescendo’, ‘vejo um prédio novo a cada dia’ e ‘a classe média iraquiana vem aumentando’. Em Los Angeles, foram o centro de uma festa do neoconservadorismo local. E tiveram de desviar o périplo para a capital americana, onde foram recebidos no Salão Oval por George W. Bush, que assegurou que os EUA não deixariam seu país enquanto ‘o trabalho não estivesse completo’.

Tudo parecia correr bem. Até que Ali, que ficara tomando conta do blog, escreveu uma carta aberta. ‘É a última vez que escrevo neste site. (…) Não é uma decisão fácil, mas tenho de tomá-la. (…) Eu ainda amo a América e me sinto agradecido a todos os que nos ajudaram a ter liberdade e a construir a democracia aqui. Mas é a ação de alguns americanos que me faz sentir que estou do lado errado. Vou expor estas pessoas em público logo mais, (…) mas não conseguirei fazer isso a não ser em meu próprio blog.’

A partir de então, Ali criou o Iraqi Liberal, que depois rebatizou de Free Iraqi. Nele, desde o começo do ano vem fazendo críticas constantes à ocupação americana e à condução das eleições. O que aconteceu entre a viagem e sua dissidência? ‘Acho que meus irmãos se expuseram a um risco desnecessário ao se encontrar com Bush’, disse ele à Folha.

Os irmãos põem panos quentes. ‘Nós ainda colaboramos um com o outro, e você pode reparar que nosso blog traz um link para o dele e vice-versa’, disse Mohammed -na verdade, a recíproca não é verdadeira; o blog de Ali não anuncia o dos irmãos. Tamanha polidez não foi suficiente para evitar que uma verdadeira rede de intrigas tomasse a blogosfera.

Nas acusações mais graves, os Fadhil foram chamados de agentes da CIA disfarçados de bagdalis a legítimos iraquianos que estariam levando dinheiro da Casa Branca para fazer propaganda.

Os irmãos -os três- se defendem das acusações. Dizem que acreditam no que escrevem e que o fato de um deles ter decidido sair e criar seu próprio blog mais ‘à esquerda’ é outro exemplo da liberdade por que passa o Iraque.

Ali conclui: ‘Apesar de toda essa confusão, prefiro viver o resto de minha vida numa situação como essa em que o Iraque está agora, com todas as dificuldades, do que voltar no tempo e viver apenas um dia sob Saddam Hussein’.’



BRASILEIRO SEQÜESTRADO
O Estado de S. Paulo

‘TV árabe exibe apelo de Ronaldo por libertação de brasileiro’, copyright O Estado de S. Paulo, 28/01/05

‘A TV Al-Arabiya, de Dubai, informou ontem que já começou a exibir os apelos do jogador Ronaldo pela libertação do engenheiro brasileiro João José de Vasconcellos Júnior, seqüestrado na semana passada no Iraque. Segundo a Al-Arabiya, estão sendo exibidos nos noticiários, de hora em hora, apelos em áudio e vídeo gravados por Ronaldo.

Já outra TV árabe, a Al-Jazira, do Catar, assinalou por meio de um porta-voz que só quando receber a gravação de Ronaldo decidirá se a mensagem será ou não divulgada, informou a BBC Brasil. Segundo a Associated Press, a entrega do vídeo à Al-Jazira estava prevista para ontem à noite. Foi a Al-Jazira que veiculou, na semana passada, o vídeo dos seqüestradores anunciando que tinham Vasconcellos em seu poder.

Em Davos, no Fórum Econômico Mundial, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse ontem que o Brasil está disposto a negociar, se for preciso, para libertar o brasileiro seqüestrado no Iraque. Mas até agora, acrescentou, ninguém disse o que quer. ‘Querem que o Brasil seja contra a guerra? Já dissemos que somos.’

Amorim disse ontem à tarde que não tinha novidades sobre o caso. Negou, respondendo a críticas publicadas nos últimos dias, que tenha havido alguma hesitação do Itamaraty: ‘Todos sabem que, mesmo quando não há complicações políticas – o que não é o caso do Iraque -, é preciso tratar seqüestros com discrição.’

Como nada tinha sido pedido até aquele momento, explicou o ministro, o governo só pôde reforçar a ação política e os apelos, porque não havia nada que se pudesse oferecer.

O ministro confirmou contatos com países que enfrentaram situações semelhantes, mas ressalvou que não poderia divulgar detalhes, até por não saber se esses países desejariam que os dados se tornassem públicos.

Disse também que tem tido contato com a Construtora Odebrecht, empregadora do seqüestrado, desde o início. Cada um, o Itamaraty e a empresa, faz o que pode em seu campo, acrescentou. Até ontem à tarde, não tinha havido contado com o embaixador enviado ao Iraque para cuidar do caso, Affonso Celso de Ouro Preto.

O diretor-geral da Federação Árabe de Engenheiros, Adel I. Al-Hadithi, afirmou que fará o possível junto à entidade superior dos clérigos sunitas do Iraque para dar uma solução ao caso do brasileiro. O pedido de ajuda à Federação Árabe de Engenheiros foi feito pelo presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Brasil (Confea), Wilson Lang. Segundo a Confea, assim que tomou conhecimento da carta enviada no início desta semana por Lang, solicitando seu auxílio, Al-Hadithi prometeu repassar o pedido aos clérigos sunitas para que eles intercedam em favor do brasileiro, enfatizando as boas relações do Brasil com os países árabes.

MANIFESTAÇÃO

A comunidade árabe de Juiz de Fora, MG, integrou-se à mobilização de vários segmentos da cidade pela libertação de Vasconcellos. A Associação Beneficente Muçulmana do município está ajudando amigos e familiares a traduzir mensagens e frases para a confecção de faixas e cartazes que serão exibidos em português e em árabe na manifestação marcada para amanhã no centro de Juiz de Fora.

‘Desde o dia em que soubemos do seqüestro, rezamos diariamente para vê-lo sair o mais breve possível de onde está. Estamos prontos para ajudar’, afirmou o xeque Naim, líder da pequena mesquita de Juiz de Fora. A associação beneficente, que reúne cerca de 70 famílias árabes e brasileiras muçulmanas, também redigiu uma carta endereçada aos meios de comunicação árabes.

‘Apelamos pedindo para libertá-lo e escrevemos em árabe justamente para que saibam que aqui, na cidade desse engenheiro, existem muçulmanos vivendo há anos’, afirmou a comerciante Khereih Walid Hammoud, nascida no Líbano. ‘O Brasil sempre foi acolhedor. É um orgulho para nós ter a nacionalidade brasileira, lutamos por isso’, destacou. ‘Estaremos na primeira fila da manifestação de sábado. Ele é nosso conterrâneo, é o mínimo que podemos fazer.’

Ontem, a família do engenheiro passou o dia reunida na casa dos pais dele, acertando detalhes da manifestação.’



VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTAS
O Estado de S. Paulo

’71 jornalistas foram mortos em 2004′, copyright O Estado de S. Paulo / EFE, 26/01/05

‘A Associação Mundial de Jornais (AMJ) anunciou, ontem, que 71 jornalistas e outros profissionais de imprensa foram assassinados em 2004 no exercício da profissão, o pior resultado desde 1994.

O Iraque, com 23 mortos (15 em 2003), foi o país mais perigoso para os jornalistas. Os profissionais que continuam trabalhando em território iraquiano são alvos freqüentes de assassinatos e seqüestros, afirmou a AMJ.

Em segundo lugar estão as Filipinas, onde morreram 11 profissionais de comunicação – em 2003, foram sete. Em seguida vêm México e Bangladesh com quatro; Índia, Rússia e Sri Lanka, com três; Brasil, Nepal, Nicarágua e Peru com dois.

‘Enquanto um grande número dessas mortes se deve à guerra, ao terrorismo, são igualmente vítimas de assassinatos vários jornalistas que investigam o crime organizado, o tráfico de drogas, a corrupção e outros crimes’, disse o diretor-geral da AMJ, Timothy Balding. ‘A maior parte dos assassinos nunca é presa ou julgada’, acrescentou.

IMPUNIDADE

Balding anunciou que sua organização centrará suas atividades na próxima Rodada Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio, na questão da impunidade. Ele lembrou que em mais de 75% das centenas de casos de jornalistas assassinados na última década não se conseguiu apresentar nenhum acusado à Justiça.

Segundo as cifras da AMJ, que inclui todos os profissionais de meios de comunicação mortos no exercício da profissão e aqueles cujo assassinato não teve o motivo esclarecido, o número de mortos na última década só tinha sido superior ao de 2004 em 1994, com 73. Pelos cálculos da AMJ, foram 53 assassinatos em 2003, 46 em 2002, 60 em 2001, 53 em 2000, 70 em 1999 e 28 em 1998.’

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PRIMEIRAS EDIçõES >

Stephen Labaton

Por lgarcia em 25/04/2001 na edição 118

MONITOR DA IMPRENSA

ASPAS

MERCADO / EUA

"Mídia dos EUA reduz os limites a sua expansão", copyright Folha de S. Paulo / The New York Times, 21/04/01

"Depois de anos de lobby e litígio, as maiores emissoras de TV e outras empresas de mídia dos Estados Unidos começaram a conquistar importantes modificações nas regras federais que limitam sua capacidade de crescer e dominar mercados novos.

As mudanças refletem um novo clima regulador em Washington, tanto na Comissão Federal de Comunicações (FCC) quanto num tribunal federal de apelações da capital.

Numa mudança importante dos veredictos que a Suprema Corte vinha dando sobre o assunto havia décadas, a FCC e o tribunal de apelações vêm favorecendo o direito de liberdade de expressão das grandes empresas e demonstrando ceticismo quanto ao papel do governo na promoção da diversidade nos meios de comunicação de massas.

Grupos de defesa dos consumidores afirmam que os regulamentos agora afrouxados foram instrumentos cruciais para promover a diversidade de pontos de vista nos setores jornalístico e de entretenimento. As empresas respondem que as novas tecnologias, entre elas a internet, tornaram as regras obsoletas.

A última vitória do setor ocorreu na semana passada, quando a FCC revogou uma norma que proíbe uma rede de televisão de comprar outra.

Nas próximas semanas a comissão vai começar a afrouxar outro regulamento, que impede uma mesma empresa de ser proprietária de uma estação de TV e um jornal impresso na mesma região.

Nas últimas semanas o tribunal federal em questão -a Corte de Apelações dos Estados Unidos no Distrito de Columbia- deu duas grandes vitórias às maiores empresas dos setores de cabo e emissoras. Ela revogou as regras que limitam o tamanho que uma companhia a cabo pode ter e expressou dúvidas sobre as normas que restringem as dimensões das emissoras nacionais.

?Este governo, a nova direção da FCC e os tribunais estão revendo todas as regras mais importantes relativas à propriedade de meios de comunicação e dizendo que, ?se não for possível racionalizar, vamos eliminar?, disse Richard Wiley, ex-presidente da comissão e hoje advogado de companhias de mídia e emissoras.

As mudanças foram criticadas por algumas organizações de defesa do consumidor, para as quais elas concentrarão o poder da mídia, reduzindo a diversidade.

Para Andrew Jay Schwartzman, presidente do Projeto de Acesso à Mídia, grupo dedicado a promover o direito do público de participar dos meios de informação, as normas em processo de revogação ?garantem o acesso do público às notícias, e o fim delas possibilita a cartelização, na qual um punhado de proprietários com interesses cada vez mais comuns têm a capacidade de moldar o gosto público?.

Os juízes do tribunal em Washington, porém, expressaram ceticismo em relação à premissa de que os limites do governo à propriedade de órgãos de mídia promovem a diversidade na TV.

Vistas em conjunto, as alterações são as mais significativas dos últimos anos no que se refere à propriedade da mídia. Algumas das normas revistas, como a limitação do número de estações que uma emissora pode ter, datam do nascimento da televisão, na década de 1940. Outras, como as restrições que impedem uma empresa de ser dona de uma estação de TV e um jornal na mesma região, foram adotadas na década de 1970. (Tradução de Clara Allain)"

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